A higiene das mãos é considerada uma das medidas mais simples, baratas e eficazes para prevenir infecções relacionadas à assistência à saúde. Mesmo sendo um procedimento aparentemente básico, ele continua sendo um dos pilares mais importantes da segurança do paciente.
Recentemente, a ANVISA atualizou o Manual Nacional de Higiene das Mãos, reforçando orientações essenciais para profissionais da saúde, instituições hospitalares e serviços assistenciais. A atualização trouxe novas abordagens, maior detalhamento técnico e reforço das estratégias de prevenção de infecções dentro dos serviços de saúde.
Para a enfermagem, entender essas mudanças é extremamente importante, já que os profissionais da área estão entre aqueles que mais realizam contato direto com pacientes, superfícies e dispositivos invasivos.
Nesta publicação, vamos entender o que é o Manual Nacional de Higiene das Mãos, quais foram as atualizações mais importantes e como essas recomendações impactam diretamente a prática da enfermagem.
O que é o Manual Nacional de Higiene das Mãos?
O Manual Nacional de Higiene das Mãos é um documento técnico criado para orientar profissionais e instituições sobre práticas seguras de higienização das mãos nos serviços de saúde.
Ele reúne:
- fundamentos científicos;
- técnicas corretas;
- momentos indicados para higiene;
- medidas de prevenção de infecção;
- estratégias de adesão institucional.
O objetivo principal é reduzir as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).
Por que a higiene das mãos é tão importante?
Infecção Relacionada à Assistência à Saúde
As mãos dos profissionais são um dos principais veículos de transmissão de microrganismos dentro dos serviços de saúde.
Durante a assistência, o profissional toca:
- pacientes;
- equipamentos;
- grades de leito;
- bombas de infusão;
- prontuários;
- superfícies contaminadas.
Sem higienização adequada, ocorre transmissão cruzada de microrganismos.
Isso pode causar:
- pneumonias hospitalares;
- infecções urinárias;
- infecções de corrente sanguínea;
- infecções cirúrgicas;
- surtos hospitalares.
O que mudou na atualização do manual da ANVISA?
A atualização do manual reforçou diversos pontos importantes relacionados à segurança do paciente e à prevenção de infecções.
Entre os principais destaques estão:
- fortalecimento da cultura de segurança;
- incentivo ao uso racional de preparações alcoólicas;
- melhoria das estratégias educacionais;
- reforço da adesão institucional;
- atualização das recomendações técnicas;
- ampliação das orientações sobre estrutura física e insumos.
Além disso, o documento trouxe uma linguagem mais prática e alinhada às recomendações internacionais.
A higiene das mãos continua sendo a principal medida contra infecções
Mesmo com tecnologias modernas, antibióticos avançados e protocolos complexos, a higienização correta das mãos ainda é considerada a medida isolada mais eficaz para reduzir infecções hospitalares.
Isso acontece porque muitos microrganismos são transmitidos justamente pelo contato manual.
Os “5 momentos” da higiene das mãos
5 Momentos para Higiene das Mãos
A atualização continua reforçando os famosos “5 momentos” preconizados pela Organização Mundial da Saúde. Esses momentos ajudam o profissional a entender exatamente quando higienizar as mãos.
- Antes de tocar o paciente
Esse momento protege o paciente dos microrganismos presentes nas mãos do profissional.
- Antes de realizar procedimento limpo ou asséptico
Importante para:
- punções venosas;
- preparo de medicações;
- manipulação de cateteres;
- curativos.
- Após risco de exposição a fluidos corporais
Após contato com:
- sangue;
- secreções;
- urina;
- vômitos;
- fezes.
- Após tocar o paciente
Mesmo que o contato pareça simples.
- Após tocar superfícies próximas ao paciente
Grades de leito, bombas e mesas também podem estar contaminadas.
Água e sabão ou álcool em gel?
Essa é uma dúvida muito comum entre estudantes.
Quando usar água e sabão?
A lavagem com água e sabão é indicada:
- quando houver sujeira visível;
- após uso do banheiro;
- contato com matéria orgânica;
- suspeita de microrganismos específicos como Clostridioides difficile.
Quando utilizar preparação alcoólica?
O álcool gel pode ser utilizado na maioria das situações assistenciais.
Ele possui vantagens importantes:
- rapidez;
- praticidade;
- menor irritação da pele;
- maior adesão dos profissionais.
Técnica correta ainda faz diferença
Não basta apenas “passar álcool rapidamente”. A atualização reforça a importância da técnica correta.
A higienização deve abranger:
- palmas;
- dorso das mãos;
- dedos;
- unhas;
- polegares;
- punhos.
O tempo também importa.
A enfermagem e o risco aumentado de contaminação
A equipe de enfermagem permanece em contato constante com pacientes durante:
- administração de medicamentos;
- higiene corporal;
- curativos;
- punções;
- aspiração;
- manipulação de dispositivos.
Por isso, a adesão correta à higiene das mãos é fundamental para proteção:
- do paciente;
- do profissional;
- da equipe;
- dos familiares.
Estrutura institucional também influencia
O manual atualizado também destaca que a adesão não depende apenas do profissional.
O serviço de saúde precisa oferecer:
- pias adequadas;
- sabonete líquido;
- papel toalha;
- álcool gel acessível;
- treinamento contínuo.
Sem estrutura adequada, a adesão tende a cair.
Barreiras que dificultam a adesão
Mesmo sendo um procedimento simples, alguns fatores prejudicam a prática adequada.
Entre eles:
- sobrecarga de trabalho;
- falta de insumos;
- esquecimento;
- interrupções frequentes;
- irritação cutânea;
- rotina acelerada.
Por isso, a educação permanente continua sendo essencial.
Curiosidades sobre higiene das mãos
Ignaz Semmelweis foi um dos pioneiros
No século XIX, Semmelweis observou que médicos que higienizavam as mãos reduziam drasticamente a mortalidade materna. Na época, sua descoberta sofreu resistência. Hoje ele é considerado um dos pioneiros do controle de infecções.
As mãos possuem microbiota transitória e residente
Alguns microrganismos permanecem naturalmente na pele, enquanto outros são adquiridos durante contatos e podem ser transmitidos.
Unhas e adornos aumentam riscos
O manual reforça restrições relacionadas a:
- anéis;
- pulseiras;
- relógios;
- unhas artificiais.
Esses itens dificultam higienização adequada.
Cuidados de enfermagem relacionados à higiene das mãos
Higienizar antes e após cada procedimento
Mesmo em procedimentos considerados rápidos.
Manter unhas curtas
Unhas longas acumulam maior quantidade de microrganismos.
Evitar adornos
Biossegurança
Anéis e pulseiras comprometem a eficácia da higienização.
Observar integridade da pele
Dermatites e fissuras podem aumentar colonização bacteriana.
Incentivar cultura de segurança
A enfermagem também atua como multiplicadora de boas práticas.
Higiene das mãos e segurança do paciente
A atualização da ANVISA reforça que segurança do paciente depende de medidas simples executadas corretamente. A higiene das mãos é um dos maiores exemplos disso.
Ela protege:
- pacientes vulneráveis;
- profissionais da saúde;
- ambiente hospitalar.
A atualização do Manual Nacional de Higiene das Mãos reforça algo extremamente importante: medidas simples continuam salvando vidas diariamente dentro dos serviços de saúde. Para a enfermagem, compreender os momentos corretos, as técnicas adequadas e a importância da adesão institucional é fundamental para uma assistência segura e de qualidade.
Mais do que uma obrigação, a higiene das mãos representa responsabilidade ética, científica e humana. Cada higienização adequada pode interromper cadeias de transmissão e evitar complicações graves.
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização das Mãos. Brasília: Anvisa, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/seguranadopacientecaderno12higienedasmos.pdf.
- CENTRO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (CCIH). Manual de Higiene das Mãos. Disponível em: https://www.ccih.med.br/manual-de-higiene/.
- INSTITUTO BRASILEIRO PARA SEGURANÇA DO PACIENTE (IBSP). Anvisa atualiza manual nacional de higiene das mãos. Disponível em: https://ibsp.net.br/anvisa-atualiza-manual-nacional-de-higiene-das-maos/?srsltid=AfmBOoqQWwncUaKPu_IZ3zsrvZuSpE_P2H7B81xQ9-6Px4tLydVvCYmH.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Segurança do Paciente. Brasília: Ministério da Saúde.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Guidelines on Hand Hygiene in Health Care. Geneva: WHO.
-
POTTER, Patricia; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de Enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier.











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