Introdutor Bougie: Via Aérea Difícil

O Bougie, também conhecido como Frova e Gum Elastic Bougie, consiste de dispositivo auxiliar para intubação traqueal tipo introdutor, destinam-se a facilitar a introdução e/ou troca de tubos endotraqueais e cânulas, fazendo a função de guia/orientador, na fase pré-intubação no casos das Vias Aéreas Difíceis.

O primeiro uso do bougie para auxiliar na intubação traqueal foi descrito por Macintosh em 1949, com a utilização de um cateter de dilatação uretral, sendo empregado desde então para diversos fins. Em 1970 o introdutor foi modificado por Venn com a angulação da extremidade distal entre 35 e 40 º (formato conhecido como coudé),criando conformação característica que persiste até hoje.

Tipos de Introdutores

Atualmente vários tipos de introdutores são chamados de bougie, com destaque para o descartável (single-use), o reutilizável (multiple-use) e o caseiro. O bougie reutilizável é feito com material mais flexível, possui ponta globosa e arredondada e pode ser utilizado até cinco vezes.

Já o dispositivo descartável é feito com material mais rígido, com ponta reta e possui canal central que pode ser usado para aspiração ou fornecimento de oxigênio.

O introdutor caseiro pode ser feito com pedaço de aproximadamente 60 cm de comprimento de passador de fio, material este encontrado em casas de material elétrico, muito similar a fio de energia elétrica, mas sem o metal em seu interior. Feito basicamente de nylon, pode ser cortado e lixado em sua extremidade para torná-lo menos traumático.

As Indicações para o uso

Múltiplos usos do bougie têm sido descritos na literatura, dentre os quais podem ser destacados intubação em via aérea difícil inesperada, troca de cânulas traqueais, orientação de broncoscópio rígido, auxiliar na locação de cânulas traqueais de duplo lúmen e auxiliar na locação de máscara laríngea.

Complicações

As complicações podem ser divididas em três grupos: falhas do material, traumáticas e biológicas.

Dentre as complicações relacionadas ao material, a literatura revela relatos de quebra do bougie com ou sem perda de fragmentos na via aérea. Em 2002, Gardner 28 descreveu a desconexão da extremidade distal durante a manobra de intubação, sendo necessária realização de broncoscopia para retirar o fragmento da via aérea.

Fato semelhante já havia ocorrido em 1999 e 1995 chamando a atenção para a necessidade de inspeção do material, principalmente do dispositivo multiuso, antes do seu uso. O introdutor reutilizável deve ser empregado apenas cinco vezes devido ao ressecamento do material, que leva ao enfraquecimento e a possibilidade de fraturas.

Dentre as complicações traumáticas merece destaque a ocorrência de sangramento intenso na via aérea após o emprego do bougie. Mais graves, porém, são os relatos de perfuração de faringe, lacerações de esôfago e pulmão com pneumotórax.

Durante a confecção do dispositivo caseiro, sua extremidade pode apresentar-se áspera e com protuberâncias, potencial causadora de traumatismos. Portanto, apesar de ser simples, seu uso deve ser criterioso. O dispositivo descartável também parece ser potencialmente mais lesivo e menos efetivo  que o reutilizável por não apresentar a ponta arredondada e exercer maiores pressões nas paredes das vias aéreas.

Transmissão de doenças e infecções são descritas sobretudo com o uso de introdutores reutilizáveis, suscitando cuidados adequados quanto a armazenagem e desinfecção.

Referências:

  1. Latto IP, Stacey M, Mecklenburgh J et al. – Survey of the gum elastic bougie in clinical practice. Anaesthesia, 2002;57:379-384.
  2. Hames KC, Pandit JJ, Marfin AG et al. – Use of the bougie in simulated difficult intubation. 1. Comparison of the single-use bougie with the fibrescope. Anaesthesia, 2003:58:846-851.
  3.  Gataure PS, Vaughan RS, Latto IP – Simulated difficult intubation: comparison of the gum elastic bougie and the stylet. Anaesthesia, 1996;51:935-938.
  4.  S.I.A.A.R.T.I Linee Guida On-Line – Per l’intubazione difficile e la difficolta’ di controllo delle vie aeree, 1998.
  5.  Braun U, Goldmann K, Hempel V et al. – Practice guideline: airway management. Anästh Intensivmed, 2004;45:302-306.
  6.  Henderson JJ, Popat MT, Latto IP et al. – Difficult Airway Society guidelines for management of the unanticipated difficult intubation. Anaestesia, 2004;59:675-694.
  7. Henderson JJ – Development of the “gum elastic bougie”. Anaesthesia, 2003;58:103-104.
  8. Macintosh RR – An aid to oral intubation. BMJ, 1949;1:28.
  9.  El-Orbany MI, Salem MR, Joseph NJ – The Eschmann tracheal tube introducer is not gum, elastic, or a bougie. Anesthesiology, 2004;101:1240.
  10.  Cupitt JM – Microbial contamination of gum elastic bougies. Anaesthesia, 2000;55:466-468.
  11. Latto P – Fracture of the outer varnish layer of a gum elastic bougie. Anaesthesia, 1999;54:497-498.
  12.  Morton G, Chileshe B, Baxter P – Gum elastic bougie in the hole technique. Anaesthesia, 2002;57:1037-1038.
  13. Weisenberg M, Warters RD, Medalion B et al. – Endotracheal intubation with a gum-elastic bougie in unanticipated difficult direct laryngoscopy: a comparison of a blind technique versus indirect laryngoscopy with a laryngeal mirror. Anesth Analg, 2002;95:1090-1093.
  14. Orelup CM, Mort T – Airway rescue with the bougie in the difficult emergent airway. Crit Care Med, 2004,32:A118
  15.  Nekhendzy V, Simmonds PK – Rigid bronchoscope-assisted endotracheal intubation: yet another use of the gum elastic bougie. Anesth Analg, 2004;98:545-547.
  16.  Baraka A – Gum elastic bougie for difficult double-lumen intubation. Anaesthesia, 1997;52:929.
  17.  Weller RM – Gum elastic bougie for difficult double-lumen intubation. Anaesthesia, 1998;53:311.
  18. Gajraj NM – Tracheal intubation through the laryngeal mask using a gum elastic bougie. Anaesthesia, 1996;51:796.
  19. Lopez-Gil M, Brimacombe J, Barragan L et al. – Bougie-guided insertion of the ProSealtm laryngeal mask airway has a higher first attempt success rate than the digital technique in children. Br J Anaesth, 2006;96:238-241.
  20. Evans A, Morris S, Petterson J et al. – A comparison of Seeing Optical Stylet and the gum elastic bougie in simulated difficult intubation: a manikin study. Anaesthesia, 2006;61:478-481.
  21.  Hammarskjöld F, Lindskog G, Blomqvist P – An alternative method to intubate with laryngeal mask and see-through-bougie. Acta Anaesthesiol Scand, 1999;43:634-636.
  22. Dagg LE, Jefferson P, Ball DR – “Hold up” and the gum elastic bougie. Anaesthesia, 2003;58:103.
  23.  McNelis U, Syndercombe A, Harper I et al. – The effect of cricoid pressure on intubation facilitated by the gum elastic bougie. Anaesthesia, 2007;62:456-459.
  24. Hodzovic I, Wilkes AR, Latto IP – Bougie -assisted difficult airway management in a manikin – the effect of position held on placement and force exerted by the tip. Anaesthesia, 2004;59:38-43.
  25. Brimacombe J, Howath A, Keller C – A more “failsafe” approach to difficult intubation with the gum elastic bougie. Anaesthesia, 2002;57:292.
  26.  Murdoch JAC – Emergency tracheal intubation using a gum elastic bougie through a laryngeal mask airway. Anaesthesia, 2005;60:626-627.
  27. Sarma J – Intubating using an LMA and gum elastic bougie. Anesth Analg, 2006;102:975.
  28.  Gardner M, Janokwski S – Detachment of the tip of a gum-elastic bougie. Anaesthesia, 2002;57:88-89.
  29. Robbins PM, Hack H – Critical incident with gum elastic bougie. Anaesth Intensive Care, 1995;23:654.
  30. Prabhu A, Pradhan P, Sanaka R et al. – Bougie trauma: it is still possible. Anaesthesia, 2003;58:811-813.
  31.  Heidemann BH, Clark VA – Tracheal trauma secondary to the use of a Portex single-use bougie. Anaesthesia, 2004;59:1043-1044.
  32. Kadry M, Popat M – Pharyngeal wall perforation: an unusual complication of blind intubation with a gum elastic bougie. Anaesthesia, 1999;54:404-405.
  33.  Hodzovic I, Latto IP, Henderson JJ – Bougie trauma – what trauma? Anaesthesia, 2003;58:192-193.
  34.  Lima LG, Bishop MJ – Lung laceration after tracheal extubation over a plastic tube changer. Anesth Analg, 1991;73:350-351.
  35.  Marfin AG, Pandit JJ, Hames KC et al. – Use of the bougie in simulated difficult intubation. 2. Comparison of single-use bougie with multiple-use bougie. Anaesthesia, 2003;58:852-855.
  36. Annamaneni R, Hodzovic I, Wilkes AR et al. – Comparison of simulated difficult intubation with multiple-use and singe-use bougies in manikin. Anaesthesia, 2003;58:45-49.

Agulha Ponta Romba

As Agulhas Ponta Romba têm se tornado um dos dispositivos mais rotineiros nos setores de Assistência Hospitalar, e é de suma importância entender sobre a o seu uso na administração de medicamentos.

São comumente indicadas somente para utilização de aspiração e preparação de um medicamento, reconstituição do medicamento e acesso aos IV Bags. Elas substituem as agulhas hipodérmicas tradicionais, reduzindo o risco de acidentes com perfuro-cortantes, pois possuem calibres compatíveis, com bom fluxo e pontas sem corte, evitando acidentes.

A Principal característica destas agulhas são as pontas sem corte, o que facilita e evita os grandes acidentes com perfuro durante o preparo dos medicamentos, assim atendendo a Norma NR 32.

Os tamanhos das agulhas são variadas, porém de tamanhos grandes: Podendo ser encontradas sob 40 x 12, 25 x 10, por exemplo.

As Vantagens do uso

  • Facilita o manuseio sem que o profissional precise alterar a técnica empregada;
  • Sua ponta apresenta cânula siliconizada, ideal para perfurar o frasco ampola e realizar a limpeza de ferimentos;
  • Outra característica é a presença do calibre, compatível com um bom fluxo e ponta sem corte;
  • Substitui as agulhas hipodérmicas tradicionais, o que reduz os riscos de acidentes com perfurocortantes.

Como Utilizá-las?

A técnica de aspiração é empregada em diversas situações e para que ela seja eficaz indica-se a Agulha de Aspiração Ponta Romba.

Para utilizá-la corretamente, separe todos os materiais exigidos, lave adequadamente as mãos e calce as luvas estéreis. Não se esqueça também de confirmar o nome do paciente em relação ao procedimento ou medicação prescrita.

Caso a aspiração seja realizada para administração de medicamentos, faça a antissepsia adequada do frasco. Logo em seguida, você deve seguir os passos:

  1. Abra a embalagem da agulha em pétala;
  2. Conecte a agulha na seringa Luer Lock e faça uma volta completa;
  3. Certifique-se que a agulha está encaixada corretamente;
  4. Perfure a borracha do frasco ampola no ângulo de 90º;
  5. Aspire a medicação e elimine as bolhas de ar;
  6. Quando finalizar a aspiração, descarte a agulha no coletor de perfuro cortante;
  7. Caso haja contato com a pele durante o procedimento descartar a agulha. Além disso, não se preocupe: a ponta romba dificulta a penetração e diminui o risco de acidentes com perfuro cortantes.

Ao terminar todos os procedimentos, não se esqueça de lavar as mãos novamente para reduzir a possibilidade de propagação de doenças.

Veja Também:

Seringas: Tipos e Indicações

Agulha: Os Tipos e Indicações

Referência:

  1. Sol Millenium

Hamper Hospitalar: A Real Finalidade

A questão da higiene é fundamental nos setores hospitalares, a fim de que a proteção mais adequada das roupas e dos demais produtos que marcam presença nestes ambientes. E o mobiliário mais imprescindível é o Hamper Hospitalar, que faz parte essencial de todos os setores que demandam assistência à saúde.

Afinal, de onde vem essa palavra, o “Hamper”?

Termo originalmente do inglês, o “Hamper” refere-se a um conjunto de itens relacionados com cesta. Em uso principalmente britânico, refere-se a uma cesta de vime, geralmente grande, que é usada para o transporte de itens, muitas vezes alimentos.

Na América do Norte, o termo geralmente se refere a um receptáculo familiar, muitas vezes uma cesta, para roupas limpas ou sujas, independentemente da sua composição, ou seja, “um cesto de roupa”.

O mesmo tipo de recipiente seria usado para retornar roupas limpas, que seriam eliminadas pelo serviço de lavanderia e o recipiente vazio deixado no lugar do recipiente completo para retirada posterior.

No uso hospitalar, o Hamper tem sua utilização como meio de transporte de roupas de origem hospitalares (roupas de cama, roupas pessoais, enxovais hospitalares) sujas e infectadas ou contaminadas, sem ter o contato com outros ambientes externos.

A Utilização

Suporte de Hamper é indicado para embalar e transportar roupas sujas que foram utilizadas em ambientes médico-hospitalares. Geralmente o mobiliário é composto pela estrutura do suporte de aço inox, com sacos de resíduos hospitalares à parte para serem encaixados ao suporte, ficando prontos para o uso.

Mas o Hamper é só para roupa suja?

Não! Certamente os sacos para hampers são divididos em grupos, onde em alguns setores podem utilizar para acondicionar resíduos radioativos, químicos, descarte de peças anatômicas, etc. sendo descartados corretamente conforme as normativas da ANVISA.

Referências:

  1. Educalingo.

Tubo Laríngeo (TL)

Vá direto ao ponto!

O Tubo Laríngeo é uma evolução do Combitube, sendo menos traumático e mais, uma vez que apenas 1 válvula se insufla 2 balonetes.

Outra evolução, dessa vez em relação à máscara laríngea, é que seu número é escolhido pela altura e não pelo peso ideal, minimizando contas e erros.

Deverá ser lubrificado e introduzido na linha média da boca, até que a linha proximal demarcada em seu tubo, próximo ao conector de 15 mm pela mesma via, devendo a pressão ser menor que 60 cmH2O.

Vantagens

Em relação a Máscara Laríngea:

  • Escolha do tamanho de acordo com a altura e não pelo peso ideal, minimizando as contas;
  • Não necessita introduzir o dedo na boca do paciente;
  • Introduzido até marcação e não até sentir resistência;
  • Os de segunda geração, permitem a passagem de sonda gástrica mais calibrosa que a máscara laríngea.

 

Os Tamanhos

O tamanho do tubo laríngeo é escolhido de acordo com a tabela a seguir:

Tamanho Paciente Altura
0 Neonatal < 5kg
1 Bebê 5-12 kg
2 Pediátrico 12-25 kg
2,5 Pediátrico 125-150 cm
3 Adulto < 155 cm
4 Adulto 155-180 cm
5 Adulto > 180 cm

Referência:

  1. Via Aérea Difícil

Veja também:

A Máscara Laríngea (ML)

Inalação em Ventilação Mecânica: Como fazer?

Pacientes com doenças pulmonares obstrutivas frequentemente necessitam de suporte ventilatório através de ventilação mecânica invasiva ou não invasiva, dependendo da gravidade da exacerbação.

O uso de bronco dilatadores inalatórios pode reduzir significativamente a resistência das vias aéreas, contribuindo para a melhora da mecânica respiratória e da sincronia do paciente com o respirador.

Mas, como fazer a inaloterapia em um paciente intubado ou traqueostomizado?

O que preciso para realizar uma inaloterapia em pacientes sob V.M?

  • 1 tubo T;
  • 1 conector universal 22 x 22 para acoplar ao tubo T;
  • 1 frasco/copo inalador simples;
  • 1 extensor para régua de gases.

Como é montado o sistema ao V.M?

  • Deve-se primeiramente deixar o tubo T com o conector universal previamente montados e reservados para o uso;
  • Montar o frasco inalador com a medicação prescrita pelo médico e deixá-lo reservado à bandeja;
  • Deixar previamente montado a extensão da inalação à régua de gases no leito do paciente (Oxigênio ou Ar Comprimido);
  • Conectar a extensão e o tubo T ao frasco inalador;
  • Ir ao paciente, já com todo o sistema montado, remover o filtro e conectar o sistema de inalação juntamente ao circuito ventilatório (conector Y);
  • Evitar assincronia de disparo do ciclo inspiratório;
  • Sincronizar a administração com inspiração;
  • Quando usada uma fonte externa de fluxo, usar de 6 a 8 l/min

Muitos pacientes com DPOC necessitam suporte ventilatório com VM invasiva ou VNI. A oferta das drogas inalatórias nesse contexto é complexa. Múltiplos são os fatores que influenciam a eficácia dos broncodilatadores quando administrados em VM. Para uma melhor efetividade da droga, recomenda-se a prescrição da dose adequada para a via inalatória, na apresentação conforme sua disponibilidade.

É importante atentar para as medidas que podem melhorar a eficácia das medicações, como o uso de espaçador, a sincronia do paciente, o intervalo adequado entre as doses e o ajuste dos parâmetros ventilatórios durante a administração.

Referência:
  1. Terapia inalatória em ventilação mecânica (ISSN 1806-3713© 2015 Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia J Bras Pneumol. 2015;41(5):467-472http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000000035

Bonequinha para Higiene Oral: Como montar?

A Higienização Oral de um paciente é fundamental para seu tratamento contínuo. Pois proporciona prevenção de infecções endógenas e nosocomiais. É recomendável a todos os tipos de pacientes:

  • Tanto quando pacientes conscientes, torporosos quanto a inconscientes.

Mas, se o paciente não obter material pessoal de higiene, como escovas de dentes e creme dental, ou há desfalque de materiais de higiene oral hospitalar, ou o familiar não possui condições de adquirir materiais para a higiene oral (escova dental, escova de aspiração, antissépticos bucais), a enfermagem pode entrar com outro recurso ou alternativa.

Há diversos métodos alternativos para a realização da higiene oral no paciente, mas existe um método simples e comum de se realizar: A Bonequinha para Higiene oral.

A Bonequinha para higiene oral tem esse nome pois tem uma semelhança a pequenos bonecos, devido o formato oval que a gaze se forma quando junta com uma espátula/abaixador de língua.

Podemos improvisar com uma espátula/abaixador de língua com uma gaze III fios não estéril envolvida, embebida com solução de antisséptico bucal como por exemplo, o gluconato de clorexidina.

Como Monto uma Bonequinha?

1. Reservo um pedaço de fita crepe ou esparadrapo, para prender a base na espátula;
2. Reservo uma espátula ou abaixador de língua para o uso;
3. Disponho de duas ou três gazes para prender na espátula (quanto mais gaze, mais macio a bonequinha fica, a fim de evitar lesionar a mucosa oral do paciente), e a gaze não precisa ser estéril, mas limpa;
4. Separo as gazes que irei utilizar;
5. Coloco a espátula centralizada a gaze;

6. Dobro a ponta maior na parte de cima, em direção da espátula, para dentro;
7. Em seguida faço a segunda e a terceira dobra das pontas menores superiores da gaze, para dentro em direção da espátula;


8. Envolvendo uma ponta da espátula, seguro as pontas dobradas, e coloco a fita crepe ou esparadrapo em direção da base da espátula com a gaze;
9. Certifico sempre se a gaze está bem fixada a espátula, antes de utilizar;
10. Posso estar fazendo quantas bonequinhas necessárias para uma boa higienização bucal.

Em que pacientes posso utilizar a Bonequinha?

  • Pacientes intubados;
  • Pacientes acamados (Âmbito domiciliar e hospitalar);
  • Pacientes com dificuldade de realizarem a higienização sozinhas.

Veja também:

Gluconato de Clorexidina

Assepsia Vs Antissepsia: Entenda as diferenças!

Escova Higiênica Aspirativa

Importância da Higiene Oral em Âmbito Hospitalar

Compadre e Comadre: Dispositivos Urinários

Compadre (Pagagaio, Urinol), e Comadre (Penico), são alguns dos nomes mais curiosos para estes dispositivos urinários hospitalares, considerados como artigos não críticos.

São úteis tanto quanto em ambiente hospitalar e domiciliar para auxiliar uma pessoa debilitada a realizar suas necessidades, no próprio leito.

O Compadre é um dispositivo urinário masculino, tendo como função de coletar urina, sendo produzido em diversos tipos de materiais, como inox, plástico.

A Comadre também é um dispositivo urinário, mais indicado para pacientes femininas, tendo também como função de coletar urina, mas também pode ser utilizado para coletar fezes, sendo também um dispositivo que pode ser utilizado aos pacientes masculinos, produzido em material inox ou plástico.

Quem é Responsável pela Oferta ao paciente e ao Auxílio na Instalação?

O setor responsável pela utilização desse tipo de instrumento é aquele que presta assistência direta ao paciente, neste caso a equipe de enfermagem torna-se a responsável.

Procedimento de Enfermagem

Antes de mais nada, sempre lavar muito bem as mãos e fazer o uso de luvas durante o procedimento (é muito importante para evitar infecções).

Instalação da Comadre com auxílio do paciente:

  1. Cobrir a comadre com papel toalha ou papel higiênico;
  2. Solicitar ao paciente para ficar em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e os pés sobre a cama “empurrando” a cama, com os pés o paciente levanta as nádegas e com a outra mão coloque a comadre sob ele;
  3. Colocar um dos braços sob a região lombar ajudando-o a levantar as nádegas e com a outra mão coloque a comadre sob ele;
  4. Se o paciente não tiver condições de fazer a sua higiene, limpar e/ou secar após qualquer eliminação. Fazer higiene com água morna e sabão líquido;
  5. Ao desprezar as eliminações, verificar o conteúdo quanto à sua característica e fazer as anotações necessárias.
  6. Higienizar a Comadre.

Sem Auxílio do paciente:

  1. Cobrir a comadre com papel toalha ou papel higiênico;
  2. Virar o paciente de lado, ajustar a comadre nas nádegas, virando-o sobre a mesma;
  3. Limpar e/ou secar após qualquer eliminação. Após evacuação, fazer higiene com água morna e sabão líquido;
  4. Ao retirar a comadre proceder da mesma maneira: virar para o lado, retirar a comadre e colocar novamente o paciente na posição desejada.

Instalação do Compadre com auxílio do paciente:

  1. Colocar o compadre na melhor posição;
  2. O órgão masculino deverá ser introduzido no compadre;
  3. Deixar o papel ou lenço a seu alcance ou da pessoa que for utilizar;
  4. Leve ao banheiro e descarte todo o conteúdo no vaso sanitário, avaliando o aspecto e a quantidade da urina para posterior anotação de enfermagem;
  5. Higienizar o Compadre.

Observações: nos casos de pacientes subnutridos ou caquéticos, deve-se acolchoar bem a comadre para evitar lesões de pele, principalmente na região sacral.

De quem é a Responsabilidade da Higienização destes Dispositivos?

Ao falar em responsáveis por essa limpeza, surge uma das principais dúvidas sobre este assunto. Enfermeiros, técnicos de enfermagem ou profissionais do serviço de limpeza devem executar a higienização?

De acordo com diversos documentos emitidos pelos CORENS, surge um exemplo da ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 006/2016 do COREN de São Paulo, onde determina que:

“Assim, consideramos que o processo de limpeza e desinfecção seja criterioso, precedido de capacitação e previsto no protocolo institucional com as atribuições dos membros da equipe, tanto da Enfermagem quanto da Limpeza.”

Portanto, este procedimento pode ser realizado por qualquer profissional que tenha a prévia capacitação, porém deve haver no protocolo organizacional a metodologia de higienização necessária, a especificação de quem será este profissional e o detalhamento de suas responsabilidades.

Clique no link para entender o processo de higienização e desinfecção destes dispositivos através de um POP elaborado pelo Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago. ( POP Rotina de Limpeza e Desinfecção Comadres e Compadres ).

Veja também:

Quaternário de Amônia

Desinfecção de Artigos Hospitalares

 

Referências:

  1. SILVA, C. S. J. Procedimento Operacional Padrão – POP Enfermagem: colocação e retirada de comadre/aparadeira. Aracaju: Universidade Federal de Sergipe. Campus da Saúde Professor João Cardoso Nascimento Júnior, 2010.
  2. Orientação Fundamentada COREN-SP Nº 006/2016.

Manta Térmica: Prevenção da HIPOTERMIA

A hipotermia é definida como a temperatura corporal central menor que 36ºC e representa uma das complicações mais comuns durante o procedimento anestésico cirúrgico, incidente que atinge aproximadamente 70% dos pacientes.

Ocorre devido a abolição das respostas comportamentais após a indução anestésica, aumento da exposição do paciente ao meio ambiente (salas refrigeradas), inibição da termorregulação central induzida pelos anestésicos, redistribuição interna do calor, aberturas da cavidade torácica ou abdominal e infusão de soluções frias.

Uma boa parte dos pacientes em POI podem ficar internados para a recuperação em uma UTI, em temperatura ambiente amena, o que também pode prejudicar no controle térmico.

A Manta Térmica é indicado para a prevenção e tratamento da hipotermia em pacientes cirúrgicos, pós- cirúrgicos, pacientes na área de espera pré-operatória, gestante com calafrios durante anestesia epidural devido à hipotermia, ou qualquer paciente que sinta desconforto em qualquer área do ambiente frio das Unidades de Terapia Intensiva.

As Principais Indicações de uso da Manta Térmica

  • Indicado o uso em recém-nascidos e crianças submetidas às cirurgias, pois são mais suscetíveis à hipotermia;
  • Uso indicado em pacientes queimados, devido o alto risco de hipotermia;
  • Prevenção da hipotermia em pacientes idosos, devido o reduzido percentual de gordura ou massa muscular;
  • Diminui efeitos negativos da hipotermia em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, resultando na redução de incidência de infecções de feridas cirúrgicas e tempo de recuperação pós-anestésica;
  • Uso indicado para pacientes com baixo peso corporal em cirurgias gerais, devido o risco de hipotermia;
  • Pacientes politraumáticos graves são indicados à prevenção da hipotermia, devido o risco associado a sangramento;
  • Infusão de grandes volumes de cristalóides, colóides ou derivados sanguíneos é indicado o uso de manta térmica para prevenir hipotermia;
  • Uso indicado para prevenir hipotermia irreversível e coagulopatia hipotérmica por transfusão sanguínea de infusão rápida;
  • Quando o paciente apresenta hipotermia no pré-operatório, o uso da manta térmica é indicado para prevenir hipotermia intra-operatória;
  • Em ambientes cirúrgicos com baixas temperaturas;
  • O uso da manta térmica para prevenir a hipotermia, reduz o tempo de recuperação do paciente e, consequentemente, seu tempo de hospitalização;
  • Sistema de micro temperatura controlada;
  • Fluxo de ar ativo em circuito paralelo de corrente de ar por convecção garantindo distribuição uniforme e contínua de ar quente no corpo do paciente.

Cuidados de Enfermagem

  • Posicionar a unidade de aquecimento próximo ao paciente e conectar a uma tomada apropriada;
  • Colocar a Manta térmica sobre o paciente com o lado perfurado próximo à pele;
  • Conectar a mangueira de ar à manta térmica, segurar o bocal da mangueira de ar com uma mão e pressionar a presilha do bocal com o polegar. Segurar a aba superior da entrada da manta com a outra mão, deslocar o bocal para a abertura e soltar a presilha do bocal;
  • Ligar;
  • Selecionar a temperatura e fluxo de ar apropriado;
  • Se o acesso ao tórax for desejado, romper cuidadosamente a área da fenda central;
  • Se for desejado acesso ao pé, romper cuidadosamente abrindo as áreas de fenda localizadas ao longo da borda abaixo da entrada da manta;
  • Monitorar continuamente a temperatura do paciente enquanto o sistema de aquecimento estiver ligado;
  • Não utilizar a manta térmica próximo a anestésicos inflamáveis, devido possível perigo de explosão;
  • Evitar contato com laser ou eletrodo eletrocirúrgico ativo com o material da manta, pois pode ocorrer combustão rápida;
  • Todas as feridas do paciente devem ser cobertas durante a utilização da manta térmica;
  • Não aplicar calor diretamente a feridas abertas;
  • Cautela ou interrupção do uso em pacientes durante cirurgias vasculares quando uma artéria que leve a uma extremidade for fechada;
  • Não aplicar a manta térmica a membros isquêmicos;
  • Utilizar com cautela e monitorar cuidadosamente ao utilizar em pacientes com doença vascular periférica severa;
  • Se ocorrer hipotensão, considerar reduzir a temperatura do ar ou desligar a unidade de aquecimento;
  • Se ocorrer algum mau funcionamento na unidade de aquecimento, esta deve ser desligada e notificada a ocorrência ao serviço de assistência técnica;
  • Garantir que o paciente esteja seco;
  • Monitorar continuamente a temperatura do paciente e regularmente os sinais vitais. Reduzir a temperatura do ar ou interromper a terapia quando a nomotermia for atingida.

Referência:

  1. Pagnocca ML, Tai EJ, Dwan JL. Controle de temperatura em intervenção cirúrgica abdominal convencional: comparação entre os métodos de aquecimento por condução e condução associada à convecção. Rev Bras Anestesiol. 2009;59(1):55-66.
  2. Panossian C, Simões CM, Milani WRO, Baranauskas MB, Margarido CB. O uso da manta térmica no intraoperatório de pacientes submetidos à prostatectomia radical está relacionado com a diminuição do tempo de recuperação pósanestésica. Rev Bras Anestesiol. 2008;58(3):220-6.

Régua de Gases: Para que serve?

Todo leito de um hospital provém de uma Régua de Gases. E também todos os setores que prestam assistências, desde enfermarias até o Centro Cirúrgico.

Uma Régua de Gases provém de vários tipos de gases medicinais, que conforme a necessidade do setor, é personalizado da maneira que é necessitada, como por exemplo, em centros cirúrgicos utilizarem além das gases convencionais, utilizarem também a linha de Óxido Nitroso para uma anestesia, e em enfermarias comuns somente utilizarem linhas de gases como ar comprimido para inalações, oxigênio para ofertar mediante oxigenoterapia, e sistema de vácuo para realização de aspirações de conteúdos como secreções, e na UTI é utilizado todo o sistema brando, com linhas a mais para acoplar ventiladores mecânicos, aspiradores, umidificadores extras para o tratamento intensivo do paciente.

Lembrando que o sistema separa os gases medicinais e o vácuo antes deles chegarem ao painel da régua de gases, conforme determina a ANVISA.

O que há em comum nestas réguas é que todos provém de sistema de iluminaria, tomadas para instalações de aparelhos elétricos perto do paciente, e de sistema de chamada de Enfermagem, o que no caso das réguas instaladas em Centros Cirúrgicos não têm.

Os Tipos de Gases Medicinais

Óxido Nitroso

Fortemente oxidante, o oxido nitroso é útil como comburente de materiais inflamáveis. Também conhecido como gás hilariante, o material é amplamente utilizado como analgésico e anestésico.

Ar Comprimido

Possui as mesmas características do ar atmosférico, ou seja, é composto por 79% de Nitrogênio, 21% de Oxigênio, sendo obtido através da mistura do Oxigênio e do Nitrogênio, exclusivamente para uso Medicinal.

É utilizado para aplicações ou tratamentos que requerem uma atmosfera pura, isenta de poeiras e micro-organismos.

Também pode ser usado para conduzir medicamentos, através de inalações.

Sistema de Vácuo

Com uma parte ligada a rede de vácuo, é criada uma pressão negativa no interior do frasco de vidro, que acaba coletando todas as secreções que estão envolvidas no sistema.

O sistema de vácuo é fechado pela boia de segurança, que não permite que essas secreções vazem do interior do frasco.

Já aspirador de secreção hospitalar Venturi tem esse nome por causa do Efeito Venturi. É um sistema fechado onde um fluido é comprimido ao passar por um estreitamento do sistema, o que diminui sua área de escoamento e consequentemente, aumenta a sua velocidade.

Neste sistema fechado, um terceiro duto é acrescentado para a sucção do fluido, pois o frasco do aspirador venturi também cria vácuo a partir da passagem do oxigênio ou ar comprimido.

O sistema, ao invés de ser conectado a rede de vácuo, é conectado a uma rede de oxigênio ou ar comprimido.

Em ambos os sistemas de aspirador de secreção hospitalar, é preciso estar atento a quantidade de secreções coletadas para evitar que o volume máximo seja ultrapassado e comprometa o bom funcionamento do equipamento.

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Máscara Não Reinalante

A Máscara Não Reinalante é um dispositivo muito utilizado em salas de emergência e UTI, onde a princípio compõem por uma máscara facial com duas portas de exalações, uma delas contendo uma válvula unidirecional.

Conectada à máscara, há uma bolsa reservatório flexível com uma válvula unidirecional entre a bolsa e a máscara, e uma extensão de O2.

A FiO2 varia de 60 a 100%, com fluxo mínimo de 6L/min e com fluxo máximo de 15 l/min.

A Desvantagem

Alguns estudos relatam que o paciente pode reinalar o ar expirado, o que não faz jus ao seu nome. Além de que, não costuma ficar perfeitamente acoplada à face do paciente, portanto, é comum que não alcance uma FiO2 de 100%, ainda mais que a utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento sob o paciente e a vedação necessária, ou seja, muitas vezes pode lesionar o rosto do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Separar máscara facial de tamanho adequado para o paciente;
  • Monitorizar (oxímetro de pulso) e avaliar paciente;
  • Checar funcionamento da rede de oxigênio;
  • Acoplar umidificador de gases no fluxômetro de O2 previamente instalado na rede de gases;
  • Acoplar a máscara facial no paciente, envolvendo a boca e o nariz, e ajustar elástico ao redor da cabeça e clipe metálico no nariz;
  • Ajustar fluxo de O2 de modo que os valores de SpO2 sejam satisfatórios;
  • Certificar-se pela avaliação do paciente de que houve melhora do quadro;
  • Registrar no prontuário o início do suporte;

Quanto aos cuidados com o Dispositivo

  • A máscara de reservatório é de uso individual e descartável;
  • Certificar-se de que o equipamento esteja completo e em perfeito estado para sua utilização;
  • Manter fluxo mínimo de 6 l/min, para evitar o colabamento do reservatório;
  • Realizar o desmame da oxigenoterapia adequadamente, reduzindo gradativamente o fluxo de oxigênio ofertado;
  • Atenção contínua a sinais de toxicidade pelo uso prolongado e/ou em altas concentrações de oxigênio;
  • Na persistência de baixos níveis de SpO2 e/ou dispneia, comunicar a equipe médica e considerar a necessidade de outro sistema ou de suporte ventilatório;
  • Em caso de intercorrência clínica, comunicar a equipe médica, e registrar o ocorrido em prontuário;
  • Em caso de não funcionamento adequado do equipamento, cancelar o procedimento e solicitar troca e/ou reposição do mesmo.

Referências:

  1. Pebmed
  2. COSTA, A. P. B. M.; PERES, D.B. Aerossolterapia e oxigenoterapia em pediatria e neonatologia. In: Profisio Pediátrica e Neonatal: cardiorrespiratória e terapia intensiva, 2012, 1(1):107-151.
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  4. MARTINS, J.A.; e org. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Pediátrica e Neonatal: Cardiorrespiratória e Terapia Intensiva: Ciclo 3. v. 1. Porto Alegre: Artmed/Panamericana; 2014. p. 9-28.
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  8. SARMENTO, G. J. V. Fisioterapia respiratória em pediatria e neonatologia. Barueri, SP: Manole, 2007.