
Vá direto ao ponto!
- 1. O que são drogas vasoativas?
- 2. Vasopressores: quando a pressão precisa de suporte
- 2.1. Noradrenalina
- 2.2. Vasopressina
- 2.3. Adrenalina
- 2.4. Dopamina
- 3. Inotrópicos: quando o problema também é o débito
- 3.1. Dobutamina
- 3.2. Vasodilatadores
- 3.3. Nitroprussiato de sódio
- 4. O que mudou na administração dos vasopressores
- 5. Cuidados de enfermagem
- 6. Uma forma simples de memorizar
Na UTI, a pergunta mais importante sobre uma droga vasoativa não é apenas “qual é o nome?”. É o que ela está tentando corrigir naquele paciente. Pressão baixa, baixo débito cardíaco, vasodilatação excessiva e hipertensão exigem estratégias diferentes, e confundir esses efeitos pode levar a uma titulação inadequada.
O que são drogas vasoativas?
Drogas vasoativas são medicamentos capazes de modificar o tônus vascular, a contratilidade cardíaca, a frequência cardíaca ou a combinação desses efeitos. São utilizadas principalmente em situações de instabilidade hemodinâmica e precisam de titulação e monitorização cuidadosas.
Elas podem ser organizadas didaticamente em vasopressores, inotrópicos e vasodilatadores, embora alguns medicamentos apresentem mais de um efeito. A escolha depende da causa do choque, da perfusão, da função cardíaca e da resposta ao tratamento.
Vasopressores: quando a pressão precisa de suporte
Noradrenalina
A noradrenalina é um potente vasopressor, com predominância de efeito alfa-adrenérgico e alguma atividade beta-1. Aumenta a resistência vascular e, consequentemente, a pressão arterial, sendo atualmente o vasopressor de primeira linha no choque séptico.
Nas diretrizes de 2026, a noradrenalina continua preferida à dopamina, adrenalina ou vasopressina como primeira escolha no choque séptico. A titulação deve considerar a pressão arterial e, principalmente, os sinais de perfusão do paciente.
Vasopressina
A vasopressina atua principalmente nos receptores V1a dos vasos, promovendo vasoconstrição por um mecanismo diferente das catecolaminas. No choque séptico, pode ser adicionada à noradrenalina quando a necessidade de vasopressor está aumentando.
Ela não deve ser confundida com um simples “substituto da noradrenalina”: seu uso depende do cenário clínico e do protocolo adotado.
Adrenalina
A adrenalina estimula receptores alfa e beta-adrenérgicos, produzindo vasoconstrição, aumento da contratilidade e da frequência cardíaca. É fundamental em situações como anafilaxia e parada cardiorrespiratória e pode ser utilizada em determinados cenários de choque.
No choque séptico, as diretrizes de 2026 colocam a adrenalina como opção adicional quando a pressão permanece inadequada apesar da noradrenalina e da vasopressina, embora a escolha dependa do contexto clínico.
Dopamina
A dopamina apresenta efeitos dependentes da dose, mas a antiga ideia de utilizar “dopamina renal” para proteger os rins não deve mais fazer parte da prática atual.
Além disso, no choque séptico, a dopamina não é a primeira escolha e apresenta maior preocupação com arritmias em comparação à noradrenalina. Seu uso hoje é mais restrito e depende de situações específicas.
Inotrópicos: quando o problema também é o débito
Dobutamina
A dobutamina aumenta principalmente a contratilidade cardíaca, podendo elevar o débito cardíaco. É particularmente relevante quando existe disfunção cardíaca associada à hipoperfusão.
No choque séptico, se houver disfunção cardíaca e hipoperfusão persistente apesar de pressão arterial e volume adequados, a diretriz de 2026 sugere adicionar dobutamina à noradrenalina ou utilizar adrenalina isoladamente, conforme o caso. O inotrópico não substitui automaticamente o vasopressor quando ainda é necessário manter a pressão.
Esse é um ponto que aparece muito na prática: o monitor mostra uma pressão que melhorou após o vasopressor, mas o paciente continua com sinais de hipoperfusão e evidência de disfunção cardíaca. Nesse cenário, simplesmente aumentar a noradrenalina pode não responder à causa do problema; é preciso reavaliar débito, função cardíaca e perfusão como um conjunto.
Vasodilatadores
Nitroglicerina
A nitroglicerina promove principalmente vasodilatação venosa, reduzindo a pré-carga, além de apresentar efeitos vasodilatadores arteriais em determinadas condições. É utilizada em situações selecionadas, como síndromes coronarianas e congestão associada a hipertensão, conforme avaliação clínica.
Como reduz a pressão arterial, deve ser titulada com monitorização adequada e não deve ser tratada como uma droga para “melhorar a pressão”.
Nitroprussiato de sódio
O nitroprussiato é um potente vasodilatador arterial e venoso, com redução rápida da resistência vascular e da pressão arterial. Por isso, exige monitorização contínua e atenção à resposta hemodinâmica.
Sua utilização, estabilidade, proteção da solução contra luz e riscos relacionados à toxicidade devem seguir a bula do produto e o protocolo institucional.
O que mudou na administração dos vasopressores
Um dos conceitos que mais precisa ser atualizado é a ideia de que todo vasopressor precisa obrigatoriamente de acesso venoso central desde o primeiro minuto.
Em adultos com choque séptico, as diretrizes de 2026 sugerem iniciar vasopressores por acesso periférico quando necessário para restaurar a pressão, em vez de atrasar a terapia aguardando um acesso central. Isso pressupõe acesso adequado, vigilância frequente do sítio e protocolo para reconhecimento e tratamento de extravasamento.
Portanto, a questão não é simplesmente “central ou periférico?”. É avaliar segurança do acesso, concentração utilizada, necessidade de dose crescente, tempo previsto, possibilidade de monitorização e protocolo institucional.
Cuidados de enfermagem
A enfermagem precisa acompanhar tanto o medicamento quanto a resposta do organismo. Entre os principais cuidados estão:
- conferir medicamento, concentração, diluição, via e programação da bomba;
- utilizar bomba de infusão e linha adequadamente identificada;
- monitorar pressão arterial, frequência cardíaca, ritmo cardíaco e perfusão;
- observar extremidades, temperatura, coloração e enchimento capilar;
- acompanhar débito urinário e outros marcadores de perfusão conforme o quadro;
- verificar continuamente o acesso venoso e sinais de infiltração ou extravasamento;
- evitar interrupção acidental da infusão;
- conferir a compatibilidade das soluções conforme protocolo e informação do fabricante;
- registrar dose, velocidade, resposta clínica e intercorrências.
Em um paciente recebendo noradrenalina por acesso periférico, por exemplo, uma alteração repentina no sítio de punção acompanhada de palidez, edema ou dor não deve ser tratada como simples problema do acesso. A infusão precisa ser avaliada imediatamente e o protocolo institucional de extravasamento deve ser seguido. As recomendações atuais enfatizam justamente a necessidade de protocolos de segurança e monitorização frequente quando vasopressores são administrados perifericamente.
Outro cenário comum é a pressão arterial cair logo após uma mudança na velocidade da infusão. Antes de atribuir automaticamente a alteração à evolução do choque, é necessário conferir bomba, conexões, acesso, solução e programação. Uma linha parcialmente desconectada ou uma bomba interrompida pode produzir uma mudança hemodinâmica em poucos minutos.
Uma forma simples de memorizar
- Noradrenalina: vasopressor, aumenta principalmente o tônus vascular.
- Vasopressina: vasopressor não catecolaminérgico, atua principalmente em receptores V1a.
- Adrenalina: vasopressor e estimulante cardíaco, com efeitos alfa e beta.
- Dobutamina: inotrópico, aumenta principalmente a contratilidade.
- Dopamina: efeitos variados conforme a dose, hoje com uso mais restrito.
- Nitroglicerina: vasodilatador, com importante efeito venoso.
- Nitroprussiato: vasodilatador arterial e venoso de ação rápida.
Drogas Vasoativas
- Noradrenalina é o vasopressor de primeira linha no choque séptico
- Vasopressina pode ser associada quando a necessidade de noradrenalina aumenta
- Dobutamina atua principalmente aumentando a contratilidade cardíaca
- Vasopressores exigem bomba, monitorização e vigilância do acesso venoso
Referências:
- EVANS, Laura et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2026. Intensive Care Medicine, 2026. Disponível em: Surviving Sepsis Campaign 2026.
- SOCIETY OF CRITICAL CARE MEDICINE. Surviving Sepsis Campaign Adult Guidelines. 2026. Disponível em: SCCM – Surviving Sepsis Campaign.
- SINGER, Mervyn et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA, v. 315, n. 8, p. 801–810, 2016. Disponível em: JAMA – Sepsis-3.
- RHODES, Andrew et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock: 2016. Intensive Care Medicine, v. 43, p. 304–377, 2017. Disponível em: Springer – Surviving Sepsis Campaign.
Que Medicamento é Esse?: Tenoxicam
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Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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