Hipotermia Terapêutica

A parada cardiorrespiratória é um evento de alta mortalidade, e a hipotermia terapêutica é reconhecida pela neuroproteção após parada cardiorrespiratória (PCR) sendo recomendada pelas diretrizes da ILCOR em 2015.

A isquemia cerebral difusa relacionada ao hipofluxo cerebral frequentemente leva à injúria neurológica grave e ao desenvolvimento de estado vegetativo persistente. No entanto, a hipotermia terapêutica representa um importante avanço no tratamento da encefalopatia anóxica pós-parada cardíaca.

O tratamento

A hipotermia terapêutica é o único tratamento que tem demonstrado, de forma consistente, reduzir a mortalidade e melhorar os desfechos neurológicos em pacientes sobreviventes pós-parada cardiorrespiratória até o presente momento.

Seus efeitos neuroprotetores têm sido amplamente demonstrados em várias situações de isquemia neuronal. A hipotermia terapêutica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Apesar disso, a hipotermia ainda é um tratamento subutilizado no manejo da síndrome pós-ressuscitação. Um protocolo assistencial simples pode ser implantado em qualquer unidade de terapia intensiva para garantir que a hipotermia seja aplicada de forma eficaz em pacientes críticos reanimados após parada cardiorrespiratória.

Em resumo, a hipotermia terapêutica é uma técnica médica valiosa após uma parada cardíaca, com o objetivo de proteger o cérebro e melhorar os resultados neurológicos em pacientes sobreviventes.

A Técnica

Essa técnica médica consiste no resfriamento do corpo para diminuir o risco de lesões neurológicas e a formação de coágulos, aumentando as chances de sobrevivência e prevenindo sequelas.

Ela deve ser iniciada o mais rápido possível após a parada cardíaca, pois o sangue deixa imediatamente de transportar a quantidade necessária de oxigênio para o funcionamento do cérebro.

No entanto, pode ser atrasada até 6 horas após o coração voltar a bater, mas nesses casos, o risco de desenvolver sequelas é maior.

A hipotermia terapêutica serve para diminuir o risco de formação de coágulos e lesões neurológicas, sendo principalmente indicada após um infarto. Além disso, ela também pode ser recomendada em situações como trauma cranioencefálico em adultos, AVC isquêmico e encefalopatia hepática.

O procedimento consiste em três fases:

  • Fase de indução: a temperatura corporal é reduzida até alcançar temperaturas entre os 32 e 36ºC;
  • Fase de manutenção: é monitorada a temperatura, pressão arterial, ritmo cardíaco e frequência respiratória;
  • Fase de reaquecimento: a temperatura da pessoa vai-se elevando de forma gradual e controlada de forma a atingir temperaturas entre os 36 e 37,5º.

Para o resfriamento do corpo os médicos podem utilizar várias técnicas, no entanto, as mais utilizadas incluem o uso de compressas de gelo, colchões térmicos, capacete de gelo ou soro gelado direto na veia dos pacientes, até que a temperatura atinja valores entre os 32 e 36°C.

Além disso, a equipe médica também utiliza remédios relaxantes para garantir o conforto da pessoa e evitar o surgimento de tremores.

Geralmente, a hipotermia é mantida durante 24 horas e, durante esse tempo, a frequência cardíaca, a pressão arterial e outros sinais vitais são constantemente vigiados por um enfermeiro de forma a evitar complicações graves. Após esse tempo, o corpo é lentamente aquecido até atingir a temperatura de 37ºC.

Possíveis complicações

Embora seja uma técnica bastante segura, quando é feita no hospital, a hipotermia terapêutica também tem alguns riscos, como:

  • Alteração do ritmo cardíaco, devido à diminuição acentuada dos batimentos cardíacos;
  • Diminuição da coagulação, aumentando o risco de sangramentos;
  • Aumento do risco de infecções;
  • Aumento das quantidades de açúcar no sangue.

Devido a estas complicações, a técnica só pode ser feita em uma Unidade de Terapia Intensiva e por uma equipe médica e de enfermagem treinadas, uma vez que é necessário fazer várias avaliações ao longo das 24 horas, para diminuir as chances de desenvolver qualquer tipo de complicação.

Referências:

  1. ANJOS, Cláudia Nogueira et- al.. O potencial da hipotermia terapêutica no tratamento do paciente crítico. O Mundo da Saúde São Paulo. 32. 1; 74-78, 2008
  2. RECH, Tatiana Helena; VIEIRA, Sílvia Regina Rios. Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada cardiorrespiratória: mecanismos de ação e desenvolvimento de protocolo assistencial . Rev Bras Ter Intensiva. 22. 2; 196-205, 2010
  3. 2015 International Consensus on Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science With Treatment Recommendations Circulation. 2015; 132:
    S2-S39 / Resuscitation 95 (2015) e1-e31
  4. CEPETI

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.