Urocultura: Tempo de encaminhamento

Também chamada de urinocultura ou urocultura, a cultura de urina é uma maneira relativamente rápida (demanda cerca de 48 a 72 horas para o resultado final), eficiente, amplamente disponível e de baixo custo, utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de infecções urinárias.

A urina é semeada em uma placa com um meio de cultura apropriado (ex.: Ágar CLED), utilizando uma alça calibrada. Essa placa então é incubada em uma estufa a 37oC por cerca de 24-48 horas, tempo geralmente suficiente para se observar um crescimento bacteriano significativo.

Em culturas positivas, procede-se à realização da identificação bacteriana e do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), de forma manual ou automatizada.

Entretanto, na urinocultura existe a possibilidade de que o crescimento bacteriano eventualmente detectado possa ser devido outros fatores, como a contaminação externa da amostra (geralmente devido a inadequações durante a coleta, transporte e/ou armazenamento), colonização da uretra e/ou colonização de forma assintomática da urina na bexiga.

Dessa maneira, faz-se necessário um controle rigoroso da fase pré-analítica do exame, atualmente a etapa mais crítica no que se refere aos erros laboratoriais, podendo corresponder a cerca de 46% a 84% das inadequações dos resultados.

Essa fase pré-analítica engloba desde uma solicitação médica pertinente, até dados como o uso prévio de antibióticos, internações recentes, instrução e preparo do paciente, forma de coleta, identificação da amostra, recipiente de coleta, acondicionamento e transporte do material, por exemplo.

Como mitigar a possibilidade de contaminação da amostra? 

A fim de evitar a contaminação da urina (jato médio) e o conseguinte crescimento polimicrobiano na cultura (definido como mais de 2 microorganismos com uma quantificação maior ou igual a 104 UFC/mL), melhorando a confiabilidade do resultado e diminuindo o índice de recoletas, algumas orientações gerais para a urocultura devem ser seguidas:

  • A coleta deve ocorrer em condições normais de hidratação, haja vista que a urocultura é um exame quantitativo, notadamente em relação às Unidades Formadoras de Colônias (UFC);
  • Deve-se utilizar um frasco estéril (com ou sem conservante), de boca larga e fundo chato, com tampa, e resistente a vazamentos (a coleta de urina em comadre ou urinol não é recomendada);
  • Coletar a primeira urina da manhã (mais concentrada), ou com um intervalo de, no mínimo, 2 horas entre a coleta e a última micção, para indivíduos com controle esfincteriano;
  • Identificar com nome, data e hora da coleta, na área externa do recipiente de coleta (não colocar essas informações na tampa);
  • Lavar as mãos, e realizar assepsia da região genital com água e sabão neutro, enxugando com o auxílio de gaze ou toalha limpa;
  • Iniciar a micção no vaso sanitário mantendo o prepúcio retraído ou os lábios afastados. Depois de desprezar a urina inicial, deve-se coletar o jato médio (meio) da urina, sem interromper o fluxo;
  • Após a coleta, fechar completamente o frasco, sem tocar na parte interna;
  • Volume mínimo de 1,0 mL (se somente a urocultura for solicitada). Para a cultura de micobactérias, recomenda-se a coleta de toda a micção, com um volume acima de 20 mL.
  • O tempo decorrido entre a coleta e a análise da amostra sem conservante é de no máximo 2 horas à temperatura ambiente, ou em até 24 horas sob refrigeração (4oC). Nas amostras coletadas com conservante (ex.: ácido bórico), o processamento da amostra pode se dar em até 24 horas após a coleta, à temperatura ambiente. 

Observações

  • Recomenda-se que o Laboratório Clínico forneça instruções orais e escritas, com desenhos ilustrativos, a fim de tornar a compreensão das orientações mais clara;
  • Em crianças menores, sem controle esfincteriano, o uso do saco coletor tem maior valor em descartar uma infecção, do que propriamente confirmá-la. Nesses casos, a sondagem vesical é mais pertinente, podendo ser realizada também a punção suprapúbica;
  • Em linhas gerais, o controle de cura após a terapia antimicrobiana, por meio da realização de uma nova urinocultura, deve ser realizado somente após 72 horas do término do tratamento.

Considerações finais

A positividade das urinoculturas, grau de crescimento microbiano, espécie(s) bacteriana(s) encontrada(s) e interpretação dos resultados dependem de vários fatores.

O tipo de coleta realizada (jato médio, saco coletor, sondagem vesical de alívio, sondagem de demora, punção suprapúbica), uso (ou não) de conservantes, controle esfincteriano, tempo entre a coleta e seu processamento, temperatura do transporte, perfil do paciente (sexo, idade, comorbidades), uso prévio de antimicrobianos, procedência (ambulatorial X hospitalar), sinais e sintomas apresentados, impactam diretamente no resultado final e interpretação clínica.

Utilizando os cuidados durante todo o processo pré-analítico, conseguimos diminuir a possibilidade de erros, garantindo o adequado preparo da amostra biológica e, por conseguinte, um resultado final fidedigno e clinicamente relevante.

Desse modo, apesar da urocultura ser um dos exames mais solicitados e rotineiros na prática clínica, sua correta apreciação exige uma abrangente e íntima correlação com os resultados de outros exames complementares, clínica do paciente, além da análise criteriosa dos diversos possíveis fatores interferentes.

Portanto, evita-se assim uma eventual e desnecessária utilização de antibióticos, a promoção de resistência bacteriana e o aumento dos gastos em saúde.

Referência:

  1. 27-EXA.PDF (ciencianews.com.br)

Bolsa Coletora de Urina: Saiba Diferenciar

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 30/09/2026.

A bolsa coletora não é apenas um reservatório graduado. O modelo escolhido interfere na mobilidade do paciente, na mensuração da diurese e, principalmente, na manutenção de um sistema de drenagem seguro. Por isso, chamar todas as bolsas de “iguais” pode esconder uma diferença importante no cuidado.

Sistema fechado é o padrão para CVD

No paciente com cateter vesical de demora (CVD), a bolsa deve fazer parte de um sistema de drenagem fechado, mantendo a conexão entre cateter e coletor sem desconexões desnecessárias. A Anvisa recomenda manter o sistema fechado, preservar o fluxo urinário e posicionar a bolsa abaixo do nível da bexiga.

Por isso, o antigo conceito de “sistema aberto” como uma opção habitual para pacientes hospitalizados precisa ser revisto. Abrir ou desconectar o circuito aumenta as oportunidades de contaminação e não deve ser tratado como uma característica desejável do sistema.

Principais modelos de bolsa coletora

Bolsa de drenagem de leito

É a bolsa de maior capacidade utilizada com frequência em pacientes com CVD que permanecem no leito. Pode apresentar graduação, válvula antirrefluxo, dispositivo de coleta de amostra e torneira ou mecanismo de drenagem, dependendo do modelo.

A capacidade não é o único critério de escolha. O sistema precisa permitir drenagem contínua, permanecer abaixo da bexiga e não ficar apoiado no chão.

Bolsa de diurese horária

A bolsa com câmara de medição permite quantificar volumes menores com maior facilidade, sendo especialmente útil quando o débito urinário precisa ser acompanhado com maior frequência, como em pacientes críticos.

É importante não confundir o dispositivo com uma indicação clínica. Quem determina a necessidade de controle rigoroso da diurese é a condição do paciente; a bolsa apenas facilita essa mensuração.

Em uma UTI, por exemplo, uma pequena variação no débito urinário pode ser relevante durante o acompanhamento de um paciente instável. Nesse contexto, a câmara graduada permite observar o volume sem precisar esvaziar repetidamente toda a bolsa.

Bolsa coletora de perna

A bolsa de perna é menor e pode ser fixada ao membro inferior, favorecendo mobilidade e discrição para pacientes que necessitam de drenagem urinária durante a deambulação ou em cuidados de longa duração.

Ela não deve ser confundida com um simples dispositivo para incontinência. Sua utilização depende do tipo de drenagem urinária e do sistema compatível com o paciente. Existem modelos destinados a conexão com diferentes cateteres ou dispositivos externos, conforme especificação do fabricante.

Bolsas pediátricas e neonatais

Existem coletores de menor capacidade destinados a crianças e recém-nascidos, incluindo modelos utilizados com sistemas de drenagem urinária pediátrica. A escolha deve considerar volume esperado, graduação, conexão, fixação e características do paciente.

A Anvisa inclusive já publicou alerta relacionado a um coletor urinário neonatal fechado em razão de vazamento na conexão, mostrando por que integridade do sistema e conferência do dispositivo não são detalhes secundários.

O que muda no cuidado de enfermagem?

A bolsa deve permanecer abaixo do nível da bexiga e sem tocar o chão. O tubo não deve apresentar dobras, compressões ou pontos que dificultem o fluxo. Também não se deve deixar a bolsa excessivamente pesada, e seu esvaziamento deve ocorrer regularmente utilizando recipiente limpo e individualizado para cada paciente.

Um detalhe que frequentemente passa despercebido durante a movimentação do paciente é o posicionamento do coletor. Ao colocar alguém sentado em uma poltrona ou transferi-lo para outra cama, a bolsa pode acabar temporariamente acima da bexiga ou apoiada no chão. Esse pequeno descuido pode favorecer refluxo ou contaminação e precisa ser corrigido imediatamente.

Troca da bolsa não é rotina fixa

Não existe recomendação para trocar cateter e bolsa coletora simplesmente porque atingiram determinado número de dias. O CDC orienta que a substituição seja baseada em indicação clínica, como infecção, obstrução ou comprometimento do sistema fechado. Quando ocorre desconexão, vazamento ou quebra da técnica asséptica, o sistema deve ser substituído conforme as recomendações aplicáveis.

Também não é necessário abrir o sistema para “facilitar” a coleta de uma amostra de urina. Quando a coleta pelo CVD é indicada, deve-se utilizar o ponto próprio de amostragem, realizando a desinfecção adequada conforme protocolo.

Outro cenário comum aparece durante o banho no leito: a bolsa é colocada temporariamente sobre a cama para facilitar a movimentação e depois esquecida nessa posição. Antes de finalizar o cuidado, confira novamente se ela voltou para abaixo do nível da bexiga e se o tubo está livre de dobras.

Cuidados de enfermagem

Na rotina, confira principalmente:

  • sistema fechado e conexões íntegras;
  • bolsa abaixo do nível da bexiga;
  • coletor fora do chão;
  • tubo sem dobras ou obstruções;
  • fixação adequada do cateter e do sistema;
  • volume e características da urina;
  • funcionamento do mecanismo de drenagem;
  • sinais de vazamento, desconexão ou contaminação.

A necessidade de permanência do CVD também deve ser reavaliada diariamente. A Anvisa recomenda considerar alternativas menos invasivas sempre que possível, como cateterismo intermitente ou dispositivos externos de drenagem urinária, de acordo com a situação clínica.

A bolsa coletora é uma parte do sistema, não um acessório isolado. Quando o profissional entende essa diferença, fica mais fácil escolher o modelo adequado e evitar erros simples que comprometem a drenagem, a mensuração da diurese e a prevenção de infecções.

Resumo para salvar

Bolsa Coletora de Urina: Saiba Diferenciar

  • Sistema fechado é o padrão para drenagem com CVD
  • Bolsa de diurese horária facilita o controle de volumes urinários
  • Bolsa de perna favorece mobilidade em pacientes selecionados
  • Posicionamento abaixo da bexiga e manutenção do sistema fechado são essenciais

Referências

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de prevenção de infecção do trato urinário relacionada ao uso de cateter vesical de demora. Brasília, DF: Anvisa, 2025. Disponível em: Anvisa – Protocolo de prevenção de ITU relacionada ao cateter vesical.
  2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Summary of Recommendations: Catheter-Associated Urinary Tract Infection (CAUTI). Atlanta: CDC. Disponível em: CDC – Summary of Recommendations.
  3. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Strategies to Prevent Catheter-Associated Urinary Tract Infections in Acute-Care Hospitals: 2022 Update. Atlanta: CDC, 2022. Disponível em: CDC – Strategies to Prevent CAUTI.
  4. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alerta 4095: Coletor de Urina Sistema Fechado (Neonatal) GMI – vazamento na conexão. Brasília, DF: Anvisa, 2023. Disponível em: Anvisa – Alerta de tecnovigilância 4095. 

Odores da Urina: As Causas

A urina normalmente tem um odor característico causado pela presença de ureia, uma substância que resulta do metabolismo das proteínas. A concentração de ureia na urina depende da quantidade de água ingerida e da hidratação do corpo. Quanto mais concentrada a urina, mais forte será o cheiro de amônia.

Alguns alimentos, medicamentos e vitaminas também podem alterar o cheiro da urina, mas isso geralmente não indica uma doença e desaparece com o tempo. Por exemplo, o café, o alho, os aspargos e a carne em excesso podem deixar a urina com um odor mais forte ou diferente.

Características

No entanto, alguns odores na urina podem ser sinais de problemas de saúde que precisam de atenção médica. Alguns exemplos são:

  • Urina com cheiro adocicado: pode indicar diabetes mal controlado, pois a glicose em excesso na urina confere um aroma doce;
  • Urina com cheiro de mofo: pode indicar insuficiência ou doença hepática, ou certos distúrbios metabólicos que afetam a eliminação de toxinas pelo fígado;
  • Urina com cheiro fétido: pode indicar infecção urinária ou da uretra, causada por bactérias que metabolizam a amônia e produzem gases malcheirosos. Outros sintomas podem incluir febre, ardência ao urinar e corrimento uretral;
  • Urina com cheiro de Amônia: pode ser resultado de uma desidratação, que torna a urina mais concentrada e com maior quantidade de ureia.

Portanto, é importante observar a cor, o aspecto e o odor da urina, pois eles podem fornecer informações sobre o estado de saúde. Se a urina apresentar um cheiro anormal que persista mesmo após aumentar a ingestão de água, é recomendável procurar um médico para uma avaliação.

Referências:

  1. https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-renais-e-urin%C3%A1rios/sintomas-dos-dist%C3%BArbios-renais-e-urin%C3%A1rios/urina-altera%C3%A7%C3%B5es-na-cor-ou-odor
  2. https://medicoresponde.com.br/urina-com-mau-cheiro-o-que-pode-ser/
  3. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/16/saiba-o-que-os-cheiros-do-seu-corpo-podem-indicar-sobre-a-sua-saude.htm
  4. https://www.mdsaude.com/nefrologia/urina-com-cheiro-forte/

Coletor de Urina Pediátrico: Faça Certo

coletor urina pediatrico

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 30/09/2026.

Em pediatria, conseguir uma amostra de urina pode ser mais difícil do que parece. O coletor adesivo facilita a obtenção da urina sem cateterização, mas existe um detalhe que muda completamente sua finalidade: a bolsa pode ajudar na coleta, porém não é o método adequado para confirmar uma urocultura positiva.

Para que serve o coletor pediátrico?

O coletor de urina pediátrico é uma bolsa plástica adesiva posicionada ao redor da região genital para receber a urina eliminada espontaneamente. É especialmente útil em crianças que ainda não têm controle esfincteriano, quando se deseja obter uma amostra sem realizar imediatamente um procedimento invasivo.

Também pode ser utilizado para observar a eliminação urinária em situações específicas, desde que o dispositivo e o método de mensuração sejam compatíveis com o objetivo assistencial e o protocolo do serviço. Existem modelos destinados a diferentes anatomias genitais, por isso a escolha deve considerar a criança e o fabricante.

O ponto crítico: urocultura

Se a finalidade for confirmar infecção urinária por cultura, a bolsa adesiva não deve ser utilizada como método diagnóstico definitivo. A contaminação pela flora da pele e da região genital pode produzir resultados falso-positivos; em crianças pequenas, recomendações pediátricas indicam coleta por cateterização uretral ou aspiração suprapúbica quando é necessária uma amostra confiável para cultura.

Para exame de urina, como a urinálise, a bolsa pode ser utilizada em determinadas situações, mas o resultado precisa ser interpretado de acordo com o contexto clínico e o método de coleta. Uma cultura positiva obtida pela bolsa, especialmente em uma criança febril, não deve ser automaticamente interpretada como ITU.

Essa diferença é importante no plantão: uma criança febril chega com a solicitação de “EAS + urocultura”, e a primeira ideia pode ser colocar a bolsa e esperar. Se a cultura for realmente necessária para definir o diagnóstico, a equipe precisa considerar desde o início um método de coleta apropriado, evitando perder tempo com uma amostra que depois terá de ser repetida.

Como realizar a coleta

Explique o procedimento ao responsável e, quando possível, à própria criança. Higienize as mãos, reúna o material e realize a higiene da região genital conforme o protocolo institucional.

Com a pele limpa e seca, posicione o coletor de maneira que o orifício fique adequadamente alinhado ao meato uretral, sem dobras ou espaços que favoreçam vazamento. A adesão deve ser suficiente para manter a bolsa no lugar, mas sem causar tração desnecessária na pele.

Depois da micção, retire o coletor com cuidado e encaminhe a amostra conforme a finalidade do exame, o recipiente recomendado pelo laboratório e o protocolo da instituição. Não é necessário estabelecer uma regra universal de “observar a cada 20 minutos”; o intervalo de acompanhamento deve considerar a condição da criança e a orientação do serviço.

Um cenário frequente é a criança permanecer algumas horas com a bolsa porque ainda não urinou. Nesse período, a prioridade não é apenas esperar o volume aparecer: é observar vazamentos, integridade da pele, deslocamento do adesivo e desconforto, retirando o dispositivo quando houver necessidade ou quando a coleta já tiver sido realizada.

Evite contaminar a amostra

A higiene adequada antes da aplicação reduz, mas não elimina, o risco de contaminação. Por isso, o manuseio posterior também importa. A amostra deve ser colocada em recipiente apropriado, corretamente identificada e encaminhada ao laboratório de acordo com o tempo e as condições estabelecidas pelo serviço.

Não transforme a orientação de “refrigerar após uma hora” em uma regra universal. O tempo entre coleta e processamento, temperatura e necessidade de refrigeração dependem do exame e das orientações do laboratório. Para urinálise, por exemplo, a amostra fresca é preferível, e recomendações laboratoriais específicas devem ser seguidas.

Pele também merece atenção

O adesivo fica em contato direto com uma região delicada. Crianças com dermatite, lesões, irritação ou pele fragilizada podem apresentar maior risco de dano relacionado ao adesivo, portanto a condição da pele deve ser avaliada antes e depois da aplicação.

Na retirada, evite arrancar o dispositivo rapidamente. Observe hiperemia persistente, erosão, maceração ou qualquer alteração que possa indicar lesão relacionada ao adesivo. Se a coleta for repetida, reavalie a necessidade e escolha uma estratégia que cause o menor trauma possível.

Em uma criança com mobilidade reduzida, por exemplo, a fralda pode ficar sobre o coletor conforme o modelo utilizado, mas precisa ser posicionada sem comprimir ou deslocar a bolsa. Uma pequena mudança na posição pode provocar vazamento e resultar em uma amostra perdida.

Cuidados de enfermagem

Antes de colocar o coletor, confirme qual exame foi solicitado e qual método de coleta é apropriado. Depois, confira a identificação da criança, integridade da pele, posicionamento da bolsa e condições da amostra.

Na documentação, registre a coleta conforme rotina institucional, incluindo horário, tipo de exame, características relevantes da urina e intercorrências. Se houver suspeita de contaminação, vazamento ou coleta inadequada, comunique a equipe e siga o protocolo para nova amostra.

O principal cuidado é não confundir praticidade com qualidade diagnóstica. O coletor pediátrico é uma alternativa útil para obter urina eliminada espontaneamente, mas uma bolsa adesiva positiva não substitui uma amostra adequada quando a urocultura é necessária para diagnosticar ITU.

Resumo para salvar

Coletor de Urina Pediátrico: Faça Certo

  • A bolsa facilita a coleta de urina sem cateterização
  • Bolsa coletora não é método adequado para confirmar urocultura positiva
  • Higiene posicionamento e integridade da pele são fundamentais
  • A finalidade do exame deve definir o método de coleta

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Urinary Tract Infection: Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Management of the Initial UTI in Febrile Infants and Children 2 to 24 Months. Pediatrics, v. 128, n. 3, p. 595-610, 2011. Reaffirmed 2016. Disponível em: AAP – Clinical Practice Guideline for UTI.
  2. SANDERS, Jennifer E. Urinalysis. Pediatrics in Review, v. 46, n. 6, p. 350-353, 2025. Disponível em: AAP – Urinalysis.
  3. ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Clinical Practice Guidelines: Febrile Child. Melbourne: RCH. Disponível em: RCH – Febrile Child.
  4. BRASIL. Hospital das Forças Armadas. Instruções para coleta de EAS e urocultura. Brasília, DF. Disponível em: HFA – Instruções para coleta de urina. 

Por que a cor da urina é amarela?

Você já parou para pensar em por que o xixi é amarelo?

A cor de nossa urina está associada aos seus componentes, à porcentagem em que eles aparecem e ao funcionamento dos rins. A urina é composta basicamente de água, água salgada e determinadas substâncias que nosso organismo precisa se livrar.

A cor da Urina

A cor amarela vem basicamente das substâncias que serão eliminadas por nosso organismo. Entre elas, as principais são a amônia (NH3), vinda das células, e a bilirrubina (que na qual posteriormente é transformada em urobilinogênio), que vem do sangue quando uma hemoglobina é rompida.

A bilirrubina é degradada pelos rins a urobilogênios, que são os compostos amarelos que dão a cor da urina.

Veja também:

O que a cor anormal da urina diz sobre sua saúde?

Referências:

  1. MDSaúde

Cateterismo Vesical de Demora

sonda vesical

Sonda vesical ou cateter urinário é um tubo de látex, poliuretano ou silicone inserido na uretra até a bexiga para coletar urina para exames ou para injetar substâncias no tratamento de uma cistite (bexiga inflamada). Conforme a RESOLUÇÃO COFEN Nº 0450/2013, o cateterismo passou a ser realizado por um enfermeiro.

As Pontas Distais

A utilização dos diversos cateteres com pontas distintas irá depender da patologia que o paciente apresenta, e também sua característica física. Algumas delas são inseridas somente em procedimento cirúrgico.

O Cateter ou Sonda de Foley

Existem vários tipos de cateter urinário, portanto, estamos abordando sobre o Cateter Foley ou também chamado de Sonda permanente.

A sonda é mantida no lugar por um balão inflado com água. É indicado para condições que afeta os nervos que controlam a bexiga como: espinha bífida, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral ou lesão medular. Também é indicada para doenças crônica debilitante ou terminais com perda de mobilidade ou consciência que impedem usar o banheiro ou um instrumento de coleta.

Esse tipo de cateterismo é muito utilizado a nível hospitalar, em uma gama de procedimentos, incluindo: Obtenção de urina asséptica para exames; esvaziamento da bexiga em pacientes com retenção urinária; preparação cirúrgica e pós-cirurgia; em pacientes com bexiga neurogênica.

Para que é indicado?

As razões pelas quais alguém pode não ser capaz de urinar por conta própria incluem:

  • Fluxo de urina bloqueado por cálculos renais, coágulos de sangue na urina ou hipertrofia da próstata;
  • Cirurgia da próstata;
  • Cirurgia na área genital, como um reparo de fratura de quadril ou remoção de câncer pélvico;
  • Lesão dos nervos da bexiga;
  • Lesão da medula espinal;
  • Condição que prejudica sua função mental, como a demência vascular;
  • Medicamentos que prejudicam a capacidade dos músculos da bexiga de contrair.

O Diâmetro do Cateter

Os diâmetros do cateter são dimensionados pela escala francesa do cateter (Fr), sendo que cada Fr equivale 0.33 mm. Os diâmetros existentes em um cateter urinário são 14Fr, 16Fr, 18Fr, 20Fr, 22Fr.

O clínico seleciona um tamanho grande o suficiente para permitir o fluxo livre de urina e para evitar vazamento de urina ao redor do cateter. Um tamanho maior é necessário quando a urina é espessa, sanguinolenta ou contém sedimentos. Cateteres maiores, no entanto, são mais propensos a danificar a uretra, tem maior risco de serem colonizados por bactérias e são mais difíceis de colocar.

As vias do Cateter

As sondas de duas vias possuem uma via para drenagem de diurese e outra para inflar o balonete. Nas sondas de três vias, a via restante é utilizada para irrigação da bexiga. Geralmente são utilizadas sondas calibrosas em pós-operatório de cirurgias urológicas, em casos de irrigação da bexiga, evitando dessa maneira coágulos indesejáveis.

Os Cateteres Urinários e suas complicações

– Agudas: Infecções urinárias sintomáticas associadas a curta permanência do cateter, podendo incluir quadros de hipertermia, pielonefrite aguda podendo o paciente evoluir para sepse e morte.

– Crônicas: urinárias sintomáticas associadas a longa permanência do cateter, incluindo obstrução do cateter, cálculos urinários, infecções peri urinárias localizadas, inflamações renais crônicas e após muitos anos, câncer de bexiga.

Cuidado com o Risco de Infecção!

A introdução de um cateter de permanência facilita o aporte de bactérias, levando a infecção do trato urinário.

Cuidados de Enfermagem no Procedimento de Introdução do Cateter Vesical de Demora

O Técnico de Enfermagem poderá auxiliar o Enfermeiro no procedimento da introdução do cateter, deixando os materiais à disposição:

– Gaze estéril;
– PVPI;
– Fita microporosa ou esparadrapo;
– Seringa de 20 ml ou 10 ml;
– agulha de 40×20;
– Ampola de AD 10 ml;
– Xilocaína gel;
– Coletor de urina estéril (sistema fechado);
– Sonda Foley com o tamanho pré estabelecido;
– Em homens : Uma seringa a mais para a lubrificação do canal urinário com a xilocaína.

O Procedimento

– Colocar o paciente em posição (mulher: ginecológica; homem: pernas estendidas);
– Posicionar biombo e foco de luz s/n;
– Lavar as mãos;
– Abrir o pacote de sondagem (cateterismo vesical) em uma mesa auxiliar com um campo estéril se possível ou sobre o leito, no sentido diagonal, colocando uma das pontas sob a região glútea, tomando cuidado para não contaminar o a embalagem interior estéril;
– Colocar PVPI na cuba redonda, que contém as bolas de gaze;
– Abrir a sonda e o resto do material sobre o campo (gaze, agulha, seringa);
– Mulher: colocar xylocaína na gaze
– Abrir a ampola de água e oferecer à quem está passando o cateter;
– O Enfermeiro deve calçar as luvas;
– O mesmo irá testar o Cuff da sonda (fazer o balão inflar);
– O mesmo irá aspirar 10 ml de água destilada sem tocar na ampola;
– O mesmo deve lubrificar 5 cm da sonda;
– No caso de homens: O Enfermeiro deve preparar a seringa com 10 ml de  xilocaína gel;
– O mesmo deve conectar a sonda ao coletor;
– O mesmo deve fazer a antissepsia:
Em  mulheres:  duas bolas de gaze entre a vulva e os grandes lábios, duas bolas de gaze entre os pequenos lábios, uma bola de gaze no meato urinário;
Em homens: afastar o prepúcio e expor a glande, fazer  antissepsia em movimentos circular ou, do meato em direção a  glande , elevar o pênis perpendicularmente ao corpo do paciente, injetar 10 ml de  xilocaína  gel no meato;
– O Enfermeiro irá realizar a introdução a sonda pré-conectada a um coletor de drenagem de sistema fechado, bem lubrificada por 5 cm a 7 cm no meato uretral, utilizando técnica asséptica estrita. Em caso de mulheres, se a urina não aparecer, verificar se a sonda não está na vagina. Se erroneamente posicionada, deixar a sonda na vagina como um marco indicando onde não inserir e introduzir outra sonda.
– Insuflar o balonete com água destilada (de acordo com os CC descritos na própria sonda), certificando-se de que a sonda está drenando adequadamente.
– Tracionar suavemente a sonda até sentir resistência.
– Fixar a sonda de demora, prendendo-a juntamente com o a bolsa de drenagem, na face interna da coxa em mulheres,  e em homens na região inguinal, supra púbica ou hipogástrica com esparadrapo do tipo antialérgico;
– Realizar a anotação da data inserida na bolsa coletora de urina;
– Secar a área e manter a paciente confortável;
– Lavar as mãos;
– Realizar anotação de enfermagem, assinar e carimbar;
– Manter o ambiente da paciente em ordem.

Para a Retirada do Cateter Vesical de Demora

O que irá precisar:

– Saco de lixo para conteúdos infectantes; luva de procedimento; seringa de 20 ml.

O que fazer?

– Verificar a bolsa coletora (volume, cor, aspecto da urina);
– Calçar luvas de procedimento;
– Aspirar o soro fisiológico ou AD do CUFF ou balão (mesmo volume que foi colocado);
– Retirar a sonda;
– Desprezar no lixo.

Veja mais em nosso canal YouTube:

Insuficiência Renal: O que é ?

Insuficiência Renal

A Insuficiência renal é a perda súbita da capacidade de seus rins filtrarem resíduos, sais e líquidos do sangue. Quando isso acontece, os resíduos podem chegar a níveis perigosos e afetar a composição química do seu sangue, que pode ficar fora de equilíbrio.

As causas desta doença são várias, os rins tornam-se incapazes de proceder à eliminação de certos resíduos produzidos pelo organismo.

Existem dois tipos de Insuficiência Renal:

A IRA (Insuficiência Renal Aguda)

É Perda rápida de função renal que pode ser recuperada no espaço de poucas semanas. As causas devem-se desidratação, intoxicações, traumatismos, medicamentos e algumas doenças. Dependendo da gravidade e porque a vida não é possível sem os rins a funcionar, pode ser necessário fazer diálise.

A IRC (Insuficiência Renal Crônica)

Já é a perda lenta progressiva, irreversível das funções renais (é nesta fase que se aconselha os doentes a iniciarem um caminho pessoal de preparação para a diálise).

Lembrando que a IRC é uma patologia progressiva, com elevada taxa de mortalidade, que ameaça tornar-se num grave problema de saúde pública com implicações sérias no Serviço Nacional de Saúde.

Causas que podem levar a uma Insuficiência Renal

  • Condição que diminui o fluxo sanguíneo para os rins;
  • Dano direto aos rins;
  • Uso de alguns medicamentos;
  • Bloqueio nos tubos de drenagem de urina dos rins (uréteres), fazendo com que os resíduos não consigam deixar o corpo através da urina;
  • Glomerulonefrite;
  • Pielonefrite;
  • Rins policísticos;
  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial.

Há fatores de Risco!

Várias doenças podem concorrer para a anulação funcional permanente dos rins. Atualmente, a mais frequente é a Nefropatia diabética.

A hipertensão arterial, a nefropatia isquêmica, a pielonefrite aguda, as glomerulonefrites e a doença renal policística autossômica dominante são outras doenças que estão na origem da Insuficiência renal crônica (IRC).

Sinais e Sintomas

Os sinais de doença renal aparecem gradualmente, pode nem notar o início destes sinais e sintomas. (Quando a função renal e inferior a 50% podem surgir os seguintes…)

  • Menor produção de urina; necessidade frequente de urinar, mesmo de noite;
  • Inchaço das mãos, pernas, em torno dos olhos;
  • Falta de ar;
  • Dificuldades em dormir;
  • Perda de apetite, náuseas e vômitos;
  • Hipertensão;
  • Sensação de frio e fadiga.

Como é avaliado a função renal?

Clearance de Creatinina

Uma forma mais direta de avaliação da função renal é através da determinação da clearance: a clearance (K) é o volume de sangue a partir do qual uma substância é completamente eliminada pelos rins em cada unidade de tempo (normalmente ml/min.). Matematicamente, essa capacidade pode ser expressa por:

K = Taxa de depuração concentração no sangue

A clearance da creatinina numa pessoa normal saudável é 100-140 ml/min. Isto significa que cerca de 10% do sangue que passa pelos rins (aproximadamente 1200 ml/min) são completamente livres de creatinina. Isto diminui com a idade, sofrendo uma redução de 50% aos 70 anos.

Taxa de Filtração Glomerular (TFG)

O método mais comum para estudar a função renal é calcular a taxa de filtração glomerular (TFG). Na prática clínica, a urina produzida durante um período de 24 horas é recolhida e o volume total e a concentração da creatinina são analisados. Durante este período de colheita da amostra, também é colhida uma amostra de sangue e analisada a concentração no plasma.

Como é o tratamento para os pacientes renais?

O tratamento consiste em todas as medidas clínicas (remédios, modificações na dieta e estilo de vida) que podem ser utilizadas para retardar a piora da função renal, reduzir os sintomas e prevenir complicações ligadas à doença renal crônica.

Apesar dessas medidas, a doença renal crônica é progressiva e irreversível até o momento. Porém, com o tratamento conservador é possível reduzir a velocidade desta progressão ou estabilizar a doença.

Esse tratamento é iniciado no momento do diagnóstico da doença renal crônica e mantido a longo prazo, tendo um impacto positivo na sobrevida e na qualidade de vida desses pacientes. Quanto mais precoce começar o tratamento conservador maiores chances para preservar a função dos rins por mais tempo.

Quando a doença renal crônica progride até estágios avançados apesar do tratamento conservador, o paciente é preparado da melhor forma possível para o tratamento de diálise ou transplante.

O Preparo do paciente para terapia de diálise ou transplante

Essa fase do tratamento inicia-se quando o paciente apresenta em torno de 20% da sua função renal e depende da velocidade com que a sua doença progride; à medida que a função renal se aproxima de 15% é fundamental preparar o paciente para o tratamento de substituição da função renal (diálise ou transplante). A realização desses procedimentos permitirá que o paciente tenha menos complicações quando for iniciar a diálise ou submeter-se ao transplante de rim.

Os Cuidados de Enfermagem na Diálise

  • Monitoração dos SSVV a cada trinta minutos;
  • Monitorar o peso do paciente antes e depois da diálise;
  • Avaliar a via de acesso e monitorar sinais flogísticos;
  • Adotar medidas para controle de infecções;
  • Proporcionar suporte emocional;
  • Avaliar dor e administrar analgésicos prescritos;
  • Aplicar bolsas de calor ou frio;
  • Realizar massagens visando o relaxamento do paciente;
  • Avaliação clínica do paciente;
  • Administrar medicação prescrita;
  • Monitorar o peso do paciente antes e depois da diálise;
  • Manutenção do acesso da diálise;
  • Monitorar níveis anormais de eletrólitos séricos;
  • Ofertar se necessário oxigenoterapia;
  • Verificar SSVV;
  • Realizar curativos do cateter: monitorar os locais das punções, alternando-as;
  • Inspecionar a pele.

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Cateter Duplo J

Cateter Duplo J

O Cateter Duplo J tem este nome por apresentar as duas extremidades em forma parecida com a letra J. O Duplo J apresenta furos em seu trajeto que permitem o escoamento da urina é utilizado com a finalidade de drenar a urina do rim em direção a bexiga. É colocado dentro do ureter em casos onde a drenagem de urina do rim para a bexiga está comprometida.

Os principais casos onde se usa o duplo J

  • Pós-operatórios de cirurgias urológicas no rim ou nos ureteres;
  • Compressões extrínsecas do ureter (tumor abdominal);
  • Cálculos obstruindo a drenagem de urina dos rins;
  • Lesões do ureter por trauma;
  • Estenose congênitas ou adquiridas do ureter.

Tempo de Permanência do Cateter

O cateter duplo J pode ficar no ureter por 3 a 9 meses dependendo do seu diâmetro. Na maioria dos casos, não é necessário ficar com o cateter durante tanto tempo. Quando o urologista indica o uso prolongado do duplo J, o ideal é que a cada 3 meses o cateter seja reavaliado para termos certeza que ele não está obstruído.

A retirada do cateter é um procedimento simples e feito por via endoscópica com um cistoscópio. Entra-se pela uretra com esse endoscópio e puxa-se o cateter para fora. Se não houver complicações como aderências ou deslocamentos do duplo J, a retirada é um procedimento rápido, e na maioria das vezes, indolor.

Cuidados Recomendados

Após a colocação do cateter duplo J é importante ter alguns cuidados para não agravar os incômodos que ele pode causar. Recomenda-se ingerir bastante líquido, evitar bebidas ácidas (refrigerantes, bebidas alcoólicas, café, suco de frutas cítricas), alimentos condimentados e apimentados.

Além dos cuidados com a alimentação, quem está com um cateter duplo J deve evitar atividades físicas intensas. Apesar de não ser propriamente proibido, o esforço físico pode agravar o desconforto e provocar pequenos sangramentos na urina.

Convém também não fazer força para urinar para não piorar a dor na coluna lombar, que pode ocorrer nos primeiros 3 dias após a colocação do cateter duplo J.

A atividade sexual pode ser mantida normalmente, mas deve ser evitada se a pessoa estiver com um cateter duplo J com fio externo para a sua retirada, pois o cateter pode ser deslocado durante a relação.

Outra recomendação é tomar corretamente os medicamentos analgésicos e antibióticos prescritos pelo médico urologista.

O cateter duplo J pode causar uma série de sintomas, como aumento da frequência urinário, urgência urinária, dor ou ardência para urinar, incontinência urinária, presença de sangue na urina, esvaziamento incompleto da bexiga, desconforto pélvico e dor na região lombar.

Grande parte desses sintomas e incômodos é devida à irritação da bexiga causada pela extremidade do cateter.

Apesar de ser feito com um material flexível e não-alérgico, o cateter duplo J não deixa de ser um corpo estranho para o organismo. É comum ocorrer uma inflamação da mucosa da bexiga, que provoca sintomas semelhantes a uma cistite (infecção urinária na bexiga) e pequenos sangramentos observados na urina.

Outro incômodo frequente é a dor nas costas (lombar) causada pelo retorno da urina da bexiga para os rins.

Bexiga Neurogênica: O que é?

Bexiga Neurogênica

Qualquer condição que interrompa a função da bexiga ou a sinalização neurológica aferente e eferente provoca bexiga neurogênica.

A bexiga neurogênica é um conjunto de disfunções que afetam o enchimento, o esvaziamento e a capacidade de armazenamento da bexiga. Está presente em pessoas com doenças neurológicas e diabetes, provocando perda da capacidade de controlar a micção.

Os indivíduos com bexiga neurogênica não conseguem perceber quando a bexiga está cheia e não são capazes de eliminar a urina voluntariamente.

Em bexigas com funcionamento normal, à medida que a urina se acumula no seu interior, as suas paredes relaxam para ir acomodando um volume cada vez maior de urina.

Na bexiga neurogênica, as suas paredes perdem essa capacidade de se distender. Logo, conforme a bexiga vai se enchendo, a pressão no seu interior aumenta, podendo inclusive provocar dilatação dos rins.

Assim, a bexiga perde a sua capacidade de armazenar a urina e manter uma pressão baixa no seu interior ao mesmo tempo.

Como resultado, ocorrem contrações involuntárias da musculatura da bexiga, com perdas de urina.

Existem dois tipos de Bexiga Neurogênica:

1. Bexiga Hiperativa

Também é conhecida como bexiga espástica ou bexiga nervosa, pois a bexiga se contrai de forma involuntária, havendo assim a perda de urina de forma inesperada e em momentos inapropriados.

  • Sintomas: incontinência urinária, vontade de urinar frequente e em pouca quantidade, dor ou ardência na região da bexiga, perda do controle da capacidade de urinar.

A bexiga hiperativa é mais comum em mulheres, podendo ser estimulada por alterações hormonais na menopausa, ou pelo aumento do útero na gravidez.

2. Bexiga Hipoativa

Também é conhecida como bexiga flácida, pois a bexiga não é capaz de se contrair voluntariamente, ou o esfincter não é capaz de relaxar, o que provoca o armazenamento de urina, sem a capacidade de eliminá-la de forma adequada.

  • Sintomas: sensação de que bexiga não esvaziou completamente após urinar, gotejamento após urinar ou perda de urina involuntária. Isto aumenta as chances de haver infecção urinária e prejuízo na função dos rins, e por isso o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível.

O que causa a Bexiga Neurogênica?

Em crianças, as principais causas de bexiga neurogênica são as doenças neurológicas congênitas, como mielomeningoceles, paralisia cerebral, entre outras.

Nos adultos, a bexiga neurogênica está relacionada com lesões na medula espinhal (paraplegia, tetraplegia), Parkinson, diabetes, esclerose múltipla, diabetes, derrames (AVE), tumores cerebrais, entre outras doenças e problemas neurológicos.

Apesar do diabetes não ser uma doença de origem neurológica, pode causar danos nos nervos periféricos que atuam sobre a bexiga.

E algumas outras causas:

  • Irritação da bexiga, por infecção urinária ou alterações hormonais, como na menopausa;
  • Alterações genéticas, como ocorre na mielomeningocele;
  • Doenças neurológicas reversíveis como neurocisticercose ou neuroesquistossomose;
  • Compressão de nervos da região lombar por hérnia de disco;
  • Acidente que lesiona a coluna, causando paraplegia ou tetraplegia;
  • Doenças neurológicas degenerativas como a esclerose múltipla;
  • Comprometimento neurológico pós-AVE;
  • Alterações neurológicas periféricas pelo diabetes;
  • Perda da elasticidade da bexiga, causada por inflamações, infecções ou alterações neurológicas em geral.

Em homens, a próstata aumentada pode simular muitos sintomas de bexiga neurogênica, sendo uma importante causa reversível de alteração da função dos músculos urinários.

A Assistência de Enfermagem

Observando e sentindo a problemática apresentada pelos pacientes portadores de bexiga neurogênica e verificando ser a abordagem deste problema de interesse para a enfermagem, é fornecido a assistência de enfermagem como:

  • Prevenção de infecções e cálculos vesicais;
  • Reeducação da função vesical;
  • Manutenção das roupas secas;
  • Manutenção da integridade da pele.

Prevenção de infecções e cálculos vesicais

Enquanto se processa a avaliação das condições urinárias do paciente é importantíssimo prevenir as infecções e a formação de cálculos vesicais.

Isto pode ser conseguido através de periodicidade e técnica asséptica rigorosa na troca do cateter e de um programa de ingestão de grande quantidade de líquidos, que estimula o funcionamento renal, auxilia a eliminação de resíduos urinários, dificulta a formação de cálculos e a instalação de infecção.

A lavagem vesical periódica, já não é mais aconselhada, na tentativa de eliminação de mais uma fonte de contaminação, no entanto, alguns urologistas ainda indicam o seu uso.

Caso essas medidas preventivas não sejam suficientes para impedir a instalação de infecção, o médico recorre à antibioticoterapia, como parte do tratamento.

Desde que o paciente esteja livre de infecção vesical pode-se tentar um programa de treinamento para esvaziamento periódico da bexiga.

Fase de treinamento para reeducação vesical

Elabora-se um programa de treinamento para o esvaziamento da bexiga de forma a ajudá-la a funcionar em ritmo de freqüência de eliminação tão próximo ao normal quanto o possível.

Fase de treinamento para o auto-cuidado

Após a retirada da sonda, muitos aspectos deverão ser abordados com o paciente, tentando-se evitar complicações como: infecções, cálculos e extravasamentos de urina.

Uma orientação clara, objetiva e enfocando a importância do cuidado que o paciente deve ter com seu corpo, é fundamental para a sua independência.

A ingestão de líquidos continua a ser bastante estimulada, numa média de 3000 ml. diários, tentando-se prevenir as complicações vesicais já referidas anteriormente.

O controle das características e do volume urinário, é importante.

Qualquer alteração na cor, odor, volume ou quantidade de sedimentação, deve ser imediatamente notificada ao médico, ao mesmo tempo em que se inicia uma hidratação oral intensa, visando maior estímulo para o funcionamento renal e vesical, auxiliando a eliminação de impureza.

Veja mais em nosso canal Youtube:

 

Veja também:

Sistema Urinário

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A Irrigação Vesical Contínua: O que é?

Irrigação Vesical

Você está com um paciente sob tratamento urológico, e o médico solicita a Irrigação Vesical de forma contínua nele.

Mas o que é uma Irrigação Vesical?

A Irrigação Vesical em si nada mais é do que a infusão de solução para lavagem contínua da bexiga urinária, geralmente com solução fisiológica a 0,9% gelado ou em temperatura ambiente através de equipos específicos de irrigação, ou por bomba de infusão, em um cateter vesical tipo Folley 3 vias.

Quais são as Indicações?

-Necessidade de introduzir soluções para tratamento de inflamações irritações e infecções da bexiga;
-Prevenir obstruções do trato urinário, removendo coágulos e fragmentos pós-cirúrgicos (Resseção transuretral de próstata e bexiga);
-Prevenção e tratamento de hemorragias da bexiga.

Como é feito o controle?

É feito um comparativo entre o volume infundido em cada bolsa de SF 0,9% e o volume de saída no mesmo período uma vez que também há a saída de sangue em meio ao liquido drenado em coletor de urina sistema tipo fechado que deve ser especificada na anotação como conteúdo amarelo claro, amarelo escuro ou hematúrico.

Por exemplo:

Em uma hora, é infundido 1000ml de soro fisiológico para a bexiga do paciente continuadamente. E em uma hora, contabilizei, 1600 ml de débito pela bolsa coletora do paciente.

Eu preciso subtrair 1000ml, que é o valor do volume total infundido em uma hora de solução fisiológica, ficando somente os 600 ml contabilizados no total, o que quer dizer, que o paciente urinou 600ml naquele período.

Eu preciso também anotar o aspecto da urina do cliente, que pode ser desde hematúrico até amarelo clarinho. Isto é importante pois ajuda na evolução, avaliação e condições para a melhora da via urinária do paciente.

Quem instala o Cateterismo Vesical de Demora?

Conforme esta publicação que enfatizamos sobre o cateterismo vesical de demora, este procedimento é privativo do Enfermeiro, sendo que o papel do técnico de enfermagem é a manutenção e o controle de débito de diurese + irrigação naquele período que é necessário.

O método de instalação é o mesmo de um cateterismo vesical de demora.

Lembrando!

A conscientização da equipe de enfermagem é primordial no sucesso dessa terapia pois se o colaborador não mantiver um fluxo de infusão rápido o suficiente para a necessidade de cada cliente poderá haver a obstrução do cateter, consequentemente o enchimento excessivo da bexiga urinária, um quadro de dor em grande intensidade para o cliente e finalmente o rompimento por pressão da bexiga.

Veja também:

Calculose Renal (Urolitíase)

Cateter Vesical de Alívio

Cateterismo Vesical de Demora

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