Coleta com seringa e agulha: Recomendações da SBPC/ML

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), reconhecendo a importância da coleta de sangue venoso para a qualidade dos exames laboratoriais, publicou um documento com recomendações abrangentes para essa prática.

Este documento, fruto da colaboração de especialistas renomados, apresenta diretrizes detalhadas para profissionais da saúde, visando padronizar e otimizar o processo de coleta, assegurando a integridade das amostras e a confiabilidade dos resultados.

Pontos Abordados

  • Deixar o álcool secar antes de iniciar a punção.
  • Evitar usar agulhas de menor calibre. Usar esse tipo de material somente quando a veia do paciente for fina ou em casos especiais.
  • Evitar colher o sangue de área com hematoma.
  • Tubos com volume de sangue insuficiente ou em excesso alteram a proporção correta de sangue/aditivo, levando à hemólise e a resultados incorretos.
  • Em coletas com seringa e agulha, verificar se a agulha está bem adaptada à seringa, para evitar a formação de espuma.
  • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força.
  • Ainda em coletas com seringa, descartar a agulha e passar o sangue deslizando-o cuidadosamente pela parede do tubo, cuidando para que não haja contaminação da extremidade da seringa com o anticoagulante ou com o ativador de coágulo contido no tubo.
  • Não executar o procedimento de espetar a agulha na tampa de borracha do tubo para a transferência do sangue da seringa para o tubo, pois poderá criar uma pressão positiva, o que provoca, além da hemólise, o deslocamento da rolha do tubo, levando à quebra da probe de equipamentos.
  • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes, de acordo com as instruções do fabricante, não chacoalhar o tubo.
  • Não deixar o sangue em contato direto com gelo, quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação.
  • Embalar e transportar o material de acordo com as determinações da Vigilância Sanitária local, das instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do conjunto diagnóstico a ser analisado.
  • Usar, de preferência, um tubo primário; evitar a transferência de um tubo para outro.

As Recomendações da SBPC/ML para Coleta de Sangue Venoso são um instrumento valioso para todos os profissionais envolvidos na coleta e análise de amostras de sangue.

A SBPC/ML reforça seu compromisso em promover a excelência na Medicina Laboratorial, disponibilizando recursos e ferramentas que contribuem para a melhor qualidade dos serviços laboratoriais no Brasil.

Acesse o documento completo das Recomendações: https://controllab.com/wp-content/uploads/guia_coleta_sangue.pdf

Referência:

  1. SPBC/ML

O Isolamento Empírico e a Cultura de Vigilância

O Isolamento empírico é aquela situação nas quais ainda não sabemos qual o micro-organismo envolvido, mas de acordo ao quadro clínico, existe uma suspeita de um agente causador e tomamos as medidas de precaução de acordo a essa suspeita, e também advindo de outra instituição de saúde como hospitais, clínicas, casas de repouso.

Essa medida é muito importante, pois do momento da suspeita diagnóstica até a confirmação, muitas pessoas já podem transmitir esse micro-organismo, sendo assim, institui-se a precaução de acordo à clínica do paciente.

Caso o diagnóstico seja descartado, a precaução é retirada.

É implantado Precauções de contato empírico e colhido swab nasal, axilar e anal (cultura de vigilância) para estes pacientes.

Como é realizado este cuidado de enfermagem?

Algumas observações:

  • Preencher a solicitação do impresso do laboratório, contendo: etiqueta do paciente, diagnóstico, exame a ser realizados, data, assinatura e carimbo. A solicitação do swab deve ser em um pedido separado dos demais exames e pode ser feito pelo enfermeiro/Médico. Anotar ao lado do swab cultura de vigilância (MRSA);
  • Realizar a coleta do material, providenciando encaminhamento deste o mais breve possível ao laboratório responsável pela sua instituição;
  • Analisar resultados laboratoriais de interesse específico para o isolamento;
  • Em todas as situações que houver necessidade de implantar precauções de contato, comunicar o Médico Responsável;
  • A avaliação para suspensão do isolamento será realizada pelo Médico após resultado das culturas de vigilância.

O Procedimento

  • MATERIAL: Bandeja, luvas de procedimento se indicado, equipamento de proteção individual (EPI), swab com meio stuart.
  • COLETA: Realizará higienização das mãos;
    • Posicionar paciente em decúbito dorsal (para nasal e axilar), e decúbito lateralizado (para coleta anal);
    • Abrir o invólucro do swab;
    • retirar a haste de cotonete sem contaminá-lo;
  • COLETA NASAL: Introduzir um swab estéril e flexível pelo meato nasal, paralelo ao palato superior, buscando atingir o orifício posterior das fossas nasais e tentando evitar tocar a mucosa da narina;
    • Ao sentir o obstáculo da parede posterior da nasofaringe (neste momento, há lacrimejamento), fazer um discreto movimento circular e retirar o swab, recolocando-o no tubo com meio de transporte e introduzindo-o na geleia até o fundo do tubo. Identificar o frasco do swab;
  • COLETA AXILAR: Introduzir um swab estéril e flexível na região axilar. Identificar o frasco do swab;
  • COLETA ANAL: Introduzir um swab estéril e flexível pelo orifício do ânus. Identificar o frasco do swab;
  • Deixar paciente confortável;
  • Manter a organização da unidade do paciente; Desprezar o material utilizado nos locais apropriados;
  • Retirar as luvas de procedimento;
  • Realizar higienização das mãos.

Registro de Enfermagem

  • Anotar na evolução de enfermagem a instituição do isolamento, descrevendo a origem do paciente e a cultura solicitada.

Isolamento por contato empírico

  • Manter o paciente em isolamento de precaução de contato (empírico) até que os resultados destes exames saiam e resultem como negativos para quaisquer tipo de infecções.

Referências:

  1. Guideline for Isolation Precautions: Preventing Transmission of Infectious Agents in Healthcare Settings 2007.
  2. Management of Multidrug – resistant Organisms in Healthcare Settings, CDC 2006.
  3. Guia de Utilização de Anti-Infecciosos e recomendações para a Prevenção de infecções HospitalareHC Hospital das clínicas da Faculdade de medicina da Universidade de São Paulo. 2012-2014.
  4. Diretrizes para a Prevenção e o Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde– Comissão de Epidemiologia Hospitalar – Hospital São Paulo Universidade
    Federal de São Paulo 2005- 2006.

A Cultura da Ponta do Cateter: Infecções Relacionadas

A Infecções relacionadas a cateteres são clinicamente importantes e devem ser diagnosticadas rapidamente. Geralmente estão associadas com eritemas, inflamação, pus e em algumas situações febre.

Veja mais sobre os Sinais Flogísticos:

Os Sinais Flogísticos ou Cardinais

Quando estes sinais são identificados, o cateter é removido do paciente e encaminhado sua ponta para análise laboratorial.

Os cuidados de Enfermagem quanto ao processo de cultura:

Em geral:

Enviar a ponta do cateter para cultura somente se houver sinal de infecção (inflamação no sítio de inserção, febre, sinais de sepse ou bacteremia documentada sem foco de infecção aparente).

  • Se houver evidência de pus e infecção do tecido local, limpar a superfície da pele e coletar o pus do tecido profundo utilizando seringa e agulha;
  • O frasco deve ser identificado corretamente;
  • O coletor deve conferir os dados do paciente ao receber a amostra e anotar na etiqueta o horário da coleta;
  • Anotar na etiqueta se o cateter retirado era de nutrição parenteral, pois nestes casos é importante pesquisar Malassezia furfur (fungo).

PROCEDIMENTO DE COLETA

Os mesmos cuidados de desinfecção utilizados na introdução do cateter devem ser adotados no momento da retirada.

  • Limpar a pele com álcool 70% antes de remover o cateter;
  • Utilizando técnicas assépticas, segurar a porção exposta do cateter e remover cuidadosamente o cateter do paciente com um instrumento estéril (evitar o contato com a pele);
  • Segurar a porção distal sobre um recipiente estéril e cortar aproximadamente 5cm da ponta (marca no cateter) com tesoura estéril ou lâmina de bisturi, deixando-a cair dentro do recipiente estéril;
  • Após a coleta, anotar na etiqueta o horário da coleta.

Coleta e transporte:

  • O envio deve ser realizado a temperatura ambiente (20 a 25ºC) em até 1 hora após a coleta.

Observação

NÃO DOBRAR OU ENROLAR A PONTA DO CATETER!!! É necessário que a ponta do cateter esteja reta para rolar sobre a placa do meio de cultura!

Interpretação do exame

  • Quantificar o numero de cada tipo de micro-organismo isolado;
  • Se a contagem for superior a 15 UFC, o micro-organismo deve ser identificado e realizado teste de sensibilidade a antimicrobianos;
  • Se a contagem for inferior a 15 UFC, identificar somente patógenos importantes, como por exemplo, Candida albicans, Streptococcus do grupo A e Staphylococcus aureus;
  • Caso tenha sido coletada amostra de sangue, guardar a placa para comparação caso esta seja positiva;
  • Se houver crescimento de vários micro-organismos, reportar como “nº” UFC de microbiota bacteriana mista, sem identificação e sem teste de sensibilidade a antimicrobianos.

Referência:

  1. DIAGNÓSTICO DAS INFECÇÕES RELACIONADAS AOS CATETERES VASCULARES CENTRAIS NO HIAE (Hospital Albert Einstein)