Classificação de Feridas: Quanto ao tempo de traumatismo

No dia a dia da enfermagem, é muito comum nos depararmos com diferentes tipos de feridas — sejam elas cirúrgicas, traumáticas, infecciosas ou por pressão. Para garantir um cuidado eficaz e seguro, é fundamental saber identificar e classificar essas feridas de forma adequada. Um dos critérios mais utilizados é a classificação quanto ao tempo de traumatismo, que se baseia na evolução cronológica da ferida.

Essa classificação é essencial não só para a escolha do curativo mais apropriado, mas também para traçar condutas específicas, avaliar o risco de infecção e acompanhar a cicatrização.

Vamos entender melhor como essa classificação funciona e qual o papel da enfermagem no cuidado com cada tipo de ferida.

O que são feridas?

Antes de entrarmos na classificação, é importante relembrar o conceito de ferida. Ferida é toda interrupção na continuidade da pele, podendo atingir também tecidos mais profundos como músculos, ossos e órgãos. Elas podem ser provocadas por diferentes causas, como cortes, queimaduras, úlceras, cirurgias ou acidentes.

A classificação das feridas quanto ao tempo de evolução considera o momento em que o trauma ocorreu e o estágio em que a ferida se encontra.

Por Que Classificar Pelo Tempo? O Relógio da Cicatrização

Quando uma ferida acontece, o corpo imediatamente inicia um processo complexo para repará-la, a famosa cicatrização. Esse processo tem fases bem definidas (inflamatória, proliferativa e de remodelação). O tempo que a ferida existe nos dá informações cruciais sobre qual fase de cicatrização ela provavelmente está e, consequentemente, qual é o seu prognóstico e os desafios no tratamento.

Basicamente, as feridas podem ser classificadas em dois grandes grupos quanto ao tempo de traumatismo:

Feridas Agudas: As Lesões do Momento Presente

As feridas agudas são aquelas que aparecem de repente, têm um tempo de evolução curto e se espera que sigam o processo de cicatrização normal e sequencial. Elas cicatrizam em um tempo esperado para aquele tipo de lesão, sem intercorrências significativas. Pense em um corte limpo com uma faca, uma queimadura leve ou uma incisão cirúrgica.

  • Características Principais:
    • Origem: Geralmente traumática (corte, queda, queimadura, cirurgia).
    • Tempo de Cicatrização: Espera-se que cicatrizem em até 4 a 6 semanas, dependendo da extensão e profundidade.
    • Processo: Seguem as fases normais da cicatrização.
    • Contaminação: Podem ser classificadas como limpas, limpas-contaminadas, contaminadas ou infectadas no momento da lesão, mas o objetivo é que não evoluam para uma infecção persistente.
  • Exemplos Comuns:
    • Incisões Cirúrgicas: Um corte feito por um bisturi em um ambiente estéril.
    • Laceracões: Feridas causadas por objetos pontiagudos ou irregulares, com bordas irregulares.
    • Abrasões/Escoriações: Raspões superficiais na pele.
    • Queimaduras (primeiro e segundo grau): Lesões térmicas que se espera que cicatrizem em um tempo determinado.
    • Feridas por Trauma: Cortes, perfurações, contusões resultantes de acidentes.
  • Cuidados de Enfermagem na Ferida Aguda:
    • Avaliação Inicial Rápida: Avaliar tipo de lesão, profundidade, presença de sangramento, corpo estranho e extensão.
    • Controle de Hemorragia: Se houver sangramento, aplicar pressão direta, elevada.
    • Limpeza e Irrigação: Lavar a ferida com soro fisiológico 0,9% (ou água e sabão neutro, dependendo do protocolo e localização), removendo sujeiras e detritos. Isso é crucial para prevenir infecção.
    • Antissepsia (se indicada): Em alguns casos, pode ser usado um antisséptico na pele ao redor da ferida.
    • Proteção: Realizar o curativo com técnica asséptica, utilizando coberturas adequadas para proteger a ferida, absorver exsudato e manter um ambiente úmido para cicatrização.
    • Manejo da Dor: Administrar analgésicos conforme prescrição.
    • Orientação ao Paciente: Ensinar sobre sinais de infecção, troca de curativo (se em casa) e cuidados gerais.
    • Avaliação Diária: Monitorar o processo de cicatrização, buscando sinais de infecção ou complicação.

Feridas Crônicas: As Lesões que Não Cicatrizam no Tempo Esperado

As feridas crônicas são aquelas que, por algum motivo, não seguem o processo normal de cicatrização. Elas persistem por um período prolongado (geralmente mais de 6 semanas, podendo ser meses ou anos), mesmo com o tratamento adequado. A cicatrização é estagnada ou muito lenta, e elas frequentemente estão associadas a uma doença de base.

  • Características Principais:
    • Origem: Geralmente associadas a uma condição de saúde subjacente (diabetes, doenças vasculares, imobilidade, problemas nutricionais).
    • Tempo de Cicatrização: Demoram a cicatrizar ou não cicatrizam no tempo esperado, mantendo-se abertas por longos períodos.
    • Processo: Ocorre uma interrupção ou atraso nas fases da cicatrização, como inflamação prolongada ou dificuldade de formação de novo tecido.
    • Risco de Infecção: São mais propensas à colonização bacteriana e infecção.
  • Exemplos Comuns:
    • Úlceras por Pressão (Lesões por Pressão): Conhecidas como “escaras”, são causadas por pressão prolongada em uma área do corpo, levando à isquemia e necrose tecidual. Comuns em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida.
    • Úlceras de Perna (Venosa e Arterial):
      • Úlcera Venosa: Causada por insuficiência venosa crônica, com acúmulo de sangue nas pernas e inchaço. A pele fica fragilizada e qualquer trauma pode virar uma úlcera.
      • Úlcera Arterial: Causada por problemas circulatórios nas artérias, levando à falta de sangue e oxigênio para os tecidos, resultando em necrose.
    • Pé Diabético: Feridas nos pés de pessoas com diabetes, frequentemente associadas a neuropatia (perda de sensibilidade) e problemas circulatórios, dificultando a cicatrização.
    • Úlceras Neuropáticas: Causadas por perda de sensibilidade em outras áreas do corpo.
    • Feridas Tumorais: Causadas pelo crescimento de tumores na pele.
  • Cuidados de Enfermagem na Ferida Crônica:
    • Avaliação Holística do Paciente: Além da ferida, é fundamental avaliar a saúde geral do paciente, sua nutrição, doenças de base, mobilidade e fatores que dificultam a cicatrização.
    • Limpeza e Desbridamento: A limpeza rigorosa é essencial. Muitas vezes, é necessário o desbridamento (remoção de tecido necrótico ou desvitalizado) para permitir a cicatrização. O desbridamento pode ser mecânico, autolítico (com coberturas específicas), enzimático ou cirúrgico.
    • Manejo do Exsudato: Controlar o excesso de secreção para evitar a maceração da pele ao redor.
    • Escolha da Cobertura Adequada: Utilizar coberturas específicas para feridas crônicas (hidrocoloides, alginatos, espumas, hidrogéis, carvão ativado, entre outros), que promovam um ambiente úmido ideal para cicatrização, absorvam exsudato e atuem em fatores específicos da ferida.
    • Prevenção de Infecção: Monitorar sinais de infecção e, se houver, colher cultura e auxiliar na administração de antibióticos.
    • Manejo da Dor: As feridas crônicas podem ser muito dolorosas. Administrar analgésicos e usar coberturas que minimizem a dor durante a troca.
    • Educação em Saúde: Orientar o paciente e a família sobre a doença de base, nutrição, mobilidade e cuidados com a ferida a longo prazo.
    • Suporte Nutricional: A nutrição adequada é vital para a cicatrização de feridas crônicas.
    • Mobilização e Alívio de Pressão: Para úlceras por pressão, o reposicionamento e o uso de colchões especiais são cruciais.

A importância de classificar corretamente

Classificar a ferida corretamente permite ao profissional:

  • Determinar a melhor abordagem terapêutica
  • Estabelecer um plano de curativo adequado
  • Avaliar a evolução do quadro
  • Prevenir complicações como infecções ou necroses
  • Documentar corretamente no prontuário

Além disso, é importante lembrar que uma ferida aguda pode se transformar em crônica se não for tratada de forma correta e oportuna.

Cuidados de enfermagem de acordo com a classificação

O papel da enfermagem na avaliação e tratamento de feridas é central. Desde a triagem até o acompanhamento da cicatrização, o enfermeiro deve estar atento a sinais locais e sistêmicos que podem indicar uma mudança de conduta.

Cuidados com feridas agudas

  • Higienizar corretamente o local com solução salina ou antissépticos indicados
  • Manter curativo limpo, seco e bem aderido
  • Observar sinais de infecção (vermelhidão, dor, calor, secreção purulenta)
  • Orientar o paciente sobre cuidados domiciliares
  • Evitar manipulação desnecessária da ferida

Cuidados com feridas crônicas

  • Avaliar a presença de tecido desvitalizado e necessidade de desbridamento
  • Utilizar coberturas específicas (como espumas, alginatos, hidrocolóides)
  • Controlar o exsudato e manter o ambiente úmido, porém limpo
  • Promover medidas de alívio de pressão ou melhora da circulação
  • Registrar evolução em ficha própria de avaliação de feridas
  • Realizar educação em saúde com o paciente e família sobre a doença de base

Além disso, o enfermeiro deve trabalhar em conjunto com a equipe multidisciplinar, incluindo médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e, quando necessário, estomaterapeutas.

Compreender a classificação das feridas quanto ao tempo de traumatismo é um passo fundamental para qualquer profissional de enfermagem que deseja prestar uma assistência segura, técnica e humanizada. Saber diferenciar uma ferida aguda de uma ferida crônica não é apenas um detalhe, mas sim uma habilidade que interfere diretamente na escolha do tratamento e no desfecho do paciente.

Feridas não tratadas corretamente podem comprometer a qualidade de vida, aumentar o tempo de internação e até levar a complicações graves. Portanto, avaliar bem, registrar corretamente e aplicar o conhecimento técnico são atitudes que fazem toda a diferença.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Curativos: Normas Técnicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. (Disponível em sites oficiais do Ministério da Saúde ou no portal da Biblioteca Virtual em Saúde).
  2. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; HINKLE, J. L.; CHEEVER, K. H. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. (Consultar capítulos sobre integridade da pele e cicatrização de feridas).
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM FERIDAS E ESTOMAS (SOBEFE). Consenso Brasileiro de Lesões de Pele. 2. ed. São Paulo: SOBEFE, 2021. Disponível em: https://www.sobefe.org.br/site/wp-content/uploads/2022/03/consenso-lesoes-de-pele-sobefe.pdf
  4. MEDEIROS, M. C. L. et al. Tratamento de feridas: da teoria à prática. São Paulo: Martinari, 2018. https://www.livrariamartinari.com.br/tratamento-de-feridas-da-teoria-a-pratica
  5. FERREIRA, A. M.; SOUZA, R. C. de. Enfermagem em feridas: uma abordagem prática. 2. ed. São Paulo: Yendis, 2020. https://www.editorayendis.com.br/enfermagem-em-feridas
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Assistência segura: uma reflexão teórica aplicada à prática. Brasília: ANVISA, 2013. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/assistencia-segura-uma-reflexao-teorica-aplicada-a-pratica.pdf

Feridas na Pele: Entendendo as Causas

Feridas abertas, cortes, escoriações… Quem nunca teve uma? As feridas na pele são uma parte natural da vida, mas cada uma delas tem suas particularidades, especialmente quando falamos sobre as causas.

Nesta publicação, vamos explorar os principais tipos de feridas, classificando-as de acordo com a causa: cirúrgicas, traumáticas, ulcerativas e por queimaduras.

Feridas Cirúrgicas

Resultantes de procedimentos cirúrgicos, são incisões feitas por um profissional de saúde com o objetivo de realizar uma cirurgia.

Por que acontecem?

 São planejadas e realizadas em ambiente controlado, com o objetivo de tratar alguma condição médica ou realizar uma cirurgia eletiva.

Características: Geralmente possuem bordas bem definidas e são mais previsíveis em termos de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Observar sinais de infecção (vermelhidão, calor, dor, edema, secreção purulenta), deiscência (abertura da ferida) e evisceração (protrusão de órgãos internos).
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para cada fase da cicatrização, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.
  • Promoção da mobilização: Incentivar o paciente a realizar movimentos leves para prevenir complicações como trombose venosa profunda.

Feridas Traumáticas

Causadas por acidentes, quedas, impactos ou objetos cortantes.

Por que acontecem?

 São imprevisíveis e podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento.

Características: Podem variar muito em tamanho, profundidade e localização, dependendo do tipo de trauma.

Cuidados de Enfermagem:

  • Controle da hemorragia: Aplicar pressão direta sobre a ferida e elevar o membro afetado.
  • Limpeza e debridamento: Remover corpos estranhos e tecido necrosado, utilizando técnicas adequadas.
  • Curativos: Utilizar curativos oclusivos para proteger a ferida e promover a cicatrização.
  • Profilaxia contra o tétano: Administrar imunoglobulina e vacina antitetânica, se necessário.

Feridas Ulcerativas

Lesões abertas e crônicas que não cicatrizam espontaneamente.

Por que acontecem?

Geralmente são causadas por problemas de circulação, pressão, infecções ou doenças como diabetes.

Características: São mais profundas e podem apresentar tecido necrosado (morto).

Cuidados de Enfermagem:

  • Avaliação: Identificar a causa da úlcera e avaliar fatores de risco.
  • Desbridamento: Remover tecido necrosado para promover a cicatrização.
  • Limpeza: Realizar limpeza com solução salina 0,9% e técnica asséptica.
  • Curativos: Utilizar curativos adequados para o tipo de úlcera, promovendo um ambiente úmido e protegendo a ferida.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos conforme prescrição médica.

Feridas por Queimaduras

Lesões causadas por exposição a altas temperaturas, produtos químicos, radiação ou eletricidade.

Por que acontecem?

Acidentes domésticos, industriais ou exposição ao sol são as principais causas.

Características: A profundidade da queimadura determina a gravidade e a dificuldade de cicatrização.

Cuidados de Enfermagem:

  • Resfriamento: Resfriar a área queimada com água corrente.
  • Limpeza: Remover roupas e joias da área queimada.
  • Curativos: Aplicar curativos úmidos para aliviar a dor e prevenir a infecção.
  • Controle da dor: Administrar analgésicos e sedativos conforme prescrição médica.
  • Repor líquidos e eletrólitos: Monitorar o balanço hídrico e administrar soluções intravenosas.

Qual a importância de saber a causa da ferida?

Conhecer a causa da ferida é fundamental para:

  • Diagnóstico: Permite ao médico identificar a melhor forma de tratar a lesão.
  • Tratamento: Cada tipo de ferida requer um tratamento específico para promover a cicatrização e evitar complicações.
  • Prevenção: Ao identificar a causa, é possível tomar medidas para prevenir o surgimento de novas feridas.

As feridas na pele podem ter diversas causas, e cada uma delas possui características e necessidades de tratamento específicas. Se você tiver alguma ferida que não cicatriza ou que causa preocupação, procure um médico para avaliação.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Protocolo de tratamento de feridas. Brasília, 2010.
  2. EBSERH

Queimadura Ocular

Uma queimadura ocular ocorre quando o olho entra em contato com substâncias químicas, temperaturas extremas ou radiação, causando danos aos tecidos oculares. Essa condição é considerada uma emergência médica, pois pode levar a complicações graves e irreversíveis se não tratada rapidamente.

Tipos de Queimaduras Oculares

Térmico

Causadas por exposição a altas ou baixas temperaturas, como fogo, vapor, líquidos quentes ou objetos quentes. As queimaduras térmicas geralmente afetam as pálpebras, mas podem se estender ao globo ocular.

Causas

  • Calor: Chama direta, vapor quente, líquidos quentes ou objetos quentes.
  • Radiação: Radiação ultravioleta (UV) do sol ou de fontes artificiais como lâmpadas de solda ou lâmpadas de bronzeamento.
  • Objetos: Gotas de metal derretido, partículas de vidro ou metal, poeira, areia, etc.

Químico

Causadas por substâncias químicas como ácidos, bases (álcalis), gases irritantes e produtos de limpeza. As queimaduras químicas são as mais graves e podem causar danos profundos aos tecidos oculares, incluindo a córnea.

Causas

  • Ácidos, álcalis, sprays, detergentes, solventes, produtos de limpeza domésticos, etc.

Sintomas de queimadura ocular

Os sintomas de uma queimadura ocular podem variar dependendo da gravidade da lesão e da substância causadora, mas geralmente incluem:

  • Dor intensa: É um dos sintomas mais comuns e pode ser acompanhada de lacrimejamento excessivo.
  • Vermelhidão: A conjuntiva (a membrana transparente que recobre a parte branca do olho) fica avermelhada e inchada.
  • Sensação de corpo estranho: O paciente pode sentir como se tivesse algo nos olhos.
  • Visão embaçada: A visão pode ficar turva ou distorcida.
  • Fotofobia: Sensibilidade à luz.
  • Blefarospasmo: Espasmos involuntários das pálpebras.

 O que fazer em caso de queimadura ocular?

É fundamental procurar atendimento médico imediatamente. Enquanto aguarda o atendimento, você pode tomar algumas medidas para minimizar os danos:

  • Lave o olho com água corrente limpa: Mantenha o olho aberto e lave-o por pelo menos 15 minutos.
  • Não esfregue os olhos: Isso pode piorar a lesão.
  • Remova lentes de contato: Se estiver usando lentes de contato, retire-as cuidadosamente.
  • Proteja o olho lesionado: Use um protetor ocular para evitar mais danos.

Tratamento

O tratamento da queimadura ocular depende da gravidade da lesão e da substância causadora. O oftalmologista pode indicar:

  • Analgésicos: Para aliviar a dor.
  • Colírios: Para reduzir a inflamação e lubrificar o olho.
  • Antibióticos: Para prevenir infecções.
  • Cirurgia: Em casos graves, pode ser necessária uma cirurgia para reparar os danos causados.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem em pacientes com queimaduras são cruciais para a recuperação e minimização de sequelas. As ações do enfermeiro são fundamentais em todas as fases do tratamento, desde o atendimento inicial até a alta hospitalar.

Objetivos dos Cuidados de Enfermagem:

  • Controle da dor: Através de medicamentos, técnicas não farmacológicas e avaliação constante da intensidade da dor.
  • Prevenção de infecções: Limpeza rigorosa das feridas, uso de curativos adequados e monitoramento de sinais de infecção.
  • Manutenção da função dos órgãos vitais: Monitoramento constante dos sinais vitais, balanço hídrico e eletrolítico, e prevenção de complicações sistêmicas.
  • Promoção da cicatrização: Utilização de curativos específicos, estimulação da formação de tecido de granulação e prevenção de contraturas.
  • Suporte psicológico: Oferecimento de apoio emocional ao paciente e à família, auxiliando-os a lidar com as diversas fases do tratamento.

Etapas do Tratamento e Cuidados de Enfermagem:

  1. Atendimento Inicial:
    • Avaliação rápida: Identificar a extensão e profundidade da queimadura, vias aéreas, respiração e circulação.
    • Resfriamento da área queimada: Com água corrente, exceto em queimaduras por produtos químicos.
    • Remoção de roupas e joias: Para evitar constrição e agravar a lesão.
    • Controle da dor: Administração de analgésicos e medidas não farmacológicas.
    • Prevenção de choque: Reposição de líquidos e eletrólitos.
  2. Limpeza e Desbridamento:
    • Remoção de tecido necrosado: Para promover a cicatrização e prevenir infecção.
    • Limpeza das feridas: Com soluções antissépticas e soro fisiológico.
    • Cobertura com curativos: Escolha do curativo ideal de acordo com o tipo de queimadura e fase da cicatrização.
  3. Cicatrização:
    • Monitoramento da evolução da ferida: Avaliação diária da extensão, profundidade e sinais de infecção.
    • Troca de curativos: Realizada de forma asséptica para evitar a contaminação.
    • Terapia de pressão: Para prevenir a formação de queloides e contraturas.
    • Enxertos de pele: Em casos de grandes áreas queimadas.
  4. Reabilitação:
    • Fisioterapia: Para prevenir contraturas e recuperar a função dos membros.
    • Terapia ocupacional: Para auxiliar na realização de atividades da vida diária.
    • Suporte psicológico: Para lidar com as sequelas físicas e emocionais.

É importante ressaltar que a queimadura ocular é uma condição grave que exige tratamento especializado. Quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores as chances de recuperação completa.

Referências:

  1. Noia, L. da C., Araújo, A. H. G. de ., & Moraes, N. S. B. de .. (2000). Queimaduras oculares químicas: epidemiologia e terapêutica. Arquivos Brasileiros De Oftalmologia, 63(5), 369–373. https://doi.org/10.1590/S0004-27492000000500008
  2. MSD Manuals
  3. Almeida, C. B. de ., Pagliuca, L. M. F., & Leite, A. L. A. e S.. (2005). Acidentes de trabalho envolvendo os olhos: avaliação de riscos ocupacionais com trabalhadores de enfermagem. Revista Latino-americana De Enfermagem, 13(5), 708–716. https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000500015
  4. Assistência de enfermagem no atendimento pré-hospitalar ao paciente queimado: uma revisão da literatura
    Santos CA, Santos AA. Assistência de enfermagem no atendimento pré-hospitalar ao paciente queimado: uma revisão da literatura. Rev Bras Queimaduras2017;16(1):28-33

Classificação de Queimaduras

A Queimadura é toda lesão provocada pelo contato direto com alguma fonte de calor ou frio, produtos químicos, corrente elétrica, radiação, ou mesmo alguns animais e plantas (como larvas, água-viva, urtiga), entre outros. Se a queimadura atingir 10% do corpo de uma criança ela corre sério risco. Já em adultos, o risco existe se a área atingida for superior a 15%.

Os Tipos

  • Queimaduras térmicas: são provocadas por fontes de calor como o fogo, líquidos ferventes, vapores, objetos quentes e excesso de exposição ao sol;
  • Queimaduras químicas: são provocadas por substância química em contato com a pele ou mesmo através das roupas;
  • Queimaduras por eletricidade: são provocadas por descargas elétricas.

Quanto à profundidade, as queimaduras podem ser classificadas como:

  • 1º grau: atingem as camadas superficiais da pele. Apresentam vermelhidão, inchaço e dor local suportável, sem a formação de bolhas;
  • 2º grau: atingem as camadas mais profundas da pele. Apresentam bolhas, pele avermelhada, manchada ou com coloração variável, dor, inchaço, despreendimento de camadas da pele e possível estado de choque. Queimaduras de 2º grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às queimaduras de 3º grau. Como há risco de destruição das terminações nervosas da pele, este tipo de queimadura, que é bem mais grave, pode até ser menos doloroso que as queimaduras mais superficiais. As glândulas sudoríparas e os folículos capilares também podem ser destruídos, fazendo com a pele fique seca e perca seus pelos. A cicatrização demora mais que 3 semanas e costuma deixar cicatrizes;
  • 3º grau: atingem todas as camadas da pele e podem chegar aos ossos. Apresentam pouca ou nenhuma dor e a pele branca ou carbonizada.

Os Primeiros socorros

Colocar a parte queimada debaixo da água corrente fria, com jato suave, por, aproximadamente, dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas. Se houver poeira ou insetos no local, mantenha a queimadura coberta com pano limpo e úmido.

No caso de queimaduras em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos urgentes.

– nunca toque a queimadura com as mãos;
– nunca fure bolhas;
– nunca tente descolar tecidos grudados na pele queimada;
– nunca retire corpos estranhos ou graxa do local queimado;
– nunca coloque manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura – somente o médico sabe o que deve ser aplicado sobre o local afetado.

Prevenção

– ao acender um fósforo, mantenha o palito longe do rosto. Assim, se escapar alguma chama, não irá atingir o cabelo ou a sobrancelha;
– ao acender uma vela, observe se está longe de produtos inflamáveis, como botijões de gás, solventes ou tecidos;
– manter crianças longe da cozinha durante o preparo dos alimentos, e sempre direcionar o cabo das panelas para a área do fogão;
– não manipular álcool, querosene, gasolina ou outros líquidos inflamáveis perto do fogo. Esses produtos devem ser guardados longe do alcance das crianças;
– em festas juninas, dar preferência às fogueiras pequenas, que só devem ser acesas longe de matas, de depósitos de papel, de produtos inflamáveis ou ventanias.

Referências:

  1. Ministério da Saúde e Confederação Nacional dos Transportes. Queimaduras
  2. Sociedade Brasileira de Queimaduras
  3. Sociedade Brasileira de Queimaduras. Dia de Luta Contra as Queimaduras (cartaz)

Bolha Rota: O que é?

Um Flictena ou Bolha, é uma pequena bolsa de fluído corporal (linfa, soro, plasma, sangue ou pus) dentro das camadas superiores da pele, tipicamente causadas por fricção forçada, queimaduras, congelamento, exposição a produtos químicos ou infecção.

A maioria das bolhas são preenchidas com um líquido claro, seja soro ou plasma.

Mas quando a mesma é rompida, é denominado de Bolha Rota. Isso quer dizer que, de alguma forma, foi rompida por meios mecânicos (através de dispositivos pontiagudos), ou pelo movimento de fricção, o que pode romper acidentalmente.

Geralmente quando a Bolha Rota é aparente, a base de onde foi formado o Flictena possui característica rósea, brilhante ou úmida, e dolorosa nos primeiros dias, e partes da pele (epiderme), podem ficar soltas e presas ao redor da Bolha Rota, podendo em alguns casos realizar desbridamento da pele, para que ocorra uma cicatrização eficaz.

Alguns Cuidados

– Quando as bolhas estão íntegras e o tempo decorrido da queimadura até o atendimento for menor que 1 hora: devem ser aspiradas com agulha fina estéril, mantendo-se íntegra a epiderme como uma cobertura biológica à derme queimada, já que a retirada do líquido da flictena remove também os mediadores inflamatórios presentes, minimizando a dor e evitando o aprofundamento da lesão;

Se maior que 1 hora: manter a flictena íntegra; se a flictena estiver rota: fazer o desbridamento da pele excedente, costuma-se remover a epiderme solta, a fim de aplicar os curativos sobre o tecido viável. É importante lembrar que a derme viável sob as bolhas mostrar-se-á bastante dolorosa;

– O rompimento da bolha sem assepsia multiplica o risco de infecção bacteriana secundária e não é recomendável;

Observação

As queimaduras que envolvem bolhas são classificadas como de 2º grau. Afetam a epiderme e parte da derme.

Elas podem ser classificadas como superficiais, quando a base da bolha é rósea, úmida e dolorosa; ou profundas, quando a base da bolha é branca, seca, indolor e menos dolorosa (profunda).

A restauração das lesões ocorre entre 7 e 21 dias.

Referências:

1.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na Atenção Básica. 1. ed.; 1. reimp. (Cadernos de Atenção Básica, n. 28, Volume II). Brasília: Ministério da Saúde, 2013:290p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_queixas_comuns_cab28v2.pdf

2.Núcleo Telessaúde Sergipe. Biblioteca Virtual em Saúde. Atenção Primária à Saúde. Quais os cuidados iniciais para vítimas de queimadura por fogos de artifício? Segunda Opinião Formativa (SOF). 22 de agosto de 2016. id: sof – 35412.. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/quais-os-cuidados-iniciais-para-vitimas-de-queimadura-por-fogos-de-artificio/

3.Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras. (Série F. Comunicação e Educação em Saúde). Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012:20p. :il. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_tratamento_emergencia_queimaduras.pdf