Abdominoplastia e os Cuidados de Enfermagem

A abdominoplastia, também conhecida como demolipectomia, é um procedimento cirúrgico estético que objetiva remover gordura e pele em excesso da região abdominal, habitualmente por motivos estéticos.

Parede Abdominal

A parede abdominal é composta por diversas camadas responsáveis por envolver e proteger as estruturas situadas na cavidade abdominal.

Logo abaixo da pele encontra-se o tecido subcutâneo, formado especialmente por tecido adiposo e, mais profundamente, encontram-se três camadas superpostas de tecido muscular, responsáveis pela contração abdominal com compressão das estruturas profundas viscerais.

De todas as partes do organismo, o tecido subcutâneo do abdômen, na maior parte das vezes, é o local onde a gordura mais se acumula.

Indicações

O procedimento de abdominoplastia é indicado em casos de envelhecimento, excesso de pele devido à grande perda de peso ou então resultante de gestações. Dependendo do tipo de problema ocorrido, pode ser necessária a correção das paredes musculares profundas do abdômen, ou apenas os da superfície, na região do subcutâneo.

O Procedimento

Anteriormente à realização da abdominoplastia, são solicitados alguns exames de rotina, como exames de sangue (coagulograma, hemograma, glicose, função renal e proteínas), de urina e eletrocardiograma.

Normalmente, aplica-se anestesia geral nesse tipo de cirurgia, mas também pode ser peridural ou similar. Realiza-se uma incisão horizontalmente acima da implantação dos pelos pubianos, prolongando-se lateralmente em maior ou menor extensão, variando de acordo com o volume do abdômen a ser corrigido.

Por conseguinte, desloca-se amplamente a parede anterior e lateral do abdômen, possibilitando uma visualização da parede muscular, bem como as correções necessárias.

Após corrigido os defeitos, tanto das paredes profundas quanto superficiais, é feito o fechamento da parede e reposicionamento da cicatriz umbilical em sua posição natural. Subsequentemente, o paciente é colocado na cama com o corpo semi-flexionado para evitar a tração dos tecidos remodelados.

No geral, a hospitalização para este tipo de procedimento gira em torno de 2 a 3 dias.

Complicações

As complicações são raras, mas podem ocorrer, como: infecções, hematomas, seroma, problemas na cicatrização e trombose.

Cuidados de Enfermagem

Durante as primeiras 48h do pós-operatório é normal o paciente apresentar dor que é controlada por meio do uso de anti-inflamatórios e analgésicos.

Durantes os primeiros 15 dias após a cirurgia, deve-se evitar realizar esforço físico, devido ao risco de ruptura das suturas feitas na musculatura.

O paciente retorna à sua rotina normal gradativamente, sendo que a cicatriz final irá depender basicamente da cicatrização individual.

Outros cuidados:

  • Orientar o paciente em procedimentos pré e pós-operatórios;
  • Participar ou colaborar em tratamentos que visem a correção de distúrbios congênitos ou adquiridos;
  • Avaliar a assistência de enfermagem aos clientes em todas etapas dos procedimentos fornecendo suporte técnico educativo adequado a sua equipe;
  • Realizar atividades gerenciais e administrativas, estando a par de todos os acontecimentos;
  • Assegurar ambiente adequado ao cliente e sua família, atendendo-os de forma humanizada e respeitosa durante a continuidade do tratamento;
  • Promover a educação do cliente e da equipe sobre aspectos relativos a prevenção e recuperação de problemas de ordem estética;
  • Manter responsabilidade técnica e de supervisão a instituição assistida;
  • Aplicar condutas terapêuticas, recuperação e ou reabilitação;
  • Documentar os procedimentos em todas as suas etapas, por registro escrito e fotográfico;
  • Atuar em equipe de forma cooperativa, dentre outras atribuições;
  • Cuidados circulatórios, como a insuficiência venosa;
  • Controle da dor;
  • Cuidado com sondas e drenos;
  • Monitorar sinais vitais (SSVV);
  • Cuidados com o local de incisão;
  • Usar orientação antecipada para preparar o paciente para mudanças previsíveis na imagem corporal.

Referências:

  1. http://www.portalcirurgiaplastica.com.br/abdominoplastia/
  2. http://abdominoplastiamed.com/
  3. http://www.zamarian.com.br/html/corpo/abdominoplastia/abdomen.html
  4. ORTOLAN, M. Enfermagem estética: ações e atos do enfermeiro do processo de cuidar. 2007. Trabalho de conclusão de curso-Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007
  5. PARK, A. Importância da SAE na efetivação de uma assistência de enfermagem de qualidade. Anaisdo v SEPE e v Jornada de Iniciação Científica.vol.v, RS, 2015
  6. PERSKI, R. Sistema agroflorestais em pequenas propriedades no município de hulha negra. URCAMP. Bagé/RS, 2004. Disponivel em: https://scholar.google.com.br 
  7. PETRY et al.Cirurgia plástica estética: experiências sobre (re) construções corporais e implicações para enfermagem. Revista rene.RS.2015 mar-abr; p.185-93. Disponivel em: http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista. 
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  9. SALDANHA et al. Fatores preditivos para complicações em procedimentos de cirurgia plástica – sugere escores de segurança. Revista brasileira de cirurgia plastica, 2014,Sao Paulo,v. 29, n. 1
  10. SBCP, A idade deve ser um fator para a realização de cirurgia plástica, Sociedade Brasileira de cirurgia plástica, São Paulo. 2014 Disponivel em: http://www2.cirurgiaplastica.org.br/a idade deve ser um fator para realização de cirurgia plástica
  11. SERRA et al. Assistência de enfermagem no pós-operatório imediato: estudo transversal.Revista brasileira de enfermagem. Ceara, mar:2015,14(2):161-7. Disponivel: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/5082. 
  12. SILVA, A. MORAES, M. Incidência de dor no pós-operatório de cirurgia estética. Revista Dor.SP.2010; p.136-139.
  13. SILVA, R. SANTOS, M. Sistematização da assistência de enfermagem como uma estratégia para autonomia do enfermeiro. Revista nursing. Salvador, JanNov;2009;12 (136): 435-442. Disponivel em:http://ba.corens.portalcofen.gov.br/wpcontent/uploads/2013/03/sistematização da assistência de enfermagem como uma estratégia para autonomia do enfermeiro.

Complacência Pulmonar: O que é?

A complacência dos pulmões ou complacência pulmonar é o grau de extensão dos pulmões para cada aumento da pressão transpulmonar (diferença entre pressão intra-alveolar e a pressão pleural).

Em um adulto a complacência total é cerca de 200 mililitros de ar para cada centímetro de pressão de água.

Associações à Complacência Pulmonar

  • fibrose está associada com uma diminuição da complacência pulmonar.
  • enfisema/DPOC estão associados com um aumento da complacência pulmonar.

A complacência é maxima em volumes pulmonares moderados, e muito baixa em volumes que são muito baixos ou muito altos.

Como é feito o Cálculo?

Para calcular a complacência estática, necessitamos de três variáveis: volume corrente expiratório (aferido no ventilador mecânico), pressão de platô e a pressão positiva ao final da expiração (carinhosamente chamada de PEEP e ajustada pelo operador).

A complacência pulmonar é calculada usando a seguinte equação, onde ΔV é a mudança no volume e ΔP é a mudança na pressão:

► C= Volume / (Palv- PEEP) L/cmH2O

Exemplo: PEEP= 5 cm H2O Vt= 0,50L

PP= 15 cm H2O
Csr= 0,50L/(15 – 5) cm H2O = 0,05 L/cm
H2O-(50ml/cm H2O)
Nl= 60 a 100ml/cmH2O

Em pacientes submetidos à ventilação mecânica, os valores entre 70-80 mL/cmH2 são considerados normais e os valores inferiores a < 50 mL/cmH2 são considerados baixos.

A redução da complacência pulmonar pode ser encontrada em inúmeras patologias, sendo um exemplo típico a SDRA (síndrome do desconforto respiratório do adulto).

Nessa patologia, observamos o preenchimento alveolar por infiltrado inflamatório (plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas).

O parênquima pulmonar fica pesado e perde a elasticidade, tornando-se duro ou pouco complacente. Exemplos de redução da complacência pulmonar: pneumotórax, edema pulmonar, derrame pleural volumoso, fibrose pulmonar, dentre outros.

Nos exemplos de redução da complacência pulmonar, observamos que em geral o pulmão é uma estrutura elástica, capaz de acomodar o volume de ar.

Referências:

  1. Diretrizes Brasileiras de Ventilação Mecânica – AMIB – 2013.
  2. Morato, J. B.; Sandri, P.; Guimarães, H. P. Emergências de Bolso – Volume 2 – ABC da Ventilação Mecânica – 2015.

Que Medicamento é Esse?: Metoclopramida

O cloridrato de metoclopramida, mais conhecido pelo nome comercial Plasil® ou Primperan®, é um fármaco que age estimulando o esvaziamento do estômago, o que o torna útil nos casos de refluxo gastroesofágico, nos paciente com quadro de náuseas e vômitos e nos diabéticos com gastroparesia (esvaziamento lento do estômago).

Como Funciona?

A ação da metoclopramida está relacionada ao bloqueio dos receptores da dopamina no sistema nervoso central e no trato gastrointestinal, de forma semelhante ao que faz a bromoprida (Digesan®). De fato, a bromoprida e a metoclopramida são substâncias quase idênticas, partilhando o mesmo mecanismo de ação e os efeitos colaterais.

O bloqueio dos receptores da dopamina aumenta a força e a amplitude das contrações do estômago e do intestino delgado, além de relaxar o esfíncter pilórico, facilitando o esvaziamento gástrico e o acelerando o trânsito intestinal, combatendo, assim, as náuseas e vômitos.

A metoclopramida é, portanto, um medicamento antiemético (que impede os vômitos) e um procinético (que acelera o esvaziamento do estômago).

Os Efeitos Colaterais

Em geral, a incidência de reações adversas está relacionada com a dose e a duração do uso da metoclopramida. Os dois efeitos colaterais mais relevantes da metoclopramida são a depressão do sistema nervoso central e os sintomas extrapiramidais.

Depressão do sistema nervoso

Sonolência, fadiga, sensação de esgotamento, tontura e confusão mental podem ocorrer com a dosagem terapêutica ou supraterapêutica. Esses efeitos são autolimitados e geralmente desaparecem dentro de 24 horas após a descontinuação do medicamento.

Os sintomas da depressão do sistema nervoso central normalmente surgem nos primeiros 5 dias de uso, mas podem aparecer logo no primeiro dia.

Fatores de risco:

  • Idade acima de 65 anos.
  • Uso simultâneo de outro medicamento com ação depressora do SNC.
  • Insuficiência renal crônica.

Sintomas extrapiramidais

Sintomas extrapiramidais são reações de distonia dos músculos que surgem nas primeiras 24 a 48 horas de uso do medicamento. O risco dessas reações é mais elevado em doses a partir de 30 a 40 mg por dia e em pacientes com menos de 30 anos de idade.

Cerca de 0,2% (1 em 500) dos pacientes apresentam sintomas extrapiramidais com o uso da metoclopramida.

Os sintomas podem incluir movimentos involuntários dos membros, contrações dos músculos da face, torcicolo, protrusão da língua, alterações da fala e trismo (contratura dolorosa da musculatura da mandíbula). O quadro tende a ter reversão completa após suspensão do medicamento.

Outra manifestação neurológica possível é a acatisia (inquietação motora), que se manifesta como sentimentos de ansiedade, agitação, insônia e incapacidade de ficar quieto ou parado. A acatisia é geralmente reversível com a descontinuação do medicamento ou redução da dose.

Sintomas de parkinsonismo, como bradicinesia (lentificação de reflexos e movimentos do corpo), tremores, rigidez muscular e perda da expressão facial, podem surgir após cursos mais longos de tratamento, principalmente em idosos. Os sintomas parkinsonianos geralmente remitem dentro de 2 a 3 meses após a descontinuação da metoclopramida.

Fatores de risco para sintomas extrapiramidais com uso da metoclopramida incluem:

  • Uso de doses superiores às recomendadas.
  • Uso prolongado (maior que 12 semanas).
  • Idade abaixo de 30 anos ou acima de 60.
  • Mulheres.
  • Insuficiência renal.
  • Diabetes mellitus.
  • Uso concomitante de outros medicamentos que podem causar sintomas extrapiramidais (por exemplo, antipsicóticos).
  • Uso concomitante de inibidores fortes do CYP2D6 (por exemplo, fluoxetina, paroxetina, bupropiona).

Outros sintomas adversos

  • Dor de cabeça.
  • Tontura.
  • Galactorreia (secreção de leite pelas mamas).
  • Ginecomastia (aumento do volume das mamas em homens).
  • Retenção de líquido.
  • Erupções cutâneas, incluindo urticária.
  • Diarreia.
  • Incontinência urinária.
  • Hipertensão arterial.
  • Depressão.
  • Síndrome Neuroléptica Maligna.
  • Atraso menstrual.
  • Impotência.

Quando é Contraindicado?

A metoclopramida não deve ser utilizada nos seguintes casos:

  • Sempre que a estimulação da motilidade gastrointestinal possa ser perigosa, como por exemplo, na presença de hemorragia gastrointestinal, obstrução mecânica ou perfuração intestinal.
  • Pacientes com feocromocitoma, pois o medicamento pode causar crise hipertensiva, provavelmente devido à liberação de catecolaminas do tumor.
  • Pacientes com antecedentes de alergia aos componentes da fórmula.
  • Pacientes epilépticos ou que estejam recebendo outros medicamentos que possam causar reações extrapiramidais.
  • Pacientes com história de discinesia tardia ou reação distônica à bromoprida ou metoclopramida.
  • Crianças menores de 1 ano de idade, devido ao risco aumentado da ocorrência de agitação, irritabilidade e convulsões.

Uso durante a gravidez e lactação

A bromoprida é um medicamento que apresenta graduação B na categoria de risco na gravidez. Isso significa que os estudos em animais não conseguiram demonstrar um risco para o feto, mas que não existem estudos adequados e bem controlados em humanos.

Como os estudos em animais nem sempre são preditivos da resposta humana, a metoclopramida deve ser usada durante a gravidez apenas se for claramente necessário e não houver outra opção disponível.

A metoclopramida é excretada pelo leite materno, não devendo, portanto, ser administrada em mulheres que estejam amamentando.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de administração prescritas pelo médico.
  • Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
  • Atentar para infusão lenta da droga, visando a diminuir o risco de aparecimento de efeitos colaterais.
  • Deve-se administrar a medicação com um intervalo de pelo menos 6 horas, mesmo que ocorra vômito e rejeição da dose, para evitar a superdose.
  • Monitorar pacientes diabéticos pois com o uso desse medicamento juntamente com a insulina, a mesma pode começar a agir antes que os alimentos tenham saído do estômago e levar o paciente a uma hipoglicemia.
  • Seu uso é contraindicado para crianças menores de 1 ano.

Gastroplastia em Y de Roux

A cirurgia bariátrica (gastroplastia) mais realizada no Brasil e no mundo atualmente é o Bypass Gástrico em Y de Roux ou Cirurgia de Fobi-Capella. É uma cirurgia que reduz o tamanho do estômago dividindo-o em dois, sendo assim, a parte maior é separada e não recebe mais alimentos.

Já a parte menor, que tem cerca de 30 ml é ligada diretamente a uma parte do intestino. Como o trajeto do alimento é reduzido, sua absorção também diminui. Como a parte do estômago que recebe o alimento fica bem menor, o paciente tem a sensação de saciedade mais cedo.

Efetividade

É uma das técnicas que apresenta melhor efetividade, porque a perda de peso é controlada podendo chegar a 40% do peso inicial. Nos 30 dias seguintes da cirurgia bariátrica, o paciente deve só se alimentar com líquidos. Só depois que os alimentos sólidos são introduzidos à dieta, sempre com orientação do cirurgião bariátrico e de um nutricionista.

O bom resultado da cirurgia bariátrica se dá através de um conjunto de fatores, entre eles: atividade física, redução da ingestão de calorias devido a menor capacidade do estômago e alterações anatômicas que, por exemplo, ocasiona uma alteração hormonal que auxilia na redução de apetite do paciente.

Como é feito?

O estômago é diminuído através de grampeamentos, sem retirar nenhuma parte do estômago nem do intestino – é apenas um desvio – reduzindo o espaço para o alimento e desviando o intestino inicial, o que acarreta alterações hormonais que dão saciedade e diminuem a fome.

Esses dois fatores juntos, a menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade, além das mudanças de hábitos de vida orientadas pela equipe multidisciplinar, levam ao emagrecimento e controlam as doenças associadas, como a hipertensão arterial e o diabetes.

Pode ser realizada por videolaparoscopia ou aberta (por corte), podendo ser com anel ou sem anel. O anel de Silastic pode ser colocado, mas não é obrigatório e pode até ser contraindicado em algumas situações.

Alguns cuidados

  • Ingestão correta de líquidos, para que não ocorra desidratação ou formação de cálculo renal, o consumo de comidas muito calóricas pode ocasionar tonturas e diarreias e por isso deve ser evitado;
  • A reposição oral de vitaminas também deve ser feita, já que ocorre a alteração no caminho do alimento e a absorção de nutrientes pode estar diminuída;
  • Orientar o paciente a monitorar sinais de desconforto respiratório, febre e acúmulo de secreções;
  • Enfatizar a importância de não ingerir líquidos 15 minutos antes de cada refeição e até 90 minutos depois, para evitar desconforto gástrico, pois beber e comer juntos aumenta a distensão gástrica, o que resulta em sensação de estofamento e até vômitos. Reforçar que a ingestão de líquidos que, além de evitar a desidratação, auxilia na
    perda de peso, deve ser feita gradativamente de acordo com a capacidade gástrica;
  • Avaliar débito urinário no sistema de drenagem fechada ou o desejo do paciente e a distensão vesical;
  • Auscultar o abdome para determinar a presença e a localização dos ruídos hidroaéreos; Monitorizar presença de íleo paralítico (os ruídos hidroaéreos deverão retornar em média de 6 a 12 h após a cirurgia), flatulência, distensão abdominal;
  • Orientar o paciente a comunicar desconforto em região supra púbica;
  • Registrar a coloração, o odor, a consistência, a quantidade e a frequência das evacuações;
  • Verificar presença, aspecto, características e frequência de eliminações intestinais;
  • Observar e anotar eliminações e outras perdas como: diurese, vômitos, débitos de drenos, ingestão hídrica;
  • Medir diariamente o débito do dreno de Blake; – Comunicar à equipe médica para tomar as condutas necessárias, como a necessidade de sondagem vesical de alívio;
  • Reforçar que a atividade física é muito importante para os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, pois a perda de peso será mais rápida;
  • Orientar o paciente para que evite esforços físicos excessivos nos primeiros 90 dias. Caminhadas leves, de curta distância (pela manhã, próximo ao almoço e à tarde), poderão ser feitas conforme a resistência, progredindo lentamente, aumentando 01 minuto por dia;
  • Motivar e estimular a participação do paciente nas atividades de autocuidado;
  • Estimular o paciente a participar de atividades de lazer logo que possível;
  • Explicar a importância das estratégias para manter o sono eficaz.

Referências:

  1. BARTH, M. M ; JEFERSON, C. E. Cuidados de enfermagem pós-operatória de pacientes com bypass gástrico. American Journal of Critical Care, v.15, n. 4, jun., 2006. 
  2. FONTES, Helio Augusto. Gastroplastia – O que é essa cirurgia, como é feita, resultados. Disponível em: < http://www.copacabanarunners.net/gastroplastia.html&gt; .
  3. MOREIRA, Rosa Aparecida Nogueira et al. Diagnósticos de enfermagem, fatores relacionados e de risco no pós-operatório de cirurgia bariátrica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 47, n. 1, p. 168-175, 2013.
  4. NEGRÃO, Renata de Jesus da Silva. Cirurgia bariátrica: revisão sistemática e cuidados de enfermagem no pós-operatório. 2006. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
    NIBI, Fabiana Aparecida. Cuidados intensivos no pós-operatório imediato de cirurgia bariátrica. Revista Uninga. Maringa: PR. 2014.

Lockdown, Isolamento, Quarentena e Distanciamento Social: As diferenças

Quarentena, isolamento, distanciamento social e lockdown. Em meio à pandemia de covid-19, esses quatro termos tornaram-se frequentes no nosso vocabulário e na nossa realidade atual. Apesar de todos serem regimes que nos mantêm em casa para combater a doença, eles não são sinônimos.

Entender a diferença entre eles é importante, já que cada termo possui um nível de alerta sanitário e de liberdade da mobilidade da população, podendo variar entre voluntário ou obrigatório, de acordo com cada situação.

Distanciamento social

O distanciamento social busca, de forma voluntária, restringir a aproximação entre as pessoas como forma de controlar a disseminação da doença. No caso da covid-19, por exemplo, as autoridades de saúde recomendam manter uma distância de 2 metros de outras pessoas.

Nessa fase, comércios e as escolas podem fechar e eventos serem cancelados, mas não há aplicação de multa ou detenções para quem furar o distanciamento social.

Isolamento

O isolamento também é uma medida não obrigatória para evitar a propagação do vírus. Ele serve para separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, que foram contaminadas ou estão com suspeita. Dependendo da situação, os pacientes podem ficar isolados em ambiente domiciliar ou em hospitais.

O Ministério da Saúde indica que prazo de isolamento é 14 dias (tempo em que o vírus leva para se manifestar no corpo). O prazo pode ser estendido, dependendo do resultado dos exames laboratoriais.

Existem dois tipos de isolamento: o vertical, que é destinado somente a grupos de risco, como idosos e pessoas com comorbidades (diabéticos, hipertensos, pessoas com algum comprometimento pulmonar) e o horizontal, que atinge toda a população. No segundo, todos que não trabalham com atividades essenciais devem ficar em casa.

Quarentena

A quarentena restringe o acesso ou circulação de pessoas que foram ou podem ter sido expostas ao vírus. Pode ser um ato administrativo, estabelecido pelas secretarias de Saúde dos estados e municípios ou do ministro da Saúde, por exemplo.

A palavra foi criada em meados do século 14, em Veneza, na Itália, durante o período da peste bubônica. Para evitar que marinheiros trouxessem a doença para a cidade, autoridades fizeram com que toda a tripulação dos navios ficasse confinada por 40 dias antes de desembarcar. Atualmente, o termo não mudou, mas é possível que o período seja maior ou menor.

Lockdown

O lockdown é uma paralisação total dos fluxos e deslocamentos. A circulação de carros e pessoas também é reduzida, sendo autorizada apenas a saída de casa para a compra de alimentos, medicamentos e transporte de indivíduos para hospitais. Nesta etapa, o governo pode usar as forças armadas e aplicar multas e detenções para quem desrespeitar a medida.

Em resumo, pensando na escala de risco para serem adotados, do menor para o maior, os regimes são classificados nesta ordem: distanciamento social, isolamento, quarentena e lockdown.

Referência:

  1. Texto adaptado de Telessaúde RS – UFRGS, Jornal da Universidade – UFRGS, Secretaria da Saúde do RS e Organização Mundial da Saúde– OMS

Pinça Babcock

A Pinça Babcock faz parte do grupo de pinças que são destinados à preensão, sendo estes todos direcionados a função de prender e segurar vísceras e órgãos.

Um exemplo de cirurgia utilizada é a prostectomia radical.

 

Novos Anticoagulantes Orais (NOACs)

Os Novos Anticoagulantes Orais (New Oral Anticoagulants – NOACs), anticoagulantes orais diretos (Direct Oral Anticoagulants – DOACs) ou anticoagulantes orais não antagonistas da vitamina K (Non-vitamin K antagonist oral anticoagulants – NOACs), surgiram por causa das dificuldades para atingir anticoagulação ideal com tratamento com varfarina (por mais de meio século, a varfarina, um antagonista da vitamina K, foi o único anticoagulante oral disponível).

Sendo assim atribuídas ao seu início lento de ação, efeitos farmacológicos variáveis e numerosas interações com alimentos e medicamentos. Estas deficiências levaram ao desenvolvimento de novos anticoagulantes orais.

Podemos dividir estes fármacos em 2 grupos distintos consoante o seu mecanismo de ação: os inibidores do fator Xa e os inibidores do factor IIa (trombina).

Farmacocinética

Os novos anticoagulantes orais têm ação de início rápido e são administrados em doses fixas, sem necessidade de monitoramento laboratorial de rotina, como é o caso clássico dos antagonistas de vitamina K.

Além disso, tem meia-vida curta, o que facilita o manejo do paciente quando há necessidade de suspensão dessas drogas para realização de um procedimento diagnóstico ou cirúrgico. Por outro lado, a menor meia-vida gera maiores riscos quando se trata de esquecimento na tomada de uma dose que seja.

Propriedades farmacológicas dos NOACS aprovados no Brasil (2018)

Medicação

Inibição alvo

Pico de ação e Meia-vida

Antídoto

Dose e Posologia

Interação

Eliminação

Dabigatrana (Pradaxa®)

Trombina

1 – 3h e

12 – 17h

Idarucizumabe (Praxbind) 5g

150mg 2x

(110 mg 2x)*

Rifampicina

Quinidina

Amiodarona

80% Renal

20% Hepática

Rivaroxabana (Xarelto®)

FXa

2 – 4h e

7 – 13h

Em estudo

20 mg 1x

Cetoconazol

Ritonavir

Rifampicina

35% Renal

65% Hepática

Apixabana (Eliquis®)

FXa

1 – 3h e

9 – 14h

Em estudo

5 mg 2x

Cetoconazol

Ritonavir

Rifampicina

25% Renal

75% Hepática

Edoxabana (Lixiana®)

FXa

1 – 2 h e

10 – 14 h

Em estudo

60 mg 1x

(30 mg 1x)**

Ciclosporina

Cetoconazol

35% Renal

65% Hepática

*ClCr > 30 mg/dL. Para ClCr 15-30 mg/dL 75 mg 2x. Dose ajustada de 110 mg 2x para idosos ≥ 80 anos; FXa = Fator X ativado;
**ClCr 15 – 50 mg/dL ou Peso ≤ 60 kg ou inibidores da glicoproteína-P;

Referências:

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  5. RP Giugliano, CT Ruff, E Braunwald, et al.Once-daily edoxaban versus warfarin in patients with atrial fibrillation N Engl J Med, 369 (2013), pp. 2093-2104
  6. CB Granger, JH Alexander, JJ McMurray, et al., the ARISTOTLE Committees and InvestigatorsApixaban versus warfarin in patients with atrial fibrillation
  7. MR Patel, KW Mahaffey, J Garg, et al., the ROCKET AF InvestigatorsRivaroxaban versus warfarin in nonvalvular atrial fibrillation. N Engl J Med, 365 (2011), pp. 883-891
  8. SJ Connolly, MD Ezekowitz, S Yusuf, et al., the RE-LY Steering Committee and InvestigatorsDabigatran versus warfarin in patients with atrial fibrillation. N Engl J Med, 361 (2009), pp. 1139-1151

Hipertermia Maligna (HM)

A Hipertermia maligna é uma síndrome de origem genética, onde os indivíduos susceptíveis, quando expostos a determinados anestésicos (especialmente inalatórios) desenvolvem um quadro hipermetabólico, que caso não seja tratado imediatamente pode evoluir para óbito.

Foi descrita inicialmente na Austrália, no ano de 1960, por Denborough e Lowell, posteriormente outros casos foram descritos por em Wisconsin e Toronto.

A síndrome recebe esse nome, porque os indivíduos acometidos apresentam quadro de hipertermia e, na época em que foi descrito, a taxa de mortalidade era muito elevada. A incidência no mundo todo varia de 1:3000 a 1:250000 anestesias.

Como ocorre?

A hipertermia maligna ocorre, na maioria dos casos, devido à mutação de um canal de cálcio da musculatura esquelética. Essa mutação pode resultar na liberação exacerbada de cálcio no músculo, quando na presença de alguns anestésicos.

Isso pode resultar na destruição da fibra muscular esquelética. Como há um elevado consumo de energia, aumento de produção de CO2 e rápido aumento da temperatura corporal, com consequências bioquímicas e hematológicas, também pode haver a evolução para choque irreversível e colapso cardiovascular.

Tipos

Pode apresentar-se sob duas formas: início agudo e fulminante ou instalar-se insidiosamente. Pode ocorrer quando o indivíduo recebe a sua primeira anestesia, mas em um terço dos casos ocorre nas anestesias subsequentes.

Sintomas

Os sintomas apresentados por portadores da síndrome são: taquipneia, taquicardia, rigidez muscular, cianose e outros sinais hipermetabólicos.

Diagnósticos

Como os indivíduos susceptíveis só desenvolvem o quadro clínico quando são expostos aos agentes desencadeante, o diagnóstico é difícil.

O método utilizado até hoje como padrão, é o teste de contratura in vitro, onde uma amostra da musculatura do indivíduo mandada para análise apresenta resposta contrátil aumentada na presença do anestésico halotano e cafeína. Como esse teste e muito invasivo, o diagnóstico torna-se prejudicado pela reduzida adesão.

Antagonista

Existe apenas uma única droga capaz de reverter a crise, que é o dantrolene sódico, droga bloqueadora do canal de cálcio.

Os indivíduos susceptíveis podem levar uma vida normal. Apenas necessitam portar algum tipo de identificação da susceptibilidade a hipertermia maligna. Existem anestésicos que são considerados seguros para essa parcela da população, sendo assim, esses indivíduos podem ser submetidos a qualquer procedimento cirúrgico.

O que fazer na hipótese de Hipertermia Maligna

Uma vez estabelecida a hipótese diagnóstica de Hipertermia Maligna, a equipe deve:

  • Suspender os agentes desencadeadores imediatamente
  • Hiperventilar o paciente, com alto fluxo de oxigênio (100%)– para atender a demanda metabólica
  • Retirar os vaporizadores do circuito do equipamento de anestesia – Não é necessário trocar o equipamento de anestesia, pois isso acarretaria perda de tempo valioso para realizar outras medidas
  • Administrar o Dantrolene – o prognóstico é influenciado significativamente pelo tempo entre o início dos sintomas e a administração do fármaco
  • A anestesia será mantida com hipnóticos, opióides e bloqueadores neuromusculares adespolarizantes, conforme a necessidade do paciente
  • Resfriar o paciente. Utilizar resfriamento externo (aplicação de bolsas de gelo, colchão térmico) e interno (infusão de soluções geladas intravenosas, retais, vesicais– resfriamento ativo), se necessário, até atingir 38ºC – para evitar hipotermia
  • Monitorar a temperatura corporal
  • Corrigir a acidose metabólica e reduzir a hipercalemia
  • Tratar as arritmias cardíacas – geralmente são controladas com a correção da acidose de da hipercalemia
  • Manter diurese acima de 2ml/kg/h – com hidratação ou diuréticos
  • Concluir a cirurgia o mais rápido possível

Referências:

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertermia_maligna
  2. http://www.saj.med.br/hipertermia_maligna.htm
  3. http://medicalsuite.einstein.br/diretrizes/anestesia/hipertermia-maligna.pdf
  4. http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?bpid=119&id=18660
  5. http://www.centrodeestudos.org.br/pdfs/hipertermia.pdf
  6. http://www.rbaonline.com.br/files/rba/jul96302.pdf

Transferidor de Paciente “Passante”

Conhecida como “Passante”, a prancha de transferência de pacientes é caracterizada por um sistema rolante e deslizante, que minimiza o esforço físico dispendido em atividades diárias dos grupos de enfermagem nas manobras de passagem de pacientes de uma superfície para outra, minimizando também os riscos de lesões músculo esqueléticas, melhorando a qualidade e eficiência nas atividades diárias frente ao esforço, promovendo segurança e bem estar à todos os envolvidos.

Características

De material confeccionado em polímero expandido de formato retangular, dobrável, desmontável e lavável, revestida por material teflonado, dotada de ponteiras que revestem as suas extremidades, com alças para o transporte e sustentação, sendo que a prancha em sua extensão é recoberta por material resinado, permitindo um deslizamento suave sobre a prancha num sistema rolante, isto é, rola sobre si mesma, fazendo com que a prancha se desloque no mesmo sentido em que gira o material resinado, transportando consigo o que estiver sobreposto.

Sendo muito útil ergonomicamente, pois pode deslocar pacientes de diversas características, de uma forma rápida e segura tanto para o paciente e o profissional de enfermagem que realiza a transferência ao leito.

Também pode ser levado durante o trajeto até o setor de destino, pois além de dobrável, o material é leve e possui alças que facilitam o transporte conjunto, e também podendo acoplar embaixo da maca se houver compartimento para o transporte.

Referência: Passante

Estereognosia

A estereognosia gnose tátil é a capacidade de perceber e reconhecer a forma de um objeto na ausência de informações visuais e auditivas, usando o tato para analisar a textura, o tamanho, as propriedades espaciais, a temperatura, etc.

Em humanos, esse sentido, junto com a acuidade espacial tátil, percepção de vibração, discriminação de textura e propriocepção, é mediado pela via do lemnisco medial-coluna dorsal do sistema nervoso central.

Os testes de estereognose determinam se o lobo parietal do cérebro está ou não intacto.

Normalmente, esses testes envolvem a identificação do paciente de objetos comuns (por exemplo, chaves, pente, alfinetes) colocados em suas mãos sem nenhuma pista visual.  Estereognose é uma função cortical associativa cerebral superior.

Referências:

  1. Yekutiel, M., Jariwala, M., & Stretch, P. (1994). Sensory deficit in the hands of children with cerebral palsy: a new look at assessment and prevalence. Dev Med Child Neurol, 36:61-24.
  2. Silvestri: Saunders Comprehensive Review for the NCLEX-RN Exam
  3. Unsworth, C.A. (2007). Cognitive and Perceptual Dysfunction. In S.B. O’Sullivan & T.J. Schmitz (Eds.), Physical Rehabilitation, 5th ed. (pp. 1180-1181). Philadelphia: F.A. Davis Company.