Medicamentos Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios são medicamentos amplamente utilizados na prática clínica, e fazem parte da rotina de trabalho de qualquer profissional da saúde, especialmente aqueles que atuam na enfermagem.

Apesar de sua aparente simplicidade, seu uso exige conhecimento técnico, atenção aos efeitos adversos e um olhar atento aos cuidados com o paciente. Neste post, vamos entender melhor o que são os anti-inflamatórios, seus principais grupos, como atuam no organismo e o que a enfermagem precisa saber para um cuidado seguro e eficaz.

A Inflamação: Uma Resposta de Defesa do Nosso Corpo

Antes de falarmos dos medicamentos, precisamos entender o que é a inflamação. Ela é uma resposta natural do nosso corpo a uma lesão, infecção ou irritação. Pense em quando você torce o tornozelo: ele fica vermelho, inchado, quente e dolorido, certo? Esses são os sinais clássicos da inflamação. O objetivo da inflamação é proteger a área lesionada, eliminar o agente agressor e iniciar o processo de cicatrização.

O problema é que, muitas vezes, essa resposta inflamatória pode ser exagerada, causar muito desconforto (dor, inchaço) ou até mesmo ser prejudicial em algumas doenças crônicas. É aí que os anti-inflamatórios entram em cena para modular essa resposta.

Os Grandes Grupos de Anti-inflamatórios: Uma Abordagem Diferente

Existem basicamente dois grandes grupos de medicamentos anti-inflamatórios, e entender a diferença entre eles é crucial para o nosso cuidado:

Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Os “Comuns” do Dia a Dia

Os AINEs são os mais conhecidos e utilizados, tanto por prescrição médica quanto na automedicação. Eles atuam inibindo a produção de substâncias no nosso corpo chamadas prostaglandinas, que são as grandes responsáveis por mediar a dor, a febre e a inflamação.

  • Como agem: Eles bloqueiam a ação de enzimas chamadas Cicloxigenases (COX-1 e COX-2).
    • COX-1: Está presente na maioria dos tecidos e é responsável por funções “boas”, como proteger a mucosa do estômago, manter o fluxo sanguíneo renal e a agregação plaquetária (ajudar na coagulação do sangue).
    • COX-2: É induzida principalmente em locais de inflamação e é a principal responsável pela dor e pela inflamação.

Os AINEs podem ser divididos em:

AINEs Não Seletivos (Inibidores de COX-1 e COX-2): São os mais antigos e de uso mais comum. Por inibirem as duas enzimas, são eficazes contra a dor e a inflamação, mas têm mais efeitos colaterais relacionados à inibição da COX-1.

Exemplos:

    • Ibuprofeno: Muito usado para dores leves a moderadas, febre e inflamações em geral.
    • Diclofenaco: Potente anti-inflamatório, usado para dores mais intensas e inflamações, como as articulares.
    • Naproxeno: Ação mais prolongada, útil para dores crônicas ou inflamações.
    • Ácido Acetilsalicílico (AAS) em doses altas: Embora mais conhecido como antiagregante plaquetário em doses baixas, em doses mais altas, age como anti-inflamatório, antipirético e analgésico.
    • Cetoprofeno, Nimesulida, Meloxicam, Indometacina, Piroxicam.

Cuidados de Enfermagem (AINEs Não Seletivos):

  • Risco Gastrointestinal: São os mais famosos por causar azia, dor no estômago, gastrite e até úlceras e sangramentos. Oriente o paciente a tomar com alimentos ou leite para proteger o estômago. Pergunte sobre histórico de problemas gástricos.
  • Risco Renal: Podem prejudicar os rins, especialmente em idosos, desidratados ou pacientes com doença renal pré-existente. Monitore a função renal (débito urinário, creatinina).
  • Risco Cardiovascular: Alguns podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares (infarto, AVC), principalmente em uso prolongado e em pacientes de risco.
  • Risco de Sangramento: Por interferirem na agregação plaquetária, podem aumentar o risco de sangramentos (gengivas, nariz, equimoses). Oriente o paciente e esteja atento se ele já usa anticoagulantes.
  • NÃO usar em casos de Dengue ou suspeita: Devido ao risco de sangramento e complicação da doença.

AINEs Seletivos (Inibidores de COX-2): Desenvolvidos para inibir preferencialmente a COX-2, buscando reduzir os efeitos colaterais gastrointestinais, já que poupam a COX-1.

Exemplos:

    • Celecoxibe: Um dos mais conhecidos dessa classe.

Cuidados de Enfermagem (AINEs Seletivos):

  • Menor Risco Gastrointestinal: Embora o risco seja menor que os não seletivos, não é zero. Ainda é preciso cautela.
  • Risco Cardiovascular: Apesar de terem sido desenvolvidos para serem mais seguros, alguns estudos mostraram que podem ter um risco cardiovascular até maior em uso prolongado. São geralmente reservados para pacientes com alto risco gastrointestinal e baixo risco cardiovascular.

Corticosteroides (Anti-inflamatórios Esteroides): Os “Super-Heróis” Potentes

Os corticosteroides (ou glicocorticoides) são hormônios produzidos naturalmente pelo nosso corpo (como o cortisol) e também podem ser sintetizados em laboratório. Eles são os anti-inflamatórios mais potentes que existem, com um efeito muito mais amplo que os AINEs. Eles atuam em diversas vias da cascata inflamatória, suprimindo o sistema imunológico e reduzindo a inflamação de forma significativa.

  • Como agem: Atuam em nível genético, inibindo a produção de várias substâncias pró-inflamatórias e suprimindo a resposta imunológica.
  • Exemplos:
    • Prednisona, Prednisolona: Muito usadas por via oral.
    • Dexametasona: Potente, usada por via oral ou injetável.
    • Hidrocortisona: Usada em situações de emergência (ex: choque anafilático).
    • Betametasona, Metilprednisolona.

Cuidados de Enfermagem (Corticosteroides):

Por serem muito potentes e com efeitos em múltiplos sistemas, exigem cuidados rigorosos e monitoramento:

  • Uso em Curto Prazo vs. Longo Prazo: Os efeitos colaterais são mais significativos no uso prolongado e em doses altas.
  • Supressão da Imunidade: Podem diminuir a capacidade do corpo de combater infecções. Oriente o paciente a evitar contato com pessoas doentes e a relatar sinais de infecção.
  • Aumento da Glicemia: Podem aumentar os níveis de açúcar no sangue, mesmo em não diabéticos. Monitore a glicemia.
  • Efeitos Gastrointestinais: Também podem causar úlceras e sangramentos. Administrar com alimentos.
  • Distúrbios Psiquiátricos: Podem causar insônia, agitação, euforia ou depressão.
  • Ganho de Peso e Edema: Podem causar retenção de líquidos e inchaço (rosto em “lua cheia”, “pescoço de búfalo”).
  • Osteoporose: Em uso prolongado, aumentam o risco de osteoporose.
  • Hipertensão Arterial: Podem elevar a pressão arterial.
  • NÃO Interromper Abruptamente: O uso prolongado de corticosteroides pode suprimir a produção natural de cortisol pelas glândulas adrenais. A interrupção súbita pode causar uma crise adrenal (insuficiência adrenal aguda), que é uma emergência grave. A retirada deve ser feita de forma gradual, com desmame orientado pelo médico.
  • Orientar o paciente sobre os múltiplos efeitos colaterais: É vital que o paciente compreenda que, embora eficaz, o medicamento exige cuidado e monitoramento.

O Papel Essencial do Enfermeiro: Muito Além da Administração

Nós, profisisonais de enfermagem, somos os guardiões da segurança do paciente no uso de anti-inflamatórios. Nossa atuação vai além de simplesmente dar o comprimido:

  • Avaliação do Paciente: Antes de administrar, verificar o histórico de alergias, doenças pré-existentes (renais, cardíacas, gastrointestinais), uso de outros medicamentos (interações).
  • Orientação Rigorosa:
    • Explicar a importância de não exceder a dose prescrita e o tempo de uso.
    • Informar sobre os principais efeitos colaterais e quando procurar ajuda médica.
    • Orientar sobre a administração com alimentos (para AINEs e corticosteroides).
    • Alertar sobre a não interrupção abrupta dos corticosteroides.
    • Desaconselhar a automedicação, especialmente com AINEs, devido aos riscos.
  • Monitoramento Atento:
    • Observar sinais de sangramento (fezes escuras, vômito com sangue, sangramento nas gengivas).
    • Monitorar a função renal (débito urinário, exames).
    • Verificar a pressão arterial e a glicemia, especialmente com corticosteroides.
    • Avaliar a melhora dos sintomas (dor, febre, inflamação) e a ocorrência de efeitos adversos.
  • Comunicação: Reportar ao médico qualquer efeito adverso, falta de resposta ao tratamento ou dúvidas do paciente.

Os anti-inflamatórios são ferramentas poderosas no alívio do sofrimento, mas são facas de dois gumes. Compreender seus mecanismos, suas indicações e, crucialmente, seus riscos, nos capacita a promover um uso mais seguro e eficaz, protegendo nossos pacientes de possíveis complicações. Essa é a essência do nosso cuidado.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Bula dos medicamentos [Nome do medicamento, ex: Ibuprofeno, Prednisona]. (Acessar a bula mais recente disponível no site da ANVISA ou do fabricante para informações específicas de cada fármaco).
  2. KATZUNG, B. G.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021. (Consultar capítulo sobre anti-inflamatórios).
  3. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. (Consultar capítulo sobre inflamação e medicamentos anti-inflamatórios).
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Consenso Brasileiro para o Tratamento da Osteoartrite. Revista Brasileira de Reumatologia, São Paulo, v. 56, n. 4, p. 347-353, jul./ago. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/w2L5mJ7gK8hX3jS9qY4T/?lang=pt. (Embora seja sobre osteoartrite, o consenso aborda o uso de AINEs).

Hipertermia Maligna (HM)

A Hipertermia maligna é uma síndrome de origem genética, onde os indivíduos susceptíveis, quando expostos a determinados anestésicos (especialmente inalatórios) desenvolvem um quadro hipermetabólico, que caso não seja tratado imediatamente pode evoluir para óbito.

Foi descrita inicialmente na Austrália, no ano de 1960, por Denborough e Lowell, posteriormente outros casos foram descritos por em Wisconsin e Toronto.

A síndrome recebe esse nome, porque os indivíduos acometidos apresentam quadro de hipertermia e, na época em que foi descrito, a taxa de mortalidade era muito elevada. A incidência no mundo todo varia de 1:3000 a 1:250000 anestesias.

Como ocorre?

A hipertermia maligna ocorre, na maioria dos casos, devido à mutação de um canal de cálcio da musculatura esquelética. Essa mutação pode resultar na liberação exacerbada de cálcio no músculo, quando na presença de alguns anestésicos.

Isso pode resultar na destruição da fibra muscular esquelética. Como há um elevado consumo de energia, aumento de produção de CO2 e rápido aumento da temperatura corporal, com consequências bioquímicas e hematológicas, também pode haver a evolução para choque irreversível e colapso cardiovascular.

Tipos

Pode apresentar-se sob duas formas: início agudo e fulminante ou instalar-se insidiosamente. Pode ocorrer quando o indivíduo recebe a sua primeira anestesia, mas em um terço dos casos ocorre nas anestesias subsequentes.

Sintomas

Os sintomas apresentados por portadores da síndrome são: taquipneia, taquicardia, rigidez muscular, cianose e outros sinais hipermetabólicos.

Diagnósticos

Como os indivíduos susceptíveis só desenvolvem o quadro clínico quando são expostos aos agentes desencadeante, o diagnóstico é difícil.

O método utilizado até hoje como padrão, é o teste de contratura in vitro, onde uma amostra da musculatura do indivíduo mandada para análise apresenta resposta contrátil aumentada na presença do anestésico halotano e cafeína. Como esse teste e muito invasivo, o diagnóstico torna-se prejudicado pela reduzida adesão.

Antagonista

Existe apenas uma única droga capaz de reverter a crise, que é o dantrolene sódico, droga bloqueadora do canal de cálcio.

Os indivíduos susceptíveis podem levar uma vida normal. Apenas necessitam portar algum tipo de identificação da susceptibilidade a hipertermia maligna. Existem anestésicos que são considerados seguros para essa parcela da população, sendo assim, esses indivíduos podem ser submetidos a qualquer procedimento cirúrgico.

O que fazer na hipótese de Hipertermia Maligna

Uma vez estabelecida a hipótese diagnóstica de Hipertermia Maligna, a equipe deve:

  • Suspender os agentes desencadeadores imediatamente
  • Hiperventilar o paciente, com alto fluxo de oxigênio (100%)– para atender a demanda metabólica
  • Retirar os vaporizadores do circuito do equipamento de anestesia – Não é necessário trocar o equipamento de anestesia, pois isso acarretaria perda de tempo valioso para realizar outras medidas
  • Administrar o Dantrolene – o prognóstico é influenciado significativamente pelo tempo entre o início dos sintomas e a administração do fármaco
  • A anestesia será mantida com hipnóticos, opióides e bloqueadores neuromusculares adespolarizantes, conforme a necessidade do paciente
  • Resfriar o paciente. Utilizar resfriamento externo (aplicação de bolsas de gelo, colchão térmico) e interno (infusão de soluções geladas intravenosas, retais, vesicais– resfriamento ativo), se necessário, até atingir 38ºC – para evitar hipotermia
  • Monitorar a temperatura corporal
  • Corrigir a acidose metabólica e reduzir a hipercalemia
  • Tratar as arritmias cardíacas – geralmente são controladas com a correção da acidose de da hipercalemia
  • Manter diurese acima de 2ml/kg/h – com hidratação ou diuréticos
  • Concluir a cirurgia o mais rápido possível

Referências:

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertermia_maligna
  2. http://www.saj.med.br/hipertermia_maligna.htm
  3. http://medicalsuite.einstein.br/diretrizes/anestesia/hipertermia-maligna.pdf
  4. http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?bpid=119&id=18660
  5. http://www.centrodeestudos.org.br/pdfs/hipertermia.pdf
  6. http://www.rbaonline.com.br/files/rba/jul96302.pdf

Febre Maculosa

A febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Ela pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de letalidade. A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato.

O carrapato-estrela não é o carrapato comum, que encontramos geralmente em cachorros – a espécie Amblyomma cajennense, transmissora da doença, pode ser encontrada em animais de grande porte (bois, cavalos, etc.), cães, aves domésticas, gambás, coelhos e especialmente, na capivara.

Como é transmitido?

Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas. Os carrapatos mais jovens e de menor tamanho são os mais perigosos, porque são mais difíceis de serem vistos. Não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

Sintomas

Os principais sintomas da Febre Maculosa são:

  • Febre alta e súbita;
  • Cefaleia;
  • Hiperemia conjuntival;
  • Dor muscular e articular;
  • Mal-estar;
  • Dores abdominais;
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Exantema.

Como é tratado?

A febre maculosa brasileira tem cura desde que o tratamento com antibióticos seja introduzido nos primeiros dois ou três dias. O ideal é manter a medicação por dez a quatorze dias, mas logo nas primeiras doses o quadro começa a regredir e evolui para a cura total.

Atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins, dos pulmões, das lesões vasculares e levar ao óbito.

Como Prevenir?

Para se proteger e facilitar a visualização dos carrapatos e dos micuins é muito importante que as pessoas, quando entrarem em locais de mato, estejam de calça e camisa compridas e claras e, preferencialmente, de botas.

A parte inferior da calça deve ser posta dentro das botas e lacrada com fitas adesivas. Se possível, evite caminhar em áreas conhecidamente infestadas por carrapatos e, a cada duas horas, verifique se há algum deles preso ao seu corpo.

Quanto mais depressa ele for retirado, menores os riscos de infecção. Ao retirar um carrapato, não o esmague com as unhas. Com o esmagamento, pode haver liberação das bactérias que têm capacidade de penetrar através de pequenas lesões na pele; também não force o carrapato a se soltar encostando agulha ou palito de fósforo quente.

O estresse faz com que ele libere grande quantidade de saliva, o que aumenta as chances de transmissão das bactérias transmissoras da doença.

Os carrapatos devem ser retirados com cuidado, por meio de uma leve torção, para que sua boca solte a pele. Existem também repelentes com concentrações maiores do produto químico DEET (N-N-dietil-meta-toluamida), que são eficientes contra mosquitos e carrapatos.

Referências:

  1. Dr. Dráuzio Varella
  2. Fundação Oswaldo Cruz

A Febre e suas principais características

A febre pode ser definida como um aumento anormal da temperatura corpórea. Apesar do que muitos pensam, a febre não é uma doença, sendo apenas um sinal de que algo está errado com o nosso corpo. As causas da febre são variadas, podendo ser desencadeada por doença ou até mesmo pelo uso de algumas substâncias.

Valores Normais de Temperatura

Como a febre é um aumento da temperatura corpórea, faz-se necessário compreender qual é a temperatura normal do corpo para saber identificar se uma pessoa está ou não febril. Normalmente, o corpo humano apresenta uma faixa de normalidade entre 36 e 37,4 graus, mas ocorrem variações dependendo do local onde se mede a temperatura.

A temperatura pode ser medida em três locais diferentes: na cavidade oral, na região das axilas e no reto. A temperatura nesses locais varia: na região axilar, a média é 36 ºC e 36,5 ºC; na região bucal, a média é 36 ºC e 37,4 ºC; na retal, a temperatura fica em torno de 36 ºC e 37,5 ºC.

Sinais e Sintomas

  • Sensação de cansaço;
  • Aumento do suor;
  • Tremor;
  • Ranger de dentes;
  • Rubor facial (vermelhidão na face)

Devem ser analisadas as seguintes características semiológicas da febre: início, intensidade, duração, modo de evolução e término. O início pode ser súbito ou gradual, já a intensidade é classificada como leve (até 37,5°C), moderada (37,6 a 38,5°C) ou alta (acima de 38,6°C). Em relação à duração, a febre pode ser recente (menos de 7 dias) ou prolongada (mais de 7 dias).

O modo de evolução pode ser avaliado através de um quadro térmico, com verificação da temperatura uma ou duas vezes por dia ou até de 4 em 4 horas, a depender do caso. Classicamente, são descritos os seguintes padrões evolutivos:

  • Febre Contínua: permanece sempre acima do normal com variações de até 1 grau, sem grandes oscilações.
  • Febre Irregular ou Séptica: picos muito altos intercalados baixas temperaturas ou apirexia, sem nenhum caráter cíclico nessas variações.
  • Febre Remitente: há hipertermia diária com variações de mais de 1 grau, sem períodos de apirexia.
  • Febre Intermitente: a hipertermia é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal. Pode ser cotidiana, terçã (um dia com febre e outro sem) ou quartã (um dia com febre e dois sem).
  • Febre Recorrente ou Ondulante: semanas ou dias com temperatura corporal normal até que períodos de temperatura elevada ocorram. Durante a fase de febre não há grandes oscilações.

Tratamento

Normalmente, controla-se febre muito alta, que pode causar lesões no indivíduo, e aquela que está causando desconforto no paciente.

Geralmente a febre é tratada com uso de antitérmicos, como o paracetamol, dipirona e ácido acetilsalicílico. Além do uso de medicamentos, pode-se realizar banhos ou utilizar compressas frias para ajudar na diminuição da temperatura. Vale ressaltar que esses últimos métodos, sem o uso de medicamentos, podem melhorar o desconforto do paciente, mas não diminuem a febre.

Referências:

  1. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Febre”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/saude/febre.htm. Acesso em 05 de abril de 2022.
  2. Alexander KC Leung et alii. Febrile Seizures: na overview. Drugs Context. 2018;
  3. Rui P, Kang K. National Hospital Ambulatory Medical Care Survey: 2017 emergency department summary tables. National Center for Health Statistics;
  4. E Y Chan W T Chen, P N Assam. External Cooling Methods for Treatment of Fever in Adults: A Systematic Riview. JBI Libr Syst Rev. 2010;
  5. Paracetamol for treating fever in children. Cochrane. 2002.

A Temperatura Corporal e suas Terminologias

Temperatura

A temperatura corporal é o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado, pelo centro termo-regulador, portanto, pode ser verificada na região axilar, inguinal, bucal ou retal.

Quais são os Valores de Referência?

Temperatura axilar: 35,8°C a 37°C

Temperatura bucal: 36,3°C a 37,4°C

Temperatura retal: 37°C a 38°C

Quais são as terminologias referente à temperatura?

Hipotermia: Temperatura abaixo de 35°C

Afebril: 36,1°C a 37,2°C

Febril: 37,3°C a 37,7°C

Febre: 37,8°C a 38,9°C

Pirexia: 39°C a 40°C

Hiperpirexia: acima de 40°C

Quais são os Cuidados de Enfermagem referente a mensuração da temperatura?

Pela Mensuração Axilar:

  • Lavar as mãos;
  • Explicar ao paciente o que vai ser feito;
  • Fazer desinfecção do termômetro com o algodão embebido em álcool a 70% e certificar-se que o termômetro digital está prontamente ligado;
  • Enxugar a axila com a roupa do paciente (a umidade abaixa a temperatura da pele, não dando a temperatura real do corpo);
  • Colocar o termômetro no côncavo da axila, de maneira que o bulbo fique em contato direto com a pele;
  • Pedir o paciente para comprimir o braço em encontro ao corpo, colocando a mão no ombro oposto;
  • Após 5 minutos, ou até que o termômetro acione um alarme, retire o termômetro, ler e anotar a temperatura.
  • Fazer desinfecção do termômetro em algodão embebido em álcool a 70%;
  • Lavar as mãos.

Quais são as Contra-indicações?

Furunculose axilar, pessoas muito fracas ou magras.

Observação:

– Não deixar o paciente sozinho com o termômetro.

Pela Mensuração Inguinal:

O método é o mesmo, portanto, variando apenas o local: o termômetro é colocado na região inguinal; É mais comumente verificada nos recém- nascidos. Neste caso, manter a coxa flexionada sobre o abdome.

Pela Mensuração Bucal:

  • Lavar as mãos;
  • Explicar ao paciente o que vai ser feito;
  • Colocar o termômetro sob a língua do paciente, recomendando que o conserve na posição, mantendo a boca fechada por 7 minutos ou até que acione o alarme do termômetro;
  • Retirar o termômetro, limpar com algodão, ler a temperatura e anotá-la, escrevendo a letra B para indicar o local onde foi verificado;

Observação:

– O termômetro apropriado (longo e chato) propicia mais segurança e rapidez de aquecimento;

– Não verificar temperatura bucal de paciente em delírio, inconsciente, que estejam com lesões na boca, problemas nas vias respiratórias;

– É contra-indicado a verificação de temperatura bucal logo após a ingestão de alimentos gelados ou quentes. Também não se deve verificar a temperatura bucal em crianças e doentes mentais;

– O termômetro deve ser individual;

Pela Mensuração Retal:

  • Lavar as mãos;
  • Calçar as luvas;
  • Colocar o paciente em decúbito lateral;
  • Lubrificar o termômetro com vaselina ou óleo e introduzir 2cm pelo ânus;
  • Retirar o termômetro depois de 7 minutos ou até que acione o alarme e ler a temperatura;
  • Desinfetar o termômetro com algodão embebido em álcool a 70%;
  • Retirar as luvas;
  • Lavar as mãos;
  • Anotar a temperatura escrevendo a letra “R” para indicar o local onde foi verificado;

Observação:

– Este processo é mais usado nas maternidades e serviços de pediatria, todavia, devendo cada criança ter um termômetro individual, de tipo apropriado. É indicado também para pacientes adultos em estado grave ou inconscientes;

– Em se tratando de criança, segurar-lhe as pernas para evitar que se debata enquanto está sendo verificada a temperatura;

– É contra-indicado verificar a temperatura retal em caso de inflamação, obstrução ou alteração do reto;

Diferenças entre Resfriado e Influenza

Resfriado