Doenças Valvulares

O coração funciona como uma bomba que impulsiona o sangue para todo o organismo. Para que esse processo ocorra de forma eficiente, o fluxo sanguíneo precisa seguir apenas uma direção. Essa função é desempenhada pelas quatro válvulas cardíacas, estruturas que se abrem e se fecham milhares de vezes por dia, garantindo que o sangue não retorne para a câmara de onde acabou de sair.

Quando uma dessas válvulas deixa de funcionar adequadamente, surge o que chamamos de doença valvar cardíaca ou valvopatia. Essas alterações podem dificultar a passagem do sangue, permitir seu refluxo ou provocar ambas as situações ao mesmo tempo, aumentando o trabalho do coração e favorecendo o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações.

As doenças valvulares podem permanecer assintomáticas por muitos anos, sendo descobertas apenas durante um exame físico de rotina, quando o profissional identifica um sopro cardíaco. Entretanto, à medida que a doença progride, podem surgir sintomas importantes que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Neste artigo você conhecerá as principais valvopatias, entenderá como elas se desenvolvem, quais são seus sintomas, formas de diagnóstico, tratamento e os cuidados de enfermagem fundamentais para esses pacientes.

O que são as válvulas cardíacas?

O coração possui quatro válvulas responsáveis por controlar o fluxo sanguíneo:

  • Valva mitral
  • Valva tricúspide
  • Valva aórtica
  • Valva pulmonar

Cada uma atua como uma “porta”, abrindo-se para permitir a passagem do sangue e fechando-se logo em seguida para impedir seu retorno.

Esse mecanismo acontece aproximadamente entre 60 e 100 vezes por minuto em um adulto saudável em repouso, podendo ultrapassar 100 mil ciclos por dia.

Como funcionam as válvulas?

Durante o ciclo cardíaco existem dois momentos principais:

Diástole

É o momento em que o coração relaxa e recebe sangue.

Sístole

É o momento em que o coração se contrai para bombear o sangue. As válvulas abrem e fecham de forma sincronizada para garantir que o sangue siga apenas um único sentido. Quando esse mecanismo falha, surgem as doenças valvulares.

O que é uma doença valvular?

Uma doença valvular ocorre quando uma ou mais válvulas cardíacas apresentam alterações estruturais ou funcionais que comprometem sua abertura, fechamento ou ambos.

Essas alterações podem ser congênitas (presentes desde o nascimento) ou adquiridas ao longo da vida.

Os dois principais tipos de alteração valvar

Independentemente da válvula acometida, praticamente todas as valvopatias pertencem a dois grandes grupos.

Estenose valvar

Na estenose, a válvula não consegue abrir completamente. Isso faz com que o sangue encontre dificuldade para atravessá-la, o coração precisa gerar uma pressão muito maior para vencer essa resistência. Com o passar do tempo ocorre sobrecarga da câmara cardíaca.

Uma forma simples de imaginar esse processo é pensar em uma porta parcialmente fechada: quanto menor a abertura, mais difícil será passar por ela.

Insuficiência (ou regurgitação) valvar

Nesse caso, a válvula não consegue fechar completamente e parte do sangue retorna para a câmara anterior. O coração precisa bombear um volume maior de sangue para compensar essa perda.

É semelhante a uma torneira que não fecha totalmente e permite o retorno constante da água.

Quais são as principais causas das doenças valvulares?

Diversas condições podem comprometer as válvulas cardíacas.

Entre as principais causas estão:

  • envelhecimento;
  • calcificação das válvulas;
  • febre reumática;
  • endocardite infecciosa;
  • doenças congênitas;
  • doenças degenerativas;
  • prolapso da valva mitral;
  • infarto do miocárdio;
  • doenças do tecido conjuntivo (como síndrome de Marfan);
  • radioterapia torácica;
  • doenças autoimunes.

Nos países desenvolvidos, a degeneração relacionada ao envelhecimento é atualmente a principal causa. Já em países em desenvolvimento, a febre reumática ainda representa importante causa de valvopatias.

Valva aórtica

A valva aórtica separa o ventrículo esquerdo da aorta, é uma das válvulas mais frequentemente acometidas.

Estenose aórtica

É uma das doenças valvulares mais comuns em idosos onde o estreitamento da válvula dificulta a saída do sangue do ventrículo esquerdo.

Principais causas

  • calcificação relacionada à idade;
  • válvula aórtica bicúspide congênita;
  • febre reumática.

Sintomas

Durante muitos anos o paciente pode não apresentar sintomas.

Quando eles aparecem, destacam-se:

  • falta de ar;
  • dor no peito (angina);
  • desmaios (síncope);
  • fadiga;
  • palpitações;
  • insuficiência cardíaca.

A tríade clássica da estenose aórtica grave é:

  • angina;
  • síncope;
  • dispneia.

Insuficiência aórtica

Na insuficiência aórtica, parte do sangue retorna da aorta para o ventrículo esquerdo durante a diástole.

Principais causas

  • hipertensão arterial;
  • dilatação da raiz da aorta;
  • síndrome de Marfan;
  • endocardite;
  • febre reumática.

Sintomas

  • cansaço;
  • falta de ar;
  • palpitações;
  • sensação dos batimentos fortes;
  • insuficiência cardíaca em fases avançadas.

Valva mitral

A valva mitral localiza-se entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo.

Estenose mitral

É classicamente associada à febre reumática. O estreitamento dificulta a passagem do sangue para o ventrículo esquerdo.

Sintomas

  • falta de ar;
  • tosse;
  • fadiga;
  • palpitações;
  • fibrilação atrial;
  • edema pulmonar.

Insuficiência mitral

É uma das valvopatias mais frequentes.

O sangue retorna para o átrio esquerdo durante a contração ventricular.

Causas

  • prolapso da valva mitral;
  • degeneração mixomatosa;
  • infarto;
  • ruptura de cordas tendíneas;
  • endocardite.

Sintomas

  • dispneia;
  • fadiga;
  • intolerância aos esforços;
  • palpitações;
  • insuficiência cardíaca.

Prolapso da valva mitral

O prolapso ocorre quando um ou ambos os folhetos da válvula projetam-se para dentro do átrio esquerdo durante a sístole sendo relativamente comum. Na maioria das pessoas apresenta evolução benigna. Alguns pacientes podem desenvolver insuficiência mitral significativa.

Valva tricúspide

A válvula tricúspide separa o átrio direito do ventrículo direito.

Insuficiência tricúspide

Frequentemente ocorre como consequência da hipertensão pulmonar ou da insuficiência cardíaca.

Sintomas

  • edema de membros inferiores;
  • aumento do fígado;
  • ascite;
  • ingurgitamento jugular.

Estenose tricúspide

É rara, mas quando ocorre, geralmente está associada à febre reumática.

Valva pulmonar

A válvula pulmonar controla a saída do sangue do ventrículo direito para a artéria pulmonar.

Estenose pulmonar

Na maioria das vezes é congênita. Casos leves podem permanecer sem sintomas durante muitos anos.

Insuficiência pulmonar

Pode ocorrer em pacientes com hipertensão pulmonar ou após cirurgias cardíacas.

Como surgem os sintomas?

Independentemente da válvula acometida, o coração precisa trabalhar mais. Inicialmente ele consegue compensar esse esforço.

Com o passar dos anos surgem:

  • hipertrofia cardíaca;
  • dilatação das câmaras;
  • insuficiência cardíaca;
  • arritmias.

É por isso que muitos pacientes permanecem sem sintomas por longo período.

Principais sinais e sintomas

As manifestações variam conforme a válvula acometida e a gravidade da doença.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • falta de ar aos esforços;
  • cansaço;
  • intolerância ao exercício;
  • dor torácica;
  • palpitações;
  • tontura;
  • desmaios;
  • edema em membros inferiores;
  • ganho de peso por retenção hídrica;
  • ortopneia;
  • dispneia paroxística noturna.

O sopro cardíaco

O sopro é um ruído produzido pela passagem turbulenta do sangue através das válvulas. Nem todo sopro significa doença, mas existem sopros fisiológicos. Entretanto, muitos sopros indicam alguma valvopatia e devem ser investigados.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação inclui:

  • história clínica;
  • exame físico;
  • ausculta cardíaca;
  • eletrocardiograma;
  • radiografia de tórax;
  • ecocardiograma transtorácico;
  • ecocardiograma transesofágico;
  • tomografia cardíaca;
  • ressonância cardíaca;
  • cateterismo cardíaco em casos selecionados.

O ecocardiograma é considerado o principal exame para diagnóstico e acompanhamento das doenças valvulares.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da válvula acometida, da gravidade da doença, dos sintomas e da função cardíaca.

Pode incluir:

Tratamento clínico

Inclui medicamentos para controlar sintomas e complicações, como:

É importante destacar que, na maioria das valvopatias estruturais, os medicamentos aliviam sintomas, mas não corrigem o defeito da válvula.

Tratamento percutâneo

Algumas doenças podem ser tratadas por cateterismo. Os principais procedimentos incluem:

  • TAVI (Implante Transcateter de Valva Aórtica), indicado para casos selecionados de estenose aórtica;
  • valvoplastia mitral por balão, utilizada em pacientes selecionados com estenose mitral.

Essas técnicas reduzem a necessidade de cirurgia em muitos pacientes.

Cirurgia cardíaca

Quando a doença é grave, pode ser necessário:

  • plastia valvar (reparo da válvula);
  • troca por prótese biológica;
  • troca por prótese mecânica.

Próteses valvares

Próteses mecânicas

São fabricadas com materiais altamente resistentes, como carbono pirolítico e titânio.

Vantagens

  • longa durabilidade;
  • podem durar décadas.

Desvantagens

Necessitam anticoagulação permanente.

Próteses biológicas

São confeccionadas a partir de tecidos animais, geralmente:

  • pericárdio bovino;
  • válvulas porcinas.

Vantagens

Menor necessidade de anticoagulação prolongada (dependendo do caso).

Desvantagens

Durabilidade menor, geralmente entre 10 e 20 anos, variando conforme idade e fatores clínicos.

Possíveis complicações

Sem tratamento adequado, as valvopatias podem evoluir para:

  • insuficiência cardíaca;
  • fibrilação atrial;
  • acidente vascular cerebral (AVC);
  • endocardite infecciosa;
  • edema agudo de pulmão;
  • choque cardiogênico;
  • morte súbita em casos específicos.

Curiosidades

O coração humano realiza cerca de 100 mil batimentos por dia, e cada válvula abre e fecha aproximadamente a mesma quantidade de vezes. A estenose aórtica é atualmente a valvopatia mais comum em idosos, principalmente devido à calcificação progressiva da válvula. A febre reumática, embora menos frequente em países desenvolvidos, ainda é uma das principais causas de doença valvar em países de média e baixa renda.

O ecocardiograma Doppler revolucionou o diagnóstico das valvopatias, permitindo avaliar não apenas a anatomia das válvulas, mas também a direção e a velocidade do fluxo sanguíneo. O implante transcateter de valva aórtica (TAVI) tornou-se uma alternativa importante para pacientes com estenose aórtica grave que apresentam alto risco cirúrgico.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento de pacientes com doenças valvulares cardíacas, tanto em ambiente ambulatorial quanto hospitalar. Entre os principais cuidados destacam-se:

  • Realizar avaliação clínica sistemática, observando presença de dispneia, fadiga, edema, palpitações e intolerância aos esforços.
  • Monitorar sinais vitais, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e saturação de oxigênio.
  • Auscultar sons cardíacos quando habilitado e comunicar alterações como novos sopros ou mudanças no padrão habitual.
  • Observar sinais de insuficiência cardíaca, como edema periférico, ortopneia, dispneia paroxística noturna e ganho rápido de peso.
  • Monitorar balanço hídrico, especialmente em pacientes com retenção de líquidos.
  • Administrar medicamentos conforme prescrição, observando possíveis efeitos adversos e necessidade de monitorização laboratorial, especialmente em pacientes em uso de anticoagulantes.
  • Orientar sobre adesão ao tratamento, restrição de sódio quando indicada, prática de atividade física conforme orientação médica e controle dos fatores de risco cardiovascular.
  • Preparar e orientar pacientes submetidos a exames diagnósticos, procedimentos percutâneos ou cirurgias valvares.
  • Nos pacientes portadores de próteses mecânicas, reforçar a importância do uso contínuo da anticoagulação e do acompanhamento periódico do INR.
  • Estimular a procura imediata por atendimento em caso de dor torácica intensa, síncope, piora da dispneia, febre persistente (suspeita de endocardite) ou sinais de insuficiência cardíaca descompensada.

As doenças valvulares cardíacas representam um importante grupo de enfermidades cardiovasculares que podem permanecer silenciosas durante anos e, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, evoluir para complicações potencialmente graves. O conhecimento das diferentes valvopatias, seus mecanismos, manifestações clínicas e opções terapêuticas é essencial para estudantes e profissionais de enfermagem.

O enfermeiro e toda a equipe de enfermagem exercem papel decisivo na identificação precoce dos sintomas, no monitoramento clínico, na educação em saúde e no acompanhamento dos pacientes antes e após intervenções, contribuindo para uma assistência segura, baseada em evidências e centrada no paciente.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes brasileiras de valvopatias. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Valvopatias. Rio de Janeiro: SBC, 2022. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br/
  4. OTTO, C. M.; NISHIMURA, R. A.; BONOW, R. O. Valvular Heart Disease: A Companion to Braunwald’s Heart Disease. 6. ed. Philadelphia: Elsevier, 2024.
  5. KASPER, D. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 21. ed. Porto Alegre: AMGH, 2022.
  6. BRAUNWALD, E. Braunwald’s Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine. 12. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
  7. AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY (ACC); AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). 2020 Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Disponível em: https://www.acc.org
  8. EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY (ESC). 2021 ESC/EACTS Guidelines for the Management of Valvular Heart Disease. Disponível em: https://www.escardio.org

Carrinho de Banho Hospitalar: o que deve conter e o que a Enfermagem precisa saber

O banho no leito é muito mais do que um procedimento de higiene. Trata-se de um cuidado essencial da enfermagem, capaz de promover conforto, prevenir infecções, reduzir o risco de lesões por pressão, preservar a integridade da pele e proporcionar bem-estar físico e emocional ao paciente.

Para que esse procedimento seja realizado com segurança, organização e eficiência, um dos principais aliados da equipe é o carrinho de banho. Quando bem abastecido e organizado, ele evita interrupções durante o atendimento, reduz o risco de contaminação cruzada e garante que todos os materiais necessários estejam prontamente disponíveis.

Hoje você conhecerá em detalhes o que é o carrinho de banho, quais materiais devem fazer parte dele, como organizá-lo corretamente e quais são os principais cuidados de enfermagem durante sua utilização.

O que é o carrinho de banho?

O carrinho de banho é um equipamento utilizado pela equipe de enfermagem para transportar todos os materiais necessários à realização da higiene corporal do paciente.

Ele é amplamente utilizado em:

  • Unidades de Terapia Intensiva (UTI);
  • enfermarias;
  • unidades de internação;
  • clínicas médicas;
  • clínicas cirúrgicas;
  • unidades de cuidados prolongados;
  • instituições de longa permanência;
  • hospitais de reabilitação.

Sua principal finalidade é permitir que todo o procedimento seja realizado de maneira organizada, segura e eficiente.

Qual a importância do carrinho de banho?

A utilização adequada do carrinho proporciona diversas vantagens.

Entre elas:

  • maior agilidade durante o procedimento;
  • redução do tempo de exposição do paciente;
  • prevenção de esquecimentos de materiais;
  • menor circulação desnecessária da equipe;
  • diminuição do risco de contaminação;
  • melhor organização do setor;
  • maior conforto ao paciente;
  • otimização do trabalho da enfermagem.

Além disso, contribui diretamente para as metas de segurança do paciente.

Como deve ser organizado?

Idealmente, o carrinho deve permanecer:

  • limpo;
  • identificado;
  • abastecido;
  • seco;
  • protegido contra poeira;
  • organizado por categorias de materiais.

Materiais limpos nunca devem ficar misturados com materiais contaminados. Também é recomendado que haja uma rotina diária de conferência dos itens disponíveis.

O que deve conter no carrinho de banho?

Embora possa haver pequenas diferenças entre hospitais, alguns materiais são considerados praticamente indispensáveis.

Roupas de cama

Durante o banho, normalmente ocorre a troca completa da roupa do leito.

Por isso, o carrinho costuma conter:

  • lençol inferior;
  • lençol superior;
  • fronha;
  • cobertor ou manta, quando necessário.

Todos devem estar limpos, secos e devidamente dobrados.

Lençol móvel (lençol de meio)

Também conhecido como:

  • lençol móvel;
  • lençol para meio;
  • lençol intermediário.

É colocado na região do tronco e quadril.

Suas funções incluem:

  • facilitar mudanças de decúbito;
  • auxiliar mobilizações;
  • proteger o lençol inferior;
  • facilitar a movimentação do paciente;
  • reduzir atrito durante mudanças de posição.

É um dos itens mais utilizados nas UTIs.

Toalhas

Devem estar disponíveis:

  • toalha de banho;
  • toalha de rosto.

Em alguns hospitais utilizam-se toalhas descartáveis ou compressas específicas para higiene.

Cobertores e mantas

Dependendo do estado clínico do paciente, pode ser necessário manter cobertores extras para evitar perda de calor durante o banho.

Isso é especialmente importante em:

  • idosos;
  • recém-operados;
  • pacientes críticos;
  • recém-nascidos.

Bacias de inox

As bacias de aço inoxidável ainda são muito utilizadas em diversos serviços.

Podem ser empregadas para:

  • água limpa;
  • higiene corporal;
  • higiene íntima;
  • lavagem dos cabelos.

Seu material permite adequada desinfecção após o uso.

Baldes de inox

São utilizados para:

  • transporte de água;
  • descarte de água utilizada;
  • apoio durante procedimentos.

Assim como as bacias, devem ser higienizados após cada utilização.

Luvas de procedimento

Devem estar disponíveis em diferentes tamanhos.

São utilizadas principalmente durante:

  • higiene íntima;
  • troca de fraldas;
  • contato com secreções;
  • manipulação de curativos.

A higiene corporal geral nem sempre exige luvas, desde que não haja risco de contato com fluidos biológicos, conforme recomendações de biossegurança.

Avental descartável

Pode ser necessário quando existe risco de respingos ou contato com secreções.

Produtos para higiene corporal

Entre os principais produtos encontram-se:

Sabonete líquido

Preferencialmente com pH fisiológico, pois promove limpeza sem agredir a pele.

Sabonete antisséptico

É indicado apenas em situações específicas, como protocolos institucionais ou preparo pré-operatório. Não deve ser utilizado rotineiramente em todos os pacientes.

Shampoo

Utilizado quando houver lavagem dos cabelos. Alguns hospitais utilizam shampoo sem enxágue.

Condicionador

Quando indicado. Ajuda a preservar a integridade dos fios.

Espuma de limpeza corporal

Muito utilizada em pacientes críticos, pois permite higiene sem necessidade de enxágue.

Produtos para higiene oral

Dependendo do perfil do paciente, o carrinho pode conter:

  • escova dental;
  • creme dental;
  • solução para higiene oral;
  • clorexidina oral (quando prescrita);
  • espátulas com espuma;
  • gaze.

Pacientes em ventilação mecânica frequentemente seguem protocolos específicos de higiene oral.

Hidratantes corporais

Após o banho, muitos pacientes necessitam de hidratação da pele.

Especialmente:

  • idosos;
  • diabéticos;
  • pacientes desidratados;
  • pacientes com pele ressecada.

Cremes barreira

São fundamentais para prevenção da dermatite associada à incontinência.

Normalmente contêm:

  • óxido de zinco;
  • dimeticona;
  • polímeros protetores.

Devem ser aplicados conforme necessidade clínica.

Pomadas

Podem estar disponíveis conforme prescrição ou rotina institucional.

Exemplos:

  • pomadas barreira;
  • pomadas cicatrizantes;
  • hidratantes específicos.

Nunca devem ser utilizadas sem indicação adequada.

Fraldas descartáveis

O carrinho deve possuir diversos tamanhos. As fraldas devem permanecer protegidas da umidade e a troca deve ocorrer sempre que houver sujidade ou umidade.

Compressas

Podem ser utilizadas para:

  • higiene;
  • secagem;
  • limpeza de regiões específicas.

Algodão e gaze

Utilizados quando necessário para higiene delicada ou aplicação de produtos.

Sacos para descarte

Devem existir recipientes ou sacos destinados ao descarte de:

  • resíduos comuns;
  • roupas sujas;
  • materiais contaminados.

Nunca misturar roupas limpas com roupas utilizadas.

Álcool para higiene das mãos

O carrinho pode conter preparações alcoólicas para higiene das mãos entre os procedimentos. Entretanto, isso não substitui os dispensadores fixos da unidade.

Materiais adicionais

Alguns hospitais acrescentam:

  • escovas para cabelos;
  • pente;
  • barbeador descartável;
  • aparelho para tricotomia (quando indicado);
  • protetores absorventes;
  • lenços umedecidos;
  • lenços descartáveis;
  • recipientes para próteses dentárias;
  • sacos para pertences.

Como organizar o carrinho?

Uma organização bastante prática é dividir os materiais por setores. Na parte superior:

  • Materiais de uso imediato.

Na parte intermediária:

  • Produtos de higiene.

Na parte inferior:

  • Roupas limpas.

Compartimento separado:

  • Materiais contaminados até o descarte adequado.

Essa organização reduz o risco de contaminação cruzada.

Quando conferir o carrinho?

Idealmente:

  • no início do plantão;
  • após cada banho;
  • antes da reposição do setor;
  • sempre que houver consumo de materiais.

Essa rotina evita falta de insumos durante os cuidados.

O banho no leito é um momento de avaliação clínica

Além da higiene, o banho representa uma excelente oportunidade para avaliação do paciente.

Durante o procedimento, a enfermagem pode observar:

  • integridade da pele;
  • lesões por pressão;
  • áreas hiperemiadas;
  • hematomas;
  • equimoses;
  • edema;
  • icterícia;
  • cianose;
  • palidez;
  • sangramentos;
  • secreções;
  • presença de dispositivos;
  • curativos;
  • cateteres;
  • drenos;
  • ostomias;
  • sinais de dor.

Muitas alterações clínicas são identificadas justamente durante o banho.

Cuidados de enfermagem

Antes do banho:

  • Realizar higiene das mãos.
  • Confirmar a identificação do paciente.
  • Explicar o procedimento.
  • Preservar a privacidade utilizando biombo ou cortinas.
  • Verificar temperatura do ambiente.
  • Separar previamente todos os materiais.

Durante o banho:

  • Respeitar a individualidade do paciente.
  • Manter o corpo coberto sempre que possível, expondo apenas a região que está sendo higienizada.
  • Observar cuidadosamente a pele.
  • Evitar atrito excessivo.
  • Trocar a água sempre que necessário.
  • Realizar higiene íntima utilizando técnica adequada.
  • Secar completamente as dobras da pele.
  • Manter dispositivos fixados corretamente.

Após o banho:

  • Aplicar hidratantes ou cremes barreira quando indicados.
  • Trocar roupas de cama.
  • Reposicionar adequadamente o paciente.
  • Realizar mudança de decúbito quando indicada.
  • Descartar corretamente os resíduos.
  • Higienizar bacias, baldes e demais materiais reutilizáveis.
  • Registrar no prontuário alterações observadas durante o procedimento.
  • Reabastecer imediatamente o carrinho para o próximo atendimento.

Erros que devem ser evitados

Algumas falhas podem comprometer a segurança do paciente.

Entre elas:

  • utilizar materiais vencidos;
  • reutilizar água entre pacientes;
  • misturar materiais limpos e contaminados;
  • esquecer materiais durante o banho;
  • deixar fraldas ou roupas expostas à umidade;
  • realizar o banho sem preservar a privacidade;
  • não observar alterações da pele;
  • não higienizar o carrinho após o uso.

Você sabia?

Muitos diagnósticos de enfermagem relacionados à integridade da pele são identificados durante o banho. O banho no leito contribui para reduzir a ansiedade e proporcionar sensação de conforto, especialmente em pacientes críticos.

A troca do lençol móvel facilita significativamente a mudança de decúbito, reduzindo o esforço físico da equipe e o atrito sobre a pele do paciente. Em unidades de terapia intensiva, é comum que o carrinho de banho também disponha de materiais para higiene oral, prevenção de lesão por pressão e cuidados com dispositivos invasivos.

A organização padronizada do carrinho diminui o tempo de execução do procedimento, reduz deslocamentos desnecessários da equipe e melhora a segurança assistencial.

O carrinho de banho é muito mais do que um simples móvel para transporte de materiais. Ele representa uma ferramenta essencial para a qualidade da assistência de enfermagem, permitindo que o banho no leito seja realizado com organização, segurança e eficiência.

Manter o carrinho limpo, abastecido e organizado garante agilidade durante os cuidados, reduz o risco de contaminação cruzada e favorece uma assistência humanizada. Além disso, o momento do banho oferece uma oportunidade única para avaliação clínica completa do paciente, permitindo a identificação precoce de alterações que podem influenciar diretamente na evolução do tratamento.

Quando utilizado de forma adequada e associado às boas práticas assistenciais, o carrinho de banho torna-se um importante aliado na promoção da segurança do paciente e na excelência do cuidado de enfermagem.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Higienização e Cuidados. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM DERMATOLOGIA (SOBENDE). Guia de boas práticas no banho no leito. São Paulo: Sobende, 2023. Disponível em: https://sobende.org.br/
  4. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
  5. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  6. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Brasília: COFEN. Disponível em: https://www.cofen.gov.br
  7. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines on Core Components of Infection Prevention and Control Programmes. Genebra: WHO, 2016. Disponível em: https://www.who.int/publications

Como descobrir quantos gramas existem em uma bolsa de Soro Glicosado 5%? Entenda o cálculo de forma simples e definitiva

Entre os cálculos mais comuns realizados na prática da enfermagem está a identificação da quantidade de glicose presente nas bolsas de Soro Glicosado 5% (SG 5%).

Embora pareça algo complexo à primeira vista, a verdade é que o cálculo é bastante simples quando entendemos o significado da concentração expressa no rótulo da solução.

Saber interpretar essas informações é importante não apenas para provas e concursos, mas também para a prática clínica, principalmente em setores como enfermaria, pronto-socorro, centro cirúrgico, pediatria e terapia intensiva.

Nesta publicação, você aprenderá de forma simples como calcular a quantidade de glicose presente nas bolsas de 100 mL, 250 mL, 500 mL e 1000 mL, além de entender a lógica matemática utilizada nesses cálculos.

O que significa o 5% na prática?

O termo “por cento” (%) na farmacologia, quando falamos de soluções, refere-se a gramas por 100 mililitros (g/100ml). Portanto, dizer que um soro glicosado está a 5% significa que, em cada 100 ml de soro, nós temos exatamente 5 gramas de glicose dissolvidas.

A partir dessa definição simples, você nunca mais precisará decorar tabela nenhuma, pois tudo o que você precisa fazer é uma regra de três básica ou, mais facilmente, uma proporção direta. Se você sabe que 100 ml contém 5 gramas, você consegue descobrir qualquer volume.

Como interpretar a concentração percentual?

A porcentagem pode ser traduzida matematicamente da seguinte forma:

5% = 5 g → 100 mL

A partir dessa relação, conseguimos descobrir facilmente a quantidade de glicose em qualquer volume de solução.

Calculando para as bolsas de 100, 250, 500 e 1000 ml

Vamos aplicar essa lógica para os volumes mais comuns que encontramos no hospital.

Para a bolsa de 100 ml, o cálculo é automático, já que a própria definição de 5% se baseia em 100 ml. Então, em 100 ml de soro glicosado a 5%, você tem exatamente 5 gramas de glicose.

Agora, para a bolsa de 250 ml, fazemos o seguinte raciocínio: se em 100 ml temos 5 gramas, em 250 ml teremos x gramas. Multiplicando cruzado (ou simplesmente percebendo que 250 ml é 2,5 vezes 100 ml), descobrimos que 2,5 vezes 5 gramas resulta em 12,5 gramas de glicose.

No caso da bolsa de 500 ml, o cálculo fica ainda mais intuitivo. 500 ml é o dobro de 250 ml, ou 5 vezes 100 ml. Se em 100 ml temos 5 gramas, em 500 ml teremos 5 vezes 5, totalizando 25 gramas de glicose.

Por fim, a bolsa de 1000 ml, que é o litro completo. Se em 100 ml temos 5 gramas, em 1000 ml — que contém 10 vezes 100 ml — teremos 10 vezes 5 gramas. O resultado são 50 gramas de glicose pura dentro desse frasco.

Resumo rápido para decorar

Volume da Bolsa Quantidade de Glicose
100 mL 5 g
250 mL 12,5 g
500 mL 25 g
1000 mL 50 g

Existe uma fórmula mais rápida?

Sim.

Depois de entender a lógica, você pode usar a seguinte fórmula:

Gramas = Volume (mL) × Concentração (%) ÷ 100

Exemplo para uma bolsa de 500 mL:

Gramas = 500 × 5 ÷ 100

Gramas = 25

Resultado:

25 gramas de glicose.

Por que esse cálculo é importante para a enfermagem?

Embora muitas vezes o profissional apenas administre a solução prescrita, conhecer a quantidade de glicose administrada é fundamental em diversas situações clínicas.

Entre elas:

  • pacientes diabéticos;
  • pacientes críticos;
  • nutrição parenteral;
  • controle glicêmico rigoroso;
  • cálculo de aporte calórico;
  • terapia intensiva neonatal;
  • pediatria.

O conhecimento da quantidade real de glicose administrada ajuda a compreender melhor os efeitos metabólicos da terapia intravenosa.

Quantas calorias existem em uma bolsa de SG 5%?

Uma curiosidade interessante é que cada grama de glicose fornece aproximadamente 4 kcal.

Assim:

◊Bolsa de 100 mL:

5 g × 4 = 20 kcal

◊Bolsa de 250 mL:

12,5 g × 4 = 50 kcal

◊Bolsa de 500 mL:

25 g × 4 = 100 kcal

◊Bolsa de 1000 mL:

50 g × 4 = 200 kcal

Apesar de fornecer energia, o soro glicosado não substitui uma nutrição adequada.

Cuidados de enfermagem durante a administração de SG 5%

Entender a quantidade de gramas é um cuidado de enfermagem preventivo. Ao manipular uma solução glicosada, você deve sempre observar a prescrição médica e o estado clínico do paciente. Uma infusão rápida de glicose, especialmente em grandes volumes, pode levar a picos glicêmicos indesejados, o que é um risco real para pacientes com diabetes descompensado ou pacientes em estado crítico.

Sempre verifique a integridade da bolsa, a validade e se não há turvação ou partículas no líquido antes de conectar ao equipo. Além disso, monitore o local da punção venosa. Soluções glicosadas, por serem hipertônicas se forem concentradas ou se infundidas de forma inadequada, podem causar irritação vascular ou flebite. Se o paciente relatar dor ou se você observar vermelhidão no trajeto da veia, interrompa a infusão, reavalie o acesso e comunique o enfermeiro responsável.

A segurança na administração começa na conferência do rótulo e termina na observação contínua da resposta do paciente àquela carga glicêmica.

Erros comuns entre estudantes

Um erro bastante frequente é acreditar que uma bolsa de 500 mL de SG 5% contém apenas 5 gramas de glicose. Na verdade, os 5 gramas estão presentes em cada 100 mL.

Como a bolsa possui cinco vezes esse volume, ela contém cinco vezes mais glicose. Outro erro comum é esquecer de converter a porcentagem corretamente durante a regra de três. Por isso, compreender o conceito é mais importante do que decorar números.

Curiosidades sobre o Soro Glicosado 5%

O SG 5% é considerado uma solução isotônica dentro da bolsa, mas após a glicose ser metabolizada pelo organismo, seu efeito fisiológico torna-se semelhante ao de água livre. É uma das soluções mais utilizadas no ambiente hospitalar.

Pode ser utilizada para manutenção hídrica, diluição de medicamentos e prevenção de hipoglicemia em situações específicas. Em pacientes críticos, sua administração deve ser cuidadosamente monitorada para evitar alterações glicêmicas.

Compreender o cálculo dos gramas presentes em uma bolsa de Soro Glicosado 5% é uma habilidade básica, porém extremamente importante para estudantes e profissionais de enfermagem. A regra é simples: uma solução a 5% contém 5 gramas de glicose em cada 100 mL. A partir dessa informação, é possível calcular facilmente a quantidade presente em qualquer volume.

Além de facilitar provas, concursos e avaliações acadêmicas, esse conhecimento contribui para uma assistência mais segura e uma melhor compreensão da terapia intravenosa utilizada diariamente nos serviços de saúde.

Referências:

  1. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. SANTOS, N. C. et al. Cálculo de medicação: uma ferramenta para a segurança do paciente. São Paulo: Editora Senac, 2020. Disponível em: https://www.sp.senac.br/
  3. TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de terapia intravenosa e administração de soluções parenterais. Brasília: Ministério da Saúde.
  5. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  6.  

    Manual MSD – Soluções Intravenosas

  7. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.

Notícias da Enfermagem

19 de Maio: Dia Mundial da Conscientização das DII e o Papel Fundamental da Enfermagem

19 de maio de 2026 – Hoje é celebrado o Dia Mundial da Conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), uma data globalmente reconhecida para informar, acolher e dar visibilidade aos milhões de pacientes que convivem com essas condições crônicas. A data reforça a urgência de diagnósticos precoces e do acesso a tratamentos adequados, além de […]

O que é um Bloqueio de Ramo?

bloqueio de ramo

Um paciente dá entrada em uma Unidade de Terapia Intensiva Cardiológica, após feito um eletrocardiograma de admissão, é notável uma alteração no ECG, sendo um bloqueio de ramo (direito ou esquerdo).

Mas o que é exatamente um Bloqueio de Ramo?

Analisando anatomicamente um coração, você entenderá que há os nós sinoatrial e atrioventricular, e havendo um sistema de condução cardíaca, onde essas conduções elétricas passam pelos feixes, como o atrioventricular, que na qual transmitem impulsos elétricos vindos do mesmo.

O Bloqueio de Ramo, nada mais são distúrbios da condução elétrica distal ao feixe de His, que provocam mudanças na maneira em que ambos os ventrículos são despolarizados.

Esta alteração na despolarização ventricular, causa alterações significativas no complexo QRS do electrocardiograma, que em casos severos (bloqueios completo do ramo) provoca um aumento da duração e mudanças na morfologia.

Os bloqueios de condução podem ser provocados por diferentes cardiopatias, incluindo a degeneração intrínseca sem outra cardiopatia associada.

Como a despolarização é alterada, a repolarização ventricular também é realizada de forma anormal, portanto, a onda T também apresentará alterações morfológicas nos bloqueios completo do ramo.

A Divisão do Feixe de His

  • O ramo direito, estimula o ventrículo direito e o terço direito do septo interventricular.
  • O ramo esquerdo, estimula o ventrículo esquerdo e os restantes dois terços do septo interventricular.

Enquanto o ramo direito permanece indiviso, o ramo esquerdo é dividido em dois pequenos ramos ou fascículos.

  • O fascículo anterior, que transmite o impulso para a região ântero-superior do ventrículo esquerdo.
  • O fascículo posterior, que transmite o impulso para a região póstero-inferior do ventrículo esquerdo.

Qualquer alteração em um desses três ramos provoca um distúrbio de condução interventricular que se reflete em alterações no electrocardiograma.

Bloqueios completos de ramo

O bloqueio de ramo completo ocorre quando há uma obstrução completa do impulso no ramo direito, ou no ramo esquerdo antes da subdivisão.

Os bloqueios completos do ramo apresentam, no eletrocardiograma, um complexo QRS largo (superior a 0,12 s).

Isto é causado porque o estímulo elétrico primeiro despolariza ao ventrículo do ramo saudável, e depois, através do miocárdio, ao ventrículo do ramo afetado.

O tempo de despolarização ventricular é aumentado e, por conseguinte, ocorre um alargamento do complexo QRS.

O que pode causar um Bloqueio de Ramo?

A causa pode variar dependendo se o bloqueio é do ramo direito ou do esquerdo.

De um modo geral, essas causas podem dever-se à pressão arterial elevada, toxicidade medicamentosa, febre reumática, excessiva ingestão de álcool, câncer de pulmão, cirurgia no coraçãotumor, hiperatividade da glândula tireoidepneumoniainflamação do pericárdioembolia pulmonar, sífilis e doença de Lyme.

Causas do bloqueio do ramo direito: as causas mais importantes do bloqueio do ramo direito, são entre outras, as alterações do eletrocardiograma em um paciente normal, doença de Chagas e a comunicação interatrial (CIA).

A propensão a estes bloqueios aumenta com a idade e é mais comum em idosos do que em pessoas de meia-idade ou jovens.

Da mesma forma, essa propensão aumenta nas pessoas que têm pressão arterial alta ou doenças cardíacas.

Causas do bloqueio do ramo esquerdo: o bloqueio do ramo esquerdo está associado a doenças cardíacas na maioria dos casos.

As principais delas são: hipertrofia ventricular esquerda, doença arterial coronariana, doença cardíaca/valvular, miocardiopatias e doença degenerativa do sistema de condução.

Esse bloqueio pode se dar também com frequência cardíaca elevada e, menos frequentemente, em pacientes com estudos cardiológicos normais.

O bloqueio do ramo esquerdo pode ser a primeira evidência de uma doença cardíaca não conhecida.

Complicações Possíveis do Bloqueio de Ramo

A principal complicação dos bloqueios de ramo é a bradicardia (frequência cardíaca lentificada), o que às vezes pode causar síncopes.

Os bloqueios de ramo podem também causar morte súbita.

Como o bloqueio de ramo afeta a atividade elétrica do coração, às vezes, ele pode dificultar o diagnóstico correto de outras doenças do coração e levar a atrasos na gestão adequada delas.

Há tratamento?

Em si mesmo, os bloqueios do primeiro e mesmo do segundo graus não requerem um tratamento específico, mas sim a doença cardíaca que os tenha causado.

Em pacientes com sintomas de síndrome coronariana aguda, o bloqueio do ramo esquerdo deve ser tratado como um infarto agudo do miocárdio.

De modo geral, o tratamento do bloqueio de ramo envolve a implantação de um marcapasso artificial.

Um bloqueio alternante entre o ramo direto e o esquerdo é critério de implante de um marcapasso definitivo.

Embora alguns bloqueios não precisem de tratamento, outros podem evoluir para um bloqueio coronário total (bloqueio de terceiro grau).

Outra variante do bloqueio de ramo é um distúrbio do nódulo sinusal causado pela degeneração das artérias coronárias.

 

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Miocardiopatia de Takotsubo: “O Coração Partido”

Miocardiopatia de Takotsubo: "O Coração Partido"

Miocardiopatia de Takotsubo, também conhecida como a Síndrome do “O Coração Partido”, “Coração Quebrado”, e “Cardiomiopatia Induzida por Estresse”, trata-se de uma desordem transitória e segmentar do ventrículo esquerdo, na ausência de coronariopatia obstrutiva.

Esta síndrome foi descrita pela primeira vez por pesquisadores japoneses no início do da década de 1990.

O nome Takotsubo significa “pote de pesca japonês para capturar polvo”.

Acomete com maior frequência indivíduos do sexo feminino (aproximadamente 95% dos casos), especialmente que se encontram no período pós-menopausa, com idade média entre 60 a 80 anos.

Foi definida pela American Heart Association como uma cardiomiopatia adquirida primária e é responsável por 1% a 2% dos casos de síndrome coronariana aguda.

Fatores de Causa

Existem alguns fatores que precipitam a síndrome: E dentre eles estão os estresses físico e emocional.

Tipicamente, um indivíduo com este tipo de cardiomiopatia apresenta um início súbito de insuficiência cardíaca congestiva juntamente com alterações no eletrocardiograma que sugerem infarto do miocárdio.

Outras manifestações clínicas que o paciente com esta afecção pode apresentar são: precordialgia e/ou dispneia; síncopes; arritmias; edema agudo de pulmão e/ou choque cardiogênico.

Atualmente, os critérios mais aceitos para o diagnóstico desta síndrome são os seguintes:

  • Hipocinesia, acinesia ou discinesia transitória de segmentos médios do ventrículo esquerdo, com ou sem comprometimento apical;
  • Ausência de patologia arterial coronária ou de indícios de ruptura aguda de placa;
  • Novas alterações no eletrocardiograma ou discreta elevação da tropina;
  • Ausência de feocromocitoma ou da miocardite.

O tratamento desta síndrome habitualmente é de suporte. Embora a maioria dos pacientes apresente pressão baixa, o uso de agentes inotrópicos pode intensificar a doença.

Recomenda-se uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA)/ bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) até o retorno à normalidade da função ventricular; betabloqueadores que, quando utilizados continuamente, podem  reduzir recorrências; anticoagulação em presença de trombo ventricular e/ou embolia sistêmica.

O prognóstico é bom, havendo recuperação total dentro de aproximadamente 8 semanas após início do tratamento.

Embora pouco comum, a recorrência as síndrome de Takotsubo tem sido relatada e aparentemente está relacionada à presença do fator desencadeante.

Referências:
http://journals.lww.com/coronary-artery/Fulltext/2011/05000/Takotsubo_Syndrome.13.aspx
http://en.wikipedia.org/wiki/Takotsubo_cardiomyopathy

Veja mais em:

 

Parecer Coren-SP 005/2018: O Técnico de enfermagem pode passar SNG?

Eis uma dúvida que lota minha caixa de mensagens diariamente, sobre a competência do técnico de enfermagem em passagem de sonda nasogástrica: O Técnico pode estar passando?

Lembrando que os pareceres e resoluções dos conselhos mudam constantemente, e em meados de 2014, determinaram na Resolução Cofen nº 453/2014, que “compete ao Enfermeiro estabelecer o acesso enteral por via oro/gástrica ou transpilórica para a administração da NE, conforme procedimentos preestabelecidos.”, deixando de ser, desde aquela época, uma atribuição direta dos técnicos de enfermagem, cabendo somente aos cuidados e a manutenção da mesma.

Porém, a tal determinação parte do pressuposto de que a realização de tal procedimento demanda conhecimento teórico e prático específico, além de consistir em uma atividade de complexidade mais elevada e, portanto, conforme preconizado pela Lei do Exercício Profissional, nestes casos, a assistência era prestada pelo profissional Enfermeiro.

Porém, em meados de 2018, foi atualizado e esclarecido por meio de PARECER COREN-SP 005/2018, onde foi solicitado um parecer quanto à competência para passagem de sonda nasogástrica/orogástrica por profissional de Enfermagem.

Tendo alguns tópicos importantes:

– Quando a passagem da sonda nasogástrica/orogástrica tem outras finalidades que não o estabelecimento de uma via de acesso para terapia enteral, bem como, após a avaliação criteriosa do Enfermeiro quanto à complexidade do paciente e do procedimento (por exemplo: pacientes com distúrbio de coagulação, acometido de varizes esofagianas, presença de franco desconforto respiratório), e tendo em sua equipe profissional de nível médio capacitado, este procedimento poderá ser delegado para tal profissional.

– E mesmo com a delegação da atividade, ela somente poderá ser desempenhada sob orientação e supervisão do Enfermeiro, sendo a confirmação de posicionamento do dispositivo, preferencialmente, feita por este profissional!

Lembrando que, ainda que é assegurado a todo profissional de enfermagem o direito de se recusar a executar atividade que não seja de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não ofereça segurança ao profissional, à pessoa, à família e à coletividade!

Tendo em conclusão mediante aos principais tópicos, concluíram que a competência para passagem de sonda nasogástrica/orogástrica poderá ser delegada para o Técnico de Enfermagem, após avaliação do Enfermeiro quanto ao nível de complexidade do paciente e procedimento!

Não esquecendo, que a passagem de dispositivos para estabelecimento de Terapia Nutricional Enteral é de competência exclusiva dos profissionais Enfermeiros!

Fonte: PARECER COREN-SP 005/2018

Diabetes LADA: O que é?

A Diabetes LADA, que provém do inglês “Latent Autoimune Diabetes in Adults”, em sua tradução livre Diabetes Latente Autoimune do Adulto,  é uma doença autoimune, que possui semelhanças aos tipos 1, que é a deficiência progressiva na secreção de insulina e a tipo 2, que ocasiona níveis elevados de glucagon do DM, o que torna o diagnóstico difícil.

O que difere é desenvolver-se somente na idade adulta e de forma lenta, havendo uma demora até que o indivíduo se torne insulinodependente.

A Dificuldade em Diagnosticar

Por seu lento surgimento, é possível que médicos o confundam com o tipo 2 em uma primeira análise, mas com o tempo notam que assemelha-se mais ao tipo 1.

Existem especialistas que defendem que se o diagnóstico inicial de um paciente for de LADA e logo em seguida iniciar-se o tratamento com pequenas doses de insulina exógena, as ilhotas produtoras  de   insulina  do  pâncreas  destes  indivíduos podem ser preservadas por mais tempo, ou seja, as ilhotas minimamente funcionais por mais tempo significam controle do diabetes mais fácil e maior prevenção do desenvolvimento de complicações.

Quem é afetado pelo LADA?

Pode atingir 2% da população e ocorre geralmente em adultos: São adultos jovens entre 25 e 40 anos, não apresentam sobrepeso nem hipertensão arterial.

Como é confirmado este diagnóstico?

Para confirmar o diagnóstico de diabetes tipo LADA, é necessário fazer um exame chamado anticorpos Anti-células Beta, Anti-GAD.

Visite a Sociedade Brasileira de Diabetes para se informar mais sobre esta patologia!

Veja mais em:

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Os Medicamentos e seus Antídotos

Os Medicamentos e seus Antídotos

Você sabia que um medicamento é classificado como um fármaco de agente tóxico? é o principal agente tóxico que causa intoxicação em seres humanos!

E aqui no Brasil, ocupa o primeiro lugar nas estatísticas do SINITOX desde 1994, sendo que :

Os benzodiazepínicos, antigripais, antidepressivos, antiinflamatórios são as classes de medicamentos que mais causam intoxicações em nosso País (44% foram classificadas como tentativas de suicídio e 40% como acidentes, sendo que as crianças menores de cinco anos – 33% e adultos de 20 a 29 anos – 19% constituíram as faixas etárias mais acometidas pelas intoxicações por medicamentos).

Mas o que são os Antídotos na farmacologia?

O Antídoto é o termo genérico para definir qualquer substância que interfere na cinética e/ou dinâmica de outra substância, diminuindo ou neutralizando seu efeito tóxico.

Alguns antídotos agem por antagonismo competitivo e outros por antagonismo não competitivo.

Um Exemplo:

Um exemplo de antídoto é a ação do bicarbonato de sódio sobre um veneno ácido, uma vez que este, é capaz de neutralizar a ação deste tipo de substância nociva.

Importante! Em situações de envenenamento, deve-se sempre comunicar imediatamente um médico, hospital ou bombeiro!

Quais são alguns dos agentes tóxicos com seus antídotos?

Agente Tóxico  Antídoto
Opiáceos Naloxona
Benzodiazepínicos Flumazenil
Paracetamol N- Acetilcisteína
Insulina Glicose
Betabloqueadores Glucagon
Organofosforados e Carbamatos Atropina
Antidepressivos Tricíclicos Bicarbonato
Anticolinérgicos Fisostigmina
Metanol e Etilenoglicol Etanol
Isoniazida Piridoxina
Ferro Desferroxamina
Cumarínico Vitamina K
Chumbo, Mercúrio, Arsênico Dimercaprol
Antagonistas de Cálcio Cálcio
Digitálicos Anticorpos Específicos
Metahemoglobinizantes Azul de Metileno
Monóxido de Carbono Oxigênio
Heparina Protamina
Tiossulfato de sódio​ (Cianeto) Nitrito de Sódio
Amanita Phalloides Nitrito de Sódio
Veneno de Víboras Soro Antiofídico
Anticonvulsivantes Carvão Ativado
Descongestionantes Nasais e Sistêmicos Carvão Ativado

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Procedimento Coronário Invasivo: A Pulseira Hemostática

Procedimento Coronário Invasivo: A Pulseira Hemostática

O Procedimento Coronário Invasivo dá se pelos procedimentos como o Cateterismo Cardíaco, onde é um procedimento invasivo e cirúrgico que utiliza diferentes tipos de cateteres para registros de pressões intra-cardíacas, colheita de amostras sanguíneas e injeções intra-cardíacas de contraste radiopaco.

Este procedimento é realizado sob emissão de Raios-X na forma de fluoroscopia para dirigir o cateter ao local a ser estudado e cinefluoroscopia para registro de imagens digitalizadas em CD.

Para cada local a ser explorado usam-se cateteres de medidas e angulações diferentes.

O que pode ser realizado através do Cateterismo Cardíaco?

– Angiocoronariografia;
– Ventriculografia;
– Aortografia;
– Arteriografia pulmonar;
– Biópsia endocárdica;
– Angioplastia coronária com balão;
– Angioplastia coronária com colocação de endoprótese ou STENT;
– Estudos de Cardiopatia valvular;
– Valvoplastia Pulmonar;
– Colocação de Marca-Passo temporário;
– Estudo de Cardiopatia Congênita;
– Atriosseptostomia.

As vias de acesso mais utilizadas

Via Braquial

Com anestesia local, próximo à dobra da flexão do cotovelo, na parte anterior, é feito uma incisão e a separação dos tecidos por dissecção.

Isola-se a artéria Braquial para ter acesso ao lado esquerdo do coração (arterial) ou a veia Basílica para acesso ao lado direito do coração (venoso).

Então é feito uma incisão no vaso onde será introduzido o cateter, que será lavado com soro heparinizado após sua introdução.

Completado os estudos necessários o cateter é retirado, suturando-se o vaso e finalmente a pele.

Via Femural

Com anestesia local na região femoral (inguinal) faz-se a palpação dos vasos, introduzindo-se uma agulha de punção, localiza-se e punciona-se a artéria ou a veia Femoral.

Introduz-se então um fio guia pelo lúmen da agulha.

Retira-se a agulha e um introdutor é colocada no local, sendo guiado pelo fio guia, deixando-se no vaso somente a bainha do introdutor que servirá de via de acesso para a introdução e manipulação dos cateteres.

O fio guia que sempre ajuda na colocação e posicionamento dos cateteres com segurança, será retirado após.

Via Radial

Com anestesia local na região radial (punho) faz-se a palpação da artéria radial, introduzindo-se uma agulha de punção.

Após a punção, um fio guia é introduzido pelo lúmen da agulha.

Retira-se a agulha e um introdutor é colocada no local, sendo guiado pelo fio guia, deixando-se na artéria somente a bainha do introdutor que servirá de via de acesso para a introdução e manipulação dos cateteres.

O fio guia sempre ajudará na colocação e posicionamento dos cateteres.

A Técnica por Punção Radial

Quando são completados os estudos necessários os cateteres e a bainha do introdutor são retirados.

Aplica-se no local da punção femoral, pressão durante 15 a 20 minutos até parar totalmente o sangramento.

É feito curativo compressivo no local por 12 horas.

Se punção radial é feito curativo compressivo por 02 horas imediatamente após a retirada da bainha do introdutor. Troca-se o curativo por curativo oclusivo por mais 12 horas.

O Curativo Compressivo: Pulseira Hemostática

O acesso radial, além de propiciar maior conforto e comodidade, associa-se a menores taxas de complicações vasculares e sangramento grave, com potencial impacto na morbimortalidade.

Assim, é desejável a adoção de estratégias que reduzam o risco de oclusão arterial após procedimentos invasivos, possibilitando sua reutilização.

Por isso, existe atualmente, um dispositivo, chamado de Pulseira Hemostática, sendo encontrado no mercado com diversos nomes comerciais, onde oferece maior conforto ao paciente após o
procedimento e exibe custo-efetividade comprovada.

A principal preocupação no pós operatório é na prevenção de complicações vasculares no sítio de punção radial, com ênfase na taxa de oclusão arterial, após a realização de procedimentos coronários invasivos, a fim de evitar:

  • Hematoma;
  • Pseudoaneurisma;
  • Fístula arteriovenosa;
  • Síndrome compartimental;
  • Sangramento.

Como é feito a manutenção após o Cateterismo?

Imediatamente após o término do procedimento, o introdutor é tracionado cerca de 2 cm.

O dispositivo aplicado no paciente com o marcador verde (localizado no centro do balão maior) posicionado exatamente no orifício da punção, facilitando a localização, a visualização e o controle de possível sangramento.

Insufla-se o balão com seringa própria, injetando 15 mL de ar, com retirada simultânea e total do introdutor, observando, ao final, a ausência de sangramento ativo.

A partir da 4ª hora e a cada hora subsequente (5ª e 6ª horas), esvazia-se 5 mL de ar lentamente, mantendo o balão conectado à seringa e controlando o êmbolo com o polegar.

Em caso de sangramento durante qualquer etapa da retirada do dispositivo, é injetado novamente o volume de ar necessário para manutenção da hemostasia, repetindo o processo após 60 minutos.

Os Cuidados de Enfermagem

Pós Cateterismo Diagnóstico

  • Repouso no leito por 05 horas (femoral) e por 03 horas (braquial ou radial) sem mover, apoiar ou dobrar o membro cateterizado, recomenda-se conter o membro onde realizou o procedimento;
  • Verificar o local cateterizado, como:- pulso, cor, temperatura a cada 15 minutos na primeira hora , 30 minutos na segunda hora, 60 minutos nas três horas seguintes.
  • Verificar PA e FC quando checar os parâmetros acima;
  • Qualquer alteração comunicar a equipe médica;
  • Se sangramento, comprimir o local e comunicar equipe médica;
  • Dieta leve;
  • Orientar o paciente sobre estes cuidados;
  • Após a quinta hora permitir deambulação, verificando os parâmetros acima;
  • Se possível, fazer ECG logo após procedimento;
  • Orientar paciente para retirar curativo oclusivo após 12 horas e se dissecção braquial, os pontos depois de 08 dias. Se punção femoral, retirar curativo compressivo após 12 horas.

Pós Cateterismo Terapêutico

  • Na Angioplastia Coronária: O que é?

Consiste na introdução de um cateter balão na luz da artéria coronária, exatamente na porção média da lesão, sendo o balão insuflado com contraste radiopaco.

O objetivo é a expansão do diâmetro luminal da artéria.

Os Cuidados de Enfermagem Pré Operatório

  • Reservar leito na UTI;
  • Reservar sala cirúrgica;
  • Checar disponibilidade de equipe cirúrgica;
  • Reservar sangue do mesmo tipo do paciente;
  • Seguir protocolo médico de medicações.

Os Cuidados de Enfermagem Pós Operatório

  • Após a angioplastia coronária o paciente é mantido com anticoagulante pleno por 12 a 24 horas;
  • A bainha do introdutor é retirada depois deste período quando a coagulação estiver normal;
  • Repouso absoluto no leito;, 2- elevar cabeceira da cama até 45 graus;
  • Controlar bomba de infusão de Nitroglicerina e Heparina;
  • Controlar PA e P cada meia hora ( 4 vezes ), depois de hora em hora;
  • Verificar curativo na região inguinal a cada hora;
  • Dieta leve;
  • Retirar bainha do introdutor após normalização de coagulação sanguínea, se necessário anestesiar o local;
  • Proceder cuidados pós-cateterismo diagnóstico por punção femoral.
  • Na Angioplastia Coronária com colocação de endopróteses coronárias ou Stents: O que é?

Stent é um dispositivo em formato de mola de aço inoxidável, pequeno e entrelaçado que é introduzido na artéria coronária com obstrução por meio de um cateter balão.

O cateter balão é inflado, o que provoca a expansão do stent, pressionando-o contra a parede da artéria.

Após o balão ser desinsuflado e retirado, o stent fica na posição permanentemente, mantendo o vaso aberto.

  • Na Valvuloplastia por cateter balão: O que é?

Consiste na passagem de um cateter balão desinsuflado pela válvula aórtica, mitral ou pulmonar e insuflamento do mesmo na tentativa do rompimento da válvula, diminuindo a estenose.

Valvuloplastia Pulmonar é relatada como sendo um método seguro e efetivo.

O procedimento é realizado por punção percutânea femoral.

Os cuidados de enfermagem pré e pós são os mesmos para cateterismo cardíaco diagnóstico.

Abertura da válvula por cateter balão.

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