Medicamentos para o Manejo da Bradicardia

A bradicardia é uma condição caracterizada por uma frequência cardíaca anormalmente baixa. O tratamento medicamentoso visa aumentar a frequência cardíaca e restaurar o ritmo cardíaco normal. Os medicamentos mais comumente utilizados para o manejo da bradicardia incluem atropina, dopamina, epinefrina e isoproterenol.

Medicamentos para o Manejo da Bradicardia

Atropina

Bloqueia os receptores muscarínicos, aumentando a frequência cardíaca ao inibir a ação do nervo vago.

  • Indicações: Bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular (BAV) de primeiro grau e alguns casos de BAV de segundo grau.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, boca seca, visão turva, retenção urinária.

Dopamina

Estimula os receptores alfa e beta-adrenérgicos, aumentando a força de contração do coração e a frequência cardíaca.

  • Indicações: Bradicardia sintomática, hipotensão e choque.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, hipertensão, náuseas, vômitos.

Epinefrina

Estimula os receptores alfa e beta-adrenérgicos, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial.

  • Indicações: Bradicardia sintomática, parada cardíaca, reanimação cardiopulmonar.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, hipertensão, angina, edema pulmonar.

Isoproterenol

Estimula os receptores beta-adrenérgicos, aumentando a frequência cardíaca e a força de contração do coração.

  • Indicações: Bradicardia sintomática refratária a outros tratamentos.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, angina, hipertensão.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem em pacientes com bradicardia são cruciais para monitorar a condição do paciente, prevenir complicações e garantir a segurança durante o tratamento. A bradicardia, caracterizada por uma frequência cardíaca anormalmente baixa, pode levar a sintomas como tontura, fadiga e, em casos mais graves, síncope.

Monitorização Contínua

  • Eletrocardiograma (ECG): Monitorar o ritmo cardíaco continuamente para detectar alterações e identificar possíveis arritmias.
  • Sinais vitais: Aferir frequentemente a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura.
  • Saturação de oxigênio: Monitorar os níveis de oxigênio no sangue através da oximetria de pulso.

Avaliação Clínica

  • Sintomas: Perguntar ao paciente sobre a presença de sintomas como tontura, vertigem, falta de ar, dor no peito e síncope.
  • Nível de consciência: Avaliar o nível de alerta e orientação do paciente.
  • Perfusão periférica: Observar a coloração da pele, temperatura e tempo de enchimento capilar para avaliar a perfusão tecidual.

Intervenções de Enfermagem

  • Repouso: Manter o paciente em repouso para diminuir a demanda cardíaca.
  • Posição de Trendelenburg: Em casos de hipotensão, elevar os membros inferiores para aumentar o retorno venoso.
  • Oxigenoterapia: Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica.
  • Medicamentos: Administrar medicamentos antiarrítmicos conforme prescrição médica e monitorar os efeitos colaterais.
  • Monitoramento de líquidos: Avaliar o balanço hídrico e ajustar a infusão de líquidos conforme necessário.
  • Educação ao paciente: Explicar a condição, a importância do tratamento e as medidas de autocuidado.

Prevenção de Complicações

  • Prevenção de quedas: Adotar medidas para prevenir quedas, como auxiliar o paciente na deambulação e utilizar dispositivos de segurança.
  • Identificação de causas subjacentes: Colaborar com a equipe médica para identificar e tratar as causas subjacentes da bradicardia.

Colaboração com a Equipe Multidisciplinar

  • Cardiologista: Informar ao cardiologista sobre qualquer alteração no estado clínico do paciente.
  • Nutricionista: Orientar o paciente sobre a importância de uma dieta equilibrada para manter a saúde cardiovascular.
  • Fisioterapeuta: Indicar a fisioterapia para melhorar a capacidade funcional do paciente.

É importante ressaltar que os cuidados de enfermagem em pacientes com bradicardia devem ser individualizados e adaptados às necessidades de cada paciente.

Referências:

  1. Kawabata M, Yokoyama Y, Sasaki T, Tao S, Ihara K, Shirai Y, Sasano T, Goya M, Furukawa T, Isobe M, Hirao K. Severe iatrogenic bradycardia related to the combined use of beta-blocking agents and sodium channel blockers. Clin Pharmacol. 2015 Feb 16;7:29-36. doi: 10.2147/CPAA.S77021. PMID: 25733934; PMCID: PMC4337503.
  2. negto; Maria Lícia Ribeiro Cury Pavão; Carlos Henrique Miranda. Bradiarritmias. Revista Qualidade HC, v. 23, n. 1, p. 1-5, 2017.
  3. WAGNER, Maegan. Bradycardia: Nursing Diagnoses & Care Plans. NurseTogether, 6 mai. 2023. Disponível em: <https://www.nursetogether.com/bradycardia-nursing-diagnosis-care-plan/&gt;
  4. Araújo AA, Nóbrega MML, Garcia TR. Diagnósticos e intervenções de enfermagem para pacientes portadores de insuficiência cardíaca congestiva utilizando a CIPE®. Rev Esc Enferm USP. 2011;47(2):385-92. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/pyFqL75rsL6NZVBspdstGys/?format=pdf

Atropina: Não utilizado mais em PCR!

A atropina é um medicamento com diversas finalidades, que age bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina e relaxando os músculos lisos dos órgãos internos. Vamos explorar mais sobre esse composto essencial:

O seu uso

A atropina é um remédio de uso injetável indicado para várias condições médicas:

  1. Intoxicação por inseticidas organofosforados ou carbamatos: A atropina atua como antídoto nesses casos, revertendo os efeitos tóxicos dessas substâncias.
  2. Arritmias cardíacas: Especialmente a bradicardia sinusal, a atropina é utilizada para aumentar a frequência cardíaca.
  3. Úlcera péptica: A atropina tem ação antiarrítmica e antiespasmódica, auxiliando no tratamento dessa condição.
  4. Cólica renal ou biliar: A atropina pode aliviar espasmos dolorosos nessas situações.
  5. Diminuição da produção de saliva e muco do trato respiratório durante a anestesia e intubação: É usada para preparar o paciente para procedimentos.
  6. Doença de Parkinson: Embora menos comum, a atropina pode ser empregada em alguns casos.
  7. Preparo para radiografias gastrointestinais: Ajuda a relaxar os músculos do trato gastrointestinal.

Descontinuação no Suporte Avançado de Vida na PCR

Recentemente, as diretrizes de suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) passaram por mudanças significativas em relação ao uso da atropina. Eis o que mudou:

  • Uso rotineiro descontinuado: Anteriormente, a atropina era frequentemente administrada para tratar ritmos cardíacos lentos durante a PCR. No entanto, as novas diretrizes não recomendam mais seu uso rotineiro nesses casos.
  • Estudos e evidências: Pesquisas mostraram que a atropina não oferece benefícios terapêuticos significativos em ritmos elétricos sem pulso (como assistolia) ou bradicardia grave. Portanto, seu uso foi descontinuado em situações de PCR.

O que estão fazendo agora?

  • Priorizando a RCP de alta qualidade: A ressuscitação cardiopulmonar continua sendo a base do tratamento durante a PCR.
  • Evitando a Atropina: Em ritmos elétricos sem pulso ou bradicardia, considerando outras opções terapêuticas.
Referência:
  1. Gonzalez M, Timerman S, Gianotto-Oliveira R, Polastri T, Canesin M, Schimidt A, et al.. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013Aug;101(2):1–221. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S006

Atropina Sublingual e a Sialorreia

A sialorreia é caracterizada pelo excesso de salivação ou pela incapacidade de conter a saliva na boca, causando efeitos negativos importantes na saúde e na qualidade de vida do indivíduo, pois afeta a higiene, a nutrição, o sono, a fala e pode gerar estigma.

Esse é um sintoma comum em doenças neurológicas, como a paralisia cerebral e em pacientes com sequelas decorrentes de acidente vascular cerebral.

Existem diversas formas de controle da sialorreia descritas na literatura, como terapia medicamentosa, aplicação de toxina botulínica, radioterapia e procedimentos cirúrgicos.

Contudo, algumas dessas abordagens podem não ser viáveis em alguns casos e o ideal é que se opte, sempre que possível, por formas de tratamento menos invasivas.

O uso da Atropina para o tratamento de Sialorreia Intensa

No Brasil, a atropina pode ser encontrada em duas formas farmacêuticas: como solução injetável, que tem como uma das indicações o uso como pré-anestésico para reduzir a produção de saliva, e na forma de colírio, que é utilizada em exames e tratamentos oftalmológicos.

Na prática clínica, há relatos de que o uso do colírio de atropina também ocorre de modo off-label por via sublingual, com o objetivo de controlar a sialorreia, pois promove a inibição local das secreções.

Os estudos disponíveis sobre a eficácia da atropina no tratamento da sialorreia são escassos e apresentam limitações importantes, sendo que muitas vezes não fica claro qual foi a forma farmacêutica da atropina avaliada no estudo.

Ainda assim, esses estudos fornecem evidências que podem ser úteis ao se considerar o uso sublingual da atropina no tratamento da sialorreia.

As evidências disponíveis até o momento não nos permitem afirmar que o uso da atropina por via sublingual é eficaz no tratamento da sialorreia.

Na maioria dos casos, o benefício da atropina na redução da saliva é temporário ou os efeitos adversos (boca excessivamente seca, constipação e retenção urinária) inviabilizam a continuidade do uso.

É importante ressaltar ainda que a utilização do colírio oftalmológico por via sublingual pode aumentar as chances de erros de medicação, como a administração por via incorreta e erros de dose.

Tendo em vista a escassez de tratamentos para a sialorreia, é importante considerar que alguns pacientes podem se beneficiar com o uso desse medicamento nessas condições, no entanto, é necessário que a relação entre potenciais riscos e benefícios dessa alternativa terapêutica seja avaliada individualmente, de maneira rigorosa e contínua.

Referências:

  1. Hall JE. Funções secretoras do trato alimentar. No Hall JE, ed. Guyton & Hall Textbook of Medical Physiology, 12ª ed. Filadélfia: SaundersElsevier; 2011. pp. 773-776
  2. Rius JM, Llobet LB, Soler EL, Farré M. Salivary Secretory Disorders, Inducing Drugs, and Clinical Management. Int J Med Sci. 2015; 12(10):811-824. Acesso 2020 julho 30. DOI:10.7150/ijms.12912
  3. De Simone GG, Eisenchlas JH, Junin M, Pereyra F, Brizuela R. Atropine drops for drooling: a randomized controlled trial. Palliative medicine. 2006;20(7):665-71.
  4. Scully C, Limeres J, Gleeson M, Tomás I, Diz P. Drooling. J Oral Pathol Med. 2009;38 (4): 321-7.
  5. Hyson HC, Johnson AM, Jog MS. Sublingual atropine for sialorrhea secondary to parkinsonism: a pilot study. Movement disorders: official journal of the Movement Disorder Society. 2002;17(6):1318-20.
  6. Atropion. Responsável técnico: Eliza Yukie Saito. São Paulo: Blau Farmacêutica S.A., 2018. Bula de medicamento.
  7. Atropina: colirio. Responsável técnico: Dra. Elizabeth Mesquita. São Paulo: Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda, 1979. Bula de medicamento.
  8. Silva PC, Gomes MO, Dallarmi. Drug and off-label use. Visão Acadêmica, Curitiba, v.12, n.2, p. 65-73, Jul./Dez./2011. Acesso 2020 julho 30. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/acd.v12i2.25221
  9. Norderyd J , Graf J, Marcusson A , Nilsson K , Sjöstrand E, Steinwall G, Ärleskog E , Bågesund M. Sublingual administration of atropine eyedrops in children with excessive drooling – a pilot study. Int J Paediatr Dent. 2017; 27 (1): 22-29. Acesso 2020 agosto 14. DOI: https://doi.org/10.1111/ipd.12219
  10. Leung JG, Schak KM. Potential problems surrounding the use of sublingually administered ophthalmic atropine for sialorrhea. Schizophreniaresearch. 2017;185:202-3.

Medicaciones más usadas en una Intubación

Intubación

03:00 de la mañana. Usted está en su primer turno nocturno en la sala de trauma de un hospital de emergencia puerta abierta, referencia en politrauma en la región. Hasta ahora estaba tranquilo, sin ninguna gran intercurrencia. Hasta ahora … Se oye el ruido de la sirena de una ambulancia … Comenzó bajito y fue aumentando, aumentando, aumentando … Definitivamente el destino de aquel vehículo de socorro era el hospital en que usted estaba. Momentos de aprehensión hasta la llegada del equipo de primera atención con el paciente. En fin, el misterio cesa y el paciente aparece

Un joven, varón, en torno a los 25 años de edad, víctima de una colisión “auto x auto”. Al mirar más superficial, usted nota sangre y excoriaciones en diversas regiones del cuerpo. La primera cosa que le viene a la cabeza es el gran dogma del ATLS®: ABCDE!

Al iniciar la evaluación primaria de ese paciente, una conclusión es obvia: ¡El médico necesita intubar! Se opta por la secuencia rápida de intubación (SRI), estrategia estándar en la atención de emergencia de pacientes cuya intubación no es prevista como difícil. Durante los preparativos, usted se encuentra con las siguientes preguntas martillando su conciencia:

  • ¿Qué sedante debe usar?
  • ¿Qué pre-tratamiento debe iniciar?
  • ¿Cuál es la dosis?
  • ¿Debe asociar un analgésico? ¿O una relajación muscular?

Cuando se habla de SRI, estamos hablando de intubar bajo el efecto de un bloqueador neuromuscular, lo que implica paralizar toda la musculatura esquelética del paciente. Sin embargo, estas drogas no alteran la conciencia y mucho menos la respuesta al dolor, de modo que su uso sin una sedación asociada sería extremadamente desagradable e incómodo. Además, la manipulación de las vías aéreas, en esas condiciones, provocaría respuestas sistémicas indeseables, como taquicardia, hipertensión arterial y aumento de la presión intracraneal (PIC). Otro beneficio de los sedantes es inducir amnesia, además de mejorar la visión laringoscópica de las vías aéreas.

El Pretratamiento

Idealmente, al realizar un procedimiento, debemos estar acompañados de otro médico del equipo para que él pueda auxiliar en la atención, si algo no ocurre de acuerdo a lo previsto.

Debemos preparar todos los materiales necesarios para la intubación, dejándolos separados y probados (!):

  • En las salidas de aire de la pared: Oxígeno, material de aspiración, dispositivo de máscara de balón (Ambu).
  • Con el equipo: Laringoscopio con diferentes láminas, tubo orotraqueal, hilo guía, drogas seleccionadas, material de rescate para una vía aérea difícil.
  • El paciente: Monitorización cardiaca, saturación periférica de oxígeno, presión no invasiva, acceso venoso, cojín occipital, evaluación simplificada y rápida de la dificultad de la vía aérea.

En primer lugar, las drogas administradas aquí se hacen 3 minutos antes de la sedación y el bloqueo neuromuscular, es decir, durante ese período el paciente va siendo pre oxigenado (y cualquier material que aún no esté listo, va siendo preparado).

Drogas mais utilizadas:

medicacoesintubacao mais utilizadas A

medicacoesintubacao mais utilizadas 2

Referencias:

Mace SE. Challenges and advances in rapid sequence intubation. Emerg Med Clin N Am. 2008; 26: 1043-1068.
Stollings JL, Diedrich DA, Oyen LJ, Brown DR. Rapid-sequence intubation: a review of the process and considerations when choosing medications. Ann Pharmacother. 2014; 48(1): 62-76.

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