Vírus Nipah: uma doença emergente de alta letalidade

No cenário das doenças infecciosas emergentes, poucos patógenos despertam tanto alerta nas autoridades de saúde global quanto o Vírus Nipah (NiV). Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das prioridades para pesquisa e desenvolvimento devido ao seu potencial epidêmico e à ausência de tratamentos ou vacinas específicas, o Nipah representa um desafio complexo para a equipe de enfermagem, que atua na linha de frente da detecção e do controle de surtos.

Para um estudante de enfermagem, compreender o Vírus Nipah vai além de conhecer um nome exótico em um livro de microbiologia. Trata-se de entender como a interface entre humanos, animais e o meio ambiente — o conceito de Saúde Única — é determinante para o surgimento de novas ameaças.

Nesta publicação, vamos explorar desde a origem do vírus até os cuidados críticos necessários à beira do leito.

O que é o Vírus Nipah?

O Vírus Nipah é um vírus RNA pertencente à família Paramyxoviridae, gênero Henipavirus. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia e em Singapura. O nome do vírus, inclusive, deriva da aldeia de Sungai Nipah, onde o surto se originou.

Os hospedeiros naturais do vírus são os morcegos frugívoros, popularmente conhecidos como “raposas voadoras” (gênero Pteropus). Nesses animais, o vírus não causa doença aparente, mas é excretado através da saliva, urina e fezes. A transmissão para humanos ocorre de três formas principais:

A primeira forma é o contato direto com animais infectados, como porcos ou morcegos. No surto inicial da Malásia, os porcos atuaram como hospedeiros intermediários, infectando-se ao consumir frutas contaminadas por morcegos e, posteriormente, transmitindo o vírus aos trabalhadores dos abatedouros.

A segunda via, comum em surtos mais recentes em Bangladesh e na Índia, é o consumo de alimentos contaminados com secreções de morcegos infectados, como o suco de seiva de tamareira cru. Por fim, temos a transmissão interpessoal, que ocorre através do contato próximo com secreções ou excreções de pacientes infectados, o que torna o ambiente hospitalar um ponto crítico de disseminação.

Manifestações Clínicas e o Perigo da Encefalite

O período de incubação do Vírus Nipah varia de 4 a 14 dias, embora tenham sido relatados casos com incubação de até 45 dias. O quadro clínico inicial é frequentemente inespecífico, assemelhando-se a uma síndrome gripal severa, com febre alta, mialgia (dor muscular), cefaleia, vômitos e dor de garganta.

No entanto, a gravidade do Nipah reside na sua capacidade de causar complicações neurológicas e respiratórias rápidas. Muitos pacientes desenvolvem pneumonia atípica e síndrome do desconforto respiratório agudo. Nos casos mais graves, o vírus progride para uma encefalite aguda, caracterizada por tonturas, sonolência, confusão mental e sinais neurológicos focais.

Em questão de 24 a 48 horas, o paciente pode evoluir para o coma. A taxa de letalidade estimada é extremamente alta, variando entre 40% e 75%, dependendo da infraestrutura de saúde local e da cepa do vírus. Um aspecto peculiar do Nipah é a possibilidade de encefalite tardia ou recidivante, onde indivíduos que sobreviveram à infecção inicial podem apresentar problemas neurológicos meses ou anos depois.

Diagnóstico e Manejo Terapêutico

O diagnóstico precoce do Nipah é um desafio, pois os sintomas iniciais são facilmente confundidos com outras doenças febris, como a encefalite japonesa ou a malária. Na fase aguda da doença, o teste de escolha é a Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (RT-PCR), realizada em amostras de urina, saliva, sangue ou líquido cefalorraquidiano. Posteriormente, testes sorológicos como o ELISA podem detectar anticorpos específicos.

Atualmente, não existe um medicamento antiviral específico aprovado para o Nipah. O tratamento é essencialmente de suporte, focado no manejo dos sintomas e na manutenção das funções vitais. O uso da ribavirina foi tentado em alguns surtos com resultados inconclusivos. Atualmente, pesquisas com anticorpos monoclonais humanos (como o m102.4) e antivirais como o remdesivir estão em andamento, mas ainda sem protocolos definitivos para uso em larga escala.

Tratamento

Atualmente, não existe tratamento antiviral específico aprovado para o Vírus Nipah. O manejo é basicamente de suporte clínico intensivo, com foco na manutenção das funções vitais.

O tratamento envolve controle da febre, suporte respiratório, hidratação adequada, monitorização neurológica e prevenção de complicações secundárias. Em casos graves, o paciente pode necessitar de internação em unidade de terapia intensiva.

Pesquisas estão em andamento para o desenvolvimento de vacinas e terapias específicas, mas até o momento o tratamento permanece essencialmente sintomático.

Prevenção e controle

A prevenção baseia-se principalmente na redução do contato com os reservatórios naturais e na adoção de medidas de biossegurança. Em regiões de risco, recomenda-se evitar o consumo de frutas parcialmente comidas por morcegos e de seiva de palmeira crua.

Nos serviços de saúde, o isolamento dos pacientes suspeitos ou confirmados é fundamental. O uso de equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras, aventais e proteção ocular, deve ser rigoroso.

A higienização das mãos e a desinfecção de superfícies são medidas indispensáveis para interromper a cadeia de transmissão.

Cuidados de enfermagem ao paciente com suspeita ou confirmação de Vírus Nipah

A Barreira contra o Vírus

Na assistência a um paciente com suspeita ou confirmação de infecção pelo Vírus Nipah, a prioridade absoluta da enfermagem é a biossegurança. Como a transmissão ocorre por fluidos corporais e gotículas, o rigor nas precauções é o que impede que o hospital se torne um foco de surto.

Isolamento e Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

O paciente deve ser mantido em isolamento em quarto privativo com ventilação adequada. A equipe de enfermagem deve utilizar precauções padrão, de contato e para gotículas. Em procedimentos que geram aerossóis, como aspiração traqueal ou intubação, o uso da máscara N95 ou PFF2, protetor facial, avental impermeável e luvas duplas é mandatório.

Monitorização Neurológica e Respiratória

A vigilância deve ser contínua. O enfermeiro deve aplicar a Escala de Coma de Glasgow frequentemente para detectar sinais de rebaixamento do nível de consciência ou sinais de irritação meníngea. Paralelamente, a monitorização da oximetria de pulso e do padrão respiratório é vital, pois a insuficiência respiratória pode se instalar de forma súbita.

Manejo de Fluidos e Eliminações

Todo o material biológico do paciente deve ser tratado como altamente infectante. O descarte de urina e fezes deve seguir protocolos rígidos de desinfecção antes de serem lançados na rede de esgoto, ou conforme a norma de resíduos do serviço de saúde (RSS). A higiene do leito e do ambiente deve ser feita com desinfetantes hospitalares potentes, como hipoclorito de sódio.

Suporte Psicossocial e Orientações à Família

Devido à alta letalidade e ao isolamento rigoroso, a carga emocional para a família é imensa. O enfermeiro deve atuar como mediador, fornecendo informações claras sobre o estado do paciente e os riscos de transmissão, desencorajando o contato direto e explicando a importância das barreiras de proteção. Em caso de óbito, os rituais de sepultamento devem ser adaptados para evitar o contato com o corpo, que permanece infectante.

Importância da vigilância epidemiológica

O Vírus Nipah é considerado uma ameaça global à saúde pública. Por isso, os casos suspeitos devem ser imediatamente notificados às autoridades sanitárias. A vigilância epidemiológica permite a identificação precoce de surtos, a implementação de medidas de contenção e o acompanhamento dos contatos próximos do paciente.

Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, mantêm o Vírus Nipah na lista de doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento de vacinas.

O Vírus Nipah representa um desafio importante para os sistemas de saúde devido à sua alta letalidade, à ausência de tratamento específico e ao potencial de transmissão entre humanos. O conhecimento da enfermagem sobre essa infecção é fundamental para garantir assistência segura, prevenir surtos e proteger tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. A educação continuada, o cumprimento rigoroso das normas de biossegurança e a vigilância clínica são as principais ferramentas para enfrentar essa doença emergente.

Referências:

  1. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Nipah Virus (NiV). Atlanta: CDC, 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/vhf/nipah/index.html
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo de vigilância e manejo de doenças virais emergentes. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Nipah virus infection. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/nipah-virus
  4. YADAV, P. D. et al. Nipah virus: an emerging zoonotic disease. Indian Journal of Medical Research, v. 154, n. 2, p. 239-250, 2021. Disponível em: https://journals.lww.com/ijmr/fulltext/2021/15420/nipah_virus__an_emerging_zoonotic_disease.4.aspx
  5. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Nipah virus. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/nipah-virus
  6. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Nipah virus infection. Atlanta: CDC, 2023. Disponível em: https://www.cdc.gov/vhf/nipah/index.html 
  7. BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças virais emergentes: vigilância e resposta. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude
  8. HARRISON, T. R. Medicina interna. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2018.
  9. SMELTZER, S. C. et al. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.

Sepse: Entendendo a Resposta Extrema do Corpo

A Sepse, popularmente conhecida como “infecção generalizada”, é uma das condições mais críticas e mortais que nós, profissionais de enfermagem, enfrentamos. Longe de ser apenas uma infecção, a sepse é a resposta desregulada do próprio organismo a essa infecção. É o sistema de defesa do corpo entrando em colapso e, em vez de proteger, ele começa a danificar seus próprios órgãos.

Para nós, estudantes e profissionais, a sepse é um chamado à ação imediata. O tempo é, literalmente, a vida do paciente. Entender o que é a sepse, como identificá-la rapidamente e qual a nossa responsabilidade no manejo é o que diferencia um cuidado bom de um cuidado que salva vidas. Vamos desvendar essa síndrome e focar na “Hora de Ouro” da enfermagem.

O que é a Sepse?

A sepse é uma resposta inflamatória sistêmica grave do organismo a uma infecção. Em outras palavras, é quando o corpo reage de forma descontrolada a um agente infeccioso, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Essa resposta exagerada causa lesões nos tecidos e órgãos, podendo evoluir rapidamente para choque séptico e falência múltipla de órgãos se não for tratada a tempo.

De acordo com a definição mais recente da Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3), publicada em 2016, a sepse é considerada uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do corpo à infecção.

O Ciclo Vicioso

 A infecção libera substâncias químicas na corrente sanguínea. Em vez de ficarem localizadas, essas substâncias (mediadores inflamatórios) desencadeiam uma inflamação sistêmica e maciça.

O Dano

Essa inflamação generalizada danifica o revestimento dos vasos sanguíneos, levando a:

  1. Vazamento Capilar: Os vasos dilatam e vazam fluido para os tecidos, causando edema e reduzindo o volume de sangue circulante.
  2. Má Perfussão: A pressão arterial cai drasticamente (hipotensão), o sangue coagula em pequenos vasos e o oxigênio não consegue chegar aos órgãos vitais (cérebro, rins, coração).
  3. Choque Séptico: É o estágio mais grave. A hipotensão é tão profunda que o paciente não responde à reposição volêmica (soro) e necessita de vasopressores (como a noradrenalina) para manter a pressão arterial. O risco de morte é altíssimo.

Causas e fatores de risco

A sepse pode surgir a partir de qualquer infecção, especialmente aquelas que não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente. As infecções mais comuns associadas à sepse incluem:

  • Pneumonia
  • Infecções urinárias
  • Infecções de pele e tecidos moles
  • Infecções abdominais (como apendicite ou peritonite)
  • Infecções hospitalares relacionadas a cateteres, sondas ou feridas cirúrgicas

Alguns grupos são mais vulneráveis à sepse, como:

  • Idosos
  • Pacientes imunossuprimidos
  • Recém-nascidos
  • Pessoas com doenças crônicas (diabetes, doenças renais, hepáticas ou cardíacas)
  • Pacientes internados em UTI

Os Critérios de Alerta: Como Identificar a Sepse (qSOFA)

O diagnóstico precoce é nosso maior aliado. Um sistema de triagem rápida, o qSOFA (quick Sequential Organ Failure Assessment), ajuda a equipe a identificar pacientes com suspeita de infecção que estão em risco de evolução para sepse.

Basta que o paciente com infecção suspeita ou confirmada apresente dois ou mais dos seguintes critérios:

  1. Alteração do Estado Mental: Escala de Coma de Glasgow inferior a 15 (paciente letárgico, sonolento ou confuso).
  2. Frequência Respiratória Elevada: Igual ou superior a 22 incursões por minuto ( irpm).
  3. Hipotensão Arterial: Pressão Arterial Sistólica (PAS) inferior ou igual a 100 mmHg ($\leq 100 $ mmHg).

Se o paciente atende a dois desses critérios e há suspeita de infecção (por exemplo, pneumonia, ITU, ferida cirúrgica infectada), a Sepse deve ser o primeiro diagnóstico a ser considerado.

Manifestações clínicas

Os sinais e sintomas da sepse podem variar, mas alguns são fundamentais para o reconhecimento precoce:

  • Febre alta ou hipotermia
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Taquipneia (respiração acelerada)
  • Hipotensão arterial
  • Alteração do nível de consciência
  • Oligúria (diminuição da produção urinária)
  • Extremidades frias ou cianóticas

A gravidade da sepse pode ser avaliada através de escores clínicos, como o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) e o qSOFA, que ajudam a identificar disfunções orgânicas e prever o prognóstico.

Diagnóstico

O diagnóstico da sepse é clínico, apoiado por exames laboratoriais e de imagem. Os principais exames incluem:

  • Hemoculturas e culturas de outros materiais biológicos (urina, secreções, etc.)
  • Hemograma completo
  • Gasometria arterial
  • Lactato sérico (para avaliar perfusão tecidual)
  • Função renal e hepática
  • Exames de imagem (como raio-X, ultrassonografia ou tomografia) para identificar o foco infeccioso

O diagnóstico precoce é essencial, pois cada hora de atraso no início do tratamento aumenta o risco de morte.

A Hora de Ouro: O Protocolo de Enfermagem e Médico

O tratamento da sepse é uma corrida contra o relógio, e a enfermagem coordena as ações do famoso “Bundle de Sepse”, que deve ser completado na primeira hora:

Ações Cruciais de Enfermagem (O Bundle da Primeira Hora)

  1. Coleta de Exames (Lactato e Culturas):
    • Lactato: Coletar o lactato sérico. Níveis elevados indicam que o organismo está com baixa oxigenação (má perfusão).
    • Hemoculturas: Coletar pelo menos duas amostras de sangue para cultura (uma aeróbia e uma anaeróbia) antes de administrar o antibiótico. Essa é a chave para identificar o agente causador.
  2. Administração de Antibióticos de Amplo Espectro:
    • Após a coleta das culturas, o enfermeiro deve administrar o antibiótico de amplo espectro prescrito imediatamente (em até 1 hora). Cada minuto de atraso aumenta a mortalidade.
  3. Ressuscitação Volêmica (Fluido):
    • Iniciar rapidamente a infusão de cristaloides (soro fisiológico ou Ringer Lactato), geralmente 30 mL/kg, em pacientes com hipotensão ou lactato elevado, sob monitoramento rigoroso para evitar sobrecarga.
  4. Monitoramento e Reavaliação:
    • O enfermeiro monitora rigorosamente a pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e, crucialmente, reavalia o estado do paciente a cada hora. Se a pressão não melhorar, o médico precisa iniciar as drogas vasoativas.

Cuidados de Enfermagem

O profissional de enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce e no cuidado contínuo do paciente com sepse. Entre as principais responsabilidades estão:

  • Avaliar e monitorar sinais vitais frequentemente, especialmente temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca.
  • Reconhecer sinais de deterioração clínica e comunicar imediatamente à equipe médica.
  • Coletar amostras biológicas corretamente, seguindo técnicas assépticas rigorosas.
  • Administrar antibióticos e fluidos intravenosos conforme prescrição médica, respeitando horários e compatibilidades.
  • Manter controle rigoroso da diurese, utilizando balanço hídrico e sondagem vesical se necessário.
  • Garantir higiene adequada e prevenção de infecções, especialmente em pacientes com cateteres, sondas ou feridas abertas.
  • Educar familiares e cuidadores sobre a importância da prevenção de infecções e sinais de alerta.

Além disso, o enfermeiro deve participar ativamente das campanhas institucionais de prevenção de sepse, promovendo treinamentos e protocolos assistenciais.

Prognóstico e prevenção

O prognóstico da sepse depende da rapidez com que é diagnosticada e tratada. Pacientes que recebem antibióticos nas primeiras horas de evolução têm maior chance de recuperação.

A prevenção é baseada em medidas simples, mas eficazes:

  • Higienização adequada das mãos
  • Uso racional de antibióticos
  • Cuidados com feridas e dispositivos invasivos
  • Vacinação adequada
  • Controle rigoroso de infecções hospitalares

A educação continuada da equipe de enfermagem é um dos pilares fundamentais para reduzir a mortalidade por sepse.

A sepse é uma emergência médica e requer atuação rápida, precisa e integrada. O profissional de enfermagem é peça-chave nesse processo, tanto na identificação precoce quanto no suporte clínico e emocional ao paciente e sua família.

Reconhecer a sepse é salvar vidas. Por isso, o conhecimento, a vigilância e o comprometimento da equipe de enfermagem são ferramentas poderosas no combate a essa síndrome devastadora.

Referências:

  1. INSTITUTO LATINO AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Campanha Sobrevivendo à Sepse: Diretrizes Internacionais para o Manejo de Sepse e Choque Séptico. São Paulo: ILAS, 2021. Disponível em: https://ilas.org.br/.
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre choque e infecção).
  3. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Sepse: um problema de saúde pública. 2023. Disponível em: https://ilas.org.br
  4. RHODES, A. et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock: 2021. Intensive Care Medicine, v.47, p. 1181–1247, 2021. Disponível em: https://www.sccm.org/clinical-resources/guidelines
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo Clínico da Sepse em Adultos. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude

Doenças intestinais: conhecendo os principais tipos

O intestino é um dos órgãos mais importantes e complexos do corpo humano. Ele participa da digestão, da absorção de nutrientes, da formação das fezes e ainda abriga grande parte do nosso sistema imunológico. Por isso, quando algo não vai bem no intestino, as consequências podem ser sentidas em todo o organismo.

As doenças intestinais são variadas e podem ter causas infecciosas, inflamatórias, anatômicas, autoimunes ou até tumorais. Conhecer os principais tipos, seus sinais clínicos e os cuidados de enfermagem é essencial para qualquer estudante ou profissional da área da saúde.

Nesta publicação, vamos abordar com clareza os principais tipos de doenças intestinais, desde os parasitas até o câncer colorretal.

Infecções e Invasores: Quando Micro-Organismos Causam Problemas

São as doenças mais comuns, muitas vezes agudas, que podem afetar o intestino.

Infecções Bacterianas:

    • O que são: Causadas por bactérias como Salmonella, Escherichia coli ou Shigella, geralmente por meio de alimentos ou água contaminados.
    • Sintomas: Diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas e vômitos. A gravidade varia muito, mas podem levar à desidratação.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar na hidratação (soro de reidratação oral ou endovenosa em casos graves), monitorar sinais vitais e o balanço hídrico, orientar sobre higiene das mãos e preparo de alimentos.

Verminoses (Helmintíases):

    • O que são: Infecções causadas por vermes parasitas, como lombrigas (Ascaris lumbricoides) e tênias (Taenia solium). Transmissão por alimentos contaminados ou falta de saneamento básico.
    • Sintomas: Dor abdominal, diarreia, anemia, perda de peso e, em casos de Ascaris, tosse e eliminação do verme pelas fezes.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre higiene, saneamento básico e o tratamento medicamentoso. Orientar sobre o preparo correto dos alimentos e a importância da lavagem das mãos.

Condições Inflamatórias: A Guerra Interna

Aqui, o sistema imunológico tem um papel central, causando inflamação crônica do intestino.

Colite:

    • O que é: Inflamação do cólon (intestino grosso). Pode ser causada por infecções, isquemia, uso de medicamentos, ou doenças autoimunes como a Retocolite Ulcerativa.
    • Sintomas: Dor abdominal, diarreia, urgência para evacuar, sangramento retal.
    • Cuidados de Enfermagem: Controlar a dor, monitorar sangramento, orientar sobre o uso de medicamentos (anti-inflamatórios, imunossupressores) e apoiar o paciente no manejo de uma doença crônica.

Doença de Crohn:

    • O que é: Outra doença inflamatória intestinal (DII), mas que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, de forma segmentada.
    • Sintomas: Diarreia, dor abdominal intensa, perda de peso, febre, fadiga e, em alguns casos, lesões perianais.
    • Cuidados de Enfermagem: Acompanhamento nutricional, monitoramento dos sintomas, educação sobre a doença e sobre os medicamentos imunossupressores e biológicos.

Síndrome do Intestino Irritável (SII):

    • O que é: Um distúrbio funcional do intestino. Não causa inflamação ou danos ao órgão, mas altera sua motilidade.
    • Sintomas: Dor e desconforto abdominal, inchaço, diarreia e/ou constipação, que melhoram após a evacuação. Os sintomas variam e são muito influenciados pelo estresse.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar no apoio psicológico e na educação. Orientar sobre o manejo do estresse, dietas específicas (como a FODMAP) e a importância de manter um diário alimentar.

Obstáculos e Tumores: Quando a Passagem é Bloqueada ou Alterada

Essas condições alteram a anatomia e a função do intestino, podendo ser agudas ou crônicas.

Apendicite:

    • O que é: Inflamação do apêndice, um pequeno órgão em forma de dedo ligado ao intestino grosso.
    • Sintomas: Dor que começa ao redor do umbigo e se move para o lado inferior direito do abdômen, febre, náuseas e perda de apetite. É uma emergência cirúrgica!
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a dor (usando escalas), monitorar sinais vitais, preparar o paciente para a cirurgia (jejum, acesso venoso) e oferecer cuidados no pós-operatório (controle da dor, deambulação precoce).

Aderências Intestinais:

    • O que são: Bandas de tecido cicatricial que se formam após cirurgias abdominais, traumas ou infecções.
    • Sintomas: Podem ser assintomáticas ou causar obstrução intestinal, levando a dor abdominal tipo cólica, inchaço, náuseas e vômitos.
    • Cuidados de Enfermagem: Monitorar sinais de obstrução intestinal, oferecer cuidados de conforto e, no pós-operatório, monitorar a ferida cirúrgica e incentivar a deambulação.

Pólipos Intestinais:

    • O que são: Crescimentos de tecido na parede interna do intestino. A maioria é benigna, mas alguns podem se tornar cancerosos.
    • Sintomas: Geralmente assintomáticos, mas podem causar sangramento retal ou alterações nos hábitos intestinais.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre a importância do rastreamento (colonoscopia) e da remoção dos pólipos. Preparar o paciente para exames e procedimentos.

Câncer Colorretal:

    • O que é: O crescimento de células malignas no cólon ou no reto.
    • Sintomas: Sangramento nas fezes, anemia, alteração nos hábitos intestinais, dor abdominal, perda de peso.
    • Cuidados de Enfermagem: Atuar na prevenção (educação sobre colonoscopia de rastreamento), no suporte ao paciente durante o tratamento (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) e no cuidado de estomas (ostomias), se necessário.

Problemas Vasculares e Anorretais

Estas condições afetam as veias e a passagem final do trato intestinal.

Hemorroidas:

    • O que são: Veias inchadas e inflamadas no ânus e na parte inferior do reto.
    • Sintomas: Sangramento indolor, coceira, dor e, em casos mais graves, a presença de uma protuberância no ânus.
    • Cuidados de Enfermagem: Educar sobre hábitos intestinais saudáveis (dieta rica em fibras, hidratação), evitar esforço excessivo para evacuar e orientar sobre banhos de assento com água morna para alívio.

Diverticulite:

    • O que é: Inflamação dos divertículos, que são pequenas bolsas na parede do cólon.
    • Sintomas: Dor abdominal no lado esquerdo inferior, febre, calafrios, náuseas e alteração do ritmo intestinal.
    • Cuidados de Enfermagem: Focar no controle da dor, administrar antibióticos e, em casos mais leves, orientar sobre uma dieta líquida. Em casos graves, preparar para a cirurgia.

Nosso Papel Crucial: Acolher, Educar e Cuidar

O intestino é um reflexo de muitos aspectos da nossa vida, da alimentação ao estresse. Como profissionais de enfermagem, nossa atuação vai muito além de procedimentos técnicos. Somos os educadores, os ouvintes e os defensores do paciente.

  • Anamnese Detalhada: Questionar sobre hábitos intestinais, dieta, uso de medicamentos e histórico familiar é o primeiro passo para identificar um problema.
  • Avaliação Holística: Observar a aparência do paciente, seu nível de dor, seus sinais vitais e o estado do abdômen (distensão, ruídos intestinais).
  • Educação em Saúde: Explicar a importância da fibra, da água, do exercício físico e do rastreamento de câncer.
  • Suporte Emocional: Muitas doenças intestinais, especialmente as crônicas, causam grande impacto psicológico. Oferecer um ombro amigo e encaminhar para apoio psicológico é fundamental.

Entender as doenças intestinais é entender uma parte fundamental da saúde humana. Com nosso conhecimento, podemos ser a bússola que guia o paciente para o diagnóstico, o tratamento e a recuperação, garantindo que o universo intestinal funcione em harmonia.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas: Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/arquivos/2021/pcdt-doenca-de-crohn-e-retocolite-ulcerativa.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP). Doenças Intestinais. Disponível em: https://www.sbcp.org.br/
  3. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar capítulos sobre avaliação gastrointestinal e cuidados de enfermagem).

Tipos de Reações de Hipersensibilidade

As reações de hipersensibilidade são respostas imunológicas exageradas a antígenos geralmente inofensivos. Classificadas em quatro tipos principais pelo sistema de Gell e Coombs, essas reações variam desde manifestações alérgicas imediatas até doenças autoimunes.

Hipersensibilidade Tipo I (Imediata)

Características:

  • Mecanismo: Mediado por IgE
  • Tempo de resposta: Minutos a horas
  • Exemplos clínicos:
    • Anafilaxia (alimentos, venenos, medicamentos)
    • Rinite alérgica
    • Asma alérgica
    • Urticária

Cuidados de Enfermagem:

  • Monitorar sinais vitais e sintomas respiratórios
  • Manter epinefrina (adrenalina) acessível para emergências
  • Orientar sobre evitamento de alérgenos conhecidos
  • Ensinar técnica de autoaplicação de epinefrina
  • Registrar detalhes da reação no prontuário

Hipersensibilidade Tipo II (Citotóxica)

Características:

  • Mecanismo: IgG/IgM contra antígenos de superfície celular
  • Tempo de resposta: Horas a dias
  • Exemplos clínicos:
    • Anemia hemolítica autoimune
    • Pênfigo vulgar
    • Doença hemolítica do recém-nascido
    • Reação transfusional ABO

Cuidados de Enfermagem:

  • Monitorar hemoglobina e bilirrubina em reações hemolíticas
  • Observar sinais de anemia (palidez, taquicardia)
  • Coletar amostras para testes de Coombs quando indicado
  • Registrar histórico detalhado de transfusões

Hipersensibilidade Tipo III (Complexos Imunes)

Características:

  • Mecanismo: Deposição de complexos antígeno-anticorpo
  • Tempo de resposta: 1-3 semanas
  • Exemplos clínicos:
    • Lúpus eritematoso sistêmico
    • Artrite reumatoide
    • Glomerulonefrite pós-estreptocócica
    • Doença do soro

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliar função renal (proteinúria, creatinina)
  • Monitorar articulações quanto a edema e dor
  • Observar lesões cutâneas características
  • Orientar sobre proteção solar no lúpus

Hipersensibilidade Tipo IV (Tardia)

Características:

  • Mecanismo: Mediado por células T
  • Tempo de resposta: 48-72 horas
  • Exemplos clínicos:
    • Dermatite de contato (níquel, látex)
    • Teste tuberculínico (PPD)
    • Rejeição de enxerto
    • Doença celíaca

Cuidados de Enfermagem:

  • Identificar e eliminar agentes causadores
  • Aplicar compressas frias em dermatites
  • Educar sobre evitamento de alérgenos de contato
  • Monitorar área de teste cutâneo (PPD)

O reconhecimento precoce do tipo de hipersensibilidade é crucial para o manejo adequado. A enfermagem desempenha papel fundamental na identificação de sintomas, implementação de medidas terapêuticas e educação do paciente para prevenção de novas reações.

Referências:

  1. ABBAS, A. K. et al. Imunologia Celular e Molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Disponível em: https://www.elsevier.com.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo de Anafilaxia. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  3. JANEWAY, C. A. et al. Immunobiology: The Immune System in Health and Disease. 9. ed. New York: Garland Science, 2016. Disponível em: https://www.garlandscience.com.
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Diretrizes Brasileiras de Anafilaxia. 2021. Disponível em: https://www.sbai.org.br.

Entenda sobre a Mononucleose

A mononucleose, também conhecida como “doença do beijo”, é uma infecção causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Ela se caracteriza por um conjunto de sintomas que afetam principalmente a garganta e os gânglios linfáticos.

Como a mononucleose é transmitida?

A principal forma de transmissão da mononucleose é através do contato direto com a saliva de uma pessoa infectada, como ao beijar. Outras formas menos comuns incluem o contato com objetos contaminados por saliva ou transfusões de sangue.

Quais são os sintomas da mononucleose?

Os sintomas da mononucleose podem variar de pessoa para pessoa e podem incluir:

  • Fadiga extrema: É um dos sintomas mais característicos e pode persistir por semanas ou até meses.
  • Febre: Geralmente baixa a moderada.
  • Dor de garganta intensa: Comumente acompanhada de inchaço nas amígdalas e placas brancas.
  • Gânglios linfáticos inchados: Principalmente no pescoço.
  • Dor de cabeça: Constante e persistente.
  • Mal-estar geral: Perda de apetite, náuseas e dores musculares.
  • Erupção cutânea: Em alguns casos, pode ocorrer uma erupção semelhante à do sarampo.
  • Aumento do fígado e do baço: Em casos mais graves.

Como a mononucleose é diagnosticada?

O diagnóstico da mononucleose é feito através da avaliação dos sintomas, do exame físico e de exames de sangue específicos, como o teste de monospot.

Qual é o tratamento para a mononucleose?

Não existe um tratamento específico para a mononucleose. O tratamento é focado em aliviar os sintomas e inclui:

  • Repouso: É fundamental para permitir que o corpo se recupere.
  • Hidratação: Beba bastante líquido para evitar a desidratação.
  • Analgésicos: Para aliviar a dor de garganta e a febre.
  • Gargarejos com água salgada: Podem ajudar a aliviar a dor de garganta.

Quanto tempo dura a mononucleose?

A duração da mononucleose varia de pessoa para pessoa, mas geralmente os sintomas mais agudos duram de 2 a 4 semanas. A fadiga, no entanto, pode persistir por mais tempo.

Complicações da mononucleose:

Na maioria dos casos, a mononucleose é uma doença benigna e autolimitada. No entanto, em alguns casos, podem ocorrer complicações, como:

  • Ruptura do baço: É uma complicação rara, mas grave, que pode ocorrer em casos de aumento significativo do baço.
  • Infecções bacterianas secundárias: Devido à fraqueza do sistema imunológico.
  • Problemas neurológicos: Em casos muito raros.

Prevenção da mononucleose:

Não existe uma vacina eficaz contra a mononucleose. A melhor forma de prevenção é evitar o contato com a saliva de pessoas infectadas.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem para pacientes com mononucleose visam principalmente aliviar os sintomas, prevenir complicações e promover a recuperação. É importante ressaltar que cada paciente é único e as necessidades podem variar.

Objetivos dos cuidados de enfermagem:

  • Aliviar os sintomas: Reduzir a febre, dor de garganta e fadiga.
  • Prevenir complicações: Monitorar sinais de infecções secundárias e rupturas de órgãos.
  • Promover o repouso: Facilitar a recuperação do organismo.
  • Orientar o paciente e a família: Sobre a doença, tratamento e cuidados em casa.

Medidas de enfermagem:

  • Monitoramento:
    • Sinais vitais: Frequência cardíaca, respiratória, temperatura e pressão arterial.
    • Exame físico: Observar a presença de ínguas, hepatomegalia e esplenomegalia.
    • Sintomas: Avaliar a intensidade da dor de garganta, febre, fadiga e outros sintomas.
  • Alimentação:
    • Oferecer dieta leve e nutritiva, rica em líquidos, para evitar a desidratação.
    • Alimentos frios e líquidos podem aliviar a dor de garganta.
  • Hidratação:
    • Estimular a ingestão de líquidos, como água, sucos naturais e chás.
  • Repouso:
    • Orientar o paciente a descansar o máximo possível.
  • Higiene bucal:
    • Incentivar a higiene bucal frequente para prevenir infecções secundárias.
  • Medicamentos:
    • Administrar analgésicos e antitérmicos conforme prescrição médica.
  • Educação:
    • Explicar a doença, a importância do repouso e os cuidados em casa.
    • Orientar sobre a transmissão da doença e a importância de evitar o contato com outras pessoas.
  • Prevenção de complicações:
    • Observar sinais de infecções bacterianas secundárias (como amigdalite estreptocócica).
    • Monitorar o aumento do baço e orientar sobre a necessidade de evitar atividades físicas intensas.

Orientações ao paciente:

  • Repouso: É fundamental para a recuperação.
  • Hidratação: Beba bastante líquido.
  • Alimentação leve: Evite alimentos irritantes e difíceis de engolir.
  • Higiene bucal: Lave os dentes com frequência.
  • Medicamentos: Utilize os medicamentos conforme a orientação médica.
  • Retorno ao médico: Acompanhe o tratamento e retorne ao médico para avaliação.

Prevenção:

  • Higiene das mãos: Lavar as mãos com frequência, especialmente após o contato com pessoas doentes.
  • Evitar compartilhamento de objetos pessoais: Como talheres, copos e escovas de dentes.
  • Cobertura da boca ao tossir ou espirrar: Com um lenço descartável ou com o cotovelo.

Referências:

  1. Oliveira JL, Freitas RT, Arcuri LJ, et al. O vírus Epstein-Barr e a mononucleose infecciosa*. Rev Bras Clin Med. 2012;10(6):535-43.
  2. Pebmed

MPOX (Varíola dos Macacos)

A mpox, também conhecida como varíola dos macacos, é uma doença zoonótica causada pelo vírus monkeypox. Ela se manifesta através de sintomas semelhantes à varíola, mas geralmente menos graves. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com lesões, fluidos corporais infectados ou materiais contaminados com o vírus.

Histórico da mpox e a declaração de emergência

A mpox, originária da África, foi negligenciada por muitos anos. No entanto, em 2022, um surto global da doença chamou a atenção da comunidade internacional.

Em resposta a essa rápida disseminação, a OMS declarou a mpox uma emergência de saúde pública de importância internacional (ESPII). Essa declaração mobilizou recursos e esforços globais para conter a doença.

Principais pontos destacados pela OMS

  • Transmissão: A transmissão da mpox ocorre principalmente através do contato direto com lesões, fluidos corporais infectados ou materiais contaminados com o vírus. O contato sexual também é uma importante via de transmissão.
  • Sintomas: Os sintomas da mpox podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos), fadiga e erupção cutânea.
  • Grupos de risco: Pessoas que vivem com HIV, crianças e gestantes são considerados grupos de risco para a mpox.
  • Tratamento: Não há tratamento específico para a infecção pelo vírus da mpox. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente, mas o tratamento sintomático pode ajudar a aliviar as complicações.
  • Prevenção: A vacina contra a varíola oferece alguma proteção contra a mpox. Além disso, a OMS recomenda medidas de prevenção como higiene das mãos, uso de preservativos e evitar o contato próximo com pessoas doentes.
  • Resposta da OMS: A OMS tem trabalhado para coordenar a resposta global à mpox, fornecendo orientações técnicas, apoiando a pesquisa e fortalecendo os sistemas de saúde nos países afetados.

A mpox hoje

Embora a situação da mpox tenha melhorado significativamente desde o pico da pandemia, a OMS continua monitorando de perto a situação e adaptando suas recomendações conforme necessário. A organização enfatiza a importância da vigilância contínua, da vacinação e de outras medidas de prevenção para evitar futuros surtos.

Observação: É importante ressaltar que a situação epidemiológica da mpox pode mudar rapidamente. Recomenda-se consultar as fontes oficiais para obter as informações mais recentes.

Referências:

  1. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): https://www.paho.org/pt/mpox
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/news/item/14-08-2024-who-director-general-declares-mpox-outbreak-a-public-health-emergency-of-international-concern

Febre do Oropouche

A febre do Oropouche é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraenses, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Essa doença tem se tornado cada vez mais comum em algumas regiões do Brasil, principalmente na Amazônia.

Como a doença se transmite?

A principal forma de transmissão da febre do Oropouche é através da picada do mosquito infectado. O vírus também pode ser transmitido de forma vertical, da mãe infectada para o feto durante a gestação.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos da dengue e da chikungunya, e podem incluir:

  • Febre alta
  • Dor de cabeça intensa
  • Dor muscular
  • Dor nas articulações
  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia
  • Erupção cutânea
  • Fadiga

É importante ressaltar que nem todos os infectados apresentarão todos os sintomas, e a gravidade da doença pode variar de pessoa para pessoa.

Como a febre do Oropouche é diagnosticada?

O diagnóstico da febre do Oropouche é feito através de exames laboratoriais, como o exame de sangue para detectar a presença do vírus.

Qual é o tratamento?

Não existe um tratamento específico para a febre do Oropouche. O tratamento é sintomático, ou seja, visa aliviar os sintomas, como a febre, a dor e a inflamação. O uso de analgésicos e anti-inflamatórios pode ajudar a aliviar esses sintomas.

Como prevenir a febre do Oropouche?

As principais medidas para prevenir a febre do Oropouche são:

  • Combate ao mosquito: Eliminar os criadouros do mosquito, como água parada em pneus, vasos de plantas e outros recipientes.
  • Uso de repelentes: Utilizar repelentes de insetos nas áreas expostas da pele.
  • Vestimentas adequadas: Usar roupas que cubram a maior parte do corpo, como calças longas e camisas de manga comprida.
  • Telas nas janelas: Instalar telas nas janelas para evitar a entrada de mosquitos nos ambientes.

Complicações

Em alguns casos, a febre do Oropouche pode causar complicações, como:

  • Meningite;
  • Encefalite;
  • Mielite;
  • Artrites

É fundamental procurar atendimento médico caso você apresente os sintomas da febre do Oropouche.

Referência:

  1. Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-do-oropouche

Odores da Urina: As Causas

A urina normalmente tem um odor característico causado pela presença de ureia, uma substância que resulta do metabolismo das proteínas. A concentração de ureia na urina depende da quantidade de água ingerida e da hidratação do corpo. Quanto mais concentrada a urina, mais forte será o cheiro de amônia.

Alguns alimentos, medicamentos e vitaminas também podem alterar o cheiro da urina, mas isso geralmente não indica uma doença e desaparece com o tempo. Por exemplo, o café, o alho, os aspargos e a carne em excesso podem deixar a urina com um odor mais forte ou diferente.

Características

No entanto, alguns odores na urina podem ser sinais de problemas de saúde que precisam de atenção médica. Alguns exemplos são:

  • Urina com cheiro adocicado: pode indicar diabetes mal controlado, pois a glicose em excesso na urina confere um aroma doce;
  • Urina com cheiro de mofo: pode indicar insuficiência ou doença hepática, ou certos distúrbios metabólicos que afetam a eliminação de toxinas pelo fígado;
  • Urina com cheiro fétido: pode indicar infecção urinária ou da uretra, causada por bactérias que metabolizam a amônia e produzem gases malcheirosos. Outros sintomas podem incluir febre, ardência ao urinar e corrimento uretral;
  • Urina com cheiro de Amônia: pode ser resultado de uma desidratação, que torna a urina mais concentrada e com maior quantidade de ureia.

Portanto, é importante observar a cor, o aspecto e o odor da urina, pois eles podem fornecer informações sobre o estado de saúde. Se a urina apresentar um cheiro anormal que persista mesmo após aumentar a ingestão de água, é recomendável procurar um médico para uma avaliação.

Referências:

  1. https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-renais-e-urin%C3%A1rios/sintomas-dos-dist%C3%BArbios-renais-e-urin%C3%A1rios/urina-altera%C3%A7%C3%B5es-na-cor-ou-odor
  2. https://medicoresponde.com.br/urina-com-mau-cheiro-o-que-pode-ser/
  3. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/16/saiba-o-que-os-cheiros-do-seu-corpo-podem-indicar-sobre-a-sua-saude.htm
  4. https://www.mdsaude.com/nefrologia/urina-com-cheiro-forte/

Febre Maculosa

A febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Ela pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de letalidade. A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato.

O carrapato-estrela não é o carrapato comum, que encontramos geralmente em cachorros – a espécie Amblyomma cajennense, transmissora da doença, pode ser encontrada em animais de grande porte (bois, cavalos, etc.), cães, aves domésticas, gambás, coelhos e especialmente, na capivara.

Como é transmitido?

Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os carrapatos mais jovens e de menor tamanho são os mais perigosos, porque são mais difíceis de serem vistos. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

Sintomas

Os principais sintomas da Febre Maculosa são:

  • Febre alta e súbita;
  • Cefaleia;
  • Hiperemia conjuntival;
  • Dor muscular e articular;
  • Mal-estar;
  • Dores abdominais;
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Exantema.

Como é tratado?

A febre maculosa brasileira tem cura desde que o tratamento com antibióticos seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa a regredir e evolui para a cura total.

Atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins, dos pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito.

Como Prevenir?

Para se proteger e facilitar a visualização dos carrapatos e dos micuins é muito importante que as pessoas, quando entrarem em locais de mato, estejam de calça e camisa compridas e claras e, preferencialmente, de botas.

A parte inferior da calça deve ser posta dentro das botas e lacrada com fitas adesivas. Se possível, evite caminhar em áreas conhecidamente infestadas por carrapatos e, a cada duas horas, verifique se há algum deles preso ao seu corpo.

Quanto mais depressa ele for retirado, menores os riscos de infecção. Ao retirar um carrapato, não o esmague com as unhas. Com o esmagamento, pode haver liberação das bactérias que têm capacidade de penetrar através de pequenas lesões na pele; também não force o carrapato a se soltar encostando agulha ou palito de fósforo quente.

O estresse faz com que ele libere grande quantidade de saliva, o que aumenta as chances de transmissão das bactérias transmissoras da doença.

Os carrapatos devem ser retirados com cuidado, por meio de uma leve torção, para que sua boca solte a pele. Existem também repelentes com concentrações maiores do produto químico DEET (N-N-dietil-meta-toluamida), que são eficientes contra mosquitos e carrapatos.

Referências:

  1. Dr. Dráuzio Varella
  2. Fundação Oswaldo Cruz

A Febre e suas principais características

A febre pode ser definida como um aumento anormal da temperatura corpórea. Apesar do que muitos pensam, a febre não é uma doença, sendo apenas um sinal de que algo está errado com o nosso corpo. As causas da febre são variadas, podendo ser desencadeada por doença ou até mesmo pelo uso de algumas substâncias.

Valores Normais de Temperatura

Como a febre é um aumento da temperatura corpórea, faz-se necessário compreender qual é a temperatura normal do corpo para saber identificar se uma pessoa está ou não febril. Normalmente, o corpo humano apresenta uma faixa de normalidade entre 36 e 37,4 graus, mas ocorrem variações dependendo do local onde se mede a temperatura.

A temperatura pode ser medida em três locais diferentes: na cavidade oral, na região das axilas e no reto. A temperatura nesses locais varia: na região axilar, a média é 36 ºC e 36,5 ºC; na região bucal, a média é 36 ºC e 37,4 ºC; na retal, a temperatura fica em torno de 36 ºC e 37,5 ºC.

Sinais e Sintomas

  • Sensação de cansaço;
  • Aumento do suor;
  • Tremor;
  • Ranger de dentes;
  • Rubor facial (vermelhidão na face)

Devem ser analisadas as seguintes características semiológicas da febre: início, intensidade, duração, modo de evolução e término. O início pode ser súbito ou gradual, já a intensidade é classificada como leve (até 37,5°C), moderada (37,6 a 38,5°C) ou alta (acima de 38,6°C). Em relação à duração, a febre pode ser recente (menos de 7 dias) ou prolongada (mais de 7 dias).

O modo de evolução pode ser avaliado através de um quadro térmico, com verificação da temperatura uma ou duas vezes por dia ou até de 4 em 4 horas, a depender do caso. Classicamente, são descritos os seguintes padrões evolutivos:

  • Febre Contínua: permanece sempre acima do normal com variações de até 1 grau, sem grandes oscilações.
  • Febre Irregular ou Séptica: picos muito altos intercalados baixas temperaturas ou apirexia, sem nenhum caráter cíclico nessas variações.
  • Febre Remitente: há hipertermia diária com variações de mais de 1 grau, sem períodos de apirexia.
  • Febre Intermitente: a hipertermia é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal. Pode ser cotidiana, terçã (um dia com febre e outro sem) ou quartã (um dia com febre e dois sem).
  • Febre Recorrente ou Ondulante: semanas ou dias com temperatura corporal normal até que períodos de temperatura elevada ocorram. Durante a fase de febre não há grandes oscilações.

Tratamento

Normalmente, controla-se febre muito alta, que pode causar lesões no indivíduo, e aquela que está causando desconforto no paciente.

Geralmente a febre é tratada com uso de antitérmicos, como o paracetamol, dipirona e ácido acetilsalicílico. Além do uso de medicamentos, pode-se realizar banhos ou utilizar compressas frias para ajudar na diminuição da temperatura. Vale ressaltar que esses últimos métodos, sem o uso de medicamentos, podem melhorar o desconforto do paciente, mas não diminuem a febre.

Referências:

  1. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Febre”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/saude/febre.htm. Acesso em 05 de abril de 2022.
  2. Alexander KC Leung et alii. Febrile Seizures: na overview. Drugs Context. 2018;
  3. Rui P, Kang K. National Hospital Ambulatory Medical Care Survey: 2017 emergency department summary tables. National Center for Health Statistics;
  4. E Y Chan W T Chen, P N Assam. External Cooling Methods for Treatment of Fever in Adults: A Systematic Riview. JBI Libr Syst Rev. 2010;
  5. Paracetamol for treating fever in children. Cochrane. 2002.