Entendendo a Monitorização Multiparâmetros

monitor cardíaco

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 24/09/2026.

O monitor multiparamétrico pode mostrar vários números ao mesmo tempo, mas nenhum deles substitui a avaliação do paciente. Uma SpO₂ de 98%, por exemplo, não garante que o sensor esteja bem posicionado nem que todas as condições respiratórias estejam adequadas; o profissional precisa olhar o paciente, o traçado e a qualidade do sinal antes de tomar uma decisão.

A monitorização multiparamétrica reúne, em um único equipamento, diferentes sinais fisiológicos, conforme os módulos disponíveis e a configuração utilizada. Entre os parâmetros mais comuns estão ECG/FC, SpO₂, pressão arterial não invasiva, pressão arterial invasiva, frequência respiratória e temperatura; alguns equipamentos também permitem capnografia e outras modalidades de monitorização.

Monitor cardíaco e multiparamétrico

O monitor cardíaco é voltado principalmente à monitorização elétrica do coração, permitindo acompanhar o ritmo e a frequência cardíaca.

O monitor multiparamétrico amplia essa avaliação ao integrar diferentes parâmetros fisiológicos no mesmo equipamento. Por isso, ele é muito utilizado em ambientes como UTI, emergência, centro cirúrgico e recuperação pós-anestésica, conforme a necessidade clínica.

Não significa, porém, que todo paciente precise de todos os módulos disponíveis. A seleção dos parâmetros deve acompanhar a condição clínica, o procedimento realizado e o protocolo do serviço.

O que aparece na tela?

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Exemplo de uma tela de monitor Multiparâmetros. (Vemos no traçado verde onde demonstra a FC, traçado azul escuro onde demonstra o nível de oxigênio no sangue do paciente, traçado roxo onde demonstra a pressão arterial invasiva do paciente, traçado azul claro onde demonstra a capnografia, e o traçado branco onde demonstra a RPM do paciente).

ECG e frequência cardíaca

O ECG contínuo permite acompanhar a atividade elétrica cardíaca e identificar alterações do ritmo. A frequência cardíaca exibida pelo monitor é derivada do sinal captado pelos eletrodos e pode ser afetada por artefatos ou perda de contato.

Por isso, quando o monitor apresenta uma frequência inesperadamente alta ou baixa, vale olhar primeiro o paciente e o traçado. Um eletrodo solto, tremor, movimentação ou interferência elétrica pode produzir uma informação enganosa.

SpO₂

A oximetria de pulso estima a saturação periférica de oxigênio (SpO₂) e também pode exibir a frequência de pulso e a onda pletismográfica. A qualidade dessa onda ajuda a verificar se o sinal obtido é confiável.

Um dedo frio, baixa perfusão periférica, movimentação ou posicionamento inadequado do sensor podem prejudicar a leitura. Por isso, diante de uma queda inesperada da SpO₂, não basta olhar o número: observe o paciente, o sensor e a curva antes de concluir que houve deterioração respiratória.

Pressão arterial

A PANI utiliza um manguito para realizar medidas intermitentes. Já a PAI utiliza um sistema conectado a um cateter arterial para monitorização contínua da pressão.

Na pressão invasiva, o sistema precisa estar corretamente montado e nivelado, com transdutor e circuito em condições adequadas. Uma curva inadequada pode comprometer a interpretação dos valores.

Em situações críticas, a pressão arterial pode ser utilizada junto a outros parâmetros fisiológicos para acompanhar a perfusão e orientar o tratamento. A AHA também reconhece a utilidade da pressão arterial invasiva em determinados cenários de ressuscitação.

Frequência respiratória e capnografia

A frequência respiratória pode ser obtida pelo próprio monitor por diferentes métodos, dependendo do equipamento. Já a capnografia permite acompanhar o CO₂ expirado e produzir uma curva respiratória, sendo especialmente útil em pacientes sob ventilação mecânica, sedação ou determinadas situações de emergência.

Durante uma parada cardiorrespiratória, a capnografia com CO₂ expirado pode auxiliar na avaliação da qualidade da RCP e na identificação de retorno da circulação espontânea, quando disponível.

Temperatura

A temperatura pode ser monitorada continuamente quando o equipamento possui o módulo e o sensor apropriados. O método utilizado deve ser considerado na interpretação do resultado, principalmente quando existe diferença entre temperatura periférica e central.

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O alarme não é o inimigo

Um dos erros mais perigosos é transformar o alarme em um ruído de fundo. O objetivo não é simplesmente deixar o monitor silencioso, mas configurar limites coerentes com a condição do paciente e responder adequadamente aos alertas.

Na prática, um paciente com frequência cardíaca de 130 bpm pode exigir uma configuração diferente de outro com taquicardia persistente, assim como os limites de pressão ou SpO₂ podem precisar de individualização conforme a situação clínica e a prescrição ou protocolo institucional.

Quando um alarme dispara, a sequência mais segura é simples: olhar o paciente, conferir o parâmetro, verificar a qualidade do sinal e investigar a causa.

Quando o número não combina com o paciente

Imagine um paciente acordado, conversando normalmente, enquanto o monitor apresenta SpO₂ de 78%. Antes de assumir uma hipoxemia grave, é necessário verificar o sensor, a perfusão, a onda pletismográfica e a possibilidade de artefato, sem deixar de avaliar clinicamente o paciente.

O cenário inverso também merece atenção: um monitor pode apresentar SpO₂ aparentemente adequada enquanto o paciente demonstra sinais clínicos de deterioração. A monitorização é uma ferramenta de apoio, não uma autorização para ignorar exame físico e evolução clínica. A OMS ressalta que a oximetria é uma ferramenta importante para detectar hipoxemia, mas a qualidade da medida e a interpretação adequada continuam fundamentais.

Configuração exige conhecimento

O profissional de enfermagem precisa conhecer o funcionamento básico do equipamento utilizado no serviço, conectar corretamente os sensores, verificar a qualidade dos sinais e configurar alarmes dentro das rotinas institucionais e de sua competência profissional.

Não existe um único padrão de tela ou de configuração para todos os monitores. Fabricante, modelo, módulos disponíveis e protocolo institucional podem modificar a apresentação e os recursos.

Também é importante lembrar que os equipamentos precisam de cuidados de limpeza e desinfecção conforme as orientações do fabricante e as políticas de controle de infecção. A OMS recomenda seguir as instruções do fabricante para o cuidado, limpeza e desinfecção de monitores e oxímetros.

Um detalhe que faz diferença na UTI

Quando um paciente recém-admitido chega conectado ao monitor, não basta conectar todos os cabos e esperar os números aparecerem. É preciso confirmar se os eletrodos estão posicionados adequadamente, se o manguito corresponde ao paciente, se o sensor de SpO₂ apresenta sinal confiável e se os limites de alarme estão coerentes com a situação clínica.

Essa conferência inicial evita uma situação bastante comum: o profissional perceber uma alteração na tela, correr para avaliar o paciente e descobrir depois que o eletrodo estava parcialmente descolado ou que o sensor estava sem sinal adequado.

Cuidados de enfermagem

Na monitorização multiparamétrica, a enfermagem deve:

  • verificar a integridade dos cabos, sensores e conexões;
  • posicionar corretamente os eletrodos e sensores;
  • utilizar manguito de pressão compatível com o paciente;
  • observar a qualidade dos traçados e das curvas;
  • configurar os alarmes conforme protocolo e condição clínica;
  • investigar alarmes em vez de apenas silenciá-los;
  • comparar os dados do monitor com a avaliação clínica;
  • comunicar alterações relevantes à equipe responsável;
  • registrar parâmetros e intervenções conforme rotina do serviço;
  • realizar limpeza e desinfecção do equipamento conforme orientação institucional e do fabricante.

Para memorizar

  • ECG: atividade elétrica e ritmo cardíaco.
  • SpO₂: saturação periférica de oxigênio estimada pela oximetria.
  • PANI: pressão arterial medida de forma não invasiva.
  • PAI: pressão arterial monitorizada por sistema invasivo.
  • FR: frequência respiratória.
  • Capnografia: acompanha o CO₂ expirado e sua curva.
  • Temperatura: monitorização térmica pelo sensor disponível.

A principal regra é não tratar o monitor como um “oráculo”. Se o número mudou, descubra primeiro se o paciente mudou.

Resumo para salvar

Monitorização Multiparamétrica na UTI

  • Conheça os principais parâmetros do monitor
  • Entenda ECG SpO2 PANI e PAI
  • Saiba interpretar alarmes com segurança
  • Compare o monitor com a avaliação clínica

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Manual de tecnovigilância: abordagens de vigilância sanitária de produtos para a saúde comercializados no Brasil. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: Anvisa – Monitores multiparamétricos. 
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Adult Advanced Life Support.
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Tachyarrhythmia With a Pulse Algorithm. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Adult Tachyarrhythmia Algorithm.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Oxygen. Geneva: WHO. Disponível em: WHO – Oxygen.
  5. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Care, cleaning and disinfection of pulse oximeters and patient monitors devices. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: WHO – Care, cleaning and disinfection. 
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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