Antiagregantes Plaquetários: O Que São e Como Eles Defendem o Coração e o Cérebro

Os antiagregantes plaquetários fazem parte de um grupo de medicamentos utilizados para prevenir a formação de trombos (coágulos sanguíneos). Eles desempenham um papel fundamental no tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e tromboses arteriais.

Para compreender seu funcionamento, é importante reconhecer que as plaquetas são células responsáveis pela coagulação inicial após uma lesão vascular. Quando ativadas, elas se agregam e formam um tampão plaquetário. Contudo, em doenças aterotrombóticas, essa agregação pode ser excessiva e obstruir vasos, impedindo o fluxo sanguíneo. É nesse ponto que entram os antiagregantes.

Como atuam os antiagregantes plaquetários?

Esses medicamentos atuam em pontos específicos da via de ativação plaquetária, impedindo que essas células se agreguem. Cada classe interfere em uma etapa diferente, variando conforme o receptor ou substância que inibe. Em geral, eles podem:

  • Bloquear receptores específicos da plaqueta;
  • Inibir substâncias que estimulam a agregação;
  • Impedir a ligação do fibrinogênio às plaquetas;
  • Aumentar o AMP cíclico, reduzindo a ativação plaquetária.

Sem causar dissolução do coágulo já formado (diferente dos trombolíticos), eles apenas evitam que novos coágulos sejam produzidos.

O Mecanismo de Ação: Bloqueando a Agregação

As plaquetas precisam de sinais químicos para se “ativar” e se “colar” umas nas outras. Os antiagregantes atuam bloqueando essas vias de sinalização, evitando que o coágulo patológico se forme.

As Classes de Antiagregantes Plaquetários

Os medicamentos antiagregantes são divididos em classes distintas, baseadas no alvo específico que bloqueiam nas plaquetas:

Inibidores da Ciclo-Oxigenase (COX)

Esta é a classe mais antiga e conhecida, liderada pelo icônico Ácido Acetilsalicílico.

  • O Medicamento Principal: Ácido Acetilsalicílico (AAS) ou Aspirina.
  • Mecanismo: O AAS inibe irreversivelmente a enzima Ciclo-Oxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas. Ao bloquear essa enzima, ele impede a produção de Tromboxano A2 (TXA₂), uma substância potente que causa vasoconstrição e é um poderoso ativador e agregador plaquetário.
  • Uso: É o medicamento base na prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares.
  • Cuidados de Enfermagem: Monitorar sinais de sangramento gastrointestinal (melena, hematêmese) e o uso concomitante com outros AINEs, que podem reduzir o efeito do AAS.

Inibidores do Receptor P2Y12 (Tienopiridinas)

Esta classe é fundamental para a chamada Terapia Antiplaquetária Dupla (DAPT), geralmente usada após stents coronarianos.

  • O que fazem: Bloqueiam o receptor de superfície P2Y12 das plaquetas. Este receptor é ativado pelo Adenosina Difosfato (ADP) e, quando ativado, é crucial para a agregação plaquetária. Ao bloquear o P2Y12, o ADP não consegue “ligar” as plaquetas.
  • Medicamentos Comuns: Clopidogrel, Prasugrel e Ticagrelor.
  • Cuidados de Enfermagem: O Clopidogrel é um pró-fármaco que precisa ser ativado pelo fígado, sendo menos potente em alguns pacientes. O Ticagrelor não é um pró-fármaco (age mais rápido) e frequentemente causa dispneia (falta de ar) como efeito colateral, o que deve ser orientado ao paciente para evitar pânico.

Inibidores de Glicoproteína IIb/IIIa (GP IIb/IIIa)

São os mais potentes e são reservados para uso hospitalar e situações agudas (como durante um cateterismo cardíaco de emergência).

  • O que fazem: Bloqueiam o receptor final e comum a todas as plaquetas, a Glicoproteína IIb/IIIa (GP IIb/IIIa). Este receptor é o ponto onde as plaquetas se ligam ao fibrinogênio (uma proteína de coagulação), formando a “ponte” final do coágulo. Bloquear esse receptor é como cortar todas as pontes de ligação.
  • Medicamentos Comuns: Abciximabe, Eptifibatide, Tirofiban.
  • Uso: Infusão intravenosa em UTI ou sala de hemodinâmica.
  • Cuidados de Enfermagem: Exigem monitoramento de sangramento em tempo real. Pela sua potência, o risco de hemorragias graves é elevado.

Inibidores de Fosfodiesterase (PD)

  • O que fazem: Aumentam os níveis de cAMP intracelular (um mensageiro que inibe a agregação) e causam vasodilatação.
  • Medicamento Comum: Cilostazol.
  • Uso: Principalmente para tratar a Claudicação Intermitente (dor nas pernas ao caminhar, causada por doença arterial periférica).

Cuidados de Enfermagem com Antiagregantes Plaquetários

O papel da enfermagem no manejo desses medicamentos é indispensável, especialmente pela vigilância de riscos hemorrágicos. Entre os cuidados essenciais:

Avaliação do risco de sangramento

É fundamental monitorar:

  • Presença de hematomas;
  • Sangramento gengival ou nasal;
  • Sangue nas fezes ou urina;
  • Vômitos com sangue ou escurecidos.

Monitoramento laboratorial

Embora os antiagregantes não alterem diretamente o tempo de coagulação como os anticoagulantes, exames podem ser solicitados para controle de trombose e reações adversas.

Atenção ao uso associado

Associá-los a anticoagulantes, AINES ou outros fármacos pode aumentar o risco de sangramento. A enfermagem deve sempre verificar prescrições e possíveis interações.

Orientação ao paciente

Pacientes precisam ser orientados a:

  • Não interromper o uso sem autorização médica;
  • Relatar sangramentos incomuns;
  • Evitar automedicação com AINES;
  • Informar o uso antes de cirurgias ou procedimentos invasivos.

Os antiagregantes plaquetários representam uma linha importante de cuidado preventivo e terapêutico para doenças trombóticas. Conhecer suas classes, mecanismos de ação e riscos permite ao profissional de enfermagem atuar de maneira segura, eficaz e colaborativa com a equipe multiprofissional. A vigilância contínua e a educação do paciente são pontos-chave para o uso adequado dessas medicações.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/. (Buscar as últimas diretrizes publicadas pela SBC). 
  2. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. (Consultar os capítulos sobre coagulação e farmacologia cardiovascular).
  3. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  4. RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes sobre Antiplaquetários e Anticoagulantes. 2021. Disponível em: https://www.sboc.org.br. Acesso em: 20 nov. 2024.
  6. GOLAN, D. E. Farmacologia: Fundamentos. 6. ed. São Paulo: Artmed, 2020.

Ácido Acetilsalicílico (AAS): Indicações, Mecanismo de Ação e Curiosidades

O ácido acetilsalicílico, conhecido popularmente como AAS, é um dos medicamentos mais antigos e utilizados na história da medicina. Presente em praticamente todos os serviços de saúde, ele possui múltiplas indicações terapêuticas, desde o alívio da dor até a prevenção de eventos cardiovasculares.

Para a enfermagem, compreender o funcionamento do AAS, suas indicações, riscos e cuidados é fundamental para garantir uma administração segura e uma assistência de qualidade ao paciente.

Do Salgueiro ao Laboratório: Uma Breve História

A história do AAS começou muito antes da síntese química em laboratório. Civilizações antigas, como os egípcios e os gregos, já utilizavam extratos da casca do salgueiro (Salix) para tratar febre e dores. Hipócrates, o pai da medicina, prescrevia infusões de casca de salgueiro para mulheres em trabalho de parto. O segredo estava na salicina, que o corpo converte em ácido salicílico.

No entanto, o ácido salicílico puro era extremamente agressivo para o estômago. Foi apenas em 1897 que o químico Felix Hoffmann, da Bayer, conseguiu sintetizar uma forma mais estável e menos irritante: o Ácido Acetilsalicílico. A partir daí, o medicamento se tornou um sucesso mundial, sendo inclusive o primeiro remédio a ser enviado ao espaço no kit de primeiros socorros da missão Apollo 11.

O que é o Ácido Acetilsalicílico (AAS)?

O ácido acetilsalicílico é um fármaco pertencente ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Ele apresenta três principais ações terapêuticas: analgésica, antipirética e anti-inflamatória. Em doses menores, possui importante efeito antiplaquetário, sendo amplamente utilizado na prevenção de doenças cardiovasculares.

Seu uso é extremamente difundido tanto em ambiente hospitalar quanto ambulatorial, estando presente em protocolos de emergência, cardiologia, neurologia e clínica médica.

Como o AAS Funciona: O Mecanismo que Todo Enfermeiro Deve Saber

Para entender o AAS, precisamos falar sobre as enzimas ciclooxigenases, as famosas COX-1 e COX-2. O AAS age inibindo essas enzimas, o que impede a cascata de produção das prostaglandinas e dos tromboxanos. As prostaglandinas são responsáveis por sensibilizar os receptores da dor e mediar o processo inflamatório e a febre.

O grande diferencial do AAS em relação a outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) é que a sua inibição da COX-1 nas plaquetas é irreversível. Uma vez que a plaqueta é exposta ao AAS, ela perde a capacidade de se agregar pelo resto da sua vida útil, que dura cerca de 7 a 10 dias. É por isso que o medicamento é tão eficaz na prevenção de eventos cardiovasculares, mas também é o motivo pelo qual deve ser suspenso dias antes de procedimentos cirúrgicos.

Indicações de Uso e Dosagens Clínicas

As indicações do AAS variam drasticamente conforme a dose administrada. Em doses mais elevadas, geralmente entre 500 mg e 1000 mg, ele atua como analgésico e antipirético, combatendo dores leves a moderadas e febre. Em doses ainda maiores, pode ser usado pelo seu efeito anti-inflamatório em doenças como a artrite reumatoide, embora hoje existam opções mais modernas para esse fim.

Na cardiologia, utilizamos a chamada “dose infantil” ou dose de manutenção, que varia de 75  mg a 100 mg por dia. Nessa dosagem, o objetivo não é tirar a dor, mas sim garantir o efeito antiagregante plaquetário. Ele é indicado para a prevenção secundária em pacientes que já sofreram Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), e também como protocolo imediato na suspeita de um evento isquêmico agudo.

A Síndrome de Reye: O Perigo Oculto na Pediatria

Um detalhe crucial para a enfermagem pediátrica é a contraindicação do AAS em crianças e adolescentes com sintomas virais, como gripe ou varicela. O uso do medicamento nesses casos está associado à Síndrome de Reye, uma condição rara, mas extremamente grave e potencialmente fatal, que causa edema cerebral e degeneração gordurosa do fígado.

Por esse motivo, o enfermeiro deve sempre questionar os pais sobre a administração de qualquer medicamento que contenha salicilatos em crianças febris, reforçando que o paracetamol ou a dipirona são opções muito mais seguras para essa faixa etária.

Apresentações e Vias de Administração

O AAS pode ser encontrado em diversas apresentações, como comprimidos simples, comprimidos revestidos, comprimidos efervescentes e formulações mastigáveis.

A via oral é a mais utilizada. Em situações específicas, como na emergência cardiológica, pode ser administrado por via oral mastigável para rápida absorção.

A enfermagem deve sempre observar se o paciente possui dificuldade de deglutição, risco de broncoaspiração ou restrição de via oral antes da administração.

Efeitos Adversos e Riscos do AAS

Apesar de ser um medicamento amplamente utilizado, o AAS não é isento de riscos.

Os principais efeitos adversos estão relacionados ao trato gastrointestinal, como dor epigástrica, gastrite, náuseas, vômitos e risco de sangramento digestivo.

O uso prolongado pode levar à formação de úlceras gástricas. Outro risco importante é o sangramento, devido à sua ação antiplaquetária. Pacientes em uso de AAS devem ser monitorados quanto a sinais de hemorragia, como gengivorragia, hematúria, melena e equimoses.

Em crianças e adolescentes, o AAS é contraindicado em infecções virais devido ao risco da Síndrome de Reye, uma condição rara, porém grave, que afeta o fígado e o sistema nervoso central.

Contraindicações do AAS

O AAS é contraindicado em pacientes com histórico de alergia ao medicamento ou a outros anti-inflamatórios não esteroides.

Também não deve ser utilizado em pessoas com úlcera péptica ativa, sangramentos gastrointestinais, distúrbios hemorrágicos, insuficiência renal grave e asma induzida por AINEs.

Gestantes, especialmente no terceiro trimestre, devem utilizar o medicamento apenas sob rigorosa orientação médica.

Cuidados de Enfermagem na Administração do AAS

A enfermagem possui papel essencial na administração segura do ácido acetilsalicílico:

  • Antes da administração, é fundamental verificar se o paciente possui histórico de alergias, sangramentos, uso de anticoagulantes ou doenças gástricas.
  • Deve-se observar a prescrição quanto à dose correta e finalidade terapêutica, pois doses analgésicas são diferentes das doses antiplaquetárias.
  • É importante orientar o paciente a ingerir o medicamento após as refeições, quando possível, para reduzir a irritação gástrica.
  • A equipe de enfermagem deve monitorar sinais de sangramento, dor abdominal, vômitos com sangue ou fezes escuras.
  • Em pacientes idosos, deve-se redobrar a atenção devido ao maior risco de efeitos adversos.
  • Também é necessário orientar o paciente a não fazer uso concomitante com outros anti-inflamatórios sem prescrição médica.

Uso do AAS na Emergência

Na suspeita de infarto agudo do miocárdio, o AAS é um dos primeiros medicamentos administrados, pois reduz rapidamente a agregação plaquetária e ajuda a limitar a formação do trombo coronariano.

Nesses casos, o comprimido costuma ser mastigável para acelerar a absorção.

A enfermagem deve estar atenta às contraindicações antes da administração, como histórico de sangramento ativo ou alergia.

Curiosidades sobre o Ácido Acetilsalicílico

  • O nome “aspirina” tornou-se tão popular que é frequentemente utilizado como sinônimo de AAS, embora seja uma marca comercial.
  • Estudos científicos continuam investigando possíveis benefícios do AAS na prevenção de alguns tipos de câncer, especialmente o câncer colorretal, em determinados grupos de risco.
  • É considerado um dos medicamentos mais estudados da história da farmacologia.

O ácido acetilsalicílico é um medicamento de grande importância clínica, com múltiplas aplicações terapêuticas. Apesar de ser amplamente utilizado, seu uso exige atenção quanto às doses, contraindicações e efeitos adversos.

O conhecimento da enfermagem sobre o AAS contribui diretamente para a segurança do paciente, prevenção de eventos adversos e melhor adesão ao tratamento.

Entender como ele age, quando é indicado e quais cuidados devem ser tomados é parte essencial da prática profissional responsável e baseada em evidências.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Bulário Eletrônico: Ácido Acetilsalicílico. Brasília: Anvisa, 2023. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/
  2. BRUNTON, Laurence L.; HILAL-DANDAN, Randa; KNOLLMANN, Björn C. As Bases Farmacológicas da Terapêutica de Goodman & Gilman. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.
  3. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Guia de Bolso de Farmacologia para Enfermagem. São Paulo: COREN-SP, 2021. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br
  4. KATZUNG, Bertram G. Farmacologia Básica e Clínica. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.
  5. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Bulário eletrônico: ácido acetilsalicílico. Brasília: ANVISA, 2023. Disponível em:
    https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
  6. KATZUNG, B. G.; TREVOR, A. J. Farmacologia básica e clínica. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2018.
  7. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz de prevenção cardiovascular. São Paulo: SBC, 2019. Disponível em:
    https://www.portal.cardiol.br
  9. BRUNTON, L. L.; HILAL-DANDAN, R.; KNOLLMANN, B. C. Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Model List of Essential Medicines. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/teams/health-product-and-policy-standards/essential-medicines

Síndrome de Reye

A síndrome de Reye é uma condição rara, mas potencialmente fatal, que afeta principalmente crianças e, ocasionalmente, adultos. Ela se caracteriza por inflamação do cérebro (encefalopatia) e acúmulo de gordura no fígado.

Causas e Desencadeadores

  • A causa exata da síndrome de Reye ainda não é completamente compreendida, mas existem fatores associados a seu desenvolvimento.
  • Infecções virais: A síndrome muitas vezes surge após infecções virais, como influenza (gripe) ou catapora (Vírus VVZ).
  • Uso de aspirina: O uso de aspirina (ácido acetilsalicílico) durante infecções virais aumenta o risco de desenvolver a síndrome de Reye. Por esse motivo, a aspirina não é recomendada para crianças, exceto em casos específicos, como o tratamento da doença de Kawasaki.

Sintomas

  • Os sintomas variam em gravidade, mas geralmente começam com sinais semelhantes aos de uma infecção viral:
    • Febre.
    • Sintomas respiratórios superiores (como tosse e coriza).
    • Mal-estar geral.
  • Após alguns dias, a criança pode apresentar:
    • Náusea intensa.
    • Vômitos persistentes.
    • Confusão.
    • Letargia (estado de sonolência e fraqueza).
  • Em casos graves, essas alterações no estado mental podem evoluir para:
    • Convulsões.
    • Coma.
    • Morte.

Diagnóstico

  • O diagnóstico da síndrome de Reye envolve:
    • Avaliação clínica: O médico suspeita da síndrome com base nos sintomas e histórico do paciente.
    • Exames laboratoriais:
      • Painel metabólico abrangente (PMA): Avalia o funcionamento do fígado e outros órgãos.
      • Provas de função hepática: Verifica a saúde do fígado.
    • Biópsia hepática: Coleta de uma pequena amostra do tecido do fígado para análise.

Tratamento

  • O tratamento visa:
    • Diminuir a pressão intracraniana: Reduzindo o inchaço cerebral.
    • Suporte hepático: Manter a função do fígado.
    • Controle dos sintomas: Administração de líquidos, vitamina K e medicamentos para controlar a inflamação.

Prognóstico

  • O prognóstico varia conforme a gravidade dos danos cerebrais.
  • A rápida identificação e tratamento adequado são essenciais para melhorar as chances de recuperação.

Cuidados de Enfermagem

  1. Monitoramento Contínuo:
    • Observe atentamente o estado mental da criança. Qualquer alteração súbita, como confusão, agitação ou sonolência excessiva, deve ser relatada imediatamente.
    • Monitore os sinais vitais, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial e respiração.
  2. Controle da Pressão Intracraniana:
    • Elevação da cabeceira da cama para reduzir a pressão intracraniana.
    • Administração de medicamentos conforme prescrição para diminuir o inchaço cerebral.
  3. Suporte Hepático:
    • Avalie a função hepática regularmente por meio de exames de sangue.
    • Mantenha o paciente bem hidratado para apoiar a função hepática.
  4. Restrição de Líquidos:
    • Monitorize o balanço hídrico e restrinja a ingestão de líquidos conforme necessário para evitar sobrecarga.
  5. Prevenção de Complicações Pulmonares:
    • Realize a higiene oral e pulmonar para prevenir infecções respiratórias.
    • Monitore a saturação de oxigênio e observe sinais de dificuldade respiratória.
  6. Comunicação com a Família:
    • Eduque os pais sobre a síndrome de Reye, seus sintomas e o tratamento.
    • Forneça suporte emocional à família durante o período de internação.

Lembre-se sempre de seguir as orientações médicas e evitar o uso inadequado de medicamentos, especialmente aspirina, em crianças. A síndrome de Reye é rara, mas sua gravidade exige atenção e cuidados adequados.

Referências:

  1. MSD Manuals

Dessensibilização à aspirina (AAS)

A aspirina é fundamental no tratamento de pacientes com SCA (Síndrome Coronariana Aguda), podendo-se lançar mão de protocolos de dessensibilização em pacientes alérgicos.

O AAS bloqueia a formação de tromboxano A2 (substância vasoconstritora e pró-trombótica), interferindo no metabolismo do ácido araquidônico e inibindo a formação da ciclo-oxigenase 1 (COX-1), enzima fundamental no processo de agregação plaquetária.

O plantonista então se depara com um grande problema quando está com um paciente coronariano e com alergia à aspirina. Esta pode manifestar-se desde alterações cutâneas e respiratórias até choque anafilático.

Para pacientes que apresentam reações de hipersensibilidade ao AAS, pode-se lançar mão de protocolos de dessensibilização, que consistem na administração oral de doses sucessivamente crescentes de AAS até atingir a dose terapêutica pretendida.

Tais protocolos consistem em administração crescente gradual de doses de AAS em um período que demandam dias para serem completados, tempo precioso que o paciente com SCA não possui. Por esta razão, entende-se a importância de novos protocolos de dessensibilização mais rápidos, passíveis de conclusão em poucas horas, visando iniciar tratamento antiplaquetário no paciente em questão ainda no próprio dia do evento cardiovascular.

O protocolo

Para o procedimento, é diluído um comprimido de 100mg em SF0,9% 100 ml  –> ficando com a Solução 1mg/ml.

Os cuidados e recomendações

  • Quando optado por dessensibilização nos pacientes com história de anafilaxia, esta deve ser realizada em ambiente de terapia intensiva com monitorização dos sinais vitais e possibilidade de tratamento imediato das reações;
  • Deixar separado em BEIRA LEITO anti-histamínicos de urgência como BENADRYL e corticóides;
  • Orientar os pacientes a não interromperem o uso do AAS após a dessenbilização, pois intervalos maiores que 7 dias sem o medicamento pode reativar reações e necessitar de novas dessensibilizações;
  • Preferir angioplastia com Stent convencional, pois a duração mínima da dupla antiagregação é mais curta quando comparada aos Stents farmacológicos e nos casos de uso isolado de inibidores do recepetor P2Y12 existe a possibilidade de se tentar a dessensibilização durante o  primeiro mês após a ATC;
  • Não associar dois tienopiridínicos já que  não existe evidencia para tal conduta sendo a mesma contraindicada pelos guidelines.

A hipersensibilidade ao AAS é um achado comum na população geral, e frente à alta incidência de SCA no nosso meio, frequentemente nos deparamos com pacientes que necessitam do seu uso, porém, relatam reações alérgicas.

O procedimento de dessensibilização nesses casos mostra-se seguro, de baixo custo e com alta taxa de sucesso, devendo-se cada vez mais sua implementação ser encoraja.

 

Referências:

  1. Wong JT, Nagy CS, Krinzman SJ, Maclean JA, Bloch KJ. Rapid oral challenge-desensitization for patients with aspi rin-related urticaria-angioedema. J Allergy Clin Immunol.
    2000; 105: 997-1001
  2. Rossini R, Iorio A, Pozzi R, Bianco M, Musumeci G, LeonardiS, et al. Aspirin desensitization in patients with coronary artery disease: results of the multicenter ADAPTED registry (Aspirin Desensitization in Patients With Coronary Artery Disease). Circ Cardiovasc Interv. 2017;10(2):1-6.

Que Medicamento é Esse?: Ácido Acetilsalicílico

O ácido acetilsalicílico está indicado para:

  • O alívio sintomático de dores de intensidade leve a moderada, como dor de cabeça, dor de dente, dor de garganta, dor menstrual, dor muscular, dor nas articulações, dor nas costas, dor da artrite;
  • o alívio sintomático da dor e da febre nos resfriados ou gripes.

Como Funciona?

Este medicamento contém a substância ativa ácido acetilsalicílico, que pertence ao grupo de substâncias antiinflamatórias não-esteroides, com propriedades anti-inflamatória (atua na inflamação), analgésica (atua na dor) e antitérmica (atua na febre). O ácido acetilsalicílico inibe a formação de substâncias mensageiras da dor, as prostaglandinas, propiciando alívio da dor.

Os Efeitos Colaterais

Como qualquer medicamento, o ácido acetilsalicílico pode provocar os seguintes efeitos indesejáveis:

  • Efeitos comuns: dor de estômago e sangramento leve (micro-hemorragias);
  • Efeitos ocasionais: náuseasvômitos e diarreia;
  • Casos raros: podem ocorrer sangramentos e úlceras do estômago, reações alérgicas em que aparece dificuldade para respirar e reações na pele, principalmente em pacientes asmáticos e anemia após uso prolongado, devido ao sangramento oculto no estômago ou intestino;
  • Casos isolados: podem ocorrer alterações da função do fígado e dos rins, queda do nível de açúcar no sangue e reações cutâneas graves. Doses baixas de ácido acetilsalicílico reduzem a excreção de ácido úrico e isso pode desencadear ataque de gota em pacientes susceptíveis.

O uso prolongado pode causar distúrbios do sistema nervoso central, como dores de cabeçatonturas, zumbidos, alterações da visão, ou anemia devido à deficiência de ferro.

Se ocorrer qualquer uma dessas reações indesejáveis ou ao primeiro sinal de alergia, você deve parar de tomar ácido acetilsalicílico. Informe o médico, que decidirá quais medidas devem ser adotadas.

Se notar fezes pretas, informe o médico imediatamente, pois é sinal de séria hemorragia no estômago.

Informe ao seu médico, cirurgião-dentista ou farmacêutico o aparecimento de reações indesejáveis pelo uso do medicamento. Informe também à empresa através de seu serviço de atendimento.

Quando é Contraindicado?

O ácido acetilsalicílico não deve ser utilizado nas seguintes situações:

  • se for alérgico ao ácido acetilsalicílico ou a salicilatos ou a qualquer dos ingredientes do medicamento, se não tiver certeza de ser alérgico ao ácido acetilsalicílico, consulte o seu médico;
  • asma brônquica;
  • se tiver tendência para sangramentos;
  • se tiver úlceras no estômago ou no intestino;
  • se já tiver tido crise de asma induzida pela administração de salicilatos ou outras substâncias semelhantes;
  • se estiver em tratamento com metotrexato em doses iguais ou superiores a 15 mg por semana;
  • se tiver alteração grave da função dos rins;
  • se tiver alteração grave da função do fígado;
  • se tiver alteração grave da função do coração;
  • se estiver no último trimestre de gravidez.

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe imediatamente seu médico em caso de suspeita de gravidez.

Os Cuidados de Enfermagem

  • Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de apresentação do medicamento.
  • Administrar por via oral.
  • Observar sinais de superdosagem.
  • Orientar o paciente sobre risco de hemorragia.

Nos casos de superdosagem, o paciente poderá apresentar náuseas, vômitos, sangramento oculto, rash cutâneo e hematomas.