Função dos Rins

Os rins são órgãos essenciais para o bom funcionamento do corpo humano, desempenhando papéis cruciais na manutenção da saúde e do equilíbrio interno. Localizados na região lombar, esses dois órgãos em forma de feijão são responsáveis por uma série de funções que vão muito além da simples filtragem do sangue.

Nesta publicação, vamos explorar as principais funções do rim e por que cuidar deles é tão importante para a saúde geral.

Filtração do Sangue e Eliminação de Toxinas

A função mais conhecida dos rins é a filtragem do sangue. Eles removem resíduos e toxinas, como ureia, creatinina e ácido úrico, que são subprodutos do metabolismo. Esses resíduos são eliminados do corpo através da urina, ajudando a manter o sangue limpo e livre de substâncias prejudiciais.

Regulação do Equilíbrio Hídrico

Os rins controlam a quantidade de água no corpo, ajustando o volume de urina produzido. Em situações de desidratação, por exemplo, os rins retêm mais água, produzindo uma urina mais concentrada. Já em casos de excesso de líquidos, eles aumentam a produção de urina para eliminar o excesso.

Controle do Equilíbrio Eletrolítico

Os rins regulam os níveis de eletrólitos no sangue, como sódio, potássio, cálcio e fósforo. Esses minerais são essenciais para funções como a contração muscular, a transmissão de impulsos nervosos e a manutenção do pH sanguíneo.

Regulação da Pressão Arterial

Os rins produzem hormônios como a renina, que ajuda a controlar a pressão arterial. Eles também regulam o volume de líquidos no corpo, o que influencia diretamente a pressão sanguínea.

Produção de Hormônios

Além da renina, os rins produzem outros hormônios importantes, como:

  • Eritropoetina (EPO): Estimula a produção de glóbulos vermelhos na medula óssea.
  • Calcitriol: Forma ativa da vitamina D, que ajuda na absorção de cálcio e na saúde dos ossos.

Manutenção do Equilíbrio Ácido-Básico

Os rins ajudam a manter o pH do sangue em níveis adequados, eliminando ácidos ou bicarbonatos através da urina. Isso é essencial para o funcionamento das células e enzimas do corpo.

Excreção de Medicamentos e Substâncias Estranhas

Os rins também são responsáveis por eliminar medicamentos e outras substâncias estranhas ao organismo, garantindo que essas substâncias não se acumulem no corpo.

Por Que Cuidar dos Rins é Tão Importante?

Os rins são órgãos vitais, e qualquer disfunção pode levar a complicações graves, como insuficiência renal, hipertensão e desequilíbrios eletrolíticos. Para manter os rins saudáveis, é importante:

  • Manter-se Hidratado: Beber água regularmente ajuda os rins a funcionarem melhor.
  • Adotar uma Alimentação Saudável: Evitar excesso de sal, açúcar e gorduras.
  • Controlar a Pressão Arterial e o Diabetes: Essas condições são as principais causas de doença renal crônica.
  • Evitar o Uso Excessivo de Medicamentos: Alguns remédios podem sobrecarregar os rins.

Conclusão

Os rins desempenham funções vitais para o equilíbrio e a saúde do corpo. Cuidar deles é essencial para prevenir doenças e garantir uma boa qualidade de vida.

Referência:

  1. Ministério da Saúde
  2. Sociedade Brasileira de Nefrologia

Nefrotoxicidade Medicamentosa

A nefrotoxicidade medicamentosa ocorre quando um medicamento ou substância química causa danos aos rins. Esses danos podem variar desde leves, como uma diminuição temporária da função renal, até graves, resultando em insuficiência renal aguda ou crônica.

Como os medicamentos podem danificar os rins?

Existem diversas formas pelas quais os medicamentos podem causar danos renais, incluindo:

  • Redução do fluxo sanguíneo renal: Alguns medicamentos podem causar vasoconstrição (estreitamento dos vasos sanguíneos) nos rins, diminuindo o fluxo sanguíneo e prejudicando a filtração.
  • Danos diretos às células renais: Outros medicamentos podem agir diretamente sobre as células dos rins, causando inflamação, necrose (morte celular) ou outras alterações.
  • Obstrução dos túbulos renais: Alguns medicamentos podem formar cristais nos túbulos renais, obstruindo o fluxo urinário e prejudicando a função renal.

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à nefrotoxicidade?

Uma grande variedade de medicamentos pode causar nefrotoxicidade. Alguns dos mais comuns incluem:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco.
  • Antibióticos: Aminoglicosídeos (gentamicina, amikacina), cefalosporinas de terceira geração e vancomicina.
  • Diuréticos: Principalmente os de alça (furosemida, bumetanida).
  • Agentes de contraste iodados: Utilizados em exames de imagem.
  • Alguns medicamentos quimioterápicos.
  • Imunossupressores.

Quais são os fatores de risco para nefrotoxicidade medicamentosa?

  • Idade: Idosos são mais suscetíveis, pois a função renal tende a diminuir com a idade.
  • Doenças pré-existentes: Doenças renais crônicas, diabetes, hipertensão arterial e doenças cardíacas aumentam o risco.
  • Desidratação: A desidratação pode concentrar os medicamentos nos rins, aumentando a toxicidade.
  • Uso concomitante de múltiplos medicamentos: A interação entre diferentes medicamentos pode aumentar o risco de nefrotoxicidade.
  • Dose e duração do tratamento: Doses elevadas e tratamentos prolongados aumentam o risco.

Quais são os sintomas da nefrotoxicidade?

Os sintomas da nefrotoxicidade podem variar dependendo da gravidade do dano renal e podem incluir:

  • Diminuição da produção de urina.
  • Inchaço nas pernas, pés e tornozelos.
  • Fadiga.
  • Náuseas e vômitos.
  • Perda de apetite.
  • Confusão mental.

Como a nefrotoxicidade é diagnosticada?

O diagnóstico da nefrotoxicidade geralmente envolve:

  • Exame físico: O médico pode identificar sinais de inchaço, pressão alta e outros sinais de doença renal.
  • Exames de sangue: Os níveis de creatinina e ureia no sangue são indicadores importantes da função renal.
  • Exame de urina: A análise da urina pode revelar a presença de sangue, proteína ou outras anormalidades.
  • Biopsia renal: Em alguns casos, pode ser necessária uma biópsia renal para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do dano.

Qual é o tratamento para a nefrotoxicidade?

O tratamento da nefrotoxicidade depende da causa e da gravidade dos danos renais. Em alguns casos, a interrupção do medicamento causador da lesão pode ser suficiente para que os rins se recuperem. Em outros casos, pode ser necessário realizar tratamento de suporte, como diálise, para remover as toxinas do sangue e auxiliar na função renal.

Cuidados de Enfermagem

Quanto a prevenção da Nefrotoxicidade

  • Monitoramento da função renal: Acompanhar regularmente os exames de creatinina e ureia, além de outros marcadores, é essencial para detectar precocemente alterações na função renal.
  • Hidratação adequada: Incentivar a ingestão de líquidos, a menos que haja contraindicações médicas, ajuda a diluir os medicamentos e reduzir a carga renal.
  • Avaliação do uso concomitante de medicamentos: Identificar e comunicar ao médico a utilização de outros fármacos que possam potencializar a nefrotoxicidade.
  • Educação do paciente: Orientar o paciente sobre os sinais e sintomas de nefrotoxicidade, a importância de comunicar qualquer alteração ao profissional de saúde e a necessidade de seguir corretamente o tratamento prescrito.

Cuidados de Enfermagem no Paciente com Nefrotoxicidade

  • Monitorização rigorosa dos sinais vitais: Acompanhar pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura e frequência respiratória para identificar possíveis complicações.
  • Avaliação do estado hídrico: Observar presença de edema, turgor da pele, mucosas e peso, ajustando a ingestão de líquidos conforme a necessidade.
  • Coleta de exames laboratoriais: Realizar coletas de sangue e urina para monitorar a função renal e identificar alterações eletrolíticas.
  • Administração de medicamentos: Verificar a prescrição médica e administrar os medicamentos de forma segura, observando possíveis interações medicamentosas e efeitos adversos.
  • Promoção do conforto: Auxiliar o paciente a encontrar posições confortáveis, controlar a dor e promover o descanso.
  • Orientação nutricional: Oferecer orientações nutricionais adequadas, considerando as restrições alimentares e as necessidades do paciente.
  • Suporte psicológico: Oferecer suporte emocional ao paciente e à família, auxiliando-os a lidar com a doença e as limitações impostas pelo tratamento.

Diagnósticos de Enfermagem Comuns

  • Risco de débito hídrico: Relacionado à diurese excessiva, vômitos, diarreia e uso de diuréticos.
  • Intolerância à atividade: Relacionado à fadiga, fraqueza e desconforto.
  • Deficiência no conhecimento: Relacionada à falta de informações sobre a doença e o tratamento.
  • Risco de infecção: Relacionado à imunossupressão e procedimentos invasivos.

Intervenções de Enfermagem

  • Monitorar o balanço hídrico: Registrar a ingesta e a eliminação de líquidos.
  • Promover o repouso: Oferecer um ambiente tranquilo e livre de estímulos.
  • Incentivar a prática de exercícios leves: Conforme a tolerância do paciente.
  • Promover a higiene: Realizar higiene corporal completa e troca de roupas de cama regularmente.
  • Orientar sobre a importância da adesão ao tratamento: Esclarecer dúvidas e reforçar a necessidade de seguir as orientações médicas.

É importante ressaltar que a nefrotoxicidade medicamentosa é uma condição complexa que exige uma abordagem individualizada. A equipe de enfermagem deve trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde para garantir a melhor assistência ao paciente.

Referências:

  1. Sales, G. T. M., & Foresto, R. D.. (2020). Drug-induced nephrotoxicity. Revista Da Associação Médica Brasileira, 66, s82–s90. https://doi.org/10.1590/1806-9282.66.S1.82
  2. Mello, P. A. de, Rocha, B. G., Oliveira, W. N., Mendonça, T. S., & Domingueti, C. P. (2021). Nefrotoxicidade e alterações de exames laboratoriais por fármacos: revisão da literatura. Revista De Medicina, 100(2), 152-161. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v100i2p152-161

Cuba Rim

A Cuba rim é um recipiente indicado para diversos procedimentos hospitalares, como na rotina de cuidados de higiene, acondicionamento de medicamentos ou outros procedimentos.

Pode encontrar-se sob forma descartável (fibra de celulose, plástico), e reutilizável (aço inox).

Por que a cuba sim tem esse formato, de “rim” ?

Para facilitar o manuseio e para uma boa higienização, foi adaptado a forma pelos fabricantes.

Capacidade máxima de uma Cuba Rim

De até 750ml. (conforme cada fabricante)

Alguns cuidados com a Cuba Rim

• Verifique a integridade da embalagem antes de usar. Não utilizar se a embalagem estiver violada, danificada ou molhada.

• Inspecione previamente antes do uso. Se danificado, não utilize.

• Se for dispositivo descartável, destruir após o uso. O descarte deve seguir as normas de biossegurança para lixo hospitalar contaminado e perfurocortante. Caso for dispositivo reutilizável, higienizar bem e encaminhar ao CME para esterilização.

• Dispositivo pode ser não estéril ou estéril. Se desejar, a cuba rim pode ser esterilizada em vapor saturado sob pressão antes do seu uso.

• A cuba rim de fibra de celulose, tem a impermeabilidade garantida para secreções biológicas como urina, sangue, secreções gástricas, brônquicas por até 24 horas. Para soro fisiológico, impermeabilidade por 24 horas. Para antisséptico tópico ou degermante a impermeabilidade é garantida por 6 horas.

• Não há contraindicações conhecidas.

Referência:

  1. Kolplast

Nefropexia: O “Rim Caído”

Uma anormalidade nos posicionamento dos rins, como por exemplo, a Ptose Renal (ou Rim Caído),  tem como indicação a correção anatômica através do procedimento de Nefropexia.

Como é feito a Nefropexia?

É feito a fixação cirúrgica do rim na parede posterolateral da cavidade retroperitoneal, podendo ser realizada através da videolaparoscopia, uma técnica inovadora, com tempo operatório médio em torno de até sessenta minutos e permanência hospitalar de apenas um dia.

Graças a este procedimento minimamente invasivo, os pacientes apresentam completo restabelecimento em tempo bastante curto, retornando rapidamente às suas atividades profissionais.

Cuidados de Enfermagem

  • Preparar o paciente para a cirurgia, com informações a respeito da rotina da sala de cirurgia, administrar antibióticos para a limpeza intestinal;
  • Avaliar os fatores de risco para a tromboembolia (como fumo, uso de anticoncepcionais orais, varizes nas extremidades inferiorres), e aplicar meias elásticas, se prescrito;
  • Rever os exercícios com a perna e fornecer informações a respeito das meias compressivas que serão utilizadas no pós-operatório;
  • Avaliar o estado pulmonar (como a presença de dispneia, tosse produtiva, outros sintomas cardíacos relacionados) e ensinar os exercícios de respiração profunda, tosse eficaz e o uso de espirômetro de incentivo.

Referência:

  1. https://treat-simply.com/pt/records/3645

Rins em Ferradura

Rim em ferradura é comum de todas as anomalias de fusão renal. Consiste na distinção de duas massas renais em cada lado da linha média, ligadas por parênquima ou um istmo fibroso por seus respectivos polos, mais frequentemente o inferior.

Na grande maioria dos casos, a fusão é entre as partes inferiores (90%). No restante dos casos poderá haver fusão entre ambos os polos superiores ou superiores e inferiores.

A subida normal dos rins é dificultada pelo pinçamento de suas artérias mesentéricas inferiores (IMA), que estão conectadas ao istmo.

Como resultado desta fusão o polo inferior de cada rim roda medialmente (o inverso da rotação renal normal). Os ureteres que emergem dos rins cruzam anteriormente ao istmo, o qual tipicamente está localizado imediatamente abaixo da artéria mesentérica inferior.

Há tratamento?

Os rins em ferradura em si não requerem nenhum tratamento e os pacientes têm expectativa de vida normal. No entanto, é importante reconhecer a sua presença antes da cirurgia abdominal ou intervenção renal para correção de uma das suas muitas complicações.

Associações a Síndromes Genéticas

Estão frequentemente associados com malformações, tanto as geniturinárias, quanto as não geniturinárias e também são parte de uma série de síndromes:

  • Cromossômicas e/ou aneuplóidicas: síndrome de Down, síndrome de Turner (até 7% têm um rim em ferradura), síndrome de Edward (trissomia 18) até 20% têm rins em ferradura, síndrome Patau (trissomia 13);
  • Não aneuplóidicas: síndrome de Ellis-van Creveld 2, anemia de Fanconi 1,síndrome de Goltz, síndrome de Kabuki, síndrome de Pallister-Hall.

Complicações

Os rins em ferradura são assintomáticos e geralmente detectados por acaso. No entanto, estão sujeitos a uma série de complicações como resultado de má drenagem, o que pode ocasionar sintomatologia clínica.

Essas complicações incluem:

  • Hidronefrose secundária à obstrução da junção uretero-piélica;
  • Infecção e cálculos renais;
  • Aumento da incidência de malignidade;
  • Em especial o tumor de Wilms e o carcinoma de células transicionais, além do aumento da susceptibilidade ao trauma.

Diagnóstico

O diagnóstico do rim em ferradura, embora não seja difícil, requer o conhecimento de sua apresentação nos vários métodos de imagem e o ultrassonografista deve ser particularmente cuidadoso para não deixar passar despercebido esse diagnóstico ou confundir o istmo do rim em ferradura com massa retroperitoneal.

Referências:

  1. Mindell HJ, Kupic EA. Horseshoe kidney: ultrasonic demonstration. AJR Am J Roentgenol. 1977;129 (3): 526-7. doi:10.2214/ajr.129.3.526 – Pubmed citation;
  2. Nahm AM, Ritz E. Horseshoe kidney. Nephrol. Dial. Transplant. 1999;14 (11): 2740-1. doi:10.1093/ndt/14.11.2740 – Pubmed citation.

Calculose Renal (Urolitíase)

pedra no rim

Popularmente conhecida como Pedra no Rim, a Calculose Renal, ou Cálculo Renal, ou Urolitíase é uma doença muito comum, causada pela cristalização de sais mineiras presentes na urina.

A crise de cólica renal é um dos eventos mais dolorosos que um paciente pode experimentar durante a vida. A dor causada pelo cálculo renal é muitas vezes descrita como sendo pior do que a de um parto, fratura óssea, ferimentos por arma de fogo ou queimaduras.

Mas como se formam estas pedras?

A pedra no rim é exatamente o que o nome diz, uma formação sólida composta por minerais que surge dentro dos rins. Mais de 70% das pedras são compostas por sais de cálcio, como oxalato de cálcio e fosfato de cálcio. Também existem cálculos à base de ácido úrico, estruvita (magnésio + amônia + fosfato) e cistina.

Entender a formação das pedras é simples. Imaginem um copo cheio de água clara e transparente. Se jogarmos um pouco de sal, este se diluirá e tornará a água um pouco turva. Se continuarmos a jogar sal no copo, a água ficará cada vez menos clara, até o ponto em que o sal começará a se precipitar no fundo do copo. A precipitação acontece quando a água fica super saturada com sal, isto é, a quantidade de água presente já não é mais suficiente para diluir o sal.

Este é o princípio da formação dos cálculos. Quando a quantidade de água na urina não é suficiente para dissolver todos os sais presentes na mesma, estes retornam a sua forma sólida e precipitam nas vias urinárias. Os sais precipitados na urina tendem a se aglomerar, formando, com o passar do tempo, as pedras.

Esta precipitação dos sais presentes na urina  ocorre basicamente por dois motivos: falta de água para diluir ou excesso de sais para serem diluídos.

A maioria dos casos de cálculo renal ocorre por falta de água para diluir a urina adequadamente, tendo como origem a pouca ingestão de líquidos. Porém, há um grupo de pacientes que mesmo bebendo bastante água ao longo do dia continua a formar pedras. São as pessoas com alterações na composição natural urina, apresentando excesso de sais minerais, em geral, excesso de cálcio. A quantidade de cálcio na urina é tão grande que mesmo com um boa ingestão de água este ainda consegue se precipitar.

Quais são os fatores de risco?

Como acabei de explicar, ter água suficiente na urina é essencial para prevenir a formação de cálculos. Pacientes que costumam desenvolver cálculos bebem, em média, menos 300 a 500 ml de água por dia quando comparados com pessoas que nunca tiveram pedra nos rins. Pessoas que vivem em países de clima tropical ou trabalham em locais muitos quentes devem procurar se manter sempre bem hidratadas para evitar a produção de uma urina muito concentrada.

O tipo de líquido ingerido não tem muita importância. Ainda não há estudos definitivos que possam afirmar com 100% de clareza que um tipo de líquido é superior a outro. Alguns trabalhos sugerem que além da água, suco de laranja, café e chás (incluindo o famoso chá de quebra-pedra) possam ter algum benefício. Já o suco de toranja (jamboa ou grapefruit) parece ser prejudicial, aumentando o risco de formação das pedras. Em relação às bebidas alcoólicas, há controvérsias, havendo estudos que indicam aumento da formação dos cálculos e outros que sugerem redução da formação, principalmente com o consumo de vinho. A vitamina C aumenta a excreção renal de oxalato, e alguns estudos sugerem que o seu consumo excessivo possa aumentar o risco de cálculos renais compostos por oxalato de cálcio.

Pessoas que já tiveram pelo menos um episódio de cálculo renal ou que tenham história familiar de pedras no rim devem urinar pelo menos 2 litros por dia. Como ninguém vai ficar coletando urina o dia inteiro para medir o volume, uma dica é acompanhar a cor da urina. Uma urina bem diluída tem odor fraco e coloração bem clara, quase transparente. Se a sua urina está muito amarelada, isto indica desidratação.

Em relação à dieta, existem alguns hábitos que podem aumentar a incidência de pedras nos rins, principalmente se o paciente já tiver concentrações de cálcio na urina mais elevadas que a média da população. Dietas ricas em sal, proteínas e açúcares são fatores de risco. Curiosamente, apesar da maioria dos cálculos serem compostos de cálcio e surgirem por excesso de cálcio na urina, não há necessidade de restringir o consumo do mesmo na dieta. A restrição, aliás, pode ser prejudicial. Se você já está perdendo cálcio em excesso na urina e não o repõe com a dieta, o seu organismo vai buscar o cálcio que precisa nos ossos, podendo levar à osteoporose precoce. O único cuidado deve ser com os suplementos de cálcio, já que o consumo destes, principalmente quando em jejum, parece aumentar o risco de pedra nos rins.

Outros fatores de risco para o surgimento de cálculos são: obesidade, idade acima de 40 anos, hipertensão, gota, diabetes, ser do sexo masculino e ganho de peso muito rápido.

É importante lembrar que existem também os cálculos renais formados pela precipitação de algumas drogas nos rins. Várias medicações podem ter como efeito colateral a formação de pedra. Os mais comuns incluem: indinavir, atazanavir, guaifenesina, triantereno, silicato e drogas à base de sulfa, como sulfassalazina e sulfadiazina.

Entendendo os Sintomas

Muitos pacientes possuem pedras nos seus rins e não apresentam sintoma algum. Se a pedra se formar dentro do rim e ficar parada dentro do mesmo, o paciente pode ficar anos assintomático. Muitas pessoas descobrem o cálculo renal por acaso, durante um exame de imagem abdominal, como ultrassom ou tomografia computadorizada, solicitados por qualquer outro motivo.

Pedras muito pequenas, menores que 3 milímetros (0,3 centímetros), podem percorrer todo o sistema urinário e serem eliminadas na urina sem provocar maiores sintomas. O paciente começa a urinar e de repente nota que caiu uma pedinha no vaso sanitário.

O sintoma clássico do cálculo renal, chamado cólica renal, surge quando uma pedra de pelo menos 4 mm (0,4 cm) fica impactada em algum ponto do ureter (tubo que leva a urina do rim à bexiga), causando obstrução e dilatação do sistema urinário.

A cólica renal é habitualmente uma excruciante dor lombar, que costuma ser a pior dor que o paciente já teve na vida. A cólica renal deixa o paciente inquieto, se mexendo o tempo todo, procurando em vão uma posição que lhe proporcione alívio. Ao contrário das dores da coluna, que melhoram com repouso e pioram à movimentação, a cólica renal dói intensamente, não importa o que o paciente faça. Por vezes, a dor é tão intensa que vem acompanhada de náuseas e vômitos. Sangue na urina é frequente e ocorre por lesão direta do cálculo no ureter.

A cólica renal costuma ter três fases:
1- A dor inicia-se subitamente e atinge seu pico de intensidade em mais ou menos 1 ou 2 horas.
2- Após atingir seu ápice, a dor da cólica renal permanece assim por mais 1 a 4 horas, em média, deixando o paciente “enlouquecido” de dor.
3- A dor começa a aliviar espontaneamente e ao longo de mais 2 horas tende a desaparecer.

Em alguns desafortunados, o processo todo chega a durar mais de 12 horas, caso o mesmo não procure atendimento médico.

Se a pedra ficar impactada na metade inferior do ureter, a cólica renal pode irradiar para a perna, grandes lábios ou testículos. Também é possível que a pedra consiga atravessar todo o ureter, ficando impactada somente na uretra, que é o ponto de menor diâmetro do sistema urinário. Neste caso a dor ocorre na região pélvica e vem acompanhada de ardência ao urinar e sangramento. Muitas vezes o paciente consegue reconhecer que há um pedra na sua uretra, na iminência de sair.

Como tratar?

Geralmente, pedras menores que 0,5 cm costumam sair espontaneamente pela urina. As que medem entre 0,5 e 0,9 cm têm dificuldade de serem expelidas. Podem até sair, mas custam muito. Cálculos maiores que 1,0 cm são grandes demais e não passam pelo sistema urinário, sendo necessária uma intervenção médica para eliminá-los.

Estes cálculos grandes podem ficar impactados no ureter, provocando uma obstrução à drenagem da urina e consequente dilatação do rim, a qual damos o nome de hidronefrose. A urina não consegue ultrapassar a obstrução e acaba ficando retida dentro do rim. As hidronefroses graves devem ser corrigidas o quanto antes, pois quanto maior o tempo de obstrução, maiores as chances de lesões irreversíveis do rim obstruído.

Para facilitar a eliminação de cálculos com menos de 1,0 cm, mediamentos como a tansulosina ou a nifedipina por até 4 semanas podem ser usados.

Alguns Cuidados de Enfermagem com pacientes em urolitíase em tratamento hospitalar

Intra-hospitalar

  • Verificar sinais vitais, inclusive temperatura.
  • Realizar troca de curativo conforme prescrição médica se necessário
  • Administrar medicação conforme prescrição médica
  • Controle do balanço hídrico do paciente.

Domiciliar

  • O paciente é encorajado a manter uma dieta balanceada e equilibrada para evitar a reincidência de novos cálculos;
  • Ingerir de 2000 a 3000 ml de líquidos, desejável uma eliminação de 2000 ml de urina em 24 horas, porque o cálculo se forma com mais facilidade em urina concentrada;
  • Evitar aumento súbito de temperatura, pois pode causar uma queda no volume urinário;
  • Evitar atividades que produzem sudorese excessiva podem levar a desidratação temporária;
  • Devem ser ingeridos líquidos o suficiente a noite para que a urina não fique muito concentrada;
  • Deve ser realizados exames de urina a cada dois meses no primeiro ano;
  • Infecções do trato urinário devem ser tratadas rigorosamente;
  • Encorajar sempre a mobilidade do paciente e diminuir a ingestão excessiva de vitaminas principalmente a vitamina D.

Prevenção de cálculos renais: alimentos a serem limitados ou evitados

As maiorias dos cálculos são compostas por cálcio, fosforo e oxalato.

  • Vitamina D – os alimentos enriquecidos devem ser evitados porque a vitamina D aumenta a reabsorção de cálcio no organismo.
  • O sal de mesa e os alimentos ricos em sódio devem ser reduzidos, porque o sódio compete com o cálcio na reabsorção pelos rins.
  • Os alimentos listados abaixo devem ser evitados:

             Laticínios: todos os queijos (exceto ricota e requeijão); leite e derivados (quando mais de ½ xícara por dia), creme de leite;

             Carne, peixe, ave: miolo, coração, fígado, rim, vitela, sardinhas, ova de peixe, caça (faisão, coelho, veado, galo silvestre);

             Vegetais: rama da beterraba, beterraba, acelga, couve, mostarda, espinafre, nabo, feijão seco, ervilhas, lentilhas, soja, aipo, chicória;

             Frutas: ruibarbo, cerejas, figo, groselhas e uvas;

             Pães, cerais, massas: pães integrais, cereal matinal, biscoito, arroz branco e pães à base de arroz integral, todos os cereais secos (exceto matinais à base de milho, de arroz e os crocantes);

             Bebidas: chá, chocolate, bebidas carbonatadas, chope, todas as bebidas lácteas;

             Miscelânea: manteiga de amendoim, chocolate, sopa feita com leite, cremes, sobremesas feitas com leite e derivados (incluindo bolos, biscoitos, tortas).