Pulso Arterial: Saiba Reconhecer Alterações

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

Contar o pulso é uma das avaliações mais rápidas da enfermagem, mas limitar-se ao número de batimentos pode fazer passar despercebida uma alteração importante. Um pulso com frequência normal pode estar irregular, assimétrico ou muito diminuído, e cada uma dessas características muda a interpretação clínica.

O pulso arterial corresponde à onda de pressão produzida pela ejeção ventricular e transmitida pelas artérias. Na avaliação, devem ser observados principalmente frequência, ritmo, amplitude ou qualidade e simetria, sempre relacionados ao estado clínico do paciente.

Frequência, ritmo e amplitude

Em adultos em repouso, uma frequência de 60 a 100 bpm é geralmente considerada normal. Valores abaixo de 60 bpm são classificados como bradicardia e acima de 100 bpm como taquicardia, embora idade, condicionamento físico, medicamentos, sono, febre, dor e outras condições possam modificar a frequência esperada.

O ritmo indica se os intervalos entre as pulsações são regulares. Um ritmo irregular pode ser regularmente irregular, quando existe um padrão repetitivo, ou irregularmente irregular, como pode ocorrer na fibrilação atrial.

A amplitude descreve a intensidade percebida da onda de pulso. Ela pode estar reduzida, normal ou aumentada, e sua interpretação deve considerar pressão arterial, débito cardíaco e perfusão periférica.

Durante um plantão, é fácil encontrar um paciente com frequência cardíaca de 88 bpm que inicialmente parece tranquilo. Quando o pulso radial é palpado por um minuto, porém, percebe-se que os intervalos não são regulares. É justamente esse detalhe que transforma uma simples contagem em uma avaliação cardiovascular de verdade.

Principais locais de palpação

O pulso radial é o mais utilizado na avaliação de rotina. Dependendo da situação, também podem ser avaliados os pulsos carotídeo, braquial, femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso (dorsal do pé). A comparação bilateral dos pulsos periféricos ajuda a identificar diferenças de amplitude ou ausência de pulso.

O pulso carotídeo merece atenção especial: deve ser palpado um lado de cada vez, evitando compressão simultânea das duas artérias carótidas. Em situações de emergência, a avaliação do pulso central segue protocolos específicos de atendimento à parada cardiorrespiratória.

Pulso normal e alterações de frequência

Um pulso normal apresenta frequência adequada ao contexto, ritmo regular e amplitude compatível com a condição clínica.

Bradicardia é a frequência inferior a 60 bpm no adulto, enquanto taquicardia corresponde a frequência superior a 100 bpm. Esses termos descrevem frequência, não necessariamente a causa do problema. Um atleta pode apresentar bradicardia fisiológica, enquanto febre, dor, hipovolemia, ansiedade ou medicamentos podem alterar a frequência cardíaca.

Por isso, encontrar uma frequência de 110 bpm não encerra a avaliação. É preciso observar pressão arterial, perfusão, temperatura, saturação, nível de consciência e outros sinais que ajudem a compreender o contexto.

Pulso filiforme ou diminuído

O pulso filiforme é muito fino, de baixa amplitude e difícil de palpar. Pode aparecer em situações de baixo volume sistólico ou redução importante da perfusão, como hipovolemia e estados de choque.

Entretanto, não é correto concluir que todo pulso filiforme significa choque. A interpretação deve considerar o conjunto clínico, incluindo pressão arterial, perfusão periférica, temperatura da pele, enchimento capilar e estado de consciência.

Pulso cheio ou aumentado

O pulso pode apresentar amplitude aumentada e ser facilmente palpável. Essa característica pode ocorrer em estados de maior débito cardíaco, mas também aparece em determinadas alterações cardiovasculares, como a insuficiência aórtica.

A amplitude isoladamente não diagnostica hipertensão nem define o débito cardíaco. É necessário relacioná-la aos demais achados do exame cardiovascular.

Pulso arrítmico

Quando os intervalos entre as pulsações são irregulares, o pulso deve ser avaliado com atenção. Em ritmos irregulares, a contagem por 60 segundos é preferível a estimativas baseadas em períodos mais curtos.

Se houver diferença entre a frequência cardíaca auscultada no ápice e o pulso periférico palpado, pode existir déficit de pulso, situação que merece investigação e registro adequado.

Pulso alternante

No pulso alternante, a amplitude varia de um batimento para o seguinte, geralmente mantendo o ritmo regular. Esse achado pode estar associado a importante disfunção sistólica do ventrículo esquerdo e deve ser interpretado no contexto do paciente.

É um exemplo clássico de como frequência e ritmo podem parecer adequados enquanto a qualidade da onda de pulso revela uma alteração relevante.

Pulso dicrótico

O pulso dicrótico apresenta uma segunda onda perceptível durante o mesmo ciclo cardíaco, relacionada à onda dicrótica da circulação arterial. É um achado pouco comum na avaliação periférica de rotina e pode aparecer em determinadas situações de baixo débito, mas não deve ser usado isoladamente para estabelecer uma causa.

Esse é um daqueles padrões que têm grande valor para o estudo da semiologia cardiovascular, embora sejam menos frequentemente identificados na prática cotidiana da enfermagem.

Pulso parvus et tardus

O pulso parvus et tardus apresenta baixa amplitude e ascensão lenta. É classicamente associado à estenose aórtica importante, especialmente quando identificado no pulso carotídeo.

Sua avaliação exige experiência e deve ser integrada à ausculta cardíaca e aos demais achados cardiovasculares; a ausência desse sinal também não exclui estenose aórtica significativa.

Pulso em martelo d’água

Também chamado de pulso de Corrigan ou pulso colapsante, caracteriza-se por uma elevação rápida e ampla seguida de queda igualmente rápida. É classicamente associado à insuficiência aórtica, embora possa aparecer em outras condições de circulação hiperdinâmica.

Esse padrão é diferente de simplesmente encontrar um pulso “forte”: o aspecto característico está na velocidade de ascensão e colapso da onda.

Pulso paradoxal

O pulso paradoxal corresponde a uma queda exagerada da pressão arterial sistólica durante a inspiração, classicamente superior a 10 mmHg. A palpação pode sugerir a alteração, mas sua quantificação é feita pela avaliação da pressão arterial durante o ciclo respiratório.

Pode ocorrer em condições como tamponamento cardíaco, asma grave e exacerbação importante da DPOC, entre outras situações. Portanto, não é sinônimo de tamponamento cardíaco.

Quando um paciente apresenta dispneia intensa e a amplitude do pulso diminui visivelmente durante a inspiração, esse achado não deve ser tratado como uma curiosidade da semiologia. É um sinal que precisa ser relacionado imediatamente ao padrão respiratório, pressão arterial, perfusão e estabilidade hemodinâmica.

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Como registrar o pulso

Um registro adequado deve informar aquilo que foi efetivamente avaliado, por exemplo:

“Pulso radial direito, 86 bpm, rítmico, amplitude 2+, simétrico ao membro contralateral.”

A escala de amplitude pode variar conforme o protocolo institucional; em algumas referências, utiliza-se 0 para ausência, 1+ para muito diminuído, 2+ para diminuído, 3+ para normal e 4+ para aumentado. O mais importante é utilizar uma padronização conhecida pela equipe e registrar claramente o método empregado.

Cuidados de enfermagem

Na avaliação do pulso, a enfermagem deve:

  • utilizar a polpa dos dedos indicador e médio, evitando o polegar;
  • avaliar frequência, ritmo, amplitude e simetria;
  • contar por 60 segundos quando o ritmo estiver irregular;
  • comparar pulsos periféricos bilateralmente quando indicado;
  • evitar compressão excessiva da artéria;
  • relacionar o achado com pressão arterial, perfusão, temperatura, nível de consciência e demais sinais vitais;
  • comunicar alterações relevantes conforme a condição clínica e o protocolo institucional.

Em um paciente instável, não espere que o número isolado do pulso explique tudo. Pulso fraco acompanhado de extremidades frias, alteração do nível de consciência e hipotensão tem um significado muito diferente de um pulso discretamente diminuído em um paciente estável.

Para memorizar

★ Cai em Concurso

Frequência → quantos batimentos por minuto.
Ritmo → regularidade dos intervalos.
Amplitude → intensidade da onda.
Simetria → comparação entre os lados.

E os padrões clássicos mais cobrados em semiologia incluem filiforme, alternante, dicrótico, parvus et tardus, martelo d’água e paradoxal.

O ponto central é simples: avaliar o pulso não significa apenas contar batimentos. Significa reconhecer como a onda chega à periferia e o que essa informação representa dentro do quadro clínico.

Resumo para salvar

Tipos de Pulso Arterial

  • Avalie frequência, ritmo, amplitude e simetria
  • O pulso filiforme pode indicar baixa perfusão, mas exige avaliação do contexto
  • Pulso alternante, parvus et tardus e martelo d’água são padrões clássicos
  • Pulso paradoxal é uma queda da pressão sistólica superior a 10 mmHg na inspiração

Referências:

  1. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Nursing Skills: Cardiovascular Assessment. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. National Library of Medicine. NCBI Bookshelf – Cardiovascular Assessment
  2. ZIMMERMAN, B.; WILLIAMS, D. Peripheral Pulse. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2025. NCBI Bookshelf – Peripheral Pulse
  3. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. Vital Sign Assessment. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. NCBI Bookshelf – Vital Sign Assessment
  4. WALKER, H. K.; HALL, W. D.; HURST, J. W. Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations – The Carotid Pulse. Boston: Butterworths. NCBI Bookshelf – The Carotid Pulse
  5. VAN DAM, M. N.; HASHMI, M. F.; FITZGERALD, B. M. Pulsus Paradoxus. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. NCBI Bookshelf – Pulsus Paradoxus
  6. JARVIS, C. Bates: guia de exame físico e história clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
  7. PORTO, C. C. Semiologia médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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