MONABICH ficou ultrapassada no IAM?

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 24/09/2026.

Decorar MONABICH pode ajudar na prova, mas não deve comandar o atendimento de um paciente com infarto. Atualmente, o tratamento do IAM com supradesnivelamento do ST (IAMCSST) é guiado pela identificação rápida, monitorização, terapia antitrombótica e, principalmente, pela reperfusão o mais cedo possível. Não há uma nova sigla oficial que tenha substituído a MONABICH. A mudança foi de conceito: sair de um pacote fixo de medicamentos e pensar na indicação de cada intervenção.

O que significa MONABICH?

A sigla tradicional reúne:

M – Morfina
O – Oxigênio
N – Nitratos
A – AAS
B – Betabloqueador
I – IECA
C – Clopidogrel
H – Heparina

O problema não está em reconhecer essas terapias, e sim em interpretá-las como uma sequência obrigatória para todo IAMCSST. Morfina, oxigênio e nitratos, por exemplo, têm indicações específicas e podem ser inadequados em determinados pacientes.

O que mudou no atendimento

Na suspeita de síndrome coronariana aguda, o ECG deve ser obtido rapidamente, idealmente em até 10 minutos do primeiro contato com o serviço de saúde. Diante de um IAMCSST, a prioridade é organizar a estratégia de reperfusão indicada para o paciente, sem permitir que a administração de medicamentos de suporte atrase o tratamento definitivo.

O AAS continua sendo fundamental, com dose de ataque na apresentação quando não houver contraindicação. A terapia antiplaquetária atual também envolve um inibidor P2Y12, escolhido de acordo com a estratégia de tratamento e o perfil do paciente. Em pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea, ticagrelor ou prasugrel são preferidos ao clopidogrel em muitas situações.

Oxigênio não é mais automático

Essa é uma das mudanças que mais confunde quem aprendeu pela MONABICH. Em pacientes com síndrome coronariana aguda e saturação de oxigênio ≥90%, o uso rotineiro de oxigênio não é recomendado. Já diante de hipoxemia, com SpO₂ abaixo de 90%, a suplementação é indicada para corrigir a hipóxia.

Na prática, imagine um paciente chegando com dor torácica, supra de ST e SpO₂ de 96% em ar ambiente. Administrar oxigênio apenas porque a letra “O” aparece na antiga mnemônica não substitui avaliação clínica e não traz benefício comprovado nessa situação.

Morfina e nitrato dependem do quadro

A morfina pode ser utilizada para dor persistente que não responde adequadamente às medidas anti-isquêmicas, mas não deve ser administrada simplesmente porque o paciente apresenta IAM. Além do efeito sobre a dor, os opioides podem atrasar a absorção de antiplaquetários orais.

Os nitratos também exigem avaliação hemodinâmica. Podem ser considerados para alívio da dor em pacientes estáveis, mas devem ser evitados, entre outras situações, na hipotensão e na suspeita de infarto do ventrículo direito. O uso recente de inibidores da fosfodiesterase-5 também é uma contraindicação importante.

Um cenário comum na emergência é o paciente com IAM inferior, pressão baixa e suspeita de acometimento do ventrículo direito. Nesse contexto, simplesmente seguir a antiga sequência e administrar nitrato pode piorar a situação hemodinâmica. É justamente por isso que a avaliação clínica vem antes da mnemônica.

A prioridade continua sendo reperfundir

No IAMCSST, a equipe precisa reconhecer rapidamente o quadro e encaminhar o paciente para a estratégia de reperfusão apropriada, geralmente intervenção coronária percutânea primária quando disponível dentro dos tempos recomendados, ou fibrinólise quando indicada e a angioplastia não puder ser realizada oportunamente.

A diretriz de 2025 também reforça a importância da abordagem radial na intervenção coronária percutânea em pacientes com síndrome coronariana aguda, por reduzir complicações relacionadas ao acesso femoral.

Cuidados de enfermagem

Na assistência, a enfermagem tem papel fundamental na velocidade e segurança do atendimento. É importante reconhecer sinais de SCA, priorizar ECG conforme protocolo, instalar monitorização adequada, obter acesso venoso quando indicado, verificar sinais vitais e SpO₂, administrar medicamentos prescritos observando contraindicações e resposta clínica e comunicar imediatamente alterações como hipotensão, arritmias, piora da dor ou instabilidade.

Também é essencial acompanhar o horário dos procedimentos e medicamentos. Em um quadro tempo-dependente, registrar quando o paciente chegou, quando realizou o ECG e quando cada intervenção foi realizada ajuda a equipe a identificar atrasos e manter o atendimento organizado.

Então qual sigla devo decorar?

Para uma prova, você ainda pode encontrar MONABICH ou MONA em materiais antigos. Porém, para a prática atual, não existe uma nova sigla oficial que deva simplesmente substituir essas palavras.

O mais importante é lembrar a sequência de raciocínio: reconhecer rapidamente, realizar ECG, identificar IAMCSST, iniciar terapia antitrombótica indicada e garantir reperfusão o mais rápido possível, enquanto oxigênio, nitratos, opioides e demais medicamentos são utilizados conforme indicação clínica.

Essa mudança é importante porque transforma uma lista decorada em uma assistência baseada no quadro do paciente.

Resumo para salvar

IAMCSST e a antiga MONABICH

  • MONABICH não é protocolo obrigatório
  • Oxigênio depende da saturação
  • AAS e P2Y12 fazem parte da terapia antiplaquetária
  • Reperfusão rápida é prioridade

Referências:

  1. RAO, Sunil et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. Journal of the American College of Cardiology, 2025. Disponível em: Diretriz ACC/AHA 2025 para Síndromes Coronarianas Agudas.
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2025 Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. Dallas: AHA, 2025. Disponível em: American Heart Association – ACS Guideline 2025.
  3. AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY. ACC, AHA Issue New Acute Coronary Syndromes Guideline. Washington, 2025. Disponível em: ACC – nova diretriz de síndromes coronarianas agudas.
  4. NICOLAU, José Carlos et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 117, n. 1, p. 181-264, 2021. Disponível em: Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
  5. MAHMOUD, Khaled et al. Morphine, Oxygen, Nitrates, and Mortality Reducing Pharmacological Treatment for Acute Coronary Syndrome: An Evidence-based Review. Journal of Clinical and Diagnostic Research, 2018. Disponível em: Revisão sobre a obsolescência da MONA. 
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
✓ 16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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