Aspiração Manual Intra Uterina (AMIU)

AMIU ou “Aspiração Manual Intra-Uterina”, é um procedimento médico, rápido, simples e seguro de esvaziamento uterino, indicado preferencialmente pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde como o método mais seguro para o tratamento do aborto incompleto e para a biópsia endometrial.

Este procedimento é realizado pelo chamado “Kit AMIU”, que consiste num aspirador à vácuo (seringa de válvula dupla) acoplado a cânulas de plástico semi-flexíveis de diferentes espessuras (de 4mm – 12mm).

Vantagens

Comprovadamente superior à curetagem, esse procedimento médico apresenta vantagens importantes sobre aquela, tais como:

  • Menor necessidade de recursos para controle da dor;
  • Habilitação profissional médica simplificada;
  • Possibilidade de realização fora do centro cirúrgico;
  • Menor tempo de permanência hospitalar;
  • Alta eficácia no esvaziamento uterino;
  • Menor incidência de complicações.

Como é realizado o AMIU?

Para realizar o procedimento, é necessário que o colo do útero esteja dilatado. Dessa forma, quando a dilatação não ocorre naturalmente (como no abortamento incompleto), pode ser feita por meio do uso de comprimidos que são colocados no colo uterino e estimulam sua abertura.

A curetagem é um procedimento rápido, em que a paciente é submetida à uma anestesia (que pode ser raquidiana, peridural ou geral), com duração média de 15 minutos. Uma complicação possível, porém pouco frequente, é a perfuração uterina. Entretanto, na maioria das vezes o procedimento ocorre sem problemas. Por isso, a paciente costuma ter alta em até 24 horas.

Pós operatório

Cólicas e sangramento podem ocorrer, porém em uma intensidade menor. As recomendações para o pós-operatório são semelhantes às recomendações da curetagem.

Curetagem Vs. AMIU: Quais são as diferenças?

Enquanto a AMIU é feita com uma cânula acoplada a uma seringa que aspira os resíduos internos, podendo ser feito num espaço ambulatorial, a Curetagem consiste na raspagem do útero. Com isso, aumentam as chances de perfuração uterina e de consequências que comprometem uma próxima gestação.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Salpingectomia

A salpingectomia é o procedimento cirúrgico para remoção uni ou bilateral das tubas uterinas. Fundamentais para o processo reprodutivo, as tubas uterinas são responsáveis pela captação dos óvulos – é onde normalmente ocorre a fecundação –, assim como pelo transporte deles e dos espermatozoides até o útero, após a fecundação.

Indicações

Uma das indicações da cirurgia é a gestação ectópica, ou seja, quando a gravidez se desenvolve dentro da trompa. À medida que o embrião se desenvolve, a tendência é que haja a ruptura da trompa, provocando sangramentos intensos, que configuram uma ameaça à vida da gestante.

Fazem parte do grupo de risco mulheres que desenvolvem a hidrossalpinge, um distúrbio onde a trompa perde sua função de transporte do óvulo e fica dilatada às custas do acúmulo de líquido – que pode ser sangue ou pus – o que provoca a obstrução das tubas.

Finalmente, o procedimento costuma ser indicado com frequência para pacientes que apresentam dificuldades para engravidar e estão em programação de FIV (fertilização in vitro). A salpingectomia também é necessária quando há o aparecimento de nódulos, especialmente quando a origem deles é indefinida.

Como é feito o procedimento e seus cuidados pós operatório?

Na maioria dos casos, é possível realizar o procedimento por meio de uma videolaparoscopia, ou seja, a técnica é minimamente invasiva. Sob anestesia geral, são feitas pequenas incisões na paciente, por meio da qual será inserida uma microcâmera.

No pós-operatório, pode haver alternância entre sensações de calor e frio, mas o médico tende a prescrever medicamentos para amenizar este incômodo. Caso o especialista prescreva alguma dieta, é importante que ela seja rigorosamente seguida.

É pertinente questionar o profissional sobre possíveis restrições à prática de atividade sexual. Do mesmo modo, é válido evitar a realização de grandes esforços físicos. Numa outra frente, pode ser necessário o uso de meias compressivas para prevenir a ocorrência de tromboses.

Salpingectomia e Laqueadura são a mesma coisa?

Embora ambos os procedimentos sejam realizados nas tubas uterinas, é importante ressaltar que há uma diferença entre a salpingectomia e a laqueadura ou ligadura de trompas.

Ao contrário da salpingectomia, na cirurgia de esterilização feminina não há remoção do órgão: é feito um corte ou retirado um fragmento das trompas, com o único propósito de impedir o encontro de óvulos e espermatozoides.

Referências:

  1. Dr. Luiz Flávio

Cerclagem Uterina

A Cerclagem significa sutura (costura) em forma de bolsa. Usada em outras áreas da Medicina, foi introduzida na Ginecologia e aperfeiçoado em países como França e Estados Unidos a partir de 1953.

Consiste em “costurar” o colo do útero – em sua porção vaginal, que contém a entrada para a cavidade uterina – da grávida para impedir que se abra, a bolsa fetal desça, se rompa e o feto nasça prematuro, o que coloca sua vida em risco.

A cerclagem é uma sutura cirúrgica em bolsa, realizada sob anestesia, geralmente indicada logo após o terceiro mês de gestação com objetivo de manter o colo uterino fechado até o final da gravidez. Os pontos são retirados com cerca de 37 semanas para que o parto possa ocorrer normalmente.

Como é feito?

Introduz-se um espéculo na vagina da paciente, instrumento que permite abrir o conduto para visualizar o colo do útero. “Costura-se”, então, o colo circularmente em dois locais com agulha e fio inabsorvível, que é retirado no momento em que a gravidez se completa e o bebê já pode nascer.

Mulheres que fazem cerclagem devem ficar internadas por 24 horas em observação, pois pode causar contrações uterinas, pelo fato de se interferir na região, e até infecções no local dos pontos. Os dois fenômenos são combatidos com remédios. A retirada do fio, ao final da gravidez, é feita no próprio consultório.

Os Riscos

Esse procedimento, no entanto, tem riscos. O principal deles é favorecer uma infecção intra-uterina ou a ruptura das membranas amnióticas. Nos últimos anos, tem ocorrido uma crescente ampliação das indicações para a cerclagem, nem sempre bem fundamentadas.

As melhores evidências científicas atualmente disponíveis sugerem não haver vantagens de fazer cerclagem em grávidas com baixo risco de perda gestacional. A cirurgia também não deve ser indicada somente pelo achado de um colo uterino curto durante o exame de ultrassom, principalmente em mulheres sem fatores de risco para prematuridade.

Do mesmo modo, a gravidez de gêmeos, por si só, não justifica a intervenção.

Após a realização da cerclagem é necessário permanecer em repouso por longos períodos durante toda a gestação e ficar em abstinência sexual. Este contexto pode ser muito estressante para a mulher e para toda a sua família.

O apoio psicológico profissional pode ser necessário para algumas delas e sua família deve oferecer suporte emocional, estimulando atividades intelectuais e recreativas em casa, em todos os casos.

Referências:

  1. Mattar, RosianeA cerclagem para prevenção da prematuridade: para quem indicar?. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2006, v. 28, n. 3 [Acessado 12 Setembro 2021] , pp. 139-142. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001&gt;. Epub 25 Ago 2006. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032006000300001.

Curetagem: Para que serve?

A Curetagem Uterina é um procedimento médico executado em unidade hospitalar, sob anestesia geral ou locorregional, que objetiva retirar material placentário ou endometrial da cavidade uterina por um instrumento denominado cureta.

Seu Objetivo

Limpar o útero através da remoção de restos de um aborto incompleto ou da placenta após o parto normal, ou ainda ser utilizado como exame diagnóstico, recebendo o nome de curetagem endocervical semiótica.

Desconforto

A curetagem como forma de tratamento é procedimento muito doloroso e por isso durante todo o procedimento a mulher deve estar sedada ou anestesiada para que não sinta dor ou desconforto.

No entanto, a dor ou desconforto abdominal pode surgir após o procedimento e permanecer por cerca de 5 a 7 dias, sendo recomendado tomar analgésicos, como a Dipirona ou Ibuprofeno, para aliviar os sintomas.

A Indicação do Procedimento

A curetagem uterina pode ser indicada para as seguintes situações:

  • Retirada de restos ovulares em caso de aborto;
  • Retirada de restos da placenta após o parto normal;
  • Para remover o ovo sem embrião;
  • Para remover pólipos uterinos;
  • Aborto retido ou infectado, quando os restos encontram-se ali por mais de 8 semanas;
  • Quando o embrião não se desenvolve corretamente, como na mola hidatiforme.

Antes de iniciar a curetagem o médico pode indicar o uso de um remédio chamado Misoprostol que induz a contração uterina, facilitando a retirada do seu conteúdo. Esse cuidado é especialmente indicado quando é preciso remover os restos de um  aborto com feto com mais de 12 semanas ou com mais de 16 cm.

O uso desse remédio só deve ser realizado dentro da clínica ou hospital, horas antes de iniciar a curetagem.

O procedimento

A curetagem uterina deve ser feita pelo ginecologista em uma clínica ou hospital, através da introdução de uma cureta, um instrumento cirúrgico, pela vagina para que seja feita uma raspagem das paredes do útero.

Outra forma de curetagem é a introdução de uma cânula de aspiração que é um mecanismo de vácuo, que suga todo conteúdo uterino.

Normalmente o médico opta por utilizar as duas técnicas no mesmo procedimento, começando com o vácuo inicialmente e depois faz a raspagem das paredes do útero, para retirar o conteúdo de forma mais rápida e mais segura.

Este procedimento pode ser feito sob raquianestesia ou sedação quando é usado como para limpar restos de um aborto, por exemplo.

Esta raspagem das paredes do útero pode ser feito com ou sem a dilatação prévia do canal cervical dependendo do tamanho do conteúdo que será retirado e durante todo procedimento o médico deve observar o interior do útero numa tela. Geralmente são usadas varetas com espessura cada vez maior até permitir a entrada e saída da cureta sem ferir o colo uterino e as paredes do útero.

A mulher deve ficar em observação durante algumas horas, mas nem sempre há necessidade de internamento hospitalar, à menos que ocorra alguma complicação. Após o procedimento a mulher pode ir para casa, mas não deve dirigir porque deve estar sonolenta ou com dor de cabeça devido a sedação.

Segundo estudos recentes, a curetagem é o procedimento cirúrgico mais realizado pelo Sistema Único de Saúde brasileiro.

Referências:

  1. O Estadão: Curetagem após aborto é a cirurgia mais realizada no SUS, revela estudo;
  2. Saciloto, Marcio Pedroso, et al. “Aspiração manual intrauterina no tratamento do abortamento incompleto até 12 semanas gestacionais: uma alternativa à curetagem uterina.” Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 33.10 (2011): 292-296.

 

Acretismo Placentário: O que é?

A parede uterina tem três camadas:

  • O endométrio;
  • A muscular;
  • E o perimétrio.

O Acrestismo Placentário é quado a placenta se fixa profundamente na parede uterina, ultrapassando o limite normal de fixação.

As Classificações do Acretismo Placentário

  • Acreta : Quando está inserida profundamente na decídua – camada interna do útero;
  • Increta : Quando chega a musculatura uterina;
  • Percreta :   Quando ultrapassa a musculatura uterina podendo invadir até órgãos adjacentes, como a bexiga.

O Acretismo Placentário é uma patologia não muito frequente, afetando cerca de 1 a cada 2.500 partos.

A placenta acreta é muito raramente reconhecida antes do nascimento, sendo muito difícil de ser diagnosticada.

Enquanto ela pode causar algum sangramento vaginal durante o terceiro trimestre, ela é mais comumente associada com os fatores que desencadeiam a condição.

Após o parto, a placenta geralmente se desprende da parede uterina de forma relativamente fácil.

Nos casos de acretismo não existe plano de clivagem entre a placenta e a parede uterina o que dificulta e às vezes até torna impossível o desprendimento da placenta, podendo causar grave hemorragia no período após o parto.

Qual é o fator de risco?

O principal fator de risco é a placenta prévia. Cerca de 10% das placentas prévias possuem algum grau de acretismo. Outros fatores de risco incluem a presença de cicatriz uterina prévia (cesárea) e curetagem uterina prévia.

Qual é o tratamento?

Vai depender da situação encontrada. Na maioria dos casos o descolamento é mais difícil, entretanto é possível resolver o problema com uma curetagem uterina.

Nos casos mais graves poderá ser necessária a realização de cirurgia de histerectomia, com retirada do útero.

Nos casos de placenta percreta poderá ser necessário intervenção cirúrgica nos órgãos comprometidos, como bexiga e intestino.

Alternativamente poderá ser realizado o parto deixando-se a placenta aderida ao útero. Nestes casos usa-se uma medicação chamada de metotrexate, que deve reduzir progressivamente o tamanho da placenta.

Quais são os riscos para o bebê?

A maior preocupação com relação ao bebê é geralmente relacionado com a prematuridade. A placenta prévia comumente se localiza no segmento uterino e pode provocar sangramentos e determinar a necessidade de um parto antes da data prevista.

Quais são os riscos para a mãe?

Usualmente é mais difícil de separar a placenta do útero. O médico pode se defrontar com um sangramento abundante durante o período em que a placenta é removida.

Este sangramento poderá colocar em risco a vida da mãe e eventualmente será necessária uma histerectomia (retirada do útero) para controlar o sangramento.

Entretanto é importante observar que existem diversos graus diferentes de acretismo, e muitas vezes o procedimento de retirada da placenta pode ser simples.

Em Observação, não existe tratamento específico para a placenta acreta. O médico poderá recomendar repouso durante a gestação para evitar sangramentos.

Veja também:

A Placenta Prévia