Filtro Respiratório Umidificador: Entenda sua importância

Os Filtros Respiratórios Umidificadores,  são dispositivos utilizados em conjunto com ventiladores mecânicos e aparelhos de anestesia, para pacientes sob ventilação mecânica artificial, cuja função é aquecer e umidificar os gases medicinais, protegendo assim o sistema respiratório do paciente, além de atuar como barreira, filtrando bactérias e vírus, sendo então, indicado para controlar a disseminação infecciosa pois evita a infecção cruzada paciente – ventilador.

A Importância da Utilização

Nas Unidades de Terapia Intensiva e no Centro Cirúrgico, durante anestesia, é comum pacientes estarem submetidos à ventilação mecânica, nesse momento o risco de lesões do sistema respiratório se eleva, pois as funções fisiológicas de aquecimento e umidificação não estão sendo realizadas.

Os gases medicinais são totalmente desprovidos de calor e umidade e a ação exercida por eles ao paciente pode não ser tão benéfica, sendo assim, estes filtros são eficazes na preservação da temperatura do sistema respiratório e umidade da via aérea, além de diminuir o acúmulo de liquido no circuito e desta forma reduzir a contaminação do sistema respiratório, combinando propriedades de umidificação com propriedades de retenção bacteriana através de membranas que, desta forma, protegem pacientes mecanicamente ventilados.

Os Tipos de Filtros

Os Filtros HME (Heat and moisture exchanger/Trocador de calor e umidade)

São definidos pela American Society for Testing and Materials, como umidificadores passivos, todavia os filtros HME, segundo a literatura médica mundial, são agrupados em três grandes categorias:

  • Umidificadores com condensadores higroscópicos sem propriedades de filtração antimicrobiana, apenas realizam a troca de calor e umidade;
  • Umidificadores hidrofóbicos que atuam como barreira, mas com pobre poder de produção de umidificação;
  • Umidificadores mistos, ou seja, higroscópico e hidrofóbico possuem adequada propriedade de produção de umidade e calor e ótima ação de barreira microbiológica exercida por membrana eletrostática. Esta categoria acaba recebendo, por alguns autores, a nomenclatura HMEF, ou seja, trocador de calor e umidade com poder de filtração.

Os Filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air/Ar em partículas de alta eficiência)

O dispositivo de filtragem de alta eficiência de partículas adentra à categoria dos filtros hidrofóbicos, pois em geral são constituídos por membranas de fibra de vidro ou cerâmica, atuando como barreira mecânica, sendo destinado à proteção do equipamento ventilatório, a fim de garantir que o mesmo não seja contaminado e, internamente, que seus componentes funcionem adequadamente.

Em que situações ambos são utilizados?

Os Filtros HME em todas suas versões (adulto, pediátrico e neonatal), são filtros MISTOS, bidirecional, sua membrana filtrante é eletrostática, com poro de 0,02µm, garantindo assim bloqueio de aerossóis, podem ser utilizados de maneira tranquila e segura em pacientes suspeitos e/ou confirmados com coronavírus, sua eficácia de filtragem BFE é de 99,9999% e a VFE de 99,9998%.

Os Filtros HEPA, possuem volumetria ampla (150 a 1500 ml), dessa forma atende de forma vasta o público pediátrico e adulto. Sua membrana filtrante é constituída por fibra de vidro plissada com poro de 0,02µm, que de maneira mecânica bloqueia a passagem de aerossóis, a BFE é de 99,9999% e a VFE de 99,9998%.

O uso associado do Filtro HME, na conexão Y, com o Filtro HEPA, na saída exalatória, aumenta ainda mais a proteção contra a disseminação de aerossóis, sendo recomendado o uso, em concordância com diversas recomendações mundiais.

O Espaço Morto

A Traqueia corrugada ou Espaço Morto fornece uma mobilidade melhorada ao manuseio do circuito ventilatório acoplado ao sistema de filtragem juntamente com o tubo orotraqueal, diminuindo riscos de exteriorização acidental do tubo e do sistema ventilatório acoplado ao paciente, além de que, o, possibilita visualização de obstruções, permite acompanhar o funcionamento do filtro através do contato visual do condensado e conectores ISO cônicos.

Alguns Cuidados com os filtros que são recomendados:

  • Manter o produto em ambiente limpo, seco e arejado;
  • Proteger da umidade e da luz solar direta;
  • Recomendado uso máximo de 48 horas;
  • Caso haja sujidade antes do tempo máximo de uso, deverá ser descartado e instalado um novo sistema de filtragem;
  • Descartar preferencialmente em lixo hospitalar infectante.

Referências:

  1.  Esquinas A., 2012 – Humidicication in the Intensive Care Unit – The essentials. Springer;
  2. Galvão A. M. et al 2006 – Estudo comparativo entre os sistemas de umidificação aquoso aquecido e trocador de calor e de umidade na via aérea artificial de pacientes em ventilação mecânica invasiva. Rev. bras. fisioter., São Carlos, v. 10, n. 3, p. 303-308, jul./set. 2006;
  3. Gatiboni S. et al, – Umidificação dos gases inspirados na ventilação mecânica em crianças. – Scientia Medica, Porto Alegre, v. 18, n. 2, p. 87-91, abr./jun. 2008.;
  4. Lucato J., 2005 – Avaliação e comparação dos diferentes tipos de trocadores de calor e umidade. – Tese de Doutorado, Faculdade de Medicina de Universidade de São Paulo. / Sociedade Argentina de Terapia Intensiva / Sociedade Chilena de Medicina Intensiva / Federação Mundial das Sociedades de Anestesiologistas
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