Por que não funciona meu acesso venoso periférico?

Há diversas razões pelas quais um acesso venoso periférico (AVP) pode não estar funcionante. Estas razões podem ser divididas em problemas relacionados ao cateter, à veia ou ao paciente.

O que pode ser?

Problemas relacionados ao cateter:

  • Mal posicionamento: O cateter pode estar fora da veia, na parede da veia ou perfurando a parede posterior da veia.
  • Obstrução: Coágulos sanguíneos (trombose), medicamentos precipitados, ou fragmentos de tecido podem obstruir o lúmen do cateter.
  • Deslocamento: O cateter pode ter se deslocado da veia.
  • Dobramento ou torção: O cateter pode estar dobrado ou torcido, impedindo o fluxo.
  • Danos ao cateter: O cateter pode ter sido danificado durante a inserção ou uso.
  • Incompatibilidade com a solução infundida: Alguns medicamentos podem precipitar dentro do cateter.
  • Cateter com ponta extravasada: A ponta não está na veia.
  • Falha na técnica de inserção: Técnicas inadequadas podem levar a um cateter mal posicionado ou obstruído.

Problemas relacionados à veia:

  • Tromboflebite: Inflamação da veia com formação de coágulo.
  • Flebotrombose: Formação de coágulo na veia.
  • Veia fragilizada: Veias finas, frágeis ou esclerosadas podem se romper ou colapsar facilmente.
  • Veia ocluída: Veia totalmente obstruída por coágulo, inflamação ou compressão.
  • Extravasamento: A solução administrada escoa para fora do vaso sanguíneo.

Problemas relacionados ao paciente:

  • Desidratação: A desidratação reduz o volume sanguíneo, dificultando a visualização e punção das veias.
  • Uso de drogas vasoconstritoras: Drogas que constrigem os vasos sanguíneos podem dificultar a punção venosa.
  • Obesidade: A gordura subcutânea pode dificultar a localização das veias.
  • Edema: O edema periférico dificulta a visualização e a palpação das veias.
  • Uso de drogas intravenosas: Uso prolongado pode danificar as veias, tornando-as inadequadas para a punção.
  • Cirurgia ou trauma prévio: Cirurgias ou traumas prévios podem ter danificado as veias.
  • Doenças vasculares: Doenças como a arterioesclerose ou a insuficiência venosa podem prejudicar as veias.
  • Idade avançada: As veias tendem a tornar-se mais frágeis com o envelhecimento.

É importante lembrar que esta lista não é exaustiva e um profissional de saúde precisa avaliar o caso individualmente para determinar a causa específica da disfunção do AVP. A avaliação inclui a revisão da técnica de inserção, exame físico da área e, se necessário, exames de imagem.

Referências:

  1. Negri, D. C., Avelar, A. F. M., Andreoni, S., & Pedreira, M. L. G. (2012). Fatores predisponentes para insucesso da punção intravenosa periférica em crianças. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 20(6), [08 telas].
  2. COREN-MS
  3. JOHANN, Derdried Athanasio; DANSKI, Mitzy Tannia Reichembach; VAYEGO, Stela Adami; BARBOSA, Dulce Aparecida; LIND, Jolline. Fatores de risco para complicações no cateter venoso periférico em adultos: análise secundária de ensaio clínico randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem, 2016;24:e2833. DOI: 10.1590/1518-8345.1457.2833.

Complicações da Canalização do Acesso Venoso Periférico

A canalização do acesso venoso periférico, embora seja um procedimento comum na prática médica, pode apresentar diversas complicações, que variam em gravidade e frequência. É fundamental que tanto profissionais de saúde quanto pacientes estejam cientes dessas possíveis ocorrências para que possam ser identificadas precocemente e tratadas de forma adequada.

Complicações Locais

  • Infiltração: É a mais comum e ocorre quando o líquido infundido extravasa para os tecidos circunvizinhos, causando edema, dor e, em casos mais graves, necrose tecidual.
  • Flebite: Inflamação da veia, caracterizada por eritema, dor, calor e endurecimento ao longo do trajeto venoso. Pode evoluir para trombose venosa.
  • Trombose: Formação de um coágulo sanguíneo dentro da veia, podendo obstruir o fluxo sanguíneo e causar dor, edema e risco de embolia.
  • Infecção: Pode ocorrer na pele ao redor do local da punção ou na própria corrente sanguínea, causando febre, calafrios e eritema.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes: Ocorre quando medicamentos irritantes para os tecidos extravasam para fora da veia, causando lesões teciduais graves.

Complicações Sistêmicas

  • Embolia: Um fragmento do coágulo sanguíneo pode se desprender e migrar para outras partes do corpo, causando obstrução vascular em órgãos vitais.
  • Sepse: Infecção generalizada grave que pode levar a falência de múltiplos órgãos.
  • Sobrecarga hídrica: Ocorre quando o volume de líquido infundido excede a capacidade de eliminação do organismo, levando a edema pulmonar e outras complicações.
  • Reações alérgicas: Podem ocorrer em resposta a medicamentos ou componentes do equipo de infusão, manifestando-se por urticária, angioedema, broncoespasmo e choque anafilático.

Fatores de Risco

  • Condições da veia: Veias pequenas, tortuosas ou com histórico de trombose aumentam o risco de complicações.
  • Tipo de cateter: Cateteres de pequeno calibre ou com ponta afiada podem aumentar o risco de flebite e trombose.
  • Tempo de permanência do cateter: Quanto mais tempo o cateter permanecer na veia, maior o risco de infecção e trombose.
  • Tipo de solução infundida: Soluções hipertônicas ou medicamentos vesicantes aumentam o risco de extravasamento e irritação tecidual.
  • Técnicas de inserção: A técnica inadequada de inserção do cateter pode aumentar o risco de todas as complicações.

Prevenção

  • Seleção adequada do local de punção: Escolher veias de bom calibre, com bom fluxo sanguíneo e longe de articulações.
  • Técnica asséptica rigorosa: Utilizar luvas, anti-sepsia da pele e equipamentos estéreis.
  • Fixação segura do cateter: Evitar movimentos do cateter e reduzir o risco de infiltração.
  • Monitoramento regular do local de punção: Observar sinais de inflamação, edema ou extravasamento.
  • Rotatividade dos locais de punção: Evitar o uso prolongado do mesmo local.
  • Uso de dispositivos de segurança: Reduzir o risco de acidentes com agulhas.

Tratamento das Complicações após Canalização Venosa Periférica

O tratamento das complicações após a canalização venosa periférica varia de acordo com a gravidade e o tipo de complicação. É fundamental que o profissional de saúde avalie cada caso individualmente e inicie o tratamento de forma rápida e eficaz.

Complicações e seus respectivos tratamentos

  • Infiltração:
    • Leve: Elevar o membro, interromper a infusão, aplicar compressas frias e utilizar medicação anti-inflamatória.
    • Moderada a grave: Aplicar calor úmido, utilizar medicamentos vasoativos e, em casos extremos, realizar cirurgia.
  • Flebite:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anti-inflamatórios não esteroides.
    • Moderada a grave: Utilizar antibióticos em casos de infecção, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
  • Trombose:
    • Leve: Remover o cateter, aplicar compressas quentes e utilizar anticoagulantes.
    • Moderada a grave: Utilizar anticoagulantes de ação prolongada e, em casos graves, realizar trombólise.
  • Infecção:
    • Local: Remover o cateter, limpar a ferida com antisséptico e utilizar antibióticos.
    • Sistêmica: Hospitalização, coleta de culturas para identificação do microrganismo e uso de antibióticos de amplo espectro.
  • Extravasamento de medicamentos vesicantes:
    • Leve: Interromper a infusão, elevar o membro e aplicar compressas frias.
    • Moderada a grave: Utilizar antídotos específicos, se disponíveis, e realizar tratamento cirúrgico em casos graves.

Medidas gerais para todas as complicações

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente o local da punção e os sinais vitais do paciente.
  • Higiene: Manter o local da punção limpo e seco.
  • Elevação do membro: Facilitar o retorno venoso e reduzir o edema.
  • Analgesia: Utilizar medicamentos para aliviar a dor.
  • Prevenção de novas complicações: Trocar o cateter com frequência, utilizar técnicas assépticas e selecionar o local de punção de forma adequada.

Outras informações importantes

  • Prevenção: A melhor forma de tratar as complicações é preveni-las. A adoção de práticas seguras durante a canalização venosa periférica é fundamental.
  • Educação do paciente: É importante orientar o paciente sobre os sinais e sintomas das complicações, a fim de que ele possa procurar ajuda médica o mais rápido possível.
  • Registro: É fundamental registrar todas as complicações ocorridas, bem como as medidas terapêuticas adotadas.

Referências:

  1. 3M
  2. Complicações relacionadas ao uso do cateter venoso periférico: ensaio clínico randomizado
  3. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/download/6661/5908
  4. https://periodicos.ufms.br/index.php/pecibes/article/view/13332/9195

Cateteres Periféricos Flexíveis

Cateteres venosos flexíveis, também conhecidos como Jelcos ou Abocaths, são dispositivos médicos usados para acessar as veias do paciente.

Tamanhos dos Jelcos

    • Jelco 14G: É o maior tamanho e é usado para pacientes adultos com veias grandes, em casos de trauma, infusão de grandes volumes e cirurgias extensas.
    • Jelco 16G: Tamanho intermediário, adequado para adultos, utilizado em casos de traumas, cirurgias de grande porte, infusão de grandes volumes.
    • Jelco 18G: Usado em adultos, para infusão de grandes volumes e transfusão sanguínea.
    • Jelco 20G: Tamanho intermediário, adequado para adultos com infusão de fluídos e medicamentos intravenosos.
    • Jelco 22G: Tamanho pequeno, usado principalmente em adultos, crianças e pacientes com veias muito pequenas para infusão de líquidos intravenosos.
    • Jelco 24G: O menor tamanho, utilizado em pacientes neonatais e pediátricos, e pacientes com veias frágeis.
    • Jelco 26G: Tamanho ainda menor, indicado para pacientes com veias extremamente delicadas e pacientes neonatais.

Indicações de Uso

    • Administração de Medicamentos: Os Jelcos permitem a infusão de medicamentos diretamente na corrente sanguínea.
    • Hidratação e Nutrição: São usados para administrar soluções intravenosas para hidratar o paciente ou repor nutrientes.
    • Coleta de Amostras de Sangue: Os Jelcos também são usados para coletar amostras de sangue para exames de laboratório.

Cores dos Jelcos

    • Os Jelcos são coloridos para facilitar a identificação do tamanho e da função do dispositivo:
      • Jelco 14G: Vermelho
      • Jelco 16G: Cinza
      • Jelco 18G: Verde
      • Jelco 20G: Rosa
      • Jelco 22G: Azul
      • Jelco 24G: Amarelo
      • Jelco 26G: Roxo

Referências:

  1. ICU Medical

Fixação de AVP: Método alternativo

Sabemos que a ANVISA ( Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde , 2017)  recomenda o uso de películas transparentes estéreis, porém na realidade de muitos profissionais no Brasil, essa tecnologia ainda não está ao seu alcance (vários hospitais não disponibilizam este material).

A maioria tem em seu alcance fitas adesivas (microporosas e esparadrapos), no entanto temos que ter pensamento crítico, utilizar de meios que são disponibilizados para poder dar continuidade ao tratamento.

Método alternativo

Um método alternativo para quem não tem o recurso para películas transparente estéreis, você pode fazer:

  • Recortar duas tiras maiores (um para base e outra para cobertura com identificação), e outra menor (para fixar o cateter);
  • Posicionar a primeira tira maior na base entre a pele e o cateter (assim ajuda a não escorregar o cateter);
  • Utilizar a tira menor para entrelaçar ente cateter e a base (nó de gravata ou borboleta, “borboletinha”);
  • Fixar a tira maior de identificação entre o cateter e a base.

Seria tão mais fácil se o sistema de saúde funcionasse corretamente no Brasil, não precisaríamos ter que recorrer a estas alternativas.

Referência:

  1. EBSERH

Cianose: Periférica e Central

A cianose representa uma condição patológica caracterizada por uma coloração azulada da pele ou mucosa, que pode ter etiologia multissistêmica. Ela é classificada em central ou periférica:

  • Cianose central: que ocorre devido à oxigenação inadequada secundária a condições que levam ao aumento da hemoglobina desoxigenada ou presença de hemoglobina anormal, na presença de saturação de oxigênio de 85% ou menos.
  • Cianose periférica: Ocorre principalmente cianose de extremidades e ocorre como ocorre como resultado do aumento da extração de oxigênio pelo tecido periférico no leito capilar. Diferente da central, os pacientes com cianose periférica têm uma saturação de oxigênio arterial sistêmica normal, mas há uma diferença significativa na saturação entre o sangue arterial e venoso.

Etiologia e Fisiopatologia

A cianose ocorre devido à oxigenação inadequada do sangue devido a quantidade de oxigênio ligado à hemoglobina ser muito baixa. Ocorre uma maior proporção de desoxihemoglobina que ultrapassa 5,0 g/dL.

Como a coloração avermelhada do sangue arterial é derivado do conteúdo adequado de oxigênio no sangue, muda para um vermelho mais escuro quando o nível de O2 está reduzido, fazendo com que a pele pareça ter uma tonalidade azul.

A cianose pode então ser causada por condições que diminuam o fornecimento de oxigênio aos tecidos (hipóxia hipoxêmica) ou uma maior extração de oxigênio pelos tecidos periféricos devido ao fluxo sanguíneo reduzido ou irregular para os tecidos (hipóxia estagnada).

O fornecimento de oxigênio é determinado pelo produto do débito cardíaco e do conteúdo de oxigênio arterial. O débito cardíaco é determinado pela pré-carga, pós-carga e contratilidade, enquanto o conteúdo arterial de oxigênio é a soma do oxigênio ligado à hemoglobina e dissolvido no plasma, aproximadamente 1,34 mL por 1 g de hemoglobina e 0,003 mL de oxigênio por 100 mL de plasma.

Central: Causas

  • Hipoventilação devido a condições que afetam o sistema nervoso central, como hemorragia intracraniana, convulsões tônico-clônicas e overdose de heroína.
  • Broncoespasmo (asma), embolia pulmonar, pneumonia, bronquiolite, hipertensão pulmonar, hipoventilação e DPOC ou outras condições pulmonares onde há distúbio ventilação-perfusão (V/Q).
  • Insuficiência cardíaca, doenças cardíacas congênitas (shunts) e doenças cardíacas valvares.
  • Metemoglobinemia, sulfemoglobinemia
  • Policitemia
  • Alta altitude
  • Hipotermia
  • Apneia obstrutiva do sono

Em lactentes e neonatos as causas de cardiopatia congênita cianótica incluem tetralogia de Fallot, atresia tricúspide, truncus arteriosus ou retorno venoso anômalo total.

Periférico: Causas

Observação: todas as causas de cianose central também podem causar cianose periférica.

  • Débito cardíaco diminuído (cianose periférica congestiva)
  • Vasoconstrição local devido à exposição ao frio, hipotermia, acrocianose e fenômeno de Raynaud
  • instabilidade vasomotora
  • Obstrução arterial isquêmica
  • Estase ou obstrução venosa, como na trombose venosa profunda
  • Hiperviscosidade sanguínea, como ocorre em mielomas múltiplos, policitemia e macroglobulinemia

Manifestações clínicas da cianose

Na cianose central, a coloração azulada é generalizada no corpo e nas mucosas visíveis, enquanto na periférica a descoloração azulada ocorre geralmente nas extremidades distais como mãos, pontas dos dedos, pés e, às vezes, pode envolver as região perioral e periorbital. Na periférica geralmente não há acometimento de mucosas.

Tipicamente, quando o nível de hemoglobina desoxigenada está em torno de 3 a 5 g/dL, a cianose torna-se muito evidente. As bochechas, nariz, orelhas e mucosa oral são as melhores áreas para avaliar a cianose, pois a pele nessas áreas é fina e o suprimento sanguíneo é bom, além de ajudar a determinar se a cianose é generalizada ou limitada às extremidades.

Existe um padrão de cianose diferencial que está relacionada a cardiopatias graves, onde ocorre a descoloração azulada assimétrica entre as extremidades superiores e inferiores.

Observação:  A metemoglobinemia deve ser pensada nos diferenciais se a cianose central não melhorar com a administração de oxigênio.

Referências:

  1. Adeyinka A, Kondamudi NP. Cyanosis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482247/
  2. Pahal P, Goyal A. Central and Peripheral Cyanosis.. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559167/
  3. Sarah M. McMullen, Ward Patrick. Cyanosis. Physical findings| Volume 126, ISSUE 3, P210-212, March 2013. DOI:https://doi.org/10.1016/j.amjmed.2012.11.004

Vertigem

Podemos tomar por vertigem, ilusões de movimento do corpo ou do ambiente. Muitos autores associam à vertigem um caráter rotatório, diferenciando assim de tontura.

O sistema vestibular, o sistema nervoso (central ou periférico), o estado emocional, os olhos, o coração, o sistema respiratório, os rins, o estado hematológico e as articulações podem contribuir para o surgimento de tontura.

Causas

A vertigem é um sintoma e abrange diversas doenças e síndromas. Pode ser causada por um variado número de patologias (ou doenças) que podem afetar o sistema vestibular periférico ao nível do ouvido interno (vertigem periférica) ou o sistema nervoso central (vertigem central).

Genericamente, as causas de vertigem dividem-se em agudasagudas recorrentes ou crónicas. São apresentados, seguidamente, alguns exemplos mais comuns de cada uma:

1 – Vertigens agudas

1.1 – Agudas com defict auditivo:

  • Cerumen no CAE;
  • Otite média: infecção no ouvido médio (Serosa, supurada, Colesteatomatosa);
  • Labirintite: viral, bacteriana ou auto-imune;
  • Traumatismo crânio-encefálico (fratura petrosa, fístula perilinfática);
  • Ingestão medicamentosa / substâncias tóxicas.

1.2 – Agudas sem defict auditivo:

  • Nevrite Vestibular: é a 3ª causa mais comum de vertigem. Geralmente é incapacitante e associada a náuseas e vómitos. Tem a duração de 3 a 5 dias e poderá ser precedida de infecção viral. O prognóstico é bom;
  • AVC cerebeloso;
  • Doenças desmielinizantes como, por exemplo, a esclerose múltipla. Pode ser o1º sintoma em 5-12% dos casos;
  • Cerebelite aguda;
  • Tumor de fossa posterior;
  • Vertigem central posicional.

2 – Vertigens agudas recorrentes

2.1 – Duração de segundos a minutos:

  • Vertigem posicionalparoxística benigna (VPPB): Há deslocação de otólitos (frequentemente chamados “cristais” do ouvido) para os canais semicirculares (que são “sensores de movimento”). O canal mais frequentemente afetado é o posterior. Os episódios são curtos, por vezes, com desequilíbrio residual durante horas. Não há perda auditiva;
  • Pré-sincope: causa tontura e não vertigem e pode ter múltiplas causas sistémicas;
  • Epilepsia;

2.2 – Duração de minutos a horas:

  • Equivalentes migranosos;
  • Ansiedade / Ataques de Pânico;
  • “MotionSickness”: Tem maior prevalência na enxaqueca e ocorre quando há um conflito de aferências sensoriais vestibulares e visuais;

2.3 – Duração de horas a dias:

  • Síndrome de Meniére: Doença idiopática associada ao aumento da pressão endolinfática. O seu diagnóstico é clínico e é caracterizado por crises vertiginosas com duração de horas, hipoacúsia flutuante geralmente nas baixas frequências e acufenos com agudização nas crises. Pode haver sensação de plenitudeaural. A sua história natural é imprevisível.
  • Fístula perilinfática;
  • Doenças metabólicas.

3 – Vertigens crônicas (desequilíbrio)

3.1 – Centrais (neoformações, deformidades congénitas, doenças metabólicas, …)

3.2 – Periféricas (presbiestasis, ototóxicos, radiação, meningite, labirintite, malformações hereditárias, …)

Diagnóstico

A história clínica ajuda ou permite ao médico distinguir entre vertigem e outras formas de tontura ou perturbação do equilíbrio. O diagnóstico é feito pela clínica (sinais e sintomas do doente) com auxílio de exames auxiliares de diagnóstico.

1. História Médica Prévia

  • Antecedentes Otorrinolaringológicos ou Neurológicos;
  • Doenças crônicas endócrinas ou metabólicas;
  • Fatores de risco cardiovasculares;
  • Infeções prévias;
  • Traumatismos;
  • Medicação habitual.

2. História da doença atual

É de extrema importância a caracterização precisa dos sintomas e a sua temporalidade:

  • Início súbito ou insidioso das queixas;
  • Episódio inicial ou recorrente;
  • Duração das queixas (segundos, minutos, horas ou dias). A vertigem nunca é permanente ou contínua. Mesmo numa lesão vestibular permanente, o sistema nervoso central é capaz de se adaptar ao “defeito” de forma a que a vertigem vá desaparecendo ao fim de dias ou semanas. As vertigens ou tonturas constantes que duram meses não são de causa vestibular. Podem sim existir episódios frequentes de vertigem/tontura ao longo de meses;
  • Fatores de agravamento ou desencadeantes como por exemplo determinados movimentos (por exemplo, deitar na cama para dormir ou levantar da cama ao acordar) ou ansiedade, stress ou fatores emocionais…
  • Sintomas acompanhantes como a hipoacusia, acufeno (zumbido no ouvido), náuseas(enjoo), vómitos, cefaleias (ou dores de cabeça) ou outros sintomas.

3. Exame Físico

  • Otoscopia;
  • Exame Neurológico (Pares cranianos, Postura, Coordenação, Marcha, Propriocepção, Nistagmo, …);
  • Exame Vestibular (Nistagmo, Reflexo Vestibulo-Ocular..);

4. Exames Auxiliares de Diagnóstico

Os exames auxiliares de diagnóstico devem ser usados criteriosamente, a saber:

  • Audiometria;
  • Testes Sanguíneos (Serologia, bioquímica, …);
  • Imagiologia (tomografia computorizada (TAC) e ressonância magnética (RM), etc..);
  • Testes vestibulares – os testes vestibulares não são diagnósticos mas auxiliam nesse mesmo diagnóstico. Alguns dos exames realizados são a Videonistagmografia, Electrococleografia, VHIT, Posturografia Dinâmica, entre outros.

O médico responsável pelo diagnóstico da vertigem é o Otorrinolaringologista (especialista em otorrinolaringologia).

Complicações

As complicações da vertigem dependem da patologia de base. Nas causas otorrinolaringológicas algumas das complicações são a surdez e/ou acufeno (zumbidos) permanentes.

As quedas e fraturas são outra complicação potencialmente grave sobretudo no idoso.

Tratamento

Na vertigem, o tratamento depende das causas subjacentes, que como vimos anteriormente podem ser inúmeras. Veja mais informação em causas da vertigem e seu tratamento em cada uma das patologias relacionadas.

Existem alguns medicamentos ou remédios que permitem fazer um controle sintomático (aliviar os sintomas). Genericamente, o tratamento medicamentoso sintomático baseia-se em medicamentos como os supressores vestibulares, os anti-histamínicos, as benzodiazepinas e os antiemeticos. Esta medicação ajuda no controlo dos sintomas, ou seja, são “medicamentos antivertiginosos”.

Após um síndrome vertiginoso por uma lesão vestibular periférica vai haver compensação central desse défice. A reabilitação vestibular auxilia na recuperação em doentes com hipofunção vestibular periférica uni ou bilateral. Pensa-se que também tem utilidade nas causas centrais.

Um doente com vertigem prefere ficar em repouso, no entanto a reabilitação vestibular vai obriga-lo a realizar exercícios que constituem um desafio promovendo a adaptação e substituição estratégica contrariando desta forma a inatividade que tem efeitos secundários adversos (perda da condição física e psicológica que constituem o principal obstáculo à sua recuperação).

tempo de resolução da doença, ou seja, o tempo que demora a passar, é muito variável entre patologias podendo ser mais célere com o recurso à terapêutica (mais uma vez dependendo da patologia).

O doente nunca deve automedicar-se ou tentar qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural sem consultar primeiro o médico otorrinolaringologista, sob pena de poder agravar o seu quadro clínico. A medicação referida deve ser sempre prescrita pelo seu médico assistente que deverá tomar sempre de acordo com a receita médica.

Referências:

  1. https://forl.org.br/Content/pdf/seminarios/seminario_19.pdf

Cateteres Venosos Periféricos: As diferenças entre SCALP e ABBOCATH

Scalp e cateter jelco são dois dos materiais mais utilizados em hospitais nos procedimentos de acesso venoso periférico. A técnica consiste na introdução de um dispositivo em uma veia periférica com o objetivo de tirar uma amostra de sangue, administrar drogas via endovenosa ou realizar reposição volêmica e de hemoderivados.

O Cateter Venoso Periférico Agulhado “Scalp”

Popularmente conhecido como Butterfly, o scalp agulhado borboleta é um dispositivo de infusão intravenoso que deve ficar menos tempo no acesso venoso do paciente do que os cateteres venosos. Esse scalp é composto de agulhas nos calibres 19G, 21G, 23G, 25G e 27G, que ficam acopladas a uma mangueira extensora conectada a uma seringa. A desvantagem dos Scalps é que não permitem que o paciente dobre o braço para evitar que o equipamento saia do lugar.

Para saber mais sobre o Cateter Scalp:

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

O Cateter Venoso Periférico Flexível “Abbocath”

Popularmente conhecido como “Abbocath”, os cateteres venosos periféricos flexíveis proporcionam maior conforto e segurança aos pacientes e aos profissionais. Eles são recomendados na utilização por períodos prolongados ou que exijam a administração de medicamentos com maior risco de causar inflamações nas veias ou lesões na pele do paciente. E também no caso de extravasamento, quando podem causar contaminação do profissional, como no caso das medicações quimioterápicas.

A agulha é confeccionada em aço inoxidável com bisel trifacetado com a finalidade de perfurar a pele até chegar ao acesso venoso, preservando a integridade do cilindro, evitando que ele se dobre ou se quebre até chegar ao vaso. Ele é confeccionado de polímero policloreto de vinila (FEP (Teflon®) ou Vialon), ou polímero poliuretano (PU), ambos flexíveis, de calibres 14G, 16G, 20G,22G,24G e 26G.

Em uma das extremidades possui um conector 6% luer onde se observa o retorno sanguíneo e promove a conexão com a seringa, equipo, multivias, etc. para que se inicie a infusão. Há também opção com dispositivo de segurança, um mecanismo que recobre a ponta da agulha após a utilização, evitando acidente ocupacional.

Para saber mais sobre o Cateter Abbocath:

Cateteres Flexíveis

Agora, qual é a diferença na aplicação destes cateteres na prática?

Os cateteres venosos periféricos flexíveis “abbocath” são utilizados nos procedimentos intermitentes de fluidos, quando há a necessidade de se manter o acesso no paciente por um tempo prolongado (de 48 a 72 horas).

É ideal para administrar medicamentos com maior risco de causar danos aos vasos e à pele do paciente ou inflamações, e também em casos em que possa ocorrer a contaminação do profissional de saúde, como sessões de quimioterapia.

Os cateteres venosos periféricos agulhados “scalp” devem ser utilizados para infusão de curta duração (em torno de 24 horas), de baixo volume, quando não há necessidade de manter o acesso no paciente.

Pode ser usado para administração de medicamentos “in bolus” ou “flush”, e para pacientes com veias muito finas e comprometidas, como terapia de dose única, administração de medicamento IV em bolus ou para coleta de sangue.

Referência:

  1. PHILLIPS, D.L. Manual de Terapia Intravenosa. 2ºed.Porto Alegre: Artmed,2001.