Medicamentos Antiespasmódicos

Os antiespasmódicos são medicamentos amplamente utilizados na prática clínica, especialmente em situações que envolvem dor abdominal, cólicas intestinais, urinárias ou uterinas. Apesar de parecerem simples, esses fármacos possuem diferentes mecanismos de ação e exigem atenção no manejo e administração.

Neste artigo, você vai entender o que são os antiespasmódicos, suas principais classes, indicações terapêuticas e os cuidados de enfermagem fundamentais para o uso seguro e eficaz.

O que são medicamentos antiespasmódicos?

Os antiespasmódicos são substâncias que têm a função de reduzir ou eliminar espasmos musculares involuntários, principalmente em músculos lisos presentes em órgãos como o intestino, bexiga, útero e vias biliares.

Esses espasmos ocorrem devido a contrações desordenadas e dolorosas da musculatura, geralmente associadas a distúrbios gastrointestinais, urinários ou ginecológicos. O uso do antiespasmódico tem como objetivo aliviar a dor e melhorar o conforto do paciente, sem interferir diretamente na causa do problema.

Mecanismo de ação

Os antiespasmódicos atuam de duas formas principais:

  1. Diminuindo a contratilidade do músculo liso, impedindo que os impulsos nervosos provoquem contrações;
  2. Bloqueando substâncias químicas, como a acetilcolina, responsáveis pela estimulação dos músculos lisos.

Dependendo da classe do medicamento, a ação pode ocorrer no sistema nervoso central, no sistema nervoso autônomo ou diretamente sobre os músculos.

O Que Causa a Cólica? O Espasmo Muscular

A cólica é o resultado de um espasmo, que é a contração súbita e involuntária do músculo liso. Esses músculos revestem órgãos como o intestino, o estômago, o ureter e o útero.

  • O gatilho: O espasmo pode ser causado por inflamação, obstrução (como cálculo renal ou gases) ou distúrbios de motilidade (como na SII).
  • O objetivo do medicamento: Os antiespasmódicos agem para interromper essa contração, restaurando o ritmo normal e, consequentemente, aliviando a dor.

Principais classes de antiespasmódicos

Os antiespasmódicos podem ser classificados de acordo com seu mecanismo de ação e local de atuação. As principais classes incluem:

Antiespasmódicos de ação direta

Atuam diretamente sobre o músculo liso, reduzindo as contrações sem interferir no sistema nervoso. São indicados principalmente em cólicas intestinais e biliares.

Exemplo:

  • Escopolamina (butilbrometo de escopolamina) – bastante utilizada em cólicas gastrointestinais e urinárias;
  • Papaverina – utilizada em cólicas biliares e espasmos vasculares;
  • Trimebutina – age regulando a motilidade intestinal, sendo útil em síndromes como a do intestino irritável.

Anticolinérgicos (ou parasimpaticolíticos)

Esses medicamentos bloqueiam a ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos, reduzindo a atividade do sistema nervoso parassimpático. Como consequência, há diminuição dos espasmos em órgãos como o estômago, intestinos e bexiga.

Exemplo:

  • Atropina – usada em emergências para reduzir secreções e tratar bradicardias, mas também possui efeito antiespasmódico;
  • Hioscina – encontrada em formulações orais e injetáveis, é amplamente utilizada para alívio de cólicas abdominais e menstruais.

Bloqueadores de canais de cálcio

Os canais de cálcio estão envolvidos na contração muscular. Ao bloqueá-los, esses medicamentos impedem a entrada de cálcio nas células musculares lisas, resultando em relaxamento muscular.

Exemplo:

  • Pinavério brometo e Otilônio brometo, utilizados principalmente em distúrbios funcionais do trato gastrointestinal, como a síndrome do intestino irritável.

Antiespasmódicos de ação central

Atuam no sistema nervoso central, reduzindo o tônus muscular e aliviando a dor associada aos espasmos. São mais utilizados em situações de espasmos musculares esqueléticos.

Exemplo:

  • Ciclobenzaprina e Tizanidina – usadas em espasmos musculares decorrentes de traumas ou doenças musculoesqueléticas.

Indicações clínicas dos antiespasmódicos

Esses medicamentos são amplamente indicados para o alívio de sintomas de diversas condições, como:

  • Cólica intestinal e biliar;
  • Espasmos vesicais e uretrais;
  • Cólica menstrual (dismenorreia);
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Espasmos musculares pós-operatórios;
  • Distúrbios gastrointestinais funcionais.

Efeitos adversos e contraindicações

Embora sejam medicamentos seguros quando usados corretamente, os antiespasmódicos podem causar alguns efeitos adversos, especialmente os anticolinérgicos, como:

  • Boca seca;
  • Visão turva;
  • Retenção urinária;
  • Constipação intestinal;
  • Tontura e sonolência.

São contraindicados em casos de glaucoma de ângulo fechado, miastenia gravis, obstruções intestinais e hiperplasia prostática severa, pois podem agravar os sintomas dessas condições.

Cuidados de enfermagem

A administração de antiespasmódicos exige atenção especial aos efeitos colaterais, especialmente no contexto hospitalar ou de urgência.

Monitoramento dos Sinais Vitais (Neurotrópicos):

    • Intervenção: Ao administrar Escopolamina ou Atropina, monitore a frequência cardíaca. Pacientes idosos ou com problemas cardíacos preexistentes (como arritmias) são mais vulneráveis à taquicardia.

Manejo dos Efeitos Colaterais Anticolinérgicos:

    • Boca Seca e Sede: Oferecer pequenos goles de água ou gelo para aliviar o desconforto.
    • Retenção Urinária: Questionar o paciente sobre a capacidade de micção e monitorar o débito urinário. Em pacientes com hiperplasia prostática benigna (HPB), este é um risco elevado.

Avaliação da Dor:

    • Intervenção: Sempre reavaliar a intensidade da dor (usando a escala de 0 a 10) após a administração do medicamento. Se a dor persistir ou piorar, deve-se comunicar o médico, pois pode ser um sinal de complicação mais grave (como apendicite ou perfuração, que não seriam resolvidas apenas pelo relaxamento muscular).

Vias de Administração:

    • A administração intramuscular (IM) ou intravenosa (IV) é comum em crises agudas e exige a técnica correta para garantir a absorção e o efeito rápido.

O antiespasmódico é um alívio para quem sofre de cólica, mas é o nosso conhecimento farmacológico que garante que o conforto venha sem riscos desnecessários. Saber a diferença entre uma ação direta no músculo e um bloqueio nervoso nos torna profissionais mais competentes e seguros.

Referências:

  1. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. (Consultar os capítulos sobre sistema nervoso autônomo e fármacos gastrointestinais).
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre administração de medicamentos e manejo da dor).
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Formulário Terapêutico Nacional 2023. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  4. GOODMAN, L. S.; GILMAN, A. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 14. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2022.
  5. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M. Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  6. SILVA, T. P. et al. Abordagem farmacológica e clínica dos antiespasmódicos. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 57, n. 2, p. 210–218, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br.

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