Medicamentos Injetáveis: O Que Diferencia uma Droga Vesicante de uma Irritante?

O manuseio de medicamentos antineoplásicos e outras drogas intravenosas exige atenção redobrada dos profissionais de enfermagem, especialmente quando se trata de substâncias classificadas como vesicantes ou irritantes.

Apesar de ambas poderem causar reações locais importantes, suas consequências e formas de manejo são diferentes. Compreender essas diferenças é essencial para garantir a segurança do paciente e prevenir complicações graves.

A Droga Irritante: O Desconforto da Flebite

As drogas irritantes são aquelas que, ao serem infundidas, causam uma lesão na camada interna da veia (íntima), provocando inflamação.

  • O Mecanismo: A irritação é causada principalmente pelo pH extremo do medicamento (muito ácido ou muito alcalino) ou pela sua alta osmolaridade. Essa irritação se manifesta como dor, sensibilidade e vermelhidão ao longo do trajeto da veia.
  • O Risco Principal: O principal evento adverso é a flebite (inflamação da veia). Se houver extravasamento (o medicamento vazar para o tecido circundante), a irritação pode causar dor, inchaço e vermelhidão no local, mas raramente leva à necrose tecidual.

Exemplos Comuns:

    • Cloreto de Potássio (KCl) concentrado
    • Certas preparações de antibióticos
    • Fenitoína (quando administrada rapidamente)

A Droga Vesicante: O Perigo da Necrose Tecidual

As drogas vesicantes são o nível máximo de alerta. Elas são substâncias que, se extravasarem para o tecido subcutâneo (fora da veia), causam bolhas, inflamação grave, dor intensa e, mais importante, necrose tecidual (morte do tecido).

  • O Mecanismo: A toxicidade dessas drogas é celular. Elas destroem diretamente as células do tecido, causando dano irreversível que pode levar à perda funcional e exigir desbridamento cirúrgico.
  • O Risco Principal: Extravasamento seguido de necrose e, em casos graves, comprometimento funcional do membro. A dor e o inchaço são geralmente imediatos e intensos.

Exemplos Comuns (Sinais de Alerta Máximo):

    • Quimioterápicos: Doxorrubicina, Vincristina, Mitomicina C. (Estes são o “selo de ouro” dos vesicantes).
    • Vasopressores: Noradrenalina, Dopamina, Fenilefrina. (Esses medicamentos contraem os vasos e, se extravasam, causam isquemia e necrose no tecido ao redor, sendo tratados como vesicantes).
    • Soro Glicosado a 50% (por sua alta osmolaridade extrema, embora seja um irritante severo, muitas instituições o tratam como vesicante devido ao risco de necrose por osmolaridade).

Principais diferenças entre vesicantes e irritantes

Característica Drogas Vesicantes Drogas Irritantes
Efeito local Necrose, bolhas, ulceração Inflamação, dor e eritema
Gravidade da lesão Grave e permanente Leve e reversível
Conduta após extravasamento Interrupção imediata da infusão, aspiração do agente, aplicação de antídoto (quando disponível) e acompanhamento especializado Suspensão temporária da infusão, compressas e observação
Risco de sequelas Alto Baixo

Cuidados de enfermagem

O papel da enfermagem é fundamental na prevenção, identificação precoce e manejo de extravasamentos de drogas vesicantes e irritantes.

Prioridade Vesicante: Acesso Central é Melhor

  • Intervenção: Sempre que possível, medicamentos vesicantes (especialmente quimioterápicos e vasopressores) devem ser administrados via Acesso Venoso Central (CVC). O fluxo sanguíneo no acesso central é maior, diluindo o medicamento rapidamente e minimizando o risco de dano grave se houver falha.
  • Se for Acesso Periférico: Priorizar veias calibrosas e evitar áreas de flexão (cotovelo, punho) e veias de mão ou punho (onde há menos tecido subcutâneo para absorver um extravasamento).

Vigilância e Avaliação Contínua

  • Durante a Infusão: O enfermeiro deve estar presente no início da infusão e monitorar o local com frequência (a cada 5-10 minutos, especialmente vasopressores).
  • O Que Procurar: Qualquer queixa de dor, ardência, inchaço ou endurecimento no local da punção é um sinal de alerta e deve levar à interrupção imediata.

Em Caso de Extravasamento (Ação Rápida!)

Se houver extravasamento de um vesicante, a ordem de ação é crucial e deve ser feita em segundos:

  1. Parar a Infusão Imediatamente.
  2. NÃO Remover o Cateter: Tentar aspirar o máximo de medicamento extravasado através do próprio cateter.
  3. Remover o Cateter: Só depois de tentar aspirar.
  4. Aplicar o Antídoto: Dependendo do medicamento (ex: compressa fria ou quente, aplicação de antidotos específicos como hialuronidase ou fentolamina, conforme protocolo institucional).

Durante a administração:

  • Verificar a permeabilidade do acesso venoso antes de iniciar a infusão.
  • Preferir acessos venosos centrais para drogas vesicantes.
  • Monitorar continuamente o local de infusão durante todo o procedimento.
  • Orientar o paciente a comunicar imediatamente qualquer desconforto ou sensação de queimação.

Esses cuidados evitam complicações graves e demonstram a importância da vigilância contínua e do conhecimento técnico-científico por parte do profissional de enfermagem.

Conhecer a diferença entre drogas vesicantes e irritantes é essencial para garantir segurança e qualidade na assistência. A atuação do técnico e enfermeiro vai além da simples administração — envolve responsabilidade, observação, e tomada de decisões rápidas diante de intercorrências.

Além disso, o uso de protocolos institucionais e treinamentos periódicos são ferramentas indispensáveis para minimizar riscos e promover o cuidado seguro ao paciente em tratamento intravenoso.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS ONCOLOGISTAS (SBEO). Recomendações para a Prevenção e Tratamento do Extravasamento de Agentes Quimioterápicos. Disponível em: http://www.sbeo.com.br/
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre terapia intravenosa e administração de medicamentos).
  3. INCA – Instituto Nacional de Câncer. Administração segura de quimioterápicos antineoplásicos: manual para profissionais de saúde. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: https://www.inca.gov.br
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília: MS, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  5. ONS – Oncology Nursing Society. Chemotherapy and Biotherapy Guidelines and Recommendations for Practice. 5th ed. Pittsburgh: ONS, 2019.

Tudo sobre o Câncer de Mama

O câncer de mama é um tema que toca a vida de muitas pessoas, seja diretamente, seja através de familiares e amigos. É uma das doenças mais faladas, especialmente no Outubro Rosa, mas seu impacto vai muito além de um único mês.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, compreender profundamente o câncer de mama é uma responsabilidade e um privilégio. Estamos na linha de frente, educando, identificando sinais e oferecendo cuidado e apoio em todas as fases da jornada do paciente.

Desvendar essa doença significa entender desde o que ela é até as formas de prevenção, diagnóstico e tratamento. É um universo complexo, mas que podemos e devemos dominar para oferecer o melhor de nós.

Vamos, juntos, explorar tudo sobre o câncer de mama?

O Que É Câncer de Mama? Entendendo a Raiz do Problema

Basicamente, o câncer de mama ocorre quando células da mama começam a crescer de forma descontrolada. Essas células anormais podem formar um tumor, que pode ser benigno (não canceroso) ou maligno (canceroso). Se for maligno, as células têm a capacidade de invadir tecidos próximos e, em casos mais avançados, se espalhar para outras partes do corpo (metástase) através da corrente sanguínea ou do sistema linfático.

A maioria dos cânceres de mama se inicia nas células dos ductos (os “canais” que levam o leite para o mamilo) ou nos lóbulos (as glândulas que produzem o leite). Embora seja mais comum em mulheres, o câncer de mama também pode afetar homens, embora em proporção muito menor.

Fatores de Risco: Quem Está Mais Susceptível?

Entender os fatores de risco não significa que uma pessoa que os tenha desenvolverá a doença, nem que alguém sem eles estará imune. Mas eles nos ajudam a identificar quem precisa de uma atenção maior na prevenção e no rastreamento.

  • Idade: É o principal fator de risco. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos.
  • Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau (mãe, irmã, filha) com câncer de mama, especialmente em idade jovem, aumenta o risco.
  • Genética: Mutações em genes específicos, como BRCA1 e BRCA2, aumentam significativamente o risco.
  • Exposição ao Estrógeno:
    • Menarca Precoce: Primeira menstruação antes dos 12 anos.
    • Menopausa Tardia: Após os 55 anos.
    • Terapia de Reposição Hormonal (TRH): Uso prolongado e combinado de estrogênio e progesterona na pós-menopausa.
    • Nuliparidade: Nunca ter tido filhos.
    • Primeira Gravidez Tardia: Após os 30 anos.
  • Estilo de Vida:
    • Obesidade: Especialmente na pós-menopausa.
    • Consumo de Álcool: Mesmo em quantidades moderadas.
    • Sedentarismo: Falta de atividade física.
    • Tabagismo: Fumar aumenta o risco.
  • Outros Fatores:
    • Exposição à Radiação: Principalmente na região do tórax em idade jovem.
    • Histórico de Doença Benigna da Mama: Certos tipos de lesões benignas podem aumentar o risco.

Sinais e Sintomas: O Que Nossos Olhos e Mãos Devem Procurar

O diagnóstico precoce é o grande diferencial no câncer de mama. Por isso, a atenção aos sinais é vital. A maioria dos cânceres de mama não causa dor no início, o que reforça a importância do autoexame e da mamografia.

  • Nódulo (Caroço) na Mama: Geralmente indolor, endurecido e fixo. É o sintoma mais comum.
  • Alterações na Pele da Mama:
    • Pele avermelhada ou retraída: Pode parecer uma casca de laranja.
    • Alterações no mamilo: Retração (mamilo “afundando”), inversão recente, coceira persistente ou descamação.
  • Saída de Secreção (Líquido) pelo Mamilo: Especialmente se for espontânea, transparente ou sanguinolenta.
  • Dor na Mama ou Mamilo: Embora menos comum como primeiro sintoma.
  • Inchaço em Parte ou na Totalidade da Mama: Pode ocorrer mesmo sem um nódulo palpável.
  • Nódulos nas Axilas ou no Pescoço: Pode indicar que a doença se espalhou para os gânglios linfáticos.

Prevenção e Diagnóstico Precoce: Nossas Maiores Armas

A luta contra o câncer de mama se baseia em duas frentes principais:

Prevenção Primária (Redução de Risco):

  • Estilo de Vida Saudável: Manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana), limitar o consumo de álcool e evitar o tabagismo.
  • Amamentação: A amamentação é um fator protetor contra o câncer de mama, quanto mais tempo, maior a proteção.
  • Evitar Exposição Desnecessária a Hormônios: Avaliar com o médico o uso de terapia de reposição hormonal.

Diagnóstico Precoce (Rastreamento):

  • Autoexame da Mama (AEM): É importante para que a mulher conheça o próprio corpo e possa identificar mudanças. Não substitui a mamografia, mas é um complemento valioso. Deve ser feito mensalmente, preferencialmente 3 a 5 dias após o início da menstruação.
  • Exame Clínico das Mamas (ECM): Realizado por um profissional de saúde (médico ou enfermeiro) anualmente a partir dos 40 anos, ou antes, se houver fatores de risco.
  • Ultrassonografia e Ressonância Magnética: Podem ser usadas como métodos complementares à mamografia, especialmente em mamas densas ou em casos de alto risco.
  • Biópsia: Se houver suspeita, a biópsia (retirada de uma pequena amostra de tecido para análise laboratorial) é o único método que confirma o diagnóstico de câncer de mama.

Mamografia: A Ferramenta Principal

A mamografia (raio-X da mama) é o exame padrão ouro para o rastreamento, pois é capaz de detectar lesões pequenas, muitas vezes antes de serem palpáveis.

Nos últimos anos, algumas atualizações nas recomendações de rastreamento chamaram atenção, principalmente no Brasil. O Ministério da Saúde recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos sem sinais ou sintomas.

Entretanto, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) orientam que o rastreamento inicie mais cedo: a partir dos 40 anos, com mamografia anual.

Mulheres com alto risco genético ou histórico familiar importante devem começar a investigação ainda mais precocemente, geralmente entre 30 e 35 anos, podendo incluir outros métodos além da mamografia.

Essa diferença entre protocolos ainda gera debates, mas reforça a necessidade da individualização do cuidado, levando em conta a história clínica e familiar de cada paciente.

Tratamento: Um Caminho Personalizado

O tratamento do câncer de mama é complexo e altamente individualizado, dependendo do tipo e estágio do câncer, idade da paciente, condição de saúde geral e preferências.

  • Cirurgia:
    • Lumpectomia (Cirurgia Conservadora): Retirada apenas do tumor e de uma pequena margem de tecido saudável ao redor. A mama é preservada. Geralmente seguida de radioterapia.
    • Mastectomia: Retirada total da mama. Pode ser radical (incluindo músculos) ou modificada (preserva músculos).
    • Biópsia do Linfonodo Sentinela/Dissecção Axilar: Avaliação dos linfonodos da axila para verificar se o câncer se espalhou.
  • Radioterapia: Uso de radiação de alta energia para destruir células cancerosas. Geralmente após a cirurgia.
  • Quimioterapia: Uso de medicamentos para destruir células cancerosas em todo o corpo. Pode ser antes (neoadjuvante) ou depois (adjuvante) da cirurgia.
  • Hormonioterapia: Bloqueia a ação de hormônios (estrogênio e progesterona) que alimentam alguns tipos de câncer de mama. Usada em cânceres hormonodependentes (Receptor de Estrogênio – RE e/ou Receptor de Progesterona – RP positivos).
  • Terapia Alvo (Imunoterapia/Terapia Biológica): Medicamentos que atacam características específicas das células cancerosas, como a proteína HER2 (em cânceres HER2-positivos).
  • Cirurgia Reconstrutiva: Muitas mulheres optam pela reconstrução mamária após a mastectomia, com implantes ou tecidos do próprio corpo.

Cuidados de Enfermagem: Nosso Papel Essencial em Todas as Fases

Nós, enfermeiros, somos a espinha dorsal do cuidado ao paciente com câncer de mama. Nossa atuação é vital em cada etapa:

  1. Educação em Saúde e Prevenção: Orientar a comunidade sobre fatores de risco, a importância do autoexame e do rastreamento. Participar de campanhas como o Outubro Rosa.
  2. Identificação e Encaminhamento: Realizar o exame clínico das mamas, identificar alterações e encaminhar para investigação diagnóstica.
  3. Apoio no Diagnóstico: Acompanhar a paciente durante os exames e a biópsia, oferecendo apoio emocional e esclarecendo dúvidas.
  4. Pré e Pós-Operatório: Preparar a paciente para a cirurgia (físico e emocionalmente), e no pós-operatório, gerenciar a dor, cuidar da ferida cirúrgica, monitorar drenos, prevenir complicações (infecção, seroma, linfedema).
  5. Manejo da Quimioterapia e Radioterapia: Administrar medicamentos quimioterápicos, monitorar efeitos colaterais (náuseas, vômitos, fadiga, queda de cabelo, mucosite), orientar sobre cuidados com a pele na radioterapia.
  6. Gerenciamento do Linfedema: Educar sobre o risco de linfedema (inchaço do braço) após a cirurgia ou radioterapia e como preveni-lo/manejá-lo (exercícios, uso de mangas de compressão).
  7. Suporte Psicoemocional: O câncer de mama é devastador emocionalmente. Oferecer escuta ativa, apoio para lidar com a ansiedade, medo, alterações na imagem corporal e sexualidade. Encaminhar para apoio psicológico, se necessário.
  8. Reabilitação: Estimular a fisioterapia e a reabilitação para recuperar a amplitude de movimento do braço e a força.
  9. Cuidados Paliativos: Em casos de doença avançada, focar no alívio da dor e outros sintomas, garantindo qualidade de vida e dignidade.
  10. Acompanhamento a Longo Prazo: Orientar sobre o seguimento após o tratamento, a importância das consultas de rotina e dos exames de controle.

O câncer de mama é uma jornada desafiadora, mas com informação, prevenção e um cuidado de enfermagem atento e humanizado, podemos mudar o prognóstico e a qualidade de vida de muitas mulheres e homens. A nossa presença e conhecimento fazem toda a diferença nessa luta!

Referências

  1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Câncer de Mama. Rio de Janeiro: INCA. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama. (Principal fonte de informação sobre câncer no Brasil).
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Câncer de Mama: informações para profissionais de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde. (Buscar por manuais e cadernos técnicos mais recentes no site do Ministério da Saúde).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA (SBM). Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama. (A SBM publica diretrizes e recomendações atualizadas para profissionais). Disponível em: https://www.sbmastologia.com.br/.
  4. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre cuidado oncológico e saúde da mulher).

Antieméticos: Grupos, Medicamentos e Cuidados de Enfermagem

Sentir náuseas e vomitar é algo desconfortável para qualquer pessoa, sobretudo para pacientes em tratamentos como quimioterapia, pós-operatório ou gravidez. É aí que entram os antieméticos — medicamentos com ação específica para prevenir e tratar esses sintomas. No entanto, cada grupo atua de forma distinta e exige atenção da equipe de enfermagem na escolha, administração e monitoramento.

Nesta publicação, explico de forma natural e prática os principais grupos de antieméticos, os medicamentos dentro deles e os cuidados necessários para usá-los de forma segura e eficaz.

Por Que Sentimos Náuseas e Vômitos? O Sistema de Alerta do Corpo

Antes de falar dos medicamentos, é importante saber que náuseas e vômitos não são doenças em si, mas sim sintomas. Eles são um mecanismo de defesa do nosso corpo, uma forma de expulsar substâncias que ele considera prejudiciais ou de sinalizar que algo não está bem.

O centro de vômito, localizado no cérebro, é ativado por diversas vias:

  • Estímulos do trato gastrointestinal: Irritação no estômago ou intestino.
  • Zona quimiorreceptora de gatilho (ZQG): Uma área no cérebro sensível a substâncias tóxicas no sangue (como quimioterápicos).
  • Sistema vestibular: Envolvido no equilíbrio, responsável pelo enjoo de movimento.
  • Córtex cerebral: Estímulos como dor, estresse, ansiedade, ou até mesmo cheiros e visões desagradáveis.

Os antieméticos atuam bloqueando esses diferentes sinais, impedindo que cheguem ao centro de vômito e causem o mal-estar.

Anticolinérgicos (Antimuscarínicos)

Os anticolinérgicos, também chamados antimuscarínicos, agem bloqueando os receptores de acetilcolina no sistema nervoso central e periférico, sendo eficazes em náuseas associadas a distúrbios vestibulares, como tontura e enjoos de movimento.

O exemplo mais conhecido é a escopolamina, usada em adesivo transdérmico para prevenir náuseas por movimento. Entre os efeitos adversos, são comuns boca seca, visão turva, retenção urinária e constipação.

Cuidados de enfermagem: observar sinais de retenção urinária, orientação para não expor a adolescentes/desconforto ocular e registrar a aplicação correta do adesivo.

Anti-histamínicos

Esses medicamentos bloqueiam receptores H1, reduzindo náuseas causadas por estimulação vestibular (como enjoo de movimento ou labirintite). Entre eles estão a prometazina, a dimenidrinato e a hidroxizina .

São eficazes, mas causam sedação, tontura e efeitos anticolinérgicos.

Cuidados de enfermagem: monitorar nível de consciência, orientar sobre evitar atividades que exijam atenção (como dirigir) e planejar administração à noite.

Antagonistas dos receptores de dopamina (principalmente D₂)

Atuam na zona gatilho quimiorreceptora, sendo úteis em vômitos por opióides, anestesia ou quimioterapia. Os principais são a metoclopramida, domperidona, clorpromazina e droperidol. Esses fármacos podem causar sintomas extrapiramidais e prolongar o intervalo QT.

Cuidados de enfermagem: monitorar sinais extrapiramidais (tremores, rigidez), avaliar ECG se houver risco, observar episódios de sonolência e avisar médicas sobre efeitos adversos.

Antagonistas dos receptores de serotonina (5‑HT₃)

São os fármacos mais usados atualmente para vômitos pós-quimioterapia ou pós-operatório. Entre eles destacam-se a ondansetrona, granisetrona, dolasetrona, tropisetrona e palonosetrona.

Esses medicamentos bloqueiam receptores 5‑HT₃ no sistema nervoso central e nas terminações vagais intestinais, reduzindo efetivamente a náusea. Têm efeitos adversos como cefaleia, constipação e prolongamento do QT.

Cuidados de enfermagem: verificar histórico cardíaco, monitorar frequência cardíaca, registrar resposta ao medicamento e ajustar doses conforme prescrição.

Antagonistas dos receptores de neurocinina‑1 (NK₁)

Principais representantes: aprepitanto, fosaprepitanto, casopitanto, rolapitant. Esses bloqueiam os receptores da substância P, sendo eficazes em vômitos tardios relacionados à quimioterapia.

Cuidados de enfermagem: acompanhar possíveis efeitos gastrointestinais (fadiga, diarreia), interações medicamentosas via CYP3A4 (com corticosteroides, por exemplo), e registrar o perfil hepático.

Canabidiol e canabinóides (como nabilona)

Os canabinoides atuam em receptores CB1 e modulam também os receptores 5‑HT₃, reduzindo náuseas. A nabilona, um canabinoide sintético, é aprovada pela FDA para náuseas induzidas por quimioterapia. Já o canabidiol (CBD) tem efeito antiemético e pode ser prescrito no Brasil sob controle especial .

Cuidados de enfermagem: monitorar efeitos como tontura, aumento de apetite, hipotensão ortostática, interações com outros medicamentos e orientar sobre possíveis efeitos psicoativos (mais prevalente com THC).

Outras classes mencionadas em prática

Embora não tenham sido foco principal, vale mencionar: benzodiazepínicos (lorazepam, diazepam) usados para náuseas emocionais, e glucocorticoides (dexametasona), frequentemente combinados com antagonistas 5‑HT₃ e NK₁ para tratar vômitos induzidos por quimioterapia.

Cuidados de Enfermagem

Nós, profissionais de enfermagem, temos um papel crucial no manejo das náuseas e vômitos:

  • Avaliação Abrangente: Não basta saber que o paciente está com náuseas. Precisamos investigar a causa, a intensidade, o que piora e o que melhora.
  • Administração Segura: Conhecer o medicamento, a dose correta, a via, o tempo de infusão e os principais efeitos colaterais.
  • Monitoramento da Eficácia: Observar se o medicamento fez efeito e se o paciente está mais confortável.
  • Manejo de Efeitos Colaterais: Estar atento aos efeitos adversos e saber como agir.
  • Conforto e Medidas Não Farmacológicas: Além do medicamento, oferecer conforto: ambiente calmo, ventilação, compressas frias, alimentos leves (se permitido), e apoio emocional.
  • Educação ao Paciente: Explicar sobre os medicamentos, seus efeitos esperados e os efeitos colaterais que deve relatar.

Os antieméticos não são soluções universais; cada grupo atua em receptores específicos e demanda cuidado dedicado na escolha e uso. Para o estudante de enfermagem, valorizar a farmacologia, aplicar técnicas seguras e observar sinais de complicações torna o cuidado mais eficiente e centrado no paciente.

Referências:

  1. GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 13. ed. Rio de Janeiro: McGraw Hill Brasil, 2018. (Consultar capítulos sobre fármacos que atuam no sistema nervoso autônomo, agentes procinéticos e antieméticos).
  2. KATZUNG, B. G.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018. (Consultar capítulo sobre fármacos que atuam no sistema nervoso central e antieméticos).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA (SBOC). Guia de Recomendações SBOC: Manejo de Náuseas e Vômitos Induzidos por Quimioterapia (NVIQ). Disponível em publicações da SBOC (geralmente atualizadas periodicamente).
  4. LECTURIO. Antieméticos: classes e ação em diferentes receptores. 2022. Disponível em: https://www.lecturio.com/es/concepts/antiemeticos/
  5. NCBI. Cannabinoid Antiemetic Therapy. StatPearls, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535430/
  6. MEDICINE.CANCER.GOV. Cannabis y canabinoides – náuseas e vômitos. 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov/espanol/cancer/tratamiento/mca/pro/cannabis‑pdq/
  7. WIKIPEDIA. Nabilona. 2020. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nabilona

Quimioterapia Branca e Vermelha: As diferenças

No universo da oncologia, a quimioterapia se destaca como um poderoso aliado no combate ao câncer. Dentro desse universo, dois termos intrigam os pacientes: quimioterapia vermelha e branca. Mas, quais as diferenças entre elas? Será que a cor define a intensidade do tratamento?

Mergulhando nas Diferenças

A distinção entre vermelha e branca reside na cor dos medicamentos utilizados, não na severidade do tratamento.

Quimioterapia Vermelha

Composta por antraciclinas, como a doxorrubicina e a epirrubicina, que possuem coloração avermelhada.

Quimioterapia Branca

Engloba diversos medicamentos sem coloração, como ciclofosfamida, taxanos, vinorelbina e gencitabina.

Características e Aplicações:

  • Quimioterapia Vermelha:
    • Aplicações: Diversos tipos de câncer, incluindo mama, estômago, pulmão, bexiga, ovário e sarcomas.
    • Efeitos Colaterais: Fadiga, náuseas, vômitos, perda de cabelo, aumento do risco de infecções e danos cardíacos.
  • Quimioterapia Branca:
    • Aplicações: Câncer de colo do útero, pulmão, mama, entre outros.
    • Efeitos Colaterais: Fadiga, náuseas, vômitos, perda de cabelo, neuropatia (dor, formigamento ou fraqueza nas mãos e pés) e diarreia.

Principais Medicamentos

Quimioterapia Vermelha:

  • Doxorrubicina (Adriamicina®)
  • Epirrubicina (Ellence®)
  • Idarubicina (Idamycin®)
  • Daunorubicina (Cerubidine®)

Quimioterapia Branca:

  • Ciclofosfamida (Endoxan®)
  • Paclitaxel (Taxol®)
  • Docetaxel (Taxotere®)
  • Vinorelbina (Navelbine®)
  • Gemcitabina (Gemzar®)

Lembrando que:

  • A escolha da quimioterapia ideal depende do tipo e estadio do câncer, da saúde geral do paciente e de outros fatores.
  • Os efeitos colaterais variam entre os indivíduos e podem ser controlados com medicações e acompanhamento médico.
  • O diálogo aberto e constante com a equipe médica é fundamental para um tratamento eficaz e seguro.

Referência:

  1. ACCamargo

Quimioterapia Vs Radioterapia: As diferenças

A jornada contra o câncer exige conhecimento e compreensão dos diversos métodos de tratamento disponíveis. Entre as opções mais comuns, quimioterapia e radioterapia se destacam, mas geram dúvidas sobre suas diferenças.

Entenda as diferenças

Modo de Ação

  • Quimioterapia: Utiliza medicamentos administrados por via oral ou venosa, circulando por todo o corpo. Sua ação visa eliminar as células cancerosas, inclusive aquelas que se espalharam para outros órgãos.
  • Radioterapia: Emprega radiação ionizante para destruir as células cancerosas em uma área específica do corpo. A radiação é aplicada através de um aparelho externo ou de implantes radioativos posicionados no local do tumor.

Área de atuação:

  • Quimioterapia: Atua em todo o corpo, combatendo células cancerosas espalhadas, inclusive metástases.
  • Radioterapia: Tem ação localizada, focando na área do tumor e seus arredores, minimizando o impacto em células saudáveis.

Efeitos colaterais

  • Quimioterapia: Os efeitos variam de acordo com o medicamento utilizado, mas podem incluir náuseas, fadiga, queda de cabelo, alterações na boca e maior suscetibilidade a infecções.
  • Radioterapia: Os efeitos dependem da região irradiada e da dose aplicada. Podem causar vermelhidão na pele, cansaço, náuseas e alterações na função do órgão tratado.

Aplicação

  • Quimioterapia: Pode ser administrada em ciclos, com intervalos para recuperação. A aplicação pode ser ambulatorial ou hospitalar, variando de acordo com o medicamento e o estado de saúde do paciente.
  • Radioterapia: As sessões geralmente são diárias, de segunda a sexta-feira, com duração média de 15 a 30 minutos. O tratamento dura algumas semanas, conforme o protocolo definido pelo médico.

Combinação com outros tratamentos

  • Quimioterapia: Frequentemente combinada com cirurgia ou radioterapia para aumentar a efetividade do tratamento.
  • Radioterapia: Pode ser combinada com quimioterapia, cirurgia ou imunoterapia, dependendo do caso.

Escolha do tratamento

  • Quimioterapia: Indicada para tumores em diferentes partes do corpo, especialmente quando há metástases.
  • Radioterapia: Utilizada para tumores em locais específicos, como mama, próstata, pulmão e cérebro.

Orientação profissional

A escolha entre quimioterapia e radioterapia, ou a combinação de ambas, depende de diversos fatores, como tipo, localização e estágio do câncer, estado de saúde geral do paciente e outros tratamentos realizados.

É fundamental consultar um oncologista para:

  • Receber um diagnóstico preciso.
  • Discutir as opções de tratamento mais adequadas para o seu caso.
  • Esclarecer dúvidas e receber orientação personalizada sobre os benefícios e riscos de cada método.

Em resumo:

Característica Quimioterapia Radioterapia
Modo de ação Medicamentos Radiação ionizante
Área de atuação Corpo todo Localizada
Efeitos colaterais Náuseas, fadiga, queda de cabelo, etc. Vermelhidão na pele, cansaço, náuseas, etc.
Aplicação Ciclos com intervalos Sessões diárias
Combinação Cirurgia ou radioterapia Quimioterapia, cirurgia ou imunoterapia
Indicação Tumores com metástases Tumores em locais específicos

Cuidados de Enfermagem em Quimioterapia

Antes da quimioterapia:

  • Avaliação completa: Anamnese completa, incluindo histórico de doenças, medicamentos, alergias, hábitos, estado nutricional e psicológico.
  • Exames laboratoriais: Hemograma completo, função hepática e renal, perfil eletrolítico, função da tireoide, etc.
  • Educação do paciente: Explicar o procedimento, efeitos colaterais e medidas preventivas.
  • Preparo psicológico: Suporte emocional e orientação sobre como lidar com os efeitos da quimioterapia.
  • Orientação sobre dieta e hidratação: Recomendações alimentares para evitar náuseas e vômitos e manter uma boa hidratação.
  • Monitoramento do estado nutricional: Avaliar o peso e a ingestão alimentar para identificar possíveis problemas nutricionais.

Durante a quimioterapia:

  • Monitoramento da administração da quimioterapia: Verificar a dose, via de administração e tempo de infusão.
  • Monitorização do paciente: Monitorar sinais vitais, pressão arterial, temperatura, frequência cardíaca e respiratória, nível de consciência, sinais de reação alérgica.
  • Prevenção e controle de efeitos colaterais:
    • Náuseas e vômitos: Administração de antieméticos e medidas de apoio, como dieta leve e repouso.
    • Diarreia: Orientação sobre a dieta, administração de medicamentos antidiarreicos e medidas de higiene.
    • Constipação: Orientação sobre a dieta, administração de laxantes e medidas para estimular o trânsito intestinal.
    • Fadiga: Repouso, atividades leves e apoio psicológico.
    • Alopecia: Orientação sobre cuidados com o cabelo e peruca, e apoio psicológico.
    • Mucosite: Orientação sobre cuidados com a higiene oral, administração de analgésicos e antifúngicos.
    • Neutropenia: Monitoramento da contagem de leucócitos, isolamento de contato, medidas de higiene e cuidados com a pele.
    • Trombocitopenia: Monitoramento da contagem de plaquetas, cuidados com a pele, evitar atividades de risco, e administração de medicamentos para aumentar a contagem de plaquetas.
    • Reações de hipersensibilidade: Monitoramento contínuo do paciente, interrupção da quimioterapia e administração de medicamentos para tratar as reações.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio psicológico e emocional ao paciente e à família.
  • Controle da dor: Administração de analgésicos de acordo com a necessidade do paciente.
  • Higiene e cuidados com a pele: Orientação sobre a higiene pessoal, cuidados com a pele seca e irritada.

Após a quimioterapia:

  • Monitorização dos efeitos colaterais: Seguir as recomendações médicas para o acompanhamento dos efeitos colaterais da quimioterapia.
  • Orientação sobre os cuidados pós-quimioterapia: Instruir o paciente sobre a dieta, hidratação, atividade física e cuidados com a pele.
  • Suporte psicológico: Oferecer apoio psicológico e emocional ao paciente e à família durante o período de recuperação.
  • Reforçar a importância do seguimento médico: Agendar consultas de acompanhamento para monitorar a recuperação do paciente.

Cuidados de Enfermagem em Radioterapia

Antes da radioterapia:

  • Avaliação completa: Anamnese completa, incluindo histórico de doenças, medicamentos, alergias, hábitos, estado nutricional e psicológico.
  • Exames laboratoriais: Hemograma completo, função hepática e renal, perfil eletrolítico, função da tireoide, etc.
  • Educação do paciente: Explicar o procedimento, efeitos colaterais e medidas preventivas.
  • Preparo psicológico: Suporte emocional e orientação sobre como lidar com os efeitos da radioterapia.
  • Marcação da área de tratamento: Marcação precisa da área a ser irradiada.
  • Orientação sobre cuidados com a pele: Instruir o paciente sobre a importância de manter a pele limpa e seca, e evitar produtos irritantes.

Durante a radioterapia:

  • Monitoramento da aplicação da radioterapia: Verificar a dose, a localização do tratamento e a duração da sessão.
  • Monitorização do paciente: Monitorar sinais vitais, pressão arterial, temperatura, frequência cardíaca e respiratória, nível de consciência, sinais de reação alérgica.
  • Prevenção e controle de efeitos colaterais:
    • Fadiga: Repouso, atividades leves e apoio psicológico.
    • Reações na pele: Cuidados com a pele, como aplicação de cremes hidratantes, evitar exposição ao sol e roupas apertadas, e monitorar a pele em busca de alterações.
    • Náuseas e vômitos: Administração de antieméticos e medidas de apoio, como dieta leve e repouso.
    • Diarreia: Orientação sobre a dieta, administração de medicamentos antidiarreicos e medidas de higiene.
    • Constipação: Orientação sobre a dieta, administração de laxantes e medidas para estimular o trânsito intestinal.
    • Pneumonite: Monitoramento da função respiratória, administrar medicamentos para controlar a inflamação pulmonar.
    • Efeitos neurológicos: Monitorar alterações neurológicas, como alterações de humor, cognição e movimentos.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio psicológico e emocional ao paciente e à família.
  • Controle da dor: Administração de analgésicos de acordo com a necessidade do paciente.
  • Higiene e cuidados com a pele: Orientação sobre a higiene pessoal, cuidados com a pele seca e irritada, e evitar o uso de produtos irritantes na área tratada.

Após a radioterapia:

  • Monitorização dos efeitos colaterais: Seguir as recomendações médicas para o acompanhamento dos efeitos colaterais da radioterapia.
  • Orientação sobre os cuidados pós-radioterapia: Instruir o paciente sobre a dieta, hidratação, atividade física e cuidados com a pele.
  • Suporte psicológico: Oferecer apoio psicológico e emocional ao paciente e à família durante o período de recuperação.
  • Reforçar a importância do seguimento médico: Agendar consultas de acompanhamento para monitorar a recuperação do paciente.

Outras considerações:

  • Comunicação eficaz: É fundamental uma comunicação clara e empática com o paciente e a família, para explicar o tratamento, responder a perguntas, e oferecer apoio e orientação.
  • Abordagem multidisciplinar: O tratamento do câncer requer uma abordagem multidisciplinar, com a participação de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, e outros profissionais da saúde.
  • Cuidar do bem-estar do paciente: É importante considerar o bem-estar físico, emocional e social do paciente durante todo o tratamento.

Informações adicionais:

  • Recursos para pacientes: Existem diversos recursos para pacientes com câncer, como grupos de apoio, organizações de apoio, sites com informações sobre o tratamento e outras doenças, e linhas de apoio telefônico.
  • Cuidadores: É importante oferecer suporte aos cuidadores do paciente, pois eles também podem enfrentar desafios emocionais e físicos durante o tratamento.

Referências:

  1. Hospital Albert Einstein
  2. Sociedade Brasileira de Radioterapia
  3. Instituto Oncoguia
  4. Oncoville
  5. Revista Brasileira de Cancerologia
  6. PEBMED

O uso seguro da vinCRIStina

A Vincristina é a substância ativa de um medicamento antineoplásico conhecido comercialmente como Oncovin, indicado para o tratamento de vários tipos de câncer, entre eles leucemia, câncer de pulmão e de mama.

A sua ação consiste em interferir no metabolismo dos aminoácidos e impedir a divisão celular, diminuindo a probabilidade do câncer se espalhar pelo organismo.

Erros associados à administração de vincristina

O antineoplásico vincristina foi administrado por via intratecal em um paciente pediátrico em vez de metotrexato. O medicamento havia sido preparado e acondicionado em uma seringa. Apesar da rápida identificação do erro, a criança apresentou sintomas de neurotoxicidade e foi a óbito três dias depois. Como prevenir esse erro de medicação?

A administração inadvertida de vincristina por via intratecal em vez da via endovenosa é um erro com consequências geralmente fatais para o paciente e representa o evento adverso mais comum envolvendo a via de administração intratecal.

Quando administrada por via intratecal, a vincristina pode provocar deterioração neurológica progressiva e paralisia, sendo um evento doloroso e com consequências psicológicas importantes para os pacientes sobreviventes e seus familiares. Resulta, quase sempre, no óbito do paciente, em dias ou meses, devido à necrólise do sistema nervoso central.

Os poucos pacientes que sobrevivem a este tipo de erro apresentam graves sequelas neurológicas. As consequências para os profissionais da saúde envolvidos neste erro também são devastadoras.

Os perigos associados à administração equivocada de vincristina são conhecidos e documentados há mais de 45 anos. O primeiro caso relatado de administração intratecal inadvertida de vincristina ocorreu nos Estados Unidos em 1968, quando um paciente apresentou mieloencefalopatia ascendente.

Desde então, 120 novos casos semelhantes foram relatados na literatura mundial. No entanto, a incidência real deste incidente é desconhecida visto que é possível que muitos casos não tenham sido notificados por receio de punições.

Muitos casos notificados ocorreram em pacientes com leucemia ou linfoma de Hodgkin que estavam sendo tratados com vincristina por via endovenosa concomitantemente com metotrexato, citarabina e/ou glicocorticoides por via intratecal.

Além disso, frequentemente, a administração desses medicamentos, por via intravenosa e via intratecal, encontrava-se programada para o mesmo horário, favorecendo a troca da via de administração da vincristina. Por estes motivos, alertas têm sido emitidos sobre o risco deste tipo de erro.

Entre os fatores contribuintes para a administração da vincristina por via intratecal, pode-se citar: a falta de experiência com o manejo de medicamentos utilizados na terapia antineoplásica; a ausência de dupla checagem (duplo check) independente; a administração de medicamentos por via intratecal e por via endovenosa no mesmo dia, horário e local; e o preparo e dispensação da vincristina em seringa.

RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA O USO SEGURO DA VINCRISTINA

  • Manipular a vincristina diluída em cloreto de sódio 0,9% em bolsa para infusão, eliminando o risco de troca com seringas de uso intratecal.
  • Durante a manipulação da vincristina, acondicioná-la em um tipo de envase e diluí-la em um volume não compatível com a administração intratecal:
    • Para adultos: diluir a vincristina em 50 mL de cloreto de sódio 0,9%. Preparar em bolsas de 50 mL e infundir em 5-10 minutos.
    • Para crianças: diluir a vincristina em 25 mL de cloreto de sódio 0,9%. Preparar em bolsas de 50 mL e infundir em 5-10 minutos.
    • Para crianças menores de 10 anos: após avaliação do risco individual, quando a diluição da vincristina em bolsas de 50 mL não for adequada, diluir a vincristina em uma seringa com volume maior ou igual a 10 mL.
  • Neste caso, a seringa deverá ser identificada com a etiqueta de alerta sugerida abaixo e a equipe alertada para o envase em seringa.
  • Etiquetar as bolsas de infusão com preparações de vincristina com um alerta. Modelo sugerido pelo ISMP Brasil apresentado na figura abaixo:
USO SOMENTE POR VIA ENDOVENOSA
FATAL SE ADMINISTRADO POR OUTRA VIA

 

Atenção: alertas negativos, como “não utilizar por via intratecal”, nunca devem ser utilizados, uma vez que estes podem induzir ao erro por não apresentar uma mensagem direta e positiva com a conduta correta que deve ser adotada. Mensagens negativas podem ser mal interpretadas e facilmente confundidas de forma exatamente oposta ao que se pretende.

Referências:

  1. Boletim ISMP Brasil “Erros associados à administração de vinCRIStina”: https://www.ismp-brasil.org/site/boletins/
  2. International Medication Safety Network “Global Targeted Medication Safety Best Practice 2”: https://www.intmedsafe.net/

Administração de Quimioterápicos Antineoplásicos

O termo quimioterapia é utilizado na área da saúde para designar tratamento de neoplasias, porém a sua definição correta é de uma substância química, isolada ou não que tem por objetivo tratar uma patologia tumoral ou não.

Assim, denominam-se agentes quimioterápicos antineoplásicos ou citostáticos, os fármacos usados para o tratamento de neoplasias quando a cirurgia ou radioterapia não é possível ou é ineficaz e como adjuvantes para cirurgia. Elas têm como finalidade: curar, melhorar a sobrevida e/ou promover efeito paliativo.

A grande maioria dos agentes quimioterápicos antineoplásicos é de natureza tóxica e sua administração exige grande cuidado e habilidade. Cometer um erro durante o manuseio ou na administração de um desses medicamentos pode levar a efeitos tóxicos graves, não apenas para o cliente, mas também para o profissional que prepara e administra estes medicamentos.

Por essas razões, a enfermagem deve ter além de habilidades psicomotoras, o conhecimento científico sobre a ação dos agentes quimioterápicos e o preparo do cliente, bem como estar assegurado de equipamentos de proteção individual que atendam as exigências para a administração de quimioterápicos antineoplásicos.

Além disso, o enfermeiro deve ter conhecimento, à respeito da velocidade de aplicação, efeitos colaterais, toxicidade dermatológica e cuidados de enfermagem.

Competência na Instalação e Manipulação de Quimioterápicos

A administração deve ser realizada por enfermeiro, conforme definição da Resolução COFEN n. 210/1998 e n. 257/2001 (COFEN, 1998; COFEN, 2001).

CLASSIFICAÇÃO DOS QUIMIOTERÁPICOS ANTINEOPLÁSICOS

Classificação dos antineoplásicos conforme a estrutura e função em nível celular

  • Agentes alquilantes: mostarda nitrogenada e derivados (mecloretamina, ciclofosfamida, clorambucil), etilenamina, epoxidos (dibromomanitol, dibromocitrol), alquil sifonatos (bussulfan), nitrosouréias (carmustine, lomustine, streptomizicin), diaquitriazenes (dacarbazina), streptozocina, ifosfamida, melfalan, cisplatina, estramustina, melfalano, tiopeda, semustina, dacarbazina, carboplatina;
  • Agentes antimetabólicos: metotrexato, são análogos da purina (6-mercapturina, 6-tioguanina, azatioprina), análogos da pirimidina (5-flurouracil, citosin-arabinosidio);
  • Antibióticos antitumorais: antacíclicos (doxorubicina, daunublastina, epirubicina, idarubicina), bleomicina, mitomicina, mitoxotrona;
  • Plantas alcalóides: grupo da vincristina e vimblastina, paclitaxel, teniposido e etoposido;
  • Outras classificações: hidroxilréias, asparaginase;

Classificação dos antineoplásicos conforme as reações dermatológicas locais

  • Quimioterápicos vesicantes: provocam irritação severa com formação de vesículas e destruição tecidual quando extravasados;
  • Quimioterápicos irritantes: causam reação cutânea menos intensa quando extravasados (dor e queimação sem necrose tecidual ou formação de vesículas); porém, mesmo que adequadamente infundidos, podem ocasionar dor e reação inflamatória no local da punção e ao longo da veia utilizada para aplicação;
  • Quimioterápicos não vesicantes/irritantes: não causam reação cutânea quando extravasados e não provocam dor e queimação durante a administração;

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS QUIMIOTERÁPICOS ANTINEOPLÁSICOS

Os quimioterápicos antineoplásicos podem ser administrados pelas vias: oral, intramuscular, subcutânea, endovenosa, intrarterial, intrapleural, intravesical, intra-retal, intratecal e intraperitoneal.

Via oral

Vantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via

Desvantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via

Potenciais complicações

  • Complicações específicas de cada agente

Cuidados de enfermagem na via oral

  • Manusear os quimioterápicos com luvas de procedimentos ;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Diluir a droga em água e administrá-la logo em seguida;
  • Comunicar com o médico imediatamente, se o cliente vomitar;
  • Administrar antiemético prescrito, se presença de vômitos persistentes;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via intramuscular

Vantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via.

Desvantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via.

Potenciais complicações

  • Lipodistrofias e abcessos.

Cuidados de enfermagem na via intramuscular

  • Diluir os fármacos em pequena quantidade de diluentes;
  • Fazer anti-sepsia rigorosa no local de aplicação;
  • Administrar o quimioterápico em até 5 ml para cada aplicação em adulto e 3ml para criança;
  • Utilizar uma agulha de menor calibre;
  • Fazer rodízios dos locais de aplicação;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via arterial

Vantagens

  • Aumento da dose para tumores com diminuição dos efeitos colaterais sistêmicos

Desvantagens

  • Requer procedimento cirúrgico para colocação do cateter

Potenciais complicações

  • Sangramento e embolia

Cuidados de enfermagem na aplicação por via arterial

  • Observar posicionamento e fixação do cateter;
  • Retirar o cateter fazendo compressão por 5 minutos ou mais;
  • Fazer curativo após a retirada do cateter;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via intratecal

Vantagens

  • Maiores níveis séricos da antineoplásico no liquido cérebro-espinhal

Desvantagens

  • Requer punção lombar ou colocação cirúrgica do reservatório ou um cateter implantável para a administração da droga

Potenciais complicações

  • Cefaléia; confusão; letargia; náuseas e vômitos; convulsões

Cuidados de enfermagem na aplicação por via intratecal

  • Posicionar adequadamente o cliente em decúbito lateral, para favorecer a punção;
  • Manter o cliente em repouso pelo menos por duas horas após receber a quimioterapia para prevenir cefaleia;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via intrapleural

Vantagens

  • Esclerose da parede da pleura para prevenir a recidiva de derrame pleural

Desvantagens

  • Requer inserção do dreno de tórax

Potenciais complicações

  • Dor; infecção

Cuidados de enfermagem na aplicação por via intrapleural

  • Auxiliar o médico durante a drenagem pleural;
  • Posicionar o cliente em decúbito lateral ou sentado com o dorso livre e os braços;
  • Amparados para o médico fazer a aplicação do quimioterápico antineoplásico;
  • Ocluir o cateter ou dreno e manter a medicação no espaço intrapleural entre 20 minutos a 2 horas, conforme prescrição médica;
  • Fazer mudança de decúbito a cada 15 minutos;
  • Manipular o cateter utilizando técnica asséptica;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via intravesical

Vantagens

  • Exposição direta da superfície da bexiga à droga

Desvantagens

  • Requer inserção do cateter de Folley

Potenciais complicações

  • Infecções do trato urinário, cistite, contratura da bexiga, urgência urinária, reações alérgicas à droga

Cuidados de enfermagem na aplicação por via intravesical

  • Orientar o cliente a fazer restrição hídrica por 8 a 12 horas antes da sondagem;
  • Fazer o cateterismo vesical com sonda vesical de demora e se for retirá-la após a infusão fazer com a sonda de alívio;
  • Aplicar o quimioterápico antineoplásico;
  • Fazer mudança de decúbito de 15 em 15 minutos;
  • Orientar que a quimioterapia deverá ficar retida por maior tempo possível;
  • Drenar o quimioterápico e retirar a sonda;
  • Assegurar técnica asséptica;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via endovenosa

Vantagens

  • Efeito imediato e completa disponibilidade da medicação.

Desvantagens

  • Esclerose venosa, hiperpigmentação da pele.

Potenciais complicações

  • Infecção, flebite, formação de vesículas ou necrose quando extravasado o antineoplásico.

Cuidados de enfermagem na aplicação por via endovenosa

  • Puncionar veia calibrosa;
  • Escolher a veia periférica mais distal dos membros superiores e de maior calibre acima das áreas de flexão;
  • Fixar o dispositivo de uma maneira que facilite a visualização do local da inserção do cateter para a avaliação de extravasamento;
  • Certificar se o acesso venoso está pérvio com soro fisiológico ou água destilada antes de iniciar a quimioterapia;
  • Usar three way para facilitar na manipulação medicamentosa;
  • Administrar o quimioterápico antineoplásico em bolus, infusão rápida e lenta ou contínua, conforme prescrição médica;
  • Não administrar quimioterápicos vesicantes sob infusão contínua através de um acesso venoso periférico;
  • Interromper a infusão quando houver: edema, hiperemia, diminuição ou parada do retorno venoso e dor no local da punção;
  • Seguir protocolo da instituição em caso de extravasamento do quimioterápico;
  • Lavar a veia puncionada com SF 0,9% antes de retirar o dispositivo da punção
  • Fazer compressão local por 3 minutos após a retirada do dispositivo para evitar o refluxo do quimioterápico e sangue;
  • Observar presença de complicações locais associados à administração dos quimioterápicos por veia periférica: flebite, urticária, vasoespasmo, dor, eritema, descoloração, hiperpigmentação venosa e necrose tecidual secundária ao extravasamento;
  • Assistir e orientar o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva.

Via retal

Vantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via

Desvantagens

  • As mesmas de outra medicação administrada por essa via

Cuidados de enfermagem na aplicação por via intra retal

  • Fazer lavagem intestinal, conforme prescrição médica;
  • Aplicar o medicamento evitando extravazamento;
  • Orientar o cliente a manter o quimioterápico por maior tempo possível e mudar de decúbito sempre que possível;
  • Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;
  • Fazer anotações de enfermagem descritiva;

Procedimento para administração de quimioterápicos

  • Verificar a identificação do cliente, medicamento, dose, via e tempo de administração na prescrição médica;
  • Rever o histórico de alergia à medicamentos com o cliente e no prontuário;
  • Antecipar e planejar possíveis efeitos colaterais e toxicidade sistêmica importante;
  • Rever os dados laboratoriais e outros testes adequados;
  • Escolher os equipamentos e dispositivos adequados;
  • Explicar o procedimento ao cliente e ao acompanhante;
  • Informar que os quimioterápicos são lesivos para as células normais e que as medidas de proteção usadas pela equipe minimizam sua exposição ao medicamento;
  • Administrar antieméticos ou outras medicações prescritas;
  • Administrar o quimioterápico;
  • Monitorar o cliente em intervalos programados durante todo o período de administração de medicamentos;
  • Não descartar qualquer dispositivo utilizado em qualquer procedimento na área de cuidado do cliente.

Intervenções de enfermagem frente ao tratamento com os quimioterápicos antineoplásicos

  • Avaliar cavidade oral quanto à presença de mucosites e gengivites.
  • Fazer a higienização dos dentes com cautela, nos clientes que apresentarem hemorragias gengivais.
  • Incentivar o cliente a fazer a higiene oral com escova macia ou com o dedo enrolado na gaze com soro fisiológico e solução alcalina (bicarbonato de sódio) na ausência de hemorragia.
  • Incentivar o cliente a fazer bochecho com solução de nistatina 30 minutos após a higiene oral, mantendo-a na boca por 2 minutos e deglutindo após, conforme prescrição médica.
  • Liberar a dieta após 20 minutos do bochecho com solução de nistatina.
  • Avaliar a aceitação alimentar e documentar.
  • Oferecer alimentação leve 2h antes do início da quimioterapia.
  • Evitar frituras para minimizar a possibilidade de vômitos para o cliente.
  • Administrar antiemético antes da quimioterapia, se prescrito.
  • Avaliar a eficácia do antiemético.
  • Evitar líquidos durante as refeições .
  • Estimular ingestão hídrica 2 litros/dia ou mais.
  • Evitar odores desagradáveis na enfermaria.
  • Investigar, medicar e proporcionar o conforto na ocorrência de dor.
  • Manter os lábios do cliente lubrificados.
  • Registrar o peso diariamente e fazer balança hídrico rigoroso.
  • Estimular a deambulação, quando possível.
  • Observar, comunicar e registrar presença de reações adversas.

Referências:

  1. FONSECA, S.M. et. Al. Manual de quimioterapia antineoplásica, Rio de Janeiro: Reichmann &Affonso, 2000, 164p.
  2. MILLER, D. Quimioterapia. In: Administração de medicamentos. Rio de Janeiro: Reichmann &Affonso, p. 369-82, 2002.
  3. ARCHER, E, et al. Protocolo de quimioterapia. In: Procedimentos e protocolos. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2005, 408p.
  4. ADAMI, N.P, et al. Extravasamento de drogas antineoplásicas: notificação e cuidados prestados. Rev. Brás. Cancerologia, v. 47 n. 2, p. 147-51, 2001.
  5. ROCHA, F.L.R.. MARZIALE, M.H.P.. ROBAZZI, M.L.C.C. Perigos potenciais a que estão expostos os trabalhadores de enfermagem na manipulação de quimioterápicos antineoplásicos: conhecê-los para prevení-los. Rev. Latino-am Enfermagem, v. 12, n. 3, p. 511-7, 2004.
  6. Conselho Federal de Enfermagem (COFEn). Resolução 210 de 01 de julho de 1998. Dispõe sobre a atuação dos profissionais de enfermagem que trabalham com quimioterápicos antineoplásicos. In: COFEn. Documentos Básicos de Enfermagem. São Paulo, 2001. p. 207.

Kit Derramamento

Os antineoplásicos são fármacos usados no combate ao câncer, que representa uma das principais causas de morte no mundo todo. O tratamento dessa doença é uma área prioritária para a saúde pública e, da mesma forma, o transporte e armazenamento de medicamentos utilizados exige atenção especial.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), todos os tipos de câncer estão relacionados com mutações genéticas. Assim, as células cancerígenas possuem quatro características que as diferenciam das células normais:

  • Elevada capacidade de multiplicação celular;
  • Perda de suas funções normais;
  • Alta capacidade de se espalhar pelo organismo;
  • Facilidade de invadir outros órgãos, prejudicando seu funcionamento.

Em contrapartida, os medicamentos antineoplásicos, também conhecidos como quimioterápicos, agem diretamente no metabolismo das células tumorais. Infelizmente, muitas dessas drogas possuem baixa seletividade e podem atingir também células normais.

Assim, são particularmente afetados pela quimioterapia o trato gastrointestinal, as células sanguíneas e o couro cabeludo. Além disso, esses medicamentos possuem efeitos teratogênicos e carcinogênicos, sendo classificados como drogas perigosas, que demandam precauções adicionais em toda a cadeia logística.

Vale destacar também que o tratamento do câncer envolve tecnologias inovadoras e, não raras vezes, esta cadeia logística depende da importação de produtos.

Enfim, existem várias razões pelas quais os quimioterápicos envolvem cuidados especiais desde o momento em que são fabricados, transportados, distribuídos, consumidos e até descartados.

A seguir, abordaremos os principais aspectos legais a serem observados durante o transporte e armazenamento de medicamentos oncológicos, utilizados para combater o câncer.

Peculiaridades no manuseio de quimioterápicos

De acordo com a Resolução RDC Anvisa nº 220, de 21 de setembro de 2004, os quimioterápicos exigem cuidados específicos de armazenamento de medicamentos, bem como precauções diferenciadas durante o transporte e o preparo.

Vale destacar que as soluções administradas por via parenteral precisam ser preparadas em uma sala limpa, devidamente equipada com capela de exaustão. Esses cuidados visam garantir a esterilidade dos medicamentos e proteger as pessoas e o ambiente de contaminação.

De acordo com a RDC nº 220/2004, a manipulação é uma atribuição exclusiva do farmacêutico. Este profissional é um dos membros essenciais da equipe de terapia antineoplásica, composta ainda por enfermeiros e médicos dedicados ao tratamento do câncer.

Rótulos e Informações

Cabe ao farmacêutico avaliar a adequação das prescrições com relação à dose, compatibilidade e estabilidade dos componentes. Também é de sua responsabilidade a elaboração dos rótulos, com informações que garantam segurança no transporte de medicamentos e na administração ao paciente.

Dessa forma, o rótulo das preparações deve incluir dados de identificação do paciente, composição detalhada, prazo de validade e o modo de conservação. O rótulo deverá, ainda, contemplar cuidados na administração e a identificação do profissional que manipulou a solução.

Na prática, é desejável acrescentar também no rótulo a informação se a solução é irritante ou vesicante. Isso facilita a adoção de providências em caso de escape acidental da solução para os tecidos (extravasamento), durante a infusão da quimioterapia.

Os antineoplásicos vesicantes são capazes de causar necrose dos tecidos quando escapam dos vasos sanguíneos para os tecidos adjacentes. Os irritantes, por sua vez, são aqueles que produzem ardor e inflamação temporária no local de extravasamento.

Por fim, as soluções manipuladas são acondicionadas em embalagem impermeável e transparente para protegê-las até o momento de utilização. O transporte de medicamentos, por sua vez, deverá ser realizado em recipientes isotérmicos exclusivos e respeitar as medidas de biossegurança.

Biossegurança no armazenamento e transporte de medicamentos

Todo o pessoal envolvido no manuseio de quimioterápicos deverá receber treinamento para lidar com derramamento acidental ou quebra de frascos. Isso inclui não apenas a equipe de saúde, mas também os colaboradores responsáveis pelo transporte de medicamentos externo.

Para fins de biossegurança, obrigatoriamente, os serviços de Terapia Antineoplásica devem manter um “Kit” de derramamento em todas as áreas onde são realizadas atividades de manipulação, armazenamento, administração e transporte de medicamentos antineoplásicos.

Esse Kit deve conter luvas de procedimento, avental de baixa permeabilidade, compressas absorventes, máscara de proteção respiratória, proteção ocular, pá e sabão. Além disso, deve incluir instruções escritas, formulário para registro do acidente e recipiente para coleta de resíduos tóxicos.

Caso o derramamento desses medicamentos atinja o colaborador, este deve remover a roupa contaminada imediatamente e lavar a pele atingida com água e sabão. Adicionalmente, se houver contaminação dos olhos, deve-se lavá-los com água ou solução fisiológica.

Importante destacar, ainda, que o funcionário acidentado deve passar por avaliação e acompanhamento médico, em conformidade com a legislação vigente, incluindo-se a NR 32.

Com relação ao local do acidente, é preciso realizar a descontaminação de superfícies. Antes disso, porém, o colaborador deve vestir os equipamentos de proteção individual (EPI) presentes no kit de derramamento, visando evitar contato com resíduos tóxicos dispersos no ambiente.

Uma vez equipado com os EPIs, o colaborador deve limitar a superfície atingida com compressas absorventes. Os pós devem ser recolhidos com compressas umedecidas, já os líquidos com compressas secas.

Em seguida, a área deve ser limpa com água e sabão em abundância. Se houver fragmentos de vidro, estes devem ser recolhidos com auxílio de uma pá e colocados em recipiente próprio para descarte de perfurocortante.

Sobre o transporte de medicamentos em trânsito

Nem todo serviço de saúde possui pessoal e equipamento para manipular quimioterápicos. Tanto esta operação, como o transporte até o local onde o produto será administrado ao paciente podem ser terceirizadas.

Assim, a legislação prevê a possibilidade de contratação de serviços de transporte externo. Uma das condições para isso é que as empresas sejam qualificadas e prestem assistência para eventuais acidentes envolvendo os medicamentos transportados por elas.

Outro aspecto a ser observado na contratação de terceiros é que a transportadora precisa monitorar as condições de temperatura e umidade com instrumentos calibrados e fornecer esses dados para o contratante.

Assim, veículos, equipamentos e contêineres devem garantir a estabilidade e integridade dos quimioterápicos e evitar contaminação. O transporte requer também o monitoramento e controle da temperatura de maneira contínua, de preferência por meio de sistemas informatizados.

Além disso, recomenda-se que os instrumentos utilizados no monitoramento de temperatura possuam alarmes visuais e/ou sonoros. Assim, pode-se identificar precocemente excursões fora das faixas de aceitação e agilizar a implementação do plano de contingência para evitar a perda de produtos.

Segundo a RDC Anvisa nº 430/2020, o monitoramento de temperatura e umidade não é necessário quando o tempo máximo de transporte for inferior a oito horas. Em contrapartida, exige-se a utilização de embalagens térmicas qualificadas até o local de dispensação.

Por último e não menos importante, é a disposição das cargas no veículo. As embalagens devem ser dispostas de modo a evitar a exposição direta dos medicamentos aos agentes refrigerantes usados para manter a temperatura.

Cuidados com armazenamento de medicamentos antineoplásicos

Com relação ao armazenamento de medicamentos antineoplásicos, os serviços devem atender à Resolução RDC Anvisa nº 430/2020. Esta norma visa promover melhor controle e rastreabilidade sobre a cadeia de distribuição, armazenamento e transporte de medicamentos e coibir falsificação e adulteração.

O armazenamento de medicamentos deve ser acompanhado de rígido controle de estoque para evitar perdas, desvios ou faltas, que possam prejudicar, sobretudo, aqueles que aguardam tratamento para o câncer. Assim, toda movimentação deve ser documentada e os registros prontamente recuperáveis.

Paralelamente, deve-se proteger as informações contra modificações não autorizadas, danos ou perdas. Vale destacar, ainda, a importância de realizar backups eletrônicos e de todos os registros e a necessidade de manter esses arquivos por período mínimo de cinco anos.

Monitoramento de Temperatura

O acesso às áreas de armazenamento de medicamentos deve ser restrito ao pessoal autorizado. Destaca-se também a necessidade de manter equipamentos para controle e monitoramento de temperatura e umidade, que pode ser realizado por meio de registro físico ou eletrônico.

Os instrumentos para monitoramento da temperatura e umidade das áreas de estocagem devem estar posicionados de acordo com o estudo prévio de qualificação térmica. As leituras, por sua vez, se não puderem ser realizadas de forma contínua, precisam ser aferidas pelo menos nos períodos de maior criticidade.

Adicionalmente, a legislação exige que se mantenha os registros de monitoramento por, pelo menos, dois anos. É válido destacar a possibilidade de adotar armazenamento de dados em nuvem e monitoramento remoto para conferir maior agilidade e segurança ao processo.

As salas para armazenamento de medicamentos antineoplásicos devem possuir superfícies lisas e de fácil limpeza. O local também precisa ser protegido de intempéries e animais, além de ser bem iluminado para que todas as operações sejam realizadas com precisão e segurança.

As condições de armazenamento de medicamentos devem respeitar as especificações dos fabricantes. Nesse sentido, quando houver troca de fornecedor, é importante que o farmacêutico verifique se há alguma nova recomendação que precise ser repassada para a equipe.

Precauções adicionais no armazenamento de medicamentos termolábeis

Alguns quimioterápicos são termolábeis desde o momento da fabricação, enquanto outros exigem refrigeração só depois de preparados. Nesse sentido, a RDC nº 220/2004 prevê que o serviço ofereça infraestrutura que garanta a integridade desses medicamentos até seu destino.

Desse modo, os refrigeradores devem possuir fonte de energia alternativa para suprir eventual falha da fonte primária. Outrossim, esse cuidado deverá estar contemplado no plano de contingência para garantir o armazenamento de medicamentos de modo adequado, mesmo diante de adversidades.

Referência: Ministério da Saúde

Hipertermo Quimioterapia Intraperitoneal (Hipec)

A Hipertermo Quimioterapia Intraperitoneal  (Hipec), um tratamento de quimioterapia altamente concentrada e aquecida, aplicada diretamente no abdome durante a cirurgia citorredutora – procedimento de alta complexidade para combater um tipo raro de câncer localizado no peritônio, membrana que recobre a região do abdome.

Diferentemente da quimioterapia convencional, cujo medicamento circula por todo o organismo, no Hipec o quimioterápico é administrado diretamente nas células tumorais do abdome, com baixa absorção sistêmica, o que permite o uso de doses mais concentradas da medicação.

O aquecimento da solução (40 a 42 graus celsius) aumenta a absorção da droga pelo tumor e destrói as células que restaram após a cirurgia. É um método que reduzir os mecanismos de defesa do tumor à quimioterapia convencional e induz a uma resposta imunológica eficaz.

O tempo de aplicação da Hipec peritoneal pode durar de 30 a 90 minutos, a depender da dose e do quimioterápico utilizado.

Local do procedimento

Esse procedimento é realizado em Centro Cirúrgico e envolve uma grande equipe interdisciplinar, com monitoramento e acompanhamento constante do quadro clínico do paciente.

Indicação

A cirurgia de citorredução com Hipec está indicada em tumores primários de peritoneal, casos selecionados de tumores intestinais e tumores de ovário com disseminação peritoneal.

A cavidade peritoneal fica localizada dentro da cavidade abdominal, sendo seu limite inferior à cavidade pélvica.

Após a Hipec, o paciente fica internado até sua recuperação, que pode durar de 7 a 14 dias, sob assistência do oncologista clínico, do cirurgião oncológico, do médico intensivista e demais profissionais que participaram do procedimento no Centro Cirúrgico.

Cuidados de Enfermagem

Pacientes submetidos à QHITO costumam passar o período pós-operatório imediato em unidades de terapia intensiva, onde a vigilância é contínua.

Portanto, enfermeiros atuantes nessas unidades devem conhecer os sinais e os sintomas decorrentes das complicações potenciais da QHITO, de modo que cuidados preventivos sejam planejados e os resultados pós-operatórios, por consequência, otimizados.

Como algumas complicações da QHITO estão relacionadas à passagem de drogas antineoplásicas para a circulação sistêmica, o enfermeiro deve considerar a potencial ocorrência de toxicidade hematológica e, por isso, avaliar os resultados laboratoriais dos exames de sangue a cada quatro horas durante as primeiras 24 horas pós-operatórias.

Especialmente quando a Oxaliplatina for utilizada, pois essa droga aumenta o risco de hemorragia, bem como o risco de insuficiência renal aguda.

Além disso, os níveis de eletrólitos devem ser monitorados a cada quatro ou seis horas e a administração/perda de líquidos deve ser registrada a cada hora. Logo, recomenda-se a instituição de balanço hídrico.

A função renal deve ser rigorosamente avaliada com mensuração horária da diurese, apreciação da ureia e creatinina séricas a cada 12 horas e aferição diária do peso corporal.

Pacientes submetidos à cirurgia citorredutora combinada à QHITO costumam permanecer sob ventilação mecânica por, pelo menos, 12 horas devido à resposta inflamatória secundária a essa terapia.

Após a extubação, eles são encorajados a tossir e a realizar exercícios de respiração profunda. Mudanças de decúbito a cada duas horas também são cuidados de enfermagem instituídos para promover ventilação adequada.

Contudo, essas mudanças podem ser um desafio devido à presença de drenos abdominais, da própria incisão cirúrgica e dor.

Referências:

  1. JOMAR, Rafael Tavares et al. Quimioterapia hipertérmica intraperitoneal transoperatória: o que a enfermagem precisa saber [Intraoperative hyperthermic intraperitoneal chemotherapy: what nurses should know]. Revista Enfermagem UERJ, [S.l.], v. 25, p. e29326, jun. 2017. ISSN 0104-3552. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/29326>. Acesso em: 31 maio 2021. doi:https://doi.org/10.12957/reuerj.2017.29326.