5 Hs e 5 Ts: Ache a Causa

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

Durante uma parada cardiorrespiratória, reconhecer o ritmo é apenas uma parte do problema. Quando a PCR ocorre em atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia, a equipe precisa pensar rapidamente: qual causa potencialmente reversível está mantendo esse paciente em parada? É nesse momento que os 5 Hs e 5 Ts deixam de ser apenas um mnemônico de prova e passam a funcionar como um verdadeiro roteiro mental durante a reanimação. As diretrizes da American Heart Association de 2025 continuam recomendando a busca e o tratamento das causas reversíveis durante a PCR.

Os 5 Hs

Hipovolemia: redução importante do volume circulante, como pode ocorrer em hemorragias ou perdas intensas de líquidos. Durante a PCR, a equipe deve procurar sinais que apontem para perda de volume e corrigir a causa de acordo com o cenário clínico.

Hipóxia: deficiência grave de oxigenação, podendo estar relacionada a obstrução de via aérea, falha ventilatória ou problemas na oxigenação. Conferir ventilação, posicionamento, permeabilidade da via aérea e equipamentos faz parte da investigação.

Hidrogênio (acidose): acidose grave pode estar associada à deterioração metabólica e à PCR. O tratamento deve ser direcionado à causa, e o bicarbonato de sódio não deve ser administrado de forma rotineira em toda parada; existem situações específicas em que ele pode ser considerado.

Hipo ou hipercalemia: alterações importantes do potássio podem provocar arritmias graves e PCR. Histórico clínico, medicamentos, doença renal e alterações eletrocardiográficas podem ajudar a levantar essa suspeita enquanto a equipe realiza o tratamento específico.

Hipotermia: temperaturas corporais muito baixas podem provocar instabilidade cardiovascular e parada. Nesses casos, a estratégia de reanimação precisa considerar a gravidade e a temperatura do paciente, além do reaquecimento apropriado.

Os 5 Ts

Pneumotórax hipertensivo: o aumento da pressão dentro do tórax pode comprometer o retorno venoso e causar choque obstrutivo. Em um paciente em PCR, principalmente quando existe contexto compatível, essa possibilidade precisa ser reconhecida rapidamente.

Tamponamento cardíaco: o acúmulo de líquido no pericárdio pode impedir o enchimento adequado do coração e levar à instabilidade extrema. O ultrassom à beira-leito, quando disponível e realizado por profissional capacitado, pode ajudar na identificação de causas reversíveis sem interromper desnecessariamente as compressões.

Tóxicos: intoxicações por medicamentos, drogas ou outras substâncias podem desencadear arritmias, depressão respiratória e PCR. A identificação da substância suspeita pode direcionar terapias específicas.

Trombose pulmonar: o tromboembolismo pulmonar maciço pode provocar obstrução importante da circulação pulmonar e evoluir para AESP. Quando existe forte suspeita, o tratamento específico da causa deve ser considerado conforme protocolo e recursos disponíveis.

Trombose coronariana: uma oclusão coronariana aguda pode desencadear isquemia grave, arritmias ventriculares e PCR. Após o retorno da circulação espontânea, a investigação da causa coronariana continua sendo fundamental.

Na prática, um detalhe muda completamente a abordagem: não é preciso esperar a PCR terminar para pensar nas causas reversíveis. Durante os ciclos de RCP, enquanto alguém comprime o tórax, outro profissional pode revisar história clínica, medicamentos, exames disponíveis, acesso venoso, ventilação e informações que apontem para uma dessas causas. A AHA também reconhece o papel do ultrassom point-of-care como ferramenta auxiliar para identificar algumas causas potencialmente reversíveis, desde que seu uso não provoque interrupções relevantes nas compressões.

Um cenário bastante concreto acontece quando a equipe encontra um paciente em AESP após deterioração respiratória súbita. Enquanto as compressões continuam, alguém percebe aumento importante da pressão nas vias aéreas e ausência de expansão adequada de um dos lados do tórax. Nesse contexto, simplesmente continuar seguindo o algoritmo sem procurar a causa pode atrasar o tratamento de um pneumotórax hipertensivo. É justamente essa capacidade de associar o que está acontecendo com os 5 Ts que torna o mnemônico útil à beira-leito.

5 Hs e 5 Ts na PCR: não memorize apenas a lista

Para quem está estudando enfermagem, decorar os dez termos ajuda, mas entender o que procurar durante uma PCR é muito mais útil.

A equipe pode pensar rapidamente em perda de volume, oxigenação inadequada, alterações metabólicas, potássio, temperatura, tóxicos, trombose, tamponamento e pneumotórax. A investigação deve acontecer simultaneamente às medidas de ressuscitação, sem transformar a busca pela causa em motivo para interromper compressões de qualidade. A RCP de alta qualidade e a desfibrilação precoce, quando indicada, continuam sendo pilares fundamentais da reanimação.

Em uma PCR acompanhada dentro da UTI, por exemplo, é comum que informações obtidas antes da parada façam diferença: paciente com insuficiência renal e alteração recente do potássio, perda sanguínea importante, hipoxemia progressiva, suspeita de intoxicação ou deterioração respiratória súbita podem direcionar imediatamente a investigação. Esse é um dos motivos pelos quais monitorização, registros e comunicação objetiva da equipe fazem parte da própria segurança durante uma emergência.

Cuidados de enfermagem durante a PCR

Na atuação da enfermagem, é fundamental reconhecer rapidamente a PCR, acionar o protocolo institucional, iniciar ou auxiliar a RCP de alta qualidade, providenciar desfibrilador e materiais, garantir acesso vascular conforme a organização da equipe, administrar medicamentos prescritos/protocolados e registrar horários, intervenções, ritmos e resposta do paciente.

Durante a reanimação, também é importante observar a ventilação, manter monitorização adequada, comunicar alterações relevantes ao líder da equipe e ajudar na identificação das possíveis causas reversíveis. Após o retorno da circulação espontânea, os cuidados não terminam: começa imediatamente a assistência pós-PCR, com atenção à oxigenação, ventilação, pressão arterial, temperatura, avaliação neurológica e investigação da causa do evento.

✓ Decore para a Prova Para lembrar na prova

5 Hs: Hipovolemia, Hipóxia, Hidrogênio/acidose, Hipo ou hipercalemia e Hipotermia.

5 Ts: Pneumotórax hipertensivo, Tamponamento cardíaco, Tóxicos, Trombose pulmonar e Trombose coronariana.

O mais importante é não tratar os 5 Hs e 5 Ts como uma lista de medicamentos ou procedimentos automáticos. Eles são um mnemônico para direcionar a investigação das causas reversíveis da PCR. A conduta depende da causa identificada, do contexto clínico e do protocolo de atendimento utilizado pela instituição.

Resumo para salvar

5 Hs e 5 Ts da PCR

  • Hipovolemia, hipóxia, acidose, alterações do potássio e hipotermia
  • Pneumotórax, tamponamento, tóxicos e tromboses
  • As causas reversíveis devem ser investigadas durante a RCP
  • Os 5 Hs e 5 Ts não representam tratamentos automáticos

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 9: Adult Advanced Life Support: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Adult Advanced Life Support 2025
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Adult Cardiac Arrest Algorithm. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: Algoritmo de PCR em adultos – AHA 2025. 
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 10: Adult and Pediatric Special Circumstances of Resuscitation: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Special Circumstances of Resuscitation 2025. 
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Part 11: Post–Cardiac Arrest Care: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Dallas: American Heart Association, 2025. Disponível em: AHA – Post-Cardiac Arrest Care 2025.

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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