Medicamentos Antigotosos

Antigotosos são medicamentos utilizados para tratar a gota, uma doença caracterizada por altos níveis de ácido úrico no sangue, que podem causar inflamação nas articulações e formação de cristais de urato.

Existem diferentes classes de medicamentos antigotosos, cada uma com seu mecanismo de ação específico. As principais classes são:

Inibidores da xantina oxidase

Os inibidores da xantina oxidase atuam diminuindo a produção de ácido úrico no organismo. A xantina oxidase é uma enzima que converte a xantina em ácido úrico. Ao inibir essa enzima, os medicamentos reduzem os níveis de ácido úrico no sangue.

Medicamentos mais utilizados:

  • Alopurinol: Inibe a produção de ácido úrico, reduzindo seus níveis no sangue. É usado para prevenir crises de gota e para tratar níveis altos de ácido úrico crônicos.
  • Febuxostat: Outro inibidor da xantina oxidase, similar ao Alopurinol em mecanismo de ação.

Uricosuricos

Os uricosuricos aumentam a excreção de ácido úrico pelos rins. Dessa forma, ajudam a eliminar o excesso de ácido úrico do organismo.

Medicamentos mais utilizados:

  • Probenecida: Aumenta a excreção de ácido úrico pelos rins, reduzindo seus níveis no sangue. É usado para tratar níveis altos de ácido úrico crônicos, mas não é eficaz em tratar crises agudas de gota.
  • Sulfinpirazona: Similar à Probenecida, porém com maior potência.
  • Lesinurad: Um uricosurico que funciona em conjunto com o Alopurinol para melhorar a excreção de ácido úrico.

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

  • Ibuprofeno, Naproxeno, Diclofenaco, etc.: Reduzem a dor e a inflamação nas articulações afetadas pela gota. São usados para tratar crises agudas de gota.

Colchicina:

  • Colchicina: Inibe a migração dos leucócitos para o local da inflamação, reduzindo a dor e a inflamação nas articulações. É usado para tratar crises agudas de gota e também pode ser usado para prevenção de crises.

Corticosteroides:

  • Prednisolona, Prednisona, etc.: Reduzem a inflamação e a dor nas articulações, mas não afetam os níveis de ácido úrico no sangue. São usados para tratar crises agudas de gota, especialmente em pacientes que não toleram AINEs ou Colchicina.

Outros medicamentos:

  • Pegloticase: Uma enzima que degrada o ácido úrico, usado para tratar casos graves de gota que não respondem a outros tratamentos.
  • Crizanlizumab: Um anticorpo monoclonal que reduz a inflamação, usado para tratar gota e outras condições inflamatórias.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem com pacientes em uso de medicamentos antigotosos são cruciais para garantir a eficácia do tratamento, minimizar os efeitos adversos e promover a adesão à terapia.

Monitoramento:

  • Função renal: É fundamental monitorar a função renal, especialmente em pacientes idosos ou com histórico de problemas renais, uma vez que muitos medicamentos antigotosos são excretados pelos rins. A dosagem pode precisar ser ajustada.
  • Níveis de ácido úrico: O acompanhamento regular dos níveis de ácido úrico no sangue é essencial para avaliar a eficácia do tratamento e ajustar a dose do medicamento, se necessário.
  • Sintomas de gota: É importante monitorar a frequência e a intensidade das crises de gota, bem como a resposta ao tratamento.
  • Efeitos adversos: Os pacientes devem ser orientados a relatar qualquer efeito adverso, como erupções cutâneas, coceira, dor abdominal, náuseas, vômitos, tontura ou inchaço.

Orientações ao paciente:

  • Adesão ao tratamento: É fundamental enfatizar a importância de seguir rigorosamente o tratamento prescrito, mesmo durante os períodos sem sintomas.
  • Hidratação: Recomendar a ingestão adequada de líquidos (água) para auxiliar na excreção do ácido úrico pelos rins.
  • Dieta: Orientar sobre a importância de seguir uma dieta adequada, evitando alimentos ricos em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar, vísceras) e bebidas alcoólicas.
  • Medicamentos: Esclarecer sobre a forma correta de administrar os medicamentos, os horários e as possíveis interações medicamentosas.
  • Retorno ao médico: Agendar consultas de acompanhamento regularmente para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar a medicação, se necessário.

Outras considerações:

  • Educação em saúde: Oferecer informações sobre a gota, suas causas, sintomas e tratamento, para que o paciente tenha um melhor entendimento da doença.
  • Apoio emocional: Muitos pacientes com gota podem apresentar ansiedade e depressão. É importante oferecer apoio emocional e incentivar a participação em grupos de apoio.
  • Prevenção de crises: Orientar sobre medidas para prevenir crises de gota, como evitar o estresse, manter o peso ideal e realizar atividade física regular.

Referências:

  1. Azevedo VF, Lopes MP, Catholino NM, Paiva E dos S, Araújo VA, Pinheiro G da RC. Critical revision of the medical treatment of gout in Brazil. Rev Bras Reumatol [Internet]. 2017Jul;57(4):346–55. Available from: https://doi.org/10.1016/j.rbre.2017.03.002
  2. Afya

A Hiperuricemia

 O Termo “Hiperuricemia” ou Ácido Úrico Elevado refere a presença de níveis altos de ácido úrico no sangue.

O limite normal para homens é de 400 µmol/L (6,8 mg/dL), e 360 µmol/L (6 mg/dL) para mulheres.

Lembrando que o ácido úrico é o produto final do metabolismo de purinas em humanos, pois não produzimos a urato oxidase, enzima que degrada o ácido úrico.

Cerca de 70% é excretado pelos rins e 30% pelo intestino, e Níveis elevados desta substância podem levar à Gota (doença) e, em alguns casos, acometimento renal (nefrolitíase por uratos).

Geralmente, a hiperuricemia é usualmente observada em pacientes com metabolismo anormal de purinas, incluindo a superprodução e excreção renal de ácido úrico.

Classificação

A hiperuricemia pode ser primária ou secundária:

  • Primária, quando é um problema do próprio metabolismo (como nefropatia juvenil), idiopática(sem causa conhecida) ou causado por dieta com excesso de purinas.
  • Secundária, quando a elevação se deve a doenças pré-existentes (como diabetes, alcoolismo, nefropatias, certos tumores, ) ou por drogas que alteram a produção e excreção de ácido úrico como algumas quimioterapias, anti-inflamatórios, ácido acetil salicílico (aspirina) e diuréticos.

A hiperuricemia, em 75% dos pacientes, é assintomática (sem sintomas). Em 25%, podem ocorrer sintomas como:

  • Dores nas articulações, especialmente dos pés e pernas (gota);
  • Pele irritada, vermelha e dolorida nos pés ou pernas (eritema em membros inferiores);
  • Cálculos renais/nefrolitíase (pedras nos rins);
  • Infecções renais (nefrites) e;
  • Sangue na urina (hematúria);
  • Náusea e vômito;
  • Formação de depósitos de ácido úrico nos tecidos (tofos).

Os Fatores de Risco

  • Abuso do álcool;
  • Obesidade;
  • Hipertensão;
  • Doenças renais;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Uso de medicamentos que inibem a excreção de ácido úrico;
  • Dieta com excesso de proteínas carnes e frutos do mar;

A presença de hiperuricemia é associada a fatores de risco como hipertensão arterial, hiperlipidemia, diabetes e doenças cardiovasculares.

O amplo consumo de alimentos ricos em purinas (como carnes e frutos do mar) é reconhecido como uma das causas da hiperuricemia, apesar de ser comprovadamente um fator menor se comparado ao metabolismo proteico de origem endógena.

A composição das bases púricas nos alimentos é variável, mas estudos sugerem que dietas ricas em adenina e hipoxantina são mais eficazes no aumento da hiperuricemia.

Além disso, ela também pode ser causada por defeitos genéticos, que alteram o Ciclo da ureia.

Como é tratado?

Tendo em vista que a hiperuricemia é um fator de risco para as doenças cardiovasculares, renais e articulares deve-se manter o ácido úrico plasmático normal.

No tratamento da hiperuricemia é necessário:

  • Evitar o ataque agudo de artrite úrica (gota);
  • Usar anti-inflamatórios não-esteroides nas crises de dor;
  • Usar hipouriceminates ou uricosúricos nos casos mais severos;
  • Fazer a profilaxia da recorrência das artrites, litíase, nefrite e gota;
  • Diminuir os fatores predisponentes como álcool, dieta inadequada e medicações que diminuam a excreção de ácido úrico pelo rim;
  • Prevenir e reverter a deposição de cristais de uratos nas articulações, ossos e tecidos;
  • Prolongar por tempo suficiente o tratamento para que os uratos sejam desmobilizados dos tecidos e ossos e que o valor plasmático do ácido úrico volte ao normal.

Referência:

  1. Plataforma METIS – Educação para a Saúde.