AVC Isquêmico, Hemorrágico e Transitório: As diferenças

Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando o suprimento de sangue para o cérebro é interrompido, causando danos às células cerebrais. Existem três tipos principais de AVC, cada um com suas características distintas:

AVC Isquêmico

  • Causa: Ocorre devido a um bloqueio em uma artéria que leva sangue ao cérebro, geralmente por um coágulo sanguíneo.
  • Sintomas: Os sintomas são semelhantes aos outros tipos de AVC, incluindo fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, dificuldade para falar, visão turva e confusão.
  • Tratamento: O tratamento geralmente envolve medicamentos para dissolver o coágulo, como o ativador do plasminogênio tecidual (t-PA). Em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia para remover o coágulo.

AVC Hemorrágico

  • Causa: Ocorre quando um vaso sanguíneo no cérebro se rompe, causando sangramento dentro do tecido cerebral.
  • Sintomas: Os sintomas são semelhantes ao AVC isquêmico, mas a dor de cabeça súbita e intensa é mais comum.
  • Tratamento: O tratamento depende da localização e da gravidade do sangramento. Pode envolver medicamentos para controlar a pressão arterial, cirurgia para reparar o vaso sanguíneo ou procedimentos para drenar o sangue.

Ataque Isquêmico Transitório (AIT)

  • Causa: Também chamado de “mini AVC”, ocorre quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é temporariamente interrompido, geralmente por um coágulo pequeno que se dissolve rapidamente.
  • Sintomas: Os sintomas são os mesmos do AVC, mas duram menos de 24 horas e geralmente desaparecem completamente.
  • Importância: Embora os sintomas sejam temporários, o AIT é um sinal de alerta para um possível AVC futuro. É crucial procurar atendimento médico imediatamente.

Em resumo:

Característica AVC Isquêmico AVC Hemorrágico AIT
Causa Bloqueio de uma artéria Ruptura de um vaso sanguíneo Bloqueio temporário de uma artéria
Sintomas Fraqueza, dificuldade para falar, visão turva, confusão Semelhantes ao AVC isquêmico, mas com dor de cabeça intensa Semelhantes ao AVC, mas duram menos de 24 horas
Tratamento Medicamentos para dissolver o coágulo, cirurgia Medicamentos, cirurgia, drenagem Não há tratamento específico, mas é importante procurar atendimento médico

É fundamental lembrar que o tempo é crucial no tratamento do AVC. Quanto mais rápido o paciente receber atendimento médico, maiores são as chances de recuperação.

Referência:

  1. Rede D´Or

Acidente Vascular Encefálico (AVE)

O AVE – Acidente Vascular Encefálico, também conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC), acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. É uma doença que acomete mais os homens e é uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo.

Quanto mais rápido for o diagnóstico e o tratamento do AVE, maiores serão as chances de recuperação completa. Desta forma, torna-se primordial ficar atento aos sinais e sintomas e procurar atendimento médico imediato.

Existem dois tipos de AVE, que ocorrem por motivos diferentes:

  • AVE hemorrágico.

Ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVE isquêmico.

  • AVE isquêmico.

O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a uma trombose ou a uma embolia. O AVE isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.

O impacto dos Hemisférios Cerebrais

Os hemisférios cerebrais se comunicam por um feixe de fibras nervosas, conhecidas como corpo caloso, responsáveis disponibilizar a informação armazenada no córtex de um dos hemisférios à área cortical correspondente do hemisfério oposto.

Essa assimetria hemisférica torna o corpo caloso uma estrutura importante, pois proporciona a transmissão de informação entre eles.

Cada hemisfério é especializado para um tipo particular de informação. Essa especialização ocorre mesmo entre a variabilidade individual. Como exemplo, as funções matemáticas e o desenvolvimento do sentido de direção, são representados pelo hemisfério direito; a linguagem, a leitura e a escrita, pelo hemisfério esquerdo.

Dessa forma, há especializações para cada um dos hemisférios cerebrais levando a que os indivíduos apresentem, em geral, um hemisfério mais desenvolvido do que o outro denominado de hemisfério dominante.

Na prática clínica, existe a impressão de que a recuperação funcional de pacientes com AVE à esquerda é pior do que a de pacientes com AVE à direita.

Entretanto, não houve confirmação experimental desta ideia. Alguns descrevem uma menor recuperação da simetria e velocidade dos movimentos de levantar-se de uma cadeira nesse tipo de paciente, mas, como excluíram casos com déficits sensoriais e com heminegligência, os achados são de difícil interpretação.

Outros referem recuperação ligeiramente inferior do desempenho, conforme evidenciado pela medida de independência funcional, dois meses após a lesão do hemisfério esquerdo.

O impacto funcional de lesões do hemisfério direito também é grande. Pacientes com essas lesões apresentam, inicialmente, prejuízo da imagem corporal, negligência para o espaço extracorpóreo contralesional e comprometimento visuomotor.

Quais os sintomas e como começa um AVE?

Os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVE são:

  • fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;
  • confusão mental;
  • alteração da fala ou compreensão;
  • alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
  • alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
  • dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Tratamento e reabilitação do AVE

O tratamento do AVE é feito nos Centros de Atendimento de Urgência, que são os estabelecimentos hospitalares que desempenham o papel de referência para atendimento aos pacientes com AVE.

A reabilitação pode ser feita nos Centros Especializados em Reabilitação (CERS). A melhor forma de tratamento, atendimento e reabilitação, que podem contar inclusive com medicamentos, devem ser prescritos por médico profissional e especialista, conforme cada caso.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS. Disponível em http://www.datasus.gov.br. 

  2. DURWARD, B.; BAER, G.; WADE, J. Acidente vascular cerebral. In: STOKES, M. Neurologia para fisioterapeutas. Bogotá: Primeiro ministro, 2000.

  3. KLEINDORFER, D.; BRODERICK, J.; KHOURY, J.; FLAHERTY, M.; WOO, D.; ALWELL, K.; MOOMAW, C.J.; SCHNEIDER, A.; MILLER, R.; SHUKLA, R.; KISSELA, B. The unchanging incidence and case-fatality of stroke in the 1990s: a population-based study. Stroke; 37(10):2473-8, 2006.

  4. ROWLAND, L. P.; MERRI, T.T. Tratado de Neurologia. 10 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

  5. POWER, M. An update on thrombolysis for acute ischaemic stroke. ACNR; 4 (3); 36-37, 2004.

  6. PIRES, S. L.; GAGLIARDI, R. J.; GORZONI, M. L. Estudo das frequências dos principais fatores de risco para acidente vascular cerebral isquêmico em idosos. Arq. neuropsiquiatria; 62(3b): 844-851, 2004.

  7. SANVITO, W. L. O cérebro e suas vertentes. 2 ed., São Paulo: Roca, 1991.

  8. GUYTON, A. C. Tratado de fisiologia médica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

Notícias da Enfermagem

Caminhos que se cruzam: jovem tem vida salva por técnica de enfermagem que passava por local de acidente de trânsito

“Não lembro de muita coisa do acidente, apenas que paramos no posto para abastecer, segurei no meu parceiro e veio a freada brusca. Recordo que fui arremessada e depois arrastada. Senti muita dor, e a sensação era horrível. Pessoas gritavam para não deixar o motorista fugir e, no meio desse tumulto, surgiu uma voz suave […]

Escala Pré-Hospitalar de Cincinnati

A classificação pré-hospitalar de AVE pode ser feita pela Escala Pré-hospitalar para AVE de Cincinnati, onde será utilizada a avaliação de três achados físicos em menos de um minuto.

Nesta escala, serão avaliados a queda facial, a debilidade dos braços e a fala anormal, onde, pacientes com aparecimento súbito de um destes três achados possui 72% de probabilidade de um AVE; se os três achados estiverem presentes a probabilidade passa a ser maior que 85%.

Como Testar

  • Queda facial: pede-se para o paciente mostrar os dentes ou sorrir (Normal: ambos os lados da face movem-se igualmente; Anormal: um lado da face não se move tão bem quanto o outro);
  • Debilidade dos braços: O paciente fecha os olhos e mantém os braços estendidos (Normal: ambos os braços movem-se igualmente ou não se movem; Anormal: Um braço não se move ou cai baixo, quando comparado com o outro);
  • Fala anormal: Pede-se para o paciente dizer “o rato roeu a roupa do rei de Roma” (Normal: usa as palavras corretas, com pronúncia clara; Anormal: pronuncia palavras ininteligíveis, usa palavras incorretas ou é incapaz de falar);

Sobre o Acidente Vascular Encefálico

O acidente vascular cerebral (AVC), ou acidente vascular encefálico (AVE), vulgarmente chamado de derrame cerebral, é caracterizado pela perda rápida de função neurológica, decorrente do entupimento (isquemia) ou rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais.

É uma doença de início súbito na qual o paciente pode apresentar paralisação ou dificuldade de movimentação dos membros de um mesmo lado do corpo, dificuldade na fala ou articulação das palavras e déficit visual súbito de uma parte do campo visual.

Pode ainda evoluir com coma e outros sinais. Trata-se de uma emergência médica que pode evoluir com sequelas ou morte, sendo a rápida chegada no hospital importante para a decisão terapêutica.

No Brasil, a principal causa de morte são as doenças cardiovasculares (cerca de 1 a cada 3 casos), com o AVE representando cerca de 1/3 das mortes por doenças vasculares, principalmente em camadas sociais mais pobres e entre os mais idosos.

É o problema neurológico mais comum em algumas partes do mundo gerando um dos mais elevados custos para as previdências sociais dos países. Dentre os principais fatores de risco para AVE estão: a idade avançada, hipertensão arterial (pressão alta), tabagismo, diabetes, colesterol elevado, acidente isquêmico transitório (AIT) prévio, estenose da válvula atrioventricular e fibrilação atrial.

Referências:

1. AHA American Heart Association/ ACLS Emergências em Cardiologia.

2. Suporte avançado de vida em cardiologia. Barbara Aehlert. Tradução da 3ª edição. Edição/reimpressão: 2009.

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