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Na pediatria, o número de crianças internadas não mostra sozinho quanto trabalho a equipe de enfermagem terá. Uma criança estável, que deambula e se alimenta sozinha, pode exigir uma assistência completamente diferente daquela que necessita de ventilação, cuidados contínuos e dependência total. É justamente essa diferença que a Escala DINI ajuda a tornar objetiva.
O que é a Escala DINI?
A Escala DINI, também chamada de Instrumento de Classificação de Pacientes Pediátricos (ICPP), foi desenvolvida especificamente para avaliar o grau de dependência de cuidados de enfermagem da criança hospitalizada.
O instrumento possui 11 indicadores, cada um pontuado de 1 a 4, conforme a intensidade da necessidade assistencial. A pontuação total varia de 11 a 44 pontos: quanto maior o resultado, maior a complexidade e a dependência de cuidados de enfermagem.
A DINI foi construída e posteriormente aperfeiçoada por Dini e Guirardello, apresentando evidências de validade de conteúdo e de construto. Um dos diferenciais do instrumento é considerar não apenas procedimentos e condições clínicas, mas também aspectos relacionados à família e ao suporte disponível para a criança.
Os 11 indicadores avaliados
A classificação considera:
- Atividade;
- Intervalo de aferição de controles;
- Oxigenação;
- Terapêutica medicamentosa;
- Integridade cutaneomucosa;
- Alimentação e hidratação;
- Eliminações;
- Higiene corporal;
- Mobilidade e deambulação;
- Participação do acompanhante;
- Rede de apoio e suporte.
Cada indicador recebe de 1 a 4 pontos, de acordo com a situação encontrada durante a avaliação.
Por exemplo, uma criança em ventilação mecânica recebe pontuação maior no indicador de oxigenação do que aquela em respiração espontânea sem necessidade de suporte. Da mesma forma, uma criança totalmente dependente para higiene, mobilização e mudança de decúbito terá uma classificação diferente daquela que realiza essas atividades com autonomia.
Como interpretar a pontuação
Depois de avaliar os 11 indicadores, soma-se a pontuação obtida:
| Pontuação | Categoria de cuidado |
| 11 a 17 pontos | Cuidados mínimos |
| 18 a 23 pontos | Cuidados intermediários |
| 24 a 30 pontos | Alta dependência |
| 31 a 36 pontos | Cuidados semi-intensivos |
| 37 a 44 pontos | Cuidados intensivos |
Um detalhe importante para quem estuda para provas: 30 pontos ainda correspondem à alta dependência; 31 pontos já iniciam a classificação semi-intensiva. Essa diferença corrige uma inconsistência que aparece em materiais antigos da internet.
Na prática, imagine uma criança internada que, durante a avaliação, passa a necessitar de aspiração frequente, oxigenoterapia, administração de medicamentos por via parenteral e auxílio completo para higiene e mobilidade. Mesmo que seu diagnóstico principal não tenha mudado, a demanda de enfermagem aumentou, e a pontuação da DINI deve refletir essa nova realidade.
DINI e dimensionamento de enfermagem
A Escala DINI não deve ser confundida com uma escala de gravidade clínica ou utilizada isoladamente para decidir condutas médicas. Sua finalidade é caracterizar a dependência da criança em relação à equipe de enfermagem e contribuir para o planejamento da assistência e da força de trabalho.
O atual Parecer Normativo nº 1/2024 do Cofen reconhece a DINI como sistema de classificação aplicável à pediatria e ao berçário. O documento também determina que o enfermeiro registre diariamente a classificação dos pacientes segundo o SCP, utilizando essas informações como subsídio para a composição do quadro de enfermagem.
Outro ponto importante: para berçário e unidade de internação pediátrica, o parecer estabelece classificação mínima como cuidados intermediários para recém-nascidos e crianças menores de 6 anos, independentemente da presença do acompanhante.
O que muda na avaliação da criança?
A DINI deve ser aplicada a partir da condição observada no momento da avaliação, e não simplesmente repetindo a classificação anterior. Alterações respiratórias, neurológicas, nutricionais, de mobilidade, eliminações ou necessidade de procedimentos podem modificar a pontuação.
Em uma situação comum de plantão, por exemplo, uma criança que chegou deambulando pode permanecer algumas horas depois restrita ao leito após uma intercorrência clínica. Se a equipe apenas repetir a pontuação registrada anteriormente, a classificação deixa de representar a demanda real daquele paciente.
Por isso, a avaliação precisa acompanhar a evolução clínica e assistencial da criança, com registro objetivo dos dados que sustentaram a pontuação.
Cuidados de enfermagem
A aplicação da DINI deve fazer parte de uma avaliação sistematizada. O enfermeiro deve observar a condição clínica e funcional da criança, conferir as necessidades de cada indicador, somar corretamente os pontos e registrar o resultado no prontuário ou sistema institucional.
Também é importante evitar que a pontuação seja utilizada de forma automática. A classificação deve representar a condição atual da criança e ser analisada junto às demais informações da assistência, especialmente quando houver mudança clínica ou aumento da demanda de cuidados.
Em uma unidade pediátrica, uma classificação bem registrada também facilita a passagem de plantão: ao informar que determinado paciente passou de alta dependência para semi-intensivo, por exemplo, a equipe consegue identificar rapidamente que houve aumento da necessidade de assistência e quais aspectos devem ser observados com maior atenção.
Para guardar para a prova
A Escala DINI possui 11 indicadores, cada um com pontuação de 1 a 4, totalizando de 11 a 44 pontos. A classificação vai de cuidados mínimos a cuidados intensivos, e o instrumento é específico para pacientes pediátricos.
A sequência correta é:
11–17: mínimos | 18–23: intermediários | 24–30: alta dependência | 31–36: semi-intensivos | 37–44: intensivos.
A DINI ajuda o enfermeiro a transformar a dependência de cuidados em uma classificação objetiva, contribuindo para a organização da assistência e para o planejamento da força de trabalho.
Escala DINI
- Avalia a dependência de cuidados de enfermagem em pediatria
- Possui 11 indicadores pontuados de 1 a 4
- A pontuação total varia de 11 a 44 pontos
- Classifica os cuidados de mínimos a intensivos
Referências:
- DINI, Ariane Polidoro; GUIRARDELLO, Edinêis de Brito. Sistema de classificação de pacientes pediátricos: aperfeiçoamento de um instrumento. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 48, n. 5, p. 787-793, 2014. DOI: 10.1590/S0080-6234201400005000003.
- DINI, Ariane Polidoro; GUIRARDELLO, Edinêis de Brito. Construção e validação de um instrumento de classificação de pacientes pediátricos. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 26, n. 2, p. 144-149, 2013. DOI: 10.1590/S0103-21002013000200007.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN: parâmetros para o planejamento da força de trabalho da Enfermagem pelo Enfermeiro. Brasília, DF: Cofen, 2024.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 743, de 12 de março de 2024. Revoga a Resolução Cofen nº 543/2017. Brasília, DF: Cofen, 2024.
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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