Semicírculo de Skoda

O sinal de semicírculo de Skoda, também conhecido como timpanismo periumbilical móvel, é uma variação do sinal de Skoda usado para detectar a presença de ascite, que é o acúmulo anormal de líquido na cavidade peritoneal, o espaço que envolve os órgãos abdominais.

Como funciona o sinal de semicírculo de Skoda

Consiste em deixar o paciente em decúbito dorsal, em que ao percutir a região central do abdome obtém-se som timpânico, enquanto na periferia há som maciço pela presença do líquido ascítico.

Interpretação do sinal de semicírculo de Skoda

  • Presença de timpanismo em todo o semicírculo: Indica um abdome normal, sem ascite.
  • Mudança de timpanismo para maciço em parte do semicírculo: Sugere a presença de ascite, especialmente quando acompanhado de outros sinais e sintomas, como aumento do abdome, inchaço e peso abdominal.

Sinal de Macicez Móvel

Ocorre em casos de ascite de médio volume. Quando o paciente está em decúbito dorsal o líquido acumula-se na região lateral do abdome, revelando timpanismo na região anterior.

Como funciona o sinal de macicez móvel

  1. Posicionamento do paciente: O paciente deita-se de costas (decúbito dorsal).
  2. Palpação profunda: O médico palpa o abdome do paciente com as mãos, pressionando profundamente na região periumbilical (ao redor do umbigo).
  3. Percepção de maciez: Na presença de ascite, o líquido ascítico se acumula nos flancos (laterais do abdome) e desloca o intestino para o centro. Ao pressionar profundamente na região periumbilical, o médico sente uma sensação de maciez, como se estivesse tocando um saco de água.
  4. Mobilidade da maciez: Ao mudar a posição do paciente, seja para o lado esquerdo ou direito, a sensação de maciez também se desloca para o lado correspondente. Isso ocorre porque o líquido ascítico é móvel e se acomoda na parte inferior do abdome, dependendo da posição do paciente.

Interpretação do sinal de macicez móvel

  • Presença de maciez móvel na região periumbilical: Sugere a presença de ascite, especialmente quando acompanhado de outros sinais e sintomas, como aumento do abdome, inchaço e peso abdominal.

Observações

  • A sensibilidade e especificidade do sinal de semicírculo de Skoda para o diagnóstico de ascite são variáveis ​​e podem ser influenciadas por fatores como a quantidade de líquido ascítico presente e a técnica utilizada pelo examinador.
  • O sinal de semicírculo de Skoda deve ser utilizado em conjunto com outros sinais, sintomas e exames físicos para um diagnóstico preciso da ascite.
  • O sinal de macicez móvel é um sinal menos sensível para o diagnóstico de ascite em comparação com outros sinais, como o sinal de Skoda ou o semicírculo de Skoda.
  • A presença do sinal de macicez móvel pode estar associada a outras condições, como tumores abdominais ou grandes cistos ovarianos.
  • O diagnóstico preciso da ascite requer avaliação médica completa, incluindo exame físico, histórico do paciente e exames complementares, como ultrassom abdominal ou paracentese (punção no abdome para remover o líquido ascítico para análise).

Referência:

  1. Manual teório de semiotécnica médica

Tipos de Sons da Percussão Abdominal

A percussão abdominal é uma técnica utilizada no exame físico para avaliar as estruturas internas do abdome. Ao percutir (ou seja, bater) sobre a superfície abdominal, os médicos podem identificar diferentes tipos de sons, cada um com significados específicos.

Os Tipos de Sons da Percussão

Som Timpânico:

    • Descrição: O som timpânico é semelhante ao som produzido quando percutimos uma área vazia, como o estômago.
    • Causa: É obtido sobre áreas com ar, como o intestino delgado.
    • Significado: Indica a presença de cavidades vazias.

Som Hipertimpânico:

    • Descrição: Esse som é ainda mais agudo e ressonante do que o som timpânico.
    • Causa: Pode ser ouvido sobre áreas com excesso de ar, como o intestino delgado distendido.
    • Significado: Sugere distensão intestinal ou obstrução.

Som Submaciço:

    • Descrição: É um som intermediário entre o som timpânico e o som maciço.
    • Causa: Pode ser encontrado em áreas com conteúdo sólido ou líquido, como o fígado ou o baço.
    • Significado: Indica a presença de órgãos sólidos ou líquidos.

Som Maciço:

    • Descrição: Esse som é obtido quando percutimos áreas densas, como o fígado ou o baço.
    • Causa: Resulta da presença de tecido sólido.
    • Significado: Sugere a presença de órgãos sólidos.

A percussão abdominal é apenas uma das técnicas usadas no exame físico.

Além da percussão, a palpação (toque) e a ausculta (escuta dos sons internos) também são importantes para avaliar o abdome.

Referências:

  1. PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: bases para a prática médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008
  2. LÓPEZ, Mario, LAURENTYS S., MEDEIROS, José de. Semiologia Médica: As bases do diagnóstico clínico. 5. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.

Avaliação Física: Ruídos Intestinais

Os Ruídos ou “Borborigmos” intestinais, são feitos pelo movimento dos intestinos à medida que estes impulsionam o alimento. É feito uma avaliação física auscultando o abdômen com um estetoscópio (método de auscultação).

Embora a maioria dos ruídos intestinais sejam normais, existem alguns casos onde os sons intestinais anormais podem fornecer informações valiosas sobre a saúde do organismo.

Como funciona?

O íleo é uma afeção em que existe falta de atividade intestinal. Muitas condições médicas podem levar ao aparecimento do íleo, mas é importante efetuar uma avaliação mais ampla, pois os gases, secreções e conteúdos intestinais podem acumular-se e provocar a ruptura da parede do intestino. É possível que o médico não consiga ouvir nenhum som abdominal ao auscultar o abdômen.

A redução dos ruídos intestinais (hipoativos) inclui uma redução no volume, tom ou regularidade dos sons. Isto indica uma diminuição da atividade intestinal.

Os sons abdominais hipoativos são normais durante o sono e também ocorrem normalmente por um curto período de tempo após o uso de certos medicamentos e após uma cirurgia abdominal. A diminuição ou ausência de sons intestinais, geralmente indica a presença de obstipação.

O aumento dos sons (hiperativos) por vezes ouve-se, mesmo sem um estetoscópio. Os ruídos intestinais hiperativos refletem um aumento na atividade intestinal sendo algo que pode ocorrer com a diarreia ou depois de comer.

Os sons abdominais são sempre avaliados em conjunto com sintomas tais como:

  • Gases
  • Náuseas
  • Presença ou ausência de evacuações
  • Vómitos

Se os ruídos intestinais são hipoativos ou hiperativos, juntamente com sintomas anormais, é importante a avaliação contínua por parte do médico.

Por exemplo, a ausência de sons intestinais após um período de ruídos intestinais hiperativos é significativa e pode indicar uma ruptura dos intestinos, ou estrangulamento do intestino e morte (necrose) do tecido intestinal.

Ruídos intestinais muito elevados podem indicar obstrução intestinal precoce.

Causas

Ruídos intestinais hiperativos, hipoativos ou ausentes:

  • A obstrução dos vasos sanguíneos impede o fluxo sanguíneo para os intestinos. Por exemplo, coágulos de sangue podem causar oclusão da artéria mesentérica.
  • A obstrução intestinal mecânica pode ser causada por uma hérnia, tumor, aderências ou outras situações semelhantes que possam obstruir os intestinos.
  • O íleo paralítico é um problema com os nervos dos intestinos. A redução da atividade do nervo pode resultar de:
    • obstrução vascular
    • obstrução intestinal
    • desequilíbrios químicos, tais como hipocalemia
    • infecção
    • superexpansão dos intestinos
    • trauma

Outras causas de ruídos intestinais hipoativos:

  • Drogas que reduzem os movimentos intestinais, como os opiáceos (codeína, inclusive), anticolinérgicos e fenotiazinas
  • Anestesia geral
  • Radiação no abdómen
  • Anestesia raquidiana
  • Cirurgia abdominal

Outras causas de ruídos intestinais hiperativos:

  • Doença de Crohn
  • Diarreia
  • Alergias alimentares
  • Sangramento gastrointestinal
  • Enterite infecciosa
  • Colite ulcerosa

Referências:

  1. PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: bases para a prática médica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 
  2. LÓPEZ, Mario; LAURENTYS-MEDEIROS, José de. Semiologia médica: as bases do diagnóstico clínico. 5. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2004. 
  3. MOORE, Keith L.. Anatomia orientada para a clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, ©2001.  

Antropometria

Epistemologicamente, a palavra “antropometria” deriva do grego anthropos (homem) e metrom (medida).

Portanto, a Antropometria forma parte da Antropologia que estuda as medidas e proporções do corpo humano que envolvem medidas sistemáticas das propriedades físicas do corpo humano: dimensões, tamanho corporal, forma e proporções.

As medidas antropométricas têm sido utilizadas como base mais assertiva para avaliar a condição nutricional de uma pessoa, em função da facilidade e precisão em obter essas medidas.

Quais são os principais tipos de medidas antropométricas?

Os principais tipos de medidas antropométricas são:

  • Peso;
  • Altura;
  • Dobras Cutâneas ;
  • Diâmetro Ósseo
  • Músculos e gordura;
  • Circunferências corporais;
  • Índice de Massa Corporal (IMC);
  • Categorias de índices de padrão de crescimento.

O que é uma avaliação antropométrica?

A avaliação antropométrica usa como base os dados extraídos para compor a tabela de medidas antropométricas.

Dessa forma, ela considera esses valores primários e secundários para entender o estado nutricional e a morfologia da pessoa em questão. Além disso, uma avaliação antropométrica permite, entre outras coisas:

  • Avaliar índices para riscos de  doenças cardíacas;
  • Diferenciação do peso bruto dos tecidos;
  • Avaliar a composição corporal;
  • Avaliação da água intra e extracelular;
  • Classificar o tipo morfológico da pessoa.

Como é realizada a avaliação antropométrica e qual a sua importância?

A forma mais comum de verificar a composição corporal , por exemplo, é através das dobras cutâneas, pois permite chegar a um valor muito próximo da gordura corporal através das espessuras das dobras.

importância da avaliação antropométrica é a precisão de um diagnóstico geral para o paciente.

Para atletas profissionais, essa avaliação antropométrica se mostra ainda mais essencial, pois ajuda a monitorar a composição corporal, que reflete no desempenho das atividades físicas.

Por isso, a realização das  medidas antropométricas são importantes também para os profissionais de educação física.

Quem pode fazer a avaliação antropométrica?

Além de existir muita cautela, a avaliação antropométrica só pode ser feita por profissionais com formação e conhecimento nessa prática.

Isso é um pré-requisito pois dados errados podem prejudicar o diagnóstico e a evolução de um paciente. Os principais profissionais que fazem essa avaliação são:

  • Nutricionistas;
  • Enfermeiros;
  • Profissionais  de educação física;
  • Endocrinologistas;
  • Nutrólogos.

Técnicas para a tomada das medidas antropométricas

Técnica de adipometria

Esse método avalia a densidade corporal, determinando, principalmente, o montante de gordura corporal. Serve para medir as dobras cutâneas, que é uma das principais medidas antropométricas, como citamos anteriormente.

Técnica de perimetria

Para verificar as circunferências corporais, utilizamos a técnica de perimetria. São importantes para o acompanhamento das medidas corporais e avaliar índices como por exemplo risco do perímetro abdominal.

Técnica de paquimetria

Essa técnica é muito utilizada para medir o diâmetro ósseo. Trata-se de uma importante medida para identificar a morfologia do avaliado.

Técnica para medir o peso em crianças maiores de dois anos de idade e em adultos

O paciente deve manter a cabeça e corpo erguidos para que o peso seja avaliado. No caso de balanças eletrônicas, o peso aparecerá no visor.

No caso de balanças mecânicas, é preciso destravá-las e mover os cursores sobre a escala numérica até nivelar a agulha do braço e o fiel.

Após isso, você deverá travar novamente a balança para registar o valor na tabela de medidas antropométricas.

Técnica para medir a altura em crianças maiores de dois anos de idade e adultos

Nesta outra técnica, o profissional deve também pedir para que o paciente retire acessórios volumosos e o sapato, por exemplo, para que isso não influencie na medição.

Além disso, o profissional  deve usar um estadiômetro, também conhecido como antropômetro vertical, podendo estar fixo na parede, acoplado à balança ou ser portátil.

Depois disso, o usuário deverá ficar de costas ou de frente para o instrumento, dependendo do modelo,  com os pés paralelos e o corpo tocando o aparelho ou a parede.

O profissional deve posicionar a cabeça do avaliado  de modo que o orifício do ouvido esteja no mesmo plano horizontal da parte exterior da órbita ocular.

Após isso, deve-se baixar a haste móvel do estadiômetro até encostar na cabeça do avaliado  para medir o valor e fazer o registro na tabela de medidas antropométricas.

Instrumentos para medidas antropométricas

Existem diversos instrumentos que devem ser utilizados na hora de fazer as medidas antropométricas no paciente. Conheça 6 desses instrumentos a seguir.

Balança antropométrica mecânica

A balança antropométrica mecânica é uma das balanças antropométricas mais conhecidas, fácil de encontrar em clínicas e não precisa de energia para funcionar. Sua função é medir o peso e altura do paciente.

Ela também é indicada para academias, hospitais, escolas e outros espaços que envolvam profissionais da área.

Balança antropométrica digital

Já a balança antropométrica digital tem a diferença justamente que o nome sugere e ela é mais precisa para indicar a massa corporal e quando tem estadiômetro acoplado, a altura do paciente.

Balança antropométrica digital para obesos

Esse tipo de balança funciona igualmente como a anterior, mas ela é voltada para pessoas obesas, com uma quantidade de gordura superior ao indicado.

Por essa razão, essas balanças precisam suportar uma quantidade de quilogramas superior à balança antropométrica digital tradicional.

Trena

trena antropométrica ou fita antropométrica tem a função específica de realizar medidas dos perímetros corporais.

Adipômetro

adipômetro, também chamado de plicômetro, é um instrumento que se usa para medir as dobras cutâneas e obter os valores da composição corporal.

Estadiômetro ou Antropômetro

Por fim, o antropômetro, também conhecido como estadiômetro, serve para medir a altura das pessoas em avaliações nutricionais e esportivas.

Referências:

  1. Costa R. Composição Corporal. 1ª ed. Brasil: Manole; 2001.
  2. Baumgartner R. Age. In: Heymsfield S, Lohman T, Wang Z, Going S. Human body composition. 2ªed. USA: Human Kinetics; 2005. p. 259-69.
  3. Wortthington-Roberts B. Introdution to the life cycle: the role of nutrition. In: WortthingtonRoberts B, Williams S. Nutrition throughout the life cycle. 4 ed. EUA: McGraw-Hill; 2000. p. 2-37.
  4. Gaba A, Pridalova M. Age-related changes in body composition in a sample of Czech women aged 18-89 years: a cross-sectional study. Eur J Nutr. 2014; 53(1):167-76.
  5. Hughes VA, Frontera WR, Roubenoff R, et al. Longitudinal changes in body composition in older men and women: role of body weight change and physical activity. Am J Clin Nutr. 2002; 76(2):473-81.
  6. Borrud LG, Flegal KM, Looker AC, et al. Body composition data for individuals 8 years of age and older: U.S. population, 1999-2004. Vital Health Stat 11. 2010(250):1-87.
  7. Kyle UG, Genton L, Slosman DO, et al. Fat-free and fat mass percentiles in 5225 healthy subjects aged 15 to 98 years. Nutrition. 2001; 17(7-8):534-41.
  8. Chumlea WC, Guo SS, Kuczmarski RJ, et al. Body composition estimates from NHANES III bioelectrical impedance data. Int J Obes Relat Metab Disord. 2002; 26(12):1596-609.
  9. Gibson RS. Principles of Nutritional Assessment. 2ª ed. New York; 2005.
  10. Lee RD, Nieman DC. Nutritional Assessment. 6ª ed. New York; 2013.
  11. Charney P, Malone AM. American Dietetic Association pocket guide to nutrition assessment. 2ª ed. Chicago: eat right. American Dietetic Association; 2009.
  12. Shulkin DJ, Kinosian B, Glick H, et al. The economic impact of infections. An analysis of hospital costs and charges in surgical patients with cancer. Arch Surg. 1993; 128(4):449-52.
  13. Reilly JJJ, Hull SF, Albert N, et al. Economic impact of malnutrition: a model system for hospitalized patients. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 1988; 12(4):371-6.
  14. Acuña K, Cruz T. Avaliação do Estado Nutricional de Adultos e Idosos e Situação Nutricional da População Brasileira. Arq Bras Endocrinol Metab. 2004; 48(3):345-61.
  15. Sarni R. Avaliação antropométrica e de composição corporal. In: Silva S, Mura J. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca; 2007. p. 131-40. 

Conheça os Instrumentos de Avaliação Geriátrica

Os instrumentos são tabelas e/ou escalas e normalmente separados de acordo com o objetivo da avaliação, assim facilitando o diagnóstico e rastreamento de doenças no paciente.

Nessas ferramentas, podemos avaliar a fragilidade, o estado nutricional, o estado funcional, o equilíbrio e marcha, a visão e o estado mental. Dentre eles podemos destacar os seguintes métodos:

Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) e Prisma 7

A AGA é sempre multidimensional, frequentemente interdisciplinar e tem por objetivo determinar as deficiências e incapacidades apresentadas pelo idoso, objetivando o planejamento do cuidado e de acompanhamento a longo prazo.

Domínios de Avaliação Geriátrica Ampla

Domínio

Descrição/Comentário

Avaliação

Funcionalidade

Capacidade do indivíduo de ser independente em seu próprio cuidado (atividades básicas de vida diária, ABVD), e no seu papel na comunidade (atividades instrumentais de vida diária, AIVD). – Escala de Katz (ABVD)

– Escala de Lawton (AIVD)

– Índice de Barthel

Cognição

Capacidade de utilizar as funções cerebrais superiores (executiva, memória, visuoespacial, linguagem, atenção) de forma adequada e autônoma.

Os déficits cognitivos e as síndromes demenciais são frequentes em pacientes ³ 60 anos.

– 10-Point Cognitive Screener (10-CS)

– Miniexame do Estado Mental (MEEM)

– Montreal Cognitive Asessment (MoCA)

Humor Os sintomas depressivos ou ansiosos possuem alta prevalência em indivíduos idosos, prejudicando a adesão ao tratamento e o controle de doenças crônicas.

Os idosos possuem maior frequência de sintomas somáticos, o que dificulta o diagnóstico.

– Escala de Depressão Geriátrica de 15 itens (GDS-15)

– Questionário sobre Saúde do Paciente (PHQ-9).

Sensorial Déficits auditivos ou visuais trazem pior qualidade de vida, isolamento social, prejuízo cognitivo e risco de depressão. – Audição: Teste do sussurro

 

– Visão: Escala de Snellen

Mobilidade/Quedas

As quedas são importantes causas de morbimortalidade em idosos. Para avaliação do risco de quedas, podem ser utilizados testes que avaliam a mobilidade e auxiliam nessa predição. – Velocidade de marcha

– Teste cronometrado do levantar e andar (Timed get-up and go test)

– Short Physical Performance Battery (SPPB)

Estado nutricional Os idosos apresentam maior risco nutricional devido à presença de comorbidades, alterações do sistema digestivo, perda funcional, risco de baixo suporte social e declínio cognitivo. – Miniavaliação Nutricional (MAN)
Suporte social Muitos idosos estão sujeitos à insuficiência de recursos humanos e/ou materiais para o seu cuidado. O baixo suporte social ocasiona pior qualidade de vida, declínio funcional e mau controle de doenças crônicas.

É importante a presença do(a) assistente social nessa abordagem, e também a avaliação de sobrecarga/estresse do cuidador e outras alterações de saúde, que frequentemente levam à insuficiência de cuidados.

Suporte social:

-APGAR da Família e dos Amigos

– Escala de Suporte Social do Medical Outcomes Study (MOS).

Estresse do cuidador:

– Escala de Zarit

– Self-Reporting Questionnaire 20 (SRQ-20)

Avaliação Prisma 7

  • 1 Você tem mais de 85 anos?
  • 2 Sexo masculino?
  • 3 Em geral, você tem algum problema de saúde que limite suas atividades?
  • 4 Você precisa de ajuda no seu dia a dia?
  • 5 Em geral, você tem algum problema de saúde que o faz ficar em casa?
  • 6 Em caso de necessidade, você conta com ajuda de alguém próximo a você?
  • 7 Você usa regularmente andador, bengala ou cadeira de rodas?

Escala de Lachs

A escala é um instrumento multidimensional usada na triagem funcional do idoso que tem por objetivo rastrear indicadores de perda de capacidade funcional. O instrumento é composto por 11 itens, diferenciados em perguntas, medidas antropométricas e teste de desempenho.

Escala de Katz

Essa ferramenta é utilizada para avaliar o desempenho em atividades básicas de vida diária, como, tomar banho, controle da bexiga, capacidade de se vestir e outros.

Escala de Lawton

A ferramenta criada por Lawton & Brody, em 1969, avalia em 7 perguntas o desempenho em atividades instrumentais de vida diária,  como capacidade para atender ao telefone, fazer compras, preparar refeições, realizar tarefas domésticas, locomoção, uso de medicamentos e controle de finanças, onde quem obter mais pontos tem-se uma maior independência.

 Miniavaliação Nutricional – MNA

 A avaliação nutricional engloba avalição antropométrica, avalição global e avaliação dietética para identificar risco nutricional.

Escala de Tineti

O teste de Performance-oriented mobility assessment of gait and balance (POMA) ou escala de Tineti, é utilizada para detectar fatores de risco de quedas em idosos, sendo dividido em 2 partes que avaliam o equilíbrio e a marcha.

Escala Visual ou cartão de Jaeguer

Esse método avalia possíveis disfunções visuais.

Teste de Folstein

 Escala de Depressão Geriátrica – EDG ou Escala de Yesavage

Essa escala foi desenvolvida para rastreamento de depressão em idosos, contendo 30 ou 15 itens com perguntas como ‘’satisfeito com a vida?’’, ‘’acha sua vida vazia?’’ entre outros.

Esses e outros instrumentos podem ser visualizados clicando abaixo na cartilha elaborada pela UFRJ:

Guia dos instrumentos Avaliação Geriátrica

Referências:

  1. ESENFC. João Apóstolo. Instrumentos para avaliação em geriatria Documento de apoio. Maio, 2012.
  2. PAIXÃO JUNIOR, Carlos Montes et al. Uma revisão sobre instrumentos de avaliação do estado funcional do idoso. Cadernos de Saúde Pública, [S.L.], v. 21, n. 1, p. 7-19, fev. 2005.
  3. VERAS, Renato Peixoto. Guia dos Instrumentos de Avaliação Geriátrica [Recurso Eletrônico]. Rio de Janeiro: Unati/UERJ, 2019.

Teste de Perfusão Capilar ou Tempo de Enchimento Capilar (TEC)

O teste de perfusão capilar ou tempo de enchimento capilar (TEC), é definido como o tempo necessário para que um leito capilar distal recupere sua cor após uma pressão ter sido aplicada para causar seu branqueamento.

Foi introduzido pela primeira vez em 1947 por Beecher et al., usando as categorias normal, definitivamente desacelerado e muito lento, correlacionados com a presença e gravidade do choque.

Em 1980, Champion incluiu a medição do TEC em sua pontuação de trauma e posteriormente foi endossado pelo Colégio Americano de Cirurgia.

O TEC tornou-se amplamente usado em adultos e crianças e foi incorporado às diretrizes de suporte avançado de vida (ACLS) como parte da avaliação cardiopulmonar rápida e estruturada de pacientes críticos.

Em resumo, TEC é uma técnica de exame físico que fornece de uma maneira simples, confiável e rápida, informações sobre adequação da perfusão periférica em adultos e crianças.

Parâmetros

Inicialmente, o limite superior da normalidade para TEC foi definido como 2 segundos, com base nas observações de um membro do corpo clínico que trabalhava com o Dr. Champion . Hoje se considera como normal um valor ≤ 3 segundos. A monitorização deveria ser feita a cada 30 minutos.

Entretanto, nos últimos 30 anos, essa definição, os fatores que afetam o TEC e a validade das medidas têm sido debatidos na literatura.

A medição do TEC envolve a inspeção visual do sangue que retorna aos capilares distais após terem sido esvaziados pela aplicação de pressão. Os princípios fisiológicos da perfusão periférica são complexos.

O quão bem um leito capilar distal é perfundido depende de vários fatores.

Os principais determinantes são o fluxo sanguíneo capilar (um produto da pressão motriz, tônus ​​arteriolar e hemorreologia) e a permeabilidade capilar (refletida pela densidade capilar funcional, o número de capilares em uma determinada área que são preenchidos com glóbulos vermelhos fluindo).

O tônus ​​arteriolar depende de um equilíbrio preciso entre os vasoconstritores (norepinefrina, angiotensina II, vasopressina, endotelina I e tromboxano A 2) e vasodilatadoras (prostaciclina, óxido nítrico e produtos do metabolismo local, como a adenosina), que juntas regulam a perfusão capilar dependendo das necessidades metabólicas das células do tecido.

Fatores que podem influenciar

Vários fatores podem influenciar na acurácia da medida devendo ser considerados pelos profissionais de saúde.

IDADE

Estudos em adultos encontraram uma variação ampla do TEC, com aumento médio de 3,3% para cada 10 anos de idade. Um estudo encontrou um TEC médio para a população pediátrica (até 12 anos) de 0,8 segundos; para homens adultos, 1,0 segundo; mulheres adultas, 1,2 segundos; e naqueles com mais de 62 anos, 1,5 segundos.

Este estudo concluiu que, se 95% de todos os pacientes normais estiverem dentro da faixa normal, o limite superior do normal para mulheres adultas deve ser aumentado para 2,9 segundos e para idosos para 4,5 segundos.

TEMPERATURA

A temperatura do meio ambiente, da pele e central afetam a medição do TEC. Em adultos, o TEC diminuiu 1,2% por aumento de grau celsius na temperatura ambiente. Em adultos, a imersão da mão em água fria a 14 °C prolongou o TEC.

A temperatura da pele na ponta do dedo variou com a temperatura ambiente e cada redução de 1°C na temperatura da pele foi acompanhada por um aumento de 0,21 segundos do TEC.

Além disso, uma relação estatisticamente significativa foi encontrada entre o TEC e a temperatura central. O TEC foi em média 5% menor para cada aumento de 1°C na temperatura timpânica.

CARATERISTICAS DA PELE

Pigmentação da pele, presença de esmalte ou unhas artificias podem interferir com a avaliação.

LUZ DO AMBIENTE

As más condições de luz tornam difícil avaliar o TEC. Em condições de luz do dia (dia parcialmente nublado, aproximadamente 4000 lux), TEC foi relatado como normal em 94,2% dos participantes saudáveis ​​em comparação com apenas 31,7% dos mesmos participantes em condições de escuridão (luz da lua ou lâmpada de rua, aproximadamente 3 lux).

APLICAÇÃO DA PRESSÃO

Ainda hoje se discute a duração ideal e quantidade de pressão local usado ao avaliar o TEC.

Diferentemente do estudo original que preconiza 10 segundos, outros estudos têm sugerido aplicar pressão “moderada” por 3 segundos, 5 segundos, ou até que o leito capilar embranquecesse.

A pressão aplicada por < 3 segundos dá um TEC mais curto; nenhuma diferença foi encontrada com a pressão aplicada por 3 a 7 segundos. A aplicação de pressão “leve” (a pressão mínima para causar o branqueamento) resultou em um TEC mais curto do que a pressão “moderada” e com menos variabilidade.

A medição do TEC em diferentes locais do corpo produzirá resultados diferentes. A Organização Mundial de Saúde preconiza o uso da unha do polegar ou dedão do pé; outros estudos sugerem a região de parte mole à altura da rótula ou do antebraço.

Uma pesquisa com profissionais de saúde pediátricos descobriu que aproximadamente dois terços realizam o TEC no tórax, com apenas um terço usando a polpa da falange distal do dedo[30]. Esse achado está em desacordo com estudos que utilizam principalmente a falange distal.

CONFIABILIDADE INTRA E INTEROBSERVADOR

A baixa confiabilidade interobservador é uma das principais limitações ao uso do teste.

A confiabilidade interobservador da medição do TEC (usando um método padronizado, sem um cronômetro que possua resolução de meio segundo) em pacientes adultos clinicamente estáveis ​​no departamento de emergência mostrou uma diferença média nas medições do TEC entre os médicos de 0 segundos; no entanto, os limites de concordância de 95% foram -1,7 a +1,9 segundos.

Mais importante ainda, em apenas 70% dos indivíduos estudados houve concordância quanto ao fato do TEC ser normal ou anormal (usando um limite superior de 2 segundos do normal)[35]. Em outro estudo, 5 médicos experientes mediram o TEC em cada um dos halux de 5 pacientes.

Avaliando a confiabilidade intraobservador, eles encontraram um coeficiente intraclasse (CIC) geral (ICC) de 0,72; no entanto, o erro padrão geral da medição foi de ± 1,94 segundos. O CIC para confiabilidade interobservador foi pior.

Além das variações que podem ocorrer devido às diferenças na quantidade e duração da pressão aplicada ao dedo, o médico também deve decidir sobre o momento final do reenchimento capilar. O enchimento parcial rápido inicial dos capilares pode ser seguido por um enchimento completo mais lento.

Definir o ponto final é subjetivo e introduz mais erros na avaliação do TEC.

Teste aplicado pelos profissionais de Enfermagem

Conforme orientação fundamentada nº058/2016, é ressaltado que:

“Diante do exposto, o teste de enchimento capilar pode ser realizado por todos os Profissionais de Enfermagem desde que capacitados, orientados e supervisionados pelo Enfermeiro, entretanto, a interpretação do teste deve ser feita pelo Enfermeiro”.

Referências:

  1. Orientação COREN 058/2016
  2. Beecher HK, Simeone FA, Burnett CH, Shapiro SL, Sullivan ER, Mallory TB. The internal state of the severely wounded man on entry to the most forward hospital. Surgery 1947;22:672–711
  3. Champion HR, Sacco WJ, Carnazzo AJ, Copes W, Fouty WJ. Trauma score. Crit Care Med 1981;9:672–6
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