Eventos Adversos Hospitalares

Você já parou para pensar nos riscos que corremos ao sermos hospitalizados? Além das doenças que nos levam a procurar um hospital, existem outros perigos que podem surgir durante a internação. Estamos falando dos eventos adversos hospitalares.

O que são eventos adversos?

São aqueles incidentes que ocorrem durante a prestação de cuidados de saúde e resultam em dano ao paciente. Podem variar desde um simples corte até complicações mais graves, como infecções e até mesmo a morte.

Por que eles acontecem?

Existem diversos fatores que contribuem para a ocorrência de eventos adversos, como:

  • Erros humanos: falhas na comunicação, distrações, falta de experiência.
  • Falhas nos sistemas: problemas com equipamentos, medicamentos, processos e protocolos.
  • Fatores do paciente: idade avançada, doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos.

Quais são os tipos mais comuns de eventos adversos?

  • Erros de medicação: administração de medicamento errado, dose incorreta, via de administração inadequada, alergias medicamentosas.
  • Infecções hospitalares: infecção do trato urinário, pneumonia, infecção de sítio cirúrgico.
  • Lesões por pressão: úlceras por pressão em pacientes acamados.
  • Quedas: pacientes caindo da cama ou cadeira.
  • Eventos tromboembólicos: trombose venosa profunda, embolia pulmonar.
  • Eventos adversos cirúrgicos: lesão em órgão adjacente durante a cirurgia, retenção de material cirúrgico.

Como prevenir os eventos adversos?

  • Cultura de segurança: criar um ambiente onde todos os profissionais se sintam à vontade para reportar erros e buscar melhorias.
  • Notificação de eventos adversos: incentivar a comunicação aberta sobre os incidentes.
  • Análise de causa raiz: investigar a fundo cada evento adverso para identificar as causas e implementar medidas corretivas.
  • Treinamento dos profissionais: oferecer treinamento contínuo sobre segurança do paciente.
  • Uso de tecnologias: utilizar ferramentas como check-lists, alarmes e sistemas de informação para reduzir o risco de erros.

Por que é importante falar sobre esse tema?

  • Segurança do paciente: é nosso direito ter uma assistência segura e de qualidade.
  • Melhoria da qualidade: ao identificar e prevenir os eventos adversos, podemos melhorar a qualidade da assistência prestada.
  • Responsabilidade legal: os profissionais de saúde e as instituições podem ser responsabilizados legalmente pelos danos causados aos pacientes.

O que você pode fazer?

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Se você ou algum familiar identificar um evento adverso, comunique imediatamente à equipe de saúde.

Referência:

  1. Gallotti, R. M. D.. (2004). Eventos adversos: o que são?. Revista Da Associação Médica Brasileira, 50(2), 114–114. https://doi.org/10.1590/S0104-42302004000200008

Amiodarona: As Reações Adversas

O Cloridrato de Amiodarona é um medicamento utilizado para tratar arritmias cardíacas.

No entanto, como qualquer medicamento, ele pode causar reações adversas em alguns pacientes.

Reações Associadas

Distúrbios Cardíacos

    • Bradicardia: Uma diminuição moderada da frequência cardíaca, muitas vezes dependente da dose.
    • Arritmias: Às vezes, o uso da amiodarona pode levar ao aparecimento ou piora das arritmias, podendo até resultar em parada cardíaca.
    • Alterações na Condução: Isso inclui bloqueio sinoatrial e atrioventricular de vários graus.
    • Torsade de Pointes: Uma arritmia ventricular rara, mas grave.

Distúrbios Oftálmicos

    • Microdepósitos na Córnea: Esses depósitos lipídicos podem causar percepção de halos coloridos sob luz intensa ou visão turva. Alguns pacientes também podem desenvolver neuropatia ótica ou neurite, que pode progredir para cegueira.

Distúrbios Endócrinos

    • Hipotireoidismo: É uma reação comum.
    • Hipertireoidismo: Embora menos frequente, também pode ocorrer.

Distúrbios Hepáticos:

    • Aumento das Transaminases Séricas: Isso é comum no início da terapia e geralmente retorna ao normal com a redução da dose.
    • Doença Hepática Crônica: Isso é raro, mas pode ser grave.

Distúrbios Cutâneos:

    • Fotossensibilidade: A amiodarona pode causar pigmentação grisácea ou azulada da pele, especialmente com uso prolongado ou altas doses. Essa pigmentação desaparece lentamente após a interrupção do tratamento.
    • Alterações na Pigmentação da Pele: Além da fotossensibilidade, a amiodarona pode causar pigmentação cinza-azulada da pele.

Referências:

  1. Consultare Médicos
  2. Bula do Amiodarona

Ceftriaxona com Cálcio: NÃO!

Nas Unidades de Terapia Intensiva, é comum encontrar pacientes recebendo drogas sejam vasoativas, sedativas intravenosas, reposições volêmicas como infusão primária, mas também haverá muitas vezes a infusão secundária de antibioticoterapia nestas vias de acesso.

Normalmente não é um problema com quando há algumas destas drogas sendo infundidas em mesma via de acesso, respeitando as interações medicamentosas entre elas.

Portanto, há certas ocasiões que o plantonista solicita a infundir Ringer Lactato, reposição de cálcio em certos casos, como reposição volêmica, e neste caso, é necessário se atentar muito quando o paciente está sob uso do antibiótico Ceftriaxona Sódica, o Rocefin!

Soluções que contenham cálcio (como gluconato de cálcio, Ringer Lactato, por exemplo), podem reagir simultaneamente com o antibiótico, formando partículas cristalinas que não são solúveis no sangue, podendo ocasionar riscos maiores como danos nos rins, pulmões e vesícula biliar!

Em pacientes neonatos o risco pode até ser de morte! Onde o risco de precipitação na rede venosa é maior e o risco de mortalidade é quase certa.

A ceftriaxona sódica, com seu nome comercial Rocefin, é um antibiótico semi-sintético, de largo espectro, para administração intravenosa.

É indicado para o tratamento de infecções respiratórias, urinárias, septicemia bacteriana, infecções dermatológicas e ósseas, doença inflamatória pélvica, gonorreia descomplicada, infecções intra-abdominais, otite média e alguns tipos de meningite. Também é usado na profilaxia antes de certas cirurgias.

Atente-se sempre ao uso concomitante deste antibiótico com outras soluções que possam conter cálcio!

Referência:

1. Roche. Rocefin (ceftriaxona sódica).
2. Lars Birgerson. Important prescribing information