Profilaxia para Úlcera de Estresse nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI)

lcera de Estresse

O Sangramento Gastrintestinal Agudo é uma condição comum que geralmente demanda a admissão em unidades de emergência e também representa uma complicação frequente naqueles pacientes já previamente internados em unidades de terapia intensiva (UTI) . É evidenciado clinicamente pela exteriorização de hematêmese, melena ou enterorragia. A hemorragia digestiva alta (HDA) é proveniente de qualquer sangramento do trato gastrintestinal acima do ângulo de Treitz, e é consideravelmente associada à alta morbidade e mortalidade.

A Síndrome da Úlcera por Estresse (UE)

A patogênese da lesão das mucosas relacionadas ao estresse provavelmente está associada à alteração dos mecanismos protetores locais e ao comprometimento da microcirculação da mucosa gástrica, levando à isquemia tecidual. As erosões tornam-se evidentes após 72 horas de internação, porém podem ser encontradas precocemente, como em 5 horas. Alguns pacientes admitidos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e em Unidades de Emergência podem apresentar fatores de risco para o desenvolvimento dessas lesões relacionadas ao estresse. A lesão aguda de mucosa gástrica, responsável por causar úlceras de estresse nos pacientes críticos, é decorrente, principalmente, de alterações hemodinâmicas (instabilidade macro hemodinâmica, ventilação com pressão positiva) que levam a redução da perfusão da mucosa e dos fatores protetores, como redução do bicarbonato, de prostaglandinas e óxido nítrico e aumento de endotelina.

Indicações da Profilaxia para UE

A Profilaxia de úlcera de estresse está recomendada em pacientes considerados de alto risco e internados em unidades de tratamento intensivo (UTI). São considerados fatores de risco para sangramento gastrointestinal alto a ventilação mecânica por mais de 48 horas e/ou coagulopatias, internação em UTI de paciente com três ou mais comorbidades, doença hepática, necessidade de terapia de substituição renal, uma ou mais falências orgânicas.

Outros fatores incluem: sepses severas, choque séptico, trauma de crânio e de coluna, insuficiência hepática, insuficiência renal, grandes queimados, altas doses de glicocorticoides e ulcera péptica prévia. Não há recomendação para profilaxia de úlcera de estresse em pacientes internados em enfermarias.

Riscos potenciais com o uso prolongado

O uso não é isento de risco. A redução da secreção ácida gástrica pode permitir a colonização bacteriana do trato intestinal alto, aumentando o risco de infecções, principalmente pneumonia e diarreia associada com Clostridium difficile. Muitos pacientes que, anteriormente à internação, não faziam uso do IBP passam, posteriormente, a fazer uso desnecessário do fármaco. Lembrando que o uso intravenoso deve ser reservado para situações específicas, principalmente no tratamento de pacientes com úlceras gástricas com sangramento e/ou como profilático em pacientes com impossibilidade de usar a via oral.

Embora os Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs: Omeprazol, Pantoprazol, lanzoprazol, Rabeprazol, Esomeprazol e Tenatoprazol) sejam as drogas mais usadas, deve-se, em caso de contraindicações para o seu uso, utilizar os Antagonistas do Receptor H2 da Histamina (Cimetidina, Ranitidina, Nizatidina e Famotidina).

Não há evidência robusta para o uso de profilaxia de UE, embora seu uso possa ser considerado, em pacientes com traumatismo raquimedular, traumatismo cranioencefálico, sepse, hepatectomia parcial, transplantes renal e hepático, politraumatizados, colonização por Helicobacter pylorii, etilismo, internação em UTI maior que uma semana, uso de dose alta de corticoides e sangramento digestivo por úlcera péptica há menos de seis meses. Não está recomendado o uso rotineiro de profilaxia medicamentosa para UE.

As Vias de Administração do IBP

Uma vez que a eficácia do IBP é a mesma, independentemente da via de administração, se o paciente tiver capacidade de deglutir, a via oral deverá ser a principal via de administração do fármaco. As indicações de uso intravenoso são restritas aos pacientes com sangramento por ulceração péptica ou com evidência endoscópica de sangramento recente, e que não podem utilizar a via oral.

Pode ser também usada em condições excepcionais, como hipersecreção gástrica associada com neoplasia, ZollingerEllison incapazes de fazer uso oral, risco de recorrente sangramento em pacientes com sangramento prévio e na prevenção de ulcerações por estresse (profilaxia de úlcera de estresse) em pacientes de alto risco internados em UTI e que não possam fazer uso da medicação por via oral.

Quando é indicado o uso dos Inibidores da Bomba de Prótons (IBP) ou os Antagonistas de Receptores de Histamina-2 (H2RA)?

Embora com grau de evidência fraco, os Guidelines recomendam preferir IBP aos H2RA (fisiopatologia e custo-efetividade), desde que corretamente indicada a profilaxia. Exceção é feita aos pacientes em uso de anti-agregação plaquetária com clopidogrel, cujo efeito pode ser reduzido, já que há uma inibição da enzima CYP2C19 (necessária para conversão da pró-droga) pelos IBP. Nestes casos, deve-se realizar a profilaxia com H2RA.

Os Efeitos colaterais da profilaxia farmacológica de UE

Alguns estudos têm demonstrado que as alterações no pH gástrico podem levar a um aumento na incidência de colite pseudomembranosa e colonização por Clostridium difficile, bem como um aumento da incidência de pneumonia em pacientes recebendo a profilaxia. Como já previamente exposto, a associação entre IBP e clopidogrel pode levar a eventos cardiovasculares devido a interação medicamentosa.

Veja também:

Que Medicamento é Esse?: Cloridrato de Ranitidina

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
UTI Adulto Enfermagem Intensiva Paciente Crítico Educação em Enfermagem
Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.