Por que não funciona meu acesso venoso periférico?

Há diversas razões pelas quais um acesso venoso periférico (AVP) pode não estar funcionante. Estas razões podem ser divididas em problemas relacionados ao cateter, à veia ou ao paciente.

O que pode ser?

Problemas relacionados ao cateter:

  • Mal posicionamento: O cateter pode estar fora da veia, na parede da veia ou perfurando a parede posterior da veia.
  • Obstrução: Coágulos sanguíneos (trombose), medicamentos precipitados, ou fragmentos de tecido podem obstruir o lúmen do cateter.
  • Deslocamento: O cateter pode ter se deslocado da veia.
  • Dobramento ou torção: O cateter pode estar dobrado ou torcido, impedindo o fluxo.
  • Danos ao cateter: O cateter pode ter sido danificado durante a inserção ou uso.
  • Incompatibilidade com a solução infundida: Alguns medicamentos podem precipitar dentro do cateter.
  • Cateter com ponta extravasada: A ponta não está na veia.
  • Falha na técnica de inserção: Técnicas inadequadas podem levar a um cateter mal posicionado ou obstruído.

Problemas relacionados à veia:

  • Tromboflebite: Inflamação da veia com formação de coágulo.
  • Flebotrombose: Formação de coágulo na veia.
  • Veia fragilizada: Veias finas, frágeis ou esclerosadas podem se romper ou colapsar facilmente.
  • Veia ocluída: Veia totalmente obstruída por coágulo, inflamação ou compressão.
  • Extravasamento: A solução administrada escoa para fora do vaso sanguíneo.

Problemas relacionados ao paciente:

  • Desidratação: A desidratação reduz o volume sanguíneo, dificultando a visualização e punção das veias.
  • Uso de drogas vasoconstritoras: Drogas que constrigem os vasos sanguíneos podem dificultar a punção venosa.
  • Obesidade: A gordura subcutânea pode dificultar a localização das veias.
  • Edema: O edema periférico dificulta a visualização e a palpação das veias.
  • Uso de drogas intravenosas: Uso prolongado pode danificar as veias, tornando-as inadequadas para a punção.
  • Cirurgia ou trauma prévio: Cirurgias ou traumas prévios podem ter danificado as veias.
  • Doenças vasculares: Doenças como a arterioesclerose ou a insuficiência venosa podem prejudicar as veias.
  • Idade avançada: As veias tendem a tornar-se mais frágeis com o envelhecimento.

É importante lembrar que esta lista não é exaustiva e um profissional de saúde precisa avaliar o caso individualmente para determinar a causa específica da disfunção do AVP. A avaliação inclui a revisão da técnica de inserção, exame físico da área e, se necessário, exames de imagem.

Referências:

  1. Negri, D. C., Avelar, A. F. M., Andreoni, S., & Pedreira, M. L. G. (2012). Fatores predisponentes para insucesso da punção intravenosa periférica em crianças. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(6), [08 telas].
  2. COREN-MS
  3. JOHANN, Derdried Athanasio; DANSKI, Mitzy Tannia Reichembach; VAYEGO, Stela Adami; BARBOSA, Dulce Aparecida; LIND, Jolline. Fatores de risco para complicações no cateter venoso periférico em adultos: análise secundária de ensaio clínico randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 2016;24:e2833. DOI: 10.1590/1518-8345.1457.2833.

Complicações da Canalização do Acesso Venoso Periférico

A canalização do acesso venoso periférico, embora seja um procedimento comum na prática médica, pode apresentar diversas complicações, que variam em gravidade e frequência. É fundamental que tanto profissionais de saúde quanto pacientes estejam cientes dessas possíveis ocorrências para que possam ser identificadas precocemente e tratadas de forma adequada.

Complicações Locais

  • Infiltração: É a mais comum e ocorre quando o líquido infundido extravasa para os tecidos circunvizinhos, causando edema, dor e, em casos mais graves, necrose tecidual.
  • Flebite: Inflamação da veia, caracterizada por eritema, dor, calor e endurecimento ao longo do trajeto venoso. Pode evoluir para trombose venosa.
  • Trombose: Formação de um coágulo sanguíneo dentro da veia, podendo obstruir o fluxo sanguíneo e causar dor, edema e risco de embolia.
  • Infecção: Pode ocorrer na pele ao redor do local da punção ou na própria corrente sanguínea, causando febre, calafrios e eritema.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes: Ocorre quando medicamentos irritantes para os tecidos extravasam para fora da veia, causando lesões teciduais graves.

Complicações Sistêmicas

  • Embolia: Um fragmento do coágulo sanguíneo pode se desprender e migrar para outras partes do corpo, causando obstrução vascular em órgãos vitais.
  • Sepse: Infecção generalizada grave que pode levar a falência de múltiplos órgãos.
  • Sobrecarga hídrica: Ocorre quando o volume de líquido infundido excede a capacidade de eliminação do organismo, levando a edema pulmonar e outras complicações.
  • Reações alérgicas: Podem ocorrer em resposta a medicamentos ou componentes do equipo de infusão, manifestando-se por urticária, angioedema, broncoespasmo e choque anafilático.

Fatores de Risco

  • Condições da veia: Veias pequenas, tortuosas ou com histórico de trombose aumentam o risco de complicações.
  • Tipo de cateter: Cateteres de pequeno calibre ou com ponta afiada podem aumentar o risco de flebite e trombose.
  • Tempo de permanência do cateter: Quanto mais tempo o cateter permanecer na veia, maior o risco de infecção e trombose.
  • Tipo de solução infundida: Soluções hipertônicas ou medicamentos vesicantes aumentam o risco de extravasamento e irritação tecidual.
  • Técnicas de inserção: A técnica inadequada de inserção do cateter pode aumentar o risco de todas as complicações.

Prevenção

  • Seleção adequada do local de punção: Escolher veias de bom calibre, com bom fluxo sanguíneo e longe de articulações.
  • Técnica asséptica rigorosa: Utilizar luvas, anti-sepsia da pele e equipamentos estéreis.
  • Fixação segura do cateter: Evitar movimentos do cateter e reduzir o risco de infiltração.
  • Monitoramento regular do local de punção: Observar sinais de inflamação, edema ou extravasamento.
  • Rotatividade dos locais de punção: Evitar o uso prolongado do mesmo local.
  • Uso de dispositivos de segurança: Reduzir o risco de acidentes com agulhas.

Tratamento das Complicações após Canalização Venosa Periférica

O tratamento das complicações após a canalização venosa periférica varia de acordo com a gravidade e o tipo de complicação. É fundamental que o profissional de saúde avalie cada caso individualmente e inicie o tratamento de forma rápida e eficaz.

Complicações e seus respectivos tratamentos

  • Infiltração:
    • Leve: Elevar o membro, interromper a infusão, aplicar compressas frias e utilizar medicação anti-inflamatória.
    • Moderada a grave: Aplicar calor úmido, utilizar medicamentos vasoativos e, em casos extremos, realizar cirurgia.
  • Flebite:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anti-inflamatórios não esteroides.
    • Moderada a grave: Utilizar antibióticos em casos de infecção, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
  • Trombose:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
    • Moderada a grave: Utilizar anticoagulantes de ação prolongada e, em casos graves, realizar trombólise.
  • Infecção:
    • Local: Remover o cateter, limpar a ferida com antisséptico e utilizar antibióticos.
    • Sistêmica: Hospitalização, coleta de culturas para identificação do microrganismo e uso de antibióticos de amplo espectro.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes:
    • Leve: Interromper a infusão, elevar o membro e aplicar compressas frias.
    • Moderada a grave: Utilizar antídotos específicos, se disponíveis, e realizar tratamento cirúrgico em casos graves.

Medidas gerais para todas as complicações

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente o local da punção e os sinais vitais do paciente.
  • Higiene: Manter o local da punção limpo e seco.
  • Elevação do membro: Facilitar o retorno venoso e reduzir o edema.
  • Analgesia: Utilizar medicamentos para aliviar a dor.
  • Prevenção de novas complicações: Trocar o cateter com frequência, utilizar técnicas assépticas e selecionar o local de punção de forma adequada.

Outras informações importantes

  • Prevenção: A melhor forma de tratar as complicações é preveni-las. A adoção de práticas seguras durante a canalização venosa periférica é fundamental.
  • Educação do paciente: É importante orientar o paciente sobre os sinais e sintomas das complicações, a fim de que ele possa procurar ajuda médica o mais rápido possível.
  • Registro: É fundamental registrar todas as complicações ocorridas, bem como as medidas terapêuticas adotadas.

Referências:

  1. 3M
  2. Complicações relacionadas ao uso do cateter venoso periférico: ensaio clínico randomizado
  3. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/6661/5908
  4. https://periodicos.ufms.br/index.php/pecibes/article/view/13332/9195

Fixação de AVP: Método alternativo

Sabemos que a ANVISA ( Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde , 2017)  recomenda o uso de películas transparentes estéreis, porém na realidade de muitos profissionais no Brasil, essa tecnologia ainda não está ao seu alcance (vários hospitais não disponibilizam este material).

A maioria tem em seu alcance fitas adesivas (microporosas e esparadrapos), no entanto temos que ter pensamento crítico, utilizar de meios que são disponibilizados para poder dar continuidade ao tratamento.

Método alternativo

Um método alternativo para quem não tem o recurso para películas transparente estéreis, você pode fazer:

  • Recortar duas tiras maiores (um para base e outra para cobertura com identificação), e outra menor (para fixar o cateter);
  • Posicionar a primeira tira maior na base entre a pele e o cateter (assim ajuda a não escorregar o cateter);
  • Utilizar a tira menor para entrelaçar ente cateter e a base (nó de gravata ou borboleta, “borboletinha”);
  • Fixar a tira maior de identificação entre o cateter e a base.

Seria tão mais fácil se o sistema de saúde funcionasse corretamente no Brasil, não precisaríamos ter que recorrer a estas alternativas.

Referência:

  1. EBSERH

Tala para imobilização de acesso venoso

O uso de tala em crianças com cateter venoso periférico (CVP) pode ser necessário para evitar que o cateter se mova ou se desconecte, causando complicações como sangramento, infiltração, trombose ou infecção.

O Parecer COREN-SP Nº 022/2020

Ante o acima exposto, entende-se que o uso de dispositivos de imobilização física, tipo tala, para proteger locais de acesso vascular em pacientes pediátricos é prática que oferece riscos e seu uso não deve ser rotineiro, e não deve ser utilizado com recém-nascidos e lactentes jovens.

Cabe ao enfermeiro avaliar os riscos e benefícios do uso de dispositivos de imobilização física do tipo tala na criança, caso haja indicação para sua aplicação, e esta deve ser executada conforme Protocolo Institucional, contendo informações sobre idade da criança, tipos de dispositivos indicados para imobilização, meios de proteção da criança, tempo e uso do dispositivo, avaliação periódica do local imobilizado em busca de sinais de complicação e de queixas de desconforto, obtenção da autorização da família e concordância da criança.

Reforça-se que a execução de toda e qualquer atividade deve estar embasada na Sistematização da Assistência de Enfermagem, por meio do Processo de Enfermagem, conforme Resolução Cofen nº 358/2009, com permanente avaliação do processo de trabalho e o registro adequado dos procedimentos realizados.

Os Cuidados

A tala deve ser aplicada com cuidado, respeitando a anatomia e a circulação do membro, e deve ser trocada periodicamente para avaliar a pele e o estado do cateter. A tala também deve ser confortável e segura para a criança, evitando que ela se sinta angustiada ou restrita.

Algumas dicas para o uso de tala em crianças com CVP são:

  • Escolher o material adequado para a tala, como gesso, plástico ou espuma, de acordo com a disponibilidade, o custo e a preferência da criança.
  • Medir o tamanho da tala de acordo com o comprimento e a largura do membro, deixando uma margem de 1 a 2 cm para evitar compressão excessiva.
  • Proteger a pele do membro com gaze ou algodão, especialmente nas áreas de maior atrito ou pressão, como cotovelos, pulsos, joelhos e tornozelos.
  • Fixar o cateter com fita semi permeável transparente estéril, evitando dobras ou torções que possam obstruir o fluxo sanguíneo ou causar irritação na pele.
  • Colocar a tala sobre o membro, envolvendo-o com atadura ou faixa elástica, sem apertar demais ou deixar folgas. A tala deve cobrir todo o membro, desde a articulação acima até a articulação abaixo do local do cateter.
  • Verificar a circulação do membro, observando se há alterações na cor, na temperatura, no pulso ou na sensibilidade. Se houver sinais de comprometimento vascular, como palidez, cianose, frieza ou dormência, a tala deve ser afrouxada ou removida imediatamente.
  • Orientar a criança e os familiares sobre os cuidados com a tala, como evitar molhar, sujar ou danificar o material, manter o membro elevado e imóvel, e comunicar qualquer desconforto ou alteração no membro ou no cateter.
  • Registrar o procedimento de aplicação da tala, anotando o tipo de material usado, o tamanho da tala, o local do cateter e as condições do membro antes e depois da imobilização.
  • Revisar a tala a cada 24 horas ou conforme a necessidade, verificando o estado da pele, do cateter e da circulação do membro. Se houver necessidade de trocar a tala, repetir os passos anteriores com cuidado e higiene.

Referências:

  1. Parecer COREN-SP
  2. EBSERH

Os Tipos de Oclusores de Acessos Venosos

A troca de oclusores de acessos venosos é uma medida importante para prevenir infecções relacionadas à assistência à saúde e garantir a segurança do paciente.

O que são oclusores?

Os oclusores, também chamados de “tampas, conectores” são dispositivos que permitem a interrupção e a retomada da infusão de soluções e medicamentos por meio de cateteres periféricos ou centrais.

Eles devem ser trocados de acordo com as recomendações da ANVISA e do fabricante, ou antes em caso de sujidade, má aderência, sangramento ou umidade.

Tempo de uso/troca

Em geral, recomenda-se o uso único em oclusores simples, macho-fêmea e auto-selante, troca em até 96 horas para conectores valvulados ou sempre que houver suspeita de contaminação.

Outros cuidados

Além disso, é necessário realizar a higiene das mãos antes e após a manipulação dos oclusores, bem como a limpeza do sítio de inserção do cateter com antisséptico adequado.

A escolha do tipo de oclusor deve levar em conta o objetivo da terapia intravenosa, a duração, a viscosidade e os componentes do fluido, as condições de acesso venoso e o risco de complicações, como flebite, trombose e extravasamento.

Os oclusores devem ser estabilizados e cobertos com curativos adequados para evitar o deslocamento ou a contaminação do cateter.

Em caso de dificuldade ou falha na infusão, deve-se verificar a integridade e a permeabilidade do oclusor e do cateter, e realizar o flushing com solução salina ou heparina conforme indicado.

A troca de oclusores de acessos venosos é um cuidado essencial para a qualidade da assistência e o bem-estar dos pacientes que necessitam de terapia intravenosa.

Referências:

  1. B.Braun
  2. EBSERH

Acessos Vasculares: Enxerto VS Fístula Arteriovenosa

Os pacientes renais dialíticos podem obter acessos vasculares, para a realização de hemodiálise em seu tratamento a longo prazo. E neste caso pode ser realizado um enxerto arteriovenoso ou uma fístula arteriovenosa.

A Fístula Arteriovenosa com ENXERTO

Um enxerto arteriovenoso é ligação de uma veia a uma artéria, utilizando um tubo de plástico macio. Após o enxerto ter cicatrizado, a hemodiálise pode ser realizada. O enxerto permite o aumento do fluxo sanguíneo, permitindo melhor filtração do sangue.

Enxertos tendem a necessitar de cuidados e manutenção. Cuidar bem  do acesso pode diminuir os riscos de complicações como infecção e tromboses.

A Fístula Arteriovenosa DIREITA

A fístula arteriovenosa para hemodiálise é uma conexão direta de uma artéria a uma veia. Este é o tipo preferido de acesso, porque uma vez que a fístula amadurece e se torna maior e mais forte, pode durar muitos anos. Depois da fístula ser criada, cirurgicamente, devemos esperar a sua cicatrização a amadurecimento para a sua utilização. Esse período dura em média 30 dias.

As Vantagens

  • Menor risco de infecção do que os enxertos ou cateteres;
  • Menor tendência a coagular do que o enxerto ou cateteres;
  • Permite uma maior circulação de sangue, aumentando a eficácia da hemodiálise;
  • Reduz o tempo de tratamento;
  • Alta durabilidade;
  • Menor custo.

Cuidados

Limpeza: A limpeza é a principal forma de manter seu acesso longe da infecção.

Mantenha-se atento aos sinais como dor, sensibilidade, inchaço ou vermelhidão ao redor da área da fístula. Se você tiver febre, consulte o seu médico. O uso de antibióticos para uma infecção, quando precoce, pode tratar e manter seu acesso duradouro.

O Fluxo Sanguíneo Irrestrito

Qualquer restrição do fluxo sanguíneo pode causar coagulação.

Aqui estão algumas dicas para ajudar a manter o sangue fluindo sem restrições:

  • Evite roupas apertadas ou joias que possam colocar pressão sobre sua área de acesso;
  • Não transportar malas, bolsas ou qualquer tipo de item pesado sobre sua área de acesso;
  • Não deixe ninguém colocar um manguito de pressão sanguínea em seu braço de acesso – tem a sua pressão arterial medida do seu braço não acesso;
  • Não colher exames de sangue do membro onde está o seu acesso;
  • Não durma com o seu braço de acesso sob sua cabeça ou travesseiro;
  • Verifique o pulso em seu acesso diariamente.

O Frêmito

A vibração do sangue passando por seu braço é chamado de “frêmito”. Você deve verificá-lo várias vezes ao dia. Se o “frêmito” muda ou para, pode ser indicativo de obstrução do seu acesso.

Procurar imediatamente seu médico para avaliar sua fístula, pois o tratamento precoce pode salvar o seu acesso.

Referência:

  1. Toregeani JF, Kimura CJ, Rocha AST, Volpiani GG, Bortoncello Â, Shirasu K, et al.. Avaliação da maturação das fístulas arteriovenosas para hemodiálise pelo eco-Doppler colorido. J vasc bras [Internet]. 2008Sep;7(3):203–13. Available from: https://doi.org/10.1590/S1677-54492008000300005

Acesso Venoso Central: Locais Preferenciais na Região Cervical

Quando um paciente necessita de uma Canulação Venoso Central, é importante que o médico conheça a anatomia fundamental para o sucesso do procedimento que, por ser invasivo, pode causar muitas complicações para o paciente.

Locais de Preferência

Para realizar o acesso venoso central, é preciso considerar algumas variáveis: o estado clínico do paciente, e sua própria habilidade e experiência em realizar esse procedimento. Os locais de maior preferência para o acesso são:

1º: V. Jugular interna direita

2º: V. Jugular interna esquerda

Nas veias jugulares, há menor risco de complicações por pneumotórax, hidrotórax e hemotórax, já que estão mais distantes da pleura. Entretanto, porque pescoço é um local de maior mobilidade, há maior risco de perda do cateter por tração acidental.

Além disso, caso o paciente esteja hipovolêmico, as jugulares tendem a colabar, dificultando o acesso.

3º: Vv. subclávias direita e esquerda

As veias subclávias não colabam se o paciente estiver hipovolêmico, e a região é um local de menor mobilidade por parte do paciente, tornando mais difícil a perda acidental dos cateteres.

Entretanto, é um local de maior risco de complicações que podem ser muito graves para a vida do paciente, principalmente quando o médico tem pouca experiência com o procedimento. Exemplo disso são os riscos de pneumotórax, hidrotórax e hemotórax.

É preciso dar preferência para a subclávia direita, porque o ducto torácico drena para a subclávia esquerda, e sua punção pode causar quilotórax (derramamento da linfa entre os espaços pleurais).

É importante lembrar que o músculo esternocleidomastóideo recobre as veias jugulares, e ele vai ter uma inserção clavicular, e outra esternal.

Escolha do Sítio de Punção

  • A escolha deve levar em conta a condição clinica do paciente, a experiência do médico e a indicação do acesso;
  • Preferencialmente, utiliza-se o sítio da veia jugular interna (VJI) ou veia subclávia (VSC) por menor chance de contaminação e infecção associada ao cateter quando comparada a veia femoral (VFe); Estudos recentes têm demonstrado que a chance de infecção do cateter está muito mais relacionada aos cuidados diários do que ao sítio propriamente dito; porém, na prática, existe essa preferência que foi descrita;
  • Quando se opta por VJI ou VSC, é preferencial a escolha do lado direito, visto que a cúpula pleural é mais baixa, o que reduz a chance de pneumotórax, e devido ao fato do ducto torácico desembocar na VSC esquerda, com menos risco de quilotórax.

A seguinte ordem de opção na escolha do sítio de punção é sugerida, levando-se em conta a facilidade da técnica e o menor risco de complicações:

  • Veia Jugular Interna (VJI);
  • Veia Subclávia (VSC);
  • Veia Jugular Externa (VJE).

Punção da Veia Jugular Interna

Vantagens

  • Menor risco de complicações;
  • Local mais facilmente compressível e de mais fácil acesso em caso de controle cirúrgico de complicações;
  • Pode-se puncionar em discrasias sanguíneas moderadas;
  • Mais facilmente canulada durante PCR.

Desvantagens

  • Punção difícil em pessoas com pescoço curto e/ou obesos;
  • Anatomia da VJI é variável;
  • Na hipovolemia, a VJI tende a colabar;
  • Local de mobilidade, o que dificulta a manutenção de curativo seco e estéril;
  • Evitar em pacientes traqueostomizados, devido ao maior risco de infecção de cateter.

Contraindicações

  • Discrasias sanguíneas graves;
  • Cirurgia de carótida ipsilateral;
  • Tumores cervicais ou intravasculares com invasão para o átrio direito.

Complicações comuns

  • Punção acidental da carótida (mais comum);
  • Punção acidental da traqueia e lesão do nervo laríngeo recorrente;
  • Embolia aérea, trombose, flebite e pneumotórax;
  • Lesão cardíaca pelo cateter.

Punção da Veia Subclávia

Vantagens

  • Menor risco de complicações;
  • Muitas relações anatômicas e fixas;
  • Menor chance de perda de acesso;
  • Menor risco de infeção do sítio de punção;
  • Não colaba no choque hipovolêmico.

Desvantagens

  • Necessidade de prática para evitar complicações;
  • Difícil compressão, no caso de acidentes arteriais;
  • Alto risco de complicações graves.

Contraindicações

  • Discrasias sanguíneas de qualquer grau;
  • Pacientes com DPOC;
  • Trauma clavicular, cirurgias prévias no local ou deformidades;
  • Durante PCR.

Complicações comuns

  • Punção acidental da artéria subclávia, hematomas e sangramentos;
  • Má posição do cateter, ou introdução excessiva;
  • Embolia aérea, trombose, flebite e pneumotórax;
  • Lesão cardíaca pelo cateter.

Como é localizado?

Para obter acesso nas veias jugulares, é preciso palpar a cabeça esternal, e desenhar uma linha imaginária seguindo o trajeto do músculo.

Depois, é preciso desenhar outra linha imaginária, dessa vez seguindo o trajeto da clavícula.

Em seguida, o desenho de uma bissetriz entre essas duas linhas imaginárias vai ser feita, e o trajeto dessa bissetriz vai indicar o local onde deve ocorrer a punção com a agulha.

Por fim, a realização da punção deve ser feita em um ângulo de 30º graus, com a ponta da agulha apontando para o mamilo ipsilateral.

Referências:

  1. AMATO, A. C. M. Procedimentos médicos: técnica e tática. 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016.
  2. https://www.auladeanatomia.com/sistemas/383/sistema-venoso

Cateteres Venosos Periféricos: As diferenças entre SCALP e ABBOCATH

Scalp e cateter jelco são dois dos materiais mais utilizados em hospitais nos procedimentos de acesso venoso periférico. A técnica consiste na introdução de um dispositivo em uma veia periférica com o objetivo de tirar uma amostra de sangue, administrar drogas via endovenosa ou realizar reposição volêmica e de hemoderivados.

O Cateter Venoso Periférico Agulhado “Scalp”

Popularmente conhecido como Butterfly, o scalp agulhado borboleta é um dispositivo de infusão intravenoso que deve ficar menos tempo no acesso venoso do paciente do que os cateteres venosos. Esse scalp é composto de agulhas nos calibres 19G, 21G, 23G, 25G e 27G, que ficam acopladas a uma mangueira extensora conectada a uma seringa. A desvantagem dos Scalps é que não permitem que o paciente dobre o braço para evitar que o equipamento saia do lugar.

Para saber mais sobre o Cateter Scalp:

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

O Cateter Venoso Periférico Flexível “Abbocath”

Popularmente conhecido como “Abbocath”, os cateteres venosos periféricos flexíveis proporcionam maior conforto e segurança aos pacientes e aos profissionais. Eles são recomendados na utilização por períodos prolongados ou que exijam a administração de medicamentos com maior risco de causar inflamações nas veias ou lesões na pele do paciente. E também no caso de extravasamento, quando podem causar contaminação do profissional, como no caso das medicações quimioterápicas.

A agulha é confeccionada em aço inoxidável com bisel trifacetado com a finalidade de perfurar a pele até chegar ao acesso venoso, preservando a integridade do cilindro, evitando que ele se dobre ou se quebre até chegar ao vaso. Ele é confeccionado de polímero policloreto de vinila (FEP (Teflon®) ou Vialon), ou polímero poliuretano (PU), ambos flexíveis, de calibres 14G, 16G, 20G,22G,24G e 26G.

Em uma das extremidades possui um conector 6% luer onde se observa o retorno sanguíneo e promove a conexão com a seringa, equipo, multivias, etc. para que se inicie a infusão. Há também opção com dispositivo de segurança, um mecanismo que recobre a ponta da agulha após a utilização, evitando acidente ocupacional.

Para saber mais sobre o Cateter Abbocath:

Cateteres Flexíveis

Agora, qual é a diferença na aplicação destes cateteres na prática?

Os cateteres venosos periféricos flexíveis “abbocath” são utilizados nos procedimentos intermitentes de fluidos, quando há a necessidade de se manter o acesso no paciente por um tempo prolongado (de 48 a 72 horas).

É ideal para administrar medicamentos com maior risco de causar danos aos vasos e à pele do paciente ou inflamações, e também em casos em que possa ocorrer a contaminação do profissional de saúde, como sessões de quimioterapia.

Os cateteres venosos periféricos agulhados “scalp” devem ser utilizados para infusão de curta duração (em torno de 24 horas), de baixo volume, quando não há necessidade de manter o acesso no paciente.

Pode ser usado para administração de medicamentos “in bolus” ou “flush”, e para pacientes com veias muito finas e comprometidas, como terapia de dose única, administração de medicamento IV em bolus ou para coleta de sangue.

Referência:

  1. PHILLIPS, D.L. Manual de Terapia Intravenosa. 2ºed.Porto Alegre: Artmed,2001.

O que é “Lúmen” de um Cateter?

O termo Lúmen na medicina, denomina-se como uma via de acesso que pode ser administrado medicamentos, mensuração de PVC, hemoderivados, reposição volêmica, coleta de sangue , entre outros.

É praticamente um tubo, que conectado a um tubo central, é implantado sob a pele do paciente em uma via venosa de grosso calibre, podendo ser utilizado em situações como grandes cirurgias, emergências, terapia nutricional parenteral, entre outros.

O principal objetivo é de manter um acesso por longo período de tempo, para auxiliar a terapia medicamentosa do paciente.

Os diversos cateteres que pode conter de 01 a 05 lúmens são os Cateteres Venosos Centrais, Cateteres Venosos Centrais de Inserção Periférica (PICC), Cateteres para Hemodiálise Shilley, Permcaths, Portocaths, e até o Swan Ganz. 

Saídas Situadas em Diferentes pontos do Cateter

Geralmente, os Cateteres Venosos Centrais e o Swan Ganz podem possuir mais de duas saídas, ou pontas, situadas em distâncias pré-determinadas do coração.

A ponta distal do cateter das veias jugular e subclávia deverá estar na parte inferior da veia cava superior, enquanto que os cateteres femorais devem ser posicionados de modo a ponta do cateter encontrar-se dentro da veia cava inferior torácica.

Os únicos cateteres que não possuem estas diferenciações são o de Inserção Periférica (PICC), pois ele pode ser cortado com uma lâmina de bisturi após a mensuração da anatomia do paciente, sendo inserido com o tamanho adequado ao paciente, o que não necessitaria nesta situação os tipos de pontas diferenciadas, a de Shilley, Permcath e Portocath.

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