Escala de Dor BPS

A dor é uma experiência subjetiva e complexa, especialmente em pacientes críticos que podem não conseguir comunicar seu desconforto de forma clara.

Para auxiliar na avaliação da dor nesses casos, a Escala de Dor BPS (Behavioral Pain Scale) é uma ferramenta amplamente utilizada.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a Escala de Dor BPS, como ela funciona, sua importância e como aplicá-la na prática clínica.

O Que é a Escala de Dor BPS?

A Escala de Dor BPS é uma ferramenta comportamental utilizada para avaliar a dor em pacientes críticos, especialmente aqueles que estão sedados, intubados ou incapazes de se comunicar verbalmente. Ela foi desenvolvida para fornecer uma avaliação objetiva da dor com base em sinais comportamentais e fisiológicos.

Como Funciona a Escala de Dor BPS?

A Escala de Dor BPS avalia três critérios principais, cada um com uma pontuação que varia de 1 (sem dor) a 4 (dor intensa). A pontuação total varia de 3 a 12, sendo que quanto maior a pontuação, maior a intensidade da dor.

Critérios Avaliados

  1. Expressão Facial
    • 1 ponto: Relaxada.
    • 2 pontos: Parcialmente tensionada.
    • 3 pontos: Totalmente tensionada.
    • 4 pontos: Contraída, com expressão de dor.
  2. Movimentos dos Membros Superiores
    • 1 ponto: Sem movimentos.
    • 2 pontos: Movimentos parciais.
    • 3 pontos: Movimentos de proteção.
    • 4 pontos: Agitação ou movimentos descontrolados.
  3. Ventilação (Resposta ao Ventilador Mecânico)
    • 1 ponto: Tolerância ao ventilador.
    • 2 pontos: Tosse ou resistência ocasional.
    • 3 pontos: Resistência frequente ao ventilador.
    • 4 pontos: Incapacidade de ventilar adequadamente.

Importância da Escala de Dor BPS

A Escala de Dor BPS é essencial para:

  • Identificar a Dor em Pacientes Não Comunicativos: Permite avaliar a dor em pacientes que não podem expressar verbalmente seu desconforto.
  • Guiar o Tratamento: Ajuda a equipe de saúde a tomar decisões sobre a administração de analgésicos e outros tratamentos para o alívio da dor.
  • Monitorar a Eficácia do Tratamento: Avalia se as intervenções estão sendo eficazes no controle da dor.

Como Aplicar a Escala de Dor BPS?

A aplicação da Escala de Dor BPS deve ser feita por profissionais treinados, seguindo estes passos:

  1. Observação do Paciente: Avalie a expressão facial, os movimentos dos membros superiores e a resposta ao ventilador mecânico.
  2. Atribuição de Pontuação: Dê uma pontuação para cada critério com base nas observações.
  3. Cálculo da Pontuação Total: Some as pontuações dos três critérios.
  4. Interpretação dos Resultados:
    • 3-4 pontos: Dor ausente ou leve.
    • 5-6 pontos: Dor moderada.
    • 7-12 pontos: Dor intensa.

Cuidados de Enfermagem no Uso da Escala de Dor BPS

A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial na aplicação e interpretação da Escala de Dor BPS. Aqui estão os principais cuidados:

  1. Treinamento Adequado: Certifique-se de que a equipe está familiarizada com os critérios e a forma de aplicação da escala.
  2. Observação Atenta: Monitore o paciente de forma contínua para identificar mudanças no comportamento que possam indicar dor.
  3. Registro das Avaliações: Documente as pontuações e as intervenções realizadas para o controle da dor.
  4. Comunicação com a Equipe: Compartilhe os resultados da avaliação com a equipe multidisciplinar para garantir um tratamento adequado.

Limitações da Escala de Dor BPS

Embora seja uma ferramenta valiosa, a Escala de Dor BPS tem algumas limitações:

  • Subjetividade: A avaliação depende da interpretação do profissional.
  • Influência de Sedativos: Pacientes sedados podem apresentar respostas comportamentais reduzidas.
  • Não Avalia Todos os Tipos de Dor: A escala é mais eficaz para dor aguda e pode não capturar dor crônica ou neuropática.

A Escala de Dor BPS é uma ferramenta essencial para avaliar a dor em pacientes críticos que não podem se comunicar verbalmente. Com sua aplicação adequada, a equipe de saúde pode garantir um tratamento mais humanizado e eficaz, promovendo o conforto e o bem-estar dos pacientes.

Referências:

  1. AZEVEDO-SANTOS, Isabela Freire; ALVES, Iura Gonzalez Nogueira; CERQUEIRA NETO, Manoel Luiz de; BADAUÊ-PASSOS, Daniel; SANTANA-FILHO, Valter Joviniano; SANTANA, Josimari Melo de. Validação da versão Brasileira da Escala Comportamental de Dor (Behavioral Pain Scale) em adultos sedados e sob ventilação mecânica. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 67, n. 3, p. 271-277, 2017. ISSN 0034-7094. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.bjan.2015.11.006.
  2. Pinheiro, A. R. P. de Q., & Marques, R. M. D.. (2019). Behavioral Pain Scale e Critical Care Pain Observation Tool para avaliação da dor em pacientes graves intubados orotraquealmente. Revisão sistemática da literatura. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 31(4), 571–581. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190070

Medicamentos Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios são medicamentos amplamente utilizados na prática clínica, e fazem parte da rotina de trabalho de qualquer profissional da saúde, especialmente aqueles que atuam na enfermagem.

Apesar de sua aparente simplicidade, seu uso exige conhecimento técnico, atenção aos efeitos adversos e um olhar atento aos cuidados com o paciente. Neste post, vamos entender melhor o que são os anti-inflamatórios, seus principais grupos, como atuam no organismo e o que a enfermagem precisa saber para um cuidado seguro e eficaz.

A Inflamação: Uma Resposta de Defesa do Nosso Corpo

Antes de falarmos dos medicamentos, precisamos entender o que é a inflamação. Ela é uma resposta natural do nosso corpo a uma lesão, infecção ou irritação. Pense em quando você torce o tornozelo: ele fica vermelho, inchado, quente e dolorido, certo? Esses são os sinais clássicos da inflamação. O objetivo da inflamação é proteger a área lesionada, eliminar o agente agressor e iniciar o processo de cicatrização.

O problema é que, muitas vezes, essa resposta inflamatória pode ser exagerada, causar muito desconforto (dor, inchaço) ou até mesmo ser prejudicial em algumas doenças crônicas. É aí que os anti-inflamatórios entram em cena para modular essa resposta.

Os Grandes Grupos de Anti-inflamatórios: Uma Abordagem Diferente

Existem basicamente dois grandes grupos de medicamentos anti-inflamatórios, e entender a diferença entre eles é crucial para o nosso cuidado:

Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Os “Comuns” do Dia a Dia

Os AINEs são os mais conhecidos e utilizados, tanto por prescrição médica quanto na automedicação. Eles atuam inibindo a produção de substâncias no nosso corpo chamadas prostaglandinas, que são as grandes responsáveis por mediar a dor, a febre e a inflamação.

  • Como agem: Eles bloqueiam a ação de enzimas chamadas Cicloxigenases (COX-1 e COX-2).
    • COX-1: Está presente na maioria dos tecidos e é responsável por funções “boas”, como proteger a mucosa do estômago, manter o fluxo sanguíneo renal e a agregação plaquetária (ajudar na coagulação do sangue).
    • COX-2: É induzida principalmente em locais de inflamação e é a principal responsável pela dor e pela inflamação.

Os AINEs podem ser divididos em:

AINEs Não Seletivos (Inibidores de COX-1 e COX-2): São os mais antigos e de uso mais comum. Por inibirem as duas enzimas, são eficazes contra a dor e a inflamação, mas têm mais efeitos colaterais relacionados à inibição da COX-1.

Exemplos:

    • Ibuprofeno: Muito usado para dores leves a moderadas, febre e inflamações em geral.
    • Diclofenaco: Potente anti-inflamatório, usado para dores mais intensas e inflamações, como as articulares.
    • Naproxeno: Ação mais prolongada, útil para dores crônicas ou inflamações.
    • Ácido Acetilsalicílico (AAS) em doses altas: Embora mais conhecido como antiagregante plaquetário em doses baixas, em doses mais altas, age como anti-inflamatório, antipirético e analgésico.
    • Cetoprofeno, Nimesulida, Meloxicam, Indometacina, Piroxicam.

Cuidados de Enfermagem (AINEs Não Seletivos):

  • Risco Gastrointestinal: São os mais famosos por causar azia, dor no estômago, gastrite e até úlceras e sangramentos. Oriente o paciente a tomar com alimentos ou leite para proteger o estômago. Pergunte sobre histórico de problemas gástricos.
  • Risco Renal: Podem prejudicar os rins, especialmente em idosos, desidratados ou pacientes com doença renal pré-existente. Monitore a função renal (débito urinário, creatinina).
  • Risco Cardiovascular: Alguns podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares (infarto, AVC), principalmente em uso prolongado e em pacientes de risco.
  • Risco de Sangramento: Por interferirem na agregação plaquetária, podem aumentar o risco de sangramentos (gengivas, nariz, equimoses). Oriente o paciente e esteja atento se ele já usa anticoagulantes.
  • NÃO usar em casos de Dengue ou suspeita: Devido ao risco de sangramento e complicação da doença.

AINEs Seletivos (Inibidores de COX-2): Desenvolvidos para inibir preferencialmente a COX-2, buscando reduzir os efeitos colaterais gastrointestinais, já que poupam a COX-1.

Exemplos:

    • Celecoxibe: Um dos mais conhecidos dessa classe.

Cuidados de Enfermagem (AINEs Seletivos):

  • Menor Risco Gastrointestinal: Embora o risco seja menor que os não seletivos, não é zero. Ainda é preciso cautela.
  • Risco Cardiovascular: Apesar de terem sido desenvolvidos para serem mais seguros, alguns estudos mostraram que podem ter um risco cardiovascular até maior em uso prolongado. São geralmente reservados para pacientes com alto risco gastrointestinal e baixo risco cardiovascular.

Corticosteroides (Anti-inflamatórios Esteroides): Os “Super-Heróis” Potentes

Os corticosteroides (ou glicocorticoides) são hormônios produzidos naturalmente pelo nosso corpo (como o cortisol) e também podem ser sintetizados em laboratório. Eles são os anti-inflamatórios mais potentes que existem, com um efeito muito mais amplo que os AINEs. Eles atuam em diversas vias da cascata inflamatória, suprimindo o sistema imunológico e reduzindo a inflamação de forma significativa.

  • Como agem: Atuam em nível genético, inibindo a produção de várias substâncias pró-inflamatórias e suprimindo a resposta imunológica.
  • Exemplos:
    • Prednisona, Prednisolona: Muito usadas por via oral.
    • Dexametasona: Potente, usada por via oral ou injetável.
    • Hidrocortisona: Usada em situações de emergência (ex: choque anafilático).
    • Betametasona, Metilprednisolona.

Cuidados de Enfermagem (Corticosteroides):

Por serem muito potentes e com efeitos em múltiplos sistemas, exigem cuidados rigorosos e monitoramento:

  • Uso em Curto Prazo vs. Longo Prazo: Os efeitos colaterais são mais significativos no uso prolongado e em doses altas.
  • Supressão da Imunidade: Podem diminuir a capacidade do corpo de combater infecções. Oriente o paciente a evitar contato com pessoas doentes e a relatar sinais de infecção.
  • Aumento da Glicemia: Podem aumentar os níveis de açúcar no sangue, mesmo em não diabéticos. Monitore a glicemia.
  • Efeitos Gastrointestinais: Também podem causar úlceras e sangramentos. Administrar com alimentos.
  • Distúrbios Psiquiátricos: Podem causar insônia, agitação, euforia ou depressão.
  • Ganho de Peso e Edema: Podem causar retenção de líquidos e inchaço (rosto em “lua cheia”, “pescoço de búfalo”).
  • Osteoporose: Em uso prolongado, aumentam o risco de osteoporose.
  • Hipertensão Arterial: Podem elevar a pressão arterial.
  • NÃO Interromper Abruptamente: O uso prolongado de corticosteroides pode suprimir a produção natural de cortisol pelas glândulas adrenais. A interrupção súbita pode causar uma crise adrenal (insuficiência adrenal aguda), que é uma emergência grave. A retirada deve ser feita de forma gradual, com desmame orientado pelo médico.
  • Orientar o paciente sobre os múltiplos efeitos colaterais: É vital que o paciente compreenda que, embora eficaz, o medicamento exige cuidado e monitoramento.

O Papel Essencial do Enfermeiro: Muito Além da Administração

Nós, profisisonais de enfermagem, somos os guardiões da segurança do paciente no uso de anti-inflamatórios. Nossa atuação vai além de simplesmente dar o comprimido:

  • Avaliação do Paciente: Antes de administrar, verificar o histórico de alergias, doenças pré-existentes (renais, cardíacas, gastrointestinais), uso de outros medicamentos (interações).
  • Orientação Rigorosa:
    • Explicar a importância de não exceder a dose prescrita e o tempo de uso.
    • Informar sobre os principais efeitos colaterais e quando procurar ajuda médica.
    • Orientar sobre a administração com alimentos (para AINEs e corticosteroides).
    • Alertar sobre a não interrupção abrupta dos corticosteroides.
    • Desaconselhar a automedicação, especialmente com AINEs, devido aos riscos.
  • Monitoramento Atento:
    • Observar sinais de sangramento (fezes escuras, vômito com sangue, sangramento nas gengivas).
    • Monitorar a função renal (débito urinário, exames).
    • Verificar a pressão arterial e a glicemia, especialmente com corticosteroides.
    • Avaliar a melhora dos sintomas (dor, febre, inflamação) e a ocorrência de efeitos adversos.
  • Comunicação: Reportar ao médico qualquer efeito adverso, falta de resposta ao tratamento ou dúvidas do paciente.

Os anti-inflamatórios são ferramentas poderosas no alívio do sofrimento, mas são facas de dois gumes. Compreender seus mecanismos, suas indicações e, crucialmente, seus riscos, nos capacita a promover um uso mais seguro e eficaz, protegendo nossos pacientes de possíveis complicações. Essa é a essência do nosso cuidado.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Bula dos medicamentos [Nome do medicamento, ex: Ibuprofeno, Prednisona]. (Acessar a bula mais recente disponível no site da ANVISA ou do fabricante para informações específicas de cada fármaco).
  2. KATZUNG, B. G.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021. (Consultar capítulo sobre anti-inflamatórios).
  3. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. (Consultar capítulo sobre inflamação e medicamentos anti-inflamatórios).
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Consenso Brasileiro para o Tratamento da Osteoartrite. Revista Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 56, n. 4, p. 347-353, jul./ago. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/w2L5mJ7gK8hX3jS9qY4T/?lang=pt. (Embora seja sobre osteoartrite, o consenso aborda o uso de AINEs).

Escala de Faces Wong Baker

A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta amplamente utilizada para avaliar a intensidade da dor, especialmente em crianças e em adultos com dificuldades de comunicação. Ela consiste em uma série de faces com expressões que vão de um sorriso radiante (sem dor) a uma expressão de choro intenso (dor máxima).

Como Funciona?

A escala apresenta uma série de rostos, cada um com uma expressão facial diferente, que vai desde um rosto sorridente (indicando ausência de dor) até um rosto chorando e contorcido (indicando dor intensa). A criança é convidada a escolher o rosto que melhor representa a dor que está sentindo naquele momento.

Por que usar a Escala de Faces Wong-Baker?

  • Facilidade de uso: A escala é simples e intuitiva, sendo fácil de entender para crianças a partir dos 3 anos de idade.
  • Comunicação não verbal: Permite que crianças pequenas, que ainda não dominam a linguagem verbal, expressem a intensidade da dor.
  • Visualização da dor: A representação visual da dor facilita a compreensão da criança sobre o que está sentindo e como pode comunicar isso ao adulto.
  • Consistência na avaliação: A escala proporciona um método padronizado para avaliar a dor, permitindo comparar a intensidade da dor ao longo do tempo.

Como utilizar a escala?

  1. Explique para a criança: Use uma linguagem simples e adequada à idade da criança para explicar o que cada rosto representa.
  2. Apresente as opções: Mostre à criança todas as faces da escala, uma de cada vez, e pergunte qual delas mais se parece com o que ela está sentindo.
  3. Incentive a escolha: Deixe que a criança escolha livremente o rosto que considera mais adequado.
  4. Registre o resultado: Anote o rosto escolhido pela criança para acompanhar a evolução da dor.

Vantagens da Escala de Faces Wong-Baker

  • Versatilidade: Pode ser utilizada em diferentes contextos clínicos e para avaliar diversos tipos de dor.
  • Validade e confiabilidade: A escala possui boa validade e confiabilidade, sendo amplamente utilizada e estudada.
  • Aceitação pelas crianças: A maioria das crianças se sente confortável em utilizar a escala.

Limitações da Escala

  • Subjetividade: A avaliação da dor é subjetiva e pode variar de acordo com a interpretação da criança e do profissional de saúde.
  • Dificuldade em crianças muito pequenas: Crianças muito pequenas podem ter dificuldade em compreender o conceito de dor e em escolher um rosto.
  • Influência cultural: A expressão facial da dor pode variar entre diferentes culturas, o que pode influenciar a escolha da criança.

A Escala de Faces Wong-Baker é uma ferramenta valiosa para avaliar a dor em crianças, proporcionando uma comunicação mais eficaz entre a criança e o profissional de saúde. Ao utilizar essa escala, é possível identificar a intensidade da dor, monitorar a evolução do tratamento e tomar decisões mais adequadas para o manejo da dor pediátrica.

Observação: É importante ressaltar que a Escala de Faces Wong-Baker é apenas uma das ferramentas disponíveis para avaliar a dor em crianças. A escolha da escala mais adequada dependerá das características individuais da criança e do contexto clínico.

Referências:

  1. SILVA, A. B.; PEREIRA, C. A. C. Índice de Barthel: validação em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 18, n. 1, p. 1-8, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/GwvZjxCGwVyhtjDv4kWPQpc/?format=pdf.
  2. Oliveira A. M, Cunha Batalha L. M, Fernandes A. M, Castro Gonçalves J, , Viegas R. G. Uma análise funcional da Wong-Baker Faces Pain Rating Scale: linearidade, discriminabilidade e amplitude. Revista de Enfermagem Referência [Internet]. 2014;IV(3):121-130. Recuperado de: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=388239973017

O Manejo da Dor

Um Protocolo de Manejo da Dor Hospitalar é um conjunto de diretrizes e procedimentos padronizados, com o objetivo de garantir que todos os pacientes recebam uma avaliação e tratamento da dor adequados e oportunos, independentemente de sua condição clínica ou do serviço hospitalar onde estão internados.

Por que um Protocolo de Manejo da Dor é Essencial?

  • Melhora da qualidade de vida: O controle da dor aumenta o bem-estar do paciente, reduzindo o sofrimento e a ansiedade.
  • Aceleração da recuperação: Pacientes com dor controlada tendem a se recuperar mais rapidamente e a ter uma alta hospitalar mais precoce.
  • Redução de complicações: A dor mal controlada pode levar a complicações como taquicardia, hipertensão, trombose e depressão respiratória.
  • Satisfação do paciente e da equipe: Um manejo eficaz da dor aumenta a satisfação tanto do paciente quanto da equipe assistencial.

Elementos-chave de um Protocolo de Manejo da Dor

  1. Avaliação da dor:
    • Regular: A dor deve ser avaliada em todos os pacientes, de forma regular e documentada.
    • Escalas: Utilizar escalas validadas para medir a intensidade da dor, como a Escala Visual Analógica (EVA) ou a Escala Numérica, PAINAD e BPS.
    • Fatores influenciadores: Considerar outros fatores além da intensidade, como a localização, a qualidade da dor e o impacto nas atividades da vida diária.
  2. Tratamento da dor:
    • Abordagem multimodal: Combinar diferentes métodos farmacológicos e não farmacológicos para controlar a dor.
    • Escada analgésica: Seguir a Escada Analgésica da OMS, iniciando com analgésicos mais simples e avançando para medicamentos mais potentes conforme a necessidade.
    • Individualização: Adaptar o tratamento às características de cada paciente, considerando fatores como idade, comorbidades e tolerância aos medicamentos.
  3. Documentação:
    • Registro detalhado: Documentar todas as avaliações da dor, os tratamentos realizados e a resposta do paciente.
    • Comunicação: Garantir a comunicação clara e eficaz entre todos os membros da equipe de saúde.
  4. Educação:
    • Equipe: Oferecer treinamento contínuo aos profissionais de saúde sobre os princípios do manejo da dor.
    • Paciente e familiares: Informar os pacientes e seus familiares sobre a importância da avaliação e do tratamento da dor, e incentivá-los a comunicar qualquer alteração.

Exemplos de Instituições com Protocolos de Manejo da Dor

Hospitais

A maioria dos hospitais, tanto públicos quanto privados, possui protocolos de manejo da dor, que podem ser encontrados em seus manuais de procedimentos ou em plataformas online.

Clínicas de dor

 Essas clínicas especializadas possuem protocolos ainda mais detalhados, abrangendo uma variedade de condições dolorosas e utilizando técnicas avançadas de tratamento.

Sociedades médicas

Sociedades como a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e a International Association for the Study of Pain (IASP) elaboram diretrizes e recomendações para o manejo da dor, que podem servir como base para a criação de protocolos institucionais.

Benefícios da Implementação de um Protocolo

  • Padronização: Garante que todos os pacientes recebam o mesmo padrão de cuidado.
  • Melhora da qualidade assistencial: Contribui para a melhoria da qualidade geral do cuidado prestado aos pacientes.
  • Redução de custos: Pode reduzir os custos hospitalares, ao diminuir a duração da internação e a necessidade de recursos adicionais.

Desafios e Considerações

  • Resistência à mudança: Alguns profissionais podem resistir a mudanças nas práticas existentes.
  • Recursos limitados: A implementação de um protocolo pode exigir investimentos em recursos humanos e materiais.
  • Necessidade de avaliação contínua: O protocolo deve ser avaliado periodicamente e adaptado às necessidades da instituição.

Cuidados de Enfermagem ao Manejo da Dor

O enfermeiro desempenha um papel fundamental no manejo da dor, atuando como um elo crucial entre o paciente e a equipe multidisciplinar. Seus cuidados abrangem desde a avaliação inicial até o acompanhamento contínuo do paciente, visando garantir o alívio da dor e promover a recuperação.

Avaliação da dor:

    • Regular: A dor deve ser avaliada de forma frequente e sistemática, utilizando escalas validadas como a EVA (Escala Visual Analógica) ou a EN (Escala Numérica), PAINAD e BPS.
    • Características: Além da intensidade, é importante avaliar a localização, a qualidade (queimação, pontada, etc.), a duração e os fatores que agravam ou aliviam a dor.
    • Impacto: Avaliando o impacto da dor nas atividades da vida diária, no sono e no bem-estar geral do paciente.

Comunicação:

    • Escutar o paciente: É fundamental estabelecer uma relação de confiança com o paciente, ouvindo atentamente suas queixas e percepções sobre a dor.
    • Informar o paciente: Explicar ao paciente a importância do controle da dor, as opções de tratamento disponíveis e como colaborar nesse processo.

Administração de analgésicos:

    • Seguindo a prescrição médica: Administrar os analgésicos prescritos de acordo com a dose, via e frequência indicadas.
    • Monitorando efeitos colaterais: Observar e registrar os efeitos colaterais dos medicamentos, comunicando qualquer alteração ao médico.

Técnicas não farmacológicas:

    • Aplicar técnicas como:
      • Massagem
      • TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea)
      • Acupuntura
      • Relaxamento
      • Distrações (música, leitura, etc.)
    • Criar um ambiente tranquilo: Proporcionar um ambiente calmo e confortável para o paciente.

Educação:

    • Ensinar o paciente e a família: Orientar sobre as diferentes formas de lidar com a dor, a importância da comunicação e a necessidade de buscar ajuda quando necessário.

Documentação:

    • Registrar todas as informações: Registrar as avaliações da dor, os tratamentos realizados, a resposta do paciente e qualquer outra informação relevante no prontuário.

Quais os desafios enfrentados pelos enfermeiros no manejo da dor?

  • Subnotificação da dor: Muitos pacientes não comunicam a dor adequadamente por medo de incomodar ou de receber mais medicamentos.
  • Resistência à medicação: Alguns pacientes podem ter receio de se tornar dependentes dos analgésicos.
  • Falta de tempo: A sobrecarga de trabalho pode dificultar a realização de uma avaliação completa e individualizada da dor.
  • Falta de conhecimento: Alguns enfermeiros podem não ter conhecimento suficiente sobre as diferentes opções de tratamento da dor.

Como superar esses desafios?

  • Treinamento: Oferecer treinamentos contínuos aos enfermeiros sobre o manejo da dor, com foco em avaliação, tratamento e comunicação.
  • Protocolos: Implementar protocolos de manejo da dor claros e padronizados, facilitando a tomada de decisões e garantindo a qualidade do cuidado.
  • Multidisciplinaridade: Trabalhar em equipe com médicos, fisioterapeutas e outros profissionais para oferecer um cuidado integral ao paciente.
  • Tecnologia: Utilizar ferramentas tecnológicas para auxiliar na avaliação e no tratamento da dor, como aplicativos para celular e prontuários eletrônicos.

Conclusão

O manejo da dor é um aspecto fundamental dos cuidados de enfermagem. Ao realizar uma avaliação precisa, comunicar-se de forma eficaz com o paciente, administrar os medicamentos adequadamente e utilizar técnicas não farmacológicas, o enfermeiro contribui significativamente para o bem-estar e a recuperação do paciente.

Referências:

  1. HOSPITAL DO CORAÇÃO. Protocolo de dor. Disponível em: https://www.hcor.com.br/area-medica/wp-content/uploads/sites/3/2021/12/Protocolo-de-dor-web.pdf
  2. Besen, B. A. M. P., Nassar, A. P., Lacerda, F. H., Silva, C. M. D. da ., Souza, V. T. de ., Martins, E. V. do N., Lopes, A. T. A., Brandão, C. E., & Oliveira, L. F. de .. (2019). Implantação de um protocolo de manejo de dor e redução do consumo de opioides na unidade de terapia intensiva: análise de série temporal interrompida. Revista Brasileira De Terapia Intensiva, 31(4), 447–455. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20190085
  3. Barros, S. R. A. de F., & Albuquerque, A. P. dos S.. (2014). Nursing approaches for pain diagnosis and classification of outcomes. Revista Dor, 15(2), 107–111. https://doi.org/10.5935/1806-0013.20140021

Tudo sobre a Neuralgia do Trigêmeo

A neuralgia do trigêmeo é uma condição dolorosa que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face. Essa condição se caracteriza por dores intensas e repentinas, que podem ser descritas como choques elétricos ou facadas. A dor geralmente se concentra em uma área específica do rosto, como a bochecha, queixo ou testa.

O que causa a neuralgia do trigêmeo?

A causa exata da neuralgia do trigêmeo nem sempre é conhecida, mas a principal causa identificada é a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo. Essa compressão pode causar inflamação e irritação do nervo, levando às dores características.

Outras possíveis causas incluem:

  • Esclerose múltipla: Uma doença autoimune que ataca o sistema nervoso central.
  • Tumores: Tanto no cérebro quanto nos nervos cranianos.
  • Infecções: Como herpes zoster.
  • Trauma: Lesões na cabeça ou rosto.

Quais são os sintomas da neuralgia do trigêmeo?

Os principais sintomas da neuralgia do trigêmeo são:

  • Dores intensas e repentinas: As crises podem durar de alguns segundos a alguns minutos.
  • Gatilhos: A dor pode ser desencadeada por atividades como mastigar, falar, escovar os dentes ou até mesmo uma brisa leve no rosto.
  • Áreas afetadas: A dor geralmente se concentra em uma das três divisões do nervo trigêmeo: oftálmica (testa e olho), maxilar (bochecha) ou mandibular (queixo e lábios).

Como a neuralgia do trigêmeo é diagnosticada?

O diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é feito por um neurologista, com base nos sintomas relatados pelo paciente e em exames complementares, como:

  • Ressonância magnética: Para identificar a compressão do nervo por um vaso sanguíneo ou outras possíveis causas.
  • Tomografia computadorizada: Pode ser utilizada para avaliar a estrutura óssea e identificar possíveis lesões.

Tratamentos para a neuralgia do trigêmeo

O tratamento da neuralgia do trigêmeo varia de acordo com a gravidade dos sintomas e a causa da doença. As opções de tratamento incluem:

  • Medicamentos:
    • Carbamazepina e gabapentina: Os medicamentos mais utilizados para controlar a dor.
    • Outros medicamentos: Baclofeno, oxcarbazepina, pregabalina, etc.
  • Tratamentos minimamente invasivos:
    • Injeções de botox: A toxina botulínica pode bloquear a transmissão dos sinais de dor.
    • Radiofrequência: Um procedimento que utiliza ondas de rádio para destruir as fibras nervosas que transmitem a dor.
  • Cirurgia:
    • Descompressão microvascular: Um procedimento cirúrgico para aliviar a compressão do nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo.
    • Rizotomia: Um procedimento que destrói as raízes do nervo trigêmeo para interromper a transmissão da dor.

Cuidados de Enfermagem

Avaliação da dor:

    • Utilizar escalas de dor adequadas para monitorar a intensidade e frequência das crises dolorosas.
    • Identificar os fatores desencadeantes da dor (estímulos táteis, mastigação, fala).
    • Avaliar a eficácia dos medicamentos e outras intervenções para o controle da dor.

Administração de medicamentos:

    • Administrar os medicamentos prescritos pelo médico, como analgésicos, anticonvulsivantes e outros, de acordo com a prescrição médica.
    • Monitorar os efeitos colaterais dos medicamentos.

Promoção do conforto:

    • Criar um ambiente tranquilo e calmo para o paciente.
    • Auxiliar em atividades de higiene e conforto.
    • Ensinar técnicas de relaxamento e distração para ajudar a aliviar a dor.

Orientações sobre autocuidado:

    • Ensinar o paciente a identificar e evitar os fatores desencadeantes da dor.
    • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia durante as crises dolorosas.
    • Incentivar a prática de atividades físicas leves, como caminhadas, quando a dor estiver controlada.

Promoção da saúde bucal:

    • Orientar sobre a importância da higiene bucal adequada, pois problemas dentários podem desencadear crises de dor.

Suporte psicológico:

    • Oferecer escuta ativa e empatia ao paciente e sua família.
    • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Educação sobre a doença:

    • Explicar a fisiopatologia da neuralgia do trigêmeo de forma clara e concisa.
    • Informar sobre as opções de tratamento disponíveis, incluindo medicamentos, terapias e procedimentos cirúrgicos.
    • Esclarecer dúvidas sobre a doença e o tratamento.

Diagnósticos de enfermagem:

  • Dor crônica relacionada à neuralgia do trigêmeo.
  • Déficit no autocuidado relacionado à fadiga e à dor.
  • Ansiedade relacionada ao diagnóstico e à dor crônica.
  • Distúrbio do sono relacionado à dor e ao desconforto.

Intervenções de enfermagem:

  • Administrar analgésicos de acordo com a prescrição médica.
  • Ensinar técnicas de relaxamento e distração.
  • Promover um ambiente tranquilo e livre de estímulos.
  • Auxiliar o paciente em atividades de higiene e conforto.
  • Orientar sobre a importância de uma dieta leve e macia.
  • Estimular a prática de atividades físicas leves.
  • Oferecer suporte emocional ao paciente e sua família.
  • Encaminhar para acompanhamento psicológico, se necessário.

Qual é o prognóstico da neuralgia do trigêmeo?

O prognóstico da neuralgia do trigêmeo varia de caso para caso. Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes experimenta alívio da dor. No entanto, a doença pode ser crônica e exigir tratamento contínuo.

Importante: É fundamental buscar atendimento médico especializado para um diagnóstico preciso e tratamento adequado da neuralgia do trigêmeo.

Referências:

  1. Dr. Erich Fonoff: https://www.erichfonoff.com.br/neuralgia-do-trigemeo/
  2. Rede D’Or São Luiz: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/neuralgia-do-trigemeo
  3. Alves, T. C. A., Azevedo, G. S., & Carvalho, E. S. de .. (2004). Tratamento famacológico da neuralgia do trigêmeo: revisão sistemática e metanálise. Revista Brasileira De Anestesiologia, 54(6), 836–849. https://doi.org/10.1590/S0034-70942004000600015
  4. Revista FT: https://revistaft.com.br/os-cuidados-de-enfermagem-ao-paciente-com-dor-cronica-neuralgia-do-trigemeo-depressao-e-o-cuidado-da-enfermagem/

Escala CHEOPS

A Escala de CHEOPS (Children’s Hospital of Eastern Ontario Pain Scale) é um instrumento de avaliação do comportamento de crianças em situações de dor, especialmente no pós-operatório.

A Escala

Ela consiste em seis itens: choro, expressão facial, verbalização, movimento dos braços, movimento das pernas e consolabilidade.

Cada item recebe uma pontuação de 1 a 3 ou de 1 a 4, dependendo da intensidade do comportamento observado.

A pontuação total varia de 4 a 13, sendo que quanto maior o valor, maior a dor da criança.

A Escala de CHEOPS é considerada uma ferramenta válida, confiável e sensível para medir a dor em crianças de 1 a 7 anos de idade, que podem ou não se comunicar verbalmente.

Ela pode ser aplicada por profissionais de saúde treinados ou pelos pais ou cuidadores da criança.

Referência:

  1. Correia, L. L., & Linhares, M. B. M.. (2008). Avaliação do comportamento de crianças em situações de dor: revisão da literatura. Jornal De Pediatria, 84(6), 477–486. https://doi.org/10.1590/S0021-75572008000700003

Rizotomia lombar

A rizotomia lombar – também chamada de rizotomia da faceta lombar ou de denervação facetária – é uma técnica minimamente invasiva que, basicamente, busca desativar (de forma temporária ou permanente) os nervos sensitivos presentes nas articulações atingidas, e que são responsáveis por levar ao cérebro a informação da dor.

Fatores que desencadeiam dores lombares

A dor na coluna pode ser provocada por diversos fatores. Em muitos casos, o desconforto surge por conta de uma inflamação nas articulações facetárias, ou seja, nas articulações que conectam os ossos (vértebras) da parte posterior da coluna, com o objetivo de garantir a estabilidade da espinha dorsal.

Isso geralmente acontece pelo processo de envelhecimento natural – e por isso é mais comum em pessoas acima de 50 anos – ou por alguma doença degenerativa da coluna, como a hérnia de disco e a osteofitose (bico de papagaio). Dessa forma, a inflamação causa dor e dormência na região lombar, podendo ser irradiada para braços e pernas.

Como é feito o procedimento?

Como vimos, a rizotomia lombar é um procedimento minimamente invasivo para tratar dores crônicas na coluna. Isso quer dizer que, comparada às cirurgias tradicionais, ela oferece baixo risco de agressão aos tecidos do corpo ou de infecções, além de praticamente não causar sangramento.

Costuma ser indicada pelo médico ortopedista para casos específicos, principalmente quando os exames físicos e de imagem não indicam uma outra causa aparente para a dor (lombalgia inespecífica) ou quando o paciente não obtém resultados satisfatórios com o tratamento conservador – medicamentos e exercícios de correção da postura, por exemplo.

A operação é simples e relativamente rápida. Geralmente, o paciente recebe apenas anestesia local e sedativos, podendo ficar acordado durante o procedimento. O cirurgião introduz na pele da pessoa (próximo ao local da articulação) uma agulha bem fina e com um eletrodo na ponta, ligado ao aparelho de radioscopia.

Esse aparelho consegue indicar a posição do nervo sensitivo (que não tem qualquer função motora) que deverá ser desativado. Uma vez posicionada a agulha sobre ele, o nervo será cauterizado (queimado) por radiofrequência, deixando de avisar ao cérebro sobre a dor na região.

Há também a possibilidade de realizar a inativação da raiz nervosa utilizando agentes químicos (rizotomia química), mas é menos frequente.

O Pós Operatório

De forma geral, o paciente é liberado cerca de 3 horas depois de finalizado o procedimento, ou seja, sem precisar de internação. A necessidade de repouso vai depender da avaliação médica, mas geralmente o paciente pode voltar à sua rotina normal em poucos dias.

Os resultados podem demorar algumas semanas para aparecer. Além disso, é importante ressaltar que o objetivo principal da rizotomia percutânea lombar é aliviar a dor e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente.

Porém, embora a maioria das pessoas relatem melhoras bem significativas com este procedimento, não é possível garantir que ele irá eliminar 100% do desconforto nem que o resultado dure por anos.

Dessa maneira, caso as dores voltem a incomodar depois de algum tempo, pode ser necessário repetir o procedimento ou realizar outros tipos de cirurgias na coluna.

Referência:

  1. Sociedade Brasileira de Reumatologia

Escala NFCS (Neonatal Facial Coding System): Avaliação da Dor em RN

Hoje sabemos sabe que os recém-nascidos são sensíveis a estímulos dolorosos e que podem sofrer consequências orgânicas e emocionais que, comprometem seu crescimento e desenvolvimento. Portanto, a NFCS (Neonatal Facial Coding System), é válida para quantificar expressões faciais associados à dor, pode ser utilizada em recém-nascido pré-termo, de termo e até quatro meses de idade.

Seus indicadores são: fronte saliente, fenda palpebral estreitada, sulco naso-labial aprofundado, boca aberta, boca estirada (horizontal ou vertical), língua tensa, protrusão da língua, tremor de queixo. A NFCS é a escala mais difundida para uso clínico pela sua facilidade de uso.

A escala

Movimento facial 0 ponto 1 ponto
Fonte Saliente Ausente Presente
Fenda palpebral estreitada Ausente Presente
Sulco nasolabial aprofundado Ausente Presente
Lábios entreabertos Ausente Presente
Boca estirada (horizontal ou vertical) Ausente Presente
Língua tensa Ausente Presente
Lábios franzidos Ausente Presente
Tremor de queixo Ausente Presente
Considera-se a presença de dor quando três ou mais movimentos faciais aparecem de maneira consistente durante a avaliação.

Definições

  • Fronte saliente: abaulamento e sulcos acima e entre as sobrancelhas;
  • Olhos espremidos: compressão total ou parcial da fenda palpebral;
  • Sulco nasolabial aprofundado: aprofundamento do sulco que se inicia em volta das narinas e se dirige à boca;
  • Lábios entreabertos: qualquer abertura dos lábios;
  • Boca esticada: vertical (com abaixamento da mandíbula) ou horizontal (com estiramento das comissuras labiais);
  • Lábios franzidos: parecem estar emitindo um “úúúú”;
  • Língua tensa: em protrusão, esticada e com as bordas tensas;
  • Tremor do queixo.

Referências:

  1. Anand KJ, International Evidence-Based Group for Neonatal Pain. Consensus statement for the prevention and management of pain in the newborn. Arch Pediatr Adolesc Med 2001;155:173–80. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11177093 ;
  2. American Academy of Pediatrics Committee on Fetus and Newborn, American Academy of Pediatrics Section on Surgery, Canadian Paediatric Society Fetus and Newborn
    Committee, Batton DG, Barrington KJ, Wallman C. Prevention and management of pain in the neonate: an update. Pediatrics 2006;118:2231–41. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17079598

Os Tipos de Dor: Conheça!

Existem Diferentes Tipos de Dor. Além disso, o corpo processa a dor de maneiras diferentes. Por esse motivo, existem várias opções de tratamento exclusivas para atender às complexidades de cada tipo.

Ao identificar o tipo de dor, seu médico pode selecionar o tipo de tratamento com mais eficácia e ajudar a controlar sua dor mais rapidamente.

Em que Consiste a Dor?

A dor é uma sensação desconfortável desencadeada pelo sistema nervoso em resposta aos danos nos tecidos ou a outros danos ao corpo. A sensação de dor pode ser:

  • Surda;
  • Incômoda;
  • Aguda;
  • Pontiaguda;
  • Queimação;
  • Alfinetes e agulhas.

Os Tipos mais Comuns de Dor

Existem quatro categorias amplas de dor:

  • Dor nociceptiva: normalmente, resultado de lesão do tecido. Os tipos comuns de dor nociceptiva são a dor da artrite, a dor mecânica nas costas ou a dor pós-cirúrgica;
  • Dor inflamatória: uma inflamação anormal causada por uma resposta inadequada do sistema imunológico do corpo. As condições nesta categoria incluem gota e artrite reumatoide;
  • Dor neuropática: dor causada por irritação do nervo. Isso inclui condições como neuropatia, dor radicular e neuralgia do trigêmeo;
  • Dor funcional: sem origem óbvia, mas com quadros de dor. Exemplos de tais condições são fibromialgia e síndrome do intestino irritável.

A dor também pode ser dividida em aguda e crônica:

A dor aguda é sentida rapidamente em resposta à doença ou lesão. A dor aguda serve para alertar o corpo de que algo está errado e que uma ação deve ser tomada, como afastar o braço de uma chama. A dor aguda geralmente desaparece dentro de um curto período de tempo, uma vez que a condição subjacente é tratada;

dor crônica é definida como durando mais de três meses. A dor crônica geralmente começa como uma dor aguda que se prolonga além do curso natural da cura ou após medidas terem sido tomadas para tratar a causa da dor.

Outros Tipos de Dor

A pesquisa sobre o diagnóstico e o tratamento da dor continua em andamento. Portanto, conforme o estudo da dor foi se aprofundando, outros subtipos foram sendo descritos, possibilitando um diagnóstico mais preciso para um tratamento mais adequado.

Dor Inflamatória Nociceptiva

A dor inflamatória nociceptiva está associada aos danos nos tecidos em que ocorre uma resposta inflamatória. A inflamação é uma resposta coordenada do sistema corporal, projetada para ajudar a curar os danos nos tecidos.

A resposta inflamatória é bem coordenada e envolve produtos químicos do sangue, produtos químicos do sistema imunológico e alguns produtos químicos liberados de fibras nervosas especializadas. Esses produtos químicos se comunicam entre si para ajudar a coordenar a reparação dos tecidos.

Pode haver sinais de lesão do tecido, como inchaço, vermelhidão e posteriormente púrpura ou amarelecimento da pele, maior sensibilidade ao toque e movimento. Esses sinais fazem parte da cicatrização do tecido.

Dor Referida

A dor referida é a dor percebida em um local diferente do local do estímulo doloroso. Geralmente, se origina em um dos órgãos viscerais, mas é sentida na pele ou, às vezes, em outra área no interior do corpo.

Seu mecanismo provavelmente se deve ao fato de que os sinais de dor das vísceras viajam pelas mesmas vias neurais usadas pelos sinais de dor da pele. O resultado é a percepção da dor originada na pele e não em um órgão visceral profundamente arraigado ou em uma estrutura neural.

Dor Nociplástica

Esse tipo de dor pode refletir alterações no funcionamento dos sistemas nervoso e imunológico. Quando isso acontece, a dor pode ser amplificada, generalizada, envolver vários tecidos (corpo, vísceras) e ser mais intensa, dada a quantidade de dano nervoso.

Outros sintomas comuns são fadiga, sono insuficiente, problemas de memória e mau humor. Esse tipo de dor é frequentemente associado a condições como fibromialgia, dor pélvica crônica, dores de cabeça do tipo tensional ou lombalgia crônica.

A dor nociplástica não responde à maioria dos medicamentos e geralmente requer um programa de cuidados sob medida que envolve o tratamento de fatores que podem contribuir para a dor contínua (estilo de vida, humor, atividade, trabalho, fatores sociais).

A maioria das dores pode ser tratada com sucesso por uma abordagem multidisciplinar ou combinada com base no tipo ou tipos de dor envolvidos. Portanto, seja sua dor aguda ou crônica, o médico especialista em dor pode ajudá-lo em seu tratamento.

Dor Visceral

A dor visceral é, por definição, dor sentida como vindo dos órgãos internos do corpo. Existem várias etiologias para a dor sentida em órgãos internos, incluindo:

  • Inflamação (aguda e crônica), inclusive inflamação causada por irritantes mecânicos (por ex., cálculos renais)
  • Infecção
  • Interrupção de processos mecânicos normais (por ex., falta de mobilidade gastrointestinal)
  • Neoplasias (benignas ou malignas)
  • Alterações nos nervos que transportam as sensações das vísceras
  • Ιsquemia

A dor visceral pode ter várias formas e os processos que podem estar associados a condições com risco de vida ou rapidamente reversíveis devem ser considerados em todas as apresentações. No entanto, eventos isolados com apresentação aguda e resolução espontânea são comuns. O nível da investigação deve ser guiado pela prudência e pela persistência ou recorrência dos sintomas.

Tradicionalmente, a dor visceral crônica é classificada como “orgânica”, causada por lesão patológica detectável por medidas diagnósticas normais, ou “funcional”, quando a etiologia é obscura e pode ser causada por mudanças indefinidas na hipersensibilidade visceral em nível central ou periférico.

Dor Somática

A Dor somática ocorre quando os estímulos que vão produzir a sensação de dor provêm da periferia do corpo (pele, músculos, periósteo, articulações) ou de tecidos de suporte do organismo.

A dor somática pode ser:

  • Superficial Profunda;
  • Inicial atrasada câimbras musculares, cefaleias , dores de articulações, dor em pontada ou aguda dor em queimação;
  • Pele Tecido Conjuntivo;
  • Ossos, articulações;
  • Músculos

A dor somática é sentida com alto grau de discriminação, sendo amplamente representada na área somatosensorial. É transmitida de acordo com a distribuição anatômica das vias nociceptivas e pode ser SUPERFICIAL CUTÂNEA e PROFUNDA de acordo com a estrutura envolvida na lesão.

Referências:

  1. Bonica JJ. The management of pain, 2. ed. Philadelphia: Lea & Febiger; 1990.
  2. Teixeira MJ, Braum Filho JL, Márquez JO, Yeng LT. dor: contexto interdisciplinar. Curitiba: Editora Maio; 2003.

Escala PAINAD

No processo demencial as pessoas podem deixar de interpretar sensações, como as dolorosas, muitas vezes por não serem capazes de recordar a sua dor ou por não serem capazes de comunicar -se verbalmente , o que torna mais difícil sua detecção e mensuração, caracterizando sua avaliação como um problema a ser considerado nesses pacientes.

As dificuldades entre os profissionais de saúde de reconhecimento da dor e da sua avaliação em idosos com comprometimento cognitivo.

A escala

A escala PAINAD (Pain Assessment in Advanced Dementia) é baseada na avaliação do estado fisiológico e comportamental: respiração, vocalização, expressão facial, linguagem corporal e consolabilidade, com pontuações que variam de 0 a 2 para cada uma das cinco áreas avaliadas.

Categoria Item Pontuação
Respiração independente da vocalização Normal 0
Respiração ocasionalmente difícil. Curto período de hiperventilação. 1
Respiração difícil e ruidosa.

Período longo de hiperventilação. Respiração Cheyne-Stokes

2
Vocalização negativa Nenhuma. 0
Queixume ou gemido ocasional.

Tom de voz baixo com discurso negativo ou de desaprovação.

1
Chamamento perturbado repetitivo. Queixume ou gemido alto. Choro. 2
Expressão facial Sorridente ou inexpressiva. 0
Triste. Amedrontada. Sobrancelhas franzidas. 1
Esgar facial. 2
Linguagem corporal Relaxada. 0
Tensa. Andar para cá e para lá de forma angustiada. Irrequieta. 1
Rígida. Punhos cerrados. Joelhos fletidos. Resistência à aproximação ou ao cuidado.  Agressiva. 2
Consolabilidade Sem necessidade de consolo. 0
Distraído ou tranquilizado pela voz ou toque. 1
Impossível de consolar, distrair ou tranquilizar. 2

Pontuação

Sua pontuação varia de 0 a10, onde:

  • 1 a 3 pontos refere-se a uma dor leve;
  • 4 a 6: dor moderada;
  • 7 a 10: dor forte.

Referências:

  1. IHI Institute for Healthcare Improvement – modelo de programa de melhoria na prática clínica.
  2. Lorenzet IC, Santos FC, Souza PMR, Gambarro RC, Coelho S, Cendoroglo MS. Avaliação da dor em idosos com demência: Tradução e adaptação transcultural PACSLAC para língua portuguesa. Rev. Bras. Med. 2011; 68 (4): 129-33
  3. Valera GG, et al. Adaptação cultual para o Brasil da Escala Pain Assessment in Advanced Dementia – PAINAD.São Paulo: Revista Escola de Enfermagem da USP 2014; 48 (3): 462-8.
  4. Batalha L, Duarte CIA, Rosário RAF, Costa MFSP, Pereira VJR, Morgado TMM (2012). Adaptação cultural e propriedades psicométricas da versão portuguesa da escala Pain Assessment in Advanced Dementia. Referência 2012;8:7-16.