Cateter Vesical de Alívio

Cateter Vesical de Alívio

A Sonda de Nelaton, também chamada de Cateter ou Sonda Vesical de Alívio, é um dispositivo muito utilizado em procedimento invasivo vesical que consiste em introduzir um cateter estéril através da uretra até a bexiga. Assim que esse cateter chega à bexiga, a urina é eliminada, causando alívio ao paciente. Feito o procedimento, o cateter é retirado e descartado.

Esse é um procedimento de alívio imediato, somente em casos de retenção urinária temporária. Quando há a necessidade de uma sonda permanente, é colocada a sonda vesical de demora, que permanece no paciente durante o tempo necessário, prescrito pelo médico ou enfermeiro.

O procedimento é bastante eficiente, mas é um pouco incômodo e pode causar micro lesões no canal urinário, podendo ocorrer ardência na hora que a urina voltar a sair naturalmente.

Por isso, a sonda vesical de alívio deve ser usada somente em último caso. Antes de usá-la, deve-se estimular o idoso a urinar sem a necessidade de um procedimento tão invasivo.

O procedimento é realizado somente pelo enfermeiro, em equipe de enfermagem, conforme a RESOLUÇÃO COFEN Nº 0450/2013. A forma de realizar o procedimento é bastante parecida com a sondagem vesical de demora, tendo as diferenças que não obtém um balão para ser preenchido com água destilada, e não tracionar a sonda pois não há o balão para que possa fixar, e a utilização de sacos coletores descartáveis e extensões para sondas de alívio, se precisar permanecer por um período de tempo. O técnico de enfermagem pode estar auxiliando neste procedimento, deixando os materiais à disposição:

– Gaze estéril;
– PVPI;
– Fita Microporosa ou esparadrapo;
– Seringa de 20 ml ou 10 ml;
– Xilocaína gel;
– Coletor de urina (sistema aberto e descartável);
– Extensão para Sondas;
– Sonda de Nelaton com o tamanho pré-estabelecido;
– Em homens: Uma seringa a mais para a lubrificação do canal urinário com a xilocaína.

O uso do Cateter Vesical de Alívio para o Cateterismo Vesical Intermitente

O cateterismo vesical intermitente consiste na retirada da urina por meio da sonda de nelaton, diversas vezes por dia, e é um procedimento conhecido e corriqueiro nos hospitais, facilmente realizado por enfermeiros adequadamente treinados.

O cateterismo vesical intermitente deve ser realizado de 4 a 6 vezes ao dia, na dependência do volume de urina produzido pelo paciente, em regime de antissepsia hospitalar. Após a adequada lubrificação da sonda e da uretra com Lidocaína gel, passa-se a sonda no paciente, drena-se toda a urina da bexiga e imediatamente retira-se a sonda descartando-a. Simples assim.

É de suma importância esclarecer alguns tópicos para os pacientes e seus familiares:

  • A sondagem intermitente causa muito menos infecção urinária do que a sonda de demora.
  • A passagem da sonda de nelaton várias vezes ao dia não machuca o paciente. Ainda que haja algum sangramento na passagem da sonda, o traumatismo é mínimo. A uretra (especialmente a masculina) apresenta finos vasos sanguíneos muito superficiais, que podem sangrar durante o cateterismo, mas isso não traz sequela para o paciente, mesmo que submetido a diversos cateterismos por dia, durante semanas.
  • O cateterismo intermitente facilita a retomada da micção espontânea porque devolve a atividade de enchimento e esvaziamento à bexiga. Sem essa atividade cíclica os reflexos miccionais desaparecem e o paciente não consegue coordenar a micção. É exatamente esse o motivo pelo qual um paciente que permaneceu sondado (com sonda de demora) por vários dias não consegue urinar quando se lhe retira a sonda.
  • Não se deve deixar o paciente ficar com a bexiga muito cheia. Quando isso acontece o músculo que existe na parede da bexiga (chamado Detrusor), responsável pela contração da bexiga ao urinar, perde o seu tônus e isso atrasa o processo de retomada da micção espontânea do paciente. É exatamente esse o motivo pelo qual devemos saber que, conceitualmente, o cateterismo intermitente não é um cateterismo “de alívio” e sim um cateterismo com periodicidade calculada para esvaziar a bexiga do paciente antes que ele entre na condição de “globo vesical”, como chamamos a condição em que a bexiga está cheia em demasia.
  • A retomada da micção espontânea muitas vezes se faz aos poucos. Em alguns pacientes esse é um processo rápido, principalmente quando o paciente já consegue sair do leito e caminhar. Para os pacientes acamados e pacientes com diminuição do nível de consciência, no entanto, pode ser um processo longo e demandar o cateterismo intermitente por vários dias, às vezes semanas.

Uma vez que inicie a retomada da micção espontânea o cateterismo intermitente deve ser realizado após o paciente urinar espontaneamente para retirar o resíduo de urina pós-miccional, que vai progressivamente se tornando menor, até que o paciente não necessite mais do auxílio da sonda.

Aproveite e assista ao vídeo em nosso canal YouTube, onde falamos um pouco sobre A Sonda Vesical de Alívio.

 

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.