Espectro antimicrobiano

O espectro antimicrobiano refere-se à variedade de microrganismos que um determinado antibiótico é capaz de combater e eliminar. Essa capacidade varia de um antibiótico para outro e é um fator crucial na escolha do tratamento para uma infecção.

Tipos de Espectro Antimicrobiano

  • Espectro Amplo: Antibióticos de amplo espectro são capazes de agir contra uma ampla variedade de microrganismos, tanto Gram-positivos quanto Gram-negativos. Eles são frequentemente utilizados quando a causa da infecção é desconhecida ou quando há a presença de múltiplos microrganismos.
    • Exemplos: Tetraciclinas, quinolonas e cefalosporinas de terceira geração.
  • Espectro Estreito: Antibióticos de espectro estreito são mais específicos e agem apenas contra um grupo limitado de microrganismos. Eles são geralmente preferidos quando o agente causador da infecção é conhecido, pois podem causar menos efeitos colaterais e reduzir o risco de resistência bacteriana.
    • Exemplos: Penicilina G (contra bactérias Gram-positivas), polimixina (contra bactérias Gram-negativas).
  • Espectro Estendido: Uma categoria intermediária, os antibióticos de espectro estendido apresentam uma atividade mais ampla do que os de espectro estreito, mas não tão ampla quanto os de amplo espectro.
    • Exemplos: Algumas cefalosporinas de segunda geração.

Por que o Espectro Antimicrobiano é Importante?

  • Escolha do Tratamento: Conhecer o espectro antimicrobiano de um antibiótico é fundamental para escolher o tratamento mais adequado para uma infecção específica, garantindo a eficácia e minimizando os riscos.
  • Resistência Bacteriana: O uso indiscriminado de antibióticos de amplo espectro pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando as infecções mais difíceis de tratar. A escolha de antibióticos de espectro estreito, quando possível, ajuda a retardar o surgimento de resistência.
  • Efeitos Colaterais: Antibióticos de amplo espectro podem causar mais efeitos colaterais do que os de espectro estreito, pois afetam uma maior variedade de bactérias, incluindo a flora bacteriana normal do organismo.

Fatores que Influenciam o Espectro Antimicrobiano

  • Estrutura química do antibiótico: A composição molecular do antibiótico determina sua afinidade por diferentes alvos bacterianos.
  • Mecanismo de ação: A forma como o antibiótico atua sobre a bactéria (inibindo a síntese de parede celular, proteínas ou ácidos nucleicos) influencia seu espectro de atividade.
  • Características da bactéria: A estrutura da parede celular, a presença de enzimas e outros fatores bacterianos podem conferir resistência a determinados antibióticos.

Referências:

  1. Guimarães, D. O., Momesso, L. da S., & Pupo, M. T.. (2010). Antibióticos: importância terapêutica e perspectivas para a descoberta e desenvolvimento de novos agentes. Química Nova, 33(3), 667–679. https://doi.org/10.1590/S0100-40422010000300035
  2. Guimarães, D. O.; Momesso, L. S.; Pupo, M. T.. Antibióticos: importância terapêutica e perspectivas para a descoberta e desenvolvimento de novos agentes. Quim. Nova, Vol. 33, No. 3, 667-679, 2010.  

O que é a Lock Terapia?

A maioria dos pacientes em terapia dialítica que fazem a infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter (ICSRC) são tratados ambulatoriamente, com bons resultados.

Hospitalização só é necessária em caso de sepse severa e infecção a distância.

A maioria das infecções destes pacientes são causadas por Staphylococci coagulase negativo ou S. aureus, portanto a seleção do antimicrobiano deverá considerar drogas que possam ser administradas após cada sessão de hemodiálise (vancomicina, ceftazidima, cefazolina) ou antimicrobianos que não são dialisados (ceftriaxone).

A Lock Terapia, Terapia de Bloqueio ou “Antibiotic Lock Theraphy” é um procedimento onde a droga escolhida é combinada com heparina e instilada dentro de cada lúmen do cateter ao final da sessão de diálise.

Em detalhes, é usada em conjunto com terapia sistêmica, e consiste em instilar altas concentrações do antimicrobiano desejado (de acordo com o microorganismo envolvido) no lúmen do dispositivo.

Indicações da Terapia

Está indicado para pacientes com ICSRC envolvendo cateteres de longa permanência que não tenham sinais de infecção em seu sítio de inserção ou túnel, para os quais a manutenção do cateter é o objetivo.

  • Paciente com estabilidade clínica e hemodinâmica;
  • (Infecção Primária de Corrente Sanguínea-) IPCS-CVC por Staphylococcus Coagulase Negativa (SCN), Bacilos Gram Negativos (BGN) ou Enterococcus sp sensíveis a vancomicina.

Como a maioria das infecções de cateter de longa permanência ou totalmente implantável são intraluminais, a erradicação do agente infeccioso pode ser feita com o preenchimento da luz do dispositivo por solução com doses supraterapêuticas do antimicrobiano, retendo-a por horas ou dias.

Tempo de Terapia

A duração da terapia varia de 3 a 30 dias entre os estudos, porém a maioria dos autores advoga um período de 2 semanas de utilização.

Alguns Cuidados

  • Idealmente deve ser preparado por farmacêutico imediatamente antes da sua administração, ou, na impossibilidade desse profissional, uma enfermeira;
  • Na hora da administração, retirar a solução antiga de lock antes de infundir a nova;
  • Coletar hemoculturas de controle nos momentos de troca da lock terapia antimicrobiana → se em qualquer momento durante o tratamento a hemocultura voltar a positivar ou permanecer positiva, considera-se falha terapêutica e programa-se a retirada do cateter;
  • Devem ser monitorados quanto a sua evolução clínica e novas hemoculturas;
  • A lock terapia deve ser suspensa e o cateter retirado se houver descompensação clínica (evolução para infecção sistêmica apesar do tratamento) ou evidência de persistência da infecção (hemoculturas persistentemente positivas).

Referências:

  1. Mermel LA, Farr BM, Sherertz RJ, et al. Guidelines for the management of intravascular catheter-related infections. Clin Infect Dis 2001; 32:1249–72.
  2. Field MJ, Lohr KN, eds. Institute of Medicine Committee to Advise the Public Health Service on Clinical Practice Guidelines. Clinical practice guidelines: directions for a new program. Washington, DC: National Academy Press, 1990.