Entendendo a Bomba de Infusão

A bomba infusora ou bomba de infusão, é um dos mais práticos recursos hoje em dia disponíveis em Unidade de Terapia Intensiva, Salas de Emergência e até mesmo em algumas ambulâncias modernas. Através dela, podemos administrar de maneira totalmente confiável as drogas, fármacos mais delicados e de que precisam de mais atenção, de acordo com as vazões ou dosagem em mg/min ou ml/h.

É indicada para todo doente com prescrição de infusão de drogas vasoativas importantes, sedações contínuas, insulinas, soros de manutenção e reposição eletrolíticas, Nutrição parenteral prolongada ou Nutrição parenteral total, dietas enterais, antibioticoterapias rigorosas.

Há diversos modelos e tipos de bombas de infusão: Bomba de insulina, Bomba de ACP (Analgesia Controlada pelo Paciente), Bomba de seringa, Bombas peristálticas, Linear Peristálticas, Bomba de infusão volumétricas, etc. Os modelos variam de cada fabricante, portanto, uns são mais fáceis de aprender a manusear rapidamente do que o outro.

Segue na ilustração acima, dois modelos de bomba de infusão: Baxter Colleague com 3 canais diferentes, e Life Med monocanal.

São algumas das principais drogas utilizadas em UTI que requerem controle rigoroso por bomba de infusão (Veja mais sobre drogas utilizadas em UTI aqui):

  • As Vasoativas como Noradrenalina, dobutamina, dopamina, vasopressina, nipride (nitroprussiato de sódio), adrenalina.
  • As sedativas/analgesicas como Propofol, dormonid, fentanil, thiopental, precedex
  • Soros Compostos de manutenção que contenha KCL (Cloreto de potássio)

A Nutrição Parenteral Prolongada ou Total também utiliza de BI contínua.

Há também uma bomba de infusão específica para a dieta enteral:

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Bomba de infusão de dieta enteral Minimax

Importante lembrar:

Para evitar erros em administrar as medicações e a dieta enteral, o fabricante disponibiliza equipos com coloração diferenciada. No caso da dieta enteral, o equipo tem toda sua coloração azulada e uma parte siliconada para encaixar no rolete da bomba, tendo sua saída com o encaixe diferenciado e uma tampinha azul para fechar a sonda caso desprezar a mesma, para colocar em sonda enteral, como ilustra na foto abaixo:

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Equipo de dieta enteral para Bomba de Infusão

Para medicações e drogas que exigem proteção à luz por ter componentes fotossensíveis, a coloração é amarelada/alaranjada, conforme modelo de fabricante.

Conforme modelos de equipos fotossensíveis acima, a primeira foto corresponde à bomba de infusão Baxter, e a segunda foto corresponde à bomba de infusão Life Med. Claro que há outros diversos modelos de equipos e bombas, conforme a utilização dos mesmo no hospital, podem variar.
Cuidados de manuseio das Bombas de Infusão ao técnico de enfermagem

  • Fixar corretamente o aparelho ao suporte de soro e atentar para que o mesmo esteja realmente fixado para evitar quedas acidentais.
  • Sempre conectar a Bomba de Infusão à rede elétrica (110 ou 220V), para evitar danos à bateria interna, pois a mesma pode aguentar até 3 horas fora da tomada, e se manter sempre fora rede, pode acabar a eficiência da bateria, e também para caso precisar da mesma para transporte de paciente.
  • Fazer limpeza concorrente às bombas regularmente, limpando os canais, botões e roletes, evitando assim danos constantes aos aparelhos.
  • Ao instalar o equipo na bomba de infusão, atentar anteriormente ao preencher toda a extensão do equipo com a solução a ser infundida, assim evitando ter bolhas de ar em seu interior e assim não pausando a bomba a cada alerta de ar.
  • Nunca coloque o frasco do soro ou medicamento abaixo da bomba de infusão. Para manter um bom funcionamento da BI, mantenha a solução acima de 40cm do equipamento, evitando refluxo de solução ao copo do equipo e assim não alarmando o equipamento.
  • Atentar ao encaixe de silicone no rolete ou canal da bomba, de modo que os conectores fiquem justapostos e evite desencaixes acidentais, instalando primeiro o conector próximo ao frasco de soro e após o conector próximo ao paciente.
  • Verificar se o equipo já instalado a BI está conectado ao acesso do paciente.
  • Abrir a pinça corta fluxo do equipo.
  • Ligue a bomba, atentando pelo autoteste que o mesmo faz.
  • Programe a bomba de Infusão de acordo com o parâmetro exigido pelo médico ou pela prescrição médica.
  • Lembre-se que todo o equipo específico tem sua validade de 24 a 72 horas de uso contínuo (de acordo com cada protocolo hospitalar ou do fabricante), tomando o cuidado de sempre fechar a pinça corta fluxo antes de desconectar do paciente e do equipamento.

 

Conceitos básicos de Uti 

A unidade de terapia intensiva (UTI) caracteriza-se como “unidade complexa dotada de sistema de monitorização contínua que admite pacientes potencialmente graves ou com descompensação de um ou mais sistemas orgânicos e que com o suporte e tratamento intensivos tenham possibilidade de se recuperar”.

Conceito

A UTI nasceu da necessidade de oferecer suporte avançado de vida a pacientes agudamente doentes que porventura possuam chances de sobreviver, destina-se a internação de pacientes com instabilidade clínica e com potencial de gravidade. É um ambiente de alta complexidade, reservado e único no ambiente hospitalar, já que se propõe estabelecer monitorização completa e vigilância 24 horas.

As doenças são inúmeras o que torna muito difícil a compreensão de todas elas. Porém, os mecanismos de morte são poucos e comuns a todas as doenças. É atuando diretamente nos ditos mecanismos de morte que o médico intensivista tira o paciente de um estado crítico de saúde com perigo iminente de morte, pondo o mesmo em uma condição que possibilite a continuidade do tratamento da doença que o levou a tal estado (doença de base).

Exemplos mais comuns de doenças que levam a internação em UTI são:

• Infarto Agudo do Miocárdio;

• Desconforto Respiratório;

• Acidente Vascular Cerebral;

• hipotensão arterial refratária.

Ainda é função da UTI amenizar sofrimento tais como dor e falta de ar, independente do prognóstico.

Os profissionais que atuam nestas unidades complexas são designados intensivistas. A equipe de atendimento é multiprofissional e interdisciplinar, constituída por diversas profissões: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.

As UTI a partir da década de 1930 transformaram o prognóstico, reduzindo os óbitos em até 70%. Hoje todas especialidades utilizam-se das unidades intensivas, principalmente para controle de pós-operatório de risco. É muito importante tanto para o paciente como para família compreender a UTI como etapa fundamental para superação da doença, porém tão importante é aliviar e proporcionar conforto independente do prognóstico. A equipe está orientada no respeito a dignidade e autodeterminação de cada pessoa internada, estabelecendo e divulgando a humanização nos seus trabalhos, buscando amenizar os momentos vivenciados através do paciente e família.

A UTI é sem dúvida muito importante para o avanço terapêutico, porém impõe nova rotina ao paciente onde há separação do convívio familiar e dos amigos, que pode ser amenizada através das visitas diárias. Outro aspecto importante é a interação família-paciente com a equipe, apoiando e participando das decisões médicas.

A UTI tem suas origens nas salas de recuperação pós-anestésica (RPA), onde os pacientes submetidos à procedimentos anestésico-cirúrgicos tinham monitorizadas suas funções vitais (respiratória, circulatória e neurológica) sendo instituídas medidas de suporte quando necessário até o término dos efeitos residuais dos agentes anestésicos.

Conhecendo a estrutura física de uma UTI 

Cada UTI deve ser uma área geográfica distinta dentro do hospital, quando possível, com acesso controlado, sem trânsito para outros departamentos. Sua localização deve ter acesso direto e ser próxima de elevador, serviço de emergência, centro cirúrgico, sala recuperação pós-anestésica, unidades intermediárias de terapia e serviço de laboratório e radiologia.

exemplo de uma planta fisica de uti.

 Forma da Unidade

A disposição dos leitos de UTI podem ser em área comum (tipo vigilância), quartos fechados ou mista. A área comum proporciona observação contínua do paciente, é indicada a separação dos leitos por divisórias laváveis que proporcionam uma relativa privacidade dos pacientes.

As unidades com leitos dispostos em quartos fechados, devem ser dotadas de paineis de vidro para facilitar a observação dos pacientes. Nesta forma de unidade é necessário uma central de monitorização no posto de enfermagem, com transmissão de onda eletrocardiografica e freqüência cardíaca.

Unidades com quartos fechados proporcionam maior privacidade aos pacientes, redução do nível de ruído e possibilidade de isolamento dos pacientes infectados e imunossuprimidos.

Salas de isolamento são recomendáveis e cada instalação de saúde, deve-se considerar a necessidade de salas de isolamento com pressão positiva e negativa nestas salas. Esta necessidade vai depender principalmente da população de pacientes e dos requisitos do Ministério da Saúde.

exemplo de isolamento
postode enfermagem