A Aorta e seus ramos

aorta

A aorta é a principal artéria do corpo humano. Ela sai do ventrículo esquerdo do coração e segue em direção a raiz do pulmão esquerdo. Depois ela passa através do diafragma até chegar ao abdômen e se divide, no nível da quarta vértebra lombar, nas artérias ilíacas direita e esquerda. Delas se nutrem as vísceras pélvicas e os membros inferiores.

Logo após sair do coração, a aorta dá lugar as artérias coronárias, que fornecem sangue para o músculo cardíaco. A partir do arco surgem as artérias subclávias e carótidas, que fornecem sustentação a cabeça e aos braços. No tórax, a parte descendente da aorta dá lugar as artérias intercostais, que se ramificam na parede do corpo.

Na região do abdômen, tem origem a artéria celíaca que se divide em gástrica, hepática e esplênica; as artérias mesentéricas que se vão para os intestinos, as artérias renais que nutrem de sangue os rins, e pequenas ramificações que se dirigem à parede do corpo e aos órgãos de reprodução.

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Músculos Extraoculares

Músculos Extraoculares

Os músculos extraoculares são seis músculos que controlam os movimentos do olho. As ações dos músculos extraoculares dependem da posição do olho no momento da contração muscular.

Há seis músculos extraoculares que movem o olho: o reto superior, reto medial, reto inferior e oblíquo inferior (inervados pelo oculomotor ou motor ocular comum, III nervo craniano), o oblíquo superior (inervado pelo troclear, IV nervo craniano) e o reto lateral (inervado pelo abducente, VI nervo craniano). O músculo oblíquo inferior origina-se na porção anterior da órbita. Os outros cinco músculos extrínsecos do olho originam-se no ânulo de Zinn.

Os músculos retos superior e inferior, originando-se no anel de Zinn, dirigem-se anterior e lateralmente, formando um ângulo de 23 graus com o plano sagital, e inserem-se respectivamente na superfície anterossuperior e anteroinferior do olho. Os músculos retos medial e lateral, originando-se no anel de Zinn, dirigem-se anteriormente e inserem-se, respectivamente, na superfície Antero medial e anterolateral do olho.

O músculo oblíquo superior origina-se no ânulo de Zinn e dirige-se anteriormente, junto à parte superior da parede medial da órbita, onde seu tendão passa pela tróclea e muda de direção, direcionando-se posteriormente, inferiormente e lateralmente, inserindo-se no quadrante posterior, superior e lateral do olho. O tendão forma um ângulo de 55 graus com o eixo anteroposterior do olho no plano horizontal quando o olho se encontra na posição primária.

O músculo oblíquo inferior origina-se num tendão situado adjacente à margem inferior e lateral da fossa lacrimal, direciona-se posteriormente e lateralmente inserindo-se no quadrante posterior, inferior e lateral do olho. O eixo do músculo forma um ângulo de 50 graus com o eixo anteroposterior do olho no plano horizontal, quando este se encontra na posição primária.

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Regiões e Quadrantes Abdominais, sabe localizar?

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 11/09/2026.

Na avaliação abdominal, dizer apenas “o paciente está com dor na barriga” fornece pouca informação. Quando a dor é registrada como quadrante inferior direito, epigástrio ou hipocôndrio esquerdo, a comunicação fica muito mais precisa e ajuda a equipe a organizar o raciocínio clínico. É por isso que conhecer as divisões do abdome continua sendo básico para enfermagem.

Os 4 quadrantes do abdome

A divisão em quatro quadrantes é feita por duas linhas imaginárias que se cruzam no umbigo: uma vertical e outra horizontal. Assim, o abdome é dividido em quadrante superior direito (QSD), superior esquerdo (QSE), inferior direito (QID) e inferior esquerdo (QIE).

Essa divisão é especialmente prática para registrar dor, massas, distensão, alterações da parede abdominal e achados do exame físico. Importante: direita e esquerda são sempre as do paciente, não as do profissional que está à sua frente.

Quadrante Superior Direito — QSD

Inclui principalmente estruturas como fígado e vesícula biliar, além de partes do duodeno, cólon e intestino delgado. Dor nessa região pode ocorrer em diferentes condições hepatobiliares, gastrointestinais e até renais, portanto a localização ajuda a direcionar a avaliação, mas não fecha o diagnóstico.

Quadrante Superior Esquerdo — QSE

Relaciona-se principalmente ao estômago e baço, além de partes do pâncreas, cólon e intestino delgado.

Quadrante Inferior Direito — QID

Contém estruturas como ceco e apêndice, além de segmentos do intestino delgado, cólon, ureter e, nas mulheres, estruturas anexiais. A dor nessa região pode ter origem gastrointestinal, urinária ou ginecológica.

Quadrante Inferior Esquerdo — QIE

Inclui principalmente segmentos do cólon, além de alças intestinais, ureter e estruturas pélvicas. A localização da dor precisa ser interpretada junto à idade, sexo, sintomas associados e exame físico.

As 9 regiões abdominais

Quando é necessária uma localização anatômica mais detalhada, utiliza-se a divisão em nove regiões. Elas são organizadas em três níveis:

  • Superior: hipocôndrio direito, epigástrio e hipocôndrio esquerdo.
  • Médio: região lombar direita, região umbilical e região lombar esquerda.
  • Inferior: região ilíaca direita, hipogástrio e região ilíaca esquerda.

Essa nomenclatura é útil tanto para o ensino da anatomia quanto para descrever achados do exame físico e documentar alterações encontradas durante a assistência.

O que costuma aparecer em cada região?

No hipocôndrio direito, destacam-se fígado e vesícula biliar. No epigástrio, encontram-se estruturas como estômago, duodeno, pâncreas e parte do fígado. No hipocôndrio esquerdo, destacam-se baço e parte do estômago e do cólon.

Nas regiões lombares, encontram-se principalmente segmentos do cólon e os rins em posição posterior. A região umbilical contém grande quantidade de intestino delgado. Já nas regiões ilíacas, encontram-se porções do intestino grosso e estruturas pélvicas; o hipogástrio também se relaciona com bexiga, cólon sigmoide e órgãos reprodutivos.

Um ponto importante para a prova e para a prática: os órgãos não ficam confinados perfeitamente dentro de um quadrante ou região. O fígado, por exemplo, ocupa predominantemente o lado direito, mas também se estende para a região superior esquerda. Portanto, a localização da dor funciona como uma referência anatômica, não como um mapa diagnóstico absoluto.

Como isso aparece na enfermagem?

Imagine um paciente que informa “dor abdominal”. Durante a avaliação, ele aponta especificamente para o quadrante inferior direito. Essa informação é muito mais útil para o registro e para a comunicação com a equipe do que simplesmente anotar “dor abdominal”, principalmente se houver mudança na intensidade, vômitos, febre ou alteração do estado geral.

O mesmo raciocínio vale para um paciente no pós-operatório. Ao observar uma incisão ou um dreno localizado no quadrante superior direito, registrar exatamente a localização facilita a comparação entre avaliações e reduz ambiguidades na comunicação. A documentação de achados por regiões anatômicas faz parte de uma avaliação abdominal sistemática.

Quadrantes não substituem o exame abdominal

A divisão anatômica é apenas uma ferramenta dentro da semiologia. A avaliação abdominal deve integrar inspeção, ausculta, percussão e palpação, considerando também dor, distensão, massas, cicatrizes, estomas, drenos e alterações da parede abdominal.

Por exemplo, identificar dor no QIE é apenas o primeiro dado. Se o paciente também apresenta distensão, alteração do hábito intestinal, febre e dor à palpação, o conjunto passa a ter muito mais relevância clínica. O profissional deve registrar os achados de forma objetiva e comunicar alterações relevantes conforme o quadro.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação, mantenha o paciente em posição confortável, exponha adequadamente o abdome, preserve a privacidade e observe contorno, simetria, cicatrizes, abaulamentos, lesões, drenos e estomas. A localização de dor ou alterações deve ser registrada utilizando quadrantes ou regiões de forma clara.

Durante o exame abdominal, lembre-se de que a ausculta deve preceder a palpação, pois a manipulação do abdome pode modificar os ruídos intestinais. Dor intensa ou progressiva, rigidez, defesa involuntária, distensão importante, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal ou instabilidade hemodinâmica exigem atenção imediata e comunicação à equipe.

Para memorizar rapidamente

  • 4 quadrantes: QSD, QSE, QID e QIE.
  • 9 regiões: hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo, lombar direita, umbilical, lombar esquerda, ilíaca direita, hipogástrio e ilíaca esquerda.

A regra mais importante é simples: quadrantes e regiões servem para localizar e comunicar achados com precisão. Eles ajudam o profissional a organizar o exame, mas não devem ser usados isoladamente para determinar a causa de uma dor ou alteração abdominal.

Resumo para salvar

Regiões e Quadrantes Abdominais

  • O abdome pode ser dividido em 4 quadrantes ou 9 regiões
  • Os quatro quadrantes são delimitados a partir do umbigo
  • As nove regiões permitem localização anatômica mais detalhada
  • A localização ajuda no exame e registro, mas não determina sozinha o diagnóstico

 

 

Referências:

  1. GOLDIN, J.; SODHANI, S. Abdominal Examination. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Examination.
  2. OPENSTAX. Medical Terminology for Healthcare Professions: Body Regions. Bethesda: National Library of Medicine, 2024. Disponível em: NCBI Bookshelf – Body Regions. 
  3. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Bethesda: NCBI Bookshelf. Disponível em: NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment.
  4. TORONTO METROPOLITAN UNIVERSITY. Abdomen – Inspection. Introduction to Health Assessment for the Nursing Professional. 2024. Disponível em: TMU – Abdomen Inspection. 

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ilustração antiga

Curiosidades sobre a Pele Humana

Pele Humana

O corpo humano é uma máquina incrivelmente complexa. Quanto mais estudamos, mais percebemos que não sabemos quase nada sobre ele.

Te convido a viajar no corpo humano para conhecer alguns dos fatores mais importantes sobre a Pele Humana.

– A pele é chamada pelos anatomistas de Cútis.

– A pele é o maior órgão do corpo humano. Em um adulto médio, ela tem 2 metros quadrados de extensão.

– A pele é o mais pesado órgão humano. Em média, ela pesa duas vezes mais do que o cérebro.

– Ela é dividida em três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme. A epiderme é a cama externa da pele (que está em contato com o exterior). Já a derme fica abaixo da epiderme (digamos que é uma espécie de camada intermediária) e a hipoderme é a camada mais profunda.

– A epiderme é praticamente constituída de células mortas. As células novas e vivas são formadas um pouco abaixo dela.

– A pele de uma pessoa saudável renova-se mais ou menos a cada 28 dias.

– Se “trocamos de pele” com frequência, por que a tatuagem não sai com o tempo? A resposta é simples: porque ela é feita nas camadas mais profundas da pele (as agulhas dos tatuadores penetram cerca de 2 milímetros na pele).

– Uma pessoa adulta perde em torno de 15 gramas de pele todos os dias. Boa parte da poeira de uma residência é formada pela pele das pessoas que lá vivem.

– A pele é finíssima, com espessura de 0,4 a 2 milímetros.

– Mais uma: a pele não é uniforme. É mais fina nas pálpebras e mais grossa em áreas como a sola dos pés. Na ponta dos dedos, possui sulcos.

– A pele é praticamente idêntica em todos os grupos étnicos humanos. A diferença é que em alguns ela possui maior quantidade de melanina, se tornando mais escura.

– Os albinos possuem pele e cabelos claros em virtude de uma deficiência genética que provoca a ausência de melanina. Quanto mais branco for a pele da pessoa, maior a probabilidade de que venha a sofrer lesões provocadas por exposição ao Sol.

– Pessoas que consomem alimentos ricos em vitamina D acabam ficando com a pele um pouco mais escura. É o caso dos esquimós que, apesar de viverem em zonas frias, possuem a pele mais escura do que os europeus.

– Sua pele é capaz de liberar mais de 11 litros de suor em um dia muito quente. As únicas partes do seu corpo que não suam são o leito ungueal (aquela parte embaixo das unhas), as margens dos lábios, a ponta do pênis e os tímpanos.

– O cheiro do seu corpo vem de outro tipo de suor, aquele produzido pelas glândulas apócrinas, que estão localizadas principalmente nas axilas e na região genital.

– Esse odor específico é provocado pelas bactérias que temos pelo corpo. Elas comem a gordura que eliminamos pelas glândulas apócrinas. Haja desodorante!

– A caspa é a descamação do couro cabeludo.

– As pintas são resultado da multiplicação excessivas das células que dão cor à pele. Elas normalmente tem 0,5 centímetros de comprimento.

– Verrugas são saliências ásperas e grossas causadas por vírus (o conhecidíssimo HPV). São muito comuns em crianças e surgem principalmente nas mãos e nos pés. Só podem ser retiradas com a ajuda de um médico.

– Sardas são formadas pelo aumento da melanina. Tem origem genética e são comuns em pessoas ruivas. Sardas também surgem pela exposição excessiva ao sol.

– A acne (aumento da secreção de sebo pela glândulas sebáceas) é mais comum na adolescência e atinge mais mulheres do que homens. Aliás, você sabia que até 80% dos danos na pele surgem antes dos 18 anos?

– O que define uma queimadura é a gravidade do ferimento. A queimadura de primeiro grau apenas deixa a pele vermelha. A de segundo grau, forma bolhas. A de terceiro grau atinge as camadas mais profundas da pele. Mas a pior de todas é a de quarto grau, que carboniza a pele e atinge até os ossos.

– Pintas grandes, escuras e com bordas irregulares podem ser câncer de pele. Nesse caso, procure um médico imediatamente.

– O câncer com maior incidência no Brasil é o câncer de pele, com 25% dos casos registrados.

– Existem dois tipos de câncer de pele: o não-melanoma e o melanoma. O não-melanoma tem origem nas células escamosas e basais; o melanoma surge nas células produtoras de melanina.

– O Sol que você toma hoje pode causar danos à pele no futuro. As manchas e até o câncer podem surgir daqui a 10, 20 ou 25 anos. É por esse e outros motivos que os dermatologistas recomendam: use sempre protetor solar.

– As impressões digitais só aparecem nos fetos por volta do terceiro mês de gestação.

–  Ainda sobre as impressões digitais, sabia que é possível nascer sem elas? Duas condições genéticas podem ser responsáveis por essa característica: Síndrome de Naegeli e Dermatopathia Pigmentosa Reticulada.

– A pele humana tem pelo menos cinco tipos diferentes de receptores sensíveis à dor e ao toque.

Os Ossos do Pé

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

Em uma avaliação de enfermagem, saber onde está cada osso pode parecer apenas anatomia básica, até surgir um edema localizado, uma deformidade, uma lesão por pressão ou um trauma no pé. Nesses momentos, reconhecer a região anatômica ajuda a descrever melhor o achado e comunicar a equipe com precisão.

O pé possui 26 ossos

Cada pé possui 26 ossos, organizados em três grupos: 7 ossos do tarso, 5 metatarsos e 14 falanges. Essa estrutura trabalha em conjunto para sustentar o peso corporal, absorver e transmitir forças e permitir os movimentos necessários para a marcha.

Ossos do tarso

O tarso é formado por sete ossos:

  • Tálus: participa diretamente da articulação do tornozelo e recebe a carga transmitida pela tíbia.
  • Calcâneo: é o maior osso do pé e forma a estrutura óssea do calcanhar.
  • Navicular: localizado na região medial do mediopé.
  • Cuboide: situado lateralmente, articulando-se principalmente com os metatarsos laterais.
  • Cuneiforme medial, intermédio e lateral: três ossos localizados anteriormente ao navicular, contribuindo para a estrutura do mediopé.

Uma forma prática de memorizar é dividir o pé em regiões: o retropé contém tálus e calcâneo; o mediopé reúne navicular, cuboide e os três cuneiformes; e o antepé é formado pelos metatarsos e falanges.

Metatarsos: os cinco ossos do antepé

Os metatarsos são cinco e recebem numeração de I a V, do hálux em direção ao quinto dedo. Cada um apresenta base, corpo e cabeça, articulando-se proximalmente com os ossos do tarso e distalmente com as falanges proximais.

O quinto metatarso merece atenção clínica porque sua base é um local frequente de lesões e fraturas, especialmente após mecanismos de inversão do pé. Fraturas por estresse também podem ocorrer, principalmente relacionadas a sobrecarga repetitiva.

Falanges: os ossos dos dedos

Existem 14 falanges em cada pé. O hálux possui duas — proximal e distal —, enquanto os outros quatro dedos possuem três: proximal, média e distal.

Essa diferença é uma das perguntas clássicas de anatomia: hálux = 2 falanges; demais dedos = 3 falanges cada. Somando 7 tarsos + 5 metatarsos + 14 falanges, chegamos aos 26 ossos.

O que isso muda na enfermagem?

A anatomia ajuda a tornar a avaliação mais objetiva. Em vez de registrar apenas “edema no pé”, é possível localizar o achado com maior precisão, descrevendo, por exemplo, região dorsal, calcâneo, base do quinto metatarso ou região medial próxima ao navicular.

Em pacientes com diabetes, imobilidade, alterações vasculares ou neuropatia periférica, a inspeção dos pés merece atenção especial. Cor, temperatura, integridade da pele, presença de lesões, edema, deformidades e alterações de sensibilidade devem ser observados de acordo com a avaliação clínica e o protocolo do serviço.

Duas situações da prática

  • Situação 1: um paciente internado apresenta uma área avermelhada e dolorosa na região posterior do pé. Em vez de registrar simplesmente “lesão no pé”, identificar a proximidade com o calcâneo torna a anotação mais precisa e facilita a comunicação sobre risco de lesão por pressão e necessidade de proteção da área.
  • Situação 2: após uma queda, o paciente apresenta edema e dor na região lateral do pé, principalmente próximo à base do quinto dedo. Reconhecer a localização do quinto metatarso ajuda a direcionar a descrição do trauma e a avaliação da equipe, principalmente porque essa região pode sofrer fraturas após determinados mecanismos de lesão.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação dos pés, observe cor, temperatura, edema, dor, integridade da pele, lesões, deformidades, sensibilidade e perfusão, sempre relacionando os achados ao quadro clínico.

Em pacientes acamados, diabéticos ou com mobilidade reduzida, não examine apenas a região plantar. Observe também calcâneo, dorso, regiões laterais e espaços entre os dedos. Na presença de trauma, dor intensa, deformidade, alteração de perfusão ou perda de sensibilidade, comunique a equipe responsável e siga o protocolo institucional.

Uma anotação como “edema e hiperemia em região lateral do pé direito, próximo à base do quinto metatarso, com dor à palpação” é muito mais útil para a continuidade da assistência do que simplesmente “pé inchado e dolorido”.

Resumo para salvar

Os Ossos do Pé: Você Sabe Todos?

  • Cada pé possui 26 ossos divididos em tarso, metatarso e falanges
  • O tarso possui 7 ossos, o metatarso 5 e as falanges 14
  • O hálux possui duas falanges e os demais dedos possuem três
  • Conhecer a anatomia ajuda a localizar e descrever alterações do pé com mais precisão

 

 

Referências:

  1. FICKE, Jennifer; FAKOYA, Adegbenro O.; BYERLY, Doug W. Anatomy, Bony Pelvis and Lower Limb: Foot and Ankle. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Foot and Ankle.
  2. LEZAK, Bradley; LA ROSE, James; MASSEL, Dustin H. Anatomy, Bony Pelvis and Lower Limb: Metatarsal Bones. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Metatarsal Bones.
  3. JONES, Oliver. Bones of the Foot: Tarsals, Metatarsals and Phalanges. TeachMeAnatomy, 2026. Disponível em: TeachMeAnatomy – Bones of the Foot.
  4. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Foot Bones. Medical Subject Headings (MeSH). Bethesda: NLM. Disponível em: NLM – Foot Bones.

Conhecendo um pouco sobre as Veias do Membro Superior (MS)

veias

Ossos da Mão: Você Sabe Nomear Todos?

Ossos da mão

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 09/09/2026.

A mão tem apenas alguns centímetros de extensão, mas reúne 27 ossos organizados de uma maneira que permite força, precisão e movimentos extremamente delicados. Para quem estuda enfermagem, conhecer essa anatomia facilita desde a identificação de regiões em uma avaliação física até a compreensão de fraturas, imobilizações e alterações neurovasculares.

A mão é dividida em três grupos

Os ossos da mão são classificados em carpos, metacarpos e falanges. São 8 ossos do carpo, 5 metacarpais e 14 falanges. Essa organização é simples de memorizar e ajuda bastante na leitura de exames e na localização de lesões.

Carpo: os oito ossos do punho

Os oito ossos do carpo ficam distribuídos em duas fileiras. Na fileira proximal, do lado radial para o ulnar, estão: escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme, e na fileira distal estão: trapézio, trapezoide, capitato e hamato.

Uma maneira prática de estudar é relacionar cada osso à sua posição e às estruturas próximas, em vez de tentar decorar uma sequência isolada. O escafoide, por exemplo, ocupa uma posição lateral na fileira proximal e tem importância clínica especial nas fraturas do punho.

Metacarpos: a estrutura da palma

São cinco ossos, numerados de I a V a partir do polegar. Cada metacarpal possui base, corpo e cabeça; a base articula-se com os ossos do carpo e a cabeça com a falange proximal correspondente.

O primeiro metacarpal merece atenção porque participa da articulação carpometacarpal do polegar com o trapézio. Essa articulação em sela é fundamental para a oposição do polegar, movimento que permite a pinça e grande parte da destreza manual.

Falanges: os ossos dos dedos

As falanges completam os 27 ossos da mão. O polegar possui duas, proximal e distal; os demais dedos possuem três: proximal, média e distal. Por isso, cada mão apresenta 14 falanges.

As articulações também seguem essa organização: metacarpofalângicas entre metacarpos e falanges proximais e interfalângicas entre as falanges. Nos dedos II a V existem articulações interfalângicas proximal e distal; o polegar possui apenas uma interfalângica.

✓ Decore para a Prova O detalhe clínico que vale memorizar

Entre os ossos do carpo, o escafoide merece atenção especial. Ele é um dos ossos carpais mais frequentemente lesionados e apresenta vascularização retrógrada, o que explica o risco de comprometimento vascular, principalmente nas fraturas que atingem o polo proximal. Após uma queda sobre a mão estendida, dor na região da tabaqueira anatômica deve ser valorizada mesmo quando a radiografia inicial não demonstra claramente a fratura.

Esse conhecimento também ajuda a entender por que uma lesão aparentemente pequena na mão ou no punho não deve ser banalizada. O alinhamento dos ossos, das articulações e dos tecidos moles é essencial para preservar movimento e função.

Duas situações que fazem diferença na prática

Em uma avaliação de enfermagem após uma queda, por exemplo, um paciente pode chegar com dor no punho e edema discreto, dizendo que consegue movimentar os dedos. A presença desse movimento não exclui uma lesão óssea; observar edema, deformidade, dor, limitação funcional, perfusão, sensibilidade e movimentação dos dedos fornece informações importantes para a assistência e para a comunicação com a equipe.

Outra situação frequente aparece após uma fratura ou imobilização. O paciente pode apresentar aumento progressivo do edema dos dedos, formigamento, alteração da coloração ou piora da dor. Nesse cenário, não basta registrar apenas “mão imobilizada”: é importante comparar perfusão, temperatura, sensibilidade e movimentação com o membro contralateral e comunicar alterações relevantes imediatamente, conforme o protocolo do serviço.

Cuidados de enfermagem

Na assistência ao paciente com trauma ou imobilização da mão, avalie dor, edema, coloração, temperatura, sensibilidade, movimentação e perfusão distal. Observe também se há deformidade, ferimento associado ou alteração progressiva após a imobilização.

Após procedimentos ou aplicação de dispositivos, a reavaliação é tão importante quanto a avaliação inicial. Dor desproporcional, parestesias, palidez ou cianose, extremidade fria e perda de sensibilidade ou movimento são sinais que exigem comunicação rápida à equipe responsável.

Para memorizar para a prova: 27 ossos = 8 carpos + 5 metacarpos + 14 falanges. O polegar tem 2 falanges; os outros quatro dedos têm 3 cada.

Resumo para salvar

Ossos da Mão: Você Sabe Nomear Todos?

  • A mão possui 27 ossos: 8 carpos, 5 metacarpos e 14 falanges
  • Os oito ossos do carpo ficam organizados em duas fileiras
  • O polegar tem duas falanges e os demais dedos têm três
  • O escafoide merece atenção especial nas fraturas do punho

 

 

Referências:

  1. ARIAS, Daniel G.; BLACK, Asa C.; VARACALLO, Matthew A. Anatomy, Shoulder and Upper Limb, Hand Bones. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing, atualização 30 jul. 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf – Hand Bones.
  2. TANG, A.; VARACALLO, M. A. Anatomy, Shoulder and Upper Limb, Hand Carpal Bones. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Carpal Bones.
  3. JONES, Oliver. The Bones of the Hand: Carpals, Metacarpals and Phalanges. TeachMeAnatomy, 2026. Disponível em: TeachMeAnatomy – Bones of the Hand.
  4. PANCHAL-KILDARE, Surbhi; MALONE, Kevin. Skeletal anatomy of the hand. Hand Clinics, v. 29, n. 4, p. 459-471, 2013. DOI: 10.1016/j.hcl.2013.08.001. Disponível em: PubMed – Skeletal anatomy of the hand

Tendões e Ligamentos: As Diferenças

Tendões e Ligamentos

Crânio: Os Ossos Que Você Precisa Saber

Crânio

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 06/09/2026.

Na avaliação de um paciente com trauma, saber olhar para o crânio não é apenas uma questão de anatomia para prova. A posição de um hematoma, uma deformidade, uma alteração neurológica ou mesmo o local de um impacto pode ganhar outro significado quando você conhece os ossos e as suturas que estão naquela região.

Anatomia do crânio na vista lateral

O crânio é formado por estruturas ósseas que protegem o encéfalo e dão suporte às estruturas da face. Na vista lateral, é possível identificar principalmente os ossos frontal, parietal, temporal, occipital, esfenoide, zigomático e maxila, além da mandíbula. O neurocrânio é composto por oito ossos: frontal, occipital, esfenoide, etmoide, dois parietais e dois temporais.

O frontal ocupa a região anterior e superior; posteriormente está o parietal, enquanto o temporal forma grande parte da parede lateral e da base do crânio. O occipital aparece na região posterior. Mais anteriormente, os ossos zigomático e maxila participam da estrutura da face, enquanto a mandíbula forma o esqueleto móvel da parte inferior da face.

As suturas ajudam a localizar as estruturas

As suturas cranianas são articulações fibrosas que unem os ossos do crânio. Na vista lateral, destacam-se principalmente as suturas coronal, lambdoide e escamosa. A sutura coronal separa o frontal dos parietais; a escamosa está entre o parietal e a porção escamosa do temporal, e a lambdoide está localizada posteriormente, entre os parietais e o occipital.

Um ponto anatômico especialmente importante é o pterion, região de encontro entre frontal, parietal, temporal e a asa maior do esfenoide. Ele está próximo à artéria meníngea média, por isso um traumatismo nessa área pode estar associado a lesões intracranianas importantes, incluindo hematoma epidural.

Pterion, asterion e outros pontos de referência

Na anatomia de superfície, alguns pontos recebem nomes próprios e são úteis para orientação. O asterion está localizado posteriormente, próximo à junção das suturas lambdoide, occipitomastóidea e parietomastóidea. Já o pterion fica na região anterolateral do crânio e é um dos principais marcos anatômicos dessa vista.

Esses pontos também ajudam na interpretação de imagens e na descrição precisa de achados. Para estudantes de enfermagem, aprender a relacionar o nome à localização é muito mais útil do que decorar uma lista de estruturas isoladas.

Um detalhe importante no recém-nascido

O crânio do recém-nascido não apresenta a mesma configuração rígida observada no adulto. As suturas e fontanelas permitem acomodação durante o nascimento e acompanham o crescimento do encéfalo. A fontanela anterior corresponde à região do futuro bregma e permanece aberta durante uma parte do desenvolvimento.

Por isso, na avaliação do recém-nascido, observar formato do crânio, suturas e fontanelas faz parte da avaliação física. Alterações como fechamento prematuro de suturas podem estar relacionadas a condições como craniossinostose e precisam de avaliação adequada.

O que a enfermagem deve observar no trauma

Após um trauma craniano, a avaliação não deve ficar restrita à presença de um “galo”. Observe nível de consciência, pupilas, comportamento, presença de vômitos, cefaleia, convulsões, alterações motoras e sensitivas e sinais de deterioração neurológica, seguindo o protocolo do serviço.

Uma lesão na região temporal também merece atenção especial. O motivo é anatômico: o pterion está próximo da artéria meníngea média, e uma fratura nessa região pode provocar sangramento intracraniano potencialmente grave.

Cuidados de enfermagem

Na assistência ao paciente com suspeita de trauma cranioencefálico, mantenha vigilância do nível de consciência, pupilas, sinais vitais e evolução neurológica, registrando alterações e comunicando imediatamente qualquer deterioração.

Também é importante evitar movimentações desnecessárias da coluna cervical quando houver suspeita de trauma associado, manter o paciente sob monitorização conforme indicação e seguir o protocolo institucional para atendimento do TCE.

Duas situações que fazem diferença na prática

Em um atendimento após queda, um paciente pode apresentar apenas edema na região lateral da cabeça e afirmar que está bem. Durante a observação, porém, pode surgir sonolência progressiva, dificuldade para responder perguntas ou alteração pupilar. É justamente nesse cenário que a avaliação seriada da enfermagem ganha importância: uma alteração neurológica nova pode ser mais relevante do que o tamanho aparente do hematoma externo.

Outra situação ocorre após uma colisão ou queda com impacto na região temporal. Mesmo que a lesão superficial seja pequena, a localização do trauma merece atenção. A proximidade do pterion com a artéria meníngea média explica por que a evolução do nível de consciência precisa ser acompanhada cuidadosamente e comunicada diante de qualquer deterioração.

✓ Decore para a Prova Para memorizar

Na vista lateral do crânio, lembre principalmente de frontal, parietal, temporal, occipital, esfenoide, zigomático, maxila e mandíbula, além das suturas coronal, escamosa e lambdoide.

E guarde um detalhe que aparece tanto na anatomia quanto na prática clínica: pterion = região de encontro de quatro ossos, próxima à artéria meníngea média.

Resumo para salvar

Crânio: Os Ossos Que Você Precisa Saber

  • O crânio protege o encéfalo e possui oito ossos no neurocrânio
  • Na vista lateral destacam-se frontal, parietal, temporal, occipital, esfenoide e ossos da face
  • O pterion reúne quatro ossos e fica próximo à artéria meníngea média
  • No trauma, a avaliação neurológica seriada é fundamental

 

 

Referências:

  1. ANDERSON, B. W.; KORTZ, M. W.; BLACK, A. C. et al. Anatomy, Head and Neck, Skull. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Anatomy, Head and Neck, Skull.
  2. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (ed.). Nursing Skills: Chapter 7 – Head and Neck Assessment. 2. ed. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf – Head and Neck Assessment.
  3. SINGH, O.; VARACALLO, M. A. Anatomy, Head and Neck: Frontal Bone. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Disponível em: NCBI Bookshelf – Frontal Bone. 
  4. LIPSETT, B.; REDDY, V.; STEANSON, K. Anatomy, Head and Neck: Fontanelles. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf – Fontanelles. 
  5. RATHORE, A. et al. Immersive Surgical Anatomy of the Craniometric Points. Surgical and Radiologic Anatomy, 2020. Disponível em: PubMed Central – Craniometric Points. 

Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE)

Traumatismo

 

O traumatismo crânio-encefálico constitui a principal causa de óbitos e sequelas em pacientes politraumatizados; entre as principais causas estão: “Acidentes automobilísticos 50%, assaltos e agressões 12%, quedas 21% e esportes 10%”. Uma das complicações mais comuns aos pacientes vítimas de traumatismo crânio-encefálico (TCE) é a infecção, principalmente a pulmonar.

O traumatismo crânio-encefálico (TCE) é uma agressão ao cérebro causada por agressão física externa, que pode produzir alteração no nível de consciência e resultar em comprometimento das habilidades cognitivas, físicas e comportamentais.

O TCE constitui qualquer agressão que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou cérebro.

Por que ocorre?

As lesões do TCE dependerão da relação entre a capacidade de complacência cerebral (capacidade de suportar a agressão) e as alterações no fluxo sanguíneo cerebral.
As lesões cerebrais podem ser primária ou secundária.

  • Lesão encefálica primária: ocorre no momento do trauma e corresponde principalmente à contusão cerebral e à lesão axonal difusa (LAD).
  • Lesão secundária: é determinada por processos iniciados no momento do trauma, mas clinicamente evidentes algum tempo depois.

Exemplos: hematomas intracranianos, a tumefação cerebral, a lesão cerebral secundária ao aumento da pressão intracraniana, lesão cerebral por diminuição ou falta de oxigênio, queda na pressão sanguínea, dificuldades na respiração, diminuição ou falta de sangue, febre, aumento do açúcar no sangue, alterações do sódio, infeção generalizada alterações na coagulação do sangue.

TCE em números

A incidência de TCE é maior nos homens do que nas mulheres em mais de 2:1 (dois homens para cada mulher). Mais de 50% dos pacientes com TCE está entre as idades de 15 e 24 anos.

O TCE é causa comum de morte em crianças, estando entre 10-13%. Quanto mais grave for o TCE, maior será a mortalidade.

Houve melhora no atendimento ao paciente politraumatizado com o avanço e preparo dos atendimentos de urgência e métodos diagnósticos. Há normatizações do Brain Trauma Foundation e Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira fornecendo informações aos médicos.

Causas

As causas mais comuns de TCE são acidentes de automóveis, traumas esportivos e quedas. Os traumas que ocorrem ao nascimento podem provocar fraturas de crânio, cefalohematoma, hematoma subdural e epidural, síndrome do Bebê Sacudido (shaken baby) e os cistos leptomeningeos (ou fratura em crescimento).

Classificação

O TCE pode ser classificado em:

  1. Fechado – quando não há exposição de estruturas do crânio. Ocorre em acidentes automobilísticos, quedas e agressões.
  2. Aberto ou penetrante – quando há exposição de estruturas do crânio. Ocorre em ferimentos por arma de fogo e lesões por instrumentos perfurantes.

Níveis de gravidade

A gravidade do TCE pode ser avaliada levando-se em consideração o nível de consciência do paciente segundo a escala de coma de Glasgow (ECG). Esta escala é aplicada pelos médicos e avalia três parâmetros que são: 1) abertura ocular; 2) melhor resposta verbal e 3) melhor reposta motora. A pontuação vai de 3 a 15. Quanto menor o valor obtido, pior será o trauma.

  • TCE leve – ECG-14 ou 15 pontos com história de perda de consciência e ou alteração da memória ou atenção maior que 5 minutos. Em crianças menores de 2 anos perda de consciência menor que 1 minuto.
  • TCE moderado – ECG- 9 – 13 pontos ou perda de consciência maior ou igual a 5 minutos e ou déficit neurológico focal.
  • TCE grave – ECG menor que 8 pontos.

Avaliação médica e exames complementares

A avaliação da criança baseia-se nos princípios preconizados pelo ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma).

O exame neurológico deve ser realizado através da escala de coma de Glasgow (realizada por médicos e enfermeiros), alterações pupilares, resposta motora.

A avaliação radiológica baseia-se em radiografia de crânio que avalia as estruturas ósseas e sua integridade e radiografia de coluna cervical quando houver dor ou sensibilidade local e suspeita de fraturas e desalinhamento da coluna.

A Tomografia de crânio é o melhor exame radiológico. Ne na criança deve ser realizada na presença de qualquer alteração neurológica ou cognitiva, bem como na suspeita de depressão ou fratura de base de crânio. A tomografia detecta anormalidades que podem determinar a conduta terapêutica nas primeiras horas e orientar para piora neurológica rápida (pequenos hematomas extra-durais, contusão frontal bilateral ou massa temporal unilateral) além de servir como auxiliar no prognóstico.

A Ressonância Magnética Cerebral (RM) deve ser realizada quando necessária, após a tomografia. Ela possui melhor capacidade de resolução de imagem, superior a tomografia, onde pequenas hemorragias, transtornos isquêmicos, micro-trombos, hemorragias tardias e lesões de fossa posterior são melhores observadas.

Evolução

TCE leve: ocorre em cerca 80% dos pacientes com TCE atendidos em prontos socorros. Destes, cerca de 3% apresentam deterioração inesperada. Desde 1999, foram estabelecido normas para o atendimento destes pacientes.

  • Categoria 0 – Pacientes com TCE, GCS 15, sem perda de consciência, sem amnésia pós-TCE e sem fatores de risco podem ser liberados.
  • Categoria 1 – Pacientes com TCE, GCS 15, com perda de consciência por menos que 30 minutos, amnésia menor que 60 minutos e sem fatores de risco devem ter uma tomografia de crânio. Se a tomografia estiver normal, poderão ser liberados com orientações, exceto se estiverem em uso de anticoagulante ou tiverem outros distúrbios.

Caso a tomografia apresente lesão cirúrgica, o paciente deve ser encaminhado para um centro de trauma para tratamento. Caso não haja indicação de cirurgia, o paciente deve ser internado para observação e repetir a tomografia ou RM.

TCE moderado: corresponde a cerca de 10% dos TCE. Os pacientes obedecem a comandos simples, costumam estar confusos ou sonolentos ou apresentam déficits focais. Cerca de 10% destes pacientes vão deteriorar e evoluir para coma. É necessário estabilização cardiopulmonar antes da avaliação neurológica.

TCE grave: Os pacientes não atendem a comandos simples até mesmo após estabilização cardiopulmonar. São pacientes graves, com alto risco de morte e de sequelas temporárias ou permanentes.

Complicações

Os pacientes vítimas de TCE podem apresentar sequelas físicas, neuropsicomotoras, epilepsia, hidrocefalia e estética (defeitos cranianos). Em geral, quanto mais grave for o trauma, maior a chance de sequelas.

Prevenção do TCE

Como foi visto acima, o TCE pode levar a morte ou mesmo a sequelas graves e permanentes. Além disso, mais de 50% dos pacientes com TCE tem entre 15 e 24 anos, ou seja, a faixa produtiva da vida. O TCE atinge os jovens com a vida toda pela frente. É muito importante prevenir o TCE. As crianças como se encontram em fase de crescimento e desenvolvimento, estão sujeitas às diferentes formas de trauma craniano. Traumas que vão desde traumas ocorridos durante o parto até acidentes automobilísticos. As crianças menores, muitas vezes, são vítimas dos maus tratos e negligência causados até pelos próprios familiares.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM PACIENTES EM TCE EM UTI

-Nas primeiras 48 horas a equipe de enfermagem deve estar atenta ao escore de Glasgow, ao padrão respiratório e aos níveis da PIC (normal menor 10 mmHg) já que uma “elevação da PIC a maior de 20 mmHg em um paciente em repouso, por mais do que alguns minutos, está associada a um aumento significativo da mortalidade; essa atenção da enfermagem permite intervir rapidamente, evitando complicações.”

-Quando o paciente estiver adequadamente sedado e a PIC se manter estável, a mudança de decúbito deverá ser realizada de dois em 2 horas, se a PIC apresentar oscilações, este procedimento deverá ser realizado com cautela.

-O balanço hídrico deverá ser monitorizado atentando-se para o volume urinário e as medidas da pressão venosa central (PVC).

-A nutrição enteral deve ser iniciada após 48 horas de admissão na UTI, estar atento à presença de ruído hidroaéreos (RHA) e distensão abdominal. Nos pacientes que apresentar fraturas de base de crânio, a sondagem nasogástrica ou enteral deve ser feita via oral e não via nasal, pois podemos provocar infecções do tipo meningite e para as aspirações deve ser usado o mesmo critério, não realizar aspirações nasal nestes pacientes.

Estar atento à prescrição de soluções, visto que, a infusão de soluções contendo dextrose, especialmente dextrose a 5% e água, é contra-indicada no tratamento agudo do paciente com TCE, pois favorece o aparecimento de edema cerebral e quando este não está presente e agrava aquele já existente.

COMPLICAÇÕES MAIS COMUNS

A) Lesões Vasculares: hemorragia, trombose e aneurisma.

B) Infecções: osteomielite, meningite e abscesso.

C) Otoliquorréia.

D) Pneumocele.

E) Lesões de nervos cranianos.

F) Lesões focais no cérebro.

G) Diabetes insípida.

SEQÜELAS FREQUENTES

A) Crises convulsivas

B) Psicose

C) Epilepsia

D) Síndrome post-traumática.