A Técnica de Mistura de Insulinas

mistura de insulina

A Insulina “Neutral Protamin Hagedorn” (NPH) é a primeira escolha entre as insulinas para controle glicêmico basal. Está registrada no Brasil e se encontra disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, como as Insulinas NPH (de ação intermediária, utilizada no controle glicêmico basal), necessitam de várias horas para alcançarem níveis terapêuticos adequados, seu uso em pacientes diabéticos exige suplementos de insulina de curta ação, utilizada para o controle glicêmico após as refeições.

As insulinas análogas ultrarrápidas e insulina de ação rápida – Regular (R) podem ser misturadas na mesma seringa com uma insulina de ação intermediária NPH sem afetar sua absorção rápida, antes da injeção.  A administração de dois tipos de insulina (NPH e Regular) pode proporcionar um nível glicêmico melhor do que se usado apenas um tipo.

Quando o médico prescreve mistura de insulina, de ação intermediária (NPH) com insulina de ação rápida (Regular) ou ultrarrápida o objetivo é melhorar o tratamento com as ações complementares destas insulinas, numa mesma aplicação.

Há vários tipos de pré-misturas disponíveis no mercado farmacêutico, no entanto não estão inclusas na relação nacional de medicamentos (RENAME). Essas pré-misturas são úteis para pessoas que têm dificuldade para misturar a insulina em seringa ou para pacientes idosos e aqueles com dificuldade visual e insuficiência motora fina.

Estas insulinas são somente aplicadas por um profissional da saúde?

Não há exigência para que a mistura da insulina seja realizada por um profissional de saúde. A mistura de insulinas pode ser feita pelo próprio usuário ou cuidador. Contudo a orientação e certificação da compreensão do procedimento pelo usuário e/ou cuidador é responsabilidade da equipe de saúde.

Mas Atenção!

A preparação da mistura das insulinas NPH e Regular de acordo com a necessidade do paciente não deve ser feita no frasco!

A associação de dois tipos de insulina, prescritas por um médico, deve ser feita na mesma seringa. A seringa com agulha fixa é a única opção para realizar esse procedimento com precisão. As preparações misturadas de insulinas em seringas devem ser administradas imediatamente após o preparo não sendo possível o armazenamento em seringas para posterior aplicação.

O cuidado com o Armazenamento

Quando armazenada em refrigeração, ela deve ficar longe do congelador ou das placas de resfriamento. Se houver aspecto de congelamento, mesmo que inicial, deverá ser desprezada. A porta não é uma opção adequada, uma vez que existe maior variação de temperatura e mobilidade das seringas a cada abertura.

Portanto o local ideal para armazenagem é a prateleira inferior da geladeira. O excesso de agitação das seringas e a temperatura menor de 2ºC ou maiores de 30ºC contribuem para a perda da potência da insulina, opacificação e formação de grumos e precipitação. A conservação e o armazenamento das insulinas devem ser realizados conforme as recomendações do fabricante.

A estabilidade destas Insulinas

A estabilidade da insulina pode ser afetada pelo número de aplicações do dia, volume remanescente no frasco, exposição à luz, agitação e técnica de preparação. Além disso, o manejo inadequado durante o processo da mistura de insulina pode diminuir a segurança microbiológica.

Daí a importância da lavagem das mãos antes de manusear os frascos e antes da aplicação da insulina!

A segurança microbiológica pode estar diminuída quando não se limpa o local ao preparar medicação, não se realiza a desinfecção de frascos/ampolas, a característica da agulha, número de perfurações na borracha, características físicas da borracha, injeção de ar no frasco e eficiência dos conservantes.

Como Realizar a Técnica da Mistura de Insulinas ? (Protocolo Operacional Padrão)

  • Sempre prepare a insulina em ambiente tranquilo e bem iluminado. Faça todo o procedimento com calma e muita atenção. Crie mecanismos para não ser interrompido durante o procedimento;
  • Prepare o local, verifique se a superfície está limpa;
  • Separe todo o material necessário, cheque item a item;
  • Ao abrir o frasco pela primeira vez, anotar a data especificando dia, mês e ano, para o controle adequado dos vencimentos. Seguir a indicação do fabricante quanto a validade em dias após abertura do frasco;
  • Confira o prazo de validade da insulina. Se estiver vencido, descarte;
  • Lave as mãos na técnica asséptica e seque adequadamente;
  • Coloque as luvas de procedimento;
  • Utilize uma seringa de insulina, graduada em unidades, com agulha fixa no corpo da seringa, garantindo a precisão da dosagem. Nunca utilize seringa com agulha separada. Nestas seringas existe um espaço extra, formado pelo bico da seringa e a base de fixação da agulha, e quando utilizadas para preparo de misturas, o volume final de insulina fica aumentado, e a aplicação deste volume extra de insulina poderá causar hipoglicemias acentuadas. Certifique-se da padronização das seringas quanto as unidades, se 50UI ou 100UI;
  • Confira o aspecto da insulina. Observe se muda de cor, se apresenta partículas boiando ou aspectos de congelamento. Se um desses estiver presente, descarte-a.
  • Faça movimentos circulares ou palmares suaves com o vidro para que haja uma homogeneização do seu conteúdo, não agite o frasco em hipótese alguma;
  • Realize a desinfecção da borracha dos frascos de insulina com algodão embebido em álcool 70% e aguarde secar. Certifique-se a que a borracha do frasco não esteja úmida com o álcool;
  • É recomendado aspirar primeiro a insulina de ação rápida (R) ou ultrarrápida, que possuem aspecto límpido transparente e, em seguida, a insulina de ação intermediária (NPH) que possui aspecto turvo, leitoso; O objetivo é diminuir a possibilidade de entrada de insulina NPH no frasco de insulina R ou ultrarrápida, alterando a capacidade destas insulinas agirem rapidamente em uma outra aplicação;
  • Mantenha a agulha com protetor e aspire ar até a graduação correspondente à dose de insulina NPH prescrita;
  • Retire o protetor da agulha, injete o ar no frasco de insulina NPH e retire a agulha sem aspirar insulina;
  • Com a mesma seringa puxe o êmbolo até a marca da escala que indica a quantidade de insulina R prescrita;
  • Injete o ar no frasco de insulina R sem retirar a agulha;
  • Coloque o frasco na posição vertical de cabeça para baixo e puxe o êmbolo lentamente aspirando quantidade de insulina R prescrita;
  • Retorne o frasco para a posição anterior e retire a agulha lentamente;
  • Coloque o frasco de insulina NPH na posição vertical de cabeça para baixo. Introduza a agulha segurando no corpo da seringa com cuidado para não perder a insulina R que já está no interior da seringa;
  • Aspire lentamente a quantidade insulina NPH prescrita. O total preparado deve corresponder à soma das doses das insulinas NPH e R prescritas;
  • Retorne o frasco para a posição anterior e retire a agulha lentamente e recoloque o protetor da agulha com cuidado para prevenir contaminação;
  • No caso de dúvidas ou erros durante o preparo despreze tudo e comece novamente;
  • Quando cometer erros, nunca devolva para nenhum dos frascos as insulinas já misturadas;
  • Não faça nenhum tipo de mistura sem prescrição médica!

Lembrando da Administração Segura dos Medicamentos!

  • Paciente certo;
  • Medicamento certo;
  • Dose certa;
  • Via de administração Certa;
  • Horário certo;
  • Tempo certo;
  • Validade certa;
  • Abordagem e resposta certa ao paciente e
  • Registro certo!

A Aplicação destas Insulinas dentro da Equipe de Enfermagem

Neste contexto  a mistura de insulina como parte do serviço de Enfermagem na administração de medicamentos pode ser realizada por Enfermeiro (a) e Técnico de Enfermagem, desde que durante o preparo respeite atentamente, as nove certezas para administração de medicamentos, a prescrição médica e esteja devidamente capacitado para realizar o procedimento de maneira segura e com qualidade ao indivíduo que necessita desta terapêutica.

Veja também:

A Administração Segura de Medicamentos: O uso do protocolo

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