Capacidade do Selo d´água do dreno de tórax

A capacidade do selo d’água de um dreno torácico depende do tipo de sistema de drenagem utilizado e da quantidade de líquido ou ar que é removido do espaço pleural.

O que é um selo d´água?

O selo d’água fica dentro de uma frasco que contém água estéril ou soro fisiológico, e que impede a entrada de ar no tórax, mantendo a pressão negativa intrapleural e a expansão pulmonar.

O selo d’água deve estar submerso em 2,5 cm de altura em relação ao fundo do frasco.

O que corresponde a cerca de 300 ml para frasco de drenagem com capacidade de 1000 ml e 500 ml para de frasco de drenagem com capacidade de 2000 ml.

O selo d’água deve ser trocado a cada 12 ou 24 horas, ou sempre que estiver sujo ou contaminado.

A troca do selo d’água requer cuidados de higiene, assepsia e proteção individual, além de monitorização do volume e aspecto do conteúdo drenado.

A oscilação do nível de água no selo indica que o sistema está funcionando adequadamente e que há sincronia entre a respiração do paciente e o fluxo do dreno.

Referência:

  1. https://periodicos.furg.br/vittalle/article/download/11619/8861/42399

Curativo de Dreno de Tórax

Um curativo de dreno de tórax é um procedimento que visa proteger o local de inserção do dreno, evitar infecções, manter a permeabilidade do sistema de drenagem e facilitar a remoção do ar e/ou líquido acumulado na cavidade pleural.

A Importância

Está relacionada à prevenção de complicações respiratórias e à promoção da recuperação do paciente.

Alguns cuidados

O curativo deve ser realizado com técnica asséptica, utilizando material estéril e seguindo as normas de biossegurança.

O profissional de enfermagem deve avaliar o aspecto da ferida, a quantidade e a coloração do líquido drenado, a presença de sinais de infecção ou de fístula, e registrar os dados no prontuário.

O curativo deve ser trocado sempre que estiver úmido, sujo ou solto, ou conforme a rotina da instituição.

Alguns cuidados que devem ser observados ao realizar o curativo são:

  • lavar as mãos antes e depois do procedimento;
  • usar luvas estéreis;
  • trocar o curativo sempre que estiver úmido ou sujo;
  • fixar bem o dreno para evitar deslocamentos;
  • observar sinais de infecção ou sangramento no local;
  • anotar a data e hora da troca do curativo.

Referência:

  1. Boas Práticas -Dreno de Tórax

Redivac: O frasco de drenagem removível

O Dreno Redivac é um tubo fino de plástico (PVC) que é colocado no espaço (cavidade) criado quando o tecido é removido durante uma cirurgia.

É usado para coletar de sangue e fluidos após uma cirurgia. O cirurgião coloca drenos nas feridas operatórias com frascos de drenagem (a vácuo) para remover o excesso de líquido produzido em um local de uma cirurgia. Os drenos podem permanecer por vários dias, no entanto, o paciente poderá ir para casa com o(s) dreno(s) instalado(s). E o paciente pode trocar os frascos em casa, quando estiverem cheios.

Tempo de Permanência

O tempo que o dreno permanece no local depende da quantidade de líquido drenado.

Se a drenagem for de 50 ml ou menos em um período de 24 horas, então um profissional de saúde pode remover o dreno.

De outra forma, o dreno geralmente será removido dentro de sete dias após a cirurgia. O cirurgião irá especificar isso em sua nota de operação que pode pedir ao seu enfermeiro para verificar antes de ir para casa.

Quando o frasco de Redivac deve ser trocado?

O frasco precisa ser trocado quando:

  • Se o frasco estiver mais da metade cheia;
  • Se o indicador de vácuo verde estiver completamente expandido, indicando que não há sucção restante OU;
  • Se a extensão tiver se desconectado.

Quando o paciente deve procurar atendimento médico?

O paciente deve procurar atendimento médico se ocorrer uma das seguintes situações:

  • A quantidade de drenagem aumenta significativamente (mais de 100ml do dia anterior);
  • A drenagem não está fluindo para fora;
  • A drenagem fica turva, vermelha brilhante, com mau cheiro ou pus;
  • Se tiver uma uma temperatura elevada de mais de 38°C;
  • Sua pele ao redor da área do tubo de drenagem fica vermelha, inchada ou dolorida;
  • Os pontos ao redor do tubo de drenagem afrouxam ou se o tubo de drenagem escorregar;
    – Se o tubo de drenagem escorregar, coloque uma gaze limpa sobre o local de drenagem e coloque um curativo sobre ele para manter a gaze no lugar.

Alguns cuidados

  • Lembre-se de levar o frasco para onde for;
  • Tente evitar que o tubo fique preso em alguma coisa;
  • Certifique-se sempre de que o tubo não fica dobrado;
  • Use roupas soltas para permitir a tubulação. Algumas pessoas acharam útil prender o saco que contém o garrafa de drenagem em um cinto em volta da cintura ou carregue-a na pequena bolsa fornecida;
  • Ao dormir, coloque o dreno na vertical no chão ao lado você. Isso impedirá que você role para a garrafa de drenagem quando dormindo;
  • O frasco pode ficar pesado, o que às vezes pode ser inconveniente e restritivo. No entanto, não mudaríamos o frasco, a menos que ela fique muito cheia. Isto porque pode
    aumentar o risco de infecção quando o selo estéril é rompido da ferida para o frasco de drenagem;
  • Verifique se o vácuo do frasco está presente verificando o sanfona verde no topo da garrafa.

Referência:

  1. https://www.singhealth.com.sg/patient-care/conditions-treatments/redivac-drain-care

Dreno de Blake

O Dreno de Blake é um dispositivo de silicone para a drenagem de fluidos no período pós-operatório. Possui canais de fluxo ao longo de seu corpo, que diminuem a possibilidade de obstrução e possibilitam uma drenagem mais eficiente.

O seu centro sólido proporciona uma maior resistência às tensões, evitando assim a obstrução.

Indicação

O Dreno de  Blake é indicado para drenagem corporal no período pós-operatório onde fluidos tendem a se acumular e aumentar o risco de infecção.

Excelente indicação onde há necessidade de um maior contato com o tecido que necessita de drenagem, pois possibilita uma drenagem mais rápida e eficaz.

Como exemplo de uso temos: cirurgias plásticas, cardíacas, transplantes, grandes cirurgias abdominais, cirurgias bariátricas e cirurgias em geral.

Qual é a diferença do Dreno de Blake e Jackson Pratt (JP)?

Somente pelo nome do fabricante, pois ambos são praticamente os mesmos, com as mesmas funções.

Cuidados de Enfermagem

  • Manter vácuo (então culmina por alterar o volume drenado, podendo acumular o que provocaria dor, desconforto, alteração de sinais vitais e outras;
  • Observar aspectos da drenagem;
  • Troca de curativo ao redor do peridreno diariamente ou quando houver sujidade;
  • Despejar o conteúdo do dreno em local apropriado como o expurgo hospitalar ou em vaso sanitário.

Referências:

  1. https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/880496/drenos-abdominais-indicacoes-e-utilizacao-na-pratica-cirurgica.pdf

Bandeja para Drenagem Torácica

Para que serve?

Dar saída à coleções líquidas ou gasosas do espaço pleural, mediastino ou cavidade torácica, restaurando a pressão no espaço pleural ou reexpandindo o pulmão colapsado, restaurando a função cardio-respiratória normal, após cirúrgia, traumatismo ou afecções clínicas.

Executor:

Médico

Materiais Necessários

  • Mesa auxiliar
  • Foco auxiliar
  • Caixa de pequena cirurgia
  • Drenos de tórax compatíveis com a finalidade
  • Gazes estéreis
  • Fio de sutura mono-nylon 2,0 ou 3,0 agulhados
  • Seringa 10ml descartável para anestesia
  • Agulhas para anestesia (40×12 e 30×7)
  • clorexidina alcoólica a 0,5%
  • Xylocaína 2% sem vasoconstritor
  • Lâmina de bisturi de acordo com o cabo do bisturi
  • Luvas estéreis
  • Campo fenestrado
  • Frascos de drenagem conforme a solicitação do cirurgião
  • Soro fisiológico ou água estéril para preenchimento do frasco de drenagem (+500ml)
  • Fita adesiva
  • Recipiente para lixo

Etapas do Procedimento

Médico:

  • Técnica asséptica;
  • O médico deve usar paramentação cirúrgica;
  • Lavar as mãos corretamente e calçar luvas estéreis;
  • antissepsia da pele;
  • Colocação de campo;
  • Anestesia local e/ou se necessário sedo-anestesia;
  • Incisão e dissecção dos tecidos;
  • Colocação do dreno;
  • Fixação do dreno;
  • Curativo;
  • Verificação do sistema;
  • Confirmar posicionamento do dreno com Rx de tórax;

Enfermagem:

  • Lavar as mãos corretamente;
  • Abrir os pacotes com técnica asséptica;
  • Preparar o paciente, posicionando-o;
  • Colocar o antisséptico na cuba ;
  • Segurar o frasco de anestésico para o médico, realizando a antissepsia prévia com álcool 70%;
  • Colocar soro ou água esterilizada dentro do frasco;
  • Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água ;
  • Calçar as luvas;
  • Após a introdução do dreno, auxiliar na conexão deste à extremidade distal do sistema, sem contaminar;
  • Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome no frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
  • Após o término do procedimento, descartar os materiais perfuro-cortantes em recipiente adequado;
  • Encaminhar os instrumentais para a CME e arrumar o local;

Para a troca de frascos: quando alcançar 2/3 da capacidade do frasco

  • Lavar as mãos corretamente;
  • Calçar luvas estéril;
  • vestir máscara;
  • proteger a inserção do dreno com campo estéril;
  • Pinçar o intermédiário realizar assepsia com álcool 70 % na conexão do dreno e intermediário ;
  • Pegar novo frasco de drenagem;
  • Colocar soro ou água estéril dentro do frasco;
  • Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água (cerca de 500ml);
  • Desconectar o intermediário e encaixá-lo usado e encaixá-lo ao frasco limpo;
  • Retirar as pinças do dreno;
  • Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome de quem trocou o frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
  • Encaminhar o frasco para a sala de utilidades, desprezar o conteúdo e colocar o frasco em lixo infectante, se descartável, ou para a limpeza e esterilização, se de vidro;
  • Anotar no prontuário do paciente o aspecto e o volume drenado;

Cuidados/Observações/Orientações

  • Toda vez que houver necessidade de se elevar o frasco acima do nível do tórax do paciente (transporte, deambulação, etc), clampliar os drenos;
  • Manter o frasco abaixo do nível do tórax;
  • O dreno não pode ficar diretamente no chão, utilizar o cordão para fixá-lo na lateral da cama;
  • Trocar o frasco de drenagem quando este acumular cerca de 2/3 do volume da capacidade do frasco. O frasco não deve ser esvaziado e reutilizado. Ele deve ser substituído;
  • Se o volume diário drenado for de 100ml a 150 ml e a capacidade do frasco estiver próximo ao limite perguntar ao médico sobre a necessidade de troca;
  • Frascos de drenagem de pneumotórax não necessitam de troca;
  • Observar o funcionamento do sistema de drenagem;
  • Estimular o paciente à movimentação no leito;
  • Estimular exercício respiratório.
  • A montagem e manutenção de sistemas com dois ou três frascos devem ser orientadas pelo médico.

Referências:

  1. LYNN, Pamela. Manual de habilidades de Enfermagem Clínica de Taylor.
  2. POTTER. Guia completo de procedimentos e competências de enfermagem.
  3. COREN-SP. Boas práticas com drenos de tórax.

Válvula de Heimlich

A Válvula de Heimlich foi descrita para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água, sendo projetada para evitar o refluxo de fluidos e ar para o paciente.

Disponível com e sem saco coletor pré-conectado, é indicado principalmente para procedimentos de cirurgia torácica, como por exemplo o pneumotórax.

Vantagens

Henry Heimlich, em 1968, idealizou um dispositivo para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água convencionalmente utilizados, apresentando vantagens, tais como:

  • Conferir maior mobilidade ao paciente;
  • Não necessitar de pinçamento durante o transporte;
  • E oferecer maior segurança e facilidade de higienização.

Propôs, então, uma válvula, de pequenas dimensões, que permite a passagem de fluido ou ar em uma única direção, evitando o refluxo para a cavidade pleural.

Além dessas vantagens, seria de fácil utilização e entendimento pela equipe médica, de enfermagem e, inclusive, pelo próprio paciente.

O sistema também mantém-se funcionando, independentemente de sua posição ou nível, tornando a drenagem pleural mais confiável.

O Enfermeiro e a Válvula de Heimlich

Quanto a competência do Enfermeiro em reconectar nova válvula de Heimlich por desconexão da anterior, por solicitação médica:

A troca da válvula de Heimlich pode ser feita pelo Enfermeiro se o mesmo tiver recebido capacitação para tal procedimento e com a prescrição do médico.

Referências:

  1. BEYRUTI, RICARDO et al. A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. Jornal de Pneumologia [online]. 2002, v. 28, n. 3 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 115-119. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001&gt;. Epub 05 Nov 2002. ISSN 1678-4642. https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001.
  2. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2017

Dreno de Wayne

Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, a incidência de pneumotórax espontâneo primário é de cerca de 6 a 10 casos por 100 mil habitantes por ano.

A doença incide predominantemente em homens, mais altos e mais magros, com idade entre 20 e 40 anos.

Quase sempre é unilateral, um pouco mais frequente à direita. É mais comum nos fumantes devido à inflamação das vias aéreas, sendo proporcional ao número de cigarros por dia. A incidência do pneumotórax espontâneo secundário é semelhante à do primário, sendo mais frequente em pacientes acima dos 60 anos de idade.

O Dreno

O dreno de Wayne é um cateter fino, do tipo pig tail, utilizado em conjunto com a válvula de Heimlich, para drenagem de pneumotórax de diferentes etiologias. Este sistema, foi idealizado para substituir os drenos com selo d’água, constitui-se de uma válvula unidirecional, que funciona em qualquer altura que esteja posicionado, é menos doloroso e mais confortável para o paciente.

Diversos estudos compararam a eficácia do tratamento de pneumotórax entre tubos de pequenos calibres versus tubos de calibres maiores e o resultado mostrou que drenos em pigtail são tão efetivos quanto os drenos torácicos de maior calibre e proporcionam uma maior tolerância para os pacientes, maior mobilidade, menos dor e uma técnica de inserção menos invasiva.

Beyruti et.al. realizaram um estudo no qual avaliaram a eficácia de um sistema unidirecional (válvula de Heimlich), e puderem concluir que a válvula de Heimlich mostrou-se eficiente na resolução do pneumotórax de diferentes etiologias, a sua manipulação foi mais simples e rápida do que a drenagem em selo d´água.

Além disso, a boa tolerância referida pela maioria absoluta (94,8%) dos pacientes é fator que determina maior precocidade de alta hospitalar, bem como incentiva o tratamento ambulatorial do pneumotórax

A Coleta do líquido de dreno de tórax pela Equipe de Enfermagem

Existe a ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016, no qual questiona “Solicitação de esclarecimentos quanto a competência do Enfermeiro para a coleta de líquido de dreno de tórax, para exames laboratoriais pela torneirinha do dreno de Wayne com seringa“, onde conclui-se que:

“O enfermeiro tem como função a manutenção e curativo deste tipo de dreno, e uma vez que o dreno de Wayne já vem com a torneirinha e não dispõe de selo d’água, desde que o Enfermeiro tenha recebido orientação/treinamento sobre o procedimento, faça uma desinfecção adequada da torneirinha e use técnica estéril, ele pode colher material para  laboratório conectando a seringa à torneirinha do dreno, com a prescrição do médico”.

Veja também:

Drenagem Torácica: O que é?

Referências:

  1. Martin, K., Emil, S., Zavalkoff, S., Lo,A.,Ganey, M., Baird, R., Gaudreault, J., Mandel, R., Perreault, T., Pharand, A. (2013). Transitioning from stiff chest tubes to soft pleural catheters: prospective assessment of a practice change. Europeam Journal Pediatric Surgery, 23:389-393. Doi:10.1055/s-0033-1333641.
  2. Lin, C., Lin, W., Chand, J. (2011) Comparison of pigtail cateter with chest tube for drainage of parapneumonic effusion in children. Pediatrics and neonatology 52,337-341. Doi:10.1016/j.pedneo.2011.08.007.
  3. Beuruti, R., Villiger, L., Campos, J., Silva, R., Fernandez, A., Jatene, F. (2002). A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. J. Pneumol. 28(3).
  4. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016

Dreno de Kehr

O dreno de Kehr é introduzido nas vias biliares extra-hepáticas, recomendado para a drenagem externa, descompressão ou após anastomose biliar, como prótese modeladora, devendo ser fixado por meio de pontos na parede duodenal lateral ao dreno, tanto quanto na pele, impedindo sua saída espontânea.

A Principal finalidade é determinar ou criar um percurso artificial, com menor resistência, entre uma cavidade/ferida e o meio externo, pelo qual as secreções possam ser exteriorizadas, percorrendo uma trajetória mais curta.

Características

O dreno de Kehr é constituído de duas hastes tubulares, sendo uma vertical com 30 centímetros e outra haste horizontal com 10 centímetros, a qual se une à porção mediana da haste vertical, conferindo-lhe a forma de “T”, sendo que seu uso repousa nas indicações médicas, considerando as possíveis vantagens e desvantagens ou complicações, lembrando que o mesmo é indicado para drenar a via biliar principal.

Ressalta-se que para o dreno cumprir a finalidade mestra para a qual foi inserido, são necessários cuidados para se obter os benefícios de sua utilização desde a sua colocação até a sua retirada.

O seu uso na Colangiografia

A Colangiografia permite a visualização do caminho da bile, partindo do fígado até o duodeno, sendo possível identificar eventuais obstruções dos canais por onde a bile passa, assim como possíveis lesões, estenose ou dilatação destes dutos.

O paciente é sedado para evitar qualquer desconforto, sendo utilizado um tubo fino e flexível que porta uma microcâmera na extremidade, ou seja, um endoscópio, que introduzido por via oral possibilita a visualização da papila por onde os dutos biliares, pancreáticos e do fígado fluem para o duodeno.

Por meio deste tubo que é injetado o contraste radiológico. No caso da colangiografia intra-operatória, o contraste é administrado diretamente na árvore biliar, sendo que durante o procedimento cirúrgico de remoção da vesícula são realizadas imagens radiográficas diversas que permitem a visualização dos dutos biliares.

Os Tipos de Colangiografia

Quanto aos tipos de colangiografia, destaca-se dos tipos endovenosa ou intravenosa, consiste em aplicar um contraste na corrente sanguínea, para ser eliminado pela bile, com o intuito de obter
imagens em postura anteroposterior (AP) com encerramento do exame a critério médico, assim sendo:

Colangiografia pré-operatória

Na colangiografia pré-operatória com administração de contraste iodado, pode ser realizada por via transcística, onde o ducto cístico é cateterizado e injetado contraste iodado diretamente no ducto biliar principal, geralmente o colédoco, por uma agulha ou dreno de Kehr, neste caso para diagnóstico de coledocolitíase residual.

Colangiografia pós-operatória

A colangiografia pós-operatória por dreno em “T” ou dreno de Kehr é realizada em situações nas quais ocorrem abordagem cirúrgica da via biliar principal, sendo necessária a descompressão da via biliar, diminuindo o risco de fístulas, além de moldar a via biliar no local abordado, prevenindo eventual estenose.

Geralmente a colangiografia é realizada no sétimo dia pós-operatório, período onde se espera ter ocorrido a cicatrização do colédoco e bloqueio em torno do dreno. Antes de iniciar o exame deve ser realizada a assepsia do dreno e a retirada do ar, com o intuito de evitar uma possível pseudo-imagem ou imagem falsa, se possível observar o refluxo da bile, assim que o refluxo da bile atravessar todo o cateter, conecta-se uma seringa com contraste iodado.

A indicação

O procedimento mais indicado para a colangiografia pelo tubo de Kehr é a fluoroscopia, porém quando são realizados em aparelhos de Raios-X convencionais, sem imagem de TV, a procedência deverá contemplar três etapas, iniciando com a injeção de 3 a 5 mililitros de contraste iodado e radiografar as vias biliares, aguardar cerca de três minutos, para que o contraste se encaminhe para o duodeno e radiografar novamente as vias biliares, finalizando com a injeção do restante do contraste, cerca de dez ml e radiografar as vias biliares.

Principais complicações

Sobre as possíveis intercorrências e complicações relacionadas ao uso do dreno de Kehr, após a exploração cirúrgica do colédoco em usuários com afecções benignas, estão relacionadas com a formação de coleções biliares localizadas ou difusas, com consequente extravasamento de bile em torno do dreno, ou após o escape parcial ou total do tubo em “T” do interior da via biliar. Portanto, este procedimento, não é isento de complicações, porém os benefícios frente a determinadas situações justificam a sua utilização.

Contra-indicações

Sobre as contra-indicações para este tipo de procedimento, compreendem os casos de hipersensibilidade ao contraste iodado, infecção aguda do sistema biliar e altos níveis de creatinina e/ou uréia.

O seu uso na Colecistectomia

O tratamento cirúrgico tem o objetivo de proporcionar para você o alívio de seus sintomas por meio da remoção da principal causa, que neste caso é a vesícula biliar. Então a colecistectomia, nada mais é que a retirada da vesícula biliar cirurgicamente.

Colecistecomia Convencional

Colecistectomia convencional É a remoção da vesícula biliar através de um corte abdominal, é popularmente conhecida como “técnica aberta”. Esta intervenção é indicada nos casos de inflamação da vesícula.

Colecistectomia laparoscópica

É conhecida como “cirurgia por vídeo”, realizada através de um pequeno corte na cicatriz umbilical. Podem ser realizados diversos outros cortes pequenos ao longo do abdômen para a introdução de outros instrumentos cirúrgicos.

O abdômen é insuflado com um gás, para que o cirurgião consiga enxergar as estruturas abdominais. Um dos instrumentos cirúrgicos utilizado é o laparoscópio.

Ele possui uma câmera que passa a imagem para um visor que fica dentro da sala de cirurgia. Com isso, o cirurgião consegue enxergar dentro do abdômen. As duas técnicas cirúrgicas têm a mesma finalidade, porém só são realizadas de maneiras diferentes, de acordo com a necessidade apresentada pela condição clínica do paciente.

Assistência de Enfermagem

A assistência ao usuário que necessita do dreno, exige que o grupo profissional o prepare física e emocionalmente para o procedimento, visando um processo de reabilitação adequado.

A ferida de contra-abertura é classificada como drenante, a qual se trata de uma abertura cirúrgica, com presença de drenagem e exteriorizada por um conduto especial, o dreno.

O usuário deve ser avaliado frequentemente e receber cuidados específicos. Dentre as possíveis complicações da drenagem, destacam os efeitos orgânicos em resposta ao corpo estranho, como erosão em vasos, aparecimento de fístulas, hemorragias, dentre outros, aumentando, nestes casos, a possibilidade de infecção. Também podem ocorrer problemas mecânicos, como a perda do
dreno por deslocamento, obstrução do dreno, resultando na perda de sua função, assim como podem surgir transtornos fisiológicos devido a perda de líquidos.

A permanência do dreno depende do tipo de cirurgia realizada, no caso das colecistectomias combinadas à coledocotomias com drenagem à Kehr, onde este período é dado por indicação médica. Devem ser aplicadas ações que visem prevenir o deslocamento e facilitar a evolução do processo de cicatrização, após a retirada do dreno.

Referências:

  1. ALBUQUERQUE, Roberto. Clínica Cirúrgica. Montes Claros: Centro de Ciências Biológicas da Saúde – CCBS, 2012
  2. ALVES, José Galvão. Emergências em Gastrenterologia. Rio de Janeiro: Rubio, 2009.
  3. AMATO, Alexandre Campos Moraes. Procedimentos Médicos: técnica e tática. São Paulo: Roca, 2008.
  4. BRESCANI, Cláudio; GAMA-RODRIGUES, Joaquim; VERROTI, Maurício; COSER, Roger. ColangiografiaIntra-Operatória: Custos e Tempo gastos na sua realização durante a Colecistectomia Laparoscópica. Revista Sobracil. Ano 04 nº 7 – Maio, 2001. 1-4.
  5. CESARETTI, Isabel Umbelina Ribeiro; SAAD, Sarhan Sydney. Drenos Laminares e Tubulares em Cirurgia Abdominal: Fundamentos Básicos e Assistência. Acta Paul. Enf. v. 15, n. 3, jul/set., 2002. 97-106.

Dreno de Redon

dreno de Redon, às vezes chamado apenas de Redon, é um tubo em material flexível, composto de plástico ou de silicone, e perfurado por diversas aberturas em uma parte da sua parede.

Após uma intervenção cirúrgica, principalmente em cirurgias como por exemplo de Artroplastias, Artrodeses em geral,  a parte perfurada é colocada no nível da região onde foi feita a cirurgia e é destinada a assegurar uma drenagem dos materiais por aspiração, por meio de drenagem por sistema fechada e a vácuo, como dreno de Portovack, Blake ou Jackson Pratt

Essas secreções drenadas podem ser sangue, pus, bactérias, líquidos diversos. O dreno de Redon possui também o papel de favorizar a cicatrização do local operado e prevenir todas as infecções.

Geralmente estes drenos são grandes, com comprimento de 50 centímetros, tendo 15 cm destes destinado à área perfurada, permitindo a total drenagem assim diminuindo a obstrução interna, com linha de contraste radio-opaco, sendo visualizada em exames de raio-x, e com o material confeccionado com PVC, com tamanhos entre 8 e 18 CH.

O principal objetivo deste dreno é de aspirar as serosidades e o sangue, de modo a secar a ferida operatória.

Referência:

  1. von Roth P, Perka C, Dirschedl K, Mayr HO, Ensthaler L, Preininger B, et al. Use of Redon drains in primary total hip arthroplasty has no clinically relevant benefits. Orthopedics. 2012;35(11):e1592-5. 

Dreno de Abramson

O Dreno de Abramson faz parte do sistema de drenagem de abcessos, denominado “Cárter”.

Um dreno de “cárter” é uma ferramenta médica usada para extrair líquidos. Esse instrumento de drenagem de fluidos também é conhecido como “sistema de poço”, ou “bomba de sucção” (termo livre traduzido do inglês  “suction pump”), e consiste em um pequeno tubo dentro de um grande.

Um dreno de cárter pode extrair fluídos de uma cavidade através de um tubo, permitindo que o ar entre na cavidade para substituir os fluídos. Esse movimento de fluidos é possível através da sucção.

Este dreno triplo lúmen se tornou bem rotineiro na última década como um dreno para multi-funções, pois permite drenagem por transbordamento ou sucção (fechada ou bombeamento), para coleta de culturas ou análise de fluídos, irrigação contínua ou intermitente e administração de medicamentos.

Outras melhorias foram feitas no dreno na busca por dreno cirúrgico ideal. Agora é feito de silicone, possui uma faixa radiopaca, local para sutura, um conector moldado ao triplo lúmen com um tubo de drenagem, porta de irrigação, filtro bacteriano e tampas.

Além disso, o dreno pode ser indicado em pediatria, cirurgias de mama, cirurgias plásticas, cirurgias de cabeça e pescoço entre outros.

Clique aqui para ver um vídeo de exemplo, de como é feito a limpeza com flush de salinização em um sistema de drenagem de abcesso!

Referências:

Pebmed