Orquiectomia

A orquiectomia consiste numa cirurgia em que é removido um ou os dois testículos.

Geralmente, esta cirurgia é realizada de forma a tratar ou a prevenir a propagação do câncer de próstata ou para tratar ou prevenir o câncer testicular e câncer de mama no homem, já que são os testículos que produzem maior parte da testosterona, que é um hormônio que faz com que estes tipos de câncer cresçam mais rapidamente.

Além disso, este procedimento também pode ser usado para pessoas que pretendem mudar do sexo masculino para o sexo feminino, de forma a reduzir a quantidade de testosterona no corpo.

Tipos de orquiectomia

Existem vários tipos de orquiectomia, dependendo do objetivo do procedimento:

1. Orquiectomia simples

Neste tipo de cirurgia é removido um ou os dois testículos a partir de um pequeno corte no escroto, o que pode ser feito para tratar câncer da mama ou da próstata, de forma a reduzir a quantidade de testosterona que o organismo produz.

2. Orquiectomia radical inguinal

A orquiectomia radical inguinal é realizada fazendo um corte na região abdominal e não no escroto. Geralmente, a orquiectomia é realizada desta forma, quando é encontrado um nódulo num testículo, por exemplo, de forma a poder testar este tecido e perceber se tem câncer, já que uma biopsia regular pode fazer com que este se espalhe pelo corpo.

Este procedimento também é normalmente usado para pessoas que desejam mudar de sexo.

3. Orquiectomia subcapsular

Neste procedimento, o tecido que está no interior dos testículos, ou seja, a região que produz espermatozoides e testosterona, é removido, preservando a cápsula testicular, o epidídimo e o cordão espermático.

4. Orquiectomia bilateral

A orquiectomia bilateral é uma cirurgia em que ambos os testículos são removidos, o que pode acontecer em caso de câncer da próstata, câncer da mama ou em pessoas que pretendem mudar de sexo.

Como é a recuperação pós-operatório

Geralmente, a pessoa tem alta logo a seguir à cirurgia, no entanto, é necessário que volte ao hospital no dia seguinte para confirmar se está tudo bem. A recuperação pode demorar entre 2 semanas a 2 meses.

Na semana seguinte à cirurgia, o médico pode recomendar a aplicação de gelo no local, para aliviar o inchaço, lavar a região com um sabão suave, manter a região seca e coberta com gaze, usar apenas os cremes e as pomadas que forem recomendados pelo médico e tomar analgésicos e anti-inflamatórios que reduzem a dor e a inflamação.

Deve-se ainda evitar fazer grandes esforços, levantar pesos ou ter relações sexuais enquanto a incisão não estiver sarada. Caso a pessoa tenha dificuldade em evacuar, pode experimentar tomar um laxante leve, para evitar fazer muito esforço.

O médico pode ainda recomendar o uso de um suporte para o escroto, que deve ser usado por cerca de 2 dias.

Quais as consequências da orquiectomia

Depois da remoção dos testículos, devido à redução de testosterona, é provável que ocorram efeitos colaterais como osteoporose, infertilidade, ondas de calor, depressão e disfunção erétil.

Referência:

  1. Silva, Benedito Martins e, Silva Neto, José Ademir Bezerra da e Lima, Roberta Lins deAnálise de complicações em pacientes portadores de câncer de próstata metastático submetidos à orquiectomia bilateral. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2010, v. 37, n. 4 [Acessado 1 Outubro 2022] , pp. 269-273. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006&gt;. Epub 29 Out 2010. ISSN 1809-4546. https://doi.org/10.1590/S0100-69912010000400006.

Síndrome de Sjögren

A Síndrome de Sjögren (SS) é uma doença auto-imune que se caracteriza principalmente pela manifestação de secura ocular e na boca associadas à presença de auto anticorpos ou sinais de inflamação glandular.

Algumas células brancas (chamadas de linfócitos) invadem vários órgãos e glândulas, principalmente as glândulas lacrimais e salivares, produzindo um processo inflamatório que acaba por prejudicá-los, impedindo suas funções normais.

Causas

Se uma pessoa apresenta olho seco ou boca seca, ela deverá ser avaliada para as possíveis causas desses sintomas.

Medicamentos (inclusive os usados para o tratamento da pressão alta, depressão, resfriados e alergias), infecções e outros problemas oculares também podem causar esses mesmos sintomas.

Será necessária a avaliação de um médico Oftalmologista para determinar se realmente há falta de lágrima e sinais de inflamação na córnea em decorrência desta secura. Se essas alterações se confirmarem, o paciente deve ser encaminhado a um Reumatologista para avaliação do diagnóstico da Síndrome de Sjogren (SS).

A secura dos olhos e da boca pode ocorrer por inúmeros motivos, dentre eles:

  • Síndrome Sicca –  é quando acontece uma diminuição da produção de lágrimas e saliva, e pode ocorrer com a idade.
  • Sarcoidose – doença que também pode lesionar as glândulas que produzem saliva e lágrimas
  • Medicamentos como anti-histamínicos ou anti-depressivos
  • Inflamação das glândulas nas pálpebras que produzem óleo (blefarite), causando uma evaporação em excesso das lágrimas

Como existem inúmeras causas e complicações do olho e boca secos, você precisará, além do reumatologista, de um oftalmologista e um dentista.

Sinais e Sintomas

Os pacientes com “SS” também podem apresentar secura na pele, nariz e vagina. Podem apresentar fadiga, artralgias e artrites.

Além disso, outros órgãos do corpo, como os rins, pulmões, vasos, fígado, pâncreas e cérebro também podem ser afetados. Esta doença é mais comum em mulheres de meia idade, mas também pode ocorrer em homens e em qualquer idade.

Olhos:

  • Dor
  • Irritabilidade
  • Sensação de areia
  • Incômodo com a luz.

Boca e Garganta:

  • Boca seca
  • Saliva espessa e pegajosa
  • Dificuldade para engolir
  • Alteração na percepção do gosto dos alimentos
  • Rouquidão
  • Tosse seca

Fadiga:
Um dos sintomas mais comuns é o cansaço extremo, que não melhora nem com uma boa noite de sono. Algumas pessoas podem também se sentir tristes ou deprimidas.

Dor:

  • Dor nas articulações
  • Inchaço nas articulações
  • Dor ao toque em vários pontos do corpo

Outros Sintomas:
Outras partes do corpo podem ficar mais secas do que o normal, como por exemplo:

  • Sistema digestivo, causando dificuldade para engolir
  • Intestino, com sintomas parecidos aos da síndrome do intestino irritável
  • Pele, que pode ficar sensível ao sol ou apresentar coceira
  • Vagina, causando desconforto na relação sexual
  • Vias aéreas, fazendo com que a pessoa fique mais suscetível a irritantes como fumaça e poeira

Existem muitos outros sintomas também, como:

  • Febre
  • Alteração na cor das mãos (Fenômeno de Raynaud)
  • Dor de cabeça/ enxaqueca
  • Aumento dos gânglios (linfonodos) do pescoço, axilas ou virilha
  • Problemas no sistema nervoso, como fraqueza e formigamentos
  • Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)
  • Manchas cor de vinho nas pernas (púrpura)
  • Dor no peito ou falta de ar
  • Problemas no fígado ou nos rins
  • Fibrose dos pulmões, levando à falta de ar e tosse seca

Diagnóstico

Para a confirmação do diagnóstico, além de todos os sintomas já mencionados o paciente deverá apresentar alterações laboratoriais (exames de sangue), radiológicos e/ou anátomo-patológicos (biópsia das glândulas salivares menores feita no lábio) e/ou de medicina nuclear (cintilografia das glândulas parótidas).

Síndrome de Sjögren Primária

A Síndrome de Sjögren Primária ocorre quando a Síndrome de Sjögren (SS) ocorre de forma isolada, sem a presença de outra doença auto-imune.

Síndrome de Sjögren Secundária

A Síndrome de Sjögren Secundária ocorre quando os sintomas da “SS” são acompanhados de uma outra doença auto-imune como a Artrite Reumatóide, o Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Esclerodermia.

Tratamento

Ainda não existe uma cura definitiva para esta doença, mas o diagnóstico e intervenções precoces podem melhorar em muito o prognóstico. O tipo do tratamento vai depender dos sintomas (que podem ser bastante variados) e da sua gravidade.

No caso do paciente somente apresentar secura nos olhos e boca, eventualmente, poderão ser utilizados como tratamento somente lágrimas artificiais e substitutos de saliva. Remédios anti-inflamatórios, corticoides e/ou imunossupressores poderão ser utilizados quando houver manifestação mais graves, objetivando melhora da inflamação e evitando sequelas.

Olho Seco:

  • Colírios lubrificantes podem ser usados várias vezes ao dia, conforme a orientação do oftalmologista.
  • Se precisar usar os colírios mais de 6x ao dia, é melhor utilizar fórmulas sem conservantes, pois eles podem aumentar a secura e a sensibilidade.

Boca Seca:

  • Saliva artificial
  • Se você ainda é capaz de produzir um pouco de saliva, pode ser que o reumatologista indique comprimidos de pilocarpina, que age estimulando as glândulas. Algumas pessoas podem ter efeitos colaterais como suor, vermelhidão, diarreia e aumento da necessidade de urinar. Esses efeitos costumam melhorar com o tempo, e para evita-los é melhor começar com uma dose menor e aumentar gradativamente.

Dor ou Inchaço nas Articulações:

  • Seu médico poderá indicar analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides ou hidroxicloroquina, dependendo do caso

Fadiga:

  • Talvez seja necessário investigar outros problemas como doença da tireoide e doença celíaca
  • Em alguns casos a hidroxicloroquina pode ajudar
  • Uma das coisas mais importantes para aliviar a fadiga são as mudanças nos hábitos de vida, como a prática de exercícios leves, a adaptação do ritmo das atividades  e a qualidade do sono. É importante encontrar o equilíbrio entre a quantidade de exercício e de repouso para se sentir bem.

Dor com origem nos nervos:

  • Pode ser tratada com medicamentos específicos, como gabapentina ou pregabalina

Sintomas mais graves:
Alguns pacientes com doença mais grave podem precisar de tratamento com corticoides e drogas imunossupressoras, como a azatioprina e o micofenolato.  O rituximab, um biológico direcionado para as células B do sistema imune, pode ser útil em alguns casos.

É importante ressaltar que a maioria das pessoas não precisa desse tipo de tratamento, pois os sintomas geralmente estão confinados às glândulas salivares e lacrimais.

Alguns Cuidados

Muitos sintomas podem ser aliviados com medidas simples:

  • Utilizar óculos de sol com proteção lateral, para ajudar a evitar a evaporação das lágrimas
  • Manter as pálpebras e áreas ao redor limpas para maximizar a secreção de óleo das glândulas das pálpebras
  • Evitar lentes de contato
  • Aumentar a umidade da casa pode ajudar com os sintomas de olho seco e tosse seca, e isso pode ser feito com umidificadores, plantas ou bacias com água
  • Evitar sabonetes com cheiro forte se tiver pele seca ou coceira
  • Utilizar cremes hidratantes na pele
  • Utilizar filtro solar
  • Cuidar muito bem da higiene bucal

Exercícios:
São recomendados para manter a mobilidade, principalmente se tiver sintomas nas articulações.

É necessário encontrar um equilíbrio entre a quantidade de repouso e de exercício para driblar a fadiga causada pela doença. O fisioterapeuta e o educador físico são profissionais que podem te ajudar a encontrar o melhor tipo de exercício e a aumentar o nível gradativamente.

Dieta:
Para minimizar os problemas dentários é importante reduzir os alimentos e bebidas açucarados. O álcool e as bebidas com cafeína devem ser evitados, pois pioram a secura.

Sexo e Gestação:
Um sintoma menos frequente da síndrome de Sjogren é a secura vaginal, e os lubrificantes são de grande utilidade. Converse com o seu ginecologista sobre este sintoma, e ele poderá te recomendar um tratamento adequado.

Cerca de 2% das mulheres que tem os anticorpos anti-Ro ou La positivos podem passar para o bebê durante a gravidez, e levar a problemas de pele e alteração nos exames de sangue. Com o passar dos meses esses anticorpos são eliminados do corpo do bebê.

Em alguns desses casos os anticorpos podem afetar o coração do bebê, fazendo com que ele bata mais lentamente. Mas lembre-se, 98% das gestações não tem essas alterações. O importante é informar o seu obstetra caso você tenha estes anticorpos, para que ele monitore o coração do bebê durante a gestação.

Referência:

  1. Freitas, Tarsila M. C. et al. Síndrome de Sjögren: revisão de literatura e acompanhamento de um caso clínico. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia [online]. 2004, v. 70, n. 2 [Acessado 26 Setembro 2022] , pp. 283-288. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023&gt;. Epub 29 Jun 2004. ISSN 0034-7299. https://doi.org/10.1590/S0034-72992004000200023.

Grandes Queimados: Medicamentos utilizados

Os medicamentos para grandes queimados são essenciais para o tratamento e a recuperação dos pacientes.

Entre eles, destacam-se o oxigênio, a reposição hídrica, os colóides, a analgesia e os sedativos.

Os medicamentos

O oxigênio é necessário para evitar a hipóxia e a insuficiência respiratória, que podem ocorrer devido à inalação de fumaça, à perda de líquidos ou à diminuição da perfusão tecidual. Manter uso de oxigênio sob máscara/cateter/ventilação mecânica ou qualquer suporte ventilatório conforme a necessidade.

A reposição hídrica visa restaurar o volume sanguíneo e prevenir o choque hipovolêmico, que é uma das principais causas de morte nos queimados.

É recomendada para pacientes adultos com queimaduras em maiores que 20% SCQ e em crianças queimaduras maiores que 10% SCQ, com solução de cristalóide, preferencialmente, solução de Ringer lactato.

O uso de fórmulas de hidratação tem como objetivo se manter um padrão para início da ressuscitação hídrica, que deverá ser ajustada conforme necessidade, tendo-se como objetivo uma diurese de 0,3 a 0,5ml/kg/h em adultos (em outras fontes bibliográficas de 0,5 a 1 ml/kg/h) e de 1 ml/kg/h em crianças, segundo recomendação das diretrizes da ISBI 2016 e frequência cardíaca, em adultos, abaixo de 120 btpm (não cardiopata e nem betabloqueado), pois tanto a hipohidração como a hiper hidratação são maléficas para os pacientes, piorando o seu prognóstico.

As fórmulas de Parkland e de Brooke modificada são utilizadas com frequência, sendo de 2 a 4 ml/kg/%corporal queimada (a partir das queimaduras de 2º grau), para as primeiras 24 horas, sendo administrada a metade do volume nas primeiras oito horas após a queimadura e a outra metade em 16 horas restantes.

Os colóides são soluções que contêm moléculas grandes que ajudam a manter a pressão osmótica e a evitar o edema.

A partir das 24 horas de queimadura pode-se iniciar a infusão de coloide sob a forma de albumina humana, que deverá ser utilizada em todos pacientes com queimaduras maiores ou iguais a 30%SCQ.

A analgesia é fundamental para aliviar a dor intensa causada pelas queimaduras, que pode afetar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento.

Os melhores analgésicos para dor intensa geralmente são opioides IV em doses tituladas, como fentanila a 1 mcg/kg ou morfina a 0,1 mg/kg.

Os sedativos são usados para reduzir a ansiedade, o estresse e o desconforto dos pacientes, bem como para facilitar os procedimentos invasivos e as curativos.

Um exemplo de sedação utilizado em grandes queimados é a associação de opióides e benzodiazepínicos, que pode ser usada para realizar o banho e o curativo dos pacientes.

Essa combinação pode proporcionar uma boa analgesia, sedação e amnésia, além de reduzir o risco de hipotensão arterial e depressão respiratória.

Fármacos dissociativos como a ketamina podem ser utilizados para o controle da dor durante procedimentos, reduzindo a necessidade de uso de opioides.

Outras medicações analgésicas que podem ser usadas em conjunto com os opioides são o paracetamol, a dipirona, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e a gabapentina.

A assistência de enfermagem ao paciente grande queimado submetido à sedação e analgesia envolve a avaliação contínua da dor, dos sinais vitais, da oxigenação e da perfusão tecidual, além do uso de escalas de sedação e analgesia para ajustar as doses das medicações .

 

Referências:

  1. ISBI Practice Guidelines Committee, ISBI Practice Guidelines for Burn Care, Burns, Volume 42, Issue 5, Agosto 2016, Pag. 953-1021
  2. RIBEIRO, H. C. C; OLIVEIRA, A.F.; HORIBE, E., FERREIRA, L. M. Ventilação mecânica no paciente queimado- recomendações e sugestões.,Trial editorial Ltda,, SP.
    Brasil, 2019
  3. HERNDON, D. N., et al.; Total burn care, 4thed., Elservier, 2012, Galveston , TX,EUA.
  4. BOLGIANI, A.; JÚNIOR, E. M. L. E SERRA, M. C. V. F., Quemaduras – conductas clínicas y quirúrgicas, Ed. Atheneu, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte,
    2013
  5. Rotina médica da Unidade de Queimados do HRAN, publicada na página da Sociedade Brasileira de Queimaduras, 2019.
  6. Burn Center Referral Criteria, American Burn Association, available on http://ameriburn.org
  7. Burn Triage and Treatment – Thermal Injuries, from U.S. Department of Health & Human Services, available on https://chemm.nlm.nih.gov/burns.htm
  8. Andrei, M.-C., Grosu-Bularda, A., Vermesan, O., Frunza, A., Popescu, S. A., Ionita, S., … Lascar, I. (2018). Surgical Treatment in Acute Phase of Severe Burns – a Comprehensive Approach. Medicina Moderna – Modern Medicine, 25(1), 24–38. https://doi.org/10.31689/rmm.2018.25.1.24
  9. Gómez, R., & Cancio, L. C. (2007). Management of Burn Wounds in the Emergency Department. Emergency Medicine Clinics of North America. W.B.
  10. Saunders. Management of Burn Wounds in the Emergency Department 10. Cartilha de Queimaduras do Ministério da Saúde Cartilha Queimaduras do CFM, available on https://www.sbqueimaduras.org.br/material/1300

Os Exames Pré-Natal

Os exames pré-natal são importantes para acompanhar a saúde da mãe e do bebê durante a gravidez. Eles permitem identificar possíveis problemas, como infecções, anemia, diabetes gestacional, incompatibilidade sanguínea, malformações fetais, entre outros.

O Homem também participa do exame pré-natal!

O procedimento “Consulta Pré-Natal do Parceiro” foi incluído no rol do Sistema Único de Saúde, sob o número 03.01.01.023-4.

A consulta avalia o estado geral de saúde do pai/parceiro, devendo ser solicitado os exames de rotina de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, testes rápidos, atualização do cartão de vacinas (conforme calendário nacional de vacinação), orientações sobre a gravidez, parto, pós parto, amamentação e direitos do pai/parceiro.

Além de incluir a consulta pré-natal, a Portaria 1.474/2017 da Secretaria de Assistência à Saúde/MS modifica a numeração dos procedimentos de testes rápidos para detecção de sífilis e de HIV na gestante, permitindo identificar a inclusão do pai ou parceiro.

O programa de pré-natal do homem foi normatizado pelo Ministério da Saúde em 2011 para prevenir doenças e combater essa desigualdade, estimulando a paternidade ativa e cuidadora antes, durante e depois do nascimento.

Os exames pedidos ao parceiro

  • Espermograma: avalia a quantidade, a qualidade e a mobilidade dos espermatozoides. Pode ser solicitado antes da concepção, para verificar a fertilidade do homem, ou durante a gravidez, para descartar alterações que possam afetar o desenvolvimento do feto.
  • Tipagem sanguínea e fator Rh: determina o tipo de sangue e o fator Rh do homem. É importante para prevenir a incompatibilidade sanguínea entre o pai e o bebê, que pode causar anemia hemolítica no recém-nascido.
  • Sorologias: são exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra doenças infecciosas, como HIV, sífilis, hepatites B e C, toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus. Essas doenças podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, ou do pai para a mãe através do contato sexual. Por isso, é importante que o casal faça os exames e receba o tratamento adequado, se necessário.
  • Teste genético: analisa o material genético do homem para identificar possíveis alterações cromossômicas ou mutações que possam causar doenças hereditárias no bebê. Pode ser feito através de uma amostra de sangue ou de saliva. É indicado para casais que tenham histórico familiar de doenças genéticas, idade avançada ou abortos espontâneos repetidos.
  • Dosagem hormonal: mede os níveis de hormônios como testosterona, prolactina e tireoide no sangue do homem. Esses hormônios podem influenciar na fertilidade, na libido e na saúde geral do pai e do bebê. Alterações hormonais podem indicar problemas como hipogonadismo, hiperprolactinemia ou hipotireoidismo, que devem ser tratados adequadamente.
  • Glicemia de jejum: mede o nível de açúcar no sangue. Esse exame pode detectar alterações como diabetes ou pré-diabetes, que podem afetar a fertilidade masculina e aumentar o risco de malformações fetais.
  • Hemograma completo: avalia os níveis de hemoglobina, hematócrito, leucócitos e plaquetas. Detecta casos de anemia, infecções ou alterações na coagulação.

Exames pedidos à gestante

  • Tipagem sanguínea: verifica o tipo de sangue e o fator Rh da mãe e do bebê. Se a mãe for Rh negativo e o bebê Rh positivo, pode haver risco de rejeição imunológica, que pode ser prevenida com injeção de imunoglobulina.
  • Papanicolau: rastreia o câncer do colo do útero e outras doenças ginecológicas. Deve ser feito regularmente por todas as mulheres, inclusive as grávidas.
  • Hemograma completo: avalia os níveis de hemoglobina, hematócrito, leucócitos e plaquetas. Detecta casos de anemia, infecções ou alterações na coagulação.
  • Glicemia de jejum: mede o nível de açúcar no sangue e indica se há tendência ao diabetes gestacional, que pode causar complicações para a mãe e o bebê.
  • Sorologia para HIV, hepatite B e C, citomegalovírus e outras infecções: verifica se a mãe tem alguma dessas doenças que podem ser transmitidas para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação. O tratamento precoce pode reduzir o risco de transmissão vertical.
  • Ultrassonografia: usa ondas sonoras para gerar imagens do bebê e da placenta. Permite estimar a idade gestacional, a data provável do parto, o sexo do bebê, o número de fetos, o crescimento fetal, a posição fetal, a quantidade de líquido amniótico e a presença de malformações ou anomalias.

Os exames pré-natal devem ser realizados de acordo com a orientação do médico obstetra, que irá solicitar os exames mais adequados para cada caso.

Em geral, recomenda-se iniciar o pré-natal no primeiro trimestre da gravidez e fazer consultas regulares até o momento do parto. O pré-natal é essencial para garantir uma gravidez saudável e segura para a mãe e o bebê.

Referências:

  1. https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-exames-de-rotina-do-pre-natal/
  2. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pre_natal_profissionais_saude.pdf

Medicamentos utilizados na Sala de Parto

Para dispensar um atendimento adequado às necessidades da gestante e do bebê é necessário que os profissionais de saúde detenham o conhecimento básico sobre a classificação de risco que determinados medicamentos se enquadram.

Os medicamentos utilizados na sala de parto podem ter diferentes finalidades, como aliviar a dor, acelerar o trabalho de parto, prevenir hemorragias, tratar infecções ou reanimar o recém-nascido.

Fármacos utilizados em Sala de Parto

  • Ocitocina: é um hormônio que estimula as contrações uterinas e ajuda na descida do bebê. Também é usada após o parto para evitar sangramentos excessivos e facilitar a saída da placenta.
  • Analgésicos: são medicamentos que reduzem a sensação de dor, mas não a eliminam completamente. Podem ser administrados por via oral, intravenosa ou intramuscular. Alguns exemplos são dipirona, paracetamol e opioides (como fentanilo ou morfina).
  • Anestésicos: são medicamentos que bloqueiam a transmissão dos impulsos nervosos e causam perda de sensibilidade em uma parte do corpo ou em todo ele. Podem ser aplicados por via inalatória, epidural ou raquidiana. Alguns exemplos são óxido nitroso, lidocaína e bupivacaína.
  • Antibióticos: são medicamentos que combatem as infecções causadas por bactérias. Podem ser necessários em casos de ruptura prematura das membranas, corioamnionite, infecção urinária ou puerperal, entre outras situações. Alguns exemplos são amoxicilina, cefalosporinas, clindamicina e eritromicina.
  • Expansores de volume: são soluções que aumentam o volume sanguíneo e melhoram a circulação. Podem ser usados em casos de hipotensão, hemorragia ou choque. Alguns exemplos são soro fisiológico, ringer lactato e albumina.
  • Adrenalina: é um hormônio que atua sobre o coração e os vasos sanguíneos, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e o fluxo de oxigênio. É usada na reanimação do recém-nascido quando há bradicardia ou asfixia.
  • Sulfato de Magnésio: é um eletrólito usado para prevenir e tratar convulsões em mulheres com pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, condições que podem causar pressão alta e problemas nos rins, fígado e cérebro durante a gravidez. Também pode reduzir o risco de danos cerebrais nos bebês prematuros. Pode causar efeitos colaterais como sonolência, fraqueza, náusea, dor de cabeça e rubor. Em casos raros, pode causar problemas respiratórios, cardíacos ou neurológicos graves. Por isso, é importante monitorar a paciente e o bebê durante o uso do sulfato de magnésio na sala de parto.
  • Ergometrina: é um medicamento que atua sobre o útero, causando contrações e diminuindo o sangramento após o parto. No entanto, seu uso rotineiro na sala de parto não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois pode ter efeitos colaterais indesejáveis, como aumento da pressão arterial, náuseas, vômitos e dor de cabeça. Além disso, a ergometrina oral não é eficaz para prevenir ou controlar hemorragias, e a ergometrina parenteral só deve ser usada em casos de alto risco ou emergência. A OMS sugere que a ocitocina seja usada como profilaxia no terceiro estágio do trabalho de parto, pois é mais segura e efetiva do que a ergometrina. Portanto, a ergometrina na sala de parto deve ser evitada, a menos que haja uma indicação clara e específica para seu uso.

Os medicamentos utilizados na sala de parto devem ser prescritos pelo médico responsável e administrados pelo enfermeiro obstetra ou pelo anestesista, conforme o caso.

É importante que a parturiente seja informada sobre os benefícios e os riscos de cada fármaco, bem como sobre as possíveis alternativas não farmacológicas para o alívio da dor e o manejo do trabalho de parto.

Referências:

  1. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60137/tde-02102009-131223/publico/Mestrado.pdf
  2. Recomendações da OMS na Assistência ao Parto Normal – Bahia
  3. Boas práticas de atenção ao parto e ao nascimento
  4. CLASSIFICAÇÃO DE PRÁTICAS NO PARTO NORMAL – Moodle USP: e-Disciplinas
  5. https://www.unasus.gov.br/noticia/voce-conhece-recomendacoes-da-oms-para-o-parto-normal

Sondas Intestinais Longas

As Sondas intestinais longas são dispositivos médicos que são inseridos no intestino delgado para remover o conteúdo intestinal, descomprimir o órgão ou separá-lo cirurgicamente. Elas são usadas em casos de obstrução intestinal, cirurgias gastrointestinais ou outras condições que impedem a passagem normal do bolo alimentar.

Indicações de Uso

Para casos de constipação intestinal grave, obstrução intestinal, enema opaco, irrigação intestinal ou preparo para colonoscopia.

Os Tipos de Sondas Intestinais Longas

Sonda de Miller-Abbott

É usada para descomprimir o intestino delgado em casos de obstrução intestinal. Ela é composta por um tubo de borracha com dois balões infláveis na extremidade distal, um para ancorar a sonda no intestino e outro para ocluir o lúmen intestinal.

A sonda é introduzida pelo nariz e avança pelo esôfago, estômago e duodeno até atingir o íleo.

O avanço da sonda é facilitado pela pressão hidrostática exercida pelo líquido que preenche os balões. A sonda permite a drenagem do conteúdo intestinal e alivia os sintomas de distensão abdominal, náuseas, vômitos e dor.

A sonda intestinal longa Miller-Abbott é um procedimento invasivo que requer cuidados especiais de enfermagem e monitorização do paciente.

Sonda de Cantor

Usado para tratar a constipação crônica, a fecaloma ou a obstrução intestinal. Ela consiste em um tubo flexível e fino que é introduzido pelo nariz ou pela boca e avança até o intestino grosso.

A sonda permite a administração de líquidos, medicamentos ou enzimas que ajudam a dissolver ou remover as fezes endurecidas.

Pode causar complicações como sangramento, perfuração, infecção ou danos nos órgãos internos. Por isso, ela só é indicada em casos graves e refratários aos tratamentos convencionais.

Sonda de Andersen

Usado para tratar a obstrução intestinal. Ela consiste em um tubo flexível de plástico que é introduzido pelo nariz ou pela boca e avança até o intestino delgado.

A sonda tem uma ponta perfurada que permite a aspiração do conteúdo intestinal e a injeção de ar ou líquidos para desobstruir o intestino.

Pode ser usada em casos de obstrução intestinal causada por tumores, aderências, hérnias, volvo, intussuscepção ou impactação fecal.

É um procedimento invasivo que requer monitoramento e cuidados especiais, pode pode causar complicações como sangramento, perfuração, infecção ou lesão dos tecidos.

É uma alternativa à cirurgia em alguns casos de obstrução intestinal, mas nem sempre é eficaz ou segura.

Utilização das Sondas

As sondas intestinais longas cantor e Miller-Abott não são mais usadas na prática clínica atual, pois apresentam alto risco de complicações e baixa eficácia na descompressão intestinal, pois eram infladas com ar ou mercúrio para facilitar a drenagem do conteúdo intestinal.

Alguns Cuidados de enfermagem

  • Observar a progressão da sonda;
  • verificar a integridade do balão;
  • aspirar o conteúdo intestinal;
  • retirar a sonda lentamente quando indicado.

Referências:

  1. https://revista.facene.com.br/index.php/revistane/article/download/399/403/1948
  2. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-gastrointestinais/procedimentos-diagn%C3%B3sticos-e-terap%C3%AAuticos-gastrointestinais/intuba%C3%A7%C3%A3o-nasog%C3%A1strica-ou-intuba%C3%A7%C3%A3o-intestinal

Competência ao cuidado de Feridas

A Resolução Cofen nº 501/2015 estabelece os critérios para a atuação dos profissionais de enfermagem na realização de curativos, de acordo com o grau de complexidade das lesões.

Entenda os graus de lesões das feridas

  • Os curativos de grau 1 são aqueles que envolvem lesões superficiais, com pouca ou nenhuma exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 2 são aqueles que envolvem lesões parciais ou totais da derme, com moderada exsudação, sem sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 3 são aqueles que envolvem lesões que atingem o tecido subcutâneo, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.
  • Os curativos de grau 4 são aqueles que envolvem lesões que atingem o músculo, o osso ou as estruturas profundas, com grande exsudação, podendo apresentar sinais de infecção ou necrose.

Entenda as Competências

A Resolução Cofen nº 501/2015 determina que os curativos de grau 1 e 2 podem ser realizados por qualquer profissional de enfermagem, desde que capacitado e supervisionado pelo enfermeiro.

Já os curativos de grau 3 e 4 devem ser realizados exclusivamente pelo enfermeiro, que deve avaliar a lesão e prescrever o tratamento adequado, sendo que o auxiliar e o técnico devem auxiliar o Enfermeiro nos curativos de feridas em estágio 3 e 4.

Referências:

  1. – BLANCK, M.; GIANNINI, T. Ulceras e feridas – As feridas tem alma. Di livros editora ltda, 2014.
  2. BORGES, E. L. et al. Feridas – Como Tratar. Coopmed Editora Médica, 2009.
  3. BORGES, E. L. Feridas – Úlceras de Membros Inferiores. Editora Guanabara Koogan, 2012.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Procedimentos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011 – BRASIL. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Ministério da Saúde/Anvisa/Fiocruz, 2013.
  5. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Lei do Exercício Profissional, nº 7.498/86; Decreto nº 94.406/87 e Código de Ética dos profissionais de enfermagem.
  6. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 311 de 2007, que aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
  7. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 358 de 2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
  8. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução 429 de 2012, que dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente.
  9. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN SP. PARECER COREN – SP CAT Nº 011/2009. Uso do laser de baixa intensidade pelo profissional enfermeiro no tratamento clínico de feridas.
  10. Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia – COREN RO. Parecer nº 06/2013, referente à solicitação de esclarecimentos sobre as competências dos Enfermeiros no tratamento de feridas, bem como o direito de atender consultas em estabelecimentos privados e o direito de usar lâmina de bisturi no desbridamento conservador.
  11. CUNHA, N. A. Sistematização da Assistência de Enfermagem no Tratamento de Feridas Crônicas. Monografia. Fundação de Ensino Superior de Olinda. Olinda, 2006.
  12. ERNANDES, L. R. A. Fisiologia da cicatrização: feridas e curativos. 2005. Disponível em URL: 
  13. EPUAP/NPUAP. Prevenção de Úlceras de Pressão – Guia de consulta rápido. Disponível em:http://www.epuap.org/guidelines/QRG_Prevention_in_Portuguese.pdf.
  14. MORAIS, G. F. da C.; OLIVEIRA, S. H. dos S.; SOARES, M. J. G. O. Avaliação de feridas pelos enfermeiros de instituições hospitalares da rede pública. Texto contexto – enferm., Florianópolis , v. 17, n. 1, p. 98-105, mar. 2008 .
  15. OLIVEIRA, Adriana Cristina. Infecções Hospitalares: Epidemiologia, Prevenção Controle. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. 2005.
  16. PEREIRA, A. L. Revisão sistemática de literatura sobre produtos usados no tratamento de feridas. Goiânia, 2006. Dissertação de mestrado. Disponível em: HTTPS://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tde/732/1/Angela%20Lima%20Pereira.pdf.
  17. SANTOS, J. B. et al. Avaliação e tratamento de feridas: orientações aos profissionais de saúde. Hospital de Clínicas de Porto Alegre RS. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/34755/000790228.pdf.
  18. SANTOS, I. C. R. V.; OLIVEIRA, R. C. de; SILVA, M. A. da. Desbridamento cirúrgico e a competência legal do enfermeiro. Texto contexto – enferm., Florianópolis , v. 22, n. 1, p. 184-192, mar. 2013.

Sarcoma de Ewing

O sarcoma de Ewing é um tumor maligno que ocorre predominantemente em ossos ou em partes moles.

O sarcoma de Ewing afeta principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens, com pico de incidência em torno dos 15 anos.

Meninos e homens são ligeiramente mais acometidos do que meninas e mulheres (uma relação de 3:2).

Atualmente, pacientes com doença localizada tem 70-80% chance de sobrevida geral em cinco anos, mas para pacientes com tumor pélvico, o resultado é um pouco menor. Pacientes com metástases ao diagnóstico têm sobrevida abaixo de 30%. Pacientes com metástase pulmonar isolada têm sobrevida geral em torno de 50%.

Os principais tipos são:

  • Sarcoma de Ewing do osso: ocorre no osso e é o mais frequente.
  • Sarcoma de Ewing extra-ósseo: o tumor começa em partes moles em volta dos ossos e podem ser difíceis de diferenciar de tumores ósseos primários.
  • Tumor neuroectodérmico primitivo periférico (PPNET): ocorre no osso ou em partes moles e tem características comuns ao sarcoma de Ewing e ao sarcoma de Ewing extra-ósseo.  O PPNET que inicia na parede torácica é denominado tumor de Askin.

A doença óssea ocorre, em ordem de frequência: nas extremidades inferiores, pelve, parede torácica, extremidade superior, coluna, mão e crânio.

O sarcoma de Ewing extra-ósseo ocorre no tronco, extremidades, cabeça e pescoço, retroperitôneo e outros sítios.

Fatores de Risco

A causa é desconhecida. Não parece ser hereditária. São tumores extremamente raros em negros e asiáticos. Não são conhecidos fatores de risco claramente associados ao desenvolvimento do sarcoma de Ewing.

O sarcoma de Ewing não pode ser prevenido. Este tipo de câncer não é herdado e não se conhece associação com estilo de vida ou ambiente. O diagnóstico precoce é fundamental.

A detecção Precoce

A maioria dos pacientes se apresenta com história de dor local, que pode ser intermitente, algumas vezes noturna, e que piora com o tempo.

A dor muitas vezes é confundida com “dor de crescimento”, com infecção, com osteomielite, lesões relacionadas ao esporte ou a atividades da vida diária (dor muscular, tendinite). Em um grande número de pacientes, a dor é seguida pela palpação de massa de partes moles.

Dor sem causa aparente com duração superior a um mês deve orientar para investigação.

A detecção precoce do câncer permite encontrar o tumor numa fase mais inicial, e possibilitar maior chance de cura com o tratamento.

Diagnóstico

A avaliação diagnóstica começa com história médica com foco no início dos sintomas. Na história familiar, é possível avaliar se tem associação com predisposição genética ao câncer. O exame físico do paciente deve ser cuidadoso, incluindo a inspeção e palpação do tumor, assim como a avaliação dos órgãos e sistemas.

Nos exames laboratoriais, além de avaliar a função de vários órgãos, podem ser avaliados alguns marcadores inespecíficos para envolvimento ósseo, como a dosagem de fosfatase alcalina e a desidrogenase láctica, que podem estar relacionadas com a carga tumoral.

A radiografia em sarcoma de Ewing mostra áreas de destruição óssea geralmente na metáfise-diáfise do osso, com aparência de múltiplas camadas, com aspecto característico de “casca de cebola”. A ressonância dá uma definição melhor das imagens para avaliar a extensão da doença e é usada se o tumor não surgir no osso.

A biópsia da tumoração é necessária para o diagnóstico definitivo. Histologicamente, o sarcoma de Ewing caracteriza-se por tumores de pequenas células redondas e azuis que expressam altos níveis de CD99. Geneticamente, são caracterizados pela translocação cromossomial balanceada em que um membro do gene da família FET se funde com um fator de transcrição ETS, sendo que a fusão mais comum é EWSR1-FLI1 (85% dos casos).

Tratamento

O tratamento padrão para sarcoma de Ewing consiste em regime de tratamento multimodal, que inclui poliquimioterapia intensiva associada ao tratamento local. Esse pode ser ressecção cirúrgica do tumor associada ou não à radioterapia.

A cirurgia pode consistir da ressecção sem reconstrução, como no caso de uma amputação. A ressecção tumoral com reconstrução pode ser feita por colocação de endoprótese, implante, transplante ósseo halogênico ou autólogo. A decisão da melhor forma de abordagem cirúrgica depende da avaliação do ortopedista ou cirurgião.

Idealmente, o planejamento do tratamento do sarcoma de Ewing deve ser feito num centro de referência com equipe multidisciplinar, que inclui radiologista, patologista, pediatra, oncologista pediátrico, radioterapeuta, cirurgiões geral e ortopédico e enfermeiras especializadas.

Após o tratamento

O tratamento pode trazer efeitos adversos, comprometendo a qualidade de vida do paciente.  É muito importante o seguimento em longo prazo para orientação e detecção de anormalidades passíveis de intervenção.

Referência: Ministério da Saúde

Monitor de Frasco de Vacina (MFV/VVM)

Um monitor de frasco de vacina (MFV ou VVM) é um dispositivo que permite verificar a temperatura e a exposição à luz de um frasco de vacina, garantindo assim a sua qualidade e eficácia.

Como funciona?

O monitor consiste em um adesivo que muda de cor conforme as condições do frasco, indicando se ele está adequado para uso ou não.

O monitor de frasco de vacina é especialmente útil em locais onde há dificuldade de acesso à refrigeração ou à eletricidade, pois permite identificar rapidamente as vacinas que podem ter sido comprometidas pelo calor ou pela luz.

O monitor de frasco de vacina contribui para evitar o desperdício de doses e o risco de administrar vacinas ineficazes ou prejudiciais à saúde.

Portanto, qualquer alteração na cor do MFV indica que o frasco de vacina foi exposto a altas temperaturas por um período indeterminado.

Estas diretrizes foram preparadas para oferecer aos profissionais de saúde informações sobre os diferentes tipos de MFV afixados em frascos de vacina e como interpretar a taxa de mudança de cor do MFV.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) não emitiu uma declaração sobre o uso de MFV.

Portanto, todos os programas de imunização e profissionais de saúde devem continuar a seguir as diretrizes/normas nacionais sobre o uso de dispositivos de monitoramento contínuo da temperatura no que se refere aos procedimentos adequados de manuseio, armazenamento e distribuição de vacinas.

O MFV pode informar se os frascos de vacina sofreram exposição ao calor quando não houver nenhum dispositivo de monitoramento de temperatura.

Heatmarker VVM

Desde 1996, os monitores de frascos de vacina (VVM) HEATmarker®, manufaturados pela Temptime®, foram usados para monitorar a exposição de vacinas a temperatura, como recomendado pela OMS e pela UNICEF.

Em 2012, a OMS determinou que o VVM é uma “característica crítica”, um elemento exigido de todas as propostas de vacinas apresentadas à UNICEF.

Os Tipos de MFV/VVM

ESTABILIDADE MUITO ALTA

HEATmarker VVM 250

O HEATmarker VVM 250 é ideal para uso com vacinas de estabilidade muito alta, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 250 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ALTA ESTABILIDADE

HEATmarker VVM 30

O HEATmarker VVM 30 é ideal para uso com vacinas de estabilidade alta, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 30 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ESTABILIDADE MÉDIA

HEATmarker VVM 14

O HEATmarker VVM 14 é ideal para uso com vacinas de estabilidade média, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 14 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ESTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

HEATmarker VVM 11

O HEATmarker VVM 11 é ideal para uso com vacinas de estabilidade intermediária, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 11 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 4 anos.

ESTABILIDADE MODERADA

HEATmarker VVM 7

O HEATmarker VVM 7 é ideal para uso com vacinas de estabilidade moderada, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 7 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 4 anos.

POUCA ESTABILIDADE

HEATmarker VVM 2

Anatomia de um Monitor Multiparâmetro

O monitor cardíaco ou multiparâmetro é um equipamento padrão usado em UTI e Centro Cirúrgico para monitoração contínua do ECG, detectando arritmias cardíacas.

Esse dispositivo mede e exibe a frequência cardíaca, a pressão arterial, o oxigênio no sangue e outros sinais vitais de um paciente.

Componentes

  • Um sensor que capta os sinais elétricos do coração do paciente, como um eletrocardiograma (ECG) ou um oxímetro de pulso.
  • Um processador que analisa os sinais e calcula os valores dos parâmetros vitais, como a frequência cardíaca, a pressão arterial sistólica e diastólica, a saturação de oxigênio e a variabilidade da frequência cardíaca.
  • Um display que mostra os valores dos parâmetros vitais em forma de números, gráficos ou curvas. O display pode ser integrado ao monitor ou conectado a um computador ou a uma rede sem fio.
  • Um alarme que alerta os profissionais de saúde quando os valores dos parâmetros vitais estão fora dos limites normais ou predefinidos. O alarme pode ser sonoro, visual ou vibratório.
  • Uma bateria ou uma fonte de energia que fornece eletricidade ao monitor e aos seus componentes.

De modo prático, em todos esses ambientes, o monitor cardíaco desempenha as seguintes funções:

  • Acompanhar a estabilidade cardíaca;
  • Alertar os profissionais sobre quaisquer variações cardíacas;
  • Avaliar a frequência respiratória;
  • Medir a pressão arterial com precisão e em tempo real;
  • Monitorar a saturação de oxigênio;
  • Alertar sobre níveis baixos de oxigênio.

QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE MONITOR CARDÍACO E MONITOR MULTIPARÂMETRO?

O monitor cardíaco hospitalar, como mencionado anteriormente, é projetado principalmente para monitorar os sinais vitais relacionados ao coração.

Ele se concentra na medição da frequência cardíaca, na análise do ritmo cardíaco e na detecção de qualquer anormalidade relacionada ao sistema cardiovascular do paciente.

As principais características do monitor cardíaco incluem:

  • Frequência Cardíaca: fornece uma leitura contínua da frequência cardíaca, permitindo a detecção precoce de arritmias cardíacas.
  • Eletrocardiograma (ECG): muitos monitores cardíacos também registram um ECG, que é um gráfico que mostra a atividade elétrica do coração.
  • Pressão Arterial: alguns modelos podem medir a pressão arterial, mas essa não é sua função principal.

Em contrapartida, o monitor multiparâmetro é um dispositivo mais abrangente.

Ele não se limita apenas ao monitoramento do coração, mas também acompanha vários outros sinais vitais e parâmetros clínicos. Isso o torna ideal para ambientes clínicos complexos, como unidades de terapia intensiva (UTIs).

As características distintivas do monitor multiparâmetro incluem:

  • Monitoramento Multifuncional: além da frequência cardíaca e do ECG, ele monitora pressão arterial, saturação de oxigênio e frequência respiratória.
  • Gráficos em tempo real: exibe essas informações em gráficos em tempo real, permitindo que os profissionais de saúde avaliem rapidamente o estado do paciente.
  • Alarmes configuráveis: pode ser configurado para acionar alarmes quando os valores dos parâmetros saem dos limites normais, o que é crucial para a segurança dos pacientes.

Dessa forma, a escolha entre um monitor cardíaco e um monitor multiparâmetro depende das necessidades específicas do ambiente clínico.

Em situações em que o foco está principalmente no coração, o monitor cardíaco é suficiente.

No entanto, em cenários mais complexos, nos quais vários sinais vitais devem ser monitorados simultaneamente, o monitor multiparâmetro é a melhor escolha.

PARÂMETROS BÁSICOS MONITORADOS

Os principais parâmetros monitorados por um monitor cardíaco hospitalar incluem:

  • Frequência Cardíaca: O número de batimentos cardíacos por minuto.
  • Pressão Arterial: A pressão exercida pelo sangue nas paredes das artérias, geralmente medida em milímetros de mercúrio (mmHg).
  • Saturação de Oxigênio (SpO2): A quantidade de oxigênio transportada pelo sangue em relação à quantidade máxima que poderia ser transportada.
  • Frequência Respiratória: O número de respirações por minuto.
  • Eletrocardiograma (ECG): O gráfico que representa a atividade elétrica do coração.

Referências:

  1. https://cmosdrake.com.br/blog/monitor-multiparametro-de-sinais-vitais/
  2. https://www.mindray.com/br/products/patient-monitoring/continuous-patient-monitoring/umec
  3. OMNIMED