Teoria de Myra Levine

A teoria de Myra Levine é uma abordagem holística da enfermagem que enfatiza a importância da adaptação do indivíduo às mudanças ambientais.

A teoria da Conservação

Levine propôs quatro princípios de conservação: conservação de energia, conservação da integridade estrutural, conservação da integridade pessoal e conservação da integridade social. Esses princípios orientam as intervenções de enfermagem para manter ou restaurar o equilíbrio do sistema humano.

A sua teoria foi desenvolvida a partir de sua experiência como enfermeira, educadora e pesquisadora, e tem sido aplicada em diversos contextos de enfermagem, incluindo a saúde comunitária.

Para fundamentação da reflexão optamos pelo modelo conceitual de Myra Levine da Teoria Holística. Levine avalia o Homem como um todo, ou seja, um ser que deve estar em harmonia e íntegro para manter seu equilíbrio, o qual perante alterações emite respostas em congruência com o ambiente em que vive e estímulos externos e internos que recebe.

Estas respostas modificam a integridade da pessoa, podendo trazer várias consequências para seu estado de saúde.

Referência:

  1. Fagundes, N. C.. (1983). O processo de enfermagem em saúde comunitária a partir da teoria de Myra Levine. Revista Brasileira De Enfermagem, 36(3-4), 265–273. https://doi.org/10.1590/S0034-71671983000400007

Teoria de Lydia Hall

Lydia Hall foi uma enfermeira americana que desenvolveu a teoria do cuidado, núcleo e cura na década de 1960.

Essa teoria propõe que a enfermagem se baseia em três aspectos: o cuidado com o corpo do paciente, o núcleo que envolve a comunicação terapêutica e a cura que se refere ao conhecimento médico da doença.

Hall defendia que a enfermagem era uma profissão autônoma e que o enfermeiro deveria usar o pensamento crítico e o uso terapêutico do self para ajudar os pacientes com doenças crônicas.

Sua teoria foi influenciada por Carl Rogers e pelas ciências naturais, sociais e patológicas.

A teoria dos 3 “C”s

Lydia Hall estabeleceu três círculos independentes, mas interconectados, como um esquema. Os círculos consistem em: cuidado “CARE”, núcleo “CORE” e cura “CURE”. Cada um pode crescer ou não, dependendo de cada caso e de cada paciente.

O núcleo do círculo

Para Hall, o núcleo é o mesmo paciente que recebe atendimento de enfermagem personalizado. O paciente como núcleo deve ter objetivos estabelecidos por ele mesmo e não por mais ninguém e se comportar de acordo com seus valores.

Nesse sentido, o atendimento ao paciente baseia-se nas relações sociais, emocionais, espirituais e intelectuais que mantém com a família, a instituição e a comunidade.

Essas técnicas de Hall são capazes de ajudar o paciente a expressar seus sentimentos em relação ao processo da doença usando um método reflexivo. Por meio dessa reflexão, o paciente pode melhorar sua própria identidade.

O círculo de cuidados

Lydia Hall estabeleceu três círculos independentes, mas interconectados, como um esquema. Os círculos consistem em: cuidado, núcleo e cura. Cada um pode crescer ou não, dependendo de cada caso e de cada paciente.

Para o círculo de cuidados, Hall afirma que a abordagem dos enfermeiros está no papel da nutrição do paciente. Nutrir significa alimentá-lo, sentir-se à vontade e proporcionar atividades de aprendizado.

Este círculo define a principal função que os enfermeiros devem cumprir; Ajude o paciente a desempenhar suas funções biológicas básicas. Praticar todas essas atividades desenvolve empatia entre enfermeiro e paciente, o que é fundamental, segundo Hall.

O círculo de cura

Esta parte da teoria de Hall refere-se à administração de medicamentos e tratamento pelo enfermeiro ao paciente. Hall enfatiza que esse círculo de cura deve ser compartilhado com outros enfermeiros ou outros profissionais de saúde, sejam médicos ou fisioterapeutas.

Durante esse aspecto do cuidado, o enfermeiro deve ser um advogado fiel do paciente; Você deve defender o plano de cuidados que melhor se adequa à pessoa de quem cuida.

Em resumo, na fase de atendimento, o enfermeiro deve se concentrar em ajudar o paciente em suas atividades diárias. Na fase de cura, através do conhecimento médico, o enfermeiro atende às necessidades sociais e de comunicação do paciente.

Referências:

  1. Centro Loeb para registros de enfermagem, Portal Centro de Enfermagem, (s). foundationnysnurses.org
  2. Teoria de enfermagem de Lydia Hall, escritores da geniolândia, (s). geniolandia.com
  3. Lydia E. Hall, Portal Nurseslab, (2014). nurselabs.com
  4. Lydia Hall, escritores de A Verdade sobre Enfermagem, (s). truthaboutnursing.org
  5. Em direção ao modelo iluminado de cura do núcleo de cuidados de Lydia Hall, usando as perspectivas da ARUGA para necessidades holísticas de enfermagem de pacientes filipinos, Leocadio, MC, (2010). journals.lww.com

Teoria de Watson

A teoria de Watson defende o cuidado como uma ciência humana desenvolvida a partir de fundamentos filosóficos e sistemas de valores humanistas.

Quem é a Teorista?

A ideia de cuidado transpessoal surgiu com a enfermeira Drª Jean Watson em 1985, quando fez a primeira reformulação em sua Teoria do Cuidado Humano, lançada por ela entre 1975 e 1979.

Esta teoria, ao longo do tempo, vem sendo aprimorada. Hoje a Teoria do Cuidado Transpessoal, que foi proposta mediante o Processo Clinical Caritas, reúne cuidado e amor para o cuidar pleno e maduro.

Atualmente, a teoria de Watson é adotada em diversas instituições de saúde, como hospitais, centros médicos e universidades com cursos na área da saúde, nos EUA e no México.

Watson Caring Science Institute foi criado pela própria autora para divulgação dos princípios da teoria e auxílio na implantação e manutenção dos pressupostos nos serviços de saúde, além de oferecer treinamentos profissionais, promover pesquisas e eventos científicos e formar doutores em cuidado que considerem a dimensão sagrada humana.

A Teoria

Clinical Caritas é a denominação atual do processo por ela desenvolvido e aprimorado. Inicialmente, era formado por Fatores de Cuidado, dez preceitos que objetivavam a ampliação do cuidado unicamente biológico, coerentes com sua teoria inicial.

Em 2007, então, ela construiu o Clinical Caritas, constituído por dez elementos que consideram o ser cuidado como sagrado (integrante do universo e do divino) e, por isso, merece ser reconhecido com delicadeza, sensibilidade e amor.

Os dez elementos deste cuidado são:

  1. Praticar bondade e equanimidade, inclusive para si;
  2. Estar presente e valorizar o sistema de crenças do ser cuidado;
  3. Cultivar práticas espirituais próprias, aprofundando o conhecimento individual;
  4. Manter o cuidar autêntico por meio de um relacionamento de ajuda-confiança;
  5. Apoiar expressão de sentimentos positivos e negativos;
  6. Utilizar conhecimento e intuição de forma criativa na resolução de problemas;
  7. Vincular-se verdadeiramente na experiência de ensino-aprendizagem;
  8. Proporcionar um ambiente de restauração física, emocional e espiritual;
  9. Promover alinhamento de corpo, mente e espírito a fim de atender às necessidades do indivíduo;
  10. Considerar os aspectos espirituais e de vida e morte.

Diversos desses elementos guardam relação com a empatia. Praticar bondade consigo (elemento 1), previamente à oferta de cuidado ao outro, está atrelado ao reconhecimento da humanidade existente no profissional, que também possui emoções em suas relações.

Para Watson, todos os envolvidos no processo de cuidado devem expressar seus sentimentos, de forma que a relação empática se construa mutuamente. Desta forma, cria-se um espaço para relações horizontais de cuidado que favorecem o respeito mútuo.

Estar presente nas relações (elemento 2) representa o fundamento da empatia. É a partir do foco e da atenção dispensada ao outro que o processo empático se inicia e que torna possível a compreensão da experiência alheia.

Estamos presentes onde está nossa atenção. Se ao cuidarmos estivermos preocupados com outras questões e ou situações não relacionadas ao outro que está a nossa frente, dificilmente conseguiremos desenvolver e demonstrar empatia.

O terceiro elemento do cuidado diz respeito ao cultivo de práticas que melhorem o autoconhecimento. A manutenção de atividades que desenvolvam o autoconhecimento é incentivada por teoristas da empatia, pois ele é fundamental para o movimento interno que proporciona a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Temos no quinto elemento do Clinical Caritas, o incentivo à exposição de sentimentos, sejam positivos ou negativos. Isso permite, inicialmente, que o paciente consiga reconhecer suas emoções para, então, aceitá-las ou confrontá-las.

Quando isso ocorre, o enfermeiro é capaz de conhecer as sensações reais do paciente e colocar-se em seu lugar. Para isso, a escuta sensível é necessária, além do tempo que ela implica nas interações entre o enfermeiro e o paciente.

Muitos podem dizer que ela é praticamente impossível a depender das condições estruturais e de organização do trabalho. Sem dúvidas, são aspectos que têm seu peso, mas, por outro lado, sabemos que se trata também de uma escolha pessoal na forma de conduzir a assistência. Ouvir o outro é algo que requer treino, inclusive para além das situações assistenciais.

Envolver-se em uma interação educativa com o paciente (elemento 7) representa a possibilidade de conexão verdadeira entre os envolvidos, visto que o enfermeiro que incentiva e favorece a participação do paciente nas tomadas de decisões, respeitando, inclusive, preceitos éticos da profissão, ressalta o processo de autonomia dos envolvidos.

O reconhecimento do outro como capaz de fazer escolhas é um aspecto fundamental da relação empática, pois é a partir desta consideração que se originam os fatores cognitivo e emocional da empatia.

Os elementos oito e nove estão relacionados à promoção do equilíbrio do ambiente e dos indivíduos, respectivamente. A postura empática, que acolhe e aceita o outro, é capaz de influenciar fortemente tais aspectos.

O comportamento empático pode tanto provocar uma mudança em um ambiente desfavorável quanto atender às necessidades físicas, mentais e emocionais dos indivíduos.

Reconhecer o que em um ambiente é hostil para o outro, colocar-se no seu lugar e optar não só por intervenções técnico-procedimentais, mas por uma postura que o modifique, está no cerne da restauração e atendimento das necessidades previstas nesses elementos.

Quanto ao elemento dez, cabe-nos a reflexão de como a empatia auxilia nos aspectos relacionados à espiritualidade, à vida e à morte. Como colocar-se no lugar do outro que está em processo de morte, se é uma experiência ainda não vivenciada?

Há algum tempo, o atendimento às necessidades espirituais dos pacientes nessas situações praticamente se restringiam a promover a visita de um líder religioso. Contudo, os avanços na área de cuidados paliativos possibilitam que o profissional ultrapasse atitudes mais distanciadas de reais necessidades dos pacientes e o pensamento atribuído a Cicely Saunders pode resumir o que é ser empático diante deste cenário:

“eu me importo pelo fato de você ser você, me importo até o último momento da sua vida, e faremos tudo que estiver ao seu alcance, não somente para ajudar você a morrer em paz, mas também para você viver até o dia da sua morte”

Percebe-se que esses pressupostos consideram uma visão humanística do ser humano, seja ele profissional ou paciente, de maneira que ambos possam ter respeitados seus princípios, fortalecida sua autonomia e sejam participantes de uma estrutura de cuidado mais sensível e acolhedora.

Pelo exposto, é possível compreender, também, que a empatia permeia todo o processo de cuidado de Jean Watson, uma vez que a aplicação dos elementos do Clinical Caritas é possibilitada pelo comportamento empático.

Por outro lado, ao se experienciar a assistência transpessoal, a empatia é oportunizada, visto que para atingir os objetivos deste cuidado é primordial que se reconheça o paciente como participante do processo, detentor de anseios e expectativas, com história pregressa de vida.

Referências:

1 Mathias JJS, Zagonel IPS, Lacerda MR. Processo clinical caritas: novos rumos para o cuidado de enfermagem transpessoal. Acta Paul. Enferm. 2006 maio/jun; 19(3): 332-7. 
2 Sales LVT, Paixão MG, Castro O. Teoria do cuidado transpessoal – Jean Watson. In: Braga CG, Silva JV. Teorias de Enfermagem. São Paulo, Iátria, 2011. p 225-47.
Silva CMC, Valente GSC, Bitencourt GR, Brito LN. A teoria do cuidado transpessoal na Enfermagem: Análise segundo Meleis. Cogitare enferm. 2010 jul/set; 15(3): 548-51.
Favero L, Pagliuca LMF, Lacerda MR. Cuidado transpessoal em enfermagem: uma análise pautada em modelo conceitual. Rev. Esc. Enferm. USP 2013 mar/abr; 47(2): 500-5
5 Davison N, Williams K. Compassion in nursing 1: defining, identifying and measuring this essential quality. Nurs. Times 2009 set; 105 (36): 16-8. 
6 Ak M, Cinar O, Sutcigil L, Congologlu ED, Haciomeroglu B, Canbaz H, et al. Communication skills training for emergency nursing. Int. J. Med. Sci. 2011 maio; 8(5): 397-401. 
7 Bos N, Sizmur S, Graham C, van Stel HF. The accident and emergency department questionnaire: a measure for patients’ experiences in the accident and emergency department. BMJ Qual Saf. 2013 Feb; 22: 139-46. 
8 Cypress BS. The emergency department: experiences of patients, families and their nurses. Adv. Emerg. Nurs. 2014 Apr/Jun; 636 (2): 164-76. 
9 Moss C, Nelson K, Connor M, Wensley C, McKinlay E, Boulton A. Patient experience in the emergency department: inconsistencies in the ethic and duty of care. J. Clin. Nurs. 2014 Jan; 24(1-2):275-88. 
10 Pytel C, Fielden MSN, Meyer KH, Albert N. Nurse-patient/visitor communication in the emergency department. J. Emerg. Nurs. 2009 Set; 35(5): 406-11. 
11 Burley D. Better communication in the emergency department. Emerg. Nurse. 2011 Mai; 19(2): 32-6. 
12 Formiga NS. Os estudos sobre empatia: reflexões sobre um construto psicológico em diversas áreas científicas. [Internet]. Porto (Portugal): O portal dos psicólogos; 2012. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0639.pdf
13 Paro HBMS, Silveira PSP, Perotta B, Gannam S, Enns SC, Giaxa RRB et al. Empathy among medical students: Is there a relation with quality of life and burnout? PLOSOne [on line] 2014 Apr; ; 9(4): Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3976378/
14 Scarpellini GR, Capellato G, Rizzatti FG, Silva GA, Baddini-Martinez JA. Escala CARE de empatia: tradução para o português falado no Brasil e resultados iniciais de validação. Medicina (Ribeirão Preto), 2014 jan/mar; 47(1): 51-8. 
15 Severino AJ. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo: Cortez; 2002.
16 Watsoncaringscience.org [página da internet]. Boulder: Watson Caring Science Institute & International Caritas Consortium; 2014. Disponível em: http://watsoncaringscience.org/
17  Watson J. Caritas Nursing: Taking time/Making time [gravação de video]. John C Lincoln North Mountain Hospital, Phoenix, EUA; 2012. 70 min.
18 Portaria n. 881 de 19 de junho de 2001. Dispõe sobre o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH). Diário Oficial da União, 21 jun 2001; Seção 1:1.
19 Silva MJP. Comunicação tem remédio. São Paulo: Loyola, 2011.
20 Pessini L. A filosofia dos cuidados paliativos: uma resposta diante da obstinação terapêutica. In: Pessini L; Bertachini L. Humanização e cuidados paliativos. 2ª ed. São Paulo: Loyola ; 2004. p. 181-208.
21 Schauric D, Crossetti MGO. Produção do conhecimento sobre teorias de Enfermagem: análise de periódicos da área, 1998-2007. Esc. Anna Nery. 2010 jan/mar; 14(1): 182-8. 
22 Favero L, Meier MJ, Lacerda MR, Mazza VA, Kalinowski LC. Aplicação da Teoria do Cuidado Transpessoal de Jean Watson: uma década de produção brasileira. Acta Paul. Enferm. 2009 fev/mar; 22(2): 213-8. 
23 Gordon J, Sheppard LA, Anaf S. The patient experience in the emergency department: a systematic synthesis of qualitative research. Intern. Emerg. Nurs. 2010 Apr; 18(2): 80-8. 
24 Baggio MA, Callegaro GD, Erdmann AL. Compreendendo as dimensões do cuidado em uma unidade de emergência hospitalar. Rev. Bras. Enferm. 2009 maio/jun; 62(3): 381-6. 

Teoria de Jean Watson

A Teoria de Jean Watson é uma abordagem de enfermagem que enfatiza o cuidado humano como uma ciência e uma arte.

Watson propõe que o cuidado transpessoal é a forma mais elevada de cuidar, que envolve uma conexão profunda entre o enfermeiro e o paciente, além do aspecto físico. Segundo Watson, o cuidado transpessoal pode influenciar os aspectos humano, espiritual e transpessoal do paciente, promovendo sua saúde e bem-estar.

Watson desenvolveu sua teoria a partir de fundamentos filosóficos e valores humanistas, buscando evitar a desumanização do paciente devido à burocratização dos sistemas de saúde.

Sua teoria é composta por dez fatores de cuidado, que são orientações para a prática de enfermagem baseada no cuidado transpessoal. Watson também criou o conceito de Processo Clinical Caritas, que é uma forma de aplicar sua teoria na prática clínica, enfatizando a intencionalidade, a consciência e a escolha do enfermeiro ao cuidar do paciente.

A Teoria do Cuidado Transpessoal

 A Teoria do Cuidado Transpessoal apresenta 10 (dez) fatores de cuidado, os quais são a base para o cuidado transpessoal em sua visão holística.

Abordam o ser humano como um todo biológico social e espiritual unido, que não pode ser fragmentado, e leva em consideração o profissional de enfermagem como ser humano. Nessa interação paciente/profisssional, é que se dá o processo de cuidado, cerne fundamental da enfermagem.

 Esses fatores são:

  1. formação de um sistema de valores humanístico-altruísta;
  2. estimulação da fé-esperança;
  3. cultivo da sensibilidade para si e para os outros;
  4. desenvolvimento do relacionamento de ajuda-confiança;
  5. promoção e aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos;
  6. uso sistemático do método científico de solução de problemas para tomar decisões;
  7. promoção do ensino-aprendizagem interpessoal;
  8. provisão de um ambiente mental, físico, sociocultural e espiritual sustentador, protetor e/ou corretivo;
  9. auxílio com a gratificação das necessidades humanas;
  10. aceitação das forças existenciais e fenomenológicas.

 Além disso, a Teoria abrange sete pressupostos sobre o cuidado, os quais o postulam como o atributo mais valioso que a Enfermagem tem para sociedade humana, embora ameaçado pelo contínuo crescimento tecnológico na área médica.

Os pressupostos da Teoria são:

  1. o cuidado pode ser efetivado, demonstrado e praticado apenas interpessoalmente;
  2. consiste de fatores que resultam na satisfação de determinadas necessidades humanas;
  3. promove a saúde e o crescimento individual e familiar;
  4. as respostas do cuidado aceitam a pessoa não apenas como ela é agora, mas como ela poderá ser;
  5. o ambiente de cuidado é aquele que oferece o desenvolvimento potencial, enquanto permite que a pessoa escolha a melhor ação para si, em determinado momento;
  6. centralizado no cuidado e não na cura, de modo que sua prática integra o conhecimento biofísico ao comportamento humano para gerar ou promover a saúde e proporcionar atendimento aos que estão doente;
  7. o cuidado é a essência da prática de enfermagem e é fundamental à Enfermagem.  Esses pressupostos filosóficos permeiam o processo de cuidado humano em enfermagem, bem como, permitem o enfoque da Enfermagem no conceito de pessoa como um ser integral.

Aplicabilidade do cuidado transpessoal na prática de enfermagem

Para a Teoria do Cuidado Transpessoal, a Enfermagem é “uma ciência humana de pessoas e experiências de saúde-doença humanas que são mediadas pelas transações de cuidados profissionais, científicos, estéticos e éticos”.

Assim, o cuidado transpessoal tenta se sobrepor à valorização da tecnologia, que estima somente a cura, e procura considerar como prioridade o próprio paciente. O cuidado  pode ser considerado sua essência, já que a enfermeira participa da assistência enquanto pessoa. Deve haver uma reciprocidade entre o profissional e o paciente, de modo a preconizar a meta de estímulo a autonomia do enfermo e buscar o seu autocontrole e autoconhecimento.

 A interação enfermeiro-paciente desenvolve relações interpessoais, nas quais cada um desempenha funções específicas. Ao enfermeiro incumbe o fornecimento de apoio e proteção, com tomada de decisão científica. Ao cliente, cabem experiências positivas responsáveis por mudanças, as quais podem levar à satisfação das necessidades humanas e ao processo de ser saudável.

 O cuidado pode servir como essência da Enfermagem e seu atributo mais valioso. O alicerce por meio dos processos de cuidado, visa fornecer auxílio às pessoas para atingir um alto grau de harmonia dentro de si, de forma a promover o autoconhecimento e a própria cura.

A utilização da teoria em questão pode promover o crescimento pessoal dos pacientes e da Enfermagem, traduzido por relacionamentos interpessoais mais significativos, com a ajuda/confiança e ainda pelo sentimento de liberdade.

Além disso, a Teoria de Watson pode ser utilizada no planejamento para cuidados integrais, associados ao desenvolvimento do processo de Enfermagem para a execução de intervenções para o paciente.

Referências:

  1. Waldow VR. Cuidado humano o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra Luzzatto; 1999.
  2. Zagonel IPS. O cuidado humano transicional na trajetória de enfermagem. Rev Latino-Am Enfermagem. 1999;7(3):25-32
  3. Watson J. Caring science as sacred science. Philadelphia: F.A. Davis; 2004.

Teoria de Madeleine Leininger

A Teoria da Diversidade e Universalidade do Cuidado Cultural de Madeleine Leininger é uma teoria de enfermagem que busca compreender e respeitar as diferenças e semelhanças culturais entre os indivíduos, grupos e comunidades.

Segundo Leininger, o cuidado cultural é a essência e o objetivo central da enfermagem, pois é através dele que se pode promover a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.

A teoria propõe que o enfermeiro deve conhecer os valores, crenças, práticas e modos de vida dos seus clientes, bem como as suas necessidades, expectativas e percepções sobre o cuidado. Assim, o enfermeiro pode planejar e implementar intervenções de cuidado culturalmente congruentes, que respeitem a diversidade e a universalidade do cuidado cultural.

A teoria também enfatiza a importância da pesquisa transcultural para o desenvolvimento do conhecimento de enfermagem e a melhoria da prática profissional.

A teoria de Leininger

A teoria de Leininger, é focada em fornecer cuidados que estejam em harmonia com as crenças, práticas e valores culturais de um paciente. Na década de 1960, ela cunhou a frase “cuidado culturalmente congruente”, que é o objetivo principal da enfermagem transcultural. Alguns dos princípios básicos da enfermagem transcultural incluem uma compreensão do seguinte:

Diversidade e universalidade do cuidado cultural, que se refere às diferenças e semelhanças entre diferentes culturas.

Dimensões da estrutura cultural e social, que inclui fatores que incluem religião, estruturas sociais e economia que diferenciam as culturas.

Preservação ou manutenção do cuidado cultural, que se relaciona com atividades de cuidado de enfermagem que auxiliam culturas específicas a reterem os valores culturais centrais relacionados à saúde.

APLICAÇÃO INTERDISCIPLINAR DA TDUCC

Ao longo dos anos, a teorista tem revelado à comunidade científica que a TDUCC pode e deve ser aplicada nas diversas disciplinas da enfermagem. Tal fato, é notório quando evidenciamos a aplicação da teoria na administração de enfermagem, educação, pesquisa e saúde mental.

A Proposta

1. usar de forma mais explícita os conhecimentos da enfermagem cultural em todas as áreas clínicas de enfermagem;
2. desenvolver mais estudos e avaliar os benefícios do cuidado culturalmente competente;
3. promover e usar as políticas, princípios, paradigmas e perspectivas teóricas da enfermagem transcultural para guiar as decisões e ações da enfermagem;
4. a necessidade de especialistas em enfermagem transcultural impactar o conhecimento da enfermagem transcultural na mídia, nas agências governamentais, dentre outros;
5. conduzir pesquisas criativas para descobrir outras culturas ainda pouco conhecidas;
6. abordar questões éticas, morais e legais relacionadas à diversas culturas;
7. estabelecer colaboração de educação, pesquisa e prática multi e interdisciplinares mantendo o foco distinto de cada disciplina;
8. disseminar o conhecimento da enfermagem cultural em publicações internacionais;
9. a necessidade de estabelecer fundos para a educação e pesquisa transcultural e
10. a necessidade de estabelecer uma rede global de enfermagem transcultural.

Referência:

  1. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-413295

Teoria de Virginia Henderson

Quem é a Virginia Henderson?

Virginia Henderson nasceu em 1897, em Kansas City, e o interesse pela enfermagem surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, pois desejava prestar atendimento os feridos e enfermos de guerra. Formou-se em 1921, na Escola do Exército, concluindo seus estudos e mestrado em 1926.

Ela ministrou cursos com enfoque na Enfermagem Clínica, na área analítica, de 1930 a 1948, sendo indicada como pesquisadora na Universidade de Yale, em 1953.

A Sua Teoria

A teoria de Virginia Henderson insere·se na linha das necessidades humanas básicas, cujo foco principal é o cuidado para como o individuo baseado nos quatorze componentes de cuidados básicos de enfermagem, os quais dao é teoria uma macrovisao ou visao totalitária sobre o individuo, ou seja, Henderson utiliza·se da abordagem holistica para estabelecer um plano assistencial globalizado.

Para Henderson, citada por Furukawa e Howe (1993), mente e corpo sao inseparáveis. estando estes em pleno interrelacionamento para o desenvolvimento das funções do ser humano e que o enfermeiro convive num ambiente de sociedade.

Segundo Henderson (1969). o momento básico do cuidado de enfermagem pode ser derivado das necessidades humanas assim como de todos os serviços de saúde prestados ao paciente. Ao atuar sobre as necessidades dos seres humanos a enfermeira tem sido chamada de “mãe profissional”, principalmente quando esta se responsabiliza pelos cuidados integrais ao paciente.

A visao holistica está bem definida nesta teoria, onde ela cria um ambiente harmonioso e interativo entre profissionais, clientes. pacientes e sociedade. A autora descreve perfeitamente a abordagem hollstica, por considerar o hemisfério direito do ser humano.

Ela questionava porque a intuição da experiência vivencial de cada individuo não era enfatizada no processo de enfermagem. Em seus estudos, argumenta que o processo de enfermagem desconsidera e subestima o lado artístico, intuitivo e subjetivo da enfermagem.

Entendendo os 14 componentes do atendimento da enfermagem

Henderson propõe 14 componentes do atendimento básico da enfermagem para enriquecer sua definição:

  • Respirar normalmente;
  • Comer e beber adequadamente;
  • Eliminar resíduos orgânicos;
  • Movimentar-se e manter posturas desejáveis;
  • Dormir e descansar;
  • Selecionar roupas adequadas – vestir-se e despir-se;
  • Manter a temperatura corporal dentro da variação normal, adaptando a roupa e modificando o ambiente;
  • Manter o corpo limpo e bem arrumado, proteger a pele;
  • Evitar os perigos ambientais e evitar ferir os outros;
  • Comunicar-se com os outros, expressando emoções, necessidades, medos ou opiniões;
  • Adorar de acordo com a própria fé;
  • Trabalhar de forma a ter uma sensação de realização;
  • Participar de variadas formas de recreação;
  • Aprender, descobrir ou satisfazer a curiosidade que leva ao desenvolvimento e à saúde normais e usar os serviços de saúde disponíveis.

Em 1966 publicou a descrição definitiva em “The nature of nursing”, que, segundo ela, expressava e cristalizava sua ideia a respeito. Para entender a amplitude do seu pensamento sobre as funções de enfermagem e os 14 componentes do atendimento básico é necessário estudar-se os “Basic principles of nursing care”, publicação do CIEE, onde estão descritos cada um dos componentes, servindo de perfeito guia para delinear as funções da enfermagem.

Em 1991, Henderson publicou que a definição sobre a enfermagem ainda permanece em questão, com confusões entre o papel da enfermagem e dos demais profissionais, e considera que o ensino atual da enfermagem deve incluir uma discussão mais ampla sobre teoria e processo de enfermagem.

Referências:

  1. FERNANDES, Bruna Karen Cavalcante et al. Processo de enfermagem fundamentado em Virginia Henderson aplicado a uma trabalhadora idosa. Revista de Enfermagem UFPE on line, [S.l.], v. 10, n. 9, p. 3418-3425, jul. 2016. ISSN 1981-8963. Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/11424/13217>. Acesso em: 22 fev. 2023. doi:https://doi.org/10.5205/1981-8963-v10i9a11424p3418-3425-2016.

A Teoria de Wanda Horta

Quem é a Wanda Horta?

Wanda Cardoso de Aguiar nasceu em 11 de agosto do ano de 1926. Seu sobrenome Horta veio do marido Luís Emílio Horta, com quem se casou aos 27 anos.

Nascida em Belém (PA), ela foi criada, junto com seus irmãos, por um pai militar e uma mãe devota dos livros, em uma casa em que a educação era prioridade.

Aos 10 anos mudou de Belém para Ponta Grossa (PR) e, durante o ginásio, em sua adolescência, frequentou o curso de pré-médico, uma espécie de curso técnico em medicina, no qual teve o primeiro contato com a área da saúde.

Na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Wanda se inscreveu nos Voluntários Socorristas, da Cruz Vermelha. Na época, o Brasil havia declarado guerra ao Eixo (Alemanha, Itália e Japão), e havia receio de possíveis ataques aéreos em solo brasileiro.

Ao final do curso, enviou um telegrama ao então ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, para integrar a Força Expedicionária Brasileira. Porém, nunca obteve resposta.

A ausência de resposta e as fronteiras entre municípios não foram impeditivos para seguir com a vontade de ajudar o próximo. Em 1944, Wanda mudou para Curitiba para trabalhar e estudar.

Conseguiu um emprego com atividades de enfermagem, mas foi em 1945 que se aprofundou na área após ganhar uma bolsa de estudos para mudar para a capital paulista e estudar na USP (Universidade de São Paulo).

A sua história na Enfermagem

Wanda desembarcou em São Paulo em um período novo para a enfermagem. Entre as décadas de 1930 e 1950, os enfermeiros vinham refletindo sobre sua prática bastante limitada nos hospitais pelo excessivo controle dos médicos.

A abertura da Escola de Enfermagem de São Paulo, na década de 40, reforçou a adoção de uma formação acadêmico-científica para enfermeiros, impulsionada também pela industrialização da cidade.

Com esse crescimento, a região precisava atender à demanda de cidadãos adoecidos por epidemias. Se por um lado, havia centenas de pacientes à espera de atendimento, por outro lado, os hospitais não permitiam uma atuação das enfermeiras de forma independente.

Ao se formar na USP, foi trabalhar em Santarém (PA) no projeto de Serviço Especial de Saúde Pública, criado pelo governo federal da época em parceria com os Estados Unidos.

A premissa do órgão na Amazônia era criar equipes de médicos, engenheiros e enfermeiros para compartilharem decisões em prol de um objetivo em comum: a saúde da população.

Wanda e a Teoria das Necessidades Humanas Básicas

O descontentamento com a posição do enfermeiro na saúde se transformou em um combustível para a busca de evidências científicas e seu caminho como professora.

Especializou-se em Pedagogia e Didática Aplicadas à Enfermagem e doutorou-se em Enfermagem com a tese “Observação Sistematizada na Identificação de Problemas de Enfermagem em seus Aspectos Físicos”.

Wanda chegou a relatar em artigos que “nos hospitais oferecemos o máximo de desconforto”, definindo a assistência de saúde e ressaltando a importância do cuidado.

Foi na sua desbravadora carreira acadêmica que encontrou a Teoria das Necessidades Humanas Básicas, do psicólogo Abraham H. Maslow, como caminho para mudar a enfermagem no Brasil e humanizá-la.

Maslow criou a teoria da motivação humana segundo a qual define que o ser humano precisa de um conjunto de condições básicas para alcançar um nível de bem-estar. O psicólogo definiu esses níveis como: necessidades fisiológicas, segurança, amor, estima e autorrealização.

Wanda acreditava que os níveis deveriam ser classificados a partir de uma alternativa proposta pelo padre, médico e escritor João Mohana, que dividia as necessidades em três grandes dimensões: psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais.

Seguindo essa tese, Wanda estabeleceu que o papel do enfermeiro em ser coordenador do cuidado é entender o ser humano como um todo — não olhando apenas a doença que ele está sofrendo, mas o corpo, mente e espírito.

Assim, o atendimento passa a ser individualizado e a levar em consideração aspectos sociais e emocionais do paciente.

Ela se inspirou em conceitos trabalhados no exterior pela enfermeira psiquiatra Ida Orlando, que começou a utilizar “processo de enfermagem” para explicar o cuidado como um processo sistematizado.

As etapas do processo de enfermagem

A professora brasileira introduziu a noção de que o processo de enfermagem pode ser dividido em seis etapas:

1) histórico;

2) Diagnóstico;

3) Plano assistencial;

4) Plano de cuidados ou prescrição;

5) Evolução;

6) E o prognóstico de enfermagem.

O conceito de enfermagem, segundo Wanda Horta

Para a enfermeira:

“A enfermagem é a ciência e a arte de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, de torná-lo independente desta assistência atraves da educação, de recuperar, manter e promover sua saúde, contando para isso com a colaboração de outros grupos profissionais.”

Seu olhar revelador diante das necessidades humanas na saúde avançou ao longo dos anos e conquistou o meio acadêmico de enfermagem de todo o país.

Wanda ministrou aulas e orientou pesquisas em universidades do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, disseminando seu conhecimento e fortalecendo o viés humano na coordenação de cuidado.

Ela obteve reconhecimento internacional de seus estudos e metodologia, levando seu modelo teórico para diferentes países.

Foi convidada pela Organização Pan-Americana de Saúde e pela OMS (Organização Mundial de Saúde), em 1973, para participar da elaboração do Documento Básico sobre o Ensino de Fundamentos de Enfermagem, que fortalecia a importância global da graduação e do cunho científico da profissão.

Para diminuir as barreiras entre seus conceitos e os enfermeiros em formação, ampliou seus estudos – há relatos de mais de 400 documentos assinados por Wanda -, além de ter criado a revista Enfermagem em Novas Dimensões, de forma independente, para divulgar suas idéias e fugir do conservadorismo da área entre 1975 e 1979.

A partir dessa extensa trajetória, Wanda publicou a “Teoria de Enfermagem das Necessidades Humanas Básicas”, no livro “Processo De Enfermagem” de 1979, que consolidou uma nova abordagem para a enfermagem no século passado.

Ao longo de sua vida, Wanda construiu pontes para que a enfermagem e o cuidado de saúde fossem respeitados e baseados em evidências científicas. Lutou para deixar no passado a visão de que a enfermagem deveria transitar sob olhar médico.

Viu muito pouco dessa transformação na prática. Morreu em 1981 sem acompanhar o avanço do Movimento Sanitarista, a Lei do Exercício Profissional que regulamentou o exercício dos profissionais de enfermagem e a criação do modelo conceitual de Wanda Horta, vigente nas universidades até hoje.

A causa da morte precoce, aos 54 anos, em 15 de junho de 1981, foi esclerose múltipla, uma doença degenerativa. Relatos demonstram que, mesmo com momentos difíceis em decorrência da doença, trabalhou até o último dia de vida.

Sua persistência na enfermagem beneficia todos que buscam saúde com um olhar integrativo e inspira milhares de profissionais que encontraram na coordenação de cuidado seu propósito de vida.

‍Referência:

  1. PERÃO, Odisséia Fátima et al. SEGURANÇA DO PACIENTE EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DE ACORDO COM A TEORIA DE WANDA HORTA. Cogitare Enfermagem, [S.l.], v. 22, n. 3, jul. 2017. ISSN 2176-9133. Disponível em: <https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/45657>. Acesso em: 03 jun. 2022. doi:http://dx.doi.org/10.5380/ce.v22i3.45657.

Teoria de Callista Roy e o Processo de Enfermagem

Callista Roy, enfermeira formada em 1963, com Doutorado em Sociologia em 1977, desenvolveu um modelo de adaptação que foi a base de seu trabalho de graduação, sob orientação de Dorothy E. Johnson, pioneira da proposição da enfermagem como ciência e arte e que desenvolveu o modelo de sistemas comportamentais.

A Adaptação de Roy

O Modelo de Adaptação de Roy (MAR) consiste na formulação do processo de enfermagem, onde o profissional poderá guiar-se durante a observação, para a identificação de reações emocionais, interpretação comportamental, elaboração do plano assistencial e intervenções de enfermagem.

Ela é formada dentro do modelo adaptativo, no qual há conceitos que estão interrelacionados, como os conceitos de Enfermagem, saúde/doença, ambiente e pessoa.

Sob esta influência, apresenta determinadas áreas de fundamental importância para a prática da enfermagem, quais sejam:

  • A pessoa que é receptora do atendimento de enfermagem;
  • O conceito de ambiente;
  • O conceito de saúde;
  • A enfermagem.

Os objetivos dos quatro modos adaptativos são fazer com que o indivíduo alcance a integridade fisiológica, psicológica e social. Eles relacionam-se quando ocorrem estímulos internos ou externos que afetam mais do que um modo.

A utilização do modelo proporciona muitos benefícios, tanto para o paciente como para os enfermeiros, mas sua aplicação exige disponibilidade, vontade e empenho. O profissional precisa ter a capacidade de observação e análise da realidade vivenciada, adquirindo assim, um olhar mais humanístico do indivíduo.

Roy apresenta uma proposta de Processo de Enfermagem que inclui as seguintes etapas: avaliação do comportamento, avaliação de estímulos, diagnóstico de enfermagem, estabelecimento de metas, intervenção e avaliação.

Seus pressupostos teóricos tratam a dignidade dos seres humanos e o papel do enfermeiro na promoção da integridade na vida e na morte. Ela mostra o cliente como participante na formulação das ações de Enfermagem, porém isto aparece mais filosoficamente do que operacionalizado na prática.

Eles condizem com as formulações sobre adaptação e indicam que o enfermeiro e o cliente devem procurar entender o que dificulta a adaptação e buscar meios e ações que possibilitem a concretização da prática. Já os metaparadigmas da teoria são:

  1. A pessoa que é receptora do atendimento de enfermagem;
  2. O conceito de ambiente;
  3. O conceito de saúde;
  4. A meta da enfermagem.

A adaptação a esses estímulos constitui a resposta do indivíduo e promove o equilíbrio e integridade do sistema e, por consequência, da própria pessoa.

As respostas do indivíduo na forma de controle do processo constituem-se no mecanismo de enfrentamento defendido por Roy, que podem ter natureza genética ou de herança (sistema imunológico), ou de aprendizagem (por exemplo, uso de antissépticos para ferimentos).

A regulação na busca do equilíbrio é identificada e pode ter origem externa ou interna, tendo como resposta mecanismos reguladores como, por exemplo, os de natureza química, neural ou endócrina.

Ela considera, por exemplo, a existência de subsistemas reguladores que respondem aos estímulos. Entre os muitos existentes está àquele que promove a retroalimentação respiratória, em que o aumento do dióxido de carbono estimula os quimiorreceptores na medula a aumentar a frequência respiratória como compensação.

Outro subsistema identificado por Roy é o subsistema cognato, relacionado com as funções cerebrais superiores de percepção, processamento de informações, julgamento e da emoção. A dor é reconhecida como estímulo interno de entrada que leva o indivíduo a perceber, avaliar, julgar e decidir.

Roy identificou quatro modos de adaptação, quais sejam:

  • O fisiológico, resposta física aos estímulos ambientais, como a oxigenação, a nutrição, a eliminação, a atividade, o repouso e a proteção;
  • O autoconceito, relacionado com a necessidade de integridade psíquica, em que o foco é o ser pessoa e o ser físico, onde predominam os aspectos psicológicos e espirituais da pessoa;
  • Modo de função do papel, na qual a principal necessidade preenchida é a integridade social, aonde são identificados os papéis primário, secundário e terciário. O papel primário determina a maioria dos comportamentos e é definido pelo sexo, idade e estágio de desenvolvimento da pessoa, determinando as realizações pelo papel secundário. O papel terciário é temporário, escolhido com liberdade (por exemplo, os hobbies que temos);
  • Modo de interdependência, onde as necessidades afetivas são preenchidas, incluindo os valores humanos que são por ele identificados, como a afeição, o amor e a afirmação.

O modelo de adaptação de Roy, enfim, é um excelente parâmetro para as ações do enfermeiro, quando estão presentes as investigações do comportamento, do estímulo, o diagnóstico de enfermagem, o estabelecimento de metas, a intervenção e a avaliação.

Referências:

  1. Idarlanasousasilva et al.. Aplicabilidade da teoria da adaptação de sister calista roy na prática de enfermagem. Anais III JOIN / Edição Brasil… Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível em: <https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/49537&gt;. Acesso em: 28/01/2022 11:52