Cateter de Malecot e a Gastrostomia

Malecot

As gastrostomias são indicadas em pacientes portadores de obstrução esofágica por afecções malignas ou benignas, ou em pacientes portadores de neuropatias graves com distúrbios de deglutição, como via de suporte nutricional de longo prazo, para oferta de medicamentos ou descompressão em algumas situações específicas. Tem a vantagem de proporcionar alimentação intermitente, com controle do esvaziamento gástrico pelo esfíncter pilórico.

Há vários tipos de cateteres disponíveis para este tipo de tratamento, sendo em comum os mais vistos como:

• Cateter de Malecot – antiga, mas muito utilizada quando a opção de confecção da gastrostomia é pela técnica cirúrgica aberta.

• Sondas plásticas mais modernas que possuem peças que auxiliam nas fixações interna e externa da sonda (disco cutâneo, balão) e conectores em Y para irrigação e administração de medicamentos.

A gastrostomia cirúrgica aberta é realizada pelas técnicas de Stamm (sutura em bolsa e fixação à parede abdominal) ou Witzel (confecção de túnel submucoso para proteção da sonda que é também fixada à parede abdominal).

PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA GASTROSTOMIA

– Aspiração Pulmonar
– Infecção da sutura abdominal
– Retirada Acidental
– Úlcera e Sangramento gástricos
– Inflamação do Estoma
– Peritonite (inflamação do peritônio);
– Fístula Gastrocólica
– Hemorragia

Outros métodos utilizados na realização de gastrostomias são a endoscópica percutânea e a por via radiológica.A gastrostomia videolaparoscópica é uma alternativa ao procedimento cirúrgico e sondas de gastrostomia e jejunostomia especialmente projetadas
para colocação laparoscópica já estão disponíveis.

CONTRA-INDICAÇÕES

– Ascite
– Coagulopatia
– Impossibilidade de transiluminação
– Obstrução Intestinal
– Hepatomegalia Importante

CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM O CATETER

Deve-se tomar cuidado com a fixação do cateter, principalmente nos primeiros 30 dias de pós-operatório, quando o risco de fístula
gástrica é maior.

Deve-se evitar também a repassagem de sonda de maior calibre, pois esse fato aumenta o orifício e favorece a saída de secreções irritantes. A fixação da sonda deve ser complementada com curativo externo, gaze e esparadrapo ou micropore. A lavagem periódica da sonda com água evita seu entupimento e garante seu bom funcionamento.

CUIDADOS COM A PELE

• O curativo das sondas é feito com o paciente deitado,removendo o adesivo microporoso e gaze, sem molhar.

• A seguir, com água morna e sabonete, limpa-se a pele, cuidando para não lesá-la,retirando os resíduos; em seguida, deve-se secá-la, sempre com movimentos delicados.

• Nunca usar pomadas ou cremes – somente água e sabonete.

• Se houver pêlos ao redor do cateter, cortá-los bem rente com uma tesoura.

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

picc

O PICC, ou Cateter Central de Inserção Periférica, é um dispositivo de acesso vascular inserido perifericamente, tendo a ponta localizada em nível central, na altura do terço distal da veia cava, podendo possuir lúmen único ou duplo. É constituído de poliuretano ou silicone, sendo os de silicone mais flexíveis e em sua maioria inertes, causando menor irritação à parede dos vasos.

Finalidade

Promover a terapia intravenosa por tempo prolongado e de forma segura, garantindo a preservação da rede venosa periférica, diminuição do estresse, dor e desconforto gerado por múltiplas venopunções.

Indicações

– Necessidade de acesso venoso por tempo prolongado (além de 6 dias), avaliando previamente se há possibilidade de utilizar-se da terapêutica com acesso venoso periférico.

– Administração de soluções hipertônicas e/ou vesicantes (Nutrição Parenteral Total com osmolaridade maior que 600 mOsmol/L e soro glicosado com concentração superior a 12,5%, entre outros).

Contra indicações relativas

– Rede venosa periférica prejudicada.

– Recém-nascido com menos de 48h de vida.

– Policitemia.

– Lesões cutâneas no lugar da inserção do cateter.

– Retorno venoso prejudicado.

– Administração de grandes volumes em bolus e sob pressão (risco de rompimento do cateter).

– Situações de emergência.

– Trombose venosa.

– Malformação congênita na rede venosa.

Inserção do cateter compete ao enfermeiro

Através da Resolução do COFEN 258/2001, reconhece que a implantação do cateter de PICC como competência do Enfermeiro, desde que tenha recebido treinamento adequado com cursos de capacitação.

Cuidados de Enfermagem

* O curativo no local da inserção deve ser feito com gazes embebidas em soro fisiológico seguido de clorexidina alcoólico 2% e fixação com película transparente.

* A troca do curativo deve ser realizada a cada sete dias ou antes desse período, se apresentar sangramento ou sujidade.

* Antes de trocar o curativo verificar se há eritema, exsudato ou edema. Apalpar delicadamente em torno do local da inserção para sentir se a área está sensível.* No banho, proteger o curativo para não molhar.* Se necessário o uso de conectores, estes devem ser trocados a cada 72 horas.* Circunferência do braço: deverá ser verificada diariamente, 5cm acima da inserção do cateter. Se houver aumento da circunferência o médico deverá ser comunicado.

* Salinização: utilizar 10ml de solução fisiológica 0,9% antes e após o término de infusões de medicamentos;

* Heparinização: deve ser realizada sempre que o cateter não estiver em uso e repetida a cada 5 dias. A solução recomendada é de 9,8ml de água destilada para 0,2ml de Heparina®, devendo ser injetados 1,5ml da solução. Antes de utilizar o cateter ou na troca da solução de Heparina®, deve-se aspirar e desprezar a solução anterior e lavar o cateter com 10ml de solução fisiológica 0,9%.

* Não utilizar seringa menor que 10ml para infusão no cateter;

* Não tracionar ou reintroduzir o cateter;

* Nunca aferir pressão arterial ou garrotear o membro onde está inserido o PICC;

* Não utilizar adesivos tipo Micropore® ou similares, em torno do corpo do cateter;

* Nunca usar o cateter para administrações de volumes em alta pressão, pois pode ocorrer o seu rompimento;

* A desobstrução e retirada, se necessário, deverão ser feitas por enfermeiro capacitado na passagem do cateter, devendo sempre ser comunicada ao médico a ocorrência.

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Cateter Central Totalmente Implantado

Cateter
O Cateter Central Totalmente Implantando, mais conhecido como port-a-cath é um dispositivo que fica acoplado abaixo da pele e consiste em um reservatório com membrana perfurável e um cateter de silicone.
Muitas das medicações utilizadas em oncologia são administradas através das veias. Estes tratamentos podem ser longos, e os medicamentos contra o câncer podem causar, por vezes, inflamações nas veias superficiais dos braços, que são mais sensíveis. Por isso foi desenvolvido este tipo de dispositivo para administração de medicamentos e coleta de exames, colocado diretamente nas grandes veias do corpo, o cateter totalmente implantado.

Implantação

A colocação do port compete ao médico especialista e deve ser realizada no centro cirúrgico, através de um procedimento simples, instalado após anestesia local e um sedativo ou anestesia geral. O tempo do procedimento varia de 30 minutos a 1 hora. O paciente pode ter alta no mesmo dia e até receber a infusão do medicamento logo após. É implantado no tecido subcutâneo e introduzido numa veia calibrosa, em geral na veia cava superior, próximo à entrada do coração. A cicatrização da inserção do cateter varia de 7 a 10 dias e após isso, não há necessidade de curativo.

Punção e Manuseio

O acesso ao dispositivo é feito por meio de punção na pele sobre o port com agulha específica que penetra o septo sem cortá-lo, esse procedimento deve ser realizado por um enfermeiro treinado e capacitado, com domínio da técnica e obedecendo aos rigores absolutos de assepsia, avaliação do sítio de punção, bem como as condições clínicas do paciente. É importante saber que algumas atividades que cause muito impacto devem ser evitadas (futebol, tênis, boxe, etc).
Ele apresenta algumas vantagens em relação aos outros tipos de cateter como diminuição de risco de infecções, minimização do risco de trombose, fácil punção, permite tratamento ambulatorial, não interfere nas atividades diárias do paciente, tem melhor aspecto estético e preserva a rede venosa periférica.
Apesar de seguro, em raros casos podem acontecer algumas complicações, como eritema local, sangramento, presença de secreção no local de inserção do cateter e ou febre.
Um cirurgião experiente, com uma boa técnica de implantação, uma assepsia rigorosa associada ao acompanhamento dos pacientes por equipe treinada, reduz as complicações precoces e previne as tardias.
Os cateteres totalmente implantáveis para quimioterapia são meios seguros e confortáveis para a administração de medicamentos e coleta de exames, sendo um importante aliado no tratamento do câncer.
Conforme o PARECER COREN-SP 060/2013 – CT , quando o profissional Técnico de Enfermagem questiona se pode realizar a punção do cateter tipo Port-a-Cath®, é dado conclusão de que:
“Do questionamento quanto a competência da punção do cateter Port-a-Cath®, por ser uma atividade assistencial de alta complexidade, compete ao Enfermeiro. Vale salientar que este profissional deve ser dotado de competência técnica e científica, além de habilidades que sustentem as prerrogativas da legislação para a realização do procedimento. Ao Técnico de Enfermagem compete acompanhar a infusão do medicamento, sempre sob orientação e supervisão do Enfermeiro, além da comunicação imediata de qualquer não conformidade. “