Doenças Ocupacionais na Enfermagem

A enfermagem é uma profissão essencial, mas também desafiadora. Os profissionais de enfermagem enfrentam uma série de riscos ocupacionais devido à natureza do trabalho e ao ambiente hospitalar. Vamos explorar algumas das doenças ocupacionais mais comuns que afetam estes profissionais:

Doenças Ocupacionais

  1. Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT):
    • A DORT é um distúrbio que afeta músculos, tendões e articulações devido a atividades repetitivas no ambiente de trabalho. Profissionais de enfermagem frequentemente enfrentam sobrecarga física, como movimentos repetitivos ao lidar com pacientes e levantar objetos pesados. Essa condição pode levar a dores lombares, tendinites e outros problemas musculoesqueléticos.
  2. Síndrome de Burnout:
    • A síndrome de Burnout, também conhecida como esgotamento profissional, ocorre devido à exaustão extrema relacionada ao trabalho. Profissionais de enfermagem, devido à pressão constante, estão em risco de desenvolver essa síndrome. Ela afeta o emocional, levando a tristeza profunda, desesperança e até pensamentos suicidas.
  3. Depressão:
    • A depressão é uma doença psiquiátrica crônica que causa oscilações de humor, perda de interesse e tristeza profunda. Profissionais de enfermagem também podem enfrentar esse transtorno, especialmente devido ao estresse e à pressão no ambiente de trabalho. É importante reconhecer os sintomas e buscar ajuda médica para tratamento adequado.
  4. Afecções do Trato Respiratório:
    • As infecções respiratórias são comuns na enfermagem. Elas podem variar desde resfriados comuns até infecções mais graves, como pneumonia. Os sintomas incluem coriza, tosse intensa, nariz entupido e febre. Profissionais de enfermagem estão expostos a essas infecções, principalmente em ambientes fechados e durante o inverno.
  5. Afecções do Trato Urinário e Dermatoses:
    • Embora não sejam tão frequentes quanto as mencionadas anteriormente, profissionais de enfermagem também podem enfrentar problemas no trato urinário, como infecções do trato urinário. Além disso, dermatoses (doenças de pele) podem ocorrer devido à exposição a produtos químicos, luvas e lavagens frequentes das mãos.

É essencial que os profissionais de enfermagem estejam cientes dessas doenças ocupacionais, adotem medidas preventivas e busquem apoio médico quando necessário. A saúde destes profissionais são fundamentais para a qualidade do cuidado prestado aos pacientes.

Referências:

Teste de Filkenstein

A Doença de De Quervain, também conhecida como tenossinovite estenosante dos tendões abdutor longo e extensor curto do polegar, é uma condição dolorosa que afeta o punho, especialmente na região lateral (próxima ao polegar). Essa inflamação atinge a bainha que envolve os tendões responsáveis por movimentar o polegar, dificultando atividades simples como segurar objetos, abrir potes ou até digitar.

Um dos métodos mais utilizados para identificar essa condição é o Teste de Finkelstein, um exame clínico rápido e eficaz que ajuda a diferenciar a dor causada pela Doença de De Quervain de outras patologias que também afetam o punho e o polegar.

O Que É a Doença de Quervain? 

A Doença de Quervain, ou tenossinovite estenosante do extensor curto do polegar e abdutor longo do polegar, é uma inflamação dos tendões e da bainha (a “capa” que envolve os tendões) que ficam no punho, do lado do polegar. Esses tendões são essenciais para o movimento do polegar e, quando inflamados, causam dor, inchaço e dificuldade de movimento.

  • Causas Comuns: A repetição de movimentos de pinça ou preensão, como levantar um bebê, digitar no celular com o polegar, ou atividades de jardinagem, pode sobrecarregar esses tendões e levar à inflamação.

O Teste de Finkelstein: O Diagnóstico Clínico na Prática

O Teste de Finkelstein é um procedimento simples e rápido, que provoca o alongamento dos tendões inflamados para verificar se há dor. Ele é considerado positivo se o paciente sentir uma dor aguda e súbita no punho, na base do polegar.

Como o Teste é Realizado?

    1. Peça ao paciente para fechar a mão, formando um punho, com o polegar para dentro. É importante que o polegar esteja totalmente flexionado e envolvido pelos outros dedos.
    2. Peça ao paciente para desviar o punho para o lado ulnar. Ou seja, inclinar a mão para o lado oposto ao polegar, como se estivesse tentando encostar o dedo mindinho no antebraço.
    3. Avalie a resposta:
      • Teste positivo: Se essa manobra causar uma dor aguda e intensa no punho, na região dos tendões do polegar.
      • Teste negativo: Se o paciente não sentir dor ou apenas um leve desconforto sem características de dor aguda.
  • Mecanismo da Dor: A manobra de desvio ulnar estica os tendões extensor curto do polegar e abdutor longo do polegar, que estão inflamados. O atrito desses tendões inchados contra a bainha apertada provoca a dor característica da Doença de Quervain.

Diagnóstico Diferencial: A Importância de um Olhar Completo

Embora o Teste de Finkelstein seja muito útil, é importante lembrar que ele é apenas uma ferramenta. A dor no punho pode ter outras causas, como a rizartrose (artrose na base do polegar) ou outras tendinites. Por isso, uma anamnese detalhada e um exame físico completo são essenciais para confirmar o diagnóstico. O médico também pode solicitar exames de imagem, como uma ultrassonografia, para visualizar a inflamação dos tendões.

Tratamento e Cuidados de Enfermagem

Após o diagnóstico, o nosso papel na enfermagem é crucial no suporte ao paciente. O tratamento para a Doença de Quervain visa reduzir a inflamação e a dor e, na maioria dos casos, não é cirúrgico.

Repouso e Imobilização:

    • Orientar o paciente: Explicar a importância de evitar os movimentos que causam a dor.
    • Uso de órtese: Orientar sobre o uso de uma órtese (tala) específica para o polegar e o punho, que ajuda a imobilizar a articulação e a diminuir a inflamação.

Manejo da Dor e Inflamação:

    • Compressas frias: Orientar a aplicação de compressas frias (gelo) na área afetada por 15-20 minutos, várias vezes ao dia, para diminuir o inchaço e a dor.
    • Medicamentos: Administrar e orientar sobre o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) orais ou tópicos.

Educação em Saúde e Prevenção:

    • Ergonomia: Ensinar o paciente sobre ergonomia no trabalho e no dia a dia. Por exemplo, a forma correta de segurar um bebê, de usar o celular, ou de segurar objetos.
    • Exercícios de Fisioterapia: Acompanhar o paciente em exercícios de alongamento e fortalecimento, que são essenciais para a recuperação e para prevenir a recorrência da doença.

Suporte em Procedimentos:

    • Infiltrações: Em casos mais persistentes, o médico pode optar por uma infiltração com corticoides. Nosso papel é de preparar o paciente, acalmá-lo, auxiliar no procedimento e orientar sobre os cuidados pós-procedimento.
    • Cirurgia: Se o tratamento conservador falhar, a cirurgia pode ser necessária. Nosso cuidado se estende ao pré e pós-operatório, com monitoramento da ferida, controle da dor e estímulo à reabilitação.

O Teste de Finkelstein é mais do que um nome na literatura médica; é uma ferramenta prática que nos ajuda a dar um nome à dor do paciente. Com nosso conhecimento, podemos não apenas diagnosticar, mas também oferecer o suporte e a educação necessários para que o paciente se recupere e retome suas atividades com mais conforto e segurança.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DA MÃO (SBCM). Doença de Quervain. Disponível em: https://www.cirurgiadamao.org.br/doencas-da-mao/doenca-de-quervain/.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de Reabilitação da Mão. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. (Consultar os capítulos sobre tendinopatias e reabilitação da mão). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_reabilitacao_mao.pdf.
  3. BICKLEY, L. S.; SZILAGYI, P. G.; HOFFMAN, R. M. Bates: Guia de Bolso para Exame Físico e História Clínica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. (Consultar capítulo sobre exame físico do sistema musculoesquelético).

Síndrome de Burnout na Enfermagem

A enfermagem é uma das profissões mais nobres e essenciais para o funcionamento do sistema de saúde. No entanto, a alta carga de trabalho, a exposição constante ao sofrimento humano e a pressão por resultados podem levar ao esgotamento físico e emocional, conhecido como Síndrome de Burnout.

Nesta publicação, vamos explorar o que é a Síndrome de Burnout, seus sintomas, causas e, principalmente, como preveni-la e cuidar da saúde mental dos profissionais de enfermagem.

O Que é a Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout é um distúrbio psicológico caracterizado por um estado de esgotamento profissional, resultante do estresse crônico no trabalho. Ela foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional.

Na enfermagem, o Burnout é especialmente preocupante devido à natureza exigente e emocionalmente desgastante da profissão.

Sintomas da Síndrome de Burnout

Os sintomas do Burnout podem ser físicos, emocionais e comportamentais. Entre os mais comuns estão:

Sintomas Físicos

  • Fadiga constante.
  • Dores de cabeça e musculares.
  • Distúrbios do sono (insônia ou excesso de sono).
  • Problemas gastrointestinais.

Sintomas Emocionais

  • Sensação de esgotamento e exaustão.
  • Irritabilidade e impaciência.
  • Sentimentos de impotência e desesperança.
  • Dificuldade de concentração.

Sintomas Comportamentais

  • Isolamento social.
  • Absenteísmo no trabalho.
  • Diminuição da produtividade.
  • Atitudes negativas em relação aos pacientes e colegas.

Causas do Burnout na Enfermagem

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout entre os profissionais de enfermagem:

  1. Carga de Trabalho Excessiva: Longas jornadas e alta demanda de tarefas.
  2. Falta de Recursos: Escassez de materiais, equipamentos e pessoal.
  3. Exposição ao Sofrimento: Lidar diariamente com a dor e a morte.
  4. Pressão por Resultados: Necessidade de tomar decisões rápidas e precisas.
  5. Falta de Reconhecimento: Pouca valorização do trabalho da equipe de enfermagem.
  6. Conflitos Interpessoais: Relações tensas com colegas ou superiores.

Como Prevenir a Síndrome de Burnout?

A prevenção do Burnout requer ações individuais e institucionais. Aqui estão algumas estratégias:

No Nível Individual

  1. Autocuidado: Reserve tempo para atividades que tragam prazer e relaxamento, como hobbies, exercícios físicos e meditação.
  2. Estabeleça Limites: Aprenda a dizer “não” quando necessário e evite levar trabalho para casa.
  3. Busque Apoio: Converse com colegas, amigos ou familiares sobre suas dificuldades.
  4. Invista em Formação: Participe de cursos e treinamentos para se sentir mais seguro e capacitado.

No Nível Institucional

  1. Promova um Ambiente Saudável: Incentive a comunicação aberta e o trabalho em equipe.
  2. Ofereça Suporte Psicológico: Disponibilize programas de assistência ao funcionário (PAE).
  3. Reduza a Carga de Trabalho: Contrate mais profissionais e organize escalas equilibradas.
  4. Reconheça e Valorize: Celebre conquistas e reconheça o esforço da equipe.

Cuidados para Quem Já Vive com Burnout

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando a Síndrome de Burnout, é importante buscar ajuda. Aqui estão algumas ações:

  1. Procure um Psicólogo: A terapia pode ajudar a entender e lidar com as causas do esgotamento.
  2. Consulte um Médico: Em alguns casos, pode ser necessário tratamento medicamentoso.
  3. Reduza a Exposição ao Estresse: Converse com seus superiores sobre a possibilidade de ajustar suas funções.
  4. Pratique Mindfulness: Técnicas de atenção plena podem ajudar a reduzir a ansiedade e o estresse.

A Importância da Conscientização

A Síndrome de Burnout não é um sinal de fraqueza, mas uma consequência de um ambiente de trabalho desgastante. É essencial que os profissionais de enfermagem e as instituições de saúde reconheçam o problema e trabalhem juntos para criar um ambiente mais saudável e sustentável.

A Síndrome de Burnout é uma realidade preocupante na enfermagem, mas pode ser prevenida e tratada com ações individuais e coletivas. Cuidar da saúde mental dos profissionais de enfermagem não é apenas uma questão de bem-estar, mas também de qualidade no atendimento aos pacientes.

Referência:

  1. PERNICIOTTI, Patrícia et al . Síndrome de Burnout nos profissionais de saúde: atualização sobre definições, fatores de risco e estratégias de prevenção. Rev. SBPH, São Paulo , v. 23, n. 1, p. 35-52, jun. 2020 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582020000100005&lng=pt&nrm=iso&gt;.

Entenda sobre a Mononucleose

A mononucleose, também conhecida como “doença do beijo”, é uma infecção causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Ela se caracteriza por um conjunto de sintomas que afetam principalmente a garganta e os gânglios linfáticos.

Como a mononucleose é transmitida?

A principal forma de transmissão da mononucleose é através do contato direto com a saliva de uma pessoa infectada, como ao beijar. Outras formas menos comuns incluem o contato com objetos contaminados por saliva ou transfusões de sangue.

Quais são os sintomas da mononucleose?

Os sintomas da mononucleose podem variar de pessoa para pessoa e podem incluir:

  • Fadiga extrema: É um dos sintomas mais característicos e pode persistir por semanas ou até meses.
  • Febre: Geralmente baixa a moderada.
  • Dor de garganta intensa: Comumente acompanhada de inchaço nas amígdalas e placas brancas.
  • Gânglios linfáticos inchados: Principalmente no pescoço.
  • Dor de cabeça: Constante e persistente.
  • Mal-estar geral: Perda de apetite, náuseas e dores musculares.
  • Erupção cutânea: Em alguns casos, pode ocorrer uma erupção semelhante à do sarampo.
  • Aumento do fígado e do baço: Em casos mais graves.

Como a mononucleose é diagnosticada?

O diagnóstico da mononucleose é feito através da avaliação dos sintomas, do exame físico e de exames de sangue específicos, como o teste de monospot.

Qual é o tratamento para a mononucleose?

Não existe um tratamento específico para a mononucleose. O tratamento é focado em aliviar os sintomas e inclui:

  • Repouso: É fundamental para permitir que o corpo se recupere.
  • Hidratação: Beba bastante líquido para evitar a desidratação.
  • Analgésicos: Para aliviar a dor de garganta e a febre.
  • Gargarejos com água salgada: Podem ajudar a aliviar a dor de garganta.

Quanto tempo dura a mononucleose?

A duração da mononucleose varia de pessoa para pessoa, mas geralmente os sintomas mais agudos duram de 2 a 4 semanas. A fadiga, no entanto, pode persistir por mais tempo.

Complicações da mononucleose:

Na maioria dos casos, a mononucleose é uma doença benigna e autolimitada. No entanto, em alguns casos, podem ocorrer complicações, como:

  • Ruptura do baço: É uma complicação rara, mas grave, que pode ocorrer em casos de aumento significativo do baço.
  • Infecções bacterianas secundárias: Devido à fraqueza do sistema imunológico.
  • Problemas neurológicos: Em casos muito raros.

Prevenção da mononucleose:

Não existe uma vacina eficaz contra a mononucleose. A melhor forma de prevenção é evitar o contato com a saliva de pessoas infectadas.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem para pacientes com mononucleose visam principalmente aliviar os sintomas, prevenir complicações e promover a recuperação. É importante ressaltar que cada paciente é único e as necessidades podem variar.

Objetivos dos cuidados de enfermagem:

  • Aliviar os sintomas: Reduzir a febre, dor de garganta e fadiga.
  • Prevenir complicações: Monitorar sinais de infecções secundárias e rupturas de órgãos.
  • Promover o repouso: Facilitar a recuperação do organismo.
  • Orientar o paciente e a família: Sobre a doença, tratamento e cuidados em casa.

Medidas de enfermagem:

  • Monitoramento:
    • Sinais vitais: Frequência cardíaca, respiratória, temperatura e pressão arterial.
    • Exame físico: Observar a presença de ínguas, hepatomegalia e esplenomegalia.
    • Sintomas: Avaliar a intensidade da dor de garganta, febre, fadiga e outros sintomas.
  • Alimentação:
    • Oferecer dieta leve e nutritiva, rica em líquidos, para evitar a desidratação.
    • Alimentos frios e líquidos podem aliviar a dor de garganta.
  • Hidratação:
    • Estimular a ingestão de líquidos, como água, sucos naturais e chás.
  • Repouso:
    • Orientar o paciente a descansar o máximo possível.
  • Higiene bucal:
    • Incentivar a higiene bucal frequente para prevenir infecções secundárias.
  • Medicamentos:
    • Administrar analgésicos e antitérmicos conforme prescrição médica.
  • Educação:
    • Explicar a doença, a importância do repouso e os cuidados em casa.
    • Orientar sobre a transmissão da doença e a importância de evitar o contato com outras pessoas.
  • Prevenção de complicações:
    • Observar sinais de infecções bacterianas secundárias (como amigdalite estreptocócica).
    • Monitorar o aumento do baço e orientar sobre a necessidade de evitar atividades físicas intensas.

Orientações ao paciente:

  • Repouso: É fundamental para a recuperação.
  • Hidratação: Beba bastante líquido.
  • Alimentação leve: Evite alimentos irritantes e difíceis de engolir.
  • Higiene bucal: Lave os dentes com frequência.
  • Medicamentos: Utilize os medicamentos conforme a orientação médica.
  • Retorno ao médico: Acompanhe o tratamento e retorne ao médico para avaliação.

Prevenção:

  • Higiene das mãos: Lavar as mãos com frequência, especialmente após o contato com pessoas doentes.
  • Evitar compartilhamento de objetos pessoais: Como talheres, copos e escovas de dentes.
  • Cobertura da boca ao tossir ou espirrar: Com um lenço descartável ou com o cotovelo.

Referências:

  1. Oliveira JL, Freitas RT, Arcuri LJ, et al. O vírus Epstein-Barr e a mononucleose infecciosa*. Rev Bras Clin Med. 2012;10(6):535-43.
  2. Pebmed

Doença e Síndrome de Moyamoya

A Doença de Moyamoya é uma condição cerebrovascular rara e progressiva que se caracteriza pelo estreitamento das artérias carótidas internas e seus ramos.

Este estreitamento leva à formação de uma rede de vasos sanguíneos colaterais na base do cérebro, que tentam compensar a redução do fluxo sanguíneo.

A origem do nome

O nome “Moyamoya” vem do japonês e significa “nuvem de fumaça”, uma alusão à aparência nebulosa desses vasos colaterais em exames de imagem.

Causas e Fisiopatologia

Embora a etiologia exata da Doença de Moyamoya seja desconhecida, acredita-se que fatores genéticos possam desempenhar um papel importante, especialmente em indivíduos de origem japonesa.

A doença pode estar associada a outras condições, como neurofibromatose, anemia falciforme e síndrome de Down.

Na Doença de Moyamoya, ocorre um estreitamento crônico das artérias carótidas internas, levando a um suprimento sanguíneo insuficiente ao cérebro e, consequentemente, a uma carência de oxigênio.

Para compensar, o cérebro desenvolve uma rede de vasos colaterais. No entanto, esses vasos são mais frágeis e podem romper, causando hemorragias cerebrais.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas da Doença de Moyamoya variam, mas frequentemente incluem ataques isquêmicos transitórios, acidentes vasculares cerebrais e, em alguns casos, hemorragias cerebrais.

Em crianças, pode ocorrer declínio intelectual, convulsões e movimentos involuntários.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, como angiografia por ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada, que revelam o estreitamento das artérias e a presença da rede vascular anormal.

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da Doença de Moyamoya é principalmente cirúrgico, visando restaurar o fluxo sanguíneo adequado ao cérebro.

As opções incluem procedimentos como a anastomose direta e a encefaloduroarteriossinangiose indireta.

O prognóstico da doença varia. Sem tratamento, pode levar a complicações graves e até fatais. No entanto, com intervenção cirúrgica adequada e acompanhamento médico, muitos pacientes conseguem levar uma vida relativamente normal.

Alguns Cuidados

  • Monitoramento Neurológico: Observar sinais de déficits neurológicos, como fraqueza, alterações na fala ou convulsões.
  • Prevenção de AVC: Acompanhar sinais vitais e realizar exames periódicos para detectar sinais precoces de acidente vascular cerebral.
  • Cuidados Pós-Operatórios: Após a cirurgia de revascularização, é importante monitorar sinais de infecção, garantir a administração adequada de medicamentos e avaliar a cicatrização.
  • Educação do Paciente e Família: Informar sobre a doença, o tratamento e as medidas preventivas para evitar lesões que possam levar a sangramentos.

Estes são aspectos gerais e cada paciente pode necessitar de cuidados específicos. É importante seguir as orientações da equipe médica e manter uma comunicação efetiva com todos os envolvidos no tratamento.

Referências:
  1. https://www.scielo.br/j/anp/a/73Y3WPvVXtwT77hZHgZSM4f/?format=pdf
  2. https://victorbarboza.com.br/doenca-de-moyamoya/

Febre do Oropouche

A febre do Oropouche é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraenses, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Essa doença tem se tornado cada vez mais comum em algumas regiões do Brasil, principalmente na Amazônia.

Como a doença se transmite?

A principal forma de transmissão da febre do Oropouche é através da picada do mosquito infectado. O vírus também pode ser transmitido de forma vertical, da mãe infectada para o feto durante a gestação.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos da dengue e da chikungunya, e podem incluir:

  • Febre alta
  • Dor de cabeça intensa
  • Dor muscular
  • Dor nas articulações
  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia
  • Erupção cutânea
  • Fadiga

É importante ressaltar que nem todos os infectados apresentarão todos os sintomas, e a gravidade da doença pode variar de pessoa para pessoa.

Como a febre do Oropouche é diagnosticada?

O diagnóstico da febre do Oropouche é feito através de exames laboratoriais, como o exame de sangue para detectar a presença do vírus.

Qual é o tratamento?

Não existe um tratamento específico para a febre do Oropouche. O tratamento é sintomático, ou seja, visa aliviar os sintomas, como a febre, a dor e a inflamação. O uso de analgésicos e anti-inflamatórios pode ajudar a aliviar esses sintomas.

Como prevenir a febre do Oropouche?

As principais medidas para prevenir a febre do Oropouche são:

  • Combate ao mosquito: Eliminar os criadouros do mosquito, como água parada em pneus, vasos de plantas e outros recipientes.
  • Uso de repelentes: Utilizar repelentes de insetos nas áreas expostas da pele.
  • Vestimentas adequadas: Usar roupas que cubram a maior parte do corpo, como calças longas e camisas de manga comprida.
  • Telas nas janelas: Instalar telas nas janelas para evitar a entrada de mosquitos nos ambientes.

Complicações

Em alguns casos, a febre do Oropouche pode causar complicações, como:

  • Meningite;
  • Encefalite;
  • Mielite;
  • Artrites

É fundamental procurar atendimento médico caso você apresente os sintomas da febre do Oropouche.

Referência:

  1. Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-do-oropouche

HIV Vs AIDS: As diferenças

O HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um retrovírus transmitido através do contato com fluidos corporais, como sangue, leite materno e sêmen.

Como é adquirido?

Pode ser adquirido por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, compartilhamento de agulhas ou de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação.

Os Sintomas

A infecção pelo HIV pode causar sintomas iniciais, como cansaço excessivo, dor muscular, dor de cabeça ou garganta, suor noturno e ínguas. Esses sintomas podem surgir na infecção inicial pelo HIV, chamada síndrome retroviral aguda.

Por outro lado, a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é a evolução do HIV. Ela ocorre quando o vírus do HIV provoca danos no sistema imunológico, tornando-o menos capaz de combater infecções e doenças.

Os sintomas da AIDS são mais intensos e surgem quando o sistema imunológico já está muito debilitado pelo HIV. Isso favorece o surgimento de infecções ou doenças oportunistas, como herpes, candidíase, toxoplasmose, sarcoma de Kaposi ou hepatite.

Você sabia?

É importante destacar que ter a infecção pelo HIV não significa automaticamente ter AIDS. Uma pessoa pode ser portadora do vírus HIV e estar fazendo tratamento, sendo considerada saudável.

No entanto, a AIDS ocorre quando o vírus do HIV causa danos significativos ao sistema imunológico.

As diferenças sutis

  • HIV: Vírus que pode provocar a AIDS.
  • AIDS: Síndrome resultante da destruição do sistema imunológico pelo vírus HIV.

Lembre-se sempre da importância da prevenção e do tratamento adequado para controlar a infecção pelo HIV e evitar a progressão para a AIDS. Consultar um profissional de saúde é fundamental para receber orientações específicas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Doença Renal: Evite alimentos com alto teor de potássio!

Pessoas com doença renal crônica (DRC) devem prestar atenção à ingestão de potássio.

Por que devem evitar altos teores de potássio?

O potássio é um nutriente essencial para a função celular e a saúde geral, mas a DRC pode diminuir a capacidade dos rins de remover o excesso de potássio do corpo. Níveis elevados de potássio podem causar sintomas graves, como irregularidades no funcionamento do coração e cãibras musculares. Por outro lado, uma deficiência de potássio também pode levar a complicações significativas.

Alimentos que devem ser evitados

  • Nozes
  • Substitutos de sal contendo cloreto de potássio
  • Laranjas e suco de laranja
  • Ameixas secas
  • Uvas passas
  • Feijões e leguminosas
  • Batatas e batatas-doces
  • Bananas
  • Muitos produtos lácteos
  • Abacates
  • Espinafre
  • Tomates

Alimentos pobres em potássio

  1. Maçãs, suco de maçã e purê de maçã
  2. A maioria das frutas vermelhas, incluindo amoras, mirtilos, morangos e framboesas
  3. Uvas e suco de uva
  4. Abacaxi e suco de abacaxi
  5. Melancia
  6. Aspargos
  7. Brócolis
  8. Cenouras
  9. Couve
  10. Repolho
  11. Pepinos
  12. Abobrinha

Lembrando que é importante consultar um profissional de saúde ou um nutricionista para obter orientações específicas sobre a quantidade adequada de potássio para o seu caso individual.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Doença de Hirschsprung

A aganglionose colônica é a mais comum desordem congênita da motilidade intestinal. Também conhecida como doença de Hirschsprung (DH) ou aganglionose congênita do cólon, é causada pela ausência de células ganglionares nos plexos nervosos do intestino, causando a distensão da parte proximal do intestino, por isso também chamada de megacólon congênito.

O quadro clínico

Atraso na eliminação de mecônio é a característica mais frequentemente encontrada na DH. O recém-nascido pode apresentar-se com obstrução intestinal, com parada de eliminação de gases e fezes, distensão abdominal e vômitos biliosos.

Em 2/3 dos casos, o diagnóstico é obtido nos primeiros três meses de vida. Os lactentes também podem se apresentar com um quadro de infecção intestinal grave chamado de enterocolite.

O diagnóstico

Inicialmente deve-se colher uma boa história clínica e realizar um bom exame físico para suspeitar-se de doença de Hirschsprung.

A radiografia de abdome pode identificar um quadro de obstrução intestinal, com distensão generalizada das alças intestinais e em um enema opaco, exame com contraste feito pelo intestino do paciente, pode ser visualizada a zona ou o cone de transição, área que corresponde ao segmento de intestino entre o segmento com e o sem nervos.

Em casos duvidosos, pode-se realizar uma biópsia retal na qual as células ganglionares serão pesquisadas pelo patologista sob microscópio.

O tratamento

O tratamento é sempre cirúrgico e tem o objetivo de retirar o segmento agangliônico do intestino e o reestabelecimento do trânsito intestinal.

Existem várias técnicas cirúrgicas com esse objetivo sendo o abaixamento transanal endorretal vídeo-assistido ou não, em tempo único (uma única cirurgia) a técnica preferida por nossa equipe, evitando-se múltiplas cirurgias e tentando a resolução do caso em um único tempo, se possível ainda no período neonatal.

Os Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem iniciais referentes ao megacólon congênito, diz respeito a observação do recém nascido, sobre a eliminação do mecônio. É da responsabilidade do técnico de enfermagem, comunicar a enfermeira, caso haja necessidade.

Após realizado o dignóstico, a criança será submetida a uma colostomia, nessa fase os cuidados de enfermagem serão de extrema importância. Citaremos a seguir:

1) controle dos sinais vitais;
2) controle hídrico;
3) mantenha limpa e seca a área do estoma, observando as condições da pele;
4) observar a distensão abdominal;
5) observar as características das fezes;
6) evitar excesso de alimentação;
7) manter a criança confortável;
8) orientar os pais sobre os cuidados com essa criança.

Referências:

  1. COELHO, Julio César Uili. Aparelho disgestivo Clinica e Cirurgia. Vol. I
  2. CONCEIÇÃO. A. M. Perinatologia Fundamentos e Praticas 2002.
  3. GUANABARA. Koogan. Enfermagem Pediátrica Incrivelmente Fácil.
  4. VIEGAS, Dráuzio. Neonatologia clínica cirúrgica II 16 seções. Atheneu.
  5. JONES, Peter. Clinica Cirúgica em Pediatria Diagnóstico e Tratamento.
  6. HTTP://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/emacy/articlei/001140.htm
  7. http://www.inst-medicina.com.br/hirschsprung.htm

Doença de Whipple

A doença de Whipple é uma doença sistêmica rara causada pela bactéria Tropheryma whipplei. De modo geral, a doença de Whipple costuma danificar principalmente os intestinos e o sistema digestivo. No entanto, dependendo de onde a bactéria se aloja, outras estruturas do organismo podem ser afetadas, como ossos e articulações.

A doença de Whipple é bastante rara, e se não tratada corretamente, conforme orientações médicas, pode evoluir a óbito.

Causas

A doença de Whipple é causada por uma bactéria chamada Tropheryma whipplei. Normalmente, esse organismo afeta primordialmente o intestino delgado, mas também pode impactar outros órgãos, como coração, pulmões e articulações.

A bactéria causadora da doença de Whipple é normalmente encontrada em água e solos contaminados, por isso, para prevenir o contágio é importante fazer uma boa higiene de alimentos e beber somente água potável.

Sintomas

Os sintomas mais corriqueiros da doença de Whipple são aqueles que acontecem nos casos em que a bactéria se aloja nos intestinos do paciente. Entre eles:

  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Cólicas abdominais;
  • Fezes com gordura (esteatorreia);
  • Dificuldade na absorção de nutrientes;
  • Perda de peso;
  • Sangramento intestinal.

Ainda, podemos destacar outros sintomas da doença de Whipple, que acontecem quando a bactéria afeta outras partes do organismo do paciente:

  • Anemia;
  • Tosse crônica;
  • Inflamação da pleura, do pericárdio ou do peritônio;
  • Dores nas articulações;
  • Febre;
  • Linfonodos aumentados;
  • Alterações neurológicas.

Diagnóstico

O diagnóstico se baseia principalmente em biópsias duodenais. Os achados histológicos são caracterizados por macrófagos espumosos na lâmina própria, os quais contêm grandes quantidades de partículas no citoplasma positivas para ácido periódico de Schiff (PAS) e resistentes à diástase.

O diagnóstico baseado na reação em cadeia da polimerase pode ser estabelecido a partir de líquido cefalorraquidiano (LCR) ou líquido sinovial.

Tratamento

O tratamento da doença de Whipple é bastante demorado, mas deve ser seguido à risca, para evitar que a bactéria se fortaleça face aos medicamentos utilizados.

Inicialmente, o paciente deverá receber injeções de antibióticos injetáveis, seguidas pelo uso contínuo de outros antibióticos, pelo período de 1 a 2 anos.

O uso de complementos alimentares, como probióticos, além de mudanças na dieta do paciente também podem ser essenciais para ajudá-lo a se recuperar das dificuldades de absorção de nutrientes, líquidos, gordura e proteínas que são característicos em pacientes com a doença de Whipple.

Referências:

  1. Bentley SD, Maiwald M, Murphy LD, et al. Sequencing and analysis of the genome of the Whipple’s disease bacterium Tropheryma whipplei. Lancet. 2003 Feb 22;361(9358):637-44.
  2. Andressa Noal, Frederico da Cunha Abbott, Izabele Linhares Ferreira de Melo Cavalcante, Igor de Souza Bernardotti, Pedro Moreno Fonseca, Adriana Neis Stamm, Dimas Alexandre Kliemann, DOENÇA DE WHIPPLE: RELATO DE CASO, The Brazilian Journal of Infectious Diseases, Volume 26, Supplement 1, 2022, 101885, ISSN 1413-8670, https://doi.org/10.1016/j.bjid.2021.101885. (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1413867021003548)