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Tonalidades da Icterícia
A icteríciaé uma condição que se caracteriza pela coloração amarelada da pele, das mucosas e do branco dos olhos, causada pelo acúmulo de bilirrubina no organismo. A bilirrubina é um pigmento amarelo que resulta da degradação da hemoglobina, a proteína que transporta o oxigênio no sangue.
Tonalidades da Icterícia
Existem diferentes tipos de icterícia, de acordo com a sua origem e as suas consequências. As principais tonalidades da icterícia são:
– Flavínica: é a icterícia mais comum, que ocorre quando há um aumento da produção de bilirrubina ou uma diminuição da sua eliminação pelo fígado. Pode ser causada por doenças hepáticas, como hepatites, cirrose, câncer ou obstrução dos ductos biliares. A pele e as mucosas adquirem uma tonalidade amarelo-ouro ou amarelo-esverdeado.
– Verdínica: é a icterícia que surge quando há uma conversão da bilirrubina em biliverdina, um pigmento verde, pela ação de bactérias no intestino. Pode ser causada por infecções intestinais, obstrução intestinal ou fístulas entre o intestino e o fígado. A pele e as mucosas adquirem uma tonalidade verde-oliva ou verde-azulada.
– Rubínica: é a icterícia que ocorre quando há uma produção excessiva de bilirrubina conjugada, uma forma solúvel do pigmento, que se difunde pelos tecidos e pelos líquidos corporais. Pode ser causada por doenças renais, como insuficiência renal ou síndrome nefrótica, ou por alterações na permeabilidade dos capilares. A pele e as mucosas adquirem uma tonalidade vermelho-alaranjado ou vermelho-cereja.
– Melânica: é a icterícia que se manifesta quando há uma deposição de melanina, um pigmento escuro, na pele e nas mucosas, associada à bilirrubina. Pode ser causada por doenças endócrinas, como hipotireoidismo ou doença de Addison, ou por exposição à luz solar. A pele e as mucosas adquirem uma tonalidade marrom-escuro ou preto.
Referências:
Santos JS, Kemp R, Sankarankutty AK, Salgado W Jr, Souza FF, Teixeira AC, et al. Protocolo clínico e de regulação para o tratamento de Icterícia no adulto e idoso: Subsídio para as redes assistenciais e o complexo regulador. Acta Cir Bras. 2008;23 Supl. 1:133-42.
Conversão de Medidas de Medicamentos
A conversão de medidas de medicamentos é um processo importante para evitar erros de dosagem e garantir a segurança dos pacientes.
As Unidades
As unidades mais comuns de medida de massa usadas em medicamentos são o kilograma (kg), a grama (g), o miligrama (mg) e o micrograma (mcg). Para converter entre essas unidades, basta lembrar que:
1 kg = 1000 g
1 g = 1000 mg
1 mg = 1000 mcg
Assim, para converter uma medida de uma unidade para outra, basta multiplicar ou dividir por 1000, dependendo se a unidade é maior ou menor.
Por exemplo, para converter 5 g em mg, basta multiplicar por 1000 e obter 5000 mg. Para converter 200 mcg em mg, basta dividir por 1000 e obter 0,2 mg.
É importante prestar atenção nas casas decimais e nos zeros à esquerda ou à direita, pois um erro pode levar a uma diferença significativa na quantidade de medicamento administrada.
Por isso, recomenda-se usar uma calculadora ou uma tabela de conversão para facilitar o cálculo e evitar confusões.
As tarjas de medicamentos são uma forma de classificar os remédios conforme o grau de risco que eles oferecem à saúde do consumidor e as exigências para a sua venda.
Existem quatro tipos de tarjas: sem tarja, vermelha, preta e amarela.
Os Tipos
Medicamento sem tarja
Os medicamentos isentos de prescrição (MIP) não necessitam de receita médica para que sejam vendidos. No entanto, os MIPs cumprem com todos os demais requisitos de qualidade, segurança e eficácia exigidos pela legislação sanitária em vigor. Estão descritos na Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição (LMIP) e são indicados para tratamento de doenças não graves e com evolução lenta ou inexistente;
Tarja vermelha
São remédios que oferecem risco intermediário de efeitos adversos ao usuário e devem ser prescritos pelo profissional de saúde. Estes estão divididos em duas subcategorias: sem retenção de receita, ou seja, não ficam com a farmácia depois da aquisição, e com retenção, que ficam de posse da farmácia por estarem sujeitos a controle especial. A embalagem desse tipo de medicamento tem de informar a necessidade de prescrição médica e de retenção de receita, quando for o caso – além dos riscos.
Tarja preta
Para a segurança do paciente, esses medicamentos precisam de um controle maior na hora de ser adquirido. Esses remédios geralmente afetam o sistema nervoso central, por isso podem causar dependência ou levar à morte. Medicamentos de tarja na cor preta só podem ser adquiridos mediante apresentação de prescrição médica que deve ser retida com o farmacêutico.
Tarja amarela
Há também o grupo dos medicamentos genéricos, com faixa na cor amarela. Eles pertencem tanto ao grupo dos medicamentos tarjados quanto dos não tarjados, sendo que, em ambos os casos, o medicamento possui a tarja amarela em sua embalagem. Entretanto, quando pertencente ao grupo dos tarjados, a embalagem possui a tarja amarela junto com a tarja vermelha ou preta. Esses medicamentos podem ou não exigir receita médica.
As letras utilizadas nos rótulos para identificação do nome comercial do medicamento e para a denominação genérica dos princípios ativos devem ser de fácil leitura e ostentar o mesmo destaque.
Você sabia?
No Brasil, é proibida a utilização de cores nos rótulos de medicamentos que possam causar confusão ou erro na identificação da faixa vermelha.
Os rótulos das embalagens dos medicamentos com destinação institucional destinados ao Ministério da Saúde, para distribuição através de programas de saúde pública, devem obedecer à identificação padronizada e descrita no Manual de Identificação Visual para Embalagens de Medicamentos.
Referência:
1. Ministério da Saúde
Que Medicamento é Esse?: Dexmedetomidina
O Cloridrato de Dexmedetomidina é um agonista alfa-2 adrenérgico relativamente seletivo indicado para sedação em pacientes (com e sem ventilação mecânica) durante o tratamento intensivo (na Unidade de Terapia Intensiva, salas de cirurgia ou para procedimentos diagnósticos).
Como Funciona?
O Cloridrato de Dexmedetomidina promove sedação (indução de um estado calmo) sem diminuição da frequência respiratória. Durante esse estado os pacientes podem ser despertados e são cooperativos. O inicio de ação deste medicamento ocorre em até 6 minutos e a meia vida (tempo necessário para que a quantidade da substância administrada na corrente sanguínea se reduza à metade) de eliminação é de cerca de 2 horas.
Os Efeitos Colaterais
Em geral, os eventos indesejáveis mais frequentemente observados, emergentes do tratamento foram hipotensão, hipertensão, bradicardia, febre, vômitos, hipoxemia (níveis baixos de oxigênio no sangue), taquicardia(rapidez excessiva no funcionamento do coração), anemia, boca seca e náusea.
Os Cuidados de Enfermagem
Cloridrato de dexmedetomidina deve apenas ser utilizado por profissionais treinados no cuidado de pacientes que necessitam de tratamento intensivo ou em sala de operação. Devido aos conhecidos efeitos farmacológicos de Cloridrato de dexmedetomidina os pacientes devem ser monitorados continuamente enquanto estiverem recebendo Cloridrato de dexmedetomidina.
Deve haver cautela quando utilizar Cloridrato de dexmedetomidina em pacientes com bloqueio cardíaco avançado e/ou disfunção ventricular grave. Uma vez que Cloridrato de dexmedetomidina diminui as atividades do sistema nervoso simpático (resposta do corpo em situações estressantes), hipotensão e/ou bradicardia podem ser esperadas por serem mais pronunciados em pacientes com hipovolemia (quando há pouco líquido dentro dos vasos sanguíneos), diabetes mellitus ou hipertensão (pressão arterial alta) crônica e em pacientes idosos.
Cloridrato de Dexmedetomidina pode induzir hipertermia que pode ser resistente aos métodos tradicionais de resfriamento. Cloridrato de Dexmedetomidina deve ser descontinuado e a hipertermia deve ser tratada com medidas clínicas convencionais.
Retirada da Sonda Vesical de Demora (SVD)
A Retirada de Sonda Vesical de Demora é um procedimento de enfermagem diferente da Inserção do Cateter Vesical de Demora. É uma técnica de menor complexidade, que oferece menos riscos ao paciente em relação a inserção.
Objetivo
Permitir a retomada das funções fisiológicas normais do aparelho urinário.
Material
01 Par de luvas de procedimento;
05 unidades de gaze não esterilizadas;
01 unidade de saco de lixo;
01 seringa de 20ml sem rosca.
Passo a Passo
1º Explicar ao paciente sobre o procedimento e sua finalidade, se possível;
2º Preparar o ambiente: observar boa iluminação, colocar biombo e fechar portas e janelas;
3º Preparar o material e levar até a mesa de cabeceira do cliente;
4º Higienizar as mãos (PRT.CCIRAS.001);
5º Calçar as luvas;
6º Posicionar o paciente em decúbito dorsal e descobrir apenas a região genital, respeitando sua privacidade;
7º Retirar a fixação da sonda;
8º Adaptar a seringa na via do balonete e aspirar o seu conteúdo;
9º Pegar as gazes e segurar a sonda com as gazes;
10º Tracionar a sonda retirando-a lentamente e delicadamente, desprezando-a no saco de lixo;
11º Realizar a higienização da região genital;
12º Deixar o paciente confortável;
13º Deixar o ambiente em ordem;
14º Retirar as luvas e higienizar as mãos (PRT.CCIRAS.001);
15º Monitorar o paciente para verificar se conseguirá retomar suas eliminações sem auxílio de procedimentos, como: abertura de torneira, inserção de compressa morna na região
hipogástrica. Não realizar a manobra de Crede.
16º Realizar a anotação do procedimento no prontuário eletrônico AGHU, relatando a quantidade de diurese presente no coletor antes da retirada do cateter.
Observações
No que compete a equipe de enfermagem: este procedimento pode ser executado pelo enfermeiro e/ou técnico de enfermagem sob supervisão.
A manobra de Crede coloca em risco o paciente, visto que ocasiona uma pressão negativa intrabdominal, que favorece o refluxo vesicouretral, predispondo o paciente à infecções.
Monitorar o cliente para verificar se irá conseguir retomar a diurese espontaneamente.
Verificar se há presença de globo vesical na região hipogástrica e, se houver, discutir com o médico responsável sobre a necessidade de realizar cateterismo intermitente.
Para a retirada do cateter vesical, não se indica a realização de treinamento vesical. Apesar dessa prática ser comum na rotina dos serviços de saúde, não possui evidências científicas de benefício. A restauração do tônus vesical ocorre naturalmente após a retirada do cateter.
Caso isso não aconteça, sugere-se que o paciente possui algum comprometimento do músculo detrusor, como bexiga neurogênica. A disfunção vesical do trato urinário inferior pode ser sequela de diversas doenças neurológicas e dificulta o esvaziamento vesical sendo que para estes casos, é necessário realizar acompanhamento com urologista e uso de cateter vesical intermitente, conforme avaliação multiprofissional.
Referências:
HU-UFGD. Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados. Ministério da Educação. EBSERH. PRT nº01 da CCIRAS – Higiene das Mãos. 10ª edição. Publicado no Boletim de Serviço nº 255 de 03/05/2021, Portaria nº 42 de 20/01/2021. Dourados, 2021.
CRAVEN, R. F.; HIRNLE, C. J. Fundamentos de Enfermagem: saúde e função humanas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. TEIXEIRA, M.M.B. Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas. Governo do Estado do Amazonas. POP GA-TSVDH/03 – Troca de sonda vesical de demora (Homens). Versão 1. Manaus, 2017. Disponível em: http://www.fcecon.am.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/POP-AMBULATORIO.pdf.
A Discopatia e seus tipos
A discopatia é uma doença degenerativa que afeta o disco intervertebral. Esse disco serve como um amortecedor entre as vertebras, evitando que as mesmas sofram grandes traumas, como pancadas e lesões. O disco intervertebral é constituído por duas partes:
O núcleo pulposo: Uma substância semelhante a um gel que atua como um amortecedor de choque;
O anel fibroso: Um anel de fibras resistentes que envolve o núcleo pulposo e o mantém no seu lugar.
Causas
A discopatia ocorre quando existe um degeneração do disco, o que pode acontecer por várias razões. A mais comum é a discopatia degenerativa, associada ao envelhecimento, pois, com o passar dos anos, tanto o núcleo pulposo como o anel fibroso, começam a se desgastar de forma natural.
A discopatia costuma atingir principalmente a região lombar, embora também possa afetar as regiões cervicais e torácicas.
Além do envelhecimento, existem outras causas que podem acelerar este processo, como por exemplo:
Traumatismo ou lesão da coluna vertebral;
Obesidade;
Má postura;
Osteoporose;
Tabagismo;
Hérnia de disco.
Os Tipos
Hérnia de disco: Quando o núcleo pulposo rompe através do anel fibroso, pode comprimir os nervos que passam por esta área.
Degeneração do disco: Esta é uma condição em que o disco perde a sua capacidade de absorver choques, causando dor quando há qualquer tipo de movimento.
Osteoartrose: Uma doença degenerativa que afeta as articulações.
Traumas: Um golpe ou lesão na coluna vertebral pode causar discopatia.
Sintomas
O sintoma mais comum é a dor na lombar baixa, que pode ser aguda ou crônica. Em alguns casos, a dor pode irradiar para outras áreas, como as nádegas, pernas e pés. A dor pode também ser agravado ao tossir, espirrar, ou durante longos períodos sentado.
Outros sintomas incluem:
Fraqueza muscular;
Entorpecimento ou formigueiro nas pernas;
Dificuldade em andar;
Incontinência da bexiga ou do intestino.
Se sentir algum destes sintomas, é importante consultar um fisioterapeuta.
Grupos de risco para a discopatia
Os seguintes grupos de pessoas estão em maior risco de discopatia:
Pessoas com mais de 40 anos de idade;
Sedentarismo;
Pessoas que já sofreram lesões anteriores na coluna vertebral;
Obesidade;
Gestantes.
Diagnóstico
O diagnóstico da discopatia é feito por um especialista, que realizará um exame clínico e perguntará sobre a seu histórico médico. Em alguns casos, poderão ser necessários outros exames, como raios-X, tomografia computorizada (TC), ou ressonância magnética (MRI).
Estes testes podem ajudar a excluir outras causas de dor lombar, como uma hérnia discal ou estenose espinhal.
Discopatia e Tratamento
O tratamento da discopatia dependerá da gravidade dos seus sintomas. Na maioria dos casos, medidas conservadoras, como fisioterapia e exercício, são suficientes para aliviar a dor e melhorar o funcionamento. No entanto, em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária.
O objetivo da fisioterapia é reduzir a dor e melhorar o funcionamento da coluna vertebral. Um fisioterapeuta irá desenvolver um plano de tratamento personalizado para si, que poderá incluir:
Exercícios para fortalecer os músculos que suportam a coluna vertebral;
Exercícios para melhorar a flexibilidade;
Terapia manual;
Terapia por calor ou gelo;
Ultrassom.
Se medidas conservadoras não conseguirem aliviar os seus sintomas, poderá ser recomendada a cirurgia.
Para a cirurgia é comum para a discopatia a realização de um discograma, que envolve a injeção de um corante no disco para ajudar a diagnosticar a fonte da sua dor. Existem alguns tipos de cirurgia para a discopatia, como a fusão espinal,que utiliza de enxertos ósseos, placas e parafusos para fundir duas ou mais vértebras.
Em alguns casos, a cirurgia do disco pode também ser necessária para remover o disco e aliviar a pressão sobre a raiz nervosa.
Porém, a cirurgia só é necessária em casos específicos e somente se o atendimento conservador não estiver dando os resultados esperados.
Referência:
Rivero-Arias O, Campbell H, Gray A, Fairbank J, Frost H, Wilson-MacDonald J. Surgical stabilisation of the spine compared with a programme of intensive rehabilitation for the management of patients with chronic low back pain: cost utility analysis based on a randomised controlled trial.BMJ. 2005 May 28;330(7502):1239. Epub 2005 May 23.
Partograma: Como é preenchido?
O partograma é uma representação gráfica do trabalho de parto, conforme exigência do governo federal, contando a história do nascimento de um ponto de vista médico.
Para todos os procedimentos médicos, há um prontuário a ser preenchido, com as informações do paciente, medicações, sintomas e tudo que diz respeito ao andamento do tratamento.
O partograma é o documento oficial que deve ser preenchido pela equipe médica ao longo do trabalho de parto.
Como mencionamos, ele é uma representação gráfica da evolução do parto.
Há algumas variações nos modelos, mas ele basicamente registra a frequência das contrações uterinas, os batimentos cardíacos fetais e a dilatação cervical materna com o passar das horas.
Esses registros servem para avaliação posterior se o trabalho de parto está dentro dos padrões considerados normais.
Importância do partograma na saúde
O uso do partograma para acompanhamento do trabalho de parto é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil.
Ele é utilizado pelo governo brasileiro como uma das medidas de estímulo ao parto normal.
O partograma mostra a evolução do trabalho de parto e possibilita um acompanhamento preciso do procedimento e do final da gestação como um todo.
É um procedimento muito importante para a saúde da paciente e do bebê, e para fiscalizar a conduta obstétrica.
Além disso, desde 2015, os planos de saúde só podem fazer o pagamento dos procedimentos com a apresentação desse documento.
É uma forma de coibir as cesarianas marcadas com antecedência, sem necessidade médica.
Os planos só têm a obrigação de reembolsar as cesáreas prescritas por profissionais da saúde ou que se tornam necessárias por complicaçõesdurante um trabalho de parto difícil.
Segundo estudos da Cochrane, citados pela Fiocruz, o uso do partograma melhora desfechos obstétricos e reduz taxas de cesariana em países de baixa/média renda.
Para as equipes de saúde, o partograma é uma medida que colabora para a proteção legal do profissional, além de facilitar os registros, principalmente em equipes grandes e multidisciplinares e em turnos com troca de plantão.
Preenchimento do partograma é obrigatório?
Recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 1994 e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Abrasgo) desde 1998, o partograma enfim tornou-se obrigatório no Brasil em 2015.
A medida entrou de carona em um pacote criado pelo governo com o propósito de estimular os partos normais na rede privada, responsável por 84% das cesarianas até então.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na época, a cesariana sem indicação médica aumenta em 120 vezes o risco de problemas respiratórios para o bebê e triplica o risco de morte da mãe.
Entre outras medidas, os planos de saúde ficaram obrigados a orientar os médicos para a utilização do partograma em todos os partos.
Quais informações constam no partograma?
O partograma deve considerar a fase ativa do trabalho de parto.
Por conceito, o diagnóstico de trabalho de parto ativo é o seguinte: contrações uterinas regulares que causam esvaecimento e dilatação cervical a partir de, no mínimo, 3 centímetros.
Tudo que acontece a partir daí precisa estar registrado no partograma, um documento que deve ser preenchido de hora em hora ou a cada reavaliação da paciente.
Identificação
O partograma é composto basicamente por quatro partes.
A primeira se refere à identificação da paciente.
Cada instituição pode ter um modelo específico, mas as informações que nunca vão faltar são:
Nome completo
Documento/atendimento
Idade da gestante
Idade gestacional (geralmente em semanas).
Dilatação e altura do feto
A segunda parte do partograma traz o acompanhamento da dilatação e a altura do feto, informações que devem ser anotadas a cada toque vaginal realizado.
O preenchimento é feito da esquerda para a direita, pois um dos vetores do gráfico é a passagem do tempo, como mostra o gráfico acima, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A cada nova informação, é importante marcar a hora do trabalho de parto e o horário real de verificação de cada medida.
Esses dados são registrados por meio de símbolos: o triângulo é referente à dilatação e o círculo, à altura do feto.
Chamam a atenção neste gráfico duas linhas: a linha de alerta e a linha de ação.
As duas aparecem em um ângulo de 45 graus e devem ocupar uma área de quatro quadrados.
A linha de alerta começa na segunda hora do partograma, e o trabalho de parto deve acompanhar esta linha.
Ou seja, se a representação do parto ultrapassar essa linha, é motivo de atenção.
Já a linha de ação mostra a necessidade de intervenção, não necessariamente a cesariana.
Batimentos fetais
A terceira parte do partograma é o registro de batimentos cardíacos do feto.
Basta marcar um ponto em cima da linha referente ao número de batimentos por minuto verificado.
Na sequência, vem o registro das contrações, que funciona também de forma gráfica.
Para as contrações efetivas, o quadrado é todo pintado.
Os quadrados pintados pela metade, com uma divisão na diagonal, se referem às contratações que não são efetivas, mas que duram entre 20 e 39 segundos.
O número de quadrados pintados representa a quantidade de contrações a cada 10 minutos.
Uso de ocitocina, aspecto do líquido amniótico e da bolsa
A quarta parte do partograma traz as três últimas informações necessárias para acompanhar a evolução do trabalho de parto.
Este trecho indica se foi feito o uso de ocitocina, o aspecto do líquido amniótico e a situação da bolsa amniótica.
A ocitocina (ou oxitocina) é um hormônio produzido pelo cérebro que proporciona a realização do parto e a amamentação.
Em casos de baixa frequência ou intensidade das contrações uterinas, pode ser feita a aplicação desse hormônio, como forma de induzir o parto.
No partograma, a equipe de saúde indica se o uso é feito ou não e qual a quantidade.
Esse costuma ser o último item do documento.
Antes dele, há uma linha que se refere à bolsa, que pode estar marcada como íntegra ( I ) ou rota ( R ), indicando se já se rompeu ou não.
A partir da ruptura, é possível verificar o LA (líquido amniótico), que é preenchido como líquido claro (LC) ou líquido meconial (LM).
O mecônio é o nome dado às primeiras fezes do bebê, que costumam ser expelidas depois do nascimento.
A presença de resíduos no líquido amniótico, antes da saída do útero, pode indicar que o feto está passando por dificuldades.
A passagem de plantão é um momento importante para a comunicação entre os profissionais de enfermagem e para a continuidade da assistência aos pacientes. Nela, são transmitidas informações sobre o estado clínico, as intervenções realizadas, as pendências e as orientações para o próximo turno.
SBAR e IPASS
O Institute for Healthcare Improvement desenvolveu a SBAR (técnica de comunicação denominada Situation, Background, Assessment, Recommendation), que é recomendada para organizar o processo de passagem de plantão, consistindo em técnica estruturada, clara e precisa de fornecimento e registro de informações.
Já o modelo IPASS é composto por elementos como gravidade da doença, resumo do paciente, ações pendentes, avaliação da situação/planejamento e síntese.
Essas técnicas apoiam a passagem de plantão na enfermagem para que ela cumpra seu objetivo de oferecer uma visão geral da unidade que assumirá as atividades e dos assuntos institucionais. E, junto com elas, outras práticas também se fazem importantes.
A Passagem de Plantão
Comunique com objetividade
Durante a passagem de plantão na enfermagem, a comunicação deverá ser conduzida de forma clara e concisa. Atente-se a cada detalhe do cuidado que foi prestado ou deverá ser oferecido ao paciente. Através da captação dessas informações, o enfermeiro terá embasamento para mapear as demandas assistenciais, integrar e otimizar os recursos administrativos e humanos.
Atente-se ao tempo
Também é importante que essa interação aconteça em tempo controlado, para evitar horas extras. Por isso, mais uma vez, a objetividade é a chave, para transmitir o que precisa sem estender demais esse momento. Existem até limites preconizados por cada instituição.
Faça em local propício
A escolha de um ambiente reservado e livre de interrupções também se faz necessário durante a passagem de plantão na enfermagem, a fim de garantir a privacidade dos pacientes e colaboradores.
Lembrando que, segundo parecer do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o profissional de enfermagem que não faz passagem de plantão comete uma infração ética disciplinar. Contudo, estes não estão isentos da ocorrência de imprevistos no seu cotidiano, sendo imperativo que haja normas e rotinas disciplinares na instituição.
Prepare a adequação da escala
Geralmente é nesse momento que as informações de faltas e atrasos são recebidas, e o enfermeiro que assumirá o plantão se responsabilizará em promover a adequação da escala. Para evitar alterações de última hora, contar com ferramentas de gestão de escalas pode fazer a diferença.
Como descrever passagem de plantão
De acordo com parecer do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), os principais aspectos que devem ser abordados durante a passagem de plantão na enfermagem são:
condições gerais de saúde do paciente e/ou sua alteração e a conduta proposta;
realização de exames (e se o paciente está sob preparo para fazer algum);
presença de soros, drenos, sondas;
modo de transporte (maca, cadeira, deambulando);
materiais usados e a serem repostos, e as condições dos equipamentos.
A importância da passagem de plantão na enfermagem
A passagem de plantão na enfermagem é uma prática fundamental e indispensável nos diversos setores de atuação, com caráter estratégico para a continuidade dos cuidados e reflexos nos excelentes resultados.
Quanto mais recursos para colaborar com essa tarefa, mais efetiva ela será e, por consequência, maiores as chances de sucesso no cuidado assistencial e eficiência operacional.
O “Trach Care” ou sistema fechado de aspiração de secreções, remove secreções traqueais de pacientes com ventilação mecânica (VM) que não devem ser desconectados, quando houver secreção visível em via aérea, presença de ruído no tubo traqueal, desconforto respiratório do paciente, queda da saturação, oscilações da curva de fluxo do ventilador.
Indicação
Em pacientes isolados por aerossolterapia, garantindo maior segurança ao profissional envolvido no procedimento.
Materiais necessários para este procedimento
Sistema de aspiração fechado de número compatível com peso e idade;
Soro fisiológico;
Seringa;
Ampola de soro fisiológico;
Agulha;
Intermediário de aspiração;
Equipamentos de proteção individual.
Etapas
Higienizar as mãos;
Escolher conector e tubo avaliando a idade e peso;
Conferência de todos os materiais necessários;
Utilizar equipamentos de proteção individual na ordem a seguir: Avental, Máscara N95 ou FFP2 e Máscara cirúrgica, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Gorro e Luvas de procedimento.
Posicionar o paciente com cabeceira elevada à 30º – 45º;
Explicar procedimento ao paciente;
Realizar a abertura da sonda de aspiração;
Reservar o invólucro para auditoria;
Avaliar o tamanho do sistema do trach care que será conectado de acordo com o tamanho do tubo oro traqueal do paciente;
Retirar o conector do tubo oro traqueal e conectar o adaptador escolhido de acordo com o tamanho do tubo;
Conectar o circuito do respirador a segunda conexão do adaptador do trach care;
Identificar o circuito com fita adesiva colorida que compõe o kit do trach care de acordo com o dia da semana no qual o mesmo foi instalado (O tempo de troca do dispositivo será a cada 72h);
Conectar o intermediário de aspiração no vácuo;
Antes de conectar o sistema fechado ao paciente, realizar o teste de sucção ativando a válvula com o polegar;
Conectar a válvula de controle ao dispositivo de aspiração;
Conectar dispositivo lateral do conector ao sistema de ventilação;
Aspirar soro fisiológico em uma seringa;
Abrir e testar o funcionamento do sistema de aspiração;
Conectar o intermediário de aspiração (látex) no sistema de aspiração fechado;
Caso haja necessidade, ajustar no ventilador mecânico FO2 de 100% ou modo de aspiração se este estiver disponível, com o objetivo de pré-oxigenar antes do procedimento;
Girar a trava de segurança do sistema de aspiração para abrir o sistema;
Introduzir a sonda de aspiração do sistema fechado no tubo traqueal até perceber resistência, onde se encontra a carina, neste ponto elevar 1 a 2 centímetros da sonda;
Liberar o vácuo de aspirar apertando o clamp do sistema;
Realizar movimentos lentos de vai e vem e retirar lentamente a sonda ( *Este procedimento não deve durar mais de 10 segundos devido ao risco de hipoxemia);
Inserir a seringa no local recomentado contendo a solução fisiológica, lavar a sonda do sistema de aspiração, mantendo o vácuo ativado ao mesmo tempo da introdução do soro;
Realizar este procedimento quantas vezes forem necessárias;
Ao termino do procedimento lavar novamente o sistema de aspiração fechado;
Desconectar a seringa e e descarta-la;
Travar a válvula de segurança do sistema de aspiração fechado;
Desconectar o vácuo do sistema;
Colocar a tampa protetora do sistema de aspiração fechado;
Lavar o intermediário de aspiração;
Desligar o sistema a vácuo;
Identificar e armazenar o látex no conector lateral do sistema de aspiração;
Organizar o leito do paciente, fazer a retirada dos EPI’s na ordem a seguir: Luvas, Avental, Gorro, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Máscaras.
Lembrando que: Esta prática é indicada em pacientes com precaução por aerossóis; pacientes com sangramento pulmonar ativo e excesso de secreções nas vias aérea.
Você já ouviu falar nas glândulas de Bartholin? Elas são pequenas glândulas responsáveis pela produção da lubrificação nas mulheres e ficam localizadas na vulva, perto da abertura da vagina.
O cisto de Bartholin acontece quando existe acúmulo de líquido no interior da glândula de Bartholin.
Por que o cisto de Bartholin se forma?
Como dissemos, os cistos de Bartholin se formam pelo acúmulo do líquido no interior da glândula de Bartholin devido ao bloqueio dos ductos pelos quais ele escoaria.
Apesar das causas desta obstrução não serem totalmente conhecidas, normalmente isso ocorre devido uma lesão ou infecção dos ductos.
No geral, a formação de um cisto pode ser imperceptível ou não causar grandes desconfortos para a mulher. Além disso, pode ocorrer deles regredirem naturalmente, quando o ducto se “desentope” sozinho.
No entanto, o cisto pode acabar crescendo muito, inflamar ou até infeccionar e, nestes casos, causará dor e incômodo.
Possíveis causas
O cisto de Bartholin é relativamente comum e pode surgir devido ao acúmulo de líquido lubrificante dentro da própria glândula.
Já a infecção do cisto é mais comum quando existe histórico de relações sexuais desprotegidas, pois há maior risco de transmissão de bactérias como Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis, por exemplo, que podem alcançar o cisto e resultar em infecção e inflamação.
Além disso, a infecção do cisto pode acontecer devido aos maus cuidados de higiene íntima, como lavagem incorreta da região genital, por exemplo, em que bactérias do trato intestinal podem infectar a glândula.
Desta forma, o aparecimento e infecção do cisto de Bartholin pode ser evitado através do uso de camisinha e a manutenção de hábitos de higiene da região íntima adequados.
Sintomas
O cisto de Bartholin geralmente não causa sintomas, no entanto, a mulher pode ter a sensação de ter uma bola ou caroço na vagina quando apalpa a região.
Quando o cisto infecciona, podem aparecer outros sintomas como:
Saída de pus;
Região avermelhada, quente, muito dolorida e inchada;
Dor e desconforto ao caminhar ou sentar e durante a relação sexual;
Febre.
Possíveis causas
O cisto de Bartholin é relativamente comum e pode surgir devido ao acúmulo de líquido lubrificante dentro da própria glândula. Já a infecção do cisto é mais comum quando existe histórico de relações sexuais desprotegidas, pois há maior risco de transmissão de bactérias como Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis, por exemplo, que podem alcançar o cisto e resultar em infecção e inflamação.
Além disso, a infecção do cisto pode acontecer devido aos maus cuidados de higiene íntima, como lavagem incorreta da região genital, por exemplo, em que bactérias do trato intestinal podem infectar a glândula.
Desta forma, o aparecimento e infecção do cisto de Bartholin pode ser evitado através do uso de camisinha e a manutenção de hábitos de higiene da região íntima adequados.
O cisto de Bartholin geralmente não causa sintomas, no entanto, a mulher pode ter a sensação de ter uma bola ou caroço na vagina quando apalpa a região.
Quando o cisto infecciona, podem aparecer outros sintomas como:
Saída de pus;
Região avermelhada, quente, muito dolorida e inchada;
Dor e desconforto ao caminhar ou sentar e durante a relação sexual;
Febre.
Na presença destes sintomas, deve-se consultar o ginecologista para identificar o problema e orientar o tratamento mais adequado.
Inflamação da glândula de Bartholin na gravidez
A inflamação da glândula de Bartholin durante a gravidez, normalmente não é preocupante, porque o aparecimento do cisto é indolor e acaba por desaparecer naturalmente e, por isso, a mulher pode ter parto normal.
Porém quando o cisto infecciona na gravidez, é importante realizar o tratamento conforme a indicação do médico, pois assim é possível eliminar as bactérias e não haver risco para a gestante ou para o bebê.
Tratamento
O tratamento da glândula de Bartholin inflamada com sintomas deve ser orientado pelo ginecologista, mas geralmente é feito com remédios anti-inflamatórios e analgésicos e, quando há infecção, com antibióticos e banhos de assento com água quente para aliviar a inflamação e eliminar o pus.
Já a cirurgia para a glândula de Bartholin está indicada apenas quando há formação do cisto de Bartholin e pode ser feita através da drenagem do líquido do cisto, remoção do cisto ou remoção das próprias glândulas de Bartholin.
Os banhos de assento mornos, pelo menos 4 vezes ao dia, por vários dias, geralmente trazem algum alívio. Eles podem ajudar a restringir a infecção e precipitar uma drenagem espontânea. Contudo, a drenagem espontânea nem sempre resolve o problema, uma vez que o ponto de abertura é geralmente muito pequeno e obstrui rapidamente, antes de completar a drenagem.
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