O que faz um Técnico de Enfermagem em Nefrologia?

Se você está explorando as diversas áreas da enfermagem, a nefrologia pode ter chamado sua atenção. Cuidar de pacientes com doenças renais exige um conhecimento específico e uma sensibilidade particular.

E dentro dessa especialidade, o técnico de enfermagem desempenha um papel crucial, sendo um elo fundamental entre o paciente, o enfermeiro e o tratamento.

Quer saber o que faz esse profissional no dia a dia? Vem com a gente desmistificar essa área!

O Universo da Nefrologia: Cuidando dos Nossos “Filtros”

Antes de tudo, vamos entender um pouquinho sobre a nefrologia. Essa área da medicina se dedica ao estudo e tratamento das doenças que afetam os rins, órgãos vitais responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas e manter o equilíbrio do nosso corpo.

Quando os rins não funcionam bem, todo o organismo sofre, e é aí que a equipe de nefrologia entra em ação, oferecendo suporte e tratamento para melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

O Técnico em Nefrologia: Um Suporte Indispensável

Dentro da equipe de nefrologia, o técnico de enfermagem atua sob a supervisão do enfermeiro, mas com uma autonomia importante em diversas tarefas. Ele está ali, lado a lado com o paciente, oferecendo um cuidado atencioso e técnico que faz toda a diferença. Suas responsabilidades são variadas e dependem do local de atuação (clínica de hemodiálise, ambulatório, enfermaria), mas algumas atividades são comuns:

  • Acolhimento e Preparo do Paciente: O técnico é muitas vezes o primeiro contato do paciente ao chegar para o tratamento, seja para uma sessão de hemodiálise ou uma consulta. Ele o acolhe, verifica sinais vitais, peso, e o prepara fisicamente para o procedimento, garantindo o conforto e a segurança.
  • Assistência na Hemodiálise: Essa é uma das áreas de maior atuação do técnico em nefrologia. Ele auxilia na montagem e desmontagem da máquina de hemodiálise, prepara os materiais necessários (linhas, dialisadores, soluções), conecta e desconecta o paciente à máquina, acompanha o procedimento monitorando sinais vitais e o bem-estar do paciente, identifica possíveis intercorrências e comunica ao enfermeiro. Ele também pode ser responsável pela limpeza e desinfecção dos equipamentos após cada sessão.
  • Cuidados com o Acesso Vascular: Pacientes em hemodiálise geralmente possuem um acesso vascular (fístula arteriovenosa, cateter) para conectar à máquina. O técnico de enfermagem realiza os cuidados com esse acesso, como curativos, observação de sinais de infecção ou mau funcionamento (edema, vermelhidão, calor, dor), e orienta o paciente sobre os cuidados diários em casa.
  • Administração de Medicamentos: Sob a supervisão do enfermeiro e seguindo a prescrição médica, o técnico pode administrar alguns medicamentos por via oral, intramuscular, subcutânea e até mesmo intravenosa (em alguns casos e mediante treinamento específico). Ele precisa conhecer as medicações utilizadas, suas doses, vias de administração e possíveis efeitos colaterais.
  • Coleta de Exames: Acompanhar a função renal e o estado geral do paciente exige exames regulares. O técnico de enfermagem pode ser responsável pela coleta de amostras de sangue, urina e outros materiais biológicos, seguindo os protocolos de coleta e armazenamento adequados.
  • Orientação e Educação ao Paciente e Família: O técnico tem um papel importante em orientar o paciente e seus familiares sobre diversos aspectos do tratamento, como cuidados com o acesso vascular, dieta específica para pacientes renais, controle de líquidos, importância da adesão ao tratamento e identificação de sinais de alerta.
  • Registro de Dados: Manter um registro preciso de todas as informações relevantes sobre o paciente e o tratamento é fundamental. O técnico anota em prontuário os sinais vitais, peso, intercorrências durante a hemodiálise, medicações administradas, orientações fornecidas e outras observações importantes.
  • Suporte Emocional: Lidar com uma doença crônica como a insuficiência renal pode ser desafiador para o paciente. O técnico, com seu contato próximo e frequente, pode oferecer um suporte emocional valioso, escutando suas queixas, incentivando a adesão ao tratamento e transmitindo segurança.

O Olhar Atento: Cuidados de Enfermagem Essenciais na Nefrologia

O trabalho do técnico de enfermagem em nefrologia está intrinsecamente ligado aos cuidados de enfermagem. Algumas áreas de atenção são cruciais:

  • Controle Hídrico: Pacientes renais muitas vezes têm dificuldade em eliminar líquidos, o que pode levar a edemas, aumento da pressão arterial e sobrecarga cardíaca. O técnico auxilia na monitorização do peso, do balanço hídrico (ingestão e eliminação de líquidos) e na orientação sobre a restrição hídrica.
  • Cuidados com a Dieta: A dieta para pacientes renais é complexa e exige restrição de alguns nutrientes como sódio, potássio e fósforo. O técnico reforça as orientações nutricionais fornecidas pelo nutricionista e auxilia o paciente a entender a importância da adesão à dieta.
  • Prevenção de Infecções: Pacientes renais, especialmente aqueles com cateteres, têm maior risco de infecções. O técnico segue rigorosamente os protocolos de higiene e assepsia durante os procedimentos, realiza curativos adequados e orienta o paciente sobre os sinais de infecção.
  • Prevenção de Complicações da Hemodiálise: Durante a hemodiálise, podem ocorrer complicações como hipotensão, cãibras, náuseas e vômitos. O técnico monitora o paciente de perto, identifica precocemente esses sinais e implementa as medidas preventivas e corretivas sob orientação do enfermeiro.
  • Promoção do Conforto: O tratamento dialítico pode ser desconfortável. O técnico busca oferecer conforto ao paciente, auxiliando na mudança de posição, oferecendo cobertores, ajustando a temperatura ambiente e proporcionando um ambiente acolhedor.

Uma Peça Fundamental na Engrenagem do Cuidado Renal

O técnico de enfermagem em nefrologia é um profissional essencial na equipe multidisciplinar que cuida de pacientes com doenças renais. Sua dedicação, seu conhecimento técnico e seu cuidado humano contribuem significativamente para a qualidade de vida desses pacientes e para o sucesso do tratamento. Se você se identifica com a atenção aos detalhes, a rotina estruturada e o cuidado contínuo, a nefrologia pode ser uma área gratificante para desenvolver sua carreira na enfermagem.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM NEFROLOGIA (SOBEN). Diretrizes para a Prática Clínica em Enfermagem em Nefrologia. [S. l.]: SOBEN, [ano da publicação mais recente]. (Consultar capítulos sobre as atividades do técnico de enfermagem). Disponível em: https://www.soben.org.br/
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA (SBN). Diretrizes Clínicas. [S. l.]: SBN, [ano da publicação mais recente]. (Consultar informações sobre o tratamento da doença renal crônica). Disponível em: https://sbn.org.br/

Síndrome da Unha Esverdeada

A síndrome da unha esverdeada é uma infecção paroniquial bacteriana que pode se desenvolver em indivíduos cujas mãos estão frequentemente submersas em água. Também pode ocorrer como listras verdes transversais que são atribuídas a episódios intermitentes de infecção.

É mais comumente causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa,que se desenvolve em condições úmidas. A síndrome das unhas verdes está ligada à submersão regular das mãos em água, detergentes e sujeira. Existem várias atividades e lesões que estão ligadas à predisposição para contrair a doença.

Sintomas

O sintoma mais comum da síndrome da unha esverdeada é a descoloração da unha infectada, pois ela adquire uma coloração verde-escura, devido à secreção dos pigmentos verdes pioverdina e piocianina.

O paciente também pode sofrer de sensibilidade ao redor da unha infectada, juntamente com vermelhidão e inchaço.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente pode ser feito a partir de um exame físico da unha. Se necessário, uma coloração de Gram ou cultura bacteriológica de raspagem de unha pode ser realizada para identificar a presença de bactérias.

No entanto, existem deficiências na realização de uma cultura porque a infecção pode estar presente a uma distância do local da unha e, como resultado, retornar um resultado falso negativo. Uma amostra de unha infectada pode ser submersa em água destilada para realizar um teste de solubilidade do pigmento, dentro de 24 horas o líquido ficará com uma cor azul esverdeada indicando a presença de Pseudomonas aeruginosa.

O Diagnóstico errôneo

A síndrome das unhas esverdeadas pode ser diagnosticada erroneamente como infecções por Aspergillus, melanoma maligno, hematomas subungueais. O uso de corante verde, tinta ou lacas químicas também pode causar confusão.

Referências:

  1.  «Síndrome da unha esverdeada – Distúrbios da pele». Manual MSD Versão Saúde para a Família
  2. «Pseudomonas aeruginosa Infections: Clinical Presentation». eMedicine
  3. James, William; Berger, Timothy; Elston, Dirk (2005). Andrews’ Diseases of the Skin: Clinical Dermatology. (10th ed.). Saunders. ISBN 0-7216-2921-0.
  4. American Osteopathic College of Dermatology (2019). Green Nail Syndrome.
  5. «Green Nail Syndrome (GNS, Pseudomonas nail infection, chloronychia, green striped nails, chromonychia)». Dermatology Advisor (em inglês). 13 de março de 2019
  6. Clark, K., & Davison, L. (2006). Green Nail Syndrome. NJ, USA: MJH Healthcare holdings LLC.
  7. Matsuura, H.; Senoo, A.; Saito, M.; Hamanaka, Y. (1 de setembro de 2017). «Green nail syndrome». QJM: An International Journal of Medicine (em inglês). 110: 609–609. ISSN 1460-2725doi:10.1093/qjmed/hcx114
  8. Chiriac, Anca; Brzezinski, Piotr; Foia, Liliana; Marincu, Iosif (14 de janeiro de 2015). «Chloronychia: green nail syndrome caused by Pseudomonas aeruginosa in elderly persons». Clinical Interventions in Aging (em English).

Enfermeiras que fizeram história no Brasil

Se você escolheu a enfermagem como sua jornada, prepare-se para caminhar pelos passos de gigantes. O Brasil tem uma história rica em mulheres incríveis que, com coragem, dedicação e visão, transformaram a saúde e elevaram o patamar da nossa profissão.

Conhecer essas pioneiras não é apenas aprender sobre o passado, mas também se inspirar para o futuro. Vamos juntos celebrar algumas das enfermeiras brasileiras que deixaram um legado inestimável?

Anna Nery: A Mãe dos Enfermeiros na Guerra e na Paz

Impossível falar de enfermagem no Brasil sem reverenciar Anna Nery (1814-1880). Essa baiana extraordinária é considerada a pioneira da enfermagem em nosso país. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), Anna Nery não hesitou em seguir seus filhos para o front. Lá, com recursos escassos e em meio ao caos da batalha, organizou serviços de enfermagem nos hospitais militares, cuidando dos feridos com dedicação e humanidade. Sua atuação abnegada e sua liderança inspiradora a consagraram como um símbolo da profissão, sendo sua data de falecimento, 20 de maio, celebrado como o Dia Nacional dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. Após a guerra, dedicou-se a cuidar dos órfãos e inválidos, mostrando que sua vocação ia muito além dos campos de batalha.

Edith de Magalhães Fraenkel: A Cientista que Impulsionou a Enfermagem Moderna

Edith de Magalhães Fraenkel (1896-1988) foi uma figura crucial na profissionalização da enfermagem no Brasil. Formada pela Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, Edith dedicou sua vida à educação e à organização da enfermagem. Foi uma das fundadoras da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e lutou incansavelmente pelo reconhecimento da profissão, pela criação de currículos padronizados e pela valorização do trabalho das enfermeiras. Sua visão científica e sua paixão pela educação pavimentaram o caminho para a enfermagem moderna em nosso país.

Rachel Haddock Lobo: A Educadora que Formou Gerações de Enfermeiras

Rachel Haddock Lobo (1895-1984) foi outra gigante da enfermagem brasileira, com uma trajetória dedicada à educação. Formada pela Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, assim como Edith Fraenkel, Rachel dedicou grande parte de sua carreira à Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Como professora e diretora, moldou gerações de enfermeiras, transmitindo conhecimento, ética e a importância do cuidado humanizado. Sua liderança e seu compromisso com a excelência no ensino foram fundamentais para o desenvolvimento da enfermagem como ciência e profissão no Brasil.

Lais Moura Netto dos Reys: A Visionária da Saúde Pública e da Enfermagem

Lais Moura Netto dos Reys (1902-1998) deixou sua marca na história da enfermagem brasileira com sua atuação na área da saúde pública. Enfermeira sanitarista, dedicou-se ao controle de endemias e à melhoria das condições de saúde da população. Foi uma das pioneiras na implementação de programas de saúde pública no Brasil e também teve uma importante atuação na formação de enfermeiras para essa área. Sua visão abrangente da saúde e seu compromisso social inspiraram muitas profissionais a seguirem o caminho da saúde coletiva.

Izaura Barbosa Lima: A Defensora dos Direitos da Enfermagem

Izaura Barbosa Lima (1905-1989) foi uma figura emblemática na luta pelos direitos e pela valorização da enfermagem brasileira. Enfermeira dedicada e líder nata, atuou intensamente na Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), defendendo melhores condições de trabalho, salários justos e o reconhecimento da importância da profissão para a sociedade. Sua voz firme e sua persistência foram cruciais para a conquista de avanços significativos para a categoria.

Zaira Cintra Vidal: A Pioneira da Enfermagem Psiquiátrica

Zaira Cintra Vidal (1922-2006) desbravou o campo da enfermagem psiquiátrica no Brasil. Com uma visão humanizada e inovadora, dedicou sua carreira a transformar o cuidado em saúde mental, lutando por abordagens mais dignas e pela desinstitucionalização de pacientes psiquiátricos. Sua atuação foi fundamental para a evolução da enfermagem nesse campo, influenciando a formação de profissionais e a implementação de novas práticas de cuidado.

Hilda Anna Krisch: A Dedicação ao Ensino e à Pesquisa

Hilda Anna Krisch (1925-2017) teve uma trajetória marcante na enfermagem brasileira, especialmente nas áreas de ensino e pesquisa. Com uma sólida formação acadêmica, contribuiu significativamente para o desenvolvimento científico da profissão, incentivando a produção de conhecimento e a formação de novos pesquisadores. Sua dedicação à academia e sua paixão pela enfermagem deixaram um legado importante para as futuras gerações de enfermeiros.

Madre Domineuc: A Caridade e o Cuidado como Missão

Madre Domineuc (1896-1978), cujo nome de batismo era Eugénie Joubert, foi uma religiosa francesa que dedicou sua vida à assistência à saúde no Brasil. Fundadora da Congregação das Irmãs Marcelinas de São José, estabeleceu diversas instituições de saúde e educação no país, oferecendo cuidado e acolhimento aos mais necessitados. Sua fé e sua dedicação ao próximo a tornaram uma figura inspiradora na história da enfermagem brasileira, mostrando a força da caridade e da compaixão no cuidado.

Haydee Guanais Dourado: A Luta pela Regulamentação Profissional

Haydee Guanais Dourado (1928-2018) foi uma líder incansável na luta pela regulamentação da profissão de enfermagem no Brasil. Sua atuação na Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) foi fundamental para a conquista de leis e decretos que garantiram o reconhecimento legal e a autonomia da enfermagem. Sua persistência e sua visão estratégica foram essenciais para consolidar a profissão como uma área essencial para a saúde da população.

Waleska Paixão: A Inovadora na Gestão e no Cuidado

Waleska Paixão é uma enfermeira contemporânea com uma atuação destacada na área de gestão e inovação em saúde. Com uma visão vanguardista, tem implementado modelos de cuidado centrados no paciente e tecnologias que otimizam o trabalho da enfermagem. Sua liderança e sua capacidade de integrar diferentes áreas do conhecimento a tornam uma referência para as novas gerações de enfermeiros.

Maria Rosa de Sousa Pinheiro: A Dedicação à Saúde da Família

Maria Rosa de Sousa Pinheiro dedicou sua carreira à saúde da família e à atenção primária, áreas cruciais para a promoção da saúde e a prevenção de doenças. Sua atuação junto às comunidades, sua escuta atenta às necessidades da população e seu compromisso com a equidade no acesso à saúde a tornaram uma figura importante na história da enfermagem brasileira, mostrando a relevância do cuidado de proximidade.

Glete de Alcântara: A Pioneira na Enfermagem de Saúde Pública em São Paulo

Glete de Alcântara (1906-1990) foi uma figura fundamental no desenvolvimento da enfermagem de saúde pública no estado de São Paulo. Com sua dedicação e visão, implementou programas inovadores e contribuiu para a formação de inúmeros profissionais nessa área. Seu trabalho deixou um legado duradouro na organização dos serviços de saúde e na melhoria da qualidade de vida da população paulista.

Marina Andrade Resende: A Educadora e Pesquisadora Dedicada à Saúde da Criança

Marina Andrade Resende teve uma importante atuação na área da saúde da criança e do adolescente. Como educadora e pesquisadora, contribuiu significativamente para a formação de enfermeiros especializados nesse campo e para o desenvolvimento de práticas de cuidado baseadas em evidências. Sua dedicação à saúde infantil deixou uma marca importante na enfermagem pediátrica brasileira.

Olga Verderese: A Luta pela Ética e pela Qualidade do Cuidado

Olga Verderese dedicou sua carreira à defesa da ética e da qualidade do cuidado na enfermagem. Sua atuação em conselhos profissionais e em organizações da categoria foi fundamental para a implementação de normas e diretrizes que visam garantir uma prática profissional responsável e segura para os pacientes. Sua voz firme em defesa dos princípios éticos da enfermagem é uma inspiração para todos nós.

Wanda de Aguiar Horta: A Teórica que Transformou a Prática do Cuidado

Wanda de Aguiar Horta (1926-1981) foi uma das maiores teóricas da enfermagem no Brasil. Sua Teoria das Necessidades Humanas Básicas, inspirada em Maslow, revolucionou a forma como o cuidado era concebido e praticado, colocando o paciente no centro da atenção e considerando suas necessidades biopsicossociais e espirituais. Sua teoria é um marco fundamental na história da enfermagem brasileira e continua a influenciar a prática clínica e o ensino da profissão.

Maria Ivete Ribeiro de Oliveira: A Dedicação à Enfermagem Obstétrica

Maria Ivete Ribeiro de Oliveira dedicou sua carreira à enfermagem obstétrica, uma área fundamental para a saúde da mulher e do recém-nascido. Sua atuação na assistência ao parto e no cuidado pós-parto, aliada à sua paixão pelo ensino, contribuiu para a formação de inúmeros enfermeiros obstetras e para a melhoria da qualidade da assistência nesse campo.

Roseni de Sena: A Pesquisadora que Desafia Paradigmas

Roseni de Sena é uma pesquisadora contemporânea com uma produção científica relevante na área da enfermagem. Suas pesquisas desafiam paradigmas e contribuem para o avanço do conhecimento na profissão, abordando temas como cuidado, tecnologia e inovação. Sua atuação inspira novas gerações de enfermeiros a trilharem o caminho da pesquisa e da produção de conhecimento.

Dona Ivone Lara: A Enfermeira que Encantou o Brasil com sua Música

Embora mais conhecida por sua brilhante carreira na música, Dona Ivone Lara (1921-2018) também foi uma dedicada enfermeira e assistente social. Formada na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, dedicou anos de sua vida ao cuidado em hospitais psiquiátricos, mostrando que a sensibilidade e o acolhimento são fundamentais em todas as áreas da saúde. Sua trajetória única demonstra a diversidade de talentos e a humanidade que podem coexistir em um profissional de enfermagem.

Essas são apenas algumas das muitas enfermeiras brasileiras que fizeram história e cujas contribuições continuam a inspirar e a guiar a nossa profissão. Conhecer suas trajetórias é um lembrete constante da força, da dedicação e da importância da enfermagem para a saúde e o bem-estar da sociedade brasileira. Que possamos honrar seus legados e seguir construindo uma história ainda mais grandiosa para a enfermagem no Brasil.

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Anna Nery: Pioneira da Enfermagem no Brasil. [S. l.], [2024]. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://www.cofen.gov.br/anna-nery-pioneira-da-enfermagem-no-brasil_4345.html.
  2. ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY (EEAN/UFRJ). Histórico. Rio de Janeiro: EEAN/UFRJ, [s.d.]. Disponível em: https://www.google.com/search?q=http://www.eean.ufrj.br/historico/.
  3. NÓBREGA-THERRIEN, S. M.; THERRIEN, J. Wanda de Aguiar Horta: sua vida e sua obra. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 57, n. 5, p. 628-631, set./out. 2004. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://www.google.com/search?q=https://www.scielo.br/j/reben/a/v57n5/.
  4. SANTOS, T. C. F.; BARRETO, J. A. E. Edith de Magalhães Fraenkel e a construção da identidade profissional da enfermeira brasileira. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 121-126, jan./fev. 2012. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://www.google.com/search?q=https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/enfermagemuerj/article/view/3592
  5. Furukawa, P. de O.. (2009). Comparativo de personagens da história da enfermagem brasileira. Escola Anna Nery, 13(2), 402–405. https://doi.org/10.1590/S1414-81452009000200023

Florence Nightingale: A Dama da Lâmpada

Sabe aquelas figuras históricas que a gente ouve falar e pensa “uau”? Pra mim, Florence Nightingale é uma dessas. Mais do que a imagem clássica da mulher com a lamparina, ela foi uma força da natureza que revolucionou a enfermagem e deixou um legado que a gente sente até hoje, na forma como cuidamos dos pacientes e na própria profissão.

Vamos embarcar nessa história fascinante?

Nascida em Berço de Ouro, Alma de Cuidadora

Florence nasceu em 1820, numa família rica e com boas conexões na Inglaterra. Imagina só, uma vida de bailes e viagens pela Europa! Mas, desde cedo, ela sentia um chamado diferente, uma vontade forte de ajudar os outros, especialmente os doentes. Naquela época, a enfermagem não era vista como uma profissão respeitável, muito menos para uma dama da alta sociedade. Era mais associada a mulheres pobres e sem instrução. Mas Florence não se importou com os julgamentos e seguiu seu coração.

Contra a vontade da família, que esperava um casamento vantajoso para ela, Florence persistiu em seu desejo de cuidar. Ela estudou, buscou conhecimento sobre saúde e assistência, visitou hospitais e instituições de caridade, absorvendo tudo o que podia sobre o cuidado com os enfermos. Essa paixão e essa determinação já mostravam a mulher extraordinária que ela viria a ser.

O Chamado da Guerra: A “Dama da Lâmpada” em Ação

O grande divisor de águas na história de Florence foi a Guerra da Crimeia (1853-1856). As notícias que chegavam da frente de batalha eram aterrorizantes: um número enorme de soldados britânicos morrendo não por ferimentos de combate, mas por doenças infecciosas e condições sanitárias precárias nos hospitais militares.

Foi então que Florence, com uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias, incluindo freiras e leigas, partiu para Scutari (atual Üsküdar, na Turquia), onde ficava o principal hospital britânico. O que elas encontraram lá era chocante: superlotação, sujeira, falta de higiene básica, esgoto a céu aberto, ratos e baratas por toda parte. Os soldados morriam mais de tifo, cólera e disenteria do que dos próprios ferimentos de guerra.

Com uma energia incansável e uma visão inovadora, Florence implementou mudanças drásticas. Ela organizou a limpeza do hospital, melhorou a ventilação, a alimentação, o banho dos pacientes e a higiene pessoal. Ela também passava horas percorrendo as enfermarias à noite, com sua famosa lamparina na mão, oferecendo conforto e cuidado aos soldados. Foi aí que ela ganhou o apelido que a imortalizou: “A Dama da Lâmpada”.

Os resultados foram impressionantes. A taxa de mortalidade no hospital de Scutari caiu de mais de 40% para cerca de 2% em poucos meses. Florence não apenas cuidava dos corpos, mas também oferecia apoio emocional, escrevia cartas para as famílias e se preocupava com o bem-estar geral dos pacientes.

A Estatística como Ferramenta de Mudança: A Teoria Ambiental em Números

Florence era uma mulher de ciência, muito além do cuidado intuitivo. Ela coletava dados meticulosamente sobre as causas das mortes e doenças nos hospitais. Ao retornar à Inglaterra, ela usou essas estatísticas de forma brilhante para apresentar evidências concretas da importância das condições ambientais na saúde dos pacientes. Seus diagramas circulares, chamados “diagramas de área polar”, eram inovadores e visualmente impactantes, mostrando como a maioria das mortes era evitável com melhorias sanitárias.

Essa análise rigorosa dos dados formou a base de sua Teoria Ambiental. Florence acreditava que um ambiente saudável era essencial para a recuperação dos pacientes e para a prevenção de doenças. Ela identificou cinco pontos cruciais para um ambiente terapêutico:

  • Ar puro: Ventilação adequada para remover ar viciado e odores.
  • Água pura: Fornecimento de água limpa e segura.
  • Esgoto eficiente: Sistema adequado para eliminação de resíduos.
  • Limpeza: Higiene rigorosa de roupas de cama, feridas e do ambiente.
  • Luz: Exposição à luz solar direta.

Para Florence, a enfermeira tinha um papel fundamental na manipulação desses elementos ambientais para colocar o paciente nas melhores condições possíveis para a natureza agir e promover a cura.

Uma Visão Holística do Cuidado: Além do Corpo Físico

Embora sua Teoria Ambiental seja a mais conhecida, o pensamento de Florence ia além das condições físicas. Ela reconhecia a importância de cuidar da pessoa como um todo, integrando corpo, mente e espírito. Em seus escritos, ela enfatizava a necessidade de a enfermeira usar seu intelecto, seu coração e suas habilidades manuais para criar um ambiente de cura completo. Essa visão holística do cuidado já apontava para conceitos que seriam mais desenvolvidos na enfermagem moderna.

Ela acreditava na importância da observação atenta do paciente, da compreensão de suas necessidades individuais e da criação de uma relação de cuidado terapêutica. Para Florence, a enfermagem era uma arte e uma ciência, exigindo conhecimento técnico, habilidades práticas e uma profunda compaixão pelo ser humano.

Méritos que Ecoam até Hoje: O Legado de uma Visionária

Os méritos de Florence Nightingale são vastos e duradouros:

  • Revolucionou a Enfermagem: Elevou a enfermagem de uma ocupação desorganizada e pouco respeitada a uma profissão baseada em conhecimento, treinamento e princípios éticos.
  • Fundou a Primeira Escola de Enfermagem Secular: Em 1860, ela estabeleceu a Escola de Treinamento Nightingale para Enfermeiras no Hospital St. Thomas, em Londres. Essa escola estabeleceu um novo padrão para a formação de enfermeiras, com um currículo estruturado e foco na prática baseada em evidências.
  • Pioneira no Uso de Estatísticas na Saúde: Sua habilidade em coletar, analisar e apresentar dados estatísticos convenceu líderes políticos e militares da necessidade de reformas sanitárias.
  • Defensora da Saúde Pública: Suas ideias e trabalhos influenciaram a criação de sistemas de saúde pública mais eficientes e a melhoria das condições sanitárias em diversas áreas.
  • Inspiração para a Enfermagem Mundial: Seu legado inspirou a criação de escolas de enfermagem e organizações profissionais em todo o mundo, moldando a profissão como a conhecemos hoje.
  • Ordem de Mérito Britânico: Em 1907, Florence Nightingale se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito do Reino Unido, uma das maiores honrarias britânicas. Esse reconhecimento foi concedido por sua contribuição extraordinária à saúde pública e à enfermagem — um marco histórico que reforça sua importância e legado mundial.

Florence Nightingale faleceu em 1910, aos 90 anos, deixando um impacto indelével na história da saúde e da enfermagem. Sua paixão, sua inteligência e sua dedicação continuam a inspirar gerações de enfermeiros a buscar a excelência no cuidado e a lutar por um mundo mais saudável.

Referências:

  1. DOSSEY, B. M. Florence Nightingale: Mystic, Visionary, Reformer, Healer. Springhouse: Springhouse Corporation, 2000.
  2. NIGHTINGALE, F. Notas sobre Enfermagem: O que é e o que não é. [S. l.]: Cortez Editora, 1989. (Tradução da obra original “Notes on Nursing: What It Is, and What It Is Not”).
  3. WOODHAM-SMITH, C. Florence Nightingale. New York: McGraw-Hill Book Company, 1951.
  4. INTERNATIONAL COUNCIL OF NURSES (ICN). Florence Nightingale. [S. l.], [2024]. Disponível em: https://www.icn.ch/what-we-do/policy-and-advocacy/florence-nightingale.
  5. BRITANNICA. Florence Nightingale. [S. l.], [2024]. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Florence-Nightingale

Emergências Pediátricas

Para quem escolhe a enfermagem pediátrica, o cuidado com os pequenos é uma arte delicada e, por vezes, desafiadora.

E em pediatria, algumas situações acendem um sinal de alerta máximo: as emergências pediátricas.

Nesses momentos, cada segundo conta e a nossa capacidade de reconhecer os sinais precocemente e agir de forma rápida e eficaz pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Se você está trilhando esse caminho, prepare-se para conhecer algumas dessas patologias que exigem uma resposta imediata e os cuidados de enfermagem cruciais em cada cenário.

Quando o Tempo Urge: A Gravidade das Emergências Pediátricas

As crianças, com sua fisiologia e capacidade de comunicação ainda em desenvolvimento, podem apresentar quadros clínicos graves de forma rápida e, por vezes, silenciosa. A deterioração pode ser súbita e a janela de intervenção, estreita.

Por isso, o olhar atento, a avaliação criteriosa e o conhecimento das principais emergências pediátricas são ferramentas indispensáveis para nós, futuros profissionais de enfermagem. Reconhecer os sinais de perigo e priorizar o atendimento adequado são os primeiros passos para garantir o melhor desfecho para nossos pequenos pacientes.

Dificuldade para Respirar: O Sufoco que Não Espera

A insuficiência respiratória aguda é uma das emergências pediátricas mais comuns e graves. As vias aéreas menores e a menor reserva fisiológica tornam as crianças mais vulneráveis a quadros que comprometem a oxigenação e a ventilação. Diversas condições podem levar a essa emergência:

  • Crise de Asma Grave: A obstrução das vias aéreas por broncoespasmo, inflamação e hipersecreção de muco causa dificuldade respiratória intensa, com chiado no peito, tosse persistente, uso da musculatura acessória (batimento de asa de nariz, retração intercostal e supraesternal) e cianose (coloração azulada da pele e mucosas). Nossos cuidados aqui incluem: manter a criança em posição confortável (geralmente sentada ou semi-sentada), administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica, monitorizar continuamente a frequência respiratória, a frequência cardíaca e a saturação de oxigênio, auxiliar na administração de broncodilatadores de curta ação (como salbutamol) por via inalatória e estar preparado para auxiliar em procedimentos mais invasivos, como intubação orotraqueal, se necessário.
  • Bronquiolite Grave: Principalmente em lactentes, a infecção viral dos bronquiolos causa inflamação e obstrução das pequenas vias aéreas, levando a taquipneia (respiração rápida), sibilância, tosse, irritabilidade, dificuldade para se alimentar e, em casos graves, apneia (parada respiratória). Os cuidados de enfermagem envolvem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, manter a criança em posição elevada, oferecer pequenas quantidades de líquidos por via oral se tolerado, aspirar secreções nasais para facilitar a respiração e administrar oxigênio suplementar conforme prescrito. Em casos graves, pode ser necessária ventilação não invasiva ou invasiva.
  • Pneumonia Grave: A infecção do parênquima pulmonar pode levar à insuficiência respiratória, especialmente em crianças pequenas. Os sinais incluem febre alta, tosse, taquipneia, batimento de asa de nariz, retração torácica e, em casos graves, cianose e gemido expiratório. Nossos cuidados incluem: monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar oxigênio suplementar, manter a criança em posição confortável, auxiliar na administração de antibióticos conforme prescrito e incentivar a hidratação.
  • Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE): A aspiração de pequenos objetos é um risco em crianças, especialmente as menores. A obstrução pode ser parcial (com tosse eficaz) ou total (com incapacidade de tossir, falar ou respirar, cianose e perda de consciência). Nossa ação imediata é crucial: em caso de obstrução total em lactentes, realizar a manobra de Heimlich adaptada (compressões torácicas e golpes nas costas); em crianças maiores, realizar a manobra de Heimlich abdominal. Estar preparado para auxiliar em laringoscopia e remoção do corpo estranho, se necessário.

O Coração em Perigo: Emergências Cardiovasculares Pediátricas

Embora menos comuns que as respiratórias, as emergências cardiovasculares em pediatria exigem reconhecimento e intervenção rápidos:

  • Choque Séptico: A infecção grave pode levar a uma resposta inflamatória sistêmica intensa, resultando em disfunção orgânica e choque. Os sinais incluem febre (ou hipotermia), taquicardia, taquipneia, pele fria e pegajosa, livedo reticular (manchas na pele), oligúria (diminuição da produção de urina) e alteração do estado mental. Nossos cuidados são: monitorizar continuamente os sinais vitais (incluindo pressão arterial invasiva, se instalada), garantir acesso venoso rápido para administração de fluidos e medicamentos vasoativos conforme prescrição médica, administrar antibióticos de amplo espectro o mais rápido possível, monitorizar o débito urinário e a perfusão periférica e oferecer suporte ventilatório, se necessário.
  • Choque Hipovolêmico: A perda significativa de volume sanguíneo (por desidratação grave, hemorragia) leva à diminuição da perfusão tecidual. Os sinais incluem taquicardia, extremidades frias, pulsos periféricos filiformes, enchimento capilar lento, oligúria e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: garantir acesso venoso rápido para reposição volêmica agressiva conforme prescrição médica, monitorizar os sinais vitais e a perfusão periférica e identificar e tratar a causa da perda de volume.

A Mente em Crise: Emergências Neurológicas na Infância

As emergências neurológicas em pediatria podem ter diversas causas e exigem avaliação e intervenção rápidas:

  • Crise Convulsiva Aguda: Uma convulsão prolongada (geralmente > 5 minutos) ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas (estado de mal epiléptico) é uma emergência. Nossos cuidados incluem: proteger a criança de lesões, manter as vias aéreas permeáveis (lateralizar a cabeça, se necessário), monitorizar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, administrar benzodiazepínicos por via intravenosa conforme prescrição médica e estar preparado para auxiliar em intubação orotraqueal se a convulsão não cessar ou houver comprometimento respiratório.
  • Meningite/Encefalite: A infecção do sistema nervoso central pode levar a um quadro grave com febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia, irritabilidade, letargia, convulsões e alteração do estado mental. Nossos cuidados envolvem: monitorizar os sinais vitais e o estado neurológico, manter a criança em ambiente calmo e com pouca luz, administrar antibióticos e antivirais conforme prescrição médica e estar atento a sinais de aumento da pressão intracraniana.

O Abdome Agudo: Dor que Clama por Atenção

O abdome agudo em pediatria pode ter diversas causas (apendicite, invaginação intestinal, volvo intestinal, etc.) e, em alguns casos, evoluir para sepse e choque se não tratado rapidamente.

A dor abdominal intensa e persistente, associada a outros sinais como vômitos, distensão abdominal, febre e irritabilidade, exige avaliação cirúrgica urgente.

Nossos cuidados incluem: manter a criança em jejum, monitorizar os sinais vitais, avaliar a intensidade e as características da dor, observar o abdome e preparar a criança para exames complementares e possível intervenção cirúrgica.

A Pele que Queima: Grandes Queimaduras em Crianças

As grandes queimaduras em crianças são emergências devido ao risco de choque hipovolêmico, perda de calor, infecção e comprometimento das vias aéreas (em queimaduras faciais ou por inalação de fumaça).

Nossos cuidados iniciais incluem: interromper o processo de queimadura, avaliar a extensão e a profundidade da queimadura, garantir a permeabilidade das vias aéreas, administrar oxigênio suplementar, iniciar reposição volêmica intravenosa conforme protocolo, monitorizar os sinais vitais e a diurese e manter a criança aquecida.

A Importância da Sistematização do Cuidado e da Comunicação

Em todas essas emergências pediátricas, a organização do cuidado é fundamental. A avaliação rápida e sistemática (utilizando, por exemplo, a abordagem ABCDE – Vias Aéreas, Respiração, Circulação, Incapacidade Neurológica e Exposição), a priorização das intervenções e a comunicação eficaz com a equipe médica são cruciais para otimizar o atendimento.

A nossa capacidade de trabalhar em equipe, de manter a calma sob pressão e de executar os cuidados de enfermagem de forma precisa e oportuna pode salvar vidas.

Lembrem-se, futuros profissionais de enfermagem, que a pediatria é uma área que exige estudo constante e atualização. Estar familiarizado com as principais emergências, seus sinais e sintomas e os cuidados de enfermagem específicos é um passo essencial para oferecer o melhor cuidado possível aos nossos pequenos pacientes em momentos críticos.

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS (AAP). Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual. [S. l.]: AAP
  2. NELSON, W. E.; BEHRMAN, R. E.; KLIEGMAN, R. M.; JENSON, H. B. Nelson Textbook of Pediatrics. [Edição mais recente]. Philadelphia: Elsevier. 
  3. WONG, D. L.; HOCKENBERRY, M. J.; LOWE, J. R.; PERRY, S. E.; DALLAS, C.; WILSON, D. Wong’s Nursing Care of Infants and Children.  St. Louis: Mosby Elsevier.

Os Tipos de Alta Hospitalares

Para nós, estudantes de enfermagem, acompanhar a jornada do paciente dentro do hospital é uma parte fundamental do aprendizado.

Mas essa jornada tem um ponto final: a alta hospitalar. E acreditem, não existe apenas um jeito de um paciente deixar o hospital. Existem diferentes tipos de alta, cada um com suas particularidades e implicações para o cuidado.

Entender essas nuances é essencial para garantirmos uma transição segura e adequada para o paciente e sua família. Vamos juntos desmistificar os tipos de alta e o nosso papel nesse processo?

O Ciclo se Completa: A Importância da Alta Hospitalar

A alta hospitalar marca a conclusão da fase de tratamento agudo dentro da instituição. É o momento em que o paciente, após receber os cuidados necessários, apresenta condições clínicas para continuar sua recuperação em outro ambiente, seja em casa, em outra instituição de saúde ou sob cuidados paliativos.

Uma alta bem planejada e executada é crucial para garantir a continuidade do tratamento, prevenir complicações e promover a autonomia do paciente. Para nós, profissionais de enfermagem, participar ativamente desse processo é uma demonstração de cuidado integral e de responsabilidade profissional.

Alta Médica: O “OK” do Médico para Seguir em Frente

A alta médica é o tipo mais comum e esperado de saída do hospital. Ela ocorre quando o médico responsável avalia que o paciente atingiu os critérios de estabilidade clínica, que a condição que motivou a internação está resolvida ou controlada o suficiente para o seguimento ambulatorial ou domiciliar. A decisão da alta médica é estritamente clínica e baseada na avaliação do profissional.

Nosso papel aqui é fundamental: mesmo antes da decisão formal da alta, estamos acompanhando de perto a evolução do paciente, observando sinais de melhora, administrando a medicação prescrita e fornecendo os cuidados necessários. Após a comunicação da alta médica, preparamos o paciente para a saída, revisamos as orientações médicas e de enfermagem, esclarecemos dúvidas do paciente e da família sobre o plano de cuidados domiciliar, agendamentos de consultas de seguimento e fornecemos informações sobre medicamentos, dieta e atividades permitidas. Garantir que o paciente e seus cuidadores se sintam seguros e informados para dar continuidade ao tratamento em casa é uma das nossas prioridades.

Alta Administrativa: Questões Burocráticas que Impactam a Saída

A alta administrativa ocorre por motivos não clínicos, geralmente relacionados a questões burocráticas ou administrativas da instituição ou do plano de saúde do paciente. Isso pode acontecer, por exemplo, quando o tempo de internação autorizado pelo convênio se esgota e não há justificativa clínica para prorrogação, ou em casos de transferências compulsórias por questões contratuais.

Nessas situações, nosso papel é de mediador e defensor do paciente. Precisamos entender a situação, explicar claramente ao paciente e à família os motivos da alta administrativa, buscar alternativas dentro da instituição ou junto ao serviço social para garantir uma transição o mais suave possível e assegurar que o paciente não seja prejudicado na continuidade do seu tratamento. A comunicação eficaz e a busca por soluções que atendam às necessidades do paciente são cruciais nesse tipo de alta.

Alta por Transferência: Seguindo o Cuidado em Outro Nível

A alta por transferência ocorre quando o paciente necessita de cuidados em outro nível de complexidade ou em outra especialidade não disponível na instituição atual. Isso pode envolver a transferência para uma unidade de terapia intensiva em outro hospital, para uma clínica de reabilitação, para um hospital especializado ou até mesmo para uma instituição de longa permanência.

Nesse processo, a nossa atuação é essencial para garantir a segurança e a continuidade do cuidado. Precisamos preparar um resumo completo do histórico do paciente, dos exames realizados, do tratamento instituído, da evolução clínica e dos cuidados de enfermagem prestados. Garantir a comunicação eficaz com a equipe que receberá o paciente, fornecer todas as informações relevantes e acompanhar a transferência, quando necessário, são passos importantes para uma transição bem-sucedida.

Evasão: A Saída sem Consentimento e suas Implicações

A evasão ou alta a pedido contra o parecer médico ocorre quando o paciente decide deixar o hospital sem a autorização da equipe médica, mesmo sendo orientado sobre os riscos dessa decisão para sua saúde. Essa situação pode ser motivada por diversos fatores, como discordância com o tratamento, questões pessoais ou financeiras.

Nossa responsabilidade aqui é informar claramente o paciente sobre os riscos da evasão, registrar no prontuário a sua decisão e as orientações fornecidas, colher a assinatura do paciente (ou de um responsável, se aplicável) em um termo de responsabilidade e comunicar imediatamente a equipe médica. É importante tentar entender os motivos da decisão do paciente e, se possível, oferecer alternativas ou esclarecimentos que possam reconsiderar sua saída.

Desistência do Tratamento: Uma Decisão Difícil e Respeitada

A desistência do tratamento é uma situação delicada em que o paciente, capaz e orientado, manifesta o desejo de interromper o tratamento médico proposto. Essa decisão deve ser tomada de forma livre e esclarecida, após o paciente receber todas as informações sobre os riscos e benefícios da continuidade do tratamento e as possíveis consequências da sua decisão.

Nosso papel é garantir que o paciente tenha todas as informações necessárias para tomar essa decisão, oferecer apoio emocional, esclarecer dúvidas e registrar detalhadamente no prontuário a manifestação da vontade do paciente e as orientações fornecidas pela equipe médica e de enfermagem. É fundamental respeitar a autonomia do paciente, mesmo que discordemos da sua decisão, e garantir que ele receba os cuidados paliativos adequados, se necessário.

Óbito: O Fim da Jornada e o Cuidado na Despedida

O óbito marca o fim da vida do paciente dentro da instituição hospitalar. Embora não seja um tipo de “alta” no sentido tradicional, é a última forma de saída do paciente do hospital e exige cuidados específicos da equipe de enfermagem.

Nesse momento delicado, nosso papel é oferecer conforto e apoio à família, seguir os protocolos institucionais para a confirmação do óbito, preparar o corpo do paciente com dignidade e respeito, realizar os cuidados pós-morte e auxiliar nos trâmites burocráticos necessários. A empatia, o respeito e a sensibilidade são fundamentais nesse momento de despedida.

A Enfermagem na Transição: Garantindo um Cuidado Contínuo e Seguro

Em todos os tipos de alta hospitalar, a enfermagem desempenha um papel crucial na transição do cuidado. Seja fornecendo informações, mediando conflitos, garantindo a segurança ou oferecendo apoio emocional, nossa atuação é fundamental para que a saída do paciente do hospital ocorra da melhor forma possível, respeitando suas necessidades e garantindo a continuidade do cuidado em outros ambientes.

Entender os diferentes tipos de alta e o nosso papel em cada um deles é um passo importante para nos tornarmos profissionais de enfermagem completos e comprometidos com o bem-estar dos nossos pacientes.

Referências: 

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no SUS (HumanizaSUS). Brasília: Ministério da Saúde, 2004. (Consultar diretrizes sobre o processo de alta hospitalar). Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf.
  2. HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Processo de Alta Hospitalar. São Paulo: Hospital Sírio-Libanês, [s.d.]. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/sua-internacao/Paginas/processo-de-alta.aspx.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CLÍNICA MÉDICA. Diretrizes para a Alta Hospitalar. São Paulo: SBCM, [s.d.]. Disponível em: https://www.google.com/search?q=https://sbcm.org.br/.

A obesidade e o índice de massa corporal (IMC)

Como profissionais, deparamo-nos constantemente com a obesidade, uma condição de saúde complexa e multifatorial que impacta milhões de pessoas em todo o mundo.

Para compreendermos sua extensão e gravidade, uma ferramenta simples e amplamente utilizada é o Índice de Massa Corporal (IMC).

Embora não seja uma medida perfeita, o IMC nos oferece uma visão geral do peso de um indivíduo em relação à sua altura, permitindo classificar diferentes graus de obesidade e, consequentemente, direcionar nossos cuidados de forma mais eficaz. Vamos explorar juntos essa classificação e suas implicações para a nossa prática.

O Que é o IMC e Como Ele nos Ajuda a Entender o Peso Corporal?

O Índice de Massa Corporal (IMC) é calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas (kg) pelo quadrado de sua altura em metros (m²). A fórmula é simples:

IMC = Peso (kg) / Altura (m)²

O resultado desse cálculo nos fornece um número que pode ser interpretado de acordo com categorias predefinidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas categorias nos ajudam a classificar se o peso de um adulto está dentro da faixa considerada normal, acima do peso ou em diferentes graus de obesidade.

É importante ressaltar que o IMC é uma ferramenta de rastreamento e avaliação populacional, e sua interpretação individual deve ser feita com cautela, considerando outros fatores como composição corporal (massa muscular, massa gorda), idade e etnia.

A Escala do IMC: Do Peso Normal à Obesidade Mórbida (em Graus)

A classificação do IMC estabelecida pela OMS é a seguinte:

Peso Normal: Um Equilíbrio Saudável

Um IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m² é geralmente considerado dentro da faixa de peso normal para adultos. Nessa faixa, o peso corporal é proporcional à altura, associando-se a um menor risco de desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: Nos pacientes com IMC dentro da faixa normal, nosso foco é a promoção e a manutenção de hábitos de vida saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o sono adequado e a prevenção de fatores de risco para outras condições de saúde.

Sobrepeso: O Sinal de Alerta

Um IMC entre 25,0 e 29,9 kg/m² indica sobrepeso. Nessa faixa, o peso corporal está acima do considerado saudável para a altura, aumentando o risco de desenvolvimento de DCNT. Muitas vezes, o sobrepeso é o primeiro estágio antes da obesidade e representa um momento crucial para intervenções que visem a mudança de estilo de vida.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: Nesses pacientes, a nossa atuação envolve a identificação dos fatores de risco individuais, a educação sobre os benefícios da perda de peso (mesmo que modesta), o aconselhamento sobre alimentação saudável e atividade física, e o apoio na implementação de mudanças comportamentais. O monitoramento regular do peso e de outros indicadores de saúde é fundamental.

Obesidade Grau I: O Primeiro Nível da Complexidade

Um IMC entre 30,0 e 34,9 kg/m² caracteriza a obesidade grau I. Nesse estágio, o excesso de peso já representa um risco significativo para a saúde, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de diversas comorbidades.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado nesses pacientes requer uma abordagem mais intensiva, incluindo a avaliação das comorbidades existentes, o desenvolvimento de um plano de cuidados individualizado com metas realistas de perda de peso, o suporte na adesão a dietas específicas e programas de exercícios, e o acompanhamento regular para monitorar o progresso e identificar possíveis dificuldades. A educação sobre o manejo das comorbidades e a prevenção de complicações é essencial.

Obesidade Grau II: Um Risco Elevado à Saúde

Um IMC entre 35,0 e 39,9 kg/m² define a obesidade grau II. Nesse estágio, o risco de desenvolver ou agravar problemas de saúde é ainda maior, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado nesses pacientes muitas vezes envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e, em alguns casos, endocrinologistas e cirurgiões bariátricos. Nosso papel inclui a coordenação do cuidado, o suporte emocional, a educação detalhada sobre as opções de tratamento (incluindo as cirúrgicas), o preparo pré e pós-operatório (em casos de cirurgia bariátrica) e o acompanhamento a longo prazo para garantir a manutenção da perda de peso e a adesão a um estilo de vida saudável.

Obesidade Grau III ou Obesidade Mórbida: O Limite da Severidade

Um IMC igual ou superior a 40,0 kg/m² caracteriza a obesidade grau III, também conhecida como obesidade mórbida ou obesidade severa. Nesse estágio, o excesso de peso representa um risco muito elevado para a saúde, com alta probabilidade de desenvolvimento de múltiplas comorbidades graves e impacto significativo na funcionalidade e na expectativa de vida.

Implicações para o Cuidado de Enfermagem: O cuidado desses pacientes é complexo e demanda uma abordagem integral e individualizada. Frequentemente, envolve o acompanhamento em unidades de terapia intensiva ou semi-intensiva no período pós-operatório de cirurgias bariátricas, o manejo de múltiplas comorbidades, o suporte para a mobilidade e a higiene, a prevenção de complicações como úlceras de pressão e trombose venosa profunda, o suporte emocional intensivo e a coordenação com uma equipe multidisciplinar experiente. A educação do paciente e da família sobre as mudanças radicais no estilo de vida e o acompanhamento a longo prazo são cruciais para o sucesso do tratamento.

O Cuidado de Enfermagem em Todas as Faixas do IMC: Uma Abordagem Holística

Independentemente da classificação do IMC, o cuidado de enfermagem na obesidade deve ser holístico e centrado no paciente. Nossa atuação vai além da simples medição do peso e do cálculo do IMC. Envolve:

  • Avaliação abrangente: Investigar os hábitos alimentares, o nível de atividade física, o histórico de tentativas de perda de peso, os fatores psicossociais, as comorbidades existentes e o impacto da obesidade na qualidade de vida do paciente.
  • Estabelecimento de vínculo terapêutico: Construir uma relação de confiança e empatia com o paciente, oferecendo apoio e motivação para as mudanças de estilo de vida.
  • Educação em saúde: Fornecer informações claras e acessíveis sobre os riscos da obesidade, os benefícios da perda de peso, as opções de tratamento disponíveis e as estratégias para uma alimentação saudável e a prática de atividade física.
  • Apoio na mudança de comportamento: Auxiliar o paciente a identificar metas realistas e a desenvolver um plano de ação para alcançar essas metas, oferecendo suporte para superar os obstáculos e manter a motivação.
  • Coordenação do cuidado: Trabalhar em colaboração com outros profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas) para garantir uma abordagem multidisciplinar e integrada.
  • Monitoramento e avaliação: Acompanhar regularmente o progresso do paciente, monitorar o peso, o IMC e outros indicadores de saúde, e ajustar o plano de cuidados conforme a necessidade.
  • Prevenção de complicações: Implementar medidas para prevenir as complicações associadas à obesidade e aos tratamentos utilizados.
  • Defesa dos direitos do paciente: Atuar como defensor do paciente, garantindo o acesso a informações e a tratamentos adequados e combatendo o estigma e o preconceito relacionados à obesidade.

A obesidade é um desafio de saúde pública complexo, e o enfermeiro desempenha um papel fundamental na prevenção, no tratamento e no cuidado das pessoas afetadas. Compreender a classificação do IMC é um ponto de partida importante para direcionarmos nossos cuidados de forma individualizada e eficaz, sempre lembrando que o foco deve estar no bem-estar integral do paciente.

Referências:

  1. World Health Organization. (2000). Obesity: preventing and managing the global epidemic: report of a WHO consultation. 1 World Health Organization. https://www.who.int/nutrition/publications/obesity/WHO_TRS_894/en/  
  2. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. (2017). What Are the Health Risks of Overweight and Obesity? https://www.niddk.nih.gov/health-information/weight-management/health-risks-overweight-obesity
  3. Bray, G. A., Kim, K. K., & Wilding, J. P. H. (2016). The global burden of obesity. In Feingold, K. R., Anawalt, B., Boyce, A., Chrousos, G., Corpas, E., Goldfine, A. B., … & Hershman, J. M. (Eds.), Endotext [Internet]. MDText.com, Inc. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279039/

Assuntos que caem em processo seletivo de enfermagem

Se você está na graduação ou recém-formado, já deve ter percebido que a jornada rumo àquela vaga tão sonhada, seja no serviço público ou em instituições privadas de renome, passa por um desafio comum: o processo seletivo ou concurso público. A ansiedade bate, as dúvidas surgem: “Por onde começar a estudar?”, “O que é mais importante?”.

Sabemos que a quantidade de conteúdo da graduação é imensa, e tentar revisar tudo pode ser desesperador. Mas calma! A boa notícia é que, apesar da variedade de editais, existe um núcleo de conhecimentos que aparece com muita frequência nessas provas.

A ideia deste post é justamente te dar um norte, detalhando as áreas que mais costumam ser cobradas, para que você possa direcionar seus estudos de forma mais estratégica e eficiente. Vamos mergulhar nesses temas?

A Espinha Dorsal: Legislação do SUS

Pode apostar: entender o Sistema Único de Saúde (SUS) não é apenas uma necessidade para a prática profissional, é fundamental para passar em qualquer processo seletivo de enfermagem no Brasil. Não tem como fugir! Os examinadores querem saber se você compreende a estrutura, os princípios e as políticas que regem a saúde pública no país.

O que focar aqui?

  • Leis Orgânicas da Saúde: A Lei nº 8.080/90 (dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes) e a Lei nº 8.142/90 (dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde) são leitura obrigatória. Entenda os princípios doutrinários (Universalidade, Equidade, Integralidade) e organizacionais (Regionalização, Hierarquização, Descentralização, Participação Social).
  • Políticas Nacionais: Dê atenção especial à Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que estrutura a porta de entrada do SUS, e à Política Nacional de Humanização (PNH), que busca qualificar as práticas de saúde. Outras políticas, como a de Saúde Mental, Saúde da Mulher, Saúde do Homem, Saúde do Idoso, também costumam aparecer, dependendo do foco do edital.
  • Redes de Atenção à Saúde (RAS): Compreender como os serviços de saúde se articulam em redes (como a Rede Cegonha, Rede de Atenção Psicossocial – RAPS, Rede de Urgência e Emergência – RUE) é crucial.

Não se trata apenas de decorar artigos, mas de compreender a filosofia por trás do SUS e como ele se aplica no dia a dia dos serviços.

Fundamentos de Enfermagem e Ética Profissional: A Base de Tudo

Pode parecer básico, mas os fundamentos da enfermagem são constantemente revisitados nas provas. Aqui, entram os conceitos que alicerçam toda a prática profissional, além das responsabilidades éticas e legais.

Pontos importantes:

  • História da Enfermagem: Conhecer um pouco sobre as pioneiras (Florence Nightingale, Anna Nery) e a evolução da profissão no Brasil e no mundo pode ser cobrado.
  • Teorias de Enfermagem: Entender as principais teorias (Wanda Horta, Dorothea Orem, Callista Roy, etc.) e como elas embasam o cuidado.
  • Processo de Enfermagem (SAE): A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e suas etapas (Coleta de Dados, Diagnóstico, Planejamento, Implementação e Avaliação) são temas quentes. É preciso entender a lógica e a aplicação.
  • Necessidades Humanas Básicas: A teoria de Maslow ou Wanda Horta sobre as necessidades humanas fundamentais.
  • Administração de Medicamentos: Vias de administração, cálculos de medicação (gotejamento, dosagem), diluição, interações medicamentosas e, principalmente, os “certos” da administração segura.
  • Sinais Vitais: Técnica de aferição, valores de referência para diferentes faixas etárias e interpretação das alterações.
  • Biossegurança: Precauções padrão e baseadas na transmissão, descarte de resíduos de serviços de saúde (RSS), limpeza e desinfecção de materiais.
  • Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (CEPE): É imprescindível conhecer os direitos, deveres e proibições. Entender as infrações e penalidades previstas na Resolução COFEN nº 564/2017 (ou a mais atual vigente).
  • Lei do Exercício Profissional (Lei nº 7.498/86 e Decreto nº 94.406/87): Saber as competências de cada membro da equipe de enfermagem (Enfermeiro, Técnico e Auxiliar).

Essa base sólida é o que permite ao profissional atuar com segurança e responsabilidade.

Saúde Coletiva e Epidemiologia: Olhar Ampliado sobre a Saúde

A enfermagem não cuida apenas do indivíduo, mas também da comunidade. Por isso, conhecimentos em saúde coletiva e epidemiologia são tão valorizados.

O que estudar:

  • Conceitos Epidemiológicos: Incidência, prevalência, morbidade, mortalidade, letalidade, endemia, epidemia, pandemia, surto. Entender como esses indicadores são usados para monitorar a saúde da população.
  • Vigilância em Saúde: Compreender os componentes da vigilância (epidemiológica, sanitária, ambiental, saúde do trabalhador) e o fluxo de notificação de doenças e agravos.
  • Doenças Transmissíveis: Foco nas doenças de maior relevância epidemiológica no Brasil (Tuberculose, Hanseníase, HIV/AIDS, Hepatites Virais, Dengue, Zika, Chikungunya, Sífilis, Doenças Sexualmente Transmissíveis em geral). É importante conhecer formas de transmissão, prevenção, diagnóstico e tratamento (linhas gerais do manejo clínico e de saúde pública).
  • Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT): Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) são as campeãs, mas outras como câncer e doenças respiratórias crônicas também podem aparecer. Foco nos fatores de risco, prevenção e rastreamento.
  • Programa Nacional de Imunizações (PNI): O calendário nacional de vacinação para todas as faixas etárias (criança, adolescente, adulto, gestante, idoso) é um tópico frequente. Conhecer os tipos de vacina, indicações, contraindicações, eventos adversos e conservação (rede de frio).

Aqui, o foco é entender os problemas de saúde em nível populacional e as estratégias para enfrentá-los.

Áreas Clínicas Essenciais: O Coração da Assistência

Embora o edital possa direcionar para uma área específica (como UTI, Centro Cirúrgico, etc.), alguns conhecimentos clínicos gerais são quase sempre cobrados, pois formam a base da assistência em diversos cenários.

  • Enfermagem Médico-Cirúrgica: Aborda o cuidado a pacientes adultos com afecções clínicas e cirúrgicas. Os sistemas mais comuns são:
    • Cardiovascular: Insuficiência Cardíaca, Infarto Agudo do Miocárdio, Hipertensão Arterial.
    • Respiratório: Pneumonia, DPOC, Asma.
    • Gastrointestinal: Úlceras, Doença Inflamatória Intestinal, Obstrução Intestinal.
    • Renal: Insuficiência Renal Aguda e Crônica, Litíase Renal.
    • Endócrino: Diabetes Mellitus e suas complicações, distúrbios da tireoide.
    • Neurológico: Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Cranioencefálico (TCE).
    • Cuidados pré, intra e pós-operatórios gerais.
    • Manejo de feridas e coberturas.
  • Saúde da Mulher: Assistência pré-natal (consultas, exames, orientações), parto e nascimento (tipos de parto, períodos clínicos, assistência), puerpério (cuidados com a mãe e o recém-nascido), prevenção de câncer de colo de útero e mama, planejamento familiar.
  • Saúde da Criança e do Adolescente: Crescimento e desenvolvimento infantil, aleitamento materno, calendário vacinal (reforçando o PNI), principais doenças da infância (diarreia, doenças respiratórias), estatuto da criança e do adolescente (ECA) no que tange à saúde.
  • Urgência e Emergência: Conceitos de suporte básico (BLS) e avançado (ACLS) de vida (foco nos princípios e sequências), atendimento inicial ao politraumatizado (ABCDE), classificação de risco em pronto-socorro (Protocolo de Manchester, por exemplo), principais emergências clínicas (IAM, AVC, Crise Hipertensiva, Crise Convulsiva, Choques).
  • Saúde Mental: Reforma psiquiátrica e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), principais transtornos mentais (depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar), abordagens terapêuticas e comunicação terapêutica, psicofármacos (principais classes e efeitos).

Lembre-se: o foco aqui é o conhecimento sobre as condições, os princípios do cuidado e o papel da enfermagem, não necessariamente a execução detalhada de cada procedimento (embora princípios de técnicas seguras possam ser cobrados).

Administração e Gerenciamento em Enfermagem

O enfermeiro também é um gestor do cuidado e da equipe. Conhecimentos sobre administração são essenciais, especialmente para cargos que envolvem liderança.

Tópicos relevantes:

  • Liderança e Supervisão: Estilos de liderança, comunicação eficaz, trabalho em equipe, gerenciamento de conflitos.
  • Dimensionamento de Pessoal: Cálculos e fatores considerados para adequar a equipe às necessidades assistenciais (Resolução COFEN sobre o tema).
  • Gerenciamento de Recursos Materiais: Previsão, provisão, organização, controle de estoque, materiais permanentes e de consumo.
  • Qualidade e Segurança do Paciente: Conceitos de qualidade, avaliação de serviços, indicadores de saúde, as Metas Internacionais de Segurança do Paciente.
  • Auditoria em Enfermagem: Tipos de auditoria, finalidades, instrumentos.

Não se Esqueça: Português e Raciocínio Lógico

Muitos concursos, principalmente os de órgãos públicos maiores, incluem questões de Língua Portuguesa (interpretação de texto, gramática, concordância, regência) e, por vezes, Raciocínio Lógico-Matemático. Não subestime essas disciplinas, pois elas podem fazer a diferença na sua classificação final!

Como Estudar de Forma Eficaz?

  • Organize-se: Crie um cronograma de estudos realista, distribuindo os conteúdos ao longo do tempo.
  • Priorize: Foque nos temas de maior incidência listados aqui e nos conteúdos específicos do edital da sua prova alvo.
  • Varie os Métodos: Use livros, artigos, videoaulas, resumos e mapas mentais.
  • Pratique Muito: Resolva o máximo de questões de provas anteriores que conseguir. Isso te familiariza com o estilo da banca e fixa o conteúdo.
  • Entenda, Não Decore: Busque compreender a lógica por trás dos conceitos, especialmente em SUS e epidemiologia.
  • Mantenha-se Atualizado: Acompanhe novas resoluções do COFEN/CORENs, portarias do Ministério da Saúde e atualizações de protocolos.

A preparação para um processo seletivo é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Exige disciplina, constância e estratégia. Conhecer os temas mais cobrados é o primeiro passo para otimizar seu tempo e aumentar suas chances de sucesso. Acredite no seu potencial e bons estudos!

Faça nossas simulações e pratique hoje mesmo!

Referências:

  1. BRASIL. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1986]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7498.htm.
  2. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1990]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm
  3. BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1990]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Série E. Legislação em Saúde). [Nota: Verificar a portaria mais recente da PNAB, como a Portaria de Consolidação nº 2/2017, Anexo XXII, ou suas atualizações]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0002_17_10_2017.html (link para Portaria de Consolidação que inclui a PNAB).
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. (Série B. Textos Básicos de Saúde). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf.
  6. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN nº 564/2017. Aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília, DF: COFEN, [2017]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-5642017_59145.html.
  7. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  8. ROUQUAYROL, M. Z.; GURGEL, M. Epidemiologia & Saúde. 8. ed. Rio de Janeiro: MedBook, 2018. 

Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que provoca manchas vermelhas e ressecadas, podendo causar coceira, ligeira queimação ou dor.

Causa

Embora seja relativamente comum, ainda não se conhece a causa exata dessa condição. A predisposição genética é um fator importante na psoríase. Estresse, infecções, tabagismo, álcool e obesidade também podem desencadear ou agravar os sintomas.

No entanto, é comum que as manchas de psoríase apareçam durante situações que afetam diretamente a imunidade, como períodos de grande estresse ou presença de doenças autoimunes.

Tipos e Sintomas:

  • Psoríase Vulgar (ou Psoríase em Placas): É a forma mais comum da doença. Caracteriza-se pela presença de placas vermelhas com escamas brancas ou prateadas. Essas placas podem variar em tamanho, desde poucos milímetros até vários centímetros. Normalmente, surgem nos braços, pernas, couro cabeludo e região lombar. Também podem afetar as unhas.
  • Psoríase Gutata (ou Psoríase em Gotas): Mais comum em crianças, adolescentes e jovens adultos. Manifesta-se por manchas em forma de gota na pele, geralmente após uma infecção por streptococcus das vias respiratórias.
  • Psoríase Pustulosa: Caracteriza-se pelo surgimento de pequenas bolhas com pus, junto com as manchas de psoríase. Essas bolhas podem aparecer em uma região específica da pele ou se espalhar pelo corpo. Quando generalizada, pode causar febre.
  • Psoríase Invertida: Nesse tipo, as manchas surgem apenas em locais úmidos, como axilas, virilhas, região inframamária e couro cabeludo. Por estarem em áreas úmidas, essas manchas não costumam descamar.
  • Psoríase Ungueal (ou Psoríase nas Unhas): Afeta principalmente as unhas, provocando ondulações, manchas e enfraquecimento. Às vezes, a psoríase ungueal aparece antes dos sintomas na pele.

Tratamento

O tratamento visa controlar os sintomas e prevenir recorrências. Opções incluem cremes, fototerapia, medicamentos orais e, em casos graves, medicamentos injetáveis.

Cuidados de Enfermagem

Educação e Orientação:

  • Compreensão da Doença: Explique aos pacientes e seus familiares sobre a natureza crônica da psoríase, seus fatores desencadeantes e tratamentos disponíveis.
  • Envolvimento Emocional: Reconheça o impacto emocional da doença e ofereça apoio.

Cuidados com a Pele

  • Hidratação: Incentive o uso de emolientes prescritos pelo médico para evitar ressecamento e fissuras na pele.
  • Evite Traumatismos: Oriente os pacientes a não puxar as escamas da pele durante o banho, pois isso pode resultar em lesões (Fenômeno de Koebner).
  • Unhas: Instrua sobre a importância de aparar regularmente as unhas para evitar complicações nas unhas.

Banho de Sol

  • Horários Benéficos: Sugira banhos de sol entre 7h e 10h e após as 16h para promover a remissão da psoríase.

Medicamentos e Substâncias

  • Orientação: Alerta os pacientes a não usar substâncias sistêmicas ou tópicas (como ervas) sem orientação médica.
  • Evite Alguns Medicamentos: Informe sobre medicamentos que podem agravar a psoríase, como anti-inflamatórios não esteroidais, antimaláricos, beta-bloqueadores e lítio.

Relação de Confiança

  • Apoio Emocional: Como a psoríase é uma doença crônica, os pacientes enfrentam desgaste emocional. Estabeleça uma relação de confiança para lidar com esse momento.

Referências:

  1. SBD
  2.  Psoríase Brasil

Prescrição Médica: Como interpretar?

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das responsabilidades mais cruciais que você irá adquirir é a administração de medicamentos.

Essa tarefa, aparentemente simples, envolve uma série de conhecimentos e cuidados para garantir a segurança e a eficácia do tratamento prescrito. Afinal, um medicamento administrado de forma incorreta pode ter consequências sérias para a saúde do paciente.

Vamos juntos desmistificar esse processo e entender os passos essenciais para uma administração segura e responsável.

A Prescrição Médica: O Ponto de Partida

Tudo começa com a prescrição médica, um documento legal que detalha qual medicamento deve ser administrado, a dose, a via de administração, o horário e a frequência. É fundamental entender que nunca devemos administrar um medicamento sem uma prescrição válida e completa.

Essa prescrição é a garantia de que o tratamento foi avaliado e indicado por um profissional de saúde qualificado.

O que observar em uma prescrição:

  • Nome completo do paciente: Certifique-se de que o nome do paciente na prescrição corresponde ao nome do paciente para quem o medicamento será administrado. Parece óbvio, mas a dupla checagem é essencial para evitar erros.
  • Nome do medicamento (genérico e/ou comercial): Verifique o nome do medicamento com atenção. Em caso de dúvidas sobre abreviações ou caligrafia ilegível, não hesite em perguntar ao médico prescritor ou ao farmacêutico.
  • Dose: A dose prescrita deve ser clara e inequívoca (por exemplo, 500mg, 10mL). Preste atenção à unidade de medida (miligramas, gramas, mililitros, unidades internacionais).
  • Via de administração: A via pela qual o medicamento deve ser administrado (oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, etc.) influencia diretamente a velocidade e a forma como o medicamento será absorvido pelo organismo.
  • Frequência e horário: A prescrição indicará com que frequência o medicamento deve ser administrado (por exemplo, a cada 8 horas, uma vez ao dia) e, muitas vezes, o horário específico. Respeitar esses intervalos é crucial para manter a concentração terapêutica do medicamento no organismo.
  • Duração do tratamento: Algumas prescrições indicam por quanto tempo o medicamento deve ser administrado.
  • Assinatura e carimbo do médico: A prescrição deve conter a assinatura e o carimbo do médico prescritor, atestando sua validade.
  • Checar (fazer um medicamento): É o processo de verificar a prescrição, selecionar o medicamento correto, calcular a dose (se necessário), preparar a medicação para a administração e realizar a dupla checagem dos “nove certos” antes de administrar ao paciente. Em resumo, todas as etapas necessárias para garantir que o medicamento correto seja administrado da forma correta.
  • Bolar (não fazer um medicamento): Significa não administrar um medicamento. Todo medicamento bolado deve ser justificado no relatório de enfermagem. E isso pode ocorrer por diversos motivos, como:

    • Ausência de prescrição: Não há uma ordem médica válida para aquele medicamento.
    • Prescrição incompleta ou ilegível: Falta alguma informação essencial na prescrição.
    • Dúvidas sobre a prescrição: Há alguma incerteza quanto ao medicamento, dose, via ou horário.
    • Contraindicação ou alergia: O paciente possui alguma condição ou histórico que impede o uso daquele medicamento.
    • Paciente recusa o medicamento: O paciente tem o direito de recusar o tratamento, após ser devidamente orientado.
    • Medicamento indisponível: O medicamento prescrito não está disponível no momento.
    • Erro na prescrição identificado: Durante a checagem, identifica-se um possível erro na prescrição que precisa ser esclarecido com o médico.

Os Nove Certos da Administração de Medicamentos

Para garantir a segurança na administração de medicamentos, existe um conjunto de nove “certos” que devem ser verificados a cada administração. Essa prática ajuda a minimizar erros e proteger o paciente.

  1. Paciente certo: Confirme a identidade do paciente antes de administrar o medicamento. Utilize pelo menos dois identificadores (nome completo e data de nascimento, por exemplo) e compare com a pulseira de identificação e a prescrição.
  2. Medicamento certo: Compare o nome do medicamento na embalagem com o nome na prescrição, verificando se são o mesmo.
  3. Dose certa: Calcule e confira a dose a ser administrada com a dose prescrita. Em caso de dúvidas no cálculo, peça ajuda a outro profissional.
  4. Via certa: Certifique-se de que a via de administração do medicamento corresponde à via prescrita.
  5. Horário certo: Administre o medicamento no horário prescrito. Respeitar os intervalos garante a eficácia do tratamento.
  6. Orientação certa: Informe o paciente sobre o medicamento que está sendo administrado, seu propósito e possíveis efeitos colaterais. Incentive o paciente a fazer perguntas.
  7. Forma certa: Verifique se a forma farmacêutica do medicamento (comprimido, solução, injetável) corresponde à prescrição.
  8. Resposta certa: Monitore a resposta do paciente ao medicamento administrado, observando sinais de eficácia e possíveis reações adversas. Documente suas observações.
  9. Documentação certa: Registre imediatamente após a administração no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via, o horário, a data, seu nome completo e assinatura/carimbo. Registre também quaisquer intercorrências ou observações relevantes.

Cuidados de Enfermagem Essenciais

Além dos nove certos, alguns cuidados de enfermagem são fundamentais durante o processo de administração de medicamentos:

  • Higiene das mãos: Lave as mãos cuidadosamente antes e após a preparação e administração de qualquer medicamento para prevenir infecções.
  • Preparo do medicamento: Prepare o medicamento em um local limpo e bem iluminado, seguindo as técnicas adequadas para cada via de administração.
  • Observação de alergias: Verifique sempre se o paciente possui alguma alergia conhecida antes de administrar qualquer medicamento. Consulte o prontuário e pergunte ao paciente.
  • Interações medicamentosas: Esteja atento a possíveis interações entre os medicamentos que o paciente está utilizando. Em caso de dúvidas, consulte o farmacêutico.
  • Educação do paciente e família: Explique ao paciente e seus familiares sobre o medicamento, a importância de seguir a prescrição e os possíveis efeitos colaterais.
  • Registro preciso: A documentação completa e precisa é essencial para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.
  • Comunicação: Comunique qualquer dúvida, erro ou reação adversa à equipe de enfermagem e ao médico responsável.

Administrar medicamentos é uma arte e uma ciência que exige atenção, conhecimento e responsabilidade. Ao seguir os princípios dos nove certos e os cuidados de enfermagem essenciais, você estará contribuindo para um tratamento seguro e eficaz para seus pacientes.

Lembre-se sempre: em caso de dúvidas, pergunte! A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 568/2017: Aprova o Regulamento da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nos ambientes públicos e privados em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem. Brasília, DF, 2017. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin; STOCKERT, Patricia. Enfermagem básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. Telemedicina Morsch
  4. Anvisa