Exame Físico de Enfermagem, saiba Avaliar!

Exame Físico

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 10/09/2026.

O exame físico não serve apenas para “procurar alterações”. Na prática, ele ajuda o profissional a perceber uma mudança que ainda não apareceu no prontuário, confirmar uma informação relatada pelo paciente e decidir o que precisa ser acompanhado com mais atenção.

Dentro do Processo de Enfermagem, o exame físico faz parte da Avaliação de Enfermagem e fornece dados objetivos que, junto à entrevista e a outros recursos, sustentam o julgamento clínico. A Resolução Cofen nº 736/2024 estabelece que essa avaliação deve ser inicial e contínua.

As quatro técnicas fundamentais

As técnicas propedêuticas clássicas são inspeção, palpação, percussão e ausculta. A sequência pode mudar de acordo com o sistema corporal avaliado, por isso não é adequado decorar uma única ordem como se ela servisse para todo o exame físico.

Inspeção

É a observação sistemática do paciente. Avaliam-se aparência geral, nível de consciência, postura, mobilidade, coloração da pele e mucosas, simetria, padrão respiratório, presença de lesões, edema, secreções, dispositivos e outras alterações visíveis.

O exame começa antes mesmo de tocar no paciente. Ao entrar no quarto, observar como ele está sentado no leito, se apresenta esforço respiratório, palidez, agitação ou dificuldade para falar já fornece informações clínicas relevantes.

Palpação

Utiliza o tato para identificar características como temperatura, textura, sensibilidade, edema, massas, pulsos, expansão, rigidez e outras alterações, conforme a região examinada.

Áreas dolorosas devem ser avaliadas com cuidado e, quando possível, deixadas para o final da palpação. A técnica também precisa considerar a condição clínica e o conforto do paciente.

Percussão

Consiste em produzir sons por meio de pequenos golpes sobre determinadas regiões do corpo, permitindo obter informações indiretas sobre estruturas subjacentes, como presença de ar, líquido ou alterações de densidade.

Embora seja uma técnica clássica da semiologia, sua utilização e profundidade dependem do sistema avaliado e da competência técnica do profissional.

Ausculta

É a avaliação dos sons produzidos pelo organismo, geralmente com o estetoscópio. Pode ser utilizada para investigar sons cardíacos, respiratórios, intestinais e vasculares.

Na ausculta pulmonar, por exemplo, é importante comparar áreas correspondentes dos dois lados do tórax e observar o padrão respiratório, a intensidade dos sons e a presença de ruídos adventícios, como sibilos, crepitações e estridor.

A ordem muda conforme o sistema

Para uma avaliação geral, inspeção, palpação, percussão e ausculta são frequentemente ensinadas como as principais técnicas do exame físico. No abdome, entretanto, a sequência clássica é diferente: inspeção, ausculta, percussão e palpação.

Isso acontece porque a palpação e a percussão podem alterar a atividade intestinal e interferir na avaliação dos ruídos hidroaéreos. Por isso, a ausculta abdominal deve ser realizada antes dessas manobras.

Na prática, essa diferença é fácil de perceber. Se o paciente chega relatando dor abdominal intensa em fossa ilíaca direita, começar apertando justamente a região dolorosa pode aumentar o desconforto e ainda comprometer a sequência da avaliação. Primeiro se observa o abdome, depois se ausculta, e somente então avançam-se as demais manobras.

Exame físico cabeça aos pés

Uma avaliação sistematizada pode seguir uma abordagem céfalo-caudal, adaptada à condição clínica do paciente. O profissional observa inicialmente o estado geral, nível de consciência e sinais vitais, depois direciona a avaliação para os diferentes sistemas.

Em um paciente com dispneia, por exemplo, não faz sentido esperar até o final de um roteiro rígido para perceber que ele está utilizando musculatura acessória, apresentando alteração do nível de consciência ou dificuldade para falar frases completas. A avaliação precisa acompanhar a prioridade clínica.

A literatura de enfermagem recomenda uma abordagem organizada, mas também reforça a necessidade de identificar primeiro situações de instabilidade, avaliando vias aéreas, respiração, circulação e estado mental quando necessário.

O que observar na avaliação

Durante o exame físico, alguns achados merecem atenção especial:

  • Estado geral: aparência, comportamento, nível de consciência, mobilidade e interação.
  • Pele e mucosas: coloração, temperatura, umidade, integridade, lesões e perfusão.
  • Respiratório: frequência, ritmo e esforço respiratório, expansão torácica, saturação e sons pulmonares.
  • Cardiovascular: frequência e ritmo do pulso, perfusão periférica, edema e sons cardíacos quando indicados.
  • Abdome: forma, distensão, movimentos, ruídos hidroaéreos, dor, defesa e massas.
  • Neurológico: nível de consciência, orientação, resposta motora, pupilas e alterações neurológicas pertinentes ao quadro.

A avaliação não precisa produzir uma lista interminável de informações. O objetivo é identificar dados relevantes, reconhecer alterações e relacioná-las ao quadro clínico.

O exame físico precisa gerar registro

Um achado sem documentação pode perder valor na continuidade do cuidado. O registro deve ser objetivo, claro e compatível com aquilo que foi realmente observado ou mensurado.

Em vez de escrever apenas “paciente com alteração respiratória”, é mais útil registrar dados como frequência respiratória, padrão, presença de esforço, saturação, dispositivo de oxigenoterapia e achados da ausculta, quando avaliados.

Esse cuidado também permite comparar a evolução. Uma frequência respiratória de 20 irpm pela manhã e 32 irpm algumas horas depois, acompanhada de aumento do esforço respiratório, representa uma mudança muito mais evidente quando os dados anteriores estão registrados.

A Resolução Cofen nº 736/2024 determina a documentação do Processo de Enfermagem no prontuário, cabendo ao enfermeiro registrar todas as etapas e aos demais membros da equipe realizar suas anotações e registros conforme suas atribuições.

Cuidados de enfermagem durante o exame

Antes de iniciar, confirme a identificação do paciente, higienize as mãos, explique o procedimento, preserve privacidade e conforto e verifique a necessidade de equipamentos de proteção individual. O ambiente deve favorecer uma avaliação segura e adequada.

O estetoscópio deve estar limpo, e as mãos podem ser aquecidas antes do contato. Também é importante observar sinais de instabilidade durante todo o exame e interromper ou adaptar a avaliação quando a condição clínica exigir.

Ao encontrar uma alteração relevante, não basta simplesmente anotá-la. O enfermeiro deve relacionar o achado aos demais dados da avaliação, comunicar alterações que demandem intervenção e utilizar essas informações para conduzir as próximas etapas do Processo de Enfermagem.

Para memorizar

Cai em Concurso

Inspeção → observar.
Palpação → tocar.
Percussão → produzir sons e avaliar ressonância.
Ausculta → ouvir

Mas guarde também a exceção que mais aparece na prática e nas provas: no exame abdominal, a ausculta vem antes da percussão e da palpação.

Resumo para salvar

Exame Físico de Enfermagem

  • Inspeção, palpação, percussão e ausculta são as técnicas fundamentais
  • A sequência varia conforme o sistema avaliado
  • No abdome, ausculta vem antes de percussão e palpação
  • O exame físico integra a Avaliação de Enfermagem no Processo de Enfermagem

Referências:

  1. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em todo contexto socioambiental onde ocorre o cuidado de enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2024. Resolução Cofen nº 736/2024
  2. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Nursing Skills. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. National Library of Medicine, 2021–2024. NCBI Bookshelf – Nursing Skills
  3. ERNSTMEYER, K.; CHRISTMAN, E. (eds.). Chapter 12: Abdominal Assessment – Nursing Skills. Eau Claire: Chippewa Valley Technical College, Open RN. NCBI Bookshelf – Abdominal Assessment
  4. PORTO, C. C. Semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012.
  6. WONG, D. L. et al. Wong: enfermagem pediátrica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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