Escala Humpty Dumpty para Avaliar Quedas Pediátricas

humpty dumpty

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 16/09/2026.

Na pediatria, o risco de queda pode mudar rapidamente: uma criança que chegou acompanhada, alerta e andando pode passar a precisar de supervisão contínua depois de uma sedação, alteração clínica ou mudança no nível de consciência. É por isso que a avaliação precisa ser repetida, e não apenas registrada na admissão.

Para que serve a Humpty Dumpty?

A Humpty Dumpty Fall Scale (HDFS) é uma ferramenta desenvolvida para avaliar o risco de queda em pacientes pediátricos hospitalizados e orientar medidas preventivas.

A versão original considera sete parâmetros: idade, sexo, diagnóstico, comprometimento cognitivo, fatores ambientais, resposta à cirurgia/sedação/anestesia e uso de medicamentos. Sua pontuação original varia de 7 a 23, com 12 ou mais indicando alto risco. A versão foi posteriormente adaptada e validada para a cultura brasileira. (HILL-RODRIGUEZ et al., 2009; RODRIGUES et al., 2023)

O que mudou na versão 2.0?

Aqui está a principal atualização desta página.

A Humpty Dumpty Fall Scale 2.0 (HDFSv2) retirou os parâmetros sexo e uso de medicamentos e reorganizou a pontuação dos demais componentes. A idade também passou por uma mudança importante: a ponderação foi invertida em relação à escala original, porque a análise dos dados mostrou que a atribuição automática de maior risco aos menores não refletia adequadamente o padrão observado nos hospitais avaliados.

A HDFSv2 trabalha com cinco parâmetros, possui pontuação máxima de 20 e utiliza 12 pontos ou mais como indicação de alto risco. O estudo multicêntrico publicado em 2026 recomendou que instituições que ainda utilizam a versão antiga façam a transição para a versão 2.0, respeitando licenciamento, treinamento e protocolo institucional. (SARIK et al., 2026)

Por isso, uma tabela antiga encontrada na internet não deve ser automaticamente usada como se fosse a versão atual. Não misture os critérios da HDFS original com a HDFSv2.

Como interpretar o resultado?

Na HDFSv2, escores de 5 a 11 pontos correspondem à classificação de baixo risco e 12 pontos ou mais indicam alto risco, conforme o protocolo da versão 2.0.

O resultado não deve ser interpretado isoladamente. A escala é uma ferramenta de triagem e deve ser associada à avaliação clínica, ao ambiente e às condições que podem modificar o risco durante a internação.

Na prática, uma criança pode ter sido classificada como baixo risco pela manhã e apresentar uma pontuação diferente algumas horas depois, após sedação, alteração neurológica ou mudança importante no estado clínico. Nessa situação, repetir a avaliação é mais seguro do que manter automaticamente o resultado anterior.

Quando aplicar a escala?

A avaliação deve fazer parte do processo de admissão e ser repetida conforme o protocolo institucional, especialmente quando houver mudança no estado clínico, no nível de consciência, na mobilidade ou no plano terapêutico.

O estudo brasileiro de adaptação da HDFS original recomendou aplicação na admissão, diariamente e diante de mudanças na complexidade do cuidado. Para instituições que adotarem a HDFSv2, a frequência deve acompanhar o protocolo institucional atualizado e o treinamento específico da ferramenta. (RODRIGUES et al., 2023; SARIK et al., 2026)

Um detalhe que faz diferença no plantão é não esperar uma queda para reconhecer a mudança de risco. Se a criança retorna do centro cirúrgico sonolenta, com acesso venoso, dispositivos e necessidade de auxílio para mobilização, o resultado anterior já pode não representar a condição atual.

Cuidados de enfermagem

A prevenção deve acompanhar o resultado da escala. Entre as medidas estão manter o ambiente organizado, adequar cama e grades à faixa etária e ao risco, orientar familiares e acompanhantes, supervisionar transferências e deambulação e manter os dispositivos assistenciais organizados para não criarem obstáculos.

Em crianças classificadas como alto risco, o cuidado precisa ser intensificado conforme o protocolo institucional, com comunicação da equipe e registro da avaliação e das medidas preventivas adotadas.

Também é importante lembrar que a escala não substitui o julgamento clínico. Uma criança com pontuação baixa ainda pode apresentar uma situação específica que exija precauções adicionais.

Um ponto que costuma confundir

A Humpty Dumpty não é uma escala de gravidade da doença nem uma escala para diagnosticar uma queda. Ela estima risco de queda durante a hospitalização.

Além disso, diferentes versões da ferramenta coexistem na literatura. A HDFS original possui sete parâmetros, enquanto a HDFSv2 apresenta cinco. Para evitar erro de aplicação, a instituição deve identificar claramente qual versão foi adotada e utilizar o instrumento correspondente, sem combinar pontuações de versões diferentes.

Resumo para salvar

Humpty Dumpty na Pediatria

  • Avalia o risco de queda em pacientes pediátricos hospitalizados
  • A versão 2.0 retirou sexo e uso de medicamentos
  • Pontuação de 12 ou mais indica alto risco na HDFSv2
  • A avaliação deve ser repetida quando houver mudança clínica

Referências:

  1. HILL-RODRIGUEZ, Deborah et al. The Humpty Dumpty Falls Scale: a case-control study. Journal for Specialists in Pediatric Nursing, v. 14, n. 1, p. 22-32, 2009.
  2. RODRIGUES, Elke Sandra Alves et al. The Humpty Dumpty Scale: cross-cultural adaptation and validation for Brazilian culture. Acta Paulista de Enfermagem, v. 36, eAPE009332, 2023.
  3. SARIK, Danielle Altares et al. The revised Humpty Dumpty Fall Scale: an update to improve tool performance and predictive validity. Journal of Pediatric Nursing, v. 67, p. 34-37, 2022.
  4. SARIK, Danielle Altares et al. Improving pediatric fall prevention: multicenter validation of the Humpty Dumpty Fall Scale 2.0. Journal of Pediatric Nursing, v. 86, p. 148-153, 2026.
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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