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Plano de controle da pandemia implantado na Escola de Enfermagem é referência para enfrentar novos surtos

Plano Estratégico de Controle da Pandemia do Coronavírus, elaborado e operacionalizado por uma equipe técnica da Escola de Enfermagem (EE) da USP, poderá servir de guia para manejo e enfrentamento de surtos futuros de doenças transmissíveis em instituições de ensino superior. A experiência do grupo mostrou que a retomada de atividades presenciais requer planejamento detalhado de ações e a composição de um grupo local condutor ágil, que tenha atuação rápida na quebra da cadeia de transmissão da infecção dentro da instituição. As ações foram implementadas entre maio de 2020 e junho de 2021, período que incluiu o auge da pandemia até a volta completa das atividades presenciais da Escola de Enfermagem.

“O engajamento de toda a comunidade – cerca de 800 pessoas entre professores, pesquisadores, estudantes, servidores técnico-administrativos, pessoal da limpeza, além dos que circulavam pelo local – , o balizamento das ações em evidências científicas e a rapidez do grupo nas respostas para equacionar problemas do cotidiano foram essenciais para o sucesso do trabalho”, relata ao Jornal da USP a professora Maria Clara Padoveze, uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho (GT) e ex-membro do grupo de pesquisa Who Covid-19 Infection Prevention and Control Research Working Group, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Por se tratar de uma Escola de Enfermagem, que forma profissionais da saúde com expertise em abordagens de doenças infecciosas, prevenção de riscos, segurança de pacientes e gestão de pessoas, estávamos capacitados para montar um plano de intervenção emergencial”, diz. A professora Maria Clara é uma das autoras do artigo Abordagem passo a passo para reabertura de instituição de ensino superior brasileira na pandemia de COVID-19, publicado na Revista Brasileira de Enfermagem, edição 75, em junho de 2022, que descreve em detalhes a experiência do Grupo de Trabalho.

Plano emergencial

Tão logo a OMS reconheceu a pandemia de covid-19, em 11 de março de 2020,  a EE instituiu o GTEEUSP Covid-19, que fazia reuniões periódicas (semanal ou quinzenalmente) para definir as estratégias do plano, que foi sistematizado em cinco pilares: Medidas Administrativas e de Engenharia; Previsão e Provisão de Insumos para Prevenção e Transmissão; Monitoramento e Identificação Precoce de Casos; Treinamento; e Comunicação. “Cada pilar tinha suas atribuições e eles funcionavam quase que simultaneamente, com exceção de um ou outro que precisou ser mais intensificado de acordo com o momento da pandemia”, explica Lucia Y. Izumi Nichiata, vice-coordenadora do GT e professora da disciplina Doenças Transmissíveis, do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva. Lúcia e Maria Clara lideraram o grupo na primeira fase e depois passaram a atuar exclusivamente no pilar de número 3, de Monitoramento.

Outro membro do grupo foi a pesquisadora Erica Gomes Pereira, especialista em Laboratório do Departamento de Enfermagem e Saúde Coletiva. Era dela a responsabilidade de articulação e engajamento das pessoas ao plano. Ela foi convidada para participar do grupo por sua experiência na prevenção e controle de infecções e vigilância hospitalar.

Erica lembra que logo que surgiram os primeiros casos do surto pandêmico, o ensino e o trabalho presenciais na EE foram adaptados para aulas remotas e teletrabalho. Nessa época, uma pesquisa realizada em 19 países membros da União Europeia que compunham o G20 reforçava a ideia de que a reabertura das instituições escolares poderia vir a acontecer, caso fossem implementadas diretrizes de proteção. Sem elas, os riscos de retomada poderiam aumentar significativamente os impactos da covid-19 na população. As ações do grupo estavam em consonância com diretrizes nacionais (estaduais e municipais) e internacionais.

Mensuração da eficácia do plano

Sobre o número de casos ocorridos na EE durante a pandemia e se foi possível mensurar se houve diminuição devido à implantação do plano de contenção do vírus, a professora Maria Clara comenta a dificuldade de se saber a totalidade dos casos de aquisição comunitária, uma vez que a notificação era de caráter voluntário. “O que foi possível observar por meio de depoimentos e que podemos considerar como resposta positiva indireta, é que as pessoas da comunidade da EE se sentiam confiantes em nosso trabalho e, apesar da situação emergencial imposta pela pandemia, elas estavam relativamente confortáveis por saber que havia uma equipe especializada cuidando da segurança”, relata.

A comunidade da EE se sentia bastante apoiada porque sempre tinha alguém na equipe que contatava as pessoas, por telefone, para orientar e esclarecer eventuais dúvidas que poderiam surgir. As informações eram mantidas em sigilo, mas os dados eram computados na planilha do grupo, explica a professora Lúcia. “Dos casos concretos que ocorreram e que foram investigados, nenhum estava ligado ao ambiente da EE ou a falhas nas medidas adotadas pelo grupo. As pessoas se infectaram em suas casas ou na comunidade externa”, informa.

Fonte: Jornal da USP

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Christiane Ribeiro
Técnico de Enfermagem Intensivista (há 12 anos), atuante em UTI Adulto: Geral, Cardiológica, COVID-19. Além de ser profissional de saúde, sou ilustradora digital, e nos tempos livres dedico à ilustrações da saúde para estudantes e profissionais, e também sou uma influenciadora digital na enfermagem.
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