Mobilização em Bloco: Como Realizar Corretamente o Procedimento

Em qualquer situação de trauma grave, seja um acidente automobilístico, uma queda significativa ou uma lesão esportiva, a prioridade máxima é proteger a coluna vertebral. A vítima pode ter uma lesão instável na coluna cervical ou torácica que, se movimentada incorretamente, pode causar danos irreversíveis na medula espinhal, levando à paralisia.

É para evitar essa catástrofe que utilizamos a técnica da Mobilização em Bloco (ou Rolamento em Bloco). Esta manobra garante que o corpo da vítima seja movido como uma unidade rígida – cabeça, pescoço, tronco e pelve – mantendo o alinhamento da coluna.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, dominar essa técnica com um mínimo de três socorristas é fundamental em qualquer cenário de emergência.

O que é a Mobilização em Bloco?

Trata-se de um método de transferência do paciente traumatizado em que todo o corpo é movido como uma única unidade rígida. Dessa forma, evita-se a movimentação independente das estruturas corporais, especialmente a coluna vertebral. Essa técnica é empregada principalmente quando há:

  • Suspeita de fratura de coluna cervical, torácica ou lombar;
  • Trauma de alta energia (quedas, colisões automobilísticas, atropelamentos);
  • Alteração do nível de consciência em situações de trauma;
  • Dor, formigamento ou perda de força após trauma.

A equipe responsável pela mobilização precisa de comunicação eficiente e sincronização perfeita, pois qualquer erro pode resultar em agravamento de uma lesão já instaurada.

Por Que “Em Bloco”? O Princípio da Imobilização Total

O nome “em bloco” se refere ao objetivo: mover o paciente como se ele fosse um único bloco de concreto, sem permitir qualquer flexão, extensão ou rotação da coluna.

  • Contexto de Aplicação: A mobilização em bloco é usada, principalmente, para:
    • Colocar a vítima em uma prancha rígida.
    • Realizar o exame da região dorsal (costas), essencial para avaliar lesões.
    • Mudar a vítima de posição para evitar broncoaspiração, mantendo a proteção cervical.

Passo a Passo da Mobilização em Bloco com Três Socorristas

A seguir, o procedimento completo dividido em etapas para facilitar o entendimento.

Preparação: O Papel do Líder

  1. Imobilização Cervical: Antes de qualquer movimento, o primeiro socorrista (Socorrista 1) deve aplicar o colar cervical (se disponível e após a avaliação inicial) e assumir o controle manual da cabeça da vítima, mantendo a estabilização cervical em posição neutra. Este socorrista será o Líder do Bloco e é quem comanda toda a operação.
  2. Posicionamento dos Socorristas:
    • Líder (S1): Posicionado na cabeça, mantendo o controle cervical.
    • Socorrista 2 (S2): Posicionado ao lado da vítima (no tórax), responsável pela cintura escapular e pelve.
    • Socorrista 3 (S3): Posicionado ao lado da vítima (na altura dos membros inferiores), responsável pelas pernas.
  3. Comunicação: O Líder (S1) deve informar a todos que ele será o responsável por dar os comandos. A voz de comando será: “Preparar, rolar, parar, voltar”.

Execução: Rolar e Avaliar

Posicionamento das Mãos:

  • S1 (Líder): Mantém o controle bimanual da cabeça e pescoço, estabilizando-os firmemente.
  • S2: Coloca uma mão na cintura escapular (próximo ao ombro) e a outra na altura da pelve (quadril).
  • S3: Coloca uma mão na altura da coxa e a outra na altura das pernas (próximo aos joelhos).

A Manobra:

  1. Comando de Preparação: Líder (S1) diz: “Preparar para rolar em bloco, no 3. Mantenham o alinhamento.”
  2. Comando de Ação: Líder (S1) diz: “Rolar em bloco! Um, dois, TRÊS!”
  3. Ação Coordenada: Os três socorristas movem a vítima simultaneamente para o lado (geralmente 90 graus), mantendo o tronco e os membros totalmente alinhados e rígidos, como um único bloco. O Líder controla a rotação da cabeça, garantindo que ela se mova junto com o corpo.
  4. Comando de Parada: Líder (S1) diz: “Parar.”
  5. Avaliação: Enquanto a vítima está de lado, a equipe faz a inspeção e palpação da região dorsal (costas) para buscar lesões, sangramentos e, se a manobra for para pranchamento, posiciona a prancha rígida.
  6. Comando de Retorno: A equipe se prepara para voltar. Líder (S1) diz: “Preparar para voltar. Rolar em bloco! Um, dois, TRÊS!”
  7. Ação Coordenada: A vítima é delicadamente depositada de volta na posição supina (de barriga para cima) sobre a prancha (se for o caso) ou na posição inicial.

Ajustes Finais

Após o retorno:

  • Centraliza-se a vítima na prancha.
  • Realiza-se a fixação com tiras, garantindo que tronco, quadris e pernas estejam alinhados.
  • O estabilizador lateral da coluna pode ser aplicado, se houver.

O socorrista da cabeça mantém a estabilização até o momento em que a vítima esteja totalmente imobilizada.

Cuidados de Enfermagem Relacionados à Mobilização em Bloco

A enfermagem tem papel fundamental na prevenção de danos adicionais e na condução segura da técnica. Entre os principais cuidados estão:

  • Avaliar o nível de consciência antes, durante e depois da mobilização.
  • Observar dor, alterações neurológicas ou dificuldade respiratória.
  • Manter comunicação clara e objetiva entre a equipe.
  • Garantir que o colar cervical esteja adequado, sem folgas.
  • Verificar alinhamento corporal após a imobilização.
  • Monitorar sinais vitais regularmente.
  • Registrar todo o procedimento no prontuário, incluindo horário, responsáveis e evolução do paciente.

Mais Cuidados

  1. O Alinhamento é o Rei: A função primordial dos Socorristas 2 e 3 é garantir que não haja “dobras” no corpo da vítima. Os segmentos (tórax, pelve, pernas) devem ser movidos em um ritmo uniforme.
  2. Avaliação Constante: Durante todo o processo, o Líder deve monitorar o nível de consciência da vítima e garantir que a respiração não seja comprometida, especialmente se for necessário mantê-la de lado por alguns instantes.
  3. Equipamento: Se o objetivo é pranchar, a prancha deve ser posicionada próxima ao corpo antes do rolamento e fixada com cintos de segurança imediatamente após a manobra. A fixação da cabeça na prancha é sempre a última etapa.
  4. Comunicação Clara: Em situações de estresse, a comunicação do Líder deve ser alta, clara e concisa. Nada de frases longas ou ambíguas.

A mobilização em bloco exige precisão, trabalho em equipe e conhecimento técnico. Dominar essa técnica é fundamental para qualquer profissional de enfermagem ou socorrista, pois ela pode significar a diferença entre preservar ou agravar uma lesão medular. A prática supervisionada e a capacitação contínua são essenciais para que o procedimento seja realizado com segurança e eficiência.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS (ACS). ATLS – Advanced Trauma Life Support: Student Course Manual. 10. ed. Chicago: ACS, 2018. (Buscar o capítulo sobre Lesões de Coluna e Imobilização).
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar (APH). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. (Consultar as diretrizes mais recentes sobre imobilização e remoção de vítimas). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Atendimento Pré-Hospitalar Móvel: Protocolos e Diretrizes. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  4. SAMU 192. Manual de Atendimento Pré-Hospitalar. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/samu. 
  5. NAEMT. PHTLS – Suporte Pré-Hospitalar ao Traumatizado. 9. ed. Jones & Bartlett Learning, 2020.
  6. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS – Advanced Trauma Life Support. 10. ed. Chicago: ACS, 2018.

Manobra de Desengasgo em Bebês, Crianças e Adultos — Atualização da American Heart Association (AHA)

Quando alguém está sufocando, cada segundo conta. As diretrizes de atendimento para obstrução das vias aéreas superiores vêm sendo atualizadas à medida que novas evidências são publicadas. Em outubro de 2025, a AHA divulgou uma revisão importante das recomendações para o manejo do engasgo (Foreign Body Airway Obstruction — FBAO) em bebês, crianças e adultos.

Este artigo visa explicar de forma acessível essas mudanças, de modo que estudantes de enfermagem entendam o que fazer, por que certas manobras continuam ou mudaram, e qual é seu papel como enfermeiro nesse contexto.

Por que a revisão?

A obstrução das vias aéreas por corpo estranho continua sendo causa de mortes evitáveis, especialmente em crianças. A AHA reconheceu que, em versões anteriores das diretrizes, havia lacunas no tratamento de engasgo consciente em adultos e na distinção entre manobras para bebês e crianças. A nova diretriz aborda essas lacunas e inclui, pela primeira vez, um algoritmo claro para adultos conscientes com obstrução grave.

Novas orientações para adultos conscientes

Para adultos conscientes que estão sufocando e não conseguem tossir de forma eficaz, falar ou respirar, a orientação foi atualizada: a sequência recomendada é alternar cinco pancadas nas costas (back blows) seguidas de cinco compressões abdominais (abdominal thrusts) até que o objeto seja expelido ou a pessoa fique inconsciente.

Antes, a prática predominante era apenas a manobra de Heimlich (compressões abdominais), sem ênfase tão clara na alternância com as pancadas nas costas.

Destaques para adultos:

  • Se a vítima estiver consciente e for capaz de alertar, inclinar‐se ligeiramente para frente e aplicar as pancadas nas costas entre as omoplatas.
  • Se isso não resolver, realizar as compressões abdominais rapidamente, certificando‐se de posicionar as mãos corretamente — acima do umbigo e abaixo do esterno.
  • Continuar alternando as ações (5 + 5) até que o objeto seja liberado ou a vítima torne‐se inconsciente.
  • Em caso de perda de consciência, iniciar imediatamente a RCP (ressuscitação cardiopulmonar) com compressões torácicas e ventilação, conforme protocolo para atendimento de vítima inconsciente.

Novas orientações para crianças (1 ano até puberdade)

Para crianças maiores de 1 ano até puberdade, a diretriz também recomenda a alternância entre cinco pancadas nas costas e cinco compressões abdominais para casos de obstrução grave de vias aéreas. A alteração destaca que o método apenas com compressões abdominais, usado anteriormente, deve ser ampliado com as pancadas nas costas como primeiro passo.

Isso significa que o enfermeiro ou cuidador deve verificar: se a criança não consegue tossir, falar ou respirar, iniciar a sequência 5 + 5 como em adulto, adaptando o posicionamento (geralmente ajoelhando‐se atrás da criança ou em nível adequado).

Novas orientações para bebês (< 1 ano)

Para bebês menores de 12 meses, a nova diretriz reforça o seguinte procedimento em caso de sufocamento grave: aplicar cinco pancadas nas costas, com o bebê posicionado de bruços sobre o antebraço ou perna do socorrista, cabeça mais baixa que o tronco, seguidas de cinco compressões torácicas (chest thrusts) usando o a base da palma de uma das mãos. As compressões abdominais não são recomendadas para bebês, devido ao risco de lesão aos órgãos internos.

Esse refinamento é importante para o enfermeiro ter clareza sobre o que fazer em ambientes pediátricos e neonatais.

Cuidados de enfermagem e atenção prática

Como estudante ou profissional de enfermagem, seu papel é vital tanto na atenção imediata quanto na prevenção. Veja os principais pontos de atuação:

  • Conhecer e treinar periodicamente as manobras de desengasgo para bebês, crianças e adultos, conforme as novas diretrizes da AHA.
  • Avaliar rapidamente se a vítima está consciente, se consegue tossir ou falar, e identificar sinais de obstrução grave.
  • Garantir ambiente seguro e estar pronto para chamar o serviço de emergência ou acionar o sistema de atendimento adequado.
  • Em ambiente hospitalar, verificar se existe protocolo interno atualizado conforme as diretrizes da AHA e se os profissionais estão treinados.
  • Após a liberação do objeto ou até chegada do suporte avançado, monitorar sinais vitais, observar por complicações como trauma torácico ou lesões decorrentes da manobra, e documentar o evento.
  • Educar familiares, cuidadores e acompanhantes sobre os sinais de desengasgo, morder alimentos adequados à idade e evitar práticas de risco, especialmente em ambientes pediátricos.

As novas diretrizes da AHA para manobras de desengasgo em adultos, crianças e bebês reforçam a importância da alternância entre pancadas nas costas e compressões específicas conforme a faixa etária, e ajustam as práticas de atendimento para alinhar‐se à evidência mais recente.

Para o enfermeiro, manter‐se atualizado e estar apto para agir com rapidez e segurança pode fazer a diferença entre vida e morte.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care (ECC). Dallas: AHA, 2025. Disponível em: https://professional.heart.org/en/science-news/2025-aha-guidelines-for-cpr-and-ecc
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Child Choking Flowchart. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/CPR-Files/Training-Programs/Community-Programs/Infant-CPR/Newest_Child_Choking_Dig_Poster.pdf
  3. MAYO CLINIC. First Aid: Choking – Adults and Children. Rochester: Mayo Clinic, 2025. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/first-aid/first-aid-choking/basics/art-20056637
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Cardiopulmonar e Cardiovascular. (Geralmente adota e adapta as recomendações da AHA). Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/

Controle de Hemorragia Externa

Encontrar alguém com um sangramento intenso pode ser assustador, mas manter a calma e saber como agir nos primeiros momentos é crucial.

Para nós, futuros profissionais de enfermagem, dominar as técnicas de controle de hemorragia externa a nível de primeiros socorros é uma habilidade essencial que pode fazer toda a diferença entre a vida e a morte. Vamos juntos desmistificar o tema e aprender como intervir de forma eficaz?

A Urgência da Situação: Por Que Controlar o Sangramento é Prioridade

Quando ocorre um sangramento externo significativo, o corpo perde sangue rapidamente. Essa perda pode levar a uma diminuição perigosa do volume sanguíneo, comprometendo a oxigenação dos órgãos vitais e evoluindo para um choque hipovolêmico, uma condição grave que pode ser fatal.

Por isso, o controle da hemorragia externa é uma das prioridades máximas nos primeiros socorros. Agir rápido e corretamente pode estabilizar a vítima até a chegada de ajuda médica especializada.

A Primeira Linha de Defesa: Compressão Direta – Simples, Mas Poderosa

A técnica mais básica e, na maioria das vezes, a mais eficaz para controlar uma hemorragia externa é a compressão direta sobre o ferimento. A ideia é simples: aplicar pressão diretamente no local do sangramento para tentar estancar o fluxo sanguíneo.

Como fazer:

  1. Proteja-se: Se possível, utilize luvas descartáveis para evitar o contato direto com o sangue da vítima e se proteger de possíveis contaminações. Se não houver luvas, utilize um saco plástico limpo ou peça para a própria vítima pressionar o ferimento, caso ela esteja consciente e capaz.
  2. Exponha o ferimento: Remova ou corte as roupas ao redor da área lesionada para visualizar o local exato do sangramento.
  3. Aplique pressão: Utilize um pano limpo, gaze ou até mesmo a mão (se não houver mais nada disponível) para pressionar firmemente sobre o ferimento. A pressão deve ser contínua e direta no ponto onde o sangue está saindo.
  4. Mantenha a pressão: Não alivie a pressão até que o sangramento pare ou até que a equipe de emergência chegue e assuma os cuidados. Se o pano ficar encharcado de sangue, não o remova. Coloque outro pano limpo por cima e continue pressionando.
  5. Eleve o membro: Se a lesão for em um braço ou perna, eleve o membro acima do nível do coração da vítima, enquanto mantém a compressão direta. A elevação ajuda a diminuir a pressão sanguínea na área ferida, auxiliando no controle do sangramento.

Quando a Compressão Direta Não Basta: Compressão Indireta ou Pontos de Pressão

Em alguns casos, a compressão direta pode não ser suficiente para controlar um sangramento arterial intenso, especialmente em membros. Nesses casos, podemos recorrer à compressão indireta ou à aplicação de pressão em pontos de pressão. Esses pontos são artérias principais que irrigam a área ferida e que podem ser comprimidas contra um osso, interrompendo ou diminuindo o fluxo sanguíneo para a lesão.

Pontos de pressão importantes:

  • Artéria Braquial: Localizada na parte interna do braço, entre o cotovelo e a axila. Para comprimi-la, pressione com os dedos contra o osso úmero. É utilizada para controlar sangramentos no braço e na mão.
  • Artéria Femoral: Localizada na virilha. Para comprimi-la, pressione com a base da palma da mão ou com o punho cerrado contra o osso pélvico. É utilizada para controlar sangramentos na perna e no pé.

Como fazer:

  1. Localize o ponto de pressão: Identifique a artéria correta, seguindo as referências anatômicas.
  2. Aplique pressão: Pressione firmemente a artéria contra o osso subjacente. A pressão deve ser forte o suficiente para diminuir ou interromper o pulso na artéria distal à compressão e, consequentemente, reduzir o sangramento.
  3. Mantenha a pressão: Continue pressionando o ponto de pressão enquanto mantém a compressão direta sobre o ferimento, se possível, até que o sangramento seja controlado ou a ajuda especializada chegue.

A Última Opção: Torniquete – Uso Cauteloso em Casos Extremos

O torniquete é um dispositivo que interrompe completamente o fluxo sanguíneo para um membro. Seu uso é reservado para situações de hemorragia grave e com risco imediato de morte, quando a compressão direta e a compressão indireta não foram eficazes ou não são possíveis (por exemplo, em amputações traumáticas ou sangramentos múltiplos e severos no mesmo membro).

Importante: O torniquete é uma medida extrema e pode causar danos graves ao membro se aplicado por tempo prolongado. Seu uso deve ser considerado como último recurso e apenas quando a vida da vítima está em risco iminente devido à perda de sangue.

Como improvisar um torniquete (se um torniquete comercial não estiver disponível):

  1. Utilize um pano resistente: Escolha um tecido forte e largo (pelo menos 5 cm de largura), como uma tira de roupa, um cinto ou um pedaço de lençol. Evite materiais finos que possam cortar a pele.
  2. Posicione acima do ferimento: Coloque o pano cerca de 5 a 7,5 cm (dois a três dedos) acima do local do sangramento, entre o ferimento e o tronco (ou a articulação mais próxima, se o ferimento estiver próximo a ela).
  3. Amarre firmemente: Dê duas voltas apertadas com o pano ao redor do membro e faça um nó simples.
  4. Utilize um bastão para torcer: Coloque um bastão resistente (um galho, uma caneta grossa, uma chave de fenda) sobre o nó e amarre-o com as pontas do pano.
  5. Torça até estancar o sangramento: Gire o bastão até que o sangramento pare completamente.
  6. Fixe o bastão: Prenda o bastão no lugar para que não se desenrole.
  7. Marque o horário: É crucial anotar o horário exato em que o torniquete foi aplicado e informar essa informação à equipe de emergência.

Cuidados importantes com o torniquete:

  • Não afrouxe o torniquete: Uma vez aplicado, o torniquete só deve ser removido por profissionais de saúde qualificados. Afrouxá-lo pode liberar toxinas e agravar o choque.
  • Mantenha o torniquete visível: Não cubra o torniquete com roupas ou curativos.
  • Informe a equipe de emergência: Comunique imediatamente a aplicação do torniquete e o horário em que foi realizado.

O Papel Crucial da Enfermagem nos Primeiros Socorros

Embora estejamos focando nas técnicas de primeiros socorros, é importante lembrar que, como futuros profissionais de enfermagem, nosso conhecimento e habilidades vão muito além da intervenção inicial. Nosso papel inclui:

  • Educação da comunidade: Ensinar a população sobre as medidas básicas de controle de hemorragia.
  • Avaliação e tratamento avançado: Ao chegarmos ao local ou recebermos a vítima, realizaremos uma avaliação completa, identificando a causa e a gravidade da hemorragia, e implementaremos medidas mais avançadas para estabilização e tratamento.
  • Cuidados pós-hemorragia: Monitorar sinais de choque, avaliar a perfusão tecidual, administrar fluidos e hemoderivados conforme a prescrição médica, e cuidar das feridas para prevenir infecções.
  • Suporte emocional: Oferecer apoio emocional à vítima e seus familiares durante e após o evento traumático.

Dominar as técnicas de controle de hemorragia externa nos primeiros socorros é um passo fundamental em nossa jornada como profissionais de saúde. Estar preparados para agir em situações de emergência pode salvar vidas e minimizar sequelas.

Lembre-se: a calma, a rapidez e a aplicação correta das técnicas são seus maiores aliados.

Referências:

  1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS: Advanced Trauma Life Support Student Manual. 10th ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018. 
  2. NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). PHTLS: Prehospital Trauma Life Support. 9th ed. Burlington, MA: Jones & Bartlett Learning, 2018.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (SOBRAP). Diretrizes Nacionais de Atendimento Pré-Hospitalar. [S. l.]: SOBRAP, 2016. (Consultar seção sobre hemorragias). Disponível em: https://sobraponline.com.br/diretrizes/

O XABCDE do Trauma: A Atualização na PHTLS 9ª edição

xabcde do trauma

Você sabia?

O MNEMÔNICO mais famoso do TRAUMA “ABCDE”, foi REVISADO!

No paciente crítico de trauma multissistêmico, a prioridade para o cuidado é a rápida identificação e gestão de condições de risco de vida. A avassaladora maioria dos pacientes com trauma tem lesões que envolvem apenas um sistema (por exemplo, uma fratura isolada do membro).

Para estes pacientes com trauma em um único sistema, há mais tempo para se aprofundar na pesquisa primária e secundária. Para o paciente gravemente ferido, o prestador de cuidados pré-hospitalares pode não ser capaz de conduzir mais do que uma pesquisa primária.

Nestes pacientes críticos, a ênfase está em avaliação rápida, inicio de ressuscitação e transporte p ara uma instalação médica apropriada. A ênfase no transporte rápido não elimina a necessidade de tratamento pré-hospitalar.

Pelo contrário, o tratamento d eve ser feito mais rapidamente e de forma mais eficiente e/ou possivelmente iniciado a caminho da instalação de recebimento.O estabelecimento rápido de prioridades e avaliação inicial e o reconhecimento de lesões que ameaçam a vida devem enraizar-se no prestador de cuidados pré -hospitalares. Portanto, os componentes dos inquéritos primário e secundário devem ser memorizado s e a progressão lógica de prioridades, avaliação e tratamento.

O operador deve entender e realizar da mesma maneira todas as vezes, independentemente da gravidade do prejuízo.

Deve pensar sobre a fisiopatologia das lesões e condições de um paciente. Uma das condições m ais comuns de risco de vida em trauma é a falta de oxigenação tecidual adequada (choque), que leva ao metabolismo anaeróbico (sem oxigênio). Metabolismo é o mecanismo pelo qual as células produzem energia.

Quatro etapas são necessárias para o metabolismo normal:

(1) Uma quantidade adequada de hemácias;

(2) Oxigenação das hemácias nos pulmões,

(3) Entrega de hemácias às células ao longo o corpo e

(4) Descarregamento de oxigênio para essas células.

As atividades envolvidas na pesquisa primária são voltadas a identificação e correção de problemas com essas etapas.

Uma Observação:

Um paciente traumatizado multissistêmico tem lesões envolvendo mais de um sistema corporal, incluindo o pulmonar, circulatório, neurológico, gastrointestinal, sistemas musculoesquelético e tegumentar. Um exemplo seria um paciente envolvido em um acidente automobilístico que resulte um traumatismo cranioencefálico (TCE), contusões pulmonares , lesão esplênica com choque, e uma fratura de fêmur.
Um paciente traumático de um único sistema tem lesão apenas em um sistema do corpo. Um exemplo seria um paciente com uma fratura isolada do tornozelo e nenhuma evidência de perda de sangue ou choque. Os pacientes geralmente podem ter mais de um a lesão nesse único sistema.

A pesquisa principal começa com uma rápida visão global do estado respiratório, circulatório e sistemas neurológicos do paciente, para identificar ameaças óbvias à vida ou membro, como evidências de hemorragia compressível grave; comprometimento de vias aéreas, respiração ou circulação; ou deformidades brutas. Ao se aproximar inicialmente de um paciente, o prestador de cuidados pré-hospitalares deve procurar hemorragias severas compressíveis e observa se o paciente parece buscar o ar de forma eficaz, esteja desperto ou não responda e se está movendo-se espontaneamente.

Uma vez ao lado do paciente, o provedor se apresenta ao paciente e pergunta seu nome. Um próximo passo razoável é perguntar, “O que aconteceu com você?” Se o paciente parece confortável e responde co m uma explicação coerente e frases completas, o provedor pode concluir que o paciente tem uma via aérea pérvia, função respiratória suficiente para apoiar a fala, perfusão cerebral adequada e razoável funcionamento neurológico; isto é, provavelmente não há nenhuma ameaça imediata à vida deste paciente.

Se um paciente não puder fornecer tal resposta ou parece em perigo, uma pesquisa preliminar detalhada para identificar problemas com risco de vida deve ser iniciada. Dentro de alguns segundos, uma impressão da condição geral do paciente deve ser obtida. Ao avaliar rapidamente as funções vitais, a pesquisa primária serve para estabelecer se o paciente está aparente ou iminente em estado crítico.

A Sequência do Inquérito Primário

O levantamento primário deve proceder rapidamente e de forma lógica a ordem. Se o prestador de cuidados pré-hospitalares estiver sozinho,intervenções podem ser realizadas quando condições de risco de vida são identificados. Se o problema é facilmente corrigível, como aspirar uma via aérea ou colocar um torniquete, o provedor pode optar por resolver o problema antes de prosseguir para o próximo passo. Por outro lado, se o problema não puder ser rapidamente controlado no local, como choque resultante de suspeita de hemorragia interna, o restante da pesquisa primária é completada rapidamente.

Se há mais de um operador, um pode completar a pesquisa primária, enquanto outro inicia o tratamento dos problemas identificados. Quando várias condições críticas são identificadas, a pesquisa primária permite que o operador estabeleça prioridades no tratamento. Em geral, a hemorragia externa compressível é gerida primeiro, uma questão das vias aéreas é gerida antes se é
um problema respiratório e assim por diante.

A mesma abordagem de pesquisa primária é utilizada independentemente do tipo de paciente. Todos os pacientes, incluindo idosos, pediátricos, ou pacientes grávidas, são avaliados de forma semelhante assegurando que todos os componentes da avaliação sejam realizados e que nenhuma patologia significativa seja perdida.

Semelhante ao ACLS, em que a prioridade da pesquisa primaria mudou de ABC para CAB, a pesquisa principal do paciente vítima de trauma agora enfatiza o controle de sangramento externo com risco de vida como o primeiro passo da sequência. Enquanto as etapas da pesquisa primária são ensinadas e exibidas de forma sequencial, muitos dos passos podem, e devem, ser realizados simultaneamente. Os passos podem ser lembrados usando o mnemônico XABCDE:

X – Hemorragias Exsanguinolenta (Controle de Sangramento Externo)

No X, há a contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto período de tempo, o que mais mata no trauma são as hemorragias graves.

A – Gerenciamento de Vias Aéreas e Estabilização da Coluna Cervical

No A, deve-se realizar a avaliação das vias aéreas. No atendimento pré-hospitalar, 66-85% das mortes evitáveis ocorrem por obstrução de vias aéreas. Para manutenção das vias aéreas  utiliza-se das técnicas: “chin lift”: elevação do queixo, uso de aspirador de ponta rígida, “jaw thrust”: anteriorização da mandíbula, cânula orofaríngea (Guedel).

No A também, realiza-se a proteção da coluna cervical. Em vítimas conscientes, a equipe de socorro deve se aproximar da vítima pela frente, para evitar que mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo causar lesões medulares.

A imobilização deve ser de toda a coluna, não se limitando a coluna cervical. Para isso, uma prancha rígida deve ser utilizada.

Considere uma lesão da coluna cervical em todo doente com traumatismos multissistêmicos!

B – Respiração (ventilação e oxigenação)

No B, o socorrista deve analisar se a respiração está adequada. A frequência respiratória, inspeção dos movimentos torácicos, cianose, desvio de traqueia e observação da musculatura acessória são parâmetros analisados nessa fase.

Para tal, é necessário expor o tórax do paciente, realizar inspeção, palpação, ausculta e percussão. Verificar se a respiração é eficaz e se o paciente está bem oxigenado.

C – Circulação (perfusão e outras hemorragias)

No C, a circulação e a pesquisa por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A maioria das hemorragias é estancada pela compressão direta do foco. A Hemorragia é a principal causa de morte no trauma.

Entenda as Diferenças no X e no C!

A diferença entre o “X” e o “C” é que o X se refere a hemorragias externas, grandes hemorragias. Já o “C” refere-se a hemorragias internas, onde deve-se investigar perdas de volume sanguíneo não visível, analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma (pelve, abdome e membros inferiores), avaliando sinais clínicos de hemorragia como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e comprometimento do nível e qualidade de consciência.

D Deficiência

No D, a análise do nível de consciência, tamanho e reatividade das pupilas, presença de hérnia cerebral, sinais de lateralização e o nível de lesão medular são medidas realizadas.

Nessa fase, o objetivo principal é minimizar as chances de lesão secundária pela manutenção da perfusão adequada do tecido cerebral. Importante aplicar a escala de Coma de Glasgow atualizada.

E – Expor / ambiente

No E, a análise da extensão das lesões e o controle do ambiente com prevenção da hipotermia são as principais medidas realizadas. O socorrista deve analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na pele etc.

A parte do corpo que não está exposta pode esconder a lesão mais grave que acomete o paciente.


FONTE:

PHTLS 9ª EDIÇÃO
PARTE DO CAPÍTULO 6
Da Página 169 a 180
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Primeiros Socorros: Obstrução de Vias Aéreas (Asfixia)

Asfixia

A causa mais comum de emergências respiratórias é a obstrução das vias aéreas superiores – um corpo estranho bloqueando o nariz, o fundo da boca ou a área ao redor da laringe. A língua é a maior responsável por esse tipo de obstrução em vítimas inconscientes. As vias aéreas superiores podem também ser bloqueadas por alimentos, pequenos objetos ou líquidos, incluindo saliva, muco, sangue ou vômito.

A obstrução das via aéreas inferiores pode ser causada por corpos estranhos ou por bronco espasmo.

A obstrução pode ser parcial ou completa. Se for somente parcial, a vítima conseguirá tossir e poderá haver um ruído semelhante a um ronco quando ela respira. Se a troca de ar for razoavelmente boa, incentivar a vítima a tossir e expelir o corpo estranho. Monitorar cuidadosamente a vítima, observando os seguintes sinais de redução da passagem de ar:

⦁ Tosse fraca e improdutiva;
⦁ Chiado alto durante a inalação;
⦁ Dificuldade durante a respiração;
⦁ Agarrar a garganta com as mãos;
⦁ Leve cianose.

Os sinais de obstrução completa das vias aéreas são:

⦁ Incapacidade de falar, gemer, tossir ou gritar;
⦁ Ausência de sons respiratórios;
⦁ Uso intenso dos músculos necessários para a respiração – narinas dilatadas, pescoço e músculos faciais contraídos;
⦁ Inquietação, ansiedade e confusão progressivas;
⦁ Ausência de resposta;

Deve-se estar preparado para prestar atendimento de emergência em qualquer caso de obstrução completa das vias aéreas. Acionar o serviço médico de urgência (SAMU 192) e, em seguida, iniciar a manobra de Heimlich (sistema de compressões no abdome abaixo do nível do diafragma).

ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA PARA VÍTIMAS CONSCIENTES

1. Ficar atrás da vítima em pé ou sentada e envolver os braços ao redor de sua cintura. anter os cotovelos afastados das costelas da vítima. Colocar o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide (a ponta do esterno), mantendo o polegar posicionado, formando um punho.
2. Segurar o punho com a outra mão (polegares em direção à vítima).
3. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressionar o punho contra o abdome da vítima.
4. Dar impulsos, separados e distintos, e depois reavaliar a vítima até que o objeto seja eliminado ou a vítima consiga respirar e emitir sons ou a vítima tornar-se não responsiva.
5. Se a vítima tornar-se não responsíva, ligar para 192 e solicitar um DEA; Iniciar os passos de RCP e cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível).
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Se o próprio socorrista estiver sozinho e, eventualmente, engasgar, poderá realizar a manobra de Heimlich ele mesmo, posicionando as mãos conforme descrito, e então dando impulsos rápidos para cima. Também poderá pressionar o abdome contra o encosto de uma cadeira ou outro objeto semelhante.

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SE A VÍTIMA ESTIVER INCONSCIENTE OU PERDER A CONSCIÊNCIA

1. Ligar para 192 e solicitar um DEA.
2. Colocar a vítima de costas no chão. Se ela estava inconsciente quando o socorrista chegou ao local, desobstruir as vias aéreas e verificar a ausência de respiração.
3. Abrir a boca da vítima com a mão, colocando o polegar sobre a língua e, então, segurando a língua e a mandíbula entre o polegar e os dedos. Levantar o queixo da vítima.
4. Com o dedo indicador da outra mão, percorrer toda a bochecha, descendo até a base da língua, com um movimento lento e cuidadoso. Segurar firme qualquer material estranho e removê-lo – se possível. Tomar o máximo de cuidado possível para não empurrar o material para o fundo da garganta.
5. Iniciar as manobras de RCP com 30 compressões torácicas e 2 ventilações.
6. Cada vez que abrirmos a via aérea, procurar o objeto e removê-lo, se estivervisível e for possível.

– Após completar as sequências de compressões abdominais, remova qualquer resíduo presente na faringe.
– Levante o maxilar com a mão, segurando a lingua e a face interna da mandíbula com o polegar e apoiando o queixo com os outros dedos.
– Em seguida, usando o dedo indicador da mão oposta, retire qualquer material estranho do fundo da garganta, percorrendo a parede da faringe e a bochecha, até chegar à boca.
– Segure firme o material estranho entre os dedos, pois ele pode estar bastante escorregadio.
– Assim que as vias aéreas estiverem desobstruídas, continue a respiração de salvamento.
– Se a obstrução persistir, repita as manobras das vias aéreas.
– Após duas ventilações sucessivas bem-sucedidas, verifique o pulso carotídeo.

SE A VÍTIMA FOR OBESA OU ESTIVER GRÁVIDA

1. Ficar em pé atrás da vítima com os braços sob suas axilas, envolvendo o tórax da vítima com os braços.
2. Posicionar o punho, pelo lado do polegar, no meio do osso do peito.
3. Segurar o punho firmemente com a outra mão e impulsionar de maneira brusca para trás. Repetir até o objeto ser expelido ou até que a vítima perca a consciência.
4. Se a vítima estiver ou ficar inconsciente, colocá-Ia de costas e ajoelhar-se ao lado dela para iniciar as manobras de RCP com a relação 30 compressões torácicas e 2 ventilações.

SE A VÍTIMA FOR UMA CRIANÇA (1 A 8 ANOS)

1. Ficar atrás da vítima em pé ou sentada e envolver os braços ao redor de sua cintura. Manter os cotovelos afastados das costelas da vítima. Colocar o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide (a ponta do esterno), mantendo o polegar posicionado, formar um punho.
2. Segurar o punho com a outra mão (polegares em direção à vítima).
3. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressionar o punho contra o abdome da vítima.

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4. Dar impulsos, separados e distintos, e depois reavaliar a vítima até que o objeto seja eliminado ou a vítima consiga respirar e emitir sons ou a vítima tornar-se não responsiva.
5. Se a vítima tornar-se não responsiva, ligar para 192 e solicitar um DEA. Iniciar os passos de RCP e cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo,estiver visível e for possível).

SE A VÍTIMA FOR UM BEBÊ

Não usar as compressões abdominais em bebês, pois há um risco significativo e lesão dos órgãos dessa região. Ao invés disso, fazer uma combinação de golpes as costas e compressões torácicas. Nunca colocar o dedo na garganta de um bebê consciente para retirar corpos estranhos. Se o bebê estiver inconsciente, fazer a remoção cuidadosa apenas se conseguir enxergar o objeto.

Executar o procedimento a seguir somente se a obstrução for causada por um corpo estranho. Se for causada por inchaço decorrente de infecção ou doença, o bebê deve ser imediatamente levado para um centro médico. Fazer o mesmo com bebês conscientes que apresentam dificuldade respiratória:

1. Colocar o bebê no braço com as pernas abertas e a face para baixo, em um nível inferior ao do tronco, formando um ângulo de aproximadamente 60 graus. Apoiar a cabeça e o pescoço do bebê na mão e colocar o antebraço na coxa para garantir firmeza.
2. Usando a outra mão, dar até cinco golpes rápidos e fortes nas costas entre as escápulas.
3. Apoiando a cabeça do bebê, envolvê-lo entre as mãos, e então o virar de costas, mantendo a cabeça mais baixa que o tronco. Colocar o bebê sobre a coxa ou no colo.
4. Posicionar os dedos anular e médio da outra mão no terço inferior do esterno do bebê, abaixo de uma linha imaginária entre os mamilos. Dar cinco impulsos rápidos no tórax, pressionando direto para trás.
5. Repetir o ciclo de 5 golpes nas costas e 5 compressões torácicas até que o objeto seja expelido, o bebê consiga chorar forte ou até tornar-se não responsivo.
6. Se o bebê estiver ou ficar inconsciente, utilizar a hiperextensão da cabeça para desobstruir a via aérea. Iniciar os passos de RCP (figura 23.8). A cada vez que abrir a via aérea, procurar o objeto (removê-lo, se estiver visível e for possível). Após 5 ciclos de RCP, ligar para 192. Reiniciar a RCP até que o lactente comece a se mexer ou até que os  profissionais de saúde do serviço de emergência assumam o caso.MANOBRA-DE-HEIMLICH (1).png

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