Indicações do uso do carrinho de emergência: o que você precisa saber

Em situações de urgência e emergência, cada segundo pode salvar uma vida. Por isso, a equipe de saúde precisa estar preparada não apenas em conhecimento, mas também em recursos. O carrinho de emergência, também conhecido como carrinho de parada, é um dos principais aliados nesse contexto. Ele reúne, em um único local, os materiais e medicamentos necessários para a reanimação cardiopulmonar e outras situações críticas.

Saber quando e como utilizar o carrinho de emergência é fundamental para garantir a segurança do paciente e a agilidade da assistência prestada.

O que é o carrinho de emergência?

O carrinho de emergência é um equipamento hospitalar padronizado, organizado em gavetas e compartimentos, que contém materiais como: desfibrilador/cardioversor, cilindro de oxigênio, medicamentos de reanimação, materiais para intubação orotraqueal, acesso venoso e monitorização.

Ele deve estar sempre funcional, organizado e acessível nos locais onde o risco de emergências é maior, como UTIs, pronto-socorro, salas cirúrgicas e unidades de internação.

Indicações do uso do carrinho de emergência

O carrinho de emergência não é utilizado em todas as situações, mas em momentos críticos, onde há risco imediato de morte ou necessidade de intervenção rápida. Entre as principais indicações, destacam-se:

Parada cardiorrespiratória (PCR)

A principal situação que exige o uso imediato do carrinho de emergência é a PCR. Nesse momento, cada minuto sem atendimento adequado reduz drasticamente a chance de sobrevivência do paciente. O carrinho fornece desde o desfibrilador até as drogas de primeira escolha, como adrenalina.

Instabilidade Hemodinâmica Grave

Pacientes com choque de qualquer origem (séptico, cardiogênico, hipovolêmico) que apresentam hipotensão severa, bradicardia (frequência cardíaca baixa) ou taquicardia (frequência cardíaca alta) sintomáticas, podem precisar de vasopressores, líquidos ou medicamentos para reverter o quadro, todos disponíveis no carrinho.

Arritmias graves

Em casos de arritmias ventriculares ou supraventriculares que ameaçam a vida, o carrinho de emergência permite acesso rápido a fármacos antiarrítmicos e ao cardioversor.

Insuficiência respiratória aguda

Situações em que o paciente apresenta obstrução de vias aéreas ou falência respiratória requerem o uso de materiais de intubação e ventilação disponíveis no carrinho.

Choque anafilático

O carrinho contém adrenalina, anti-histamínicos e corticoides que devem ser administrados imediatamente para evitar o agravamento do quadro.

Crises convulsivas refratárias

Além dos medicamentos de controle, o carrinho garante acesso rápido a equipamentos para suporte ventilatório, caso o paciente evolua para rebaixamento de consciência ou instabilidade clínica.

Situações intraoperatórias

No centro cirúrgico, o carrinho é indispensável para manejar complicações anestésicas, arritmias, reações alérgicas graves e instabilidades hemodinâmicas.

Cuidados de enfermagem relacionados ao carrinho de emergência

O papel da enfermagem é essencial para manter o carrinho sempre pronto para uso. Alguns cuidados fundamentais incluem:

  • Verificação diária do carrinho, checando validade e quantidade dos medicamentos.
  • Testar equipamentos como o desfibrilador e aspirador.
  • Organização padronizada, para que todos da equipe saibam onde encontrar cada item.
  • Reposição imediata de materiais e fármacos após cada uso.
  • Registro em planilha ou checklist das checagens realizadas.
  • Treinamento contínuo da equipe, para que todos saibam manusear os equipamentos em situações reais.

Esses cuidados garantem que, no momento da emergência, não haja perda de tempo procurando materiais ou lidando com falhas de funcionamento.

O carrinho de emergência é um recurso vital na prática hospitalar. Seu uso é indicado em situações de risco iminente de morte, como parada cardiorrespiratória, arritmias graves, insuficiência respiratória, choque anafilático, convulsões refratárias e complicações intraoperatórias.

Para o enfermeiro e sua equipe, não basta apenas conhecer o carrinho: é necessário mantê-lo em condições ideais, treinado e organizado. Afinal, na emergência, a diferença entre a vida e a morte pode estar a apenas alguns segundos.

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 376/2011 – Normatiza a utilização do carrinho de emergência. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3762011_7410.html. 
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIR.0000000000000918. 
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC). Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc. 
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf. 
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre emergência e reanimação cardiopulmonar).

O Papel Essencial da Equipe de Enfermagem na Parada Cardiorrespiratória

Na rotina de um hospital, especialmente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), há momentos em que cada segundo conta. A Parada Cardiorrespiratória (PCR) é, sem dúvida, um desses momentos. Ela acontece quando o coração e a respiração de uma pessoa param de repente, e sem uma intervenção imediata, o resultado pode ser catastrófico para o cérebro e outros órgãos vitais.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, é fundamental entender que, em um cenário de PCR, o o profissional de enfermagem (enfermeiro, técnico ou auxiliar) não é apenas mais um membro da equipe. Ele é, muitas vezes, o primeiro a chegar, o primeiro a identificar o problema e o líder da resposta inicial.

Este é um papel que exige agilidade, conhecimento técnico apurado e, acima de tudo, uma liderança clara e assertiva. Vamos aprofundar um pouco mais sobre a atuação da equipe de enfermagem diante da PCR e entender como a sua liderança pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

A Resposta Imediata: O Reconhecimento e os Primeiros Passos

O enfermeiro e o técnico de enfermagem são os profissionais que estão ao lado do paciente 24 horas por dia, 7 dias por semana na UTI. Por isso, a sua capacidade de identificar os sinais de uma PCR é o ponto de partida para a sobrevivência do paciente. Ele percebe a falta de resposta, a ausência de pulso e a parada da respiração. Neste instante, a ação deve ser rápida e decisiva.

O profissional inicia imediatamente o Suporte Básico de Vida (SBV), que inclui as compressões torácicas de alta qualidade, e aciona a equipe de emergência. A partir desse momento, ele se torna o maestro de uma orquestra de socorro.

A Equipe da PCR: Cada Membro em Seu Papel

Em uma PCR, o trabalho em equipe é tudo. Uma equipe bem treinada e organizada atua de forma coordenada para garantir que as intervenções sejam feitas de maneira eficaz e sem atrasos. A organização ideal de uma equipe de resposta à PCR conta com o enfermeiro como um líder central e os seguintes papéis:

  • Responsável pela Ventilação: Um profissional que garante que as vias aéreas do paciente estejam desobstruídas e realiza a ventilação com bolsa-máscara (ambu).
  • Responsáveis pela Compressão Torácica: São necessários dois profissionais para revezar as compressões torácicas, garantindo a qualidade e a profundidade adequadas sem cansaço.
  • Líder Anotador: Um membro da equipe que registra os medicamentos administrados e o tempo de cada intervenção. Esta função é crucial para o acompanhamento e a tomada de decisões.
  • Responsável pelos Medicamentos: O profissional que prepara e administra os medicamentos conforme a indicação do médico ou o protocolo.
  • Profissional ao Lado do Monitor e Desfibrilador: Geralmente um médico, este membro da equipe avalia o ritmo cardíaco do paciente no monitor e, se indicado, realiza a desfibrilação com o Desfibrilador Externo Automático (DEA) ou o manual.

O Papel de Liderança do Enfermeiro: Organização e Ação

Em meio ao caos de uma PCR, o enfermeiro atua como um coordenador. Ele é quem direciona as ações da equipe, garantindo que cada um esteja em sua posição e cumprindo sua função. Sua autonomia e experiência são fundamentais.

  1. Coordenação da Equipe: O enfermeiro-líder distribui as tarefas, assegura que as compressões sejam eficientes e que a ventilação esteja adequada.
  2. Instalação do Desfibrilador: Ele é responsável por instalar o DEA no paciente e, se o ritmo for chocável, ele mesmo pode realizar a desfibrilação.
  3. Administração de Medicações: O enfermeiro supervisiona a manipulação e a administração dos medicamentos de emergência, como a adrenalina e a amiodarona, que são cruciais para o sucesso da reanimação.
  4. Aprimoramento Contínuo: Um bom enfermeiro-líder sabe que o aprendizado é constante. Ele busca o aprimoramento de sua equipe, utilizando tecnologias e protocolos atualizados (como os da American Heart Association – AHA) para garantir que a assistência seja sempre a mais eficaz possível.

O enfermeiro na UTI, com seu perfil de liderança, não apenas executa tarefas, mas otimiza recursos humanos e tecnológicos, tornando a assistência ágil, hábil e com maiores chances de sucesso. Acreditamos que a autonomia, a organização e o treinamento contínuo da equipe, liderados por um enfermeiro preparado, são a chave para um maior êxito na recuperação de um paciente em PCR.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf.
  3. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016. (Referência para a metodologia de análise de conteúdo).

Atropina: Não utilizado mais em PCR!

A atropina é um medicamento com diversas finalidades, que age bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina e relaxando os músculos lisos dos órgãos internos. Vamos explorar mais sobre esse composto essencial:

O seu uso

A atropina é um remédio de uso injetável indicado para várias condições médicas:

  1. Intoxicação por inseticidas organofosforados ou carbamatos: A atropina atua como antídoto nesses casos, revertendo os efeitos tóxicos dessas substâncias.
  2. Arritmias cardíacas: Especialmente a bradicardia sinusal, a atropina é utilizada para aumentar a frequência cardíaca.
  3. Úlcera péptica: A atropina tem ação antiarrítmica e antiespasmódica, auxiliando no tratamento dessa condição.
  4. Cólica renal ou biliar: A atropina pode aliviar espasmos dolorosos nessas situações.
  5. Diminuição da produção de saliva e muco do trato respiratório durante a anestesia e intubação: É usada para preparar o paciente para procedimentos.
  6. Doença de Parkinson: Embora menos comum, a atropina pode ser empregada em alguns casos.
  7. Preparo para radiografias gastrointestinais: Ajuda a relaxar os músculos do trato gastrointestinal.

Descontinuação no Suporte Avançado de Vida na PCR

Recentemente, as diretrizes de suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) passaram por mudanças significativas em relação ao uso da atropina. Eis o que mudou:

  • Uso rotineiro descontinuado: Anteriormente, a atropina era frequentemente administrada para tratar ritmos cardíacos lentos durante a PCR. No entanto, as novas diretrizes não recomendam mais seu uso rotineiro nesses casos.
  • Estudos e evidências: Pesquisas mostraram que a atropina não oferece benefícios terapêuticos significativos em ritmos elétricos sem pulso (como assistolia) ou bradicardia grave. Portanto, seu uso foi descontinuado em situações de PCR.

O que estão fazendo agora?

  • Priorizando a RCP de alta qualidade: A ressuscitação cardiopulmonar continua sendo a base do tratamento durante a PCR.
  • Evitando a Atropina: Em ritmos elétricos sem pulso ou bradicardia, considerando outras opções terapêuticas.
Referência:
  1. Gonzalez M, Timerman S, Gianotto-Oliveira R, Polastri T, Canesin M, Schimidt A, et al.. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013Aug;101(2):1–221. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S006

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP

PCR e RCP: Saiba a Diferença na Prática

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 25/09/2026.

Na parada cardiorrespiratória, perder tempo tentando confirmar demais pode ser tão prejudicial quanto não reconhecer o evento. Para a enfermagem, a diferença essencial é simples: PCR é a condição; RCP é a resposta a ela. O reconhecimento rápido permite iniciar compressões, acionar a equipe de emergência e utilizar o desfibrilador sem atrasos desnecessários.

PCR não é sinônimo de RCP

PCR — parada cardiorrespiratória — é a interrupção da circulação efetiva, geralmente acompanhada de ausência de respiração normal.

RCP — ressuscitação cardiopulmonar — é o conjunto de intervenções realizadas para manter a circulação e a oxigenação durante a parada, incluindo compressões torácicas, ventilação, desfibrilação quando indicada e outras medidas do suporte à vida.

Portanto, a PCR é o evento clínico que exige uma resposta imediata; a RCP é uma das principais respostas.

Como reconhecer uma PCR

Em um adulto inconsciente ou não responsivo, observe a respiração. Gasping, respiração agônica ou movimentos respiratórios anormais não devem ser interpretados como respiração normal.

Para profissionais de saúde, deve-se verificar simultaneamente respiração e pulso e, se não houver pulso definitivamente palpável em até 10 segundos, assumir a parada e iniciar RCP. O objetivo é evitar que uma busca prolongada por pulso atrase as compressões.

Um detalhe que costuma confundir no plantão é o paciente que apresenta alguns movimentos semelhantes a suspiros logo após perder a responsividade. Esse gasping pode ocorrer durante uma PCR e não significa que a ventilação esteja adequada; diante do quadro compatível, a equipe deve seguir o algoritmo de parada.

RCP de alta qualidade

No adulto, as compressões devem ser realizadas no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, com:

  • frequência de 100 a 120 compressões por minuto;
  • profundidade de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm;
  • retorno completo do tórax após cada compressão;
  • interrupções tão curtas quanto possível;
  • ventilação sem excesso.

Sem via aérea avançada, utiliza-se a relação 30 compressões para 2 ventilações. Com via aérea avançada instalada, as compressões permanecem contínuas e são administradas aproximadamente 10 ventilações por minuto, uma a cada 6 segundos.

Desfibrilação muda o caminho

Assim que o monitor/desfibrilador ou DEA estiver disponível, o ritmo deve ser analisado. Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso são ritmos chocáveis e exigem desfibrilação, seguida imediatamente pela retomada da RCP.

Já na atividade elétrica sem pulso e na assistolia, a prioridade é RCP de alta qualidade, epinefrina conforme algoritmo e investigação das causas reversíveis.

Durante a ressuscitação, a equipe também deve procurar causas potencialmente reversíveis, tradicionalmente lembradas pelos 5 Hs e 5 Ts: hipovolemia, hipóxia, acidose, alterações de potássio, hipotermia; pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, toxinas, trombose pulmonar e trombose coronariana.

Em um atendimento com vários profissionais, enquanto um membro mantém as compressões, outro pode preparar o desfibrilador e outro estabelecer acesso IV/IO ou organizar medicamentos. Essa divisão simultânea de tarefas evita que a equipe pare a RCP para realizar procedimentos que podem acontecer em paralelo.

O que mudou em relação ao conteúdo antigo

A recomendação antiga de fazer compressões a “no mínimo 100 por minuto” ficou incompleta. A faixa atualmente recomendada é 100–120/min, associada à profundidade adequada e ao retorno completo do tórax.

Também não é necessário colocar o paciente no chão como regra universal. Em ambiente hospitalar, a equipe deve iniciar a ressuscitação na posição e superfície apropriadas ao cenário, priorizando compressões eficazes e segurança. Em situações específicas, inclusive durante procedimentos ou com o paciente em posição prona, existem estratégias próprias de ressuscitação.

Outra mudança importante é abandonar a ideia de que a verificação do pulso deve ser prolongada. Para o profissional de saúde, 10 segundos é o limite; se não houver pulso claramente identificado, as compressões devem começar.

Cuidados de enfermagem

Na PCR, a enfermagem deve reconhecer rapidamente a ausência de responsividade e respiração normal, acionar o protocolo institucional, iniciar ou auxiliar a RCP, organizar monitor/desfibrilador, providenciar acesso conforme competência e protocolo, preparar medicamentos e materiais e registrar os horários e intervenções relevantes.

Durante as compressões, é essencial observar a qualidade da RCP, minimizar pausas e realizar a troca do compressor aproximadamente a cada 2 minutos, ou antes se houver fadiga. Quando disponível, a capnografia quantitativa com curva também pode ajudar a monitorar a qualidade das compressões e confirmar a posição de uma via aérea avançada.

Após o retorno da circulação espontânea, o atendimento não termina. O paciente passa para a etapa de cuidados pós-PCR, com monitorização e tratamento direcionados à causa da parada e à prevenção de nova deterioração.

Para não confundir na prova

Guarde esta diferença:

PCR = o paciente está em parada cardiorrespiratória.

RCP = o conjunto de manobras realizadas para tentar manter ou restaurar a circulação e a oxigenação.

E, diante de um adulto inconsciente, sem respiração normal e sem pulso definitivamente palpável em até 10 segundos, a prioridade é começar RCP e utilizar o desfibrilador assim que disponível, seguindo o protocolo de suporte básico ou avançado correspondente ao cenário.

Resumo para salvar

PCR e RCP na enfermagem

  • PCR é a condição clínica
  • RCP é a resposta à parada
  • Compressões devem ocorrer a 100 a 120 por minuto
  • Desfibrilação deve ser realizada quando indicada

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care: Part 7 – Adult Basic Life Support. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: AHA – Adult Basic Life Support 2025. 
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Basic Life Support Algorithm for Health Care Professionals. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: Algoritmo AHA 2025 – BLS Adulto. 
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Cardiac Arrest Algorithm. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: Algoritmo AHA 2025 – PCR em adultos.
  4. BERNOCHE, Claudia et al. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 113, n. 3, p. 449-663, 2019. Disponível em: Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia – RCP 2019. 

Proteína C-reativa (PCR)

A proteína C reativa é uma substância produzida pelo fígado que costuma ter seus níveis aumentados quando o paciente está passando por condições como processos inflamatórios ou processos infecciosos. Ela também pode se elevar em casos de doenças reumáticas, traumatismos ou cânceres, ainda que o paciente não apresente sintomas.

É importante notar que este exame PCR não tem qualquer relação com o exame de RT-PCR, utilizado para testar a covid-19.

Para que serve o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa funciona como um indicador de processos inflamatórios ou infecciosos do organismo, mesmo que o paciente não apresente sintomas claros e bem definidos. Ele pode servir como uma ferramenta no auxílio do diagnóstico de condições como o lúpus, a apendicite, a doença inflamatória do intestino, a pancreatite ou mesmo as infecções bacterianas.

O exame de proteína C reativa pode ser feito também depois de cirurgias para determinar sepse e outras condições, além de ajudar a avaliar o risco de doenças cardiovasculares.

Geralmente, o exame de proteína C reativa é feito como teste inicial e, posteriormente, caso seus valores estejam elevados, o paciente pode ter exames complementares realizados para saber onde está localizada a inflamação e o processo infeccioso ou ainda o porquê de seus indicadores de proteína C reativa estarem elevados.

Como é feito o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa (PCR), em geral, não exige preparos prévios, como jejum. No entanto, o médico solicitante pode recomendar algum preparo especial, por isso é importante que essa e outras informações sejam confirmadas ao agendar o exame.

Os valores podem variar dependendo de qual laboratório foi feito o exame. Valores baixos do PCR podem ser observados em situações como de pessoas que tiveram grande perda de peso, prática de exercícios físicos, consumo de bebidas alcoólicas e uso de alguns medicamentos, sendo importante que o médico identifique a causa.

O exame de proteína C reativa (PCR) é um exame de sangue convencional, em que o técnico responsável coleta uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço. A coleta é feita em segundos e depois o paciente é liberado.

Orientações

Preparo

Não há preparação para este exame. No entanto, se o sangue for coletado para outros exames, pode ser necessário jejuar. Portanto, pergunte ao médico qual orientação seguir. Também é importante informar ao médico se tomou medicamentos antes do exame, já que isso pode afetar o nível de PCR.

Como interpretar?

Antes dos valores e as possíveis causas, é importante sempre aliar a interpretação do valor com a correlação clínica do seu paciente. Dificilmente, decisões serão tomadas com base no valor isolado da PCR. Cuidado!

  • < 0,3 mg/dL: normal
  • 0,3 a 1 mg/dL: normal ou elevação pequena (pode ser visto em condições como obesidade, resfriado simples, sedentarismo, tabagismo, gestação);
  • 1 a 10 mg/dL: elevação moderada (inflamação sistêmica como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças auto-imunes, neoplasias, infarto agudo do miocárdio, pancreatite, bronquite);
  • > 10 mg/dL: elevação importante: infecções bacterianas agudas, infecções virais, vasculites sistêmicas, trauma);
  • > 50 mg/dL: elevação severa (infecção bacteriana aguda);

Fatores de confusão

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e estatinas: podem reduzir falsamente os níveis da PCR;
  • Doença ou trauma recente: podem elevar falsamente os níveis da PCR;
  • Mulheres e idosos têm níveis naturalmente mais elevados;
  • Obesidade, insônia, depressão, tabagismo e diabetes podem contribuir para elevações pequenas da PCR. Necessário sempre correlacionar os valores em indivíduos com tais comorbidades;

Como fica a interpretação da PCR na Covid-19?

ATENÇÃO: Uma importante dica para informar aos seus pacientes é esclarecer a nomenclatura dos exames. A proteína C reativa, também conhecida como PCR, é um exame laboratorial obtido a partir do sangue coletado. O RT-PCR (Reação de Transcriptase Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase) para Covid-19 (popularmente chamado de “PCR para Covid-19”) é um teste molecular para detecção de material genético do SARS-CoV-2, via swab nasal e nasofaríngeo.

A Covid-19 é uma doença pró-inflamatória. Logo, marcadores inflamatórios são interessantes nesse tipo de doença. A proteína C reativa (PCR) tem sido bastante utilizada e traz informações interessantes na Covid-19.

  • Durante a fase inflamatória da doença, é possível flagrar uma elevação progressiva e marcada da PCR, chegando a valores acima de 10 a 20 mg/dL;
  • A PCR elevada na Covid-19 nem sempre significa coinfecção bacteriana. Assim como a presença de febre na fase inicial não indica a necessidade de cobertura antibiótica;
    • Leve em conta o tempo de duração da doença (dificilmente ocorrerá coinfecção bacteriana nos primeiros 7 dias de doença viral);
    • Utilize biomarcadores como procalcitonina para guiar a melhor decisão sobre o início de antibióticos. Quando acima de 0,2 ng/mL, sugere-se coinfecção. Cuidado na avaliação em pacientes com disfunção renal (valores estarão falsamente elevados);
  • A Covid-19 é uma doença viral. Elevação da PCR e febre elevada em um primeiro momento são esperados, repercutindo o quadro inflamatório agudo. O uso de antibióticos precisa ser considerado com cautela. Nunca use o valor isolado da PCR para o início de ATBs.

Referências:

  1. Nehring SM, Goyal A, Bansal P, et al. C Reactive Protein. [Updated 2021 May 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441843/
  2. ​​Stone et al. Efficacy of Tocilizumab in Patients Hospitalized with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 10;383(24):2333-2344. doi: 10.1056/NEJMoa2028836. Epub 2020 Oct 21. PMID: 33085857; PMCID: PMC7646626.
  3. Vanderschueren S, Deeren D, Knockaert DC, Bobbaers H, Bossuyt X, Peetermans W. Extremely elevated C-reactive protein. Eur J Intern Med. 2006 Oct;17(6):430-3. 
  4. RECOVERY Collaborative Group. Tocilizumab in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. Lancet. 2021;397(10285):1637-1645. doi:10.1016/S0140-6736(21)00676-0

RCP na Prática: O Que Fazer Primeiro

sequencia RCP

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 02/10/2026.

Em uma parada cardiorrespiratória, saber a ordem das ações é tão importante quanto executar cada manobra corretamente. A prioridade é reconhecer rapidamente a PCR, iniciar compressões de alta qualidade e disponibilizar o desfibrilador o quanto antes.

Reconheça a PCR sem perder tempo

Verifique a segurança da cena, avalie a responsividade e observe a respiração. Ausência de respiração normal ou presença de gasping deve levantar suspeita de PCR. Para profissionais de saúde, o pulso pode ser avaliado simultaneamente, mas a checagem não deve ultrapassar 10 segundos; se o pulso não for definitivamente identificado, inicie a RCP.

Em um cenário comum de atendimento, a diferença entre alguém dizer “ele está respirando estranho” e reconhecer que aquele gasping é uma respiração agônica pode mudar completamente a velocidade da resposta. Por isso, não espere uma ausência absoluta de movimentos respiratórios para começar as manobras.

C-A-B continua sendo a lógica da RCP

A sequência permanece baseada em C – circulação, A – via aérea e B – respiração, porque as compressões devem começar o mais rapidamente possível.

C — Compressões torácicas

Coloque a pessoa em superfície firme, posicione o calcanhar de uma mão no centro do tórax, sobre a metade inferior do esterno, e coloque a outra mão sobre a primeira. Mantenha os braços estendidos e faça compressões a 100–120 por minuto, com profundidade de pelo menos 5 cm, evitando ultrapassar 6 cm no adulto médio. Permita o retorno completo do tórax após cada compressão.

Quando houver mais de um profissional, o compressor deve ser substituído aproximadamente a cada 2 minutos, reduzindo a perda de qualidade por fadiga. As interrupções devem ser mínimas e justificadas por intervenções necessárias, como análise do ritmo ou desfibrilação.

A — Abertura da via aérea

Sem suspeita de trauma cervical, utilize a inclinação da cabeça com elevação do mento. Em trauma de cabeça e pescoço, a abertura da via aérea com tração da mandíbula é preferida inicialmente; se não for suficiente, a AHA 2025 reforça que a via aérea deve ser aberta com inclinação da cabeça e elevação do mento, pois manter a oxigenação e a ventilação é prioridade.

B — Ventilação

Na ausência de via aérea avançada, a RCP convencional utiliza ciclos de 30 compressões para 2 ventilações. Cada ventilação deve durar cerca de 1 segundo e produzir elevação visível do tórax, evitando tanto ventilação insuficiente quanto excessiva.

Quando uma via aérea avançada estiver instalada, as compressões podem continuar sem pausas para ventilação, com aproximadamente 1 ventilação a cada 6 segundos, ou 10 por minuto, conforme o contexto e o protocolo de suporte avançado.

Na prática, é comum observar a equipe concentrada em “ventilar bastante” enquanto as compressões ficam interrompidas por tempo excessivo. Em uma PCR, esse intervalo importa: a ventilação precisa ser eficaz, mas não deve transformar cada ciclo em uma longa pausa nas compressões.

D — Desfibrilação o mais cedo possível

Assim que o DEA ou desfibrilador estiver disponível, conecte-o e permita a análise do ritmo. Se houver indicação de choque, todos devem se afastar durante a desfibrilação e a RCP deve ser retomada imediatamente após o choque, começando pelas compressões, sem uma pausa adicional para nova checagem do ritmo. Se o ritmo não for chocável, reinicie imediatamente a RCP por aproximadamente 2 minutos antes da próxima análise.

A desfibrilação precoce e a RCP de alta qualidade continuam entre as intervenções mais importantes no atendimento da PCR.

E se houver retorno da circulação?

Após o retorno da circulação espontânea, o atendimento deixa de ser apenas uma sequência de compressões e passa para os cuidados pós-PCR, com avaliação de via aérea, respiração, circulação, oxigenação, pressão arterial, causa da parada e controle de temperatura, conforme o cenário clínico e o suporte disponível.

A antiga ideia de simplesmente colocar todo paciente que recuperou a consciência em “posição de recuperação” também precisa ser contextualizada. O posicionamento deve considerar consciência, respiração, risco de aspiração, trauma e necessidade de continuidade do atendimento avançado.

Cuidados de enfermagem

Durante a RCP, a equipe de enfermagem deve organizar o atendimento, manter compressões de qualidade, preparar e conectar o desfibrilador/DEA, auxiliar na ventilação e no controle da via aérea, providenciar acesso vascular conforme a competência profissional e protocolo, administrar medicamentos quando indicados e registrar horários, intervenções, ritmos, choques e resposta do paciente.

Em ambiente hospitalar, também é fundamental conferir previamente a disponibilidade e o funcionamento do carrinho de emergência, desfibrilador, dispositivos de ventilação e materiais necessários para uma resposta rápida. A composição e a organização devem seguir o protocolo institucional.

A RCP não é apenas “fazer massagem cardíaca”: é uma resposta coordenada, na qual compressões eficazes, desfibrilação quando indicada, ventilação adequada e redução das interrupções precisam acontecer de forma integrada.

Resumo para salvar

RCP na prática

  • Reconheça rapidamente a PCR
  • Faça compressões de alta qualidade
  • Use o DEA o mais cedo possível
  • Reduza as interrupções durante a RCP

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Basic Life Support
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Basic Life Support Algorithm for Health Care Professionals. 2025. Algoritmo de SBV para profissionais de saúde
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. 2025. American Heart Association – Adult Advanced Life Support
  4. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Brasília, 2026. Ministério da Saúde – SAMU 192
  5. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de Suporte Básico de Vida. Brasília: Ministério da Saúde. Atualizado em 23 abr. 2024. Protocolo de Suporte Básico de Vida

5 Hs e 5 Ts: Ache a Causa

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

Durante uma parada cardiorrespiratória, reconhecer o ritmo é apenas uma parte do problema. Quando a PCR ocorre em atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia, a equipe precisa pensar rapidamente: qual causa potencialmente reversível está mantendo esse paciente em parada? É nesse momento que os 5 Hs e 5 Ts deixam de ser apenas um mnemônico de prova e passam a funcionar como um verdadeiro roteiro mental durante a reanimação. As diretrizes da American Heart Association de 2025 continuam recomendando a busca e o tratamento das causas reversíveis durante a PCR.

Os 5 Hs

Hipovolemia: redução importante do volume circulante, como pode ocorrer em hemorragias ou perdas intensas de líquidos. Durante a PCR, a equipe deve procurar sinais que apontem para perda de volume e corrigir a causa de acordo com o cenário clínico.

Hipóxia: deficiência grave de oxigenação, podendo estar relacionada a obstrução de via aérea, falha ventilatória ou problemas na oxigenação. Conferir ventilação, posicionamento, permeabilidade da via aérea e equipamentos faz parte da investigação.

Hidrogênio (acidose): acidose grave pode estar associada à deterioração metabólica e à PCR. O tratamento deve ser direcionado à causa, e o bicarbonato de sódio não deve ser administrado de forma rotineira em toda parada; existem situações específicas em que ele pode ser considerado.

Hipo ou hipercalemia: alterações importantes do potássio podem provocar arritmias graves e PCR. Histórico clínico, medicamentos, doença renal e alterações eletrocardiográficas podem ajudar a levantar essa suspeita enquanto a equipe realiza o tratamento específico.

Hipotermia: temperaturas corporais muito baixas podem provocar instabilidade cardiovascular e parada. Nesses casos, a estratégia de reanimação precisa considerar a gravidade e a temperatura do paciente, além do reaquecimento apropriado.

Os 5 Ts

Pneumotórax hipertensivo: o aumento da pressão dentro do tórax pode comprometer o retorno venoso e causar choque obstrutivo. Em um paciente em PCR, principalmente quando existe contexto compatível, essa possibilidade precisa ser reconhecida rapidamente.

Tamponamento cardíaco: o acúmulo de líquido no pericárdio pode impedir o enchimento adequado do coração e levar à instabilidade extrema. O ultrassom à beira-leito, quando disponível e realizado por profissional capacitado, pode ajudar na identificação de causas reversíveis sem interromper desnecessariamente as compressões.

Tóxicos: intoxicações por medicamentos, drogas ou outras substâncias podem desencadear arritmias, depressão respiratória e PCR. A identificação da substância suspeita pode direcionar terapias específicas.

Trombose pulmonar: o tromboembolismo pulmonar maciço pode provocar obstrução importante da circulação pulmonar e evoluir para AESP. Quando existe forte suspeita, o tratamento específico da causa deve ser considerado conforme protocolo e recursos disponíveis.

Trombose coronariana: uma oclusão coronariana aguda pode desencadear isquemia grave, arritmias ventriculares e PCR. Após o retorno da circulação espontânea, a investigação da causa coronariana continua sendo fundamental.

Na prática, um detalhe muda completamente a abordagem: não é preciso esperar a PCR terminar para pensar nas causas reversíveis. Durante os ciclos de RCP, enquanto alguém comprime o tórax, outro profissional pode revisar história clínica, medicamentos, exames disponíveis, acesso venoso, ventilação e informações que apontem para uma dessas causas. A AHA também reconhece o papel do ultrassom point-of-care como ferramenta auxiliar para identificar algumas causas potencialmente reversíveis, desde que seu uso não provoque interrupções relevantes nas compressões.

Um cenário bastante concreto acontece quando a equipe encontra um paciente em AESP após deterioração respiratória súbita. Enquanto as compressões continuam, alguém percebe aumento importante da pressão nas vias aéreas e ausência de expansão adequada de um dos lados do tórax. Nesse contexto, simplesmente continuar seguindo o algoritmo sem procurar a causa pode atrasar o tratamento de um pneumotórax hipertensivo. É justamente essa capacidade de associar o que está acontecendo com os 5 Ts que torna o mnemônico útil à beira-leito.

5 Hs e 5 Ts na PCR: não memorize apenas a lista

Para quem está estudando enfermagem, decorar os dez termos ajuda, mas entender o que procurar durante uma PCR é muito mais útil.

A equipe pode pensar rapidamente em perda de volume, oxigenação inadequada, alterações metabólicas, potássio, temperatura, tóxicos, trombose, tamponamento e pneumotórax. A investigação deve acontecer simultaneamente às medidas de ressuscitação, sem transformar a busca pela causa em motivo para interromper compressões de qualidade. A RCP de alta qualidade e a desfibrilação precoce, quando indicada, continuam sendo pilares fundamentais da reanimação.

Em uma PCR acompanhada dentro da UTI, por exemplo, é comum que informações obtidas antes da parada façam diferença: paciente com insuficiência renal e alteração recente do potássio, perda sanguínea importante, hipoxemia progressiva, suspeita de intoxicação ou deterioração respiratória súbita podem direcionar imediatamente a investigação. Esse é um dos motivos pelos quais monitorização, registros e comunicação objetiva da equipe fazem parte da própria segurança durante uma emergência.

Cuidados de enfermagem durante a PCR

Na atuação da enfermagem, é fundamental reconhecer rapidamente a PCR, acionar o protocolo institucional, iniciar ou auxiliar a RCP de alta qualidade, providenciar desfibrilador e materiais, garantir acesso vascular conforme a organização da equipe, administrar medicamentos prescritos/protocolados e registrar horários, intervenções, ritmos e resposta do paciente.

Durante a reanimação, também é importante observar a ventilação, manter monitorização adequada, comunicar alterações relevantes ao líder da equipe e ajudar na identificação das possíveis causas reversíveis. Após o retorno da circulação espontânea, os cuidados não terminam: começa imediatamente a assistência pós-PCR, com atenção à oxigenação, ventilação, pressão arterial, temperatura, avaliação neurológica e investigação da causa do evento.

✓ Decore para a Prova Para lembrar na prova

5 Hs: Hipovolemia, Hipóxia, Hidrogênio/acidose, Hipo ou hipercalemia e Hipotermia.

5 Ts: Pneumotórax hipertensivo, Tamponamento cardíaco, Tóxicos, Trombose pulmonar e Trombose coronariana.

O mais importante é não tratar os 5 Hs e 5 Ts como uma lista de medicamentos ou procedimentos automáticos. Eles são um mnemônico para direcionar a investigação das causas reversíveis da PCR. A conduta depende da causa identificada, do contexto clínico e do protocolo de atendimento utilizado pela instituição.

Resumo para salvar

5 Hs e 5 Ts da PCR

  • Hipovolemia, hipóxia, acidose, alterações do potássio e hipotermia
  • Pneumotórax, tamponamento, tóxicos e tromboses
  • As causas reversíveis devem ser investigadas durante a RCP
  • Os 5 Hs e 5 Ts não representam tratamentos automáticos

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Adult Advanced Life Support 2025
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Cardiac Arrest Algorithm. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: Algoritmo de PCR em adultos – AHA 2025. 
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 10: Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Special Circumstances of Resuscitation 2025. 
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 11: Post–Cardiac Arrest Care: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Post-Cardiac Arrest Care 2025.

Carrinho de Emergência, como conferir

Carrinho de Emergência

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 18/09/2026.

Em uma emergência, ninguém deveria precisar abrir quatro gavetas para descobrir onde está um item básico. O carrinho de emergência precisa ser conhecido antes da intercorrência, porque, quando uma PCR acontece, organização e acesso rápido deixam de ser questão de rotina e passam a fazer parte da segurança do paciente.

O carrinho de emergência é uma estrutura móvel destinada a reunir medicamentos, materiais e equipamentos necessários ao atendimento de situações críticas, especialmente a parada cardiorrespiratória. Sua composição não deve ser copiada de uma lista encontrada na internet: precisa seguir a padronização, o perfil assistencial e o protocolo da instituição.

O que realmente precisa estar pronto

Mais importante do que decorar a quantidade de cada medicamento é saber se o carrinho está completo, acessível, identificado e funcional.

A composição costuma contemplar recursos para avaliação e monitorização, desfibrilação, acesso vascular, administração de medicamentos, ventilação e manejo da via aérea, além de soluções e outros materiais definidos pelo serviço. A quantidade e a organização das gavetas podem variar conforme setor, população atendida e protocolo institucional.

Por isso, uma lista fixa de “20 ampolas de adrenalina”, “cinco atropinas” ou determinado número de tubos não deve ser apresentada como padrão nacional. O que é obrigatório ou necessário para uma UTI adulta pode não ser igual ao de uma unidade pediátrica, centro cirúrgico ou pronto atendimento.

Quem confere o carrinho?

No âmbito da equipe de enfermagem, o enfermeiro é responsável pela composição, montagem, conferência e reposição, conforme o Parecer COREN-SP nº 010/2022. Técnicos e auxiliares podem participar dessas atividades sob supervisão do enfermeiro. O controle de estoque e inventário também envolve os setores responsáveis por medicamentos e materiais, como a farmácia.

Essa divisão é importante porque conferir o carrinho não significa apenas contar ampolas. É necessário verificar validade, integridade, quantidade, funcionamento dos equipamentos e disponibilidade dos itens definidos no protocolo.

A conferência deve ser sistemática

O checklist institucional é uma ferramenta de segurança. Na rotina, devem ser verificadas as condições do carrinho, lacre quando utilizado, equipamentos, desfibrilador, fonte de oxigênio, materiais de ventilação, dispositivos de acesso vascular, medicamentos padronizados e demais itens previstos.

Depois de uma emergência, a reposição deve acontecer imediatamente conforme o fluxo do serviço, deixando o carrinho novamente disponível para o próximo atendimento. Estudos brasileiros mostram que falhas de disponibilidade e organização ainda são problemas relevantes nos carros de emergência.

Em uma situação típica de UTI, imagine a equipe diante de uma PCR e alguém precisar do desfibrilador enquanto outro profissional procura o material para acesso venoso. Se o equipamento estiver sem carga, o cabo não estiver conectado ou a gaveta tiver sido reorganizada sem comunicação à equipe, perde-se tempo justamente quando cada minuto importa.

O desfibrilador também faz parte da checagem

Não adianta o carrinho estar perfeitamente organizado se o equipamento que precisa ser utilizado na emergência não está disponível ou funcional.

A equipe deve conhecer o modelo utilizado no setor e seguir a rotina institucional de verificação, incluindo fonte de energia, pás ou eletrodos, cabos e demais acessórios. Durante uma PCR, a desfibrilação precoce quando indicada continua sendo um componente fundamental da ressuscitação. As Diretrizes AHA 2025 mantêm a importância da desfibrilação e da RCP de alta qualidade no atendimento à parada cardíaca.

Outro detalhe que faz diferença é a familiaridade com o conteúdo. Durante um atendimento, procurar uma seringa ou um equipo que sempre fica no mesmo compartimento deveria ser automático; quando a organização muda, a equipe precisa ser comunicada e treinada.

Não existe uma gaveta universal

A antiga divisão rígida em “primeira gaveta”, “segunda gaveta”, “terceira gaveta” e “quarta gaveta”, acompanhada de uma relação fixa de medicamentos, não deve ser tratada como padrão nacional.

O desenho mais seguro é aquele que permite localizar rapidamente os recursos mais utilizados, reduz a chance de erro e respeita o protocolo da unidade. Medicamentos de uso controlado, por exemplo, também precisam seguir as regras institucionais e legais de armazenamento e controle.

A Anvisa também esclarece que o chamado carro de emergência, enquanto estrutura destinada ao transporte de medicamentos, equipamentos e instrumentais, não é por si só classificado como dispositivo médico; equipamentos e produtos que integram o carrinho possuem suas próprias exigências regulatórias.

Carrinho preparado para a PCR

Nas Diretrizes AHA 2025, a ressuscitação inclui reconhecimento rápido, acionamento do sistema de resposta, RCP de alta qualidade, desfibrilação quando indicada e suporte avançado conforme o cenário. O carrinho fornece parte dos recursos necessários para que essas ações aconteçam, mas não substitui treinamento, comunicação e definição de funções na equipe.

Por isso, o conhecimento do carrinho deve fazer parte da educação permanente. Saber onde estão o desfibrilador, os materiais de ventilação, os dispositivos de acesso e os medicamentos previstos no protocolo reduz a procura durante o atendimento e facilita a atuação coordenada.

Cuidados de enfermagem

O enfermeiro deve manter a rotina de conferência definida pelo serviço, supervisionar a participação da equipe, verificar validade e integridade dos itens, testar equipamentos conforme o protocolo, garantir acesso livre ao carrinho e providenciar reposição após utilização.

Também é importante registrar as conferências, comunicar imediatamente qualquer não conformidade e manter a equipe familiarizada com a organização do carrinho. Se houver alteração no layout ou substituição de equipamentos, a mudança deve ser conhecida por quem poderá precisar utilizá-los.

Para guardar

Carrinho de emergência bom é aquele que a equipe consegue usar sem perder tempo procurando.

A composição deve seguir o protocolo institucional, os equipamentos precisam estar funcionais e os medicamentos e materiais devem estar disponíveis, íntegros e dentro da validade. Na emergência, organização não é detalhe: é parte da resposta.

Resumo para salvar

Carrinho de Emergência

  • Conheça a organização do carrinho antes da emergência
  • Confira validade quantidade integridade e funcionamento
  • Siga a composição definida pelo protocolo institucional
  • Reponha e confira o carrinho após cada utilização

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Diretrizes AHA 2025 de RCP e ACE
  2. KLEINMAN, Monica E. et al. Part 7: Adult Basic Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 152, supl. 2, p. S448-S478, 2025. Diretriz de Suporte Básico de Vida Adulto
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Parecer COREN-SP nº 010/2022: carro de emergência: responsabilidade pela composição, montagem, conferência e reposição de materiais. São Paulo: COREN-SP, 2022. Referência sobre responsabilidade pelo carro de emergência
  4. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE MINAS GERAIS. Manual de Perguntas e Respostas Frequentes: Câmara Técnica. Belo Horizonte: Coren-MG, 2020. Manual do Coren-MG
  5. SILVA, et al. Carrinho de emergência: conhecimento da equipe de enfermagem em relação à composição, organização e manuseio. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, 2025. Artigo sobre composição e organização do carrinho de emergência
  6. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Produtos não regularizados como dispositivos médicos. Brasília, DF: Anvisa. Anvisa — classificação de produtos para saúde
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