Sulfatação na Eclâmpsia Como Fazer os Esquemas

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 14/09/2026.

Na eclâmpsia, o sulfato de magnésio não entra em cena apenas depois da convulsão. Ele é utilizado para prevenir e tratar crises convulsivas, e reconhecer rapidamente o esquema prescrito faz diferença na segurança da assistência.

Sulfato de magnésio na eclâmpsia

O sulfato de magnésio (MgSO₄) é o anticonvulsivante de escolha para prevenção da eclâmpsia em situações indicadas e para o tratamento da eclâmpsia. Ele não substitui o controle da hipertensão nem a avaliação materno-fetal, que continuam fazendo parte do atendimento da emergência obstétrica.

Os dois esquemas que você mais precisa reconhecer são o Pritchard e o Zuspan.

Esquema de Pritchard

O Pritchard combina as vias intravenosa e intramuscular.

A dose de ataque é:

4 g IV, administrados lentamente, associados a 10 g IM, sendo 5 g em cada glúteo.

A manutenção é de 5 g IM a cada 4 horas, alternando os locais de aplicação.

Esse esquema continua especialmente importante porque permite administrar o tratamento mesmo quando não há disponibilidade de bomba de infusão contínua, conforme o protocolo utilizado. A aplicação intramuscular exige atenção à técnica e ao local, além da avaliação do risco de hematoma e outras complicações.

Esquema de Zuspan

No Zuspan, a administração é exclusivamente intravenosa.

A dose de ataque é de 4 g IV, administrada lentamente. Depois, segue-se a manutenção de 1 g por hora em infusão intravenosa contínua, geralmente com bomba de infusão.

Protocolos brasileiros podem prever ajuste para 2 g/h em situações específicas, portanto essa alteração não deve ser feita automaticamente apenas porque a paciente continua sintomática. A prescrição e o protocolo institucional devem orientar a velocidade de manutenção.

Pritchard x Zuspan

Esquema Ataque Manutenção
Pritchard 4 g IV + 10 g IM, 5 g em cada glúteo 5 g IM a cada 4 h
Zuspan 4 g IV 1 g/h IV em infusão contínua

Uma situação que merece atenção na prática é a paciente em crise convulsiva chegando à unidade sem acesso venoso adequado. Nesse cenário, a equipe precisa reconhecer rapidamente qual alternativa o protocolo permite, preparar o material e manter vigilância contínua, porque o tempo perdido na organização da terapia pode comprometer o atendimento de uma emergência obstétrica.

O que a enfermagem precisa vigiar

O sulfato de magnésio exige monitorização porque o excesso pode provocar depressão neuromuscular e respiratória. Antes e durante a manutenção, devem ser avaliados frequência respiratória, reflexos tendinosos profundos, débito urinário e nível de consciência, além dos demais parâmetros clínicos definidos pelo protocolo.

A redução ou ausência do reflexo patelar, depressão respiratória e oligúria são sinais de alerta para toxicidade. O gluconato de cálcio deve estar disponível conforme protocolo institucional para reversão da toxicidade pelo magnésio.

Na rotina assistencial, um detalhe que evita erro é conferir a concentração da ampola antes de calcular o volume. Uma ampola de MgSO₄ a 50% com 10 mL contém 5 g; portanto, simplesmente memorizar “8 mL” ou “10 mL” sem olhar a apresentação pode levar a uma dose incorreta.

Quanto tempo manter?

De forma geral, os protocolos utilizam a manutenção por 24 horas após o parto ou após a última convulsão, conforme a situação clínica e o protocolo adotado. A duração não deve ser entendida como uma regra isolada de relógio: a equipe precisa continuar acompanhando a condição materna e possíveis sinais de toxicidade.

A OMS recomenda o sulfato de magnésio como primeira escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia e reforça que sua administração deve estar associada à capacidade de monitorar a paciente e tratar sua toxicidade.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, a enfermagem deve conferir prescrição, concentração e diluição do medicamento; utilizar bomba de infusão quando indicada; monitorar frequência respiratória, reflexos, diurese e nível de consciência; manter material de emergência disponível; observar sinais de toxicidade; controlar pressão arterial conforme protocolo; manter ambiente seguro durante convulsões e registrar horário, dose, via, resposta clínica e intercorrências.

Durante uma crise, proteger a paciente contra trauma é prioridade. Não se deve tentar conter à força os movimentos convulsivos nem colocar objetos em sua boca. Após a crise, a avaliação da via aérea, respiração e estado neurológico passa a ser fundamental.

O sulfato de magnésio reduz o risco de convulsões, mas não resolve sozinho a síndrome hipertensiva. Controle da hipertensão grave, avaliação materna, avaliação fetal e definição da conduta obstétrica continuam sendo partes essenciais do atendimento.

Resumo para salvar

Sulfatação na Eclâmpsia: Decore os Esquemas

  • Pritchard combina IV e IM
  • Zuspan utiliza infusão IV contínua
  • Monitore respiração reflexos e diurese
  • Mantenha gluconato de cálcio disponível conforme protocolo

Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Linhas de cuidado: pré-natal de baixo risco — situações de urgência e planejamento terapêutico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommendations for prevention and treatment of pre-eclampsia and eclampsia. Geneva: WHO, 2011.
  4. RUANO, Rodrigo; ALVES, Eliane A.; ZUGAIB, Marcelo. Sulfato de magnésio (MgSO₄) no tratamento e prevenção da eclâmpsia: qual esquema adotar? Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 50, n. 3, 2004. DOI: 10.1590/S0104-42302004000300018.
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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