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A Escala de Braden não serve apenas para dar uma nota ao paciente. O ponto mais importante é o que essa nota faz a equipe enxergar antes que uma lesão por pressão apareça: perda de mobilidade, umidade, baixa percepção sensorial, dificuldade nutricional e exposição à fricção e ao cisalhamento.
O que a Escala de Braden avalia?
A escala possui seis domínios: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção/cisalhamento.
Os cinco primeiros recebem pontuação de 1 a 4. Fricção e cisalhamento recebem de 1 a 3. A soma varia de 6 a 23 pontos e, quanto menor o resultado, maior o risco identificado.
| Domínio | O que deve ser observado |
| Percepção sensorial | Capacidade de perceber e responder ao desconforto relacionado à pressão |
| Umidade | Frequência com que a pele fica exposta à umidade |
| Atividade | Grau de atividade física |
| Mobilidade | Capacidade de mudar e controlar a posição do corpo |
| Nutrição | Padrão habitual de ingestão alimentar |
| Fricção e cisalhamento | Risco relacionado ao deslizamento da pele e dos tecidos durante movimentação ou posicionamento |
A aplicação correta depende de uma avaliação clínica consistente. Não basta escolher uma pontuação rapidamente; é preciso observar o paciente, confrontar o achado com sua condição atual e registrar a avaliação de maneira objetiva.
Como interpretar a pontuação
Tradicionalmente, a classificação mais utilizada é:
- 15 a 18 pontos: risco baixo
- 13 a 14 pontos: risco moderado
- 10 a 12 pontos: risco alto
- 9 pontos ou menos: risco muito alto
Essas faixas são úteis para padronizar a comunicação, mas não devem substituir o julgamento clínico nem determinar sozinhas o plano preventivo. O risco real também depende da condição clínica, perfusão, mobilidade, exposição à umidade, presença de dispositivos, tolerância da pele e outros fatores.
Na prática, um paciente sedado, com baixa mobilidade, instabilidade hemodinâmica e dispositivos médicos pode exigir atenção preventiva intensificada mesmo quando a pontuação isolada não parece tão baixa. Em uma rotina de UTI, por exemplo, vale conferir também a pele sob tubos, cateteres, fixadores, máscaras e outros dispositivos, porque a pressão relacionada a dispositivos pode passar despercebida durante uma avaliação rápida.
Braden não é diagnóstico de lesão por pressão
Esse é um ponto que costuma gerar confusão. A escala estima risco de desenvolver lesão por pressão; ela não diagnostica a lesão e não substitui a inspeção da pele.
Além disso, a evidência recente mostra que a Braden apresenta boa confiabilidade em cenários de cuidados agudos, mas sua capacidade preditiva varia. Em pacientes de terapia intensiva, os estudos apresentam resultados ainda mais heterogêneos, e não existe um ponto de corte único que possa ser considerado ideal para todos os pacientes críticos.
Por isso, a pontuação deve funcionar como um gatilho para prevenção, e não como uma “sentença” sobre o paciente.
Prevenção: o escore precisa virar conduta
Depois de calcular a Braden, a pergunta mais importante é: o que será feito com esse resultado?
A prevenção deve envolver inspeção regular da pele, controle da umidade, redução da pressão e do cisalhamento, mobilização ou reposicionamento individualizado, proteção dos calcâneos, escolha adequada da superfície de suporte e atenção à nutrição e hidratação conforme a avaliação clínica.
Um detalhe importante: a antiga orientação de simplesmente reposicionar todo paciente a cada duas horas não deve ser aplicada de maneira automática. As recomendações internacionais mais recentes defendem um esquema individualizado, considerando mobilidade, tolerância da pele e dos tecidos, condição clínica, conforto, sono, objetivos do cuidado e superfície de suporte utilizada. Em pacientes críticos ou com hipoperfusão, podem ser necessários pequenos ajustes de posição e mudanças mais frequentes.
Imagine um paciente consciente, capaz de mudar de posição sozinho, mas que permanece muitas horas sentado. Nesse caso, apenas registrar a Braden não resolve o problema. É preciso avaliar a superfície utilizada, o tempo sentado, a capacidade de realizar alívio de pressão e a condição da pele, ajustando o cuidado conforme a resposta observada.
Cuidados de enfermagem
A equipe de enfermagem deve:
- realizar a avaliação de risco na admissão e reavaliá-la conforme mudança clínica e protocolo institucional;
- inspecionar a pele, principalmente em proeminências ósseas e sob dispositivos;
- manter a pele limpa, seca e protegida contra excesso de umidade;
- reduzir fricção e cisalhamento durante transferências e mudanças de posição;
- individualizar o reposicionamento;
- utilizar superfícies de redistribuição de pressão quando indicadas;
- manter os calcâneos sem contato direto com a superfície;
- acompanhar ingestão alimentar e hídrica e comunicar alterações relevantes;
- registrar o escore, os achados da pele e as medidas preventivas realizadas.
O Cofen atualmente reconhece a utilização de escalas validadas na avaliação de pessoas com lesões cutâneas ou risco de desenvolvê-las, dentro da avaliação e do planejamento de enfermagem.
O que realmente importa na prática
A Braden ganha valor quando deixa de ser apenas um número no prontuário. Um paciente com queda recente de mobilidade, piora da perfusão ou maior exposição à umidade pode mudar de risco rapidamente, e a reavaliação precisa acompanhar essa mudança.
Outro cenário comum é encontrar um paciente com escore baixo e, ainda assim, uma pele aparentemente íntegra. Isso não significa que a prevenção possa ser reduzida. Pelo contrário: a ausência da lesão é justamente o momento em que as medidas preventivas têm maior oportunidade de funcionar.
A escala ajuda a organizar o raciocínio, mas quem transforma a avaliação em prevenção é a equipe.
Escala de Braden: Saiba Interpretar o Risco
- Avalia seis fatores relacionados ao risco de lesão por pressão
- A pontuação varia de 6 a 23 pontos
- Quanto menor o escore, maior o risco
- A prevenção deve ser individualizada conforme a condição clínica
Referências:
- MAIA, J. A.; SANTOS, N. S. dos; SILVA, R. L. A. da. A eficácia da escala de Braden na úlcera por pressão em pacientes adultos hospitalizados. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 79, n. 17, 2019.
- MEHICIC, A.; BURSTON, A.; FULBROOK, P. Psychometric properties of the Braden scale to assess pressure injury risk in intensive care: a systematic review. Intensive and Critical Care Nursing, v. 83, 103686, 2024. DOI: 10.1016/j.iccn.2024.103686.
- BURSTON, A. et al. The psychometric properties of the Braden Scale to assess pressure injury risk in acute care: a systematic review. Journal of Clinical Nursing, 2025. DOI: 10.1111/jocn.17862.
- COFEN. Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamento da atuação da equipe de enfermagem no cuidado às pessoas com lesões cutâneas. Brasília: Conselho Federal de Enfermagem, 2025.
- NPIAP; EPUAP; PPPIA. International Pressure Injury Guideline. 4. ed. 2025.
Mudança de Decúbito sem Erros
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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